Resenha Crítica | Terra das Sombras (1993)

Shadowlands“Enquanto isso, onde está Deus? Esse é um dos sintomas mais inquietantes. Quando você está feliz, tão feliz que não tem nenhuma necessidade Dele… e se volta para Ele com gratidão e louvor, é recebido de braços abertos. Mas vá até Ele quando estiver em desespero, quando tudo parece ter sido em vão, e o que encontrará? Uma porta fechada e o barulho de uma tranca sendo passada duas vezes. Depois disso, um silêncio. Você pode ir embora.”
C. S. Lewis – “A Anatomia de Uma Dor”.

Richard Attenborough tem uma notável colaboração para o cinema. Com uma carreira como ator em evolução aos 12 anos (hoje Attenborough tem 85 anos de vida), o seu primeiro passo como cineasta foi dado somente em 1969, com o musical “Oh! Que Bela Guerra”. De lá para cá seguiram-se somente onze títulos e na maioria deles foi dedicados a nomes bem famosos. Mohandas Karamchand Gandhi (“Gandhi”, 1982, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Diretor), Steve Biko (“Um Grito de Liberdade”, 1987), Charles Spencer Chaplin (“Chaplin”, 1992), Ernest Hemingway (“No Amor e na Guerra”, 1996) e Archibald Belaney (“O Guerreiro da Paz”, 1999) são algumas pessoas que de fato existiram e que serviram para Attenborough contar a bela história de vida de cada um deles.

Clive Staples Lewis, o famoso autor de “As Crônicas de Nárnia”, é o personagem central de “Terra das Sombras”, drama baseado em um trecho de sua existência. Talvez seja o melhor filme de Richard Attenborough. E, se não fosse o suficiente, o melhor momento de Anthony Hopkins e Debra Winger em toda a carreira, com Winger recebendo a sua terceira nomeação ao Oscar de melhor atriz. Hopkins, como se imagina, é Lewis. No início da década de 1950 o escritor marca um encontro com Joy Gresham (Debra Winger) após receber uma correspondência descrevendo o grande fascínio dela pelo seu trabalho. Viajando ao seu encontro para a Inglaterra, Joy trás consigo o seu jovem filho Douglas (Joseph Mazzello, conhecido pelos sensíveis “A Cura” e “Pequeno Milagre”).

A intenção de Joy além de conhecer pessoalmente Lewis é ouvir a sua opinião sobre os seus poemas, afinal ela também apresenta aptidão pela escrita. O relacionamento entre eles, que resulta numa bela amizade, flui bem, mas Joy tem que voltar para o seu lar. Só que não demora para ela retornar à Inglaterra com uma proposta para Lewis, que é um casamento. Ela passa por problemas com o marido, extremamente violento e que vive com os vícios do álcool. E viver com Lewis na Inglaterra é um novo recomeço. Mas a princípio eles não se amam. Armam o casamento com Lewis concordando passivamente com as propostas de Joy. Eles não viveram como marido e mulher, somente como bons amigos. O ato da união entre os dois consegue ser até cômico. E o amor aparece e num momento bem delicado, quando Joy é diagnosticada com câncer nos ossos.

O roteiro indicado ao Oscar de William Nicholson, que por sua vez se baseia na encenação teatral de sua própria autoria, segue exatamente a linha deixada pelo verdadeiro C. S. Lewis. E Richard Attenborough tem uma direção primorosa. O cineasta capta sequências com uma sensibilidade comovente e não se esquece do tom que predomina as memórias do protagonista através dos seus relatos pessoas no livro “A Anatomia de Uma Dor”. Através de uma referência curiosa com “As Crônicas de Nárnia”, sendo o guarda-roupa escondido no sótão da casa de Lewis onde o filho de Joy não encontra mágica alguma daquela das aventuras dos irmãos Pevensie, “Terra das Sombras” apresenta o mundo como ele é. Um mundo onde todos passam por alegrias, fé e sonhos, mas também por tristezas, descrença e perdas. E com base nesses sentimentos tão contraditórios, Attenborough molda um filme cuja magnitude é tão infinita que avaliações ou mesmo quaisquer palavras não são capazes de representá-lo.

