Império dos Sonhos

Como diretor, David Lynch soube como poucos profissionais do ramo focar com tanta intensidade a face negra da natureza humana formado por um painel de emoções ambíguas. Tudo, claro, por trás de personagens e situações enigmáticas que confundem a cabeça do espectador, por mais astuto que possa ser. Essa escolha mantida na maioria das suas realizações de forma louvável ao longo de quatro décadas de carreira chega ao limite, digamos, tolerável com “Império dos Sonhos”, aguardado projeto de um cineasta que nada orquestrou, ao menos em longa-metragem, desde 2001 com o seu “Cidade dos Sonhos”, do qual foi indicado ao Oscar de melhor diretor. Dizer que é o seu projeto mais pessoal é fato, já que o mesmo escreveu, fotografou, produziu e editou. E também o mais egoísta. Egoísta, pois Lynch fez e lançou o que lhe fosse conveniente, pouco se importando em entreter com o que de fato fosse prazeroso para o seu publico, em tom de homenagem para si mesmo. Aos 62 anos, David Lynch sempre anunciou que poucos são as exceções de filmes que façam o público pensar, que não entregue tudo mastigado ao ser servido. É verdade, mas é uma árdua tarefa quando a mesma pessoa oferece o próprio raciocínio para ser analisada.
Seria manjado recorrer à longa duração como experiência tortuosa, pois, convenhamos, às três horas passam voando. O problema é o que ele incrementa para preencher esse tempo. De tão incômodo, “Império dos Sonhos” até mesmo prejudica o próprio desempenho de Laura Dern, a grande musa de Lynch. Tão bem em representar um alarmante desespero, acaba sendo ofuscada por inúmeras situações de grande mistério que, quando estudadas, parecem não mostrar motivos suficientes para estarem presentes. E poucas destas sequências são à altura da até então lúdica trama sobre atriz (Dern) que encontra a chance de reascender a sua carreira quando é convocada por um cineasta (Jeremy Irons) em protagonizar uma refilmagem de um filme inacabado. Tratava-se de uma produção amaldiçoada que cessou suas filmagens quando o casal fora brutalmente assassinado por circunstâncias não reveladas. E a possibilidade disto se suceder novamente está por conta das revelações de uma misteriosa senhora (Grace Zabriskie, a Emma Williams de “O Grito”) que se apresenta como vizinha.
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As queixas anteriores dos próprios fãs em questão dos mistérios difíceis de serem decifrados voltaram com o lançamento de “Império dos Sonhos”, mas não são necessárias revisões ou teorias malucas para compreendê-lo na superfície do proposto. Estão lá certas zombarias com o glorioso mundo que é Hollywood, com direito ao ângulo mais pobre de todos os tempos sob os letreiros cartão-postal e uma calçada da fama representando a sordidez desta arte, vomitada sem sutileza sequer por uma atriz que parece ter vivido o inferno neste terreno badalado. Outro ponto abordado é o fato da ação e reação, onde qualquer escolha, qualquer atitude, qualquer erro terá as suas devidas conseqüências. Indefinição de personalidade, idas e vindas no tempo e o amor obsessivo também servem como elementos a trama.
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O saudoso elogio fica por conta do que a mente insana de Lynch foi capaz de criar com o uso da limitada câmera digital. As constantes trucagens da produção são concebidas na base da imaginação e talento, algo que certamente Lynch possui de forma ilimitada. Exemplos não faltam, como no aproveitamento do curta “Rabbits”, da sua própria autoria (clique aqui para fazer o download), além da obscuridade que ronda a sua personagem. Mas é certo dizer que essa liberdade foi importuna. Sem pressão alguma de engravatados e responsável por diversos departamentos da própria obra, o cineasta simplesmente usou situações que são logo esquecidas e que não sobrevivem quando conectada a seguinte, dando a impressão de que tudo vai chegar a lugar nenhum. Se desejar arriscar um extenso estudo fazendo com que o filme seja gravado em sua mente até considerar uma resposta para cada cinco minutos do que foi visto na tela, boa sorte. Porém, tudo não passa daqueles sonhos e pesadelos que, por mais belos e aterradores que possam ser materializados, não são profundos o suficiente para sobreviverem quando despertamos.
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Título Original: Inland Empire
Ano de Produção: 2006
Direção: David Lynch
Elenco: Laura Dern, Justin Theroux, Jeremy Irons, Grace Zabriskie, Diane Ladd, William H. Macy, Julia Ormond, Mary Steenburgen, Nae, Nastassja Kinski, Laura Harring, Karolina Gruszka, Scott Coffey e Naomi Watts.
Nota: 6.0

