Resenha Crítica | Encontros ao Acaso (2006)

Próxima de completar quarenta anos de idade, Ashley Judd iniciou sua carreira artística já bem jovem, talvez influenciada por sua mãe e irmã, que eram cantoras. Desde algumas pequenas participações em séries televisivas até este primeiro filme dirigido pela também atriz Joey Lauren Adams, Judd se livrou de grandes micos (por pouco protagonizou os fracassos “Mulher-Gato” e “Instinto Selvagem 2”) e chegou ao ápice de sua carreira com uma indicação ao Globo de Ouro pelo seu desempenho em “De-Lovely – Vida e Amores de Cole Porter”. Alguns deslizes que cometeu, entretanto, não a impediram de trabalhar com diretores celebrados como Carl Franklin, Philip Kaufman, Joel Shumacher e Michael Mann. Mas madura em suas escolhas, Judd caminha com harmonia pela fase mais inspirada da carreira, comprovado com “Bug” e este drama “Encontros ao Acaso”. É verdade que virtudes de um filme não se limita apenas na competência de seu elenco, mas sem essas qualidades que a atriz entrega em todos os instantes (nenhum momento é desenvolvido sem a sua presença) a relevância dramática não seria a mesma.
Também responsável pela história, Joey Lauren Adams foca a vida conturbada de Lucy Fowler (Ashley Judd), jovem e independente mulher que vive com sua melhor amiga Kim (Laura Prepon). Competente funcionária de um estabelecimento que gerência construções locais, ela também é dependente do álcool. Problema não muito importante, já que sua maior crise é a total falta de comprometimento quando embarca numa relação, pois dorme por uma noite com qualquer rapaz e na manhã seguinte não mantém qualquer contato. Isso tende a mudar quando conhece o bem intencionado Cal Percell (Jeffrey Donovan), por quem Lucy acaba de apaixonando depois de mais uma de suas constantes aventuras amorosas. A de destacar também o relacionamento nada harmônico com o seu próprio pai. Para reverter a situação, começa a frequêntar todos os domingos a mesma igreja que ele comparece, com a intenção de reaproximação.
Em instante algum, Lauren Adams direciona este quadro para resoluções chocantes e excessivamente drásticas, o que resulta em um filme de leve condução, mas de fácil assimilação. Ao reunir com honestidade essas desavenças e embalado por uma confortável trilha sonora country da melhor qualidade, “Encontros ao Acaso” não busca em seu desfecho delinear todos os meios para que tudo seja planejado de uma forma favorável a sua protagonista e, sim, qual o caminho deve ser percorrido para encontrar a própria paz interior – o que dá um belo plano final. Integro de alma feminina, as mulheres serão as que mais se identificaram com o drama, mas o público masculino também desvendará qualidades o suficiente para que “Encontros ao Acaso” seja uma pequena experiência reflexiva, o princípio básico de um bom cinema.
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Título Original: Come Early Morning
Ano de Produção: 2006
Direção: Joey Lauren Adams
Elenco: Ashley Judd, Jeffrey Donovan, Laura Prepon, Scott Wilson, Tim Blake Nelson e Diane Ladd