“Por que amar, se perder machuca tanto? Eu não tenho mais respostas: só a vida que eu vivi. Duas vezes nessa vida eu dei a escolha: como um garoto e como um homem.O garoto escolheu a segurança, o homem o sofrimento. A dor de então faz parte da felicidade de agora. Esse é o acordo.”
– Anthony Hopkins, como Clive Staples Lewis – “Terra das Sombras”.

Título Original: Shadowlands
Ano de Produção: 1993
Direção: Richard Attenborough
Elenco: Anthony Hopkins, Debra Winger, Edward Hardwicke, Joseph Mazzello, Peter Firth e Julian Fellowes.
Nota: 10

Espelhos do Medo

Espelhos do Medo | MirrorsO jovem cineasta francês Alexandre Aja conseguiu um feito impressionante dentro do gênero ao qual se sustenta desde seu primeiro trabalho: ser exaltado por muitos como o nome mais promissor no cinema de horror com o seu segundo filme, o ousado “Alta Tensão”, protagonizado pela conhecida Cécile De France. O diretor já havia realizado “Furia”, um filme nada conhecido com uma também nada conhecida Marion Cotillard, mas “Alta Tensão” é um filme tão forte em sua brutalidade, da qual não polpa nem mesmo uma criança, que nem o desfecho para lá de manjado fez com que o interesse dos americanos em solicitar os trabalhos do profissional fossem diminuídos. O resultado foi um filme ainda melhor, “Viagem Maldita”, refilmagem de “Quadrilha de Sádicos”.

Em “Espelhos do Medo” Aja enfrenta um novo desafio. Aqui ele é comandado por muitos produtores que investiram nada menos que 35 milhões de dólares para a confecção dessa refilmagem de “Espelho”, do coreano Kim Sung-ho. A história é sobre Ben Carson (Kiefer Sutherland, também produtor executivo), um detetive afastado do seu cargo por causa de uma missão mal-sucedida, onde acabou por matar um homem. As crises posteriores a este acontecimento fizeram com que o seu casamento com Amy (Paula Patton) passasse por muitos atritos, resultando na separação não muito bem resolvida entre o casal que tem dois filhos pequenos, Daysi (Erica Gluck) e Michael (Cameron Boyce, péssimo). Quando Ben precisa de mais dinheiro para tentar modificar essa situação trabalhando em uma loja de departamentos toda incendiada e repleta de enormes espelhos, Alexandre Aja e Grégory Levasseur começam a elaborar momentos mais angustiantes do que aquele visto nos créditos iniciais da fita, de um homem misterioso sendo morto pelo seu próprio reflexo no espelho.

A ambientação é sinistra e o talento do cineasta francês em fazer horror é notável. Exemplo disto é a participação de Amy Smart. Embora descartável a princípio como a irmã do protagonista Sutherland, a bela atriz se sujeita a uma cena que, acreditem, nunca será capaz de ser apagada da memória. É um trabalho caprichado este o de “Espelhos do Medo”, que infelizmente se move com base em uma premissa muito, muito fraca. Apesar do desfecho curioso, dá a sensação que mesmo sendo Aja e seu parceiro Levesseur os roteiristas o estúdio não permitiu que a dupla ousasse mais na violência que a premissa permitia (o longa recebeu classificação R nos EUA). Uma pena, pois o que era para ser um passo adiante na carreira de Aja antes de “Piranha 3D” acaba sendo um retrocesso.

Título Original: Mirrors
Ano de Produção: 2008
Direção: Alexandre Aja
Roteiro: Alexandre Aja e Grégory Levasseur, baseado no filme “Espelho”, de Kim Sung-ho
Elenco: Kiefer Sutherland, Paula Patton, Amy Smart, Cameron Boyce, Erica Gluck, Jason Flemyng e Mary Beth Peil.
Cotação: ***

 

Lista dos Vencedores do Oscar 2009 – Comentários

Oscar 2009

Não faz muito tempo que iniciei o acompanhamento anual do Oscar, mas desde quando o fiz fico a cada início de ano bem ansioso pela divulgação da lista dos indicados ao prêmio e, consequentemente, o evento que premiará os melhores do cinema. Como sempre, há algumas decepções. E o Oscar 2009 não foi muito diferente. Veja os comentários após a lista dos vencedores (que estarão em negrito) logo abaixo.

