Resenha Crítica | O Menino do Pijama Listrado (2008)

O Menino do Pijama Listrado | The Boy in the Striped PajamasPor ser um conflito que assola muitas pessoas até nos dias atuais, o cinema ainda não foi capaz de dar um basta e encerrar a sua remessa generosa de dramas que surgem de tempos e tempos e que se espelham nas marcas deixadas em toda a humanidade por causa da Segunda Guerra Mundial. É um tema histórico já explorado de cabo a rabo e narrado pelos mais diversos pontos de vista. Mas volta e meia surgem novidades e “O Menino do Pijama Listrado” é uma grata surpresa.

A adaptação do famoso livro de John Boyne tem versão cinematográfica enxuta, impactante e muito bem interpretada. A história tem como protagonista o pequeno Bruno (Asa Butterfield), de oito anos. Vivendo com os seus pais (papéis de David Thewlis e Vera Farmiga) e a sua irmã mais velha (Amber Beattie) em Berlim ele se muda para um outro local devido a nova missão ao qual o seu pai, um soldado nazista de grande reputação, é subordinado. Dá que na nova residência encontra um novo amigo chamado Shmuel (Jack Scanlon). E dentro das conversas dessas duas crianças vem o que difere “O Menino do Pijama Listrado” de outros filmes sobre o Holocausto: nem Bruno e muito menos Shmuel sabem a realidade que estão vivendo.

Essa perspectiva a princípio ingênua ao qual o cineasta britânico Mark Herman está longe de suavizar os acontecimentos daquele período. Mais conhecido por dirigir “Laura – A Voz de Uma Estrela”, Herman filma a amizade de Bruno e Shmuel como representação de um mundo onde os preconceitos de diversidades, sejam eles sobre credo, classe social ou etnia, substituem qualquer esperança e harmonia. E isto se torna ainda mais forte diante do desfecho, chocante e de partir o coração.

Título Original: The Boy in the Striped Pyjamas
Ano de Produção: 2008
Direção: Mark Herman
Elenco: Asa Butterfield, Jack Scanlon, Vera Farmiga, David Thewlis, Amber Beattie e Rupert Friend.
Cotação: 4 Stars

Resenha Crítica | Carga Explosiva 3 (2008)

carga-explosiva-3
Lançado nos cinemas americanos em 2002, o primeiro “Carga Explosiva” não obteve sucesso nas bilheterias, mas a ação que contou com Jason Statham no seu primeiro papel como protagonista encontrou o seu público nos bons valores rendidos em bilheterias internacionais e no mercado de vídeo. O mesmo aconteceu na primeira sequência exibida em 2005 e comandada por Louis Leterrier e agora em “Carga Explosiva 3”, do diretor Olivier Megaton.

O roteiro de Luc Besson (que também escreveu os filmes anteriores) e Robert Mark Kamen novamente trás Frank Martin (Statham) ao volante em uma missão de risco. E que risco, já que o vilão da vez (interpretado por Robert Knepper) prende uma pulseira em Martin com um dispositivo que explodirá caso o herói mantenha uma distância de vinte e cinco metros do carro ou tente mudar o percurso elaborado pelos capengas que o fazem transportar Valentina (Natalya Rudakova), filha de Leonid Vasilev (Jeroen Krabbe) responsável pela Agência de Proteção Ambiental da Ucrânia.

Para os fãs da série e do personagem a boa notícia é que a fórmula dos filmes anteriores da pequena franquia é mantida. A ação é muito, muito frenética e o humor aparece na medida certa – o francês François Berléand, novamente como o Inspetor Tarconi, é o dono das melhores tiradas do texto de Besson e Mark Kamen. Sem dizer também a inspirada seleção feminina que “Carga Explosiva” sempre confere, agora com a estreante e muito bela Natalya Rudakova dividindo cenas com Statham. Por fim, pela terceira vez a série se equilibra em uma trama bem boboca e num modo de entretenimento bem descartável, mas com o seu jeito descompromissado acaba divertido bastante.