Confidencial

Mesmo exibido posteriormente ao lançamento de “Capote”, “Confidencial” não fugiu das inevitáveis comparações com o filme do diretor estreante Bennett Miller e que consolidou definitivamente a carreira de Philip Seymour Hoffman, vencedor do Oscar de melhor ator em 2006. Ambos são projetos de personalidade própria, mas é na visão de Douglas McGrath – também roteirista, inspirado pelo livro de George Plimpton – onde constatamos uma entrega mais evidente. Ainda que mais popular, o cineasta Miller compôs um filme tão formal que pouco dali poderia ser expressivo o suficiente para ocupar por um longo tempo as memórias de seus espectadores. Tendo uma postura oposta, McGrath cria momentos descontraídos nos momentos exatos e esbanja sentimentos quando tudo caminha para destinos mais drásticos.
Com um pontapé semelhante deCapote”, o escritor no auge da fama literária (aqui interpretado por Toby Jones, absurdamente perfeito e mais fiel as características de Truman Capote) deseja criar um gênero inovador, o romance de não-ficção. O processo de desenvolvimento lhe custou seis anos de dedicação e a história que ganhou o título de “A Sangue Frio” foi um sucesso de vendas, tornando-o um profissional mais prestigiado e rico. Para isto, chamou sua melhor amiga, a também escritora Harper Lee (Sandra Bullock, ótima), para ser a sua companhia nesta longa jornada. É em Kansas que sucedeu o assassinato de quatro membros de uma mesma família, cometido por Perry Smith (Daniel Craig) e Dick Hickock (Lee Pace). E é com a captura de ambos que Capote prossegue sua investigação jornalística com mais resultados, pois consegue acesso freqüentemente para entrevistas, especialmente com Perry.
Assim, neste convívio entre os dois personagens, temos a maior força do filme, revelando detalhadamente a causa da prisão e o passado do assassino e escritor em conversas íntimos, se transformando em paixão (e maior polêmica da fita) de um pelo outro. Parece inacreditável, mas é neste laço que o filme constrói onde conseguimos compreender com mais certeza os motivos que fizeram o famoso escritor não encontrar mais inspiração para escrever outro sucesso sequer e até mesmo torcer que Perry consiga sobreviver de algum modo, mesmo já cientes de que sua morte é pura questão de decisão judicial. E por este motivo, “Confidencial” é rondado de mais comoção com os quais o público se importe verdadeiramente com este relato real. A recepção seria mais justa se o preconceito de distância das exibições ao redor do mundo não se tornasse tão expressiva para muitos.
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Título Original: Infamous
Ano de Produção: 2006
Direção: Douglas McGrath
Elenco: Toby Jones, Daniel Craig, Sandra Bullock, Lee Pace, Jeff Daniels, Hope Davis, Sigourney Weaver, Isabella Rossellini, Peter Bogdanovich, Juliet Stevenson e Gwyneth Paltrow.
Nota: 8.0

Harry Potter e a Ordem da Fênix

Desde que chegou nos cinemas em 2001 pelas mãos de Chris Columbus com “Harry Potter e a Pedra Filosofal” , o público tem assistido com empolgação todas as aventuras do jovem bruxo. Com este quinto episódio, estamos próximos da reta final e decisiva destes confrontos de magia arquitetados desde o instante da morte do pai de Harry pelas mãos do temido Voldemort. E essa animação em acompanhar esta história fantasiosa, concebidas pela criatividade da escritora J.K. Rowling, é o maior atrativo da cine-série, onde o jovem espectador desperta experiências similares a do protagonista, como lidar com o amadurecimento, a importância da amizade, a superação e as reações do bem e do mal quando um indivíduo opta sobre qual destes rumos seguir. E a platéia, que acompanha os menores nesta jornada, não saem indiferentes nestas etapas da vida.

Enquanto os leitores devoram as livrarias nas compras de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” (o último conto da série), já podemos ver o resultado em carne e osso de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”. Aqui, Potter (Daniel Radcliffe) é dado como mentiroso pela Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde cursa o quinto ano junto com os seus melhores amigos Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson). Além desta dificuldade que está enfrentando com todos ao seu redor, que não acreditam que o herói enfrentou em outro mundo o vilão Lorde Voldermort (Ralph Fiennes), Dolores Umbridge (Imelda Staunton) governa com pulso forte as novas leis impostas para os seus aprendizes, já que ganhou o apoio de Cornélio Fudge (Robert Hardy) para dar uma nova conduta ao lugar. É assim que surge um clube secreto com alguns alunos para se defenderem sob o perigo estabelecido, pois todos foram impedidos de aprender magia na prática.

