Por Amor

Por AmorEm “Por Amor”, David Hollander, que tem 40 anos e que estréia na direção de longa-metragem, se baseia no pequeno conto “A Mansão na Colina” para narrar o triste momento que Andrew Wakefield (Ashton Kutcher) está vivendo. É que sua irmã fora brutalmente assassinada, com hematomas e queimaduras por todo o corpo nu encontrado próximo a um rio numa manhã. Sua vida se resume a trabalhar uniformizado como um frango na entrada de um fast-food, aperfeiçoar as suas habilidades como lutador e, com o apoio de sua mãe Gloria (Kathy Bates), cuidar de sua sobrinha enquanto acompanha o longo processo do julgamento de Tom Friedinger (Aleks Paunovic, o melhor do elenco), acusado pelo assassinato de sua irmã por ser a última pessoa vista estabelecendo contato com ela.

Essa história possibilita como nunca aconteceu (talvez somente em “Efeito Borboleta”) ao jovem ator Ashton Kutcher a provar um talento dramático aprisionado dentro de si depois de tantas comédias consecutivas em sua carreira. Embora longe de ser algo arrebatador, Kutcher desenvolve sutilmente o seu Andrew, como uma pessoa fechada a possibilidades e que zela pela honra de sua irmã, dona de um caráter meio duvidoso.

Apesar da boa história que se tem inicialmente, “Por Amor” aos poucos vai perdendo os rumos quando Michelle Pfeiffer aparece. Chama a atenção o fato da atriz continuar com uma beleza irretocável nos seus já cinquenta anos de vida, mas a sua performance é sem brilho por conta da personagem que tem de incorporar. Ela também, junto ao seu filho surdo-mudo Clay (Spencer Hudson), lida com a mesma dor de Andrew, já que perderam o marido depois de um ajuste de contas. Mas é imperdoável um filme substituir o luto dos seus personagens por um romance inconvincente e desenvolvido com imaturidade por Hollander.

Título Original: Personal Effects
Ano de Produção: 2009
Direção: David Hollander
Elenco: Ashton Kutcher, Michelle Pfeiffer, Kathy Bates, Sarah Lind, Rob LaBelle e Aleks Paunovic.
Cotação: 2 Stars

Max Payne

max-payne

Ao contrário, por exemplo, das adaptações de histórias em quadrinhos, que a cada novo exemplar vem a se firmar como sub-gênero do cinema americano, o universo do vídeo-game raramente obtêm algum sucesso quando seu argumento é transferido para a telona. Quem não for muito exigente deve aprovar alguns esforços de Paul W.S. Anderson nesta tarefa no comando de “Resident Evil – O Hóspede Maldito” e “Mortal Kombat”, mas somente o francês Christophe Gans foi capaz de entregar com o seu formidável “Terror em Silent Hill” um trabalho à altura da fonte de origem. John Moore, um diretor regular, tenta reverter a situação, mas o seu “Max Payne” deixaria Uwe Boll orgulhoso.

Desenvolvido a partir da década passada pela empresa Remedy Entertainment, o filme “Max Payne” tem um argumento do estreante Beau Thorne sendo bem fiel àquele escrito por Sam Lake. E também é idêntico a milhares de filmes do gênero de segunda que tanto pegam pó nas prateleiras de vídeo-locadoras. Payne (Mark Wahlberg, que praticamente reprisa o seu papel de “Atirador”) é um policial que começa a agir por conta própria quando sua mulher e filha pequena são assassinadas brutalmente. O culpado não aparece e Max Payne mergulha no submundo de Nova York para as suas investigações. É claro que não pode faltar a cena da boate!

Para tentar esconder a limitação do roteiro, John Moore pega novamente o seu fotógrafo da refilmagem de “A Profecia”, Jonathan Sela, para auxiliar na confecção de longa de ação com atmosfera dark e barra-pesada. Mas a qualidade visual não se casa com a falta de imaginação das cenas de tiroteio e, especialmente, o desenvolvimento burocrática da revelação sobre sociedade secreta que é responsável pela criação de droga de efeitos indescritíveis  e que está inteiramente ligada na morte da esposa e filha do personagem-título. Lamentável também é como Chris O’Donnell e a bela Olga Kurylenko se sujeitam a tal desperdício de presença em cena. Com o progresso que as adaptações de games estão tendo para o cinema pensar que “Tetris” um dia vai ganhar formas não parece ser de todo absurdo.