Título Original: Transporter 3
Ano de Produção: 2008
Direção: Olivier Megaton
Elenco: Jason Statham, Natalya Rudakova, François Berléand, Jeroen Krabbe, David Atrakchi e Robert Knepper.
Nota: 5.5

Resenha Crítica | Sob Controle (2008)

Sob Controle | SurveillanceEm 1993, Jennifer Chambers Lynch estreou nos cinemas como cineasta em “Encaixotando Helena”, aquele que é um dos trabalhos mais constrangedores de toda a década passada. Para quem não sabe muito bem sobre a má fama do longa, vale dizer que o seu registro não é nada agradável. Os problemas do filme já se apresentavam antes mesmo das câmeras de Jennifer começarem a funcionar: Kim Basinger, a então ilustre protagonista, desistiu de viver a Helena do título. A bela Sherilyn Fenn, que viveu Audrey Horne em “Twin Peaks”, ficou em seu lugar, enquanto Basinger teve que vender Braselton, a cidade que antes comprou por alguns milhões e que usaria como atração turística. A venda estava relacionado ao desacordo que aconteceu entre a estrela e os produtores de “Encaixotando Helena”. Ela assinou contrato, mas desistiu do filme. Os produtores armaram um processo e venceram.

Já o filme é um tremendo equívoco, mas vamos ao capítulo mais recente de Jennifer, dado no ótimo “Sob Controle”. Como todos devem saber, Jennifer Chambers Lynch é filha de David Lynch e teve poucas inclusões no cinema. Fez pequena participação em “Eraserhead” (que pode passar despercebido) e com aproximadamente 25 anos dirigiu “Encaixotando Helena”. A verdade é que ela sumiu, sendo estabelecido um intervalo de 15 anos entre o filme estrelado por Julian Sands e “Sob Controle”. Em “Sob Controle” a história, bem fragmentada, é de dois agentes do FBI, Sam e Elizabeth (papéis de Bill Pullman e Julia Ormond, fantásticos). Ambos são designados a desvendar os crimes misteriosos cometidos por um serial killer. Existem três sobreviventes: Jack Bennet (Kent Harper, também roteirista e produtor), detetive com grave ferimento em uma das mãos, Bobbi (Pell James), garota viciada em drogas e Stéphanie (Ryan Simpkins), menina mais astuta do que se imagina e que estava viajando com a sua família.

E serão os três que testemunharão cada detalhe que antecede o massacre que participaram em uma estrada. E os crimes, por sinal, são encenados com um talento e veracidade impressionante. O fato de ouvirmos “Add It Up”, do “Violent Femmes”, na grande sequência contestam o bom gosto musical de Jennifer (o mesmo fez em “Encaixotando Helena” em uma cena sensual ao som de “Woman in Chains”, do “Tears for Fears”). Mas os esforços da diretora que também assina o roteiro com Kent Harper que valem muito a pena serem observados é o poder que confere aos detalhes. Pode-se dizer que é algo que ela herdou de seu pai, mas ela o faz de forma independente. Os filmes de David Lynch são quebra-cabeças onde é o espectador que se encarregará de visualizar a figura que deseja depois de montar as peças. Jennifer Lynch o monta e apresenta a imagem. Mas a experiência que é acompanhar cada informação durante esse percurso em “Sob Controle” é algo eletrizante.

Título Original: Surveillance
Ano de Produção: 2008
Direção: Jennifer Chambers Lynch
Elenco: Bill Pullman, Julia Ormond, Pell James, Ryan Simpkins, French Stewart e Kent Harper.
Cotação: 3 Stars

Dúvida

Dúvida“Doubt: A Parable” foi uma peça dirigida por Doug Hughes que teve a sua primeira apresentação em novembro de 2004. Os personagens centrais, interpretados por Brian F. O’Byrne (“Possuídos“), Cherry Jones (“A Vila”), Heather Goldenhersh (“O Mercador de Veneza”) e Adriane Lenox (“Um Beijo Roubado”), são criações do roteirista John Patrick Shanley, que no cinema venceu o Oscar pelo roteiro original de “Feitiço da Lua” e se responsabilizou pela primeira das três parcerias nas telas entre os astros Tom Hanks e Meg Ryan, que se deu na comédia “Joe Contra o Vulcão”. E, ao julgar pelo curriculum de Patrick Shanley, a peça “Doubt: A Parable” é o seu grande feito, vendo que de vários trabalhos cinematográficos insípidos a adaptação de “Congo” (uma aventura protagonizada por Laura Linney nos tempos onde ainda não era reconhecida pela crítica e público) vem como o mais lembrado.