 Melhor Filme

  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • Frost/Nixon
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • O Leitor

Melhor Diretor

  • Danny Boyle – Quem Quer Ser Um Milionário?
  • David Fincher – O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Ron Howard – Frost/Nixon
  • Gus Van Sant – Milk – A Voz da Liberdade
  • Stephen Daldry – O Leitor

Melhor Ator

  • Sean Penn – Milk – A Voz da Liberdade
  • Mickey Rourke – O Lutador
  • Frank Langella – Frost/Nixon
  • Brad Pitt – O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Richard Jenkins – The Visitor

Melhor Atriz

  • Kate Winslet – O Leitor
  • Meryl Streep – Dúvida
  • Anne Hathaway – O Casamento de Rachel
  • Angelina Jolie – A Troca
  • Melissa Leo – Rio Congelado

Melhor Ator Coadjuvante

  • Heath Ledger – Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Josh Brolin – Milk – A Voz da Liberdade
  • Robert Downey Jr. – Trovão Tropical
  • Philip Seymour Hoffman – Dúvida
  • Michael Shannon – Foi Apenas um Sonho

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona
  • Amy Adams – Dúvida
  • Viola Davis – Dúvida
  • Taraji P. Henson – O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Marisa Tomei – O Lutador

Melhor Animação Longa-Metragem

  • Wall-E
  • Bolt – Supercão
  • Kung Fu Panda

Melhor Roteiro Adaptado

  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Dúvida
  • Frost/Nixon
  • O Leitor

Melhor Roteiro Original

  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Rio Congelado
  • Simplesmente Feliz
  • Na Mira do Chefe
  • Wall-E

Melhor Direção de Arte

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • A Troca
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • A Duquesa
  • Foi Apenas um Sonho

Melhor Fotografia

  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • A Troca
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • O Leitor

Melhor Figurino

  • A Duquesa
  • Austrália
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Foi Apenas um Sonho

Melhor Filme Estrangeiro

  • Okuribito (Japão)
  • The Baader Meinhoff Complex (Alemanha)
  • Entre os Muros da Escola (Entre les Murs – França)
  • Revanche (Áustria)
  • Valsa com Bashir (Israel)

Melhor Documentário

  • O Equilibrista
  • The Betrayal (Nerakhoon)
  • Encounters at the End of the World
  • The Garden
  • Trouble the Water

Melhor Documentário Curta-Metragem

  • Smile Pinki
  • The Conscience of Nhem En
  • The Final Inch
  • The Witness
  • From the Balcony of Room 306

Melhor Montagem

  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Frost/Nixon
  • Milk – A Voz da Liberdade

Melhor Maquiagem

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Hellboy II – O Exército Dourado

Trilha Sonora Original

  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Defiance
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Wall-E

Melhor Canção Original

  • “Jai Ho” – Quem Quer Ser Um Milionário?
  • “Down to Earth” – Wall-E
  • “O Saya” – Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Curta Animado

  • La Maison en Petits Cubes
  • Lavatory – Lovestory
  • Oktapodi
  • Presto
  • This Way up

Melhor Curta Live-Action

  • Spielzeugland (Toyland)
  • Auf Der Strecke (On the Line)
  • Manon on the Asphalt
  • New Boy
  • The Pig

Melhor Edição de Som

  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Homem de Ferro
  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • Wall-E
  • O Procurado

Melhor Mixagem de Som

  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Wall-E
  • O Procurado

Efeitos Especiais

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Homem de Ferro

COMENTÁRIOS:

Esta 81ª edição do Oscar surpreendeu a muitas pessoas. Nas entregas dos prêmios para as categorias de interpretação ainda mais. Nos casos de atrizes principais, atrizes coadjuvantes, atores principais e atores coadjuvantes forma chamados celebridades que um dia já venceram o prêmio. A minha categoria predileta, a de melhor atriz, foi o melhor momento da noite. Não somente pelas palmas poderosas da platéia, mas pela vitória de Kate Winslet, que até fez questão de “encarar” a Meryl Streep (a minha favorita na ocasião) antes de concluir o seu discurso. Outro momento emocionante foi o recorte de todos os astros que faleceram no último ano, dando grande destaque para Paul Newman. Queen Latifah cantou uma canção enquanto os nomes eram apresentados. Em contrapartida, a vitória de Heath Ledger por “O Cavaleiro das Trevas” foi menos tocante do que o esperado, ainda que quase toda a platéia tenha se emocionado com o discurso dos pais do falecido ator.

Mas o que foi mais legal nessa edição foi todo o capricho no design do palco e a presença do simpático Hugh Jackman como o anfitrião da noite. Versátil, o ator fez comentários cômicos e até protagonizou alguns números musicais (Anne Hathaway, muito iluminada na noite, participou). Embora aqui não seja o blog da revista Caras, é de se elogiar os vestidos das atrizes, sem muitas coisas berrantes aos olhos, embora Sarah Jessica Parker tenha tentado esconder um pequeno tropeço enquanto caminhava para o palco para anunciar uma das categorias. Ainda assim, a premiação não foi perfeita. Embora não tenha visto todos os filmes que tenham ao menos recebido uma indicação ao prêmio, a perda de Mickey Rourke para Sean Penn (um ator que já anunciou certo desprezo pelo evento) é sentida. E ainda admito que não consigo ver em “Quem Quer Ser Um Milionário?” méritos o suficiente para ganhar a noite.  Mas o saldo final é um pouco positivo, embora poucos fossem os discursos sendo tão bons como os de Penélope Cruz, que abriu o evento com sua vitória por “Vicky Cristina Barcelona”. Subestimada, a atriz deu um tapa na cara de seus detratores e não se esqueceu da importância de Pedro Almodóvar teve e ainda tem na sua vida como intérprete e dedicou o prêmio a sua Espanha e aos profissionais que nela vivem. O prêmio honorário da vez foi para o comediante Jerry Lewis.

Apostas – Pontuação: 16/24

Lista dos Vencedores do Framboesa de Ouro 2009 – Comentários

Razzie Awards
Todo mundo sabe que não me importo muito com o Razzie Awards, mas assim como fiz numa das primeiras postagens do blog em 2007, este ano decidi comentar os resultados da premiação que aconteceu no sábado, dia 21 de fevereiro. Antes de tudo, vamos aos “vencedores” desta edição, sendo estes os destacados em negrito.

PIOR FILME
– “Espartalhões”
– “Fim dos Tempos”
– “A Gostosa e a Gosmenta”
– “Em Nome do Rei”
– “O Guru do Amor”

PIOR DIRETOR
– Uwe Boll por “Em Nome do Rei”, “Postal – Salve-se Quem Puder” e “Tunnel Rats”
– Jason Friedberg & Aaron Seltzer, por “Super-Heróis – A Liga da Injustiça” e “Espartalhões”
– Tom Putnam, por “A Gostosa e a Gosmenta”
– Marco Schnabel, por “O Guru do Amor”
– M. Night Shyamalan, por “Fim dos Tempos”

PIOR ATOR
– Larry the Cable Guy, por “Witless Protection”
– Eddie Murphy, por “O Grande Dave
– Mike Myers, por “O Guru do Amor”
– Al Pacino, por “88 Minutos” e “As Duas Faces da Lei”
– Mark Wahlberg, por “Fim dos Tempos” e “Max Payne”

PIOR ATRIZ
– Annette Bening, Eva Mendes, Debra Messing, Jada Pinkett-Smith e Meg Ryan, por “Mulheres – O Sexo Forte”
– Cameron Diaz, por “Jogos de Amor em Las Vegas”
– Paris Hilton, por “A Gostosa e a Gosmenta”
– Hate Hudson, por “Um Amor de Tesouro” e “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”
– Jessica Alba, por “O Guru do Amor” e “O Olho do Mal”