Resenha Crítica | Aliens Vs. Predador 2 (2007)

Conhecidos como uma das mais cultuadas criaturas da ficção científica, Alien e Predador inauguraram, separadamente, duas bem-sucedidas franquias cinematográficas. O primeiro monstrengo surgiu na direção de Ridley Scott, então no seu segundo, e de longe o melhor, trabalho de longa-metragem. Com um sucesso que resultou em três novas seqüências, Alien tornou-se um marco que só despencou quando dirigido por um inseguro David Fincher em “Alien 3”. “Predador” também rendeu frutos nos dois capítulos do habilidoso alienígena, dada a sua primeira aparição em 1987 por John McTiernan e na seqüência de 1990 orquestrado por Stephen Hopkins. Em suma, as séries representam para o gênero ficção o que Freddy e Jason representam para o gênero horror. O embate entre eles no cinema, entretanto, não era uma certeza como o confronto assassino da máscara de hockey com o pesadelo materializado num homem com queimaduras e garras afiadas.

Acabou por acontecer, e já recebemos até mesmo uma continuação agora concebida pelos irmãos Strause, mestres na supervisão de efeitos especiais em filmes como “Æon Flux”, “Constantine”, “O Dia Depois de Amanhã”, “Titanic”, entre outros. O que de certa forma não importa, já que como diretores o profissionalismo com toda a certeza não é a mesmo. Aliás, até nos efeitos especiais a dupla não funciona, contando com uma fotografia que deve figurar entre as piores de todos os tempos, pois com a intenção de provocar pavor através de tons escuros acaba por resultar numa extrema falta de visibilidade de todos os personagens e de toda a ação.

A história que prossegue do exato ponto que encerrou a fita anterior, que não é de todo ruim (Paul W.S. Anderson só deixa de executar o seu trabalho quando temos por necessidade a sua presença), leva um Predador e vários Aliens (aí se justifica o “s” no título) para uma cidade chamada Gunnison, no Colorado. Quando parte para este cenário, os seres são relegados para dar espaço aos humanos, interpretados por atores nada conhecidos – só vem em mente a pequena Ariel Gade, de “Água Negra” – e nada talentosos. Morte aos montes, ácido espirrando por todos os cantos e portas escancaradas para uma possível continuação: o resultado de tudo isso é um insulto para qualquer espectador que um dia já acompanhou os monstros em outras aventuras.

Título Original: AVPR: Aliens vs Predator – Requiem
Ano de Produção: 2007
Direção: Colin Strause e Greg Strause
Roteiro: Shane Salerno, baseado no personagem “Alien” de Dan O’Bannon e Ronald Shusett e “Predador” de Jim Thomas e John Thomas
Elenco: Steven Pasquale, Reiko Aylesworth, John Ortiz, Johnny Lewis, Ariel Gade, Kristen Hager, David Paetkau e Chelah Horsdal

 

Resenha Crítica | Garçonete (2007)