Mas uma reviravolta, ainda que tardia para um homem de cinquenta e oito anos, acaba de acontecer. Se em “Doubt: A Parable” lhe foi conferido o prêmio Pulitzer, a adaptação desta peça para o cinema onde agora também dirige obtêm um resultado de tirar o fôlego pelo poder dos desempenhos principais e como estes correspondem ao vigor de sua narrativa. O maior reconhecimento fora concebido no Oscar na sua última edição, dando-lhe nada menos que cinco indicações nas categorias de melhor atriz (Meryl Streep), atrizes coadjuvantes (Amy Adams e Viola Davis), ator coadjuvante (Philip Seymour Hoffman) e o roteiro adaptado assinado por Patrick Shanley. É uma pena que tenha sido um longa destinado a tapar buraco, vendo que saiu da noite do dia 22 de Fevereiro de mãos abanando.

Meryl Streep, que agarra aqui o seu papel com uma firmeza como há muito não se via, é a Irmã Aloysius Beauvier. No ano de 1964 essa mulher comprou uma briga intensa com o Padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman) dentro da escola religiosa localizado no Bronx onde atua como diretora por anos. A causa está relacionada a um depoimento da Irmã James (Amy Adams), que levanta suspeitas de que o Padre Flynn tem mantido uma secreta relação com Donald Miller (Joseph Foster), o então único aluno negro daquele lugar  e que tem somente doze anos. Não é certeza, mas a Irmã Aloysius está convicta de que o Padre Flynn está protagonizando este escândalo.

Dentro de tantas qualidades, muito tem sido criticado na direção de John Patrick Shanley. Mas o cineasta sabe que com o forte roteiro que criou qualquer pretensão de elaborar malabarismos com a câmera ou coisa do gênero seria totalmente irrelevante. O seu trabalho consiste na total dedicação na direção de atores e na inteligência ao qual faz com que cada um deles processem o seu texto. Um dos vários exemplos que podem representar este feito é a sequência única protagonizada por Viola Davis, que interpreta a mãe de Donald. Vale também ficar muito atento a cada um dos diálogos, todos muito bem escritos. Eles fazem com que tenhamos múltiplas interpretações do que está sendo encenado, especialmente no que se diz respeito ao passado da Irmã Aloysius (é possível deduzir que a sua ira contra o Padre Flynn está relacionado tanto as novas propostas religiosas que ele trás quanto a confissão de um pecado que cometeu há anos atrás). Mas não esperem por soluções fáceis. Com força no título, as dúvidas permeiam após os créditos finais. E é exatamente por isto que o drama se torna algo único, incômodo e arrebatador.

Título Original: Doubt
Ano de Produção: 2008
Direção: John Patrick Shanley
Elenco: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Viola Davis e Joseph Foster.
Cotação: 4 Stars

Resenha Crítica | X-Men Origens: Wolverine (2009)

wolverine
Embora a boa sequência de “X-Men” comandada por Brett Ratner em 2006 tenha deixado muitas pontas soltas para mais histórias o futuro da cine-série é incerto. Fez muito sucesso, mas parece difícil acreditar na possibilidade de que todo o elenco ainda se interesse em interpretar por mais uma vez o mesmo personagem. A interferência da Marvel na indústria cinematográfica faz com que aventuras solo dos principais heróis dos quadrinhos também impeçam um quarto filme. E esses fatores são o que moldam “Wolverine”.

Escrito por David Benioff e Skip Woods o roteiro se encarrega de nos revelar quem era o Wolverine antes de seu encontro com Vampira (Anna Paquin) e como se tornou um mutante ainda mais poderoso. No final do século 19 o pequeno James Logan (Troye Sivan) descobre os seus poderes mutantes e mata, sem saber, aquele que é o seu pai biológico. Desesperado, foge com o seu irmão Victor Creed (Michael-James Olsen). O tempo passa e Hugh Jackman dá vida a Wolverine, enquanto Liev Schreiber é agora o Dentes de Sabre. Sempre unidos, os dois tomam caminhos opostos quando William Stryker (Danny Huston) surge liderando uma tropa de outros mutantes.

Gavin Hood, diretor do filme vencedor do Oscar “Tsotsi” e do recente “O Suspeito”, é um nome que trás uma impressão estranha a este tipo de projeto, pois se ganha a noção de que a história será mais valorizada do que a ação que o conteúdo exige. Mas o que acontece é o inverso. As batalhas ocupam o tempo correto da metragem, mas as origens aqui narradas soam desnecessárias. “Wolverine” trás muitos méritos relacionados a forma como não descarta tudo do que já havia sido construído anteriormente em “X-Men”, é verdade. Mas se Bryan Singer e Brett Ratner tinham realizado uma boa descrição sobre o personagem para que assistirmos um filme solo que pouco acrescenta sobre a identidade de Wolverine e que nem sabe aproveitar os personagens secundários que cercaram o seu passado?

