Resenha Crítica | Temos Vagas (2007)

Snuff movies são produções polêmicas inauguradas no início da década de 1970. Em resumo, tratava-se de histórias onde seus personagens tinham os corpos dilacerados diante às câmeras como atração para o público. Entretanto, tais eventos que foram popularizados como “filmes que matam”, muito foi questionado sobre a brutalidade ser pura encenação ou realidade. Muitas investigações e protestos foram movidos, mas nunca se soube da existência de algum filme onde as mortes filmadas eram verdadeiras. Com menos força, os filmes desta carnificina continuaram sendo rodados e os mais conhecidos são três exemplares rodados durante a década de 1990: “Morte ao Vivo”, do diretor Alejandro Amenábar, “O Bravo”, desastrosa estréia de Johnny Depp como diretor e “8MM”, a abordagem mais popular do snuff orquestrado por Joel Schumacher. A utilização deste tema em “Temos Vagas”, suspense modesto que chega em nosso país diretamente em vídeo e que foi sujeitado a uma troca inesperada de protagonista (Sarah Jessica Parker desistiu de estrelar o filme, sendo devidamente substituída por Kate Backinsale), é o que realmente provoca desconforto.Depois de uma noite movida por discussões e um atalho indevido, casal em crise por uma tragédia passada, David (Luke Wilson) e Amy (Kate Backinsale), hospedam-se num motel decadente após alguns problemas com o carro. Gerenciado pelo estranho Mason (Frank Whaley), o casal não tarda a desvendar que ele é responsável por venda de filmes snuffs, cujas estrelas são os próprios hóspedes. E o que pode acontecer a ambos é visto em fitas com diversas pessoas sendo assassinadas cruelmente, exatamente no mesmo quarto onde se encontram. Só que há outras pessoas envolvidas nestes crimes, como alguns garotos desconhecidos que armam os ataques.

Nimród Antal, um diretor desconhecido, demonstra uma extrema habilidade em entregar tensão num projeto de estruturas limitadas, fazendo a ação fluir agilmente e tirando bom proveito do minúsculo cenário e elenco, além do nervoso tema de abertura conduzido por Paul Haslinger. Mas perde energia quando os instantes finais se aproximam, muito pelo roteiro não muito inspirado do inexperiente Mark L. Smith. O snuff é jogado para o segundo plano rapidamente, fazendo com que o relacionamento entre David e Amy seja mais vital do que todo o restante. Por isso o desfecho compromete o resultado. É nada audacioso, o contrário do que o tema deveria apresentar.

Título Original: Vacancy
Ano de Produção: 2007
Direção: Nimród Antal
Roteiro: Mark L. Smith
Elenco: Kate Beckinsale, Luke Wilson, Frank Whaley, Ethan Embry, Scott G. Anderson e Mark Casella
Cotação: ***

 

Resenha Crítica | Resident Evil – A Extinção (2007)

Uma adaptação é o maior risco pelo qual os realizadores podem passar. Ainda que o cinema contemporâneo sobreviva constantemente em transformar realidade aquilo que um dia criou formas em outras mídias, é prioridade agradar tanto os devotos pelo material original e, ao mesmo tempo, satisfazer a outra parcela do público que não teve acesso ao universo encenado. É uma dificuldade mais expressiva quando trata-se de um game, talvez o único “mundo” que se pode intervir, pois é aquele onde o jogador tem controle de toda a situação, comandando o personagem e suas ações a todo o momento. É por este fato, de não poder controlar o que está sendo visto no cinema, que torna este caso particular de transposição não muito bem-sucedido. “Resident Evil”, o game que surgiu em 1996 pela poderosa PlayStation, é o que garantiu a sobrevivência desta espécie na tela grande, ainda que não tenha sido o primeiro filme ou o primeiro sucesso de bilheterias a abrir possibilidades para outros games terem o mesmo futuro.

“Resident Evil – A Extinção” é o terceiro capítulo de uma série protagonizado por Milla Jovovich, que ganha sangue novo com a entrada de Russell Mulcahy na direção. Milla reprisa por mais uma vez a personagem Alice, que manteve distância dos sobreviventes do filme anterior para que estes não corressem riscos. O motivo é o mesmo: a Umbrella Corporation, que desenvolveu o T-Vírus (experimento que espalhou a contaminação por todo o mundo e que transformou seres humanos e animais em mortos-vivos), procura com o auxílio de uma tecnologia avançada a própria Alice, que neste episódio herda poderes paranormais. O mentor por trás disto é o ambicioso Dr. Isaacs (Iain Glen). Claire Redfield (Ali Larter) e Carlos Olivera (Oded Fehr) lideram o pequeno grupo de sobreviventes em busca de uma cidade que pode estar livre da contaminação.

Passe longe aqueles que detestaram os episódios anteriores. A trama é ambientada seis meses após os acontecimentos de “Resident Evil – Apocalipse” – que, por sinal, merecia aqui ao menos uma página do roteiro para justificar com mais clareza o que teria acontecido com Jill Valentine, personagem de devida importância – e agrega elementos interessantes de “Resident Evil – O Hóspede Maldito” (o início do filme se dá de forma similar ao filme lançado em 2002). Mas aqui tem boas virtudes, especialmente para o público dividido entre os especialistas pelo game e pelos que desejam apenas assistir um bom passatempo. Os autênticos personagens do jogo estão bem caracterizados neste capítulo e a ação é muito bem conduzida por Mulcahy. O restante pode se contentar com o argumento de um mundo pós-apocalíptico e, claro, a presença de Milla Jovovich, talvez a atriz mais experiente em tempos recentes nos filmes de ação que requerem carisma e habilidade nos instantes de adrenalina. É o universo virtual em carne e osso a favor de um entretenimento potente e saboroso de se ver, conseguindo fugir agilmente dos padrões de filmes com zumbis. Uma nova sequência deve estar a caminho.

Título Original: Resident Evil: Extinction
Ano de Produção: 2007
Direção: Russell Mulcahy
Elenco: Milla Jovovich, Oded Fehr, Ali Larter, Iain Glen, Ashanti, Christopher Egan, Spencer Locke, Matthew Marsden e Mike Epps