Adrienne Shelly, que apareceu recentemente em “Factotum – Sem Destino”, ficou popular após a fatalidade que resumiu sua existência. Após desentendimentos por causa de barulheira ocasionada por um imigrante ilegal que estava executando uma reforma num apartamento vizinho, ela foi encontrada morta no dia seguinte pelo marido. Logo foi desvendado que o tal indivíduo é quem a assassinou. Uma motivação tola para se atingir o ponto de acabar com a vida de uma mulher com uma longa jornada pela frente para desempenhar todo o talento, algo evidente no recente drama “Garçonete” – do qual é diretora, roteirista e atriz (onde ela interpreta Dawn, personagem secundária do filme).
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Neste último trabalho, do qual é perceptível todo seu carinho e dedicação tanto na forma com a qual usa sua câmera quanto na condução da história, ela retrata a vida banal da garçonete especialista em torta Jenna (Keri Russell, em iluminado desempenho). É somente na confecção desta saborosa sobremesa que esta jovem mulher encontra a felicidade em seu cotidiano, abalado pela insensibilidade do seu marido Earl (Jeremy Sisto) e ao recordar das poucas boas oportunidades que a vida foi capaz de lhe proporcionar. Em determinado momento, quando descobre estar grávida do marido quando o mesmo a embriagou para transar, ela desabafa que não consegue expressar emoção alguma com o futuro de mãe, tamanha infelicidade é viver com Earl. Tudo muda quando tenta participar, ás escondidas, de um concurso gastronômico que oferece como prêmio a quantia de 25 mil dólares (um valor necessário para tentar se livrar do marido) e ao ser consultada pelo Dr. Pomatter (Nathan Fillion), com quem manterá um caso.
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Com uma premissa um tanto familiar para aqueles que já viram outros dramas independentes, especialmente “Por Um Sentido na Vida” (estrelado por Jennifer Aniston), onde mulher infeliz vai em busca de algo que valha a pena se dedicar para reverter a péssima situação que está vivenciando, “Garçonete” aborda outros assuntos como à escolha de alternativas erradas que podem ser mudadas e como é necessário fibra para fazer acontecer. Talvez não proporcione aquela gostosa sensação de triunfo quando finalmente tudo parece ser encaixado no seu devido lugar e que qualquer espectador gostaria de visualizar, mas é impossível sair indiferente numa história que nos mostra que é necessário ser corajoso para iniciar toda uma vida do zero para finalmente conquistar a esperada felicidade. Assim, onde quer que esteja, Shelly concluiu sua missão como uma boa profissional.
Título Original: Waitress
Ano de Produção: 2007
Direção: Adrienne Shelly
Elenco: Keri Russell, Nathan Fillion, Cheryl Hines, Jeremy Sisto, Andy Griffith, Adrienne Shelly, Eddie Jemison, Darby Stanchfield e Kira Grace

Resenha Crítica | Nunca é Tarde Para Amar (2007)

A indústria cinematográfica nunca escondeu sua preferência por profissionais mais jovens e belas na seleção ao formar um cast, descartando as marcas da idade de uma atriz amadurecida. Para reverter essa situação, as mesmas acabam optando pela escolha de se sustentar com cirurgias plásticas para a busca da aparência perfeita como chamariz do público. Um tema pouco debatido que Amy Heckerling selecionou para abordar na sua nova comédia “Nunca é Tarde Para Amar”. É a Mãe Natureza da comediante Tracey Ullman que se encarrega de desabafar, numa pequena sequência antes dos créditos iniciais, sobre a beleza física que os humanos insistem em preservar. Mas não há pessoa melhor do que a musa Michelle Pfeiffer para servir de modelo para este retrato. E não é desnecessário mencionar aqui que Pfeiffer já seja vítima desta fatalidade artística, vendo que a mesma já encarnou recentemente uma ex-miss Baltimore sem o mesmo prestígio de outrora e uma bruxa que almeja a beleza de uma estrela cadente.
Outro tema sutilmente contado é todo o preconceito acerca de um relacionamento que, na vista alheia, se transforma em escândalo quando é discutido as distinções de idade. A loura de quase cinquenta anos retorna aos primeiros passos da quarta década de existência como Rosie, produtora de um seriado protagonizado por, e direcionado para, adolescentes, mas se desespera com os anúncios de audiência. Resta incrementar nos scripts algo que dê novo fôlego ao programa. E isto ela encontra em Adam (Paul Rudd) nos ensaios para seleção de elenco, um profissional jovial que posteriormente é considerado para representar um nerd no tal seriado. Uma repentina atração entre ambos aparece e logo estão lá as discussões sobre a idade, que chega em seu ápice quando Rosie e Adam são submetidos a comparações pelo ex-marido (Jon Lovitz) dela sobre a relação verídica de Demi Moore e Ashton Kutcher.
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Com uma produção que poderia facilmente ser rotulada como comédia romântica típica, Heckerling mostra que deu longos passos para não receber tal inglória. É o altar de sua nova década em atividade, que já foi marcada na década de 1980 com um ousado retrato adolescente em “Picardias Estudantis” e na década de 1990 na caricatura exposta pela classe média alta em “As Patricinhas de Beverly Hills”. Faz-se necessário tal honra num filme onde há boas risadas, um estudo sobre essa obsessão pela beleza e que ainda encontra despretensão para alfinetar pelas modificações musicais realizadas pela filha de Rosie (Saoirse Ronan, a Briony de “Desejo e Reparação”) o incompetente governo Bush.
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Título Original: I Could Never Be Your Woman
Ano de Produção: 2007
Direção: Amy Heckerling
Elenco: Michelle Pfeiffer, Paul Rudd, Saoirse Ronan, Fred Willard, Sarah Alexander, Twink Caplan, Stacey Dash, Jon Lovitz e Tracey Ullman