Título Original: X-Men Origins: Wolverine
Ano de Produção: 2009
Direção: Gavin Hood
Elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Lynn Collins, Danny Huston, Will i Am, Dominic Monaghan, Tim Pocock, Daniel Henney, Troye Sivan, Michael-James Olsen e Ryan Reynolds.

Nikita – Criada Para Matar Vs. A Assassina

filme-vs-filme1
Esse mês de abril aqui no blog tem sido repleto de resenhas. As dez últimas postagens comprovam isso. Mas como estava elaborando novas idéias assim que o Cine Resenhas completou os seus dois anos de vida, hoje chega um quadro que pretendo apresentar mensalmente, mas sem uma data estabelecida. A idéia não é original, pois já a vi em outros endereços da Internet. É uma espécia de confronto que vou arquitetar entre dois longas com algo muito grande em comum. Na primeira edição é uma batalha entre uma obra francesa original e a sua rápida atualização americana. A intenção é somente montar uma pequena impressão de ambas as fitas e deixar para vocês selecionarem qual é o melhor através dos comentários. Então vamos lá.

nikitaNIKITA – CRIADA PARA MATAR

Embora já tenha adquirido grande prestígio através de “Imensidão Azul”, Luc Besson só veio chamar a atenção na tarefa de fazer cinema de ação com este “Nikita – Criada Para Matar”, o quarto longa-metragem de sua carreira. E ao contrário da enxurrada de roteiros pouco inspirados que pari atualmente, ele fez de Nikita uma personagem notável dentro de uma narrativa exemplar. Ela, interpretada pela linda Anne Parillaud, é uma jovem delinquente que tem a oportunidade de recomeçar a vida quando capturada pela polícia. Dá que a jovem aperfeiçoa as suas técnicas, aprende etiqueta e se transforma em uma mulher com uma aparência de cair o queixo. Só que ao engatar um namoro com o caixa de um mercado quando ganha liberdade é submetida a várias missões de espionagem, pois este foi um acordo que manteve com o Serviço de Inteligência que a treinou. O resultado é um filme com sequências de ação invejáveis pela tensão e talento que Besson imprime a cada uma delas e que enriquece ainda mais pelo cuidado ao qual a personagem central é desenvolvida.
.
.

a-assassinaA ASSASSINA

Antes do “Psicose” de Gus Van Sant os americanos já eram sacanas na hora de comprar os direitos de um longa e refilmá-lo. A versão atualizada de John Badham é uma cópia carbono para lá de descarada. E olha que o intervalo entre o seu filme e o de Besson é de três anos. Mas Hollywood precisava de mulheres que fossem tão boas de mira quanto o detetive John McClane ou John Rambo. Mas o tiro saiu pela culatra. Ainda assim, “A Assassina” vence na prova dos obstáculos cinematográficos. Bridget Fonda, que é linda e que segura uma arma tão bem quanto Anne Parillaud, é a Nikita americana. A sua personagem passa pelas mesmas situações vistas no filme de Besson e cruza pelas mesmas pessoas. Até o Victor, O Faxineiro (um personagem antológico) dá o ar da graça. Mas ao contrário do desfecho pessimista do longa de 1990, a nossa “assassina” é presenteada com um merecido e tipicamente final hollywoodiano. Mas não vamos ser ranzinzas, pois qualquer ser que seja fã de Nina Simone merece uma chance.

Título Original: Nikita
Ano de Produção: 1990
Direção: Luc Besson
Elenco: Anne Parillaud, Tchéky Karyo, Marc Duret, Patrick Fontana, Alain Lathière e Jean Reno.
Cotação: 4 Stars

Título Original: Point of No Return
Ano de Produção: 1993
Direção: John Badham
Elenco: Bridget Fonda, Gabriel Byrne, Dermot Mulroney, Anne Bancroft, Michael Rapaport e Harvey Keitel.
Cotação: 3 Stars

Quando Você Viu o Seu Pai Pela Última Vez?

quando-voce-viu-o-seu-pai-pela-ultima-vez
A questão usada como título deste quarto longa para cinema de Anand Tucker (“Saint-Ex”, “Hilary e Jackie”, “Garota de Vitrine”) é aquela também apresentada a certa altura do filme. Alguém a fez quando Arthur (Jim Broadbent) perdeu o seu pai. E Blake (Colin Firth) a carrega no seu interior ao ver o seu pai, Arthur, à beira da morte. E esses sentimentos tão profundos que surgem através da dor da perda também abrirá espaço para que o passado marcado pelo convívio entre pai e filho apareça.