Título Original: Max Payne
Ano de Produção: 2008
Direção: John Moore
Elenco: Mark Wahlberg, Beau Bridges, Mila Kunis, Chris ‘Ludacris’ Bridges, Donal Logue, Chris O’Donnell, Marianthi Evans, Nelly Furtado e Olga Kurylenko.
Nota: 2.0

10 Aniversários Cinematográficos

Mal levantei para enfrentar o dia no meu aniversário de 19 anos e alguns desastres já acontecem. É cansaço, morte de Hamster, sermão de mãe, filme ruim e por aí vai. Mas nada melhor do que levantar os ânimos e ver que o azar também persegue alguns personagens do cinema numa data de aniversário. Desta forma, realizei um levantamento de longas sem necessariamente selecioná-los pela qualidade, mas pelas situações embaraçosas vividas ao comemorar o mais um ano de vida.
.

jogo-de-amor-em-las-vegasJogo de Amor em Las Vegas, de Tom Vaughan (2008, What Happens in Vegas).
Presente de aniversário: a boa comédia de Tom Vaughan e com Cameron Diaz e Ashton Kutcher como par central nos mostra que nem sempre é bom armar uma festa surpresa para o parceiro ou parceira. Diaz, toda animada em surpreender o namorado acaba ouvindo vários desaforos, inclusive de que não transa bem. O problema é que todos os amigos do casal estão na sala escondidos prestes a gritar um parabéns para o sujeito.
.

de-repente-30De Repente 30, de Gary Winick (2004, 13 Going on 30).
Presente de aniversário:
o adorável longa de Gary Winick é sobre Jenna Rink, interpretada por Christa B. Allen. Ela está descontente com os seus 13 anos de vida e, num passe de mágica, consegue realizar o seu sonho na data de aniversário: se tornar mais velha. É claro que a maturidade, onde  ganha as curvas de Jennifer Garner, a fará repensar muitas coisas em sua vida.
.

a-isca-perfeitaA Isca Perfeita, de Jez Butterworth (2002, Birthday Girl)
Presente de aniversário:
John Buckingham (Ben Chaplin) é um homem solteiro que num momento de desespero acaba por encomendar uma parceira chamada Nadia. Ela vem nas formas de Nicole Kidman, que não fala nada em inglês. Quando pensa em “devolvê-la”, se depara com uma mulher sensual fera na cama. Mas a doçura da moça desaparece quando os personagens de Vincent Cassel e Mathieu Kassovitz aparecem na casa de John para festejar o aniversário de Nadia.
.


tudo-sobre-minha-maeTudo Sobre Minha Mãe, de Pedro Amnodóvar (1999, Todo sobre mi madre)
Presente de aniversário:
Esteban (Eloy Azorín) ganha um presente de sua mãe Manuela (Cecilia Roth) no seu aniversário bem tentador: conhecer os bastidores de uma peça estrelada por Huma Rojo (Marisa Paredes). Dá que o sujeito é atropelado quando tenta apanhar um autógrafo da musa. A tragédia rende um longa onde Almódovar, mas do que nunca, trata de dramas femininos com muita sensibilidade.
.

vidas-em-jogoVidas em Jogo, de David Fincher (1997, The Game)
Presente de aniversário:
cineasta David Fincher, o magnata interpretado por Michael Douglas é um homem infeliz, mesmo que podre de rico. A “razão de sua existência” é, digamos, testada quando seu irmão Conrad (Sean Penn) lhe dá um presente de aniversário bem incomum, cortesia do Serviços de Recreação do Consumidor. Pena que a festa armada no final do longa seja bem desapontador para o espectador, ainda que ele traga Deborah Kara Unger, um presentaço!
.