Piratas do Caribe: No Fim do Mundo

Piratas do Caribe: No Fim do Mundo | Pirates of the Caribbean: At World`s EndEm 2007 surgiu a queixa de que o esperado fim de uma série, especificamente o seu terceiro episódio, não supriu as expectativas de seu público. Milionária produção, com elenco estelar e técnica apurada, “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo” encerra a sua jornada com algumas saídas negativas para trás, mas nada que o torne um desastre. Pelo contrário. Atesta o ressurgimento de navios, rum, tesouro e piratas, que um dia foi sepultado por filmes de segunda linha e a fusão perfeita de efeitos especiais com uma boa história aventureira.

A trama, por sinal, revela uma boa dinâmica entre os personagens através de uma luta de interesses. Mas antes que ela se apresente, a dupla de roteirista Ted Elliott e Terry Rossio fez com que o casal Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) optem por visitar o tal fim do mundo do título com a intenção de trazer a vida o desengonçado Jack Sparrow (Johnny Depp), mas com a ajuda do vilão de “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” (o melhor da trilogia), o Capitão Barbossa (Geoffrey Rush) e o auxilio de Capitão Sao Feng (Chow Yun-Fat), também com a companhia da tripulação de Sparrow e Barbossa. Tal missão serve para encaixá-lo no Nove Lordes da Corte da Irmandade, com o intento de acabar com o círculo de matança aos piratas criado por Lorde Beckett (Tom Hollander) e dos tentáculos de Davy Jones (Bill Nighy). Mas, como se sucede, ressuscitar Sparrow para dar fim ao conflito não é o único objeto. Isso se dá quando Turner arma planos para livrar a alma do seu pai Bill (Stellan Skarsgard) do temível Davy Jones, as ambições de Barbossa…

A aventura, que chega ao fim com uma eletrizante batalha num redemoinho – está que deve figurar como um dos melhores momentos do ano passado nos cinemas -, só é prejudicada pelo tratamento do destino de alguns personagens secundários, mas importantes. Isso dá sinais de incômodo logo quando é focado novamente São Feng e, posteriormente, o aguardado aparecimento da Deusa Calypso, cuja identidade não deve ser revelada para não acabar com surpresas. Mas, no geral, é uma história de três horas empolgante e de divertido desfecho que, atendendo aos milhares de dólares obtidos nas bilheterias, pode render uma inevitável sequência. Destaque para a participação de Keith Richards como o pai de Jack Sparrow.