Essa relação, no entanto, não foi repleta de muitos bons momentos. E nós a vemos de acordo com as recordações de Blake na sua infância (incorporado por Bradley Johnson) e adolescência (Matthew Beard), tudo em flashback. Para ele Arthur era um homem que vivia de trapaças e de meios para driblar os problemas. Mas o seu pai sempre foi uma pessoa presente e carinhosa. Só que as suspeitas que levanta de um possível caso extra-conjugal com alguém bem próximo de sua família somadas as suas indecisões da sua juventude o impede de qualquer aproximação.

Com a alternância de tempos, Anand Tucker desenvolve aqui um retrato sereno da relação entre esses dois personagens. Não há novidades e alguns conflitos entre outros personagens secundários são esquecíveis, como o da esposa de Blake. O caso misterioso de Arthur com outra mulher também não solta muitas faíscas. Desta forma, o longa de beneficia totalmente pela já mencionada relação entre o pai que adoece a cada dia mais e o filho amargo. E ela, que evolui de forma muito crível e bela, faz com que o espectador seja comovido diante do último ato.

Título Original: And When Did You Last See Your Father?
Ano de Produção: 2007
Direção: Anand Tucker
Elenco: Jim Broadbent, Colin Firth, Juliet Stevenson, Gina McKee, Bradley Johnson, Matthew Beard, Sarah Lancashire e Elaine Cassidy.
Nota: 7.0

Resenha Crítica | Marley & Eu (2008)

marley-eu
Todos aqueles que cultivam em seus lares ao menos um animal de estimação, por menor que ele seja, sabem que essa convivência não se limita a tarefas diárias como alimentação ou bem-estar deste ser vivo. Mas a princípio John Grogan (Owen Wilson) imagina que o desafio é fácil quando adota um fofo Labrador como uma espécie de pretexto para prolongar uma das metas de sua recém-esposa Jennifer (Jennifer Aniston): engravidar. Mas ambos não imaginam que este “filhote em liquidação” lhes causarão enormes problemas, seja a perda de vários móveis e peças de roupas totalmente destruídas pelas travessuras do cão ou mesmo aqueles constrangimentos em público.

Por mais difícil que seja de se imaginar serão esses transtornos que Grogan passa com o seu cão Marley que trará a sua ascensão profissional, mesmo que não seja cobrindo os últimos acontecimentos pelas cidades (o que sempre lhe foi um desejo dentro da área jornalística). Suas colunas estão sendo aprovadas pelo seu chefe (interpretado por Alan Arkin, divertido) e rendendo muita popularidade por tratar de experiências pessoais que os leitores acabam por se identificar. E este é somente um dos muitos passos percorridos por Grogan nesta sua recente fase de vida, que será marcada por perdas, mudanças, filhos e outras coisas que marcam qualquer família – e tudo na companhia de Marley.

Os roteiristas Scott Frank e Don Roos (este responsável também por outros ótimos scripts como o de “As Barreiras do Amor” e com experiência na direção com os dramas “Finais Felizes” e “O Oposto do Sexo”) adaptam muito bem o material baseado no livro do próprio Grogan, mas para que um filme como este funcione, mostrando Marley como representação daquilo que definimos como “o melhor amigo do homem” e “o companheiro para todas as horas”, é preciso um diretor que contorne bem este texto através da ação. Lamentavelmente, o nome por trás dessa responsabilidade é o de David Frankel. Ele é hábil para o humor e o fato de trazer a musa dos anos 1980 Kathleen Turner em um momento hilariante contestam o seu talento com a comédia que aparece em uma situação bem comum.

Mas quando o drama se apresenta, Frankel acaba por repetir os mesmos problemas do razoável “O Diabo Veste Prada”. Ele tem pressa demais para acompanhar as passagens dramáticas de “Marley & Eu”, que foca no crescimento de uma família por um tempo equivalente a uma existência canina. E se é para levar a platéia toda às lágrimas na base de confissões melosas, que este mesmo público não deixe de ver “Amor Pra Cachorro“. Ali a paixão existente entre humano e animal é criada de forma minuciosa. E Mike White, que trabalhou com Jennifer Aniston em “Por Um Sentido na