O Mentiroso, de Tom Shadyac (1996, Liar Liar)o-mentiroso
Presente de aniversário:
outro pedido de aniversário vindo de um garotinho (Justin Cooper) que se concretiza num passe de mágica. Neste hilariante longa de Tom Shadyac, Jim Carrey é um sujeito que vive mentindo para todos ao seu redor. A verdade aparece quando seu filho assopra as velas do seu bolo de aniversário pedindo que seu pai pare de mentir.
.

vizinhanca-do-barulhoVizinhança do Barulho, de Paris Barclay (1995, Don’t Be a Menace to South Central While Drinking Your Juice in the Hood)
Presente de aniversário:
Shawn Wayans  e Marlon Wayans um dia já foram bem engraçados. Mas não é este o presente que a comédia reserva. Na tal vizinhança do barulho do título só há moradores excêntricos, desde a velha viciada em drogas até mesmo a Dashiki, jovem mulher com um caminhão de filhos. Reza a lenda no local de que muitas pessoas não sobrevivem depois dos 21 anos. E é uma bala que recebe um indivíduo ao assoprar as velas do seu bolo do 21º aniversário.
.

Um Dia de Fúria, de Joel Schumacher (1993, Falling Down)um-dia-de-furia
Presente de aniversário:
aqui não estamos diante de um filme que destaca a comemoração do aniversário, mas vale lembrar que a filha de Michael Douglas completa mais um ano de vida. Ele é um sujeito que está com o casamento acabado e que vive um dia de fúria diante da bagunça de Los Angeles. O presente daqui está mais para aquele que se prepara para um inimigo secreto, tamanho o constrangimento que a fita transmite.
.

a-profecia1A Profecia, de Richard Donner (1976, The Omen)
Presente de aniversário:
aqui uma jovem empregada encarregada de cuidar do pequeno Damien Thorn lhe presenteia de forma bem inusitada na sua festa de aniversário: com um suicídio. Talvez seja a comemoração de aniversário mais macabra vista nos cinemas! Mais bizarro é os fatos que ocorreram nos bastidores, seja da decapitação da esposa do responsável pelos efeitos especiais do filme até bombardeiros no hotel onde Richard Donner estava hospedado.
.

As Irmãs Diabólicas, de Brian De Palma (1973, Sisters)as-irmas-diabolicas
Presente de aniversário:
depois de passar a noite com Danielle (Margot Kidder), Phillip Woode (Lisle Wilson) vai a uma loja e encomenda para o mesmo instante um bolo de aniversário, vendo que já sabe sobre o aniversário de Danielle. O problema é que ela tem uma irmã gêmea de personalidade oposta chamada Dominique (também Kidder) e é com facadas que ela retribui as boas intenções de Phillip.

Queime Depois de Ler

Queime Depois de LerEm 2008 os irmãos cineastas Joel e Ethan Coen receberam reconhecimento total no Oscar com as quatro vitórias no evento com o filme “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Além da interpretação magistral de Javier Bardem houve vitórias com o roteiro adaptado, a direção e, finalmente, o filme. Em “Queime Depois de Ler” os diretores surpreendem. Se antes esperava-se que os irmãos se reunissem novamente para rodar um filme aos moldes de “Onde os Fracos Não Têm Vez”, aqui eles entregam uma comédia. Mesmo assim, já sabemos que os diretores estão naquele é que o gênero onde eles estão mais a vontade. Desta vez elaboram um filme bem divertido e dinâmico, mas o resultado é o mesmo oferecido em outros títulos da dupla, como “Matadores de Velhinha”, “O Amor Custa Caro” e “E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?”.

O que essas três fitas citadas tem em comum com “Queime Depois de Ler” é que a princípio estamos diante de argumentos que geram bons instantes de humor, mas que carregam certa deficiência no encaminhamento para a final. O filme é tão pirado quanto os seus personagens. Linda Litzke (Frances McDormand, excelente) e Chad (Brad Pitt, num dos seus melhores desempenhos) trabalham numa academia de ginástica com Ted (Richard Jenkins). Quando Chad encontra um disquete, Linda se une a ele para fazer chantagem com o material e tentar lucrar o suficiente para pagar as cirurgias plásticas que tanto sonha em se submeter.