Título Original: Pirates of the Caribbean: At World’s End
Ano de Produção: 2007
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Ted Elliott e Terry Rossio
Elenco: Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Geoffrey Rush, Bill Nighy, Tom Hollander , Stellan Skarsgard, Jonathan Pryce, Chow Yun-Fat, Jack Davenport, Naomie Harris e Keith Richards
Cotação: 3 Stars

Os Mais Aguardados Para 2008

É verdade. Já estamos em Fevereiro de 2008 e uma lista para os filmes mais aguardados durante o ano soa ultrapassada nesta altura do campeonato. No entanto, como todos os filmes exibidos no mês de Janeiro não constavam a minha lista final dos mais esperados, fui atrás do tempo perdido e decidi, enfim, postar essa relação de dez filmes. Boas lembranças, esquecidos ou não mereciam a menção: sendo um ou outro, não deixe de comentar e aproveite para falar das produções mais esperadas para este ano.
10: Desaparecidos (Trade)
Direção: Marco Kreuzpaintner
Elenco: Kevin Kline, Alicja Bachleda-Curus, Paulina Gaitan, Kathleen Gati, Pavel Lychnikoff e Anthony Crivello.
Lançamento: 2008
O que esperar: a filmagem de “Desaparecidos” sofreu muitos transtornos, desde a saída de Milla Jovovich até a eternidade no status de pós-produção. Estreou em poucas salas nos Estados Unidos no ano passado e não recebeu muitos elogios, mas não dá para ignorar um filme cuja trama envolve investigações sobre tráfico sexual. Kevin Kline, a única figura famosa do elenco, interpreta o detetive Ray Sheridan, que investiga o seqüestro de sua filha, que pode ter sido vendida para tal tráfico.

9: Funny Games U.S.
Direção: Michael Haneke
Elenco: Naomi Watts, Tim Roth, Michael Pitt, Brady Corbet e Devon Gearhart.
Lançamento: 2008
O que esperar: refilmagem quadro-a-quadro do cult “Violência Gratuita” de 1997, Michael Haneke utiliza desta opção para provocar definitivamente todo o público numa versão americana. Protagonizado e produzido pela bela Naomi Watts, o filme terá a mesma trama e o mesmo andamento, mas há quem diga que o desempenho do elenco possa mudar algumas coisas, como a tensão a ser transmitida. Em breve ganhará as telas americanas, em circuito limitado. Haja coragem para enfrentar uma experiência tão marcante novamente!

8: Antes Que O Diabo Saiba Que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead)
Direção: Sidney Lumet
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney, Marisa Tomei, Rosemary Harris, Aleksa Palladino, Michael Shannon, Brian F. O’Byrne e Amy Ryan.
Lançamento: 2008
O que esperar: o veterano Lumet fez as pazes com o público e crítica após este bem-elogiado drama policial onde dois irmãos (interpretados por Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke) que executam um roubo onde as vítimas serão os próprios pais. Tudo piora quando a mãe dos irmãos é morta durante a ação. Mesmo com as diversas indicações e prêmios, o filme simplesmente foi ignorado pelo Oscar e Globo de Ouro 2008, mas deve ser marcado como o grande retorno de Lumet aos bons tempos do passado, onde era uma unanimidade.

7: Ao Entardecer (Evening)
Direção: Lajos Koltai
Elenco: Claire Danes, Toni Collette, Vanessa Redgrave, Patrick Wilson, Hugh Dancy, Natasha Richardson, Eileen Atkins, Meryl Streep e Glenn Close.
Lançamento: 2008
O que esperar: histórias sobre recordações de um amor inesquecível rendem romances maravilhosos, e saber que Michael Cunningham (de “As Horas”, que aqui também conta com o apoio da roteirista de “Beleza Roubada”, Susan Minot) está por trás da história e dos diálogos já é motivo de despertar interesse por “Ao Entardecer”, que conta a história de Ann (Vanessa Redgrave), idosa à beira da morte que recorda do seu passado e uma intensa paixão que viveu. Claire Danes interpreta Ann nos flashbacks. Além deste fato de ter Cunningham cuidando do roteiro, é impossível não se animar com o elenco feminino de peso, talvez um dos melhores nomes já reunidos nos últimos tempos.