PIOR ATOR COADJUVANTE
– Uwe Boll, por “Postal – Salva-se Quem Puder”
– Pierce Brosnan, por “Mamma Mia!”
– Ben Kingsley, por “O Guru do Amor”, “Guerra S.A. – Faturando Alto” e “Doidão”
– Burt Reynolds, por “Deal” e “Em Nome do Rei”
– Verne Troyer, por “O Guru do Amor”  e  “Postal – Salva-se Quem Puder”

PIOR ATRIZ COADJUVANTE
– Carmen Electra, por “Super-Heróis – A Liga da Injustiça” e “Espartalhões”
– Paris Hilton, por “Repo! The Genetic Opera”
– Kim Kardashian, por “Super-Heróis – A Liga da Injustiça”
– Jenny McCarthy, por “Witless Protection”
– Leelee Sobieski, por “88 Minutos” e “Em Nome do Rei”

PIOR CASAL
– Uwe Boll e qualquer ator, câmera ou roteiro
– Cameron Diaz & Ashton Kutcher em “Jogos de Amor em Las Vegas”
– Paris Hilton e Christine Lakin ou Joel David Moore em “A Gostosa e a Gosmenta”
– Larry the Cable Guy & Jenny McCarthy em “Witless Protection”
– Eddie Murphy & Eddie Murphy em “O Grande Dave

PIOR PREQUÊNCIA, SEQUÊNCIA, REMAKE OU RIP-OFF
– “O Dia em que a Terra Parou”
– “Super-Heróis – A Liga da Injustiça” e “Espartalhões”
– “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
– “Speed Racer”
– “Star Wars: The Clone Wars”

PIOR ROTEIRO
– “Super-Heróis – A Liga da Injustiça” e “Espartalhões”
– “Fim dos Tempos”
– “A Gostosa e a Gosmenta”
– “Em Nome do Rei”
– “O Guru do Amor”

Pior Conquista na Carreira
– Uwe Boll — a resposta da Alemanha para Ed Wood

COMENTÁRIOS:

Admito que muitas vezes o resultado dessa premiação me agrada mais do que o próprio Oscar. Embora seja uma premiação sem um pingo de seriedade, encarando as indicações muitas vezes com infantilidade, o Framboesa de Ouro comete lá os seus acertos. O que me deixou bem incomodado nesta edição foram certos indicados. Embora seja o filme menor de M. Night Shyamalan nada justifica as menções nada honrosas ao “Fim dos Tempos”, que ao menos não “venceu” nada. Incomoda também a indicação ao casal Cameron Diaz & Ashton Kutcher, que são responsáveis por muitas cenas engraçadas em “Jogos de Amor em Las Vegas”. Por levar a sua carreira atual com certo desleixo até que fica valendo a indicação de Al Pacino por pior ator em “As Duas Faces da Lei” e “88 Minutos”, ambos muito fracos (o último grande momento do ator foi em “O Mercador de Veneza”, dirigido por Michael Radford em 2004).

Paris Hilton mal deveria ser lembrada por “Repo! The Genetic Opera”, um musical gótico onde tudo funciona, inclusive a interpretação de Paris como Amber Sweet. Mas a atriz não foi perdoada, levando nada menos que três troféus de plástico e pintado com spray que mal custam quatro dólares cada. Três também é o total de prêmios que “O Guru do Amor” recebeu. Uwe Boll nem merece ser mencionado. E para finalizar o autor deste blog não pode deixar de esconder as risadas com a vitória de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” – Spielberg deveria ter ido buscar o prêmio e ficar em casa ao invés de fazer pose entregando o prêmio de melhor filme no Oscar para “Quem Quer Ser Um Milionário”. Ver a porcaria que este projeto se tornou depois de quase duas décadas em planejamento definitivamente não tem preço!