Acontece que Linda e Chad pensam que constam no disquete arquivos sigilosos de alguma corporação quando, na verdade, é um livro de memórias de Osbourne Cox (John Malkovich), que foi dispensado da CIA por problemas vindos de seu vício com o  álcool. O plano acaba entrelaçando outras pessoas, como a esposa de Cox (Tilda Swinton) e a amante desta (George Clooney) – que realiza encontros com mulheres por meios virtuais, inclusive com Linda. Se a armação é hilária logo as coisas começam a naufragar. Joel e Ethan Coen lidam muito com humor negro em seus filmes e da metade em diante começam a acontecer tragédias de proporções gigantescas. Isso faz com que os personagens, tão patetas e muito simpáticos, sejam eliminados de uma forma tão impressionante (no mau sentido) capaz de fazer o filme perder toda a graça. O encerramento dado para cada um deles, bem inconclusivos, deixa muito a desejar. Mas a intenção aqui de Joel e Ethan Coen é só montar uma brincadeira. Pena que ela não seja tão divertida quanto poderia ser.

Título Original: Burn After Reading
Ano de Produção: 2008
Direção: Ethan Coen e Joel Coen.
Elenco: Frances McDormand, George Clooney, John Malkovich, Brad Pitt, Tilda Swinton, Richard Jenkins, J.K. Simmons e Dermot Mulroney.
Cotação: 3 Stars

Vicky Cristina Barcelona

Vicky Cristina BarcelonaDesde o lançamento de “Match Point”, suspense produzido em 2005, os críticos andam destacando algo nos filmes de Woody Allen de forma bem excessiva. Trata-se da mudança de ares empregada pelo cineasta. Essa alteração está de acordo com a  cidade onde Woody roda a ação de seus projetos. Antes de escolher a Inglaterra para filmar “Match Point”, Nova York sempre foi usada como sua locação predileta. Aparenta ser uma informação sem muita importância, mas é possível avaliar os locais também como personagem. E isto se intensifica em “Vicky Cristina Barcelona”. Como o título sugere, Barcelona também tem presença na história.

É para lá que vão as amigas Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), repousando na casa de Judy Nash (Patricia Clarkson). Em um jantar ambas são seduzidas por Juan Antonio (Javier Bardem), famoso na região pelos seus quadros artísticos e pela relação embaraçosa com ex-mulher Maria Elena (Penélope Cruz, que venceu o Oscar de melhor atriz coadjuvante). Cristina se deixa levar pela lábia do pintor enquanto Vicky recusa as ousadas propostas de Juan, vendo que já está de casamento marcado com Doug (Chris Messina). Embora a viagem seja para outros fins, elas serão surpreendidas intensamente por um sentimento chamado amor.

E este é o sentimento que ronda “Vicky Cristina Barcelona” das mais diversas maneiras e em cada um dos personagens. Vicky verá que nem todo o seu controle será capaz de resistir a atração que cresce com a sedução de Juan. Cristina, que parece perdida ao executar os seus planos, amadurecerá por conta de um relacionamento a três. E, por fim, Juan e Maria, que experimentam o amor  através de uma união imperfeita. Há também o prazer de Judy em ver que outros pares conferem aquele amor que ela adoraria viver com o seu marido Mark (Kevin Dunn) – este é um detalhe negativo de um filme não tão sensual quanto se espera e que não nos apresenta um Woody Allen no seu melhor momento, ainda que de inegável boa forma nos seus já 73 anos de vida.

Título Original: Vicky Cristina Barcelona
Ano de Produção: 2008
Direção: Woody Allen
Elenco: Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Javier Bardem, Penélope Cruz, Chris Messina, Patricia Clarkson, Kevin Dunn e narração de Christopher Evan Welch
Cotação: ***

 

Street Fighter: A Lenda de Chun-Li

street-fighter

Parece exagero, mas até nos jogos de luta as mulheres demoraram para alcançar o seu espaço. Chun-Li, que apareceu pela primeira vez em “Street Fighter II: The World Warrior” (da Capcom), foi oficializada em 1991 como a primeira personagem feminina a surgir como opção para o jogador selecionar com a intenção de combater outros lutadores no universo dos games. E é ela a protagonista de “Street Fighter: A Lenda de Chun-Li”, o segundo filme baseado no jogo. Por mais traumatizante que seja a lembrança foi Jean-Claude Van Damme quem esteve a frente da primeira adaptação, “Street Fighter – A Última Batalha”, de 1994. Nele também aparecia a atriz Ming-Na como Chun-Li, mas não passava de uma coadjuvante para o mico pago por Van Damme e Raul Julia. O filme de Andrzej Bartkowiak é bem melhor do que a aberração de Steven E. de Souza. Ainda assim, é muito, muito ruim.