6: Crossing Over
Direção: Wayne Kramer
Elenco: Harrison Ford, Sean Penn, Ray Liotta, Ashley Judd, Summer Bishil, Cliff Curtis e Alice Braga.
Lançamento: 2008
O que esperar: o talentoso Wayne Kramer deve se consagrar com “Crossing Over”, seu quinto filme como diretor. Mas, apesar do pouco material divulgado e a demora para a estréia nos cinemas, já se pode criar alguma expectativa com o ótimo elenco o com a interessante história, que envolve agentes do governo evitando a todo custo que imigrantes ilegais ultrapassem a fronteira dos Estados Unidos. Ainda em pós-produção, o filme deve ser entregue em Junho nos cinemas americanos.

5: Um Plano Bilhante

Direção: Michael Radford
Elenco: Demi Moore, Michael Caine, Joss Ackland e Lambert Wilson.
Lançamento: 2008
O que esperar: mais um filme que deve estrear nos Estados Unidos em circuito limitado. Filme que marca a união nas telas de Michael Caine e Demi Moore pela segunda vez após 23 anos (eles interpretaram pai e filha na comédia “Feitiço do Rio”), só que agora como ladrões. Ambientado na década de 60, Michael veste trajes de zelador perto de se aposentar. Mas coloca sua vida em risco quando decide convencer uma executiva americana a roubar uma boa quantidade de diamantes do próprio edifício onde trabalham. Direção de Michael Radford, o mesmo de “O Mercador de Veneza”.

4: Margot At The Wedding
Direção: Noah Baumbach
Elenco: Nicole Kidman, Jennifer Jason Leigh, Jack Black, Ciarán Hinds e John Turturro.
Lançamento: 2008
O que esperar: parece que não foi desta vez que Noah Baumbach recebeu novamente os vastos elogios de “A Lula e a Baleia”. Mas essa parceria do diretor independente junto com as fenomenais Nicole Kidman e Jennifer Jason Leigh parece ser promissora. A comédia dramática narra o abalo de Margot (Kidman) ao reencontrar a irmã Pauline (Leigh) numa casa na praia. Como não há sintonia entre ambas, os conflitos familiares logo serão expostos pelo bom domínio de Baumbach.

3: Fim dos Tempos (The Happening)
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel e John Leguizamo.
Lançamento: 27 de Junho de 2008
O que esperar: é inegável as expectativas quando é lançado um filme do melhor cineasta do suspense em atividade, no caso, M. Night Shyamalan. Pois agora o realizador de “O Sexto Sentido”, “Corpo Fechado”, “Sinais”, “A Vila” e “A Dama na Água” vai tocar num tema ainda mais intrigante – e com a possível reviravolta final, algo indispensável e antológico nos filmes de Shyamalan. Agora o tema será a crise ambiental e os efeitos que estão ocasionando nos habitantes da Terra, onde muitos deles estão cometendo suicídio. Resta ao professor interpretado por Wahlberg desvendar a fonte deste mistério.

2: Redacted
Direção: Brian De Palma
Elenco:
Patrick Carroll, Rob Devaney, Izzy Diaz, Ty Jones e Ohad Knoller
Lançamento: 2008
O que esperar: o mestre Brian De Palma aceitou uma proposta inusitada ao lançar “Dália Negra” no Festival de Toronto. Tratava-se de rodar um filme com um tema que lhe fosse conveniente contar sob o orçamento de 5 Milhões de Dólares. O resultado dessa oferta é “Redacted”, drama de guerra onde De Palma fez uma incessante pesquisa sobre a Guerra do Iraque e os soldados que participaram do conflito. Muitos não digeriram a forma no mínimo revolucionária que o diretor utilizou em sua obra, que contou com entrevistas e pesquisas de vídeos na Internet, mas tem tudo para se tornar a versão atualizada similar do ótimo “Pecados de Guerra”, que também conta a história de uma garota estuprada e morta por soldados americanos.