É dentro desta trama que finalmente vemos uma aventura de verdade, o melhor capítulo da série até o momento, que ainda nos mostra um Harry apaixonado com o seu festejado primeiro beijo com Cho Chang (Katie Leung) e a luta interna em controlar as forças do mal que tentam possuí-lo. Com grandes efeitos especiais que dão um colorido mais impressionante amparado – finalmente! – por um tom obscuro, a confiança de que seremos direcionados a um fim surpreendente e magnífico é perceptível, o que já ganhamos com adiantamento neste episódio. Mas, ainda que tenha ganhado muita força pela precisão de David Yates, o filme não soma mais pontos pelo pouco brilho ao reforçar, por mais uma vez, que a força da amizade é capaz de desmoronar qualquer obstáculo, além do pouco destaque que dá para Bellatrix Lestrange (Helena Bonham Carter), brilhante vilã, prima de Sirius Black (Gary Oldman).

Título Original: Harry Potter and the Order of the Phoenix
Ano de Produção: 2007
Direção: David Yates
Roteiro: Michael Goldenberg
Elenco: Daniel Radcliffe, Ralph Fiennes, Emma Watson, Evanna Lynch, Rupert Grint, Imelda Staunton, Michael Gambon, Gary Oldman, Alan Rickman, Emma Thompson, Jason Isaacs, Maggie Smith, Brendan Gleeson, Fiona Shaw, Katie Leung, David Thewlis e Helena Bonham Carter
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | Invasores (2007)

Atualmente, o mundo anda em estado de choque com os desastres devastando a Terra como uma epidemia. Morte, violência, miséria e o comportamento da sociedade em questão disto é lamentável. E os políticos, possíveis indivíduos que podem conduzir tudo para um rumo melhor, dão de ombros. É natural que neste cenário o cinema esteja vinculando, de todas as maneiras, produções com tal cunho de modo implícito ou escancarado. Com toda a população exposta a um vírus alienígena, Oliver Hirschbiegel vai fundo com esta abordagem politizado, mostrando que uma sociedade onde o próximo têm as mesmas características é a solução do fim de conflitos mundiais, nesta quarta adaptação do conto de Jack Finney: as anteriores foram batizadas como “Vampiros de Almas” (1956), “Invasores de Corpos” (1978.) e “Os Invasores de Corpos – A Invasão Continua” (1993). O espectador fica indeciso, no entanto, se a intervenção de James McTeigue (com o apoio dos irmãos Andy Wachowski e Larry Wachowski e do produtor Joel Silver) foi bem-vinda para reforçar a tese ou para deixar mais eletrizante as sequências de corre-corre. Ser ou não ser, o resultado de “Invasores” é lamentável de tão horrendo.
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Como de praxe, “Invasores” segue a regra da ótica de uma cidadã comum num universo à beira de um fim trágico. A câmera focaliza do início ao fim a psiquiatra Carol Bennell (Nicole Kidman). Ex-mulher de Tucker Kaufman (Jeremy Northam), ela parece estar interessada no seu melhor amigo Ben Driscoll (Daniel Craig). Vivendo num cotidiano somente abalado quando tem que ceder por um final de semana o seu filho Oliver (Jackson Bond) para Tucker, Carol fica mais inquieta quando Wendy Lenk (Veronica Cartwright), uma de suas fiéis pacientes, comunica que esta abalada pelo comportamento suspeito do marido violento com quem convive e tolera diariamente. Informa que teve o cão morto pelas próprias mãos e que ficou sereno repentinamente. A psiquiatra nota que está em perigo quando as pessoas ao seu redor estão com as mesmas atitudes estranhas. Não demora para desvendar que tudo está ligado a um vírus espalhado após um ônibus espacial se chocar num terreno rural. Para não ficar contaminada, basta seguir as regras: não dormir e não demonstrar emoções.
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Marcando a primeira incursão de Oliver Hirschbiegel em terreno hollywoodiano, reconhecido mundo afora por seus trabalhos celebrados como “A Experiência” e “A Queda! As Últimas Horas de Hitler”, o cineasta alemão consegue com louvor mostrar sua protagonista em estado desesperador ao enfrentar o sono, mas não parece confortável no restante. Erro de uma edição frenética, que destrói toda a sutileza de alguns momentos com cortes pouco precisos e a falta de conexão com o entretenimento milionário de ficção científica com a parte pensante do restante. Abre espaços para discussão de um grande impasse, pois Carol deveria contaminar-se com o vírus para viver num mundo melhor e sem personalidade ou prosseguir tendo as mesmas emoções nesta realidade que desmorona cada vez mais e mais? É uma pena que este mundo arquitetado no filme não tenha o mínimo de impacto do mundo real que vivemos.
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Título Original: The Invasion
Ano de Produção: 2007
Direção: Oliver Hirschbiegel
Elenco: Nicole Kidman, Daniel Craig, Jeremy Northam, Jackson Bond, Veronica Cartwright e Jeffrey Wright.