Vale lembrar que Bartkowiak, antes de dirigir ruindades como “Street Fighter: A Lenda de Chun-Li”, “Doom – A Porta do Inferno” (outra adaptação de um famoso game) e “Contra o Tempo”, teve um ótimo curriculum como diretor de fotografia. Neste departamento ele carrega assinaturas em obras como “Laços de Ternura”, “A Honra do Poderoso Prizzi”, “Velocidade Máxima” e alguns longas de Sidney Lumet (“Os Donos do Poder”, “Negócios de Família”, “Uma Estranha Entre Nós”). Ao julgar pela carreira como fotógrafo o agora cineasta polonês prova que não aprendeu nada no ofício anterior. A trama é fácil para quem já “fechou” o game. Ainda na infância Chun-Li tinha uma grande afinidade com o seu pai Xiang (Edmund Chen), com quem aprendeu artes marciais e a tocar piano. De uma hora para outra ele é levado por Bison (Neal McDonough) e Chun-Li, mais velha nas formas de Kristin Kreuk (a Lana de “Smallville”), vai atrás dele enquanto tenta decifrar um pergaminho provavelmente vindo de Gen (Robin Shou).

Mesmo que seja estranho converter um jogo de torneios em um filme de uma hora e meia, “Street Fighter” tem conclusões tão interessantes vindo de cada um dos seus lutadores que é possível encarar com certo entusiasmo uma adaptação cinematográfica que consiga corresponder com aquilo que o público ou os fãs da criação da Capcom esperam. O que se vê aqui é um filme de ação que até consegue repetir alguns malabarismos das sequências realizadas através dos comandos em um console e que explora bem as locações de Bangkok. Só são dois pontos regulares que desaparecem em questão de segundos tamanho o desperdício de personagens como Vega (Taboo, integrante do “Black Eyed Peas), o destaque concebido para intérpretes terríveis como Chris Klein (como Charlie Nash), lutas repleta de cortes e diálogos pavorosos como “Sabe, o seu pai tem sido o leite do meu negócio. Mas, mesmo o leite tem uma data de validade”. Sem dizer também a falta de fidelidade em questão da caracterização dos atores com os papéis criados com base no jogo. O desfecho solta uma fagulha para uma sequência. No entanto, alguém acredita que ela vai acontecer?

Título Original: Street Fighter: The Legend of Chun-Li
Ano de Produção: 2009
Direção: Andrzej Bartkowiak
Elenco: Kristin Kreuk, Neal McDonough, Chris Klein, Moon Bloodgood,
Robin Shou, Josie Ho, Michael Clarke Duncan, Edmund Chen, Elizaveta Kiryukhina e Taboo.
Nota: 1.0

Resenha Crítica | Halloween – O Início (2007)

Halloween - O Início
Com um custo de produção bem minúsculo, John Carpenter fez de “Halloween” um dos maiores clássicos de toda a história do cinema de terror. Foi o sucesso de Michael Myers e da sua irmã Laurie Strode que o gênero se renovou, criando longas com baixo orçamento protagonizados por vilão invencível e donzelas em perigo. Franquias como a de “Sexta-feira 13” devem muito ao clássico de Carpenter, assim como os sucessos teens atuais que apanham muitas referências vindas de “Halloween”. A história de maníaco que foge depois de 15 anos preso em manicômio e que vai atrás da irmã babysitter rendeu sete sequências e, agora, uma refilmagem. Okay, no constrangedor “Halloween III” Myers só aparece na tevê, mas essa capítulo planejado pelo produtor Moustapha Akkad é oficial.

Como fez Marcus Nispel com “Sexta-feira 13” este ano, Rob Zombie (mais conhecido como vocalista do “White Zombie”) molda na verdade não um remake completo da obra de Carpenter. Embora não seja um ponto muito relevante a mitologia de Michael Myers, “Halloween – O Início” é também, como o título nacional sugere, um prequel. O que se tem de inovador aqui é um primeiro ato melhor desenhado do que o concebido por Carpenter no filme de 1978. Se na sequência inicial do filme original acompanhamos Myers através de um recurso bem interessante de filmagem, o da visualização da câmera coberta pelos contornos de uma máscara, onde persegue a sua irmã mais velha com a intenção de matá-la, Rob Zombie vai mais fundo, preenchendo espaços vazios deixados sobre a infância de Myers em toda a série.