Apostas – Pontuação:  7/9

Resenha Crítica | A Troca (2008)

A Troca | ChangelingEmbora seja um cineasta cujos filmes destacam um protagonista com sede de vingança e justiça e antes um astro de filmes de ação, como toda a franquia do grande Dirty Harry ou mesmo os western de Sergio Leone, Clint Eastwood já teve os seus momentos mais delicados, rodando filmes onde o centro eram mulheres protagonizando algum quadro muito dramático. O exemplo recente é “Menina de Ouro”, obra-prima de destaque no Oscar 2005. O atual é “A Troca”, baseado em um acontecimento verídico.

Na Los Angeles da década de 1920, Christine Collins (Angelina Jolie) é uma mãe solteira muito dedicada ao trabalho e ao seu filho Walter (Gattlin Griffith). Depois de cancelar um compromisso de levar o seu filho ao cinema por conta do seu trabalho, Christine retorna a sua residência sem Walter estar presente. A mãe abatida com a situação entra em contato com a polícia relatando um desaparecimento. Mas a dor que Christine enfrenta vai além desta perda, pois leva meses para que sinal do menino apareça. E quando surge, não é o verdadeiro Walter que é entregue pela polícia, famosa na época pela corrupção.

Pode-se dizer que “A Troca” trás vários ambientes em destaque. O início se dá entre o trabalho de Christine e a convivência com o seu filho no próprio lar. Após os acontecimentos do resumo do segundo parágrafo, a personagem de Jolie é dada como louca e é jogada dentro de um hospício, onde, consequentemente, John Malkovich, interpretando o reverendo Gustav Briegleb, se encarrega de ganhar o seu espaço no drama, assim como Amy Ryan. E na meia hora final acompanhamos o julgamento do caso do desaparecimento de Walter.

Todos esses momentos são muito bem planejados por Clint Eastwood e a direção de arte de Gary Fettis  e James J. Murakami junto à fotografia de Tom Stern (ambos os departamentos indicados ao Oscar 2009) são essenciais para a esplêndida reconstituição de época. Angelina Jolie, indicada ao Oscar de melhor atriz, é o ponto alto do filme. Mantendo uma carreira em progresso sem tropeços desde “O Bom Pastor”, de Robert De Niro, a atriz responde por toda a emoção de “A Troca”, encarando com determinação o papel de uma mulher que enfrenta tudo e todos na esperança de encontrar o seu filho. Mas o longa apresenta um problema muito incômodo, sendo o personagem, um provável serial killer, apresentado como o causador do desaparecimento de Walter. O ator Jason Butler Harner tem um desempenho repleto de excessos como Gordon Northcott. E o roteirista Joseph Michael Straczynski não o desenha e muito menos o acrescenta na história com a qualidade obtida até então.

Título Original: Changeling
Ano de Produção: 2008
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Colm Feore, Amy Ryan, Jason Butler Harner, Eddie Alderson e Gattlin Griffith

Resenha Crítica | Quatro Minutos (2006)

Quatro Minutos | Vier Minuten Por se tratar de dois longas cujos lançamentos nacionais não são tão distantes, será um espanto para o público que encarar “Quatro Minutos” antes de “O Leitor”. Ou vice-versa. Mas antes de estabelecer as distinções entre estes dois títulos cinematográficos, ambos trazem em seus argumentos um episódio do Holocausto que cada uma das protagonistas não hesita em permanecer oculto, trazendo nas revelações o elemento narrativo de grande importância, sendo capaz de elevar a história em um outro degrau. Monica Bleibtreu e Kate Winslet também recorrem a uma pesada maquiagem para modelar Traude Krüger e Hanna Schmitz, respectivamente. E, por fim, apreciam uma arte: Traude o da música e Hanna o encanto que desperta com a leitura no papel de ouvinte. Mas, desta vez, vamos destacar “Quatro Minutos”.

Rodado por Chris Kraus (que se inspira numa história verídica) na Alemanha no ano de 2006, “Quatro Minutos” traz a professora de piano Traude Krüger dentro de uma penitenciária feminina usando o seu amplo talento com o instrumento musical para ensinar as poucas detentas interessadas no aprendizado. Mesmo que desastrosas, Traude transfere todas as suas atenções à Jenny (Hannah Herzsprung), uma jovem rude e sempre no limite, ferindo a si mesma e a aqueles que a rodeiam dentro da prisão quando nervosa. Ainda assim, seu talento com uso do instrumento é notável, sendo capaz até mesmo de tocar algemada. Mas os acordes incomodam Traude, chamando-os de música negra. E resta a esta senhora de oitenta anos fazer com que Jenny tente modificar o rumo de sua vida mesmo que tenha que pagar pelo erro que cometeu no passado através da música.