Resenha Crítica | Instinto Secreto (2007)

Dado pela crítica especializada como filme irregular pelo excesso de linhas narrativas, “Instinto Secreto” é um longa a ser descoberto. Não há grandes espetáculos, mas merece credibilidade pelo modo original e engenhoso que a trama foi construída, provando que os dezesseis anos que não dirige desde sua estréia com “Kuffs – Um Tira Por Acaso” (estrelado por Christian Slater) fizeram muito bem para Bruce A. Evans, que rendeu mais frutos nos cinemas cuidado da produção de alguns filmes populares. Também responsável pelo roteiro, Evans nos apresenta o pacato Earl Brooks (Kevin Costner, também produtor), tão brilhante para ganhar o prêmio do homem do ano por uma instituição quanto para se transformar no famoso Assassino da Impressão Digital, um serial killer que volta à ativa depois de dois anos. Acontece que Brooks é impulsionado pelo seu alter-ego Marshall (William Hurt) – e aí está presente um dos grandes ápices da obra – a matar um casal. Entretanto, ocorre um deslize neste crime calculado: a janela localizada no quarto onde aconteceu o crime não estava com suas cortinas fechadas. Isso faz com que Brooks seja chantageado no dia seguinte pelo fotógrafo Smith (Dane Cook), que tem imagens do momento.
Por sua vez, Smith promete lealdade ao serial killer com uma condição, que é de presenciar como ele elabora os seus assassinatos, só que Brooks não quer continuar com o ofício secreto. Paralelamente, a milionária detetive Tracy Atwood (Demi Moore, um arraso) está às voltas com o divórcio que está enfrentando, que terá de pagar um preço bem alto para a separação legal. Mas também é a pessoa que entra em perigo quando um dos bandidos que prendeu ganha liberdade, além de estudar todos os detalhes dos crimes de Brooks para tentar encontrá-lo. Se não bastasse, Jane Brooks (Danielle Panabaker), filha de Brooks, parece ter herdado os mesmos instintos do pai, já que é a principal suspeita de um crime da universidade que acabou de abandonar. Jane também está interessada em ter um cargo importante na empresa onde seu pai é dono e, em seguida, assume estar grávida.
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É verdade que há um excesso na história, e pode acreditar que vem mais pela frente. Mas “Instinto Secreto” consegue com eficiência unir todas as linhas soltas nos momentos finais, que traz boas surpresas. Além disso, Bruce A. Evans e Raynold Gideon (outra mente por trás do argumento) entregam boas sacadas quando incrementam na ação referências explícitas de Hannibal Lecter e Clarice Starling quando reservam espaço entre a química às distâncias de Earl Brooks e Tracy Atwood. Enquanto a detetive se dedica a caçada do assassino, ele cria interesses por ela e por suas motivações, pois qual será o fato que faz uma milionária em colocar sua vida em risco? Fiquem atentos, também, quando Tracy entra em contato com a cena do crime, semelhante com um momento memorável do “Dragão Vermelho” de Michael Mann. Com estes amplos pontos positivos, Instinto Secreto é um dos entretenimentos mais aproveitáveis do ano no gênero, mostrando que crimes no cinema tem seu lado irônico e divertido, por mais bizarro que isto possa soar.
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Título Original: Mr. Brooks
Ano de Produção: 2007
Direção: Bruce A. Evans
Elenco: Kevin Costner, Demi Moore, Dane Cook, William Hurt, Marg Helgenberger e Danielle Panabaker.
Nota: 7.5