Resenha Crítica | Alpha Dog (2006)

Alpha Dog, de Nick Cassavetes

Em seus trabalhos mais recentes, Nick Cassavetes (filho de John Cassavetes e Gena Rowlands) soube empregar com profundidade diversos atos que pode ser relacionado ao amor. Os riscos que um pai corre pela vida de seu próprio filho foi encenada em “Um Ato de Coragem”, assim como a afeição de um casal sobrevivendo as barreiras do tempo em “Diário de Uma Paixão”.

Em “Alpha Dog” (título/expressão que significa “macho dominante” – o filhote mais esperto e imitado de uma ninhada de cães), Cassavetes nos assusta ao contar um retrato verdadeiro de uma juventude rebelde movida por acerto de contas, tráfico de drogas e todos os atos atrozes que compõem a violência. Contudo, frustra pelo modo que conduz esse quadro que se afasta em diversos momentos de seu propósito principal, onde atos inconsequentes dos menores podem ser o reflexo da falta de responsabilidade dos maiores ou, melhor, dos próprios pais.

Criando com fidelidade o trágico destino de Nicholas Markowitz, mesmo inserindo perceptíveis rumos ficcionais e a mudança dos nomes dos personagens em ação, é narrado o conflito de Jake Mazursky (Ben Foster, de “X: Men – O Confronto Final”) com o badalado traficante de segunda Johnny Truelove (Emile Hirsch, de “O Clube do Imperador”), já que o primeiro deve uma quantia considerável para o até então amigo. Tudo ferve ainda mais quando Zack (Anton Yelchin, de “Sociedade Feroz”), irmão de Jack, é sequestrado com premeditação. O estado de pânico logo é substituído por eufolia devido as festas ininterruptas regadas a drogas e bebidas que tomam o seu cativeiro. Apesar de não existir um risco aparente para o sequestrado, Truelove não descarta a possibilidade de matá-lo, temendo ser apanhado pela polícia.

Fora das telas, onde tudo correu tragicamente da mesma forma, o então Jesse James Hollywood foi acampado pela Interpol em Saquarema, no Rio de Janeiro em 8 de março de 2005, aguardando julgamento até o momento em presídio localizado na Califórnia. Com um forte material em mãos, Cassaventes não consegue impor impacto. Outro motivo que incomoda são alguns intérpretes inaptos em incorporar os seus personagens: Ben Foster pouco convence como o irmão desequilibrado e Hirsch não iguala o brilho de seus ótimos desempenhos anteriores. Antes de terminar a decepção, entretanto, “Alpha Dog” consegue alcançar um ponto angustiante vindo o destino de Zack e especialmente quando Sharon Stone ganha um espaço suficiente para exibir uma faceta oposta a sua exuberante beleza – o estado tocante de tristeza que consegue representar é o que há de mais crível em todo o filme.

Resenha Crítica | As Férias de Mr. Bean (2007)

Mr. Bean’s Holiday, de Steve Bendelack

Em meio a tantas variedades, o cinema ainda nos deve mais entretenimentos que saibam lidar com a ingenuidade e doçura em doses bem medidas. Se a pureza é presente em muitos clássicos, na atualidade isso é um artigo raro. É o que basta para definir o divertidíssimo “As Férias de Mr. Bean”, anunciado como última caracterização de Rowan Atkinson com o personagem que o revelou para o mundo.

A produção é inofensiva e Bean é cândido em todos os seus atos. Todavia, existe a preocupação na construção da aventura e toda a dedicação do elenco em personagens que exigem um enorme carisma. Se o roteiro é singelo ao extremo, todo o percurso andado até os últimos minutos da projeção foi construído na base de muita criatividade e descontração. Por isso, não é tremendo exagero as comparações dos fãs entre Bean e o comediante Charles Chaplin: guardadas as devidas proporções, ambos ganharam fama pelas qualidades citadas nas linhas anteriores da resenha. Mesmo que seja garantia de satisfação para o público de todas as idades, a parcela que prefere o humor escrachado ou inovador não deve ter muitas expectativas.

Após ganhar em uma promoção um passaporte para viajar à França, Bean organiza as bagagens e logo sonha em repousar nos maravilhosos pontos turísticos do país. Como o esperado, o sujeito não embarca rumo ao seu destino da melhor forma, pois, sem muitas opções, um garoto chamado Stepan (Max Baldry) fica aos seus cuidados, pois se separou de seu pai (Karel Roden) após um hilariante descuido. As boas intenções do herói não funcionam muito bem, chegando  até mesmo a entrar de penetra no badalado Festival de Cannes, que tem entre os seus convidados a atriz pouco experiente Sabine (a carismática Emma de Caunes, presente no filme “Sonhando Acordado”) e o egocêntrico cineasta Carson Clay (Willem Dafoe).

Em 1997, o personagem ganhou as telonas, mas o resultando não foi tão bem-sucedido, mesmo que o filme seja engraçadíssimo. As imperfeições ocorreram por dois descuidos. O primeira foi o seu parceiro de cena interpretado pelo ator Peter MacNicol, que comprometia pela falta de carisma. O segundo foi o acréscimo desnecessário de falas para o personagem usado em muitas sequências, pois um dos fatos que elevaram a fama de Mr. Bean foi a celebração ao humor mudo.

Esses problemas não são repetidos no novo “As Férias de Mr. Bean”, sendo o melhor filme do gênero neste ano de boas produções. Se você é fã incondicional do personagem, vai adorar as suas novas confusões. Se você não apreciava os quadros cômicos exibidos tempos atrás de tevê aberta protagonizados por Bean, dê uma chance a ele. É sua despedida definitiva. E o renascimento de uma esplendorosa inocência que poucos têm o esmero para criar.