1: Ligados Pelo Crime
Direção:
Jieho Lee
Elenco: Sarah Michelle Gellar, Kevin Bacon, Brendan Fraser, Forest Whitaker, Andy Garcia, Emile Hirsch, Julie Delpy e Kelly Hu.
Lançamento: 2008
O que esperar: dado como o primeiro filme da produtora Nala Films, “Ligados Pelo Crime” tem tudo para fazer a velha forma de vida que se cruzam funcionar novamente, como visto em exemplares recentes como “Crash – No Limite” e “Babel“. Mas a trama não é sobre racismo ou a falta de comunicação. Trata-se unicamente sobre felicidade, prazer, tristeza e amor, assim como é descrito um antigo provérbio chinês do qual o filme se inspirou. Já os personagens, formados por uma estrela pop (Gellar), um médico (Bacon), um gângster (Fraser), um negociador (Whitaker) e tantos outros dessa narrativa devem garantir total comunicação com o público. Ainda que bem recebido pelo público que o viu nos festivais onde o filme foi exibido, a estréia foi limitada (sua arrecadação mundial mal chega aos 100 mil Dólares) e não saiu ileso dos comentários malvados dos críticos (bobocas) americanos. Mas nada que faça diminuir a importância e interesse deste filme de Jieho Lee, em seu primeiro filme de longa-metragem.

Resenha Crítica | Cativeiro (2007)

O cineasta Roland Joffé fez história com duas produções das quais foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor, “Os Gritos do Silêncio” e “A Missão” e foi capaz de conceber o belo épico “A Letra Escarlate”, ótimo drama protagonizado por Demi Moore e Gary Oldman até hoje injustiçado. Hoje, aos 62, Joffé não parece ter o mesmo vigor de antes. É lamentável vê-lo envolvido neste “Cativeiro”, suspense lançado nos Estados Unidos em 2007, com insípido roteiro assinado por Larry Cohen (“Celular”, “Por Um Fio”) e pelo estreante Joseph Tura, que provocou polêmica através da sanguinária campanha publicitária. Parece pouco a vontade o diretor que mergulha pela primeira vez no gênero, o que justifica a ausência de tensão que se inicia quando a jovem e desejada modelo Jennifer Tree (Elisha Cuthbert, indicada ao Framboesa de Ouro de Pior Atriz) é seqüestrada e trancada num cativeiro, onde é atormentada por um misterioso sujeito, que a faz vestir os trajes que deseja e monitora por câmeras todas as suas ações.
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A violência de péssimo gosto aparece logo na abertura de “Cativeiro”, onde um corpo paralisado em uma cama recebe uma pancada com uma marreta, sendo que tal indivíduo ainda está vivo. Já isolada no cômodo, descobre que existe outra pessoa para lhe fazer companhia, o também jovem Gary Dexter (Daniel Gillies, o John Jameson de “Homem-Aranha 2”). Paralelamente, acompanhamos os detetives Bettiger (Michael Harney) e Ray (Laz Alonso) à procura de pistas que possam guiá-los ao local que Jennifer está. Se não é incrementada a esperada sensação de claustrofobia do tal cativeiro, tudo piora ainda mais quando o mistério caminha em passos largos para ser desvendado antes do clímax. O roteiro simplesmente nos entrega um vilão de motivações cretinas e um desfecho mais do que esperado. O mesmo pode ser dito sobre Jennifer, do qual o roteiro reserva somente alguns minutos para desenvolvê-la, sendo uma donzela em perigo que tem medo do escuro e que corre por um urso de pelúcia para sentir-se segura – e Cuthbert só é voluntária para mostrar a sua beleza e talento de manequim. O que é muito pouco para um filme que ilustra em seu cartaz as palavras “Seqüestrada, Confinada, Tortura e Exterminada”. E muito menos para o talento perdido de Joffé.
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Título Original: Captivity
Ano de Produção: 2007
Direção: Roland Joffé
Elenco: Elisha Cuthbert, Daniel Gillies, Pruitt Taylor Vince, Laz Alonso, Michael Harney, Rebekah Ryan, Michael Maples, Olivia Negron, Chrysta Olson, Elijah Runcorn e Remy Thorne