O Michael Myers daqui é uma criança revoltada (Daeg Faerch, que se submeteu a uma ofensiva paródia de seu papel aqui em “Hancock”), filho de mãe stripper (Sheri Moon Zombie, muito bem) e pai alcoólatra (William Forsythe). A sua irmã mais velha Judith (Hanna Hall) também não é um bom exemplo de pessoa, sendo aquele padrão de garota bitch. Se há algum sentimento consigo eles são reservados unicamente para a sua mãe e a sua outra irmã recém-nascida. Uma tragédia acontece a família Myers e o garoto, que a comete através do assassinato do próprio pai e irmã mais velha, vira objeto de estudo do Dr. Samuel Loomis (Malcolm McDowell, escolha brilhante para um papel que antes era do grande e falecido Donald Pleasence).

Os encontros entre essas duas figuras antológicas rende uma sequência brilhante planejada por Zombie, onde Myers ataca uma enfermeira (ponta de Sybil Danning) enquanto Loomis se retira do consultório com Deborah, a mãe de Michael. Mas vai um aviso desapontador. O acontecimento de forte impacto, onde a câmera de Zombie consegue focar um Myers entregue a maldade sem possibilidades de reparação, é o limite do horror que o filme alcança. E ela acontece antes de se apresentar o segundo ato de “Halloween – O Início”. Daí em diante o foco muda. Laurie Strode (Scout Taylor-Compton, ótima como a nova Laurie, mas que não chega aos pés da eterna Rainha do Grito Jamie Lee Curtis), já acolhida por uma outra família e na pós-adolescência, começa a notar uma estranha presença perseguindo-a. Quem viu o clássico de Carpenter sabe que é Myers já livre do sanatório e determinado em enfrentá-la por ser o único laço familiar que lhe restou.

O problema é que Rob Zombie, neste ponto, parece ter perdido o controle da situação. Ou melhor, a criatividade. A sua noite do Dia das Bruxas não passa de uma cópia pouco imaginativa e raramente aterrorizante do filme original. Nem as participações especiais de gente de peso (Danny Trejo, Bill Moseley, Brad Dourif, Udo Kier, Dee Wallace e Sid Haig) e a formidável trilha sonora de Tyler Bates, que aqui recria os acordes de John Carpenter com tons ainda mais estarrecedores e barulhentos, conseguem empolgar muito.

A verdade é que Michael Myers continua sendo uma criatura enigmática muito interessante de ser analisada e isso não muda com o fato de ele aqui ser incorporado pelo gigante Tyler Mane (quem não sabe, ele fez o Dentes de Sabre no primeiro filme dos “X-Men”). O que foi estabelecido em toda a franquia e que Rob Zombie não lida muito bem aqui, provocando certa frustração, é que atrás da máscara do vilão se esconde um ser indecifrável, onde a melhor interpretação que se pode ter (e com base em um depoimento de Sam Loomis no segundo “Halloween”, de 1981) é de uma pessoa com todo o mal existente armazenado em si mesmo. O fato de tentar nos desvendar quem é Michael Myers acaba com a emoção. Quem sabe se na sequência, que já está sendo preparada para ser exibida ainda este ano nas telas ianques, Rob Zombie novamente amadureça, como da transição feita de “A Casa dos Mil Corpos” para o estupendo “Rejeitados Pelo Diabo”, e consiga desta vez entregar um excelente trabalho?

Título Original: Halloween
Ano de Produção: 2007
Direção: Rob Zombie
Elenco: Tyler Mane, Malcolm McDowell, Scout Taylor-Compton, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie, William Forsythe, Danielle Harris, Danny Trejo, Hanna Hall, Bill Moseley, Brad Dourif, Udo Kier, Daryl Sabara, Sybil Danning, Sid Haig, Pat Skipper e Dee Wallace.
Nota: 6.0

Resenha Crítica | Sexta-feira 13 (2009)

Sexta-Feira 13Quem viveu muito bem os anos 1980 e 1990, ou até mesmo assistia as reprises de filmes de terror no TV Terror da Rede TV, deve ter acompanhado toda a franquia de Jason Voorhees, a mais extensa em todo o gênero. O vilão já foi esfaqueado, atropelado, explodido, congelado, eletrocutado e nada foi capaz de detê-lo. Isto é um fato que talvez soe infeliz, vendo a bagunça que a série se tornou desde o seu quinto episódio. Hoje, somado com “Freddy Vs. Jason” e o novo “Sexta-feira 13”, mistura de prequel com refilmagem, temos ao todo doze filmes somente com o personagem – vale lembrar que mesmo sendo a sua mãe Pamela Voorhees a assassina da fita original, Jason surge numa ponta assustadora no desfecho.