A direção flui muito bem, só que o Chris Kraus roteirista poderia melhorar o desenvolvimento de suas personagens. De tão rancorosas, antipáticas ou mesmo monstruosas é quase incompreensível as atitudes tomadas por cada uma delas, especialmente no que se diz respeito a brutalidade de Jenny com a sua “mestra”. Embora de passados obscuros, Traude e Jenny sempre são duras até mesmo quando encontram oportunidades para a felicidade ou de se redimirem. Ao final, redimir é algo que o drama faz, necessitando somente de quatro minutos para isto. É o tempo da apresentação de Jenny no concurso ao qual se inscreveu por insistência de Traude. E a cena onde é centrada as qualidades de “Quatro Minutos”.

Título Original: Vier Minuten
Ano de Produção: 2006
Direção: Chris Kraus
Elenco: Monica Bleibtreu, Hannah Herzsprung, Sven Pippig, Richy Müller e Edita Malovcic

Resenha Crítica | Vagina Dentada (2007)

TeethFilho do falecido pintor Roy Lichtenstein, Mitchell Lichtenstein (que logo completará cinquenta e três anos de idade) investe em “Teeth” a sua primeira experência de diretor de longa-metragem após um longo tempo como ator em alguns filmes (“O Banquete de Casamento”, de Ang Lee) e participações pequenas em seriados televisivos como “Miami Vice” e “Lei & Ordem”. Já com um segundo longa concluído – que estreou na última semana no Festival de Berlim -, “Happy Tears“, Lichtenstein havia confirmado o seu interesse em prosseguir com as aventuras da jovem Dawn O’Keefe, a personagem principal de “Teeth”, grande sensação na sua passagem pelo festival de Sundance em 2007 e que ainda não tem previsão para lançamento no Brasil.

Dawn, interpretada pela excelente Jess Weixler (prêmio especial do Júri de Sundance como melhor atriz dramática), é uma jovem estudante que é um dos elos principais de um grupo que “prega” a importância da “pureza” e o quanto ela deve ser mantida. Melhor dizendo: nada de relações sexuais. Só que ela está naquela fase da adolescência onde se manter afastada do sexo oposto se torna algo insuportável. E a atração pelo seu colega Tobey (Hale Appleman) cresce a cada novo dia. Só que ele não é aquele homem doce que sempre esteve presente em sua imaginação, rompendo os votos de castidade transando com Dawn sem a vontade desta. Mas não é a tentativa de estupro que assusta a inocente garota e, sim, a dor e a perda de um certo membro de Tobey. Logo Dawn desvenda que foi amaldiçoada por algo conhecido como “Vagina Dentata”, que se diz respeito a uma lenda de tribos indígenas de uma mulher com dentes em sua vagina. E só um homem ideal (ou herói, segundo o mito) pode livrar Dawn desta maldição.

Este argumento que serviu para Lichtenstein desenvolver todo o roteiro, outrora usada com pouco destaque em outros longas e obras literárias, não tem nada de trash. Mitchell Lichtenstein cria um filme repleto de tomadas silenciosas e faz desta anomalia de Dawn algo surpreendente crível, o que amplia os seus receios pelas primeiros sintomas da sua sexualidade. Mas o filme reserva o seu humor negro, especialmente nas cenas envolvendo as relações sexuais da protagonista. E o prestígio que Lichtenstein ganhou da crítica com este seu primeiro filme, o que muito deve ter influenciado no interesse de celebridades como Demi Moore, Parker Posey e Ellen Barkin no seu longa posterior, é mais do que merecido. Inclusive, o público feminino tem muito o que comemorar com uma afirmação acertada da imprensa, declarando este como o autêntico sucessor de “Atração Fatal”. É claro que “Teeth” não é um filme sobre adultério, mas os homens, assim como no longa de Adrian Lyne, terão motivos o suficiente para deixarem os seus zíperes bem fechados.

