Resenha Crítica | Scoop – O Grande Furo (2006)

Scoop, de Woody Allen

A experiência em ver um filme de Woody Allen é reconfortante, é notável, é magistral. É difícil não se contentar com o singelo humor de suas histórias ou quando aborda uma narrativa mais delicada. Em “Scoop – O Grande Furo” o veterano cineasta de 71 anos retorna aos bons tempos recentes de “Dirigindo no Escuro” e “Trapaceiros”, filmes que não apelam para as “máquinas” de entretenimento que tornaram os filmes americanos tão banais, ou histórias que, de tão mirabolantes, acabaram pretensiosas. Quem gosta de diálogos bem escritos, acontecimentos engraçados sempre autografados pelo diretor e ar nostálgico poderá apreciar a produção sem queixa alguma.

Uma das melhores atrizes jovens desta geração, Scarlett Johansson novamente triunfa com outro desempenho perfeito, mostrando que seu estágio com o veterano cineasta está rendendo os melhores e mais saborosos frutos. Ela é Sondra Pransky, dedicada estudante de jornalismo que, após esbarrar em um fantasma (interpretado por Ian Mcshane, que estará no aguardado “A Bússola de Ouro”) no exato momento de um truque de mágica, tem o furo (ou scoop, no inglês) ideal para pesquisar a todo custo: descobrir a verdadeira identidade do Assassino do Tarô, que atua nas noites de Londres. Evidências apontam para Peter Lyman (interpretado por Hugh Jackman), aristocrata elegante de vida nababesca pelo qual Sondra acaba se apaixonando. O mágico Sidney Waterman de Woody Allen também entra na teia de mistérios, ajudando a jovem jornalista na busca do verdadeiro serial killer.

O cineasta continua investindo nas suas excelentes tiradas, enquanto Johansson demostra charme e competência em cena, além do elenco coadjuvante gracioso, como McShane, Charles Dance e Romola Garai. Cineasta que sempre reúne um elenco quase dos sonhos, Allen infelizmente conta com um Jackman bem envergonhado. Nada que comprometa a bela Londres, a formidável trilha sonora, o humor delicioso e a grande astúcia de Allen. Se não nos entregou uma obra à altura de “Match Point” ao menos matou toda a saudade do seu velho e excelente cinema cômico: não confere mudanças no seu desenvolvimento, mas o texto é repleto de inteligência, estilo e singeleza, elementos suficientes para um resultado agradável.

Resenha Crítica | Deu a Louca em Hollywood (2007)

Epic Movie, de Aaron Seltzer e Jason Friedberg
Antes de “Todo Mundo em Pânico” virar febre, nos anos 1980 e 1990 era comum fazer sátira a filmes populares ou a um gênero determinado. Foram concebidos nesses períodos produtos verdadeiramente engraçados, como a série “Corra Que a Polícia Vem Aí”, “Máquina Quase Mortífera” e “Top Gang”.
Salvando a franquia atual “Todo Mundo em Pânico”, que faz humor com filmes de sucesso, especialmente de horror, o restante resume-se a produções intragáveis. Se Jason Friedberg e Aaron Seltzer falharam em satirizar algo que já era insosso com o terrível “Uma Comédia Nada Romântica”, o resultado é surpreendentemente pior com “Deu a Louca em Hollywood”, este com a finalidade de se engraçar com blockbusters.
Os americanos podem até ter ajudado no sucesso do filme nas telas gringas, mas eles não são tão tolos quanto se espera, já que o famoso The Internet Movie Database tem “Deu a Louca em Hollywood” na 42º posição de pior filme da história, segundo votação popular..“O Código Da Vinci”, “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, “Piratas do Caribe”, “As Crônicas de Nárnia”, “Serpentes a Bordo”, “X-Men”, “Nacho Libre” e “Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América” são as porções usadas neste horror de comédia. Se é possível tirar alguma sinopse para completar este pequeno parágrafo é este: quatro órfãos são transportados através de um guarda-roupa para o mundo de Gnarnia. Lá eles entram em muitas confusões. Ponto final.
É possível soltar uma risada tímida com Crispin Glover incorporando Willy Wonka, mas é só. Não há história, não há momentos cômicos que sustentem a falta de argumento, não existe absolutamente nada de válido para que você invista seus trocados ou tempo. Posso cair no tédio descrevendo diversos adjetivos negativos para tamanha asneira, mas devo beneficiá-lo apenas com o decreto de pior filme do ano. Filmes ruins virão, mas será um trabalho árduo tirar este do pódio.

Resenha Crítica | Motoqueiro Fantasma (2007)

Ghost Rider, de Mark Steven Johnson

O cinema já quebrou a barreira do pessimismo quanto as adaptações de HQs não terem formas para ser levadas às telonas, mas a incompetência artística e a ganância de produtores em lucrar com um ícone dos gibis ainda persistem. O sucesso vem de uma certa tendência do grande público, que sempre escolhe uma sessão pipoca do que um filme que seja virtuoso em argumento, interpretação, direção e desenvoltura, tornando essa febre de heróis saído dos quadrinhos uma das maiores pragas do novo século. Este “Motoqueiro Fantasma” falha em todos os aspectos que formam um bom entretenimento, além de ser mais um eventual erro de Nicolas Cage – que não fez mais nada de bom desde o drama “O Sol de Cada Manhã”.

Aqui, Johnny Blaze (Matt Long) faz pacto com o coisa ruim (ou, se preferir Mefisto, interpretado pelo sumido Peter Fonda) para salvar o seu pai quando este sofre um grave acidente automobilístico. Uma solução temporária, pois ele morre logo em seguida. Já mais velho no corpo de Cage, Johnny descobre sua fúria flamejante até então oculta, vindo em seguida a apresentação dos vilões grotescos e a presença de Eva Mendes para formar par romântico com o protagonista.

Ou seja, mais do mesmo, analisando que esta é a base que sustenta os argumentos de outras aberrações de porte de “Hulk”, “Homem-Aranha”, “Quarteto Fantástico” e outras tralhas deste sub-gênero de ação. Nos quadrinhos da Marvel Comics, o personagem deu as caras no início da década de 1970. Criou alvoroço quando afirmaram que a editora plagiou “O Cavaleiro Fantasma”. Tanto na leitura ilustrada como no filme, o Motoqueiro Fantasma também pune indivíduos repletos de pecados, fazendo uma rápida viagem à alma em busca de todos os danos que causou em toda a sua existência.

Se ao menos o roteiro seguisse a mesma formalidade de “Demolidor – O Homem Sem Medo”, Mark Steven Johnson certamente entregaria um filme digno para seu personagem, mas a apresentação é apresada demais, a inclusão do cômico só atrapalha e efeitos visuais de qualidade duvidosa tentam afirmar que espetáculo gráfico já basta, satisfação que já se tornou insuficiente há tempos. Nicolas Cage conseguiu neste “Motoqueiro Fantasma” sua grande realização como ator e sonho pessoal, interpretando um herói nas telas de cinema. Vemos um homem feliz em ação, descontraído. Mas um ator até então respeitável deve se arriscar negando certas oportunidades, pois Cage só anda caindo no conceito dos seus fãs e do público que acredita no seu talento, um erro que muitas personalidades persistiram até o fim, refletindo atualmente na corrida destes em agarrar bons papéis. O aviso está dado.