Como não há mais criatividade para trazer Jason ao mundo, que o faça em uma refilmagem. Mas a visão de Marcus Nispel é tão ruim quanto aos dos episódios mais constrangedores de “Sexta-feita 13”, como “Sexta-feira 13 – Parte VIII: Jason Ataca Nova York” (1989), “Jason Vai Para o Inferno – A Última Sexta-feira 13” (1984) e “Jason X” (2001), para dar uma idéia da dimensão da coisa. Um resultado cruel para um diretor que realizou uma refilmagem tão eletrizante de “O Massacre da Serra Elétrica”. “Sexta-feita 13”, o deste ano, tem duas sequências antes do imenso letreiro anunciando “Friday the 13th”. O primeiro, mais rápido do que deveria, Pamela Voorhees está prestes a matar uma mocinha quando esta se rebela decapitando-a. A segunda tem cinco personagens e eles são apenas iscas para o filme apresentar as regras: as garotas que aparecem nuas e os garotos que se deixam levar pelos vícios das drogas e do álcool morreram. Aqueles que transam idem.

O restante do filme tem conexão com a descrição dessa segunda parte. E este é o seu problema fatal. Está certo que é um elemento do slasher film, mas a série anteriormente – ou ao menos os seus episódios mais inspirados – não se limitava a este estereótipo. Ou seja: ao invés de acrescentar alguma informação interessante a mitologia de Jason o roteiro optou por seguir a linha da morte de personagens inconsequentes. Ainda que tenha lá uma ou outra morte inspirada o filme não estabelece um tempo maior para a relação de Jason com uma das vítimas (que o confunde passando-se por sua mãe, um lance pego do clímax do segundo “Sexta-feira 13”, de 1981) ou mesmo quando abandona o saco de pano de cor marrom para esconder a sua estranha face com a famosa máscara de hóquei (referência ao filme terceiro “Sexta-feira 13”, de 1982). Outra falha é a tensão apagada quando as vítimas, na maioria das vezes chapadas, encaram o psicopata como um mero palhaço. Se o filme vai nesse progresso até o final, nem encarando tudo como diversão tolinha e passageira o programa funciona.

Título Original: Friday the 13th
Ano de Produção: 2009
Direção: Marcus Nispel
Elenco: Derek Mears, Jared Padalecki, Amanda Righetti, Danielle Panabaker, Travis Van Winkle, Aaron Yoo, Jonathan Sadowski, Julianna Guill, Ben Feldman e Nana Visitor.
Cotação: 2 Stars

Blackout – Prisioneiros do Medo

blackout
Em seu segundo longa-metragem, o cineasta mexicano Rigoberto Castañeda conta com o roteiro do estreante Ed Dougherty que é no mínimo interessante. Nele, três desconhecidos ficam presos dentro de um elevador em um edifício praticamente abandonado. No entanto, o que começa bem e renderia um perverso jogo psicológico e de insuportável claustrofobia se revela um suspense muito desapontador.

Os personagens são apresentados ao público com as seguintes circunstâncias antes do encontro no elevador: Claudia (Amber Tamblyn, vista recentemente em “Quatro Amigas e Um Jeans Viajante 2“) é uma jovem muito dedicada aos estudos e ao trabalho que vive com a avó (Mabel Rivera), que é atropelada ao sair do apartamento onde vivem; Karl (Aidan Gillen) é viúvo e pai atencioso, mas acaba tendo que deixar sua filha aos cuidados de outra pessoa enquanto lança desculpas sobre coisas para se resolver no seu trabalho;  Tommy (Armie Hammer) se envolve em encrenca por causa do violento pai da sua namorada.