Título Original: Teeth
Ano de Produção: 2007
Direção: Mitchell Lichtenstein
Elenco: Jess Weixler, John Hensley, Josh Pais, Hale Appleman, Lenny von Dohlen, Vivienne Benesch e Ashley Springer

Resenha Crítica | Há Tanto Tempo Que Te Amo (2008)

Há Tanto Tempo que te AmoKristin Scott Thomas está entre aquelas que são as melhores e mais belas atrizes em atividade. Mas esta extraordinária atriz britânica, que confessa ter iniciado a sua carreira com o pé esquerdo (“Sob o Luar da Riviera”, dirigido por Prince, é o seu primeiro filme), parece ter suas interpretações ignoradas pelo pouca repercussão que seus trabalhos apresentam. E essa falta de atenção se aplica no seu desempenho em “Há Tanto Tempo Que Te Amo”, o melhor da sua carreira. E isto vindo desta magnífica dama que esteve tão bem em “Quatro Casamentos e Um Funeral”, “O Paciente Inglês”, “Assassinato em Gosford Park”, “De Bico Calado” ou “Tempo de Recomeçar” definitivamente não é pouco. Como Juliette Fontaine, Kristin Scott Thomas, antes considerada como uma entre as cinco indicadas ao Oscar 2009 na categoria de melhor performance feminina principal, deixa quase todas as concorrentes pela estatueta numa escala bem abaixo de sua magnitude.

Em seu primeiro longa metragem, Philippe Claudel constrói uma história dolorosa. O centro são as irmãs Juliette (Scott Thomas) e Léa (Elsa Zylberstein, de “Modigliani – A Paixão pela Vida” e “A Pequena Jerusalém”). O prólogo já nos mostra o porquê dessas duas irmãs se reencontrarem  somente após um intervalo de quinze anos. É porque Juliette foi presa por cometer um crime pelo qual não deve se recuperar pelo resto de sua existência. E vai uma dica: não procure por detalhes sobre o drama – o crime em questão leva um tempo a ser anunciado e ele acontece de forma impactante. E embora Léa e o seu marido Luc (Serge Hazanavicius) já saibam sobre isto é um enigma as razões que a levaram a tal. Ainda assim, o casal hospeda Juliette em sua casa, mas com comportamentos suspeitos vindo de Luc. Mas Juliette parece pagar ainda mais pelo que fez. Conquistar o seu espaço, tendo um emprego, amigos e um lar será uma tarefa árdua por causa do seu passado.

Claudel insiste em permanecer oculto a informação que Léa sempre persegue sobre as motivações de sua irmã mais velha, mas “Há Tanto Tempo Que Te Amo” é um filme sobre redenção. O ato que Juliette cometeu a princípio é imperdoável, só que o seu silêncio é justificável. E não se pode deixar de destacar Elsa Zylberstein, que é um bom contrapeso da protagonista. Enquanto Juliette é uma mulher mais deprimida, Léa completa a alma do filme e o equilibra respondendo por várias explosões de sentimentos. E sequências de partir o coração não faltam em “Há Tanto Tempo Que Te Amo”, especialmente na cena onde Juliette visita a sua mãe (participação de Claire Johnston) pela primeira vez após ganhar liberdade, que perdeu a memória. O aniversário de Juliette e a participação desta num repouso de final de semana com os amigos de Léa e Luc também são momentos marcantes. Por mais que não seja totalmente extraordinário por conta do espectador conseguir antecipar o que acontecerá no último ato, “Há Tanto Tempo Que Te Amo” usa da redenção de Juliette como uma amostra de que sempre haverá uma oportunidade em nossa existência para um recomeço.

Título Original: Il y a longtemps que je t’aime
Ano de Produção: 2008
Direção: Philippe Claudel
Elenco: Kristin Scott Thomas, Elsa Zylberstein, Serge Hazanavicius, Laurent Grévill, Frédéric Pierrot, Lise Ségur e Claire Johnston.