Pouco criativo ao desenvolver a promissora premissa que tem em mãos, Castañeda exagera nos usos de flashbacks durante o confinamento e de efeitos especiais na área externa do elevador, com o previsível recurso de câmera que caminha pela passagem do teto até o acesso aos quartos dos próximos andares totalmente vazios antes que os personagens estudem possibilidades de saírem da situação. Apesar de uma ou outra cena, onde a tensão até que é bem construída, nem mesmo a revelação de que um dos três é um serial killer levanta os ânimos. Uma pena.

Título Original: Blackout
Ano de Produção: 2007
Direção: Rigoberto Castañeda
Elenco: Amber Tamblyn, Aidan Gillen, Armie Hammer, Katie Stuart, Eloisa Bennetts e Mabel Rivera.
Nota: 5.0

Resenha Crítica | Rio Congelado (2008)

Rio Congelado | Frozen River “Rio Congelado” é aquele tipo de filme independente que não apresenta inicialmente grandes atrativos para se tornar um grande sucesso. Afinal, a protagonista é uma atriz muitas vezes sub aproveitada pela indústria cinematográfica, tem um elenco de apoio nada conhecido, custou somente 1 milhão de dólares e a direção cabe a uma novata que ainda é encarregada de um script onde o foco são as situações de risco que as pessoas se submetem quando as condições financeiras são delicadas. Mas quando produções como este título são realizados com notável qualidade o sucesso em festivais de cinema surge assim como o reconhecimento do público.

As conquistas de “Rio Congelado” são as indicações ao Oscar na categoria de melhor atriz principal (Melissa Leo) e roteiro original (Courtney Hunt) – reconhecer o trabalho da nativa americana Misty Upham seria também uma agradável surpresa. Melissa e Misty incorporam, respectivamente, Ray e Lila. Mas antes que estas personagens se encontrem, Coutney trata de destacar Ray. Ela é uma mulher cujas marcas na face já apresentam uma trajetória repleta de sofrimentos, mas sempre enfrenta as adversidades com a cabeça erguida. E é o que faz quando não tem mais dinheiro para se sustentar nem a si e nem aos seus filhos T.J. (Charlie McDermott) e Ricky (James Reilly). Ela foi abandonada pelo marido, um jogador compulsivo. E resta a esta mulher adquirir dinheiro para ao menos render um bom natal para os seus filhos e quitar as dívidas de sua residência, um trailer grande que precisa ser submetido a vários reparos, para após financiar um novo lar.

É ao procurar pelo seu marido que Ray se confronta com Lila, uma habitante de uma reserva Mohawk com graves problemas financeiros e de visão, tendo que entregar para a avó uma filha que não pode cuidar. Lila pratica um serviço secreto que Ray logo se encarregará de fazer junto à esta desconhecida: o transporte ilegal de imigrantes clandestinos entre a divisa do Canadá com os Estados Unidos, separada por um rio congelado com sérios riscos de se romper com a passagem de veículos ou mesmo de pessoas. O dinheiro obtido com o trabalho é suficiente para as essas duas mulheres driblarem os problemas, mas problemas é o que também se multiplicam quando a polícia local desconfia sobre este transporte.

Como de praxe em produções com orçamento tão limitado, resta a Courtney Hunt o árduo trabalho de tentar desenvolver toda essa ação com a maior criatividade possível, estando livre de qualquer fácil artifício de rodar essa história contando com notáveis departamentos técnicos. Se sua direção não é magistral, o fato de centrar os acontecimentos num cenário frio, por vezes solitário, é uma virtude a se notar, além do roteiro que preserva a idéia de que sempre haverá alguma paz após a tormenta, por mais que ela possa demorar a surgir. Todavia, projetos com tais características dependem demais da entrega do seu elenco. E este é o mérito de “Rio Congelado”, que é centrar as suas câmeras para Melissa Leo e Misty Upham. Leo, sempre despida de qualquer vaidade e recebendo aqui o seu primeiro papel como protagonista, responde por muitos momentos de dolorosos sentimentos sem nunca tornar a sua Ray uma mulher que implora por pena. E Upham a acompanha ao seu lado neste drama, nunca atrás.

Título Original: Frozen River
Ano de Produção: 2008
Direção: Courtney Hunt
Roteiro: Courtney Hunt
Elenco: Melissa Leo, Misty Upham, Michael O’Keefe, Charlie McDermott e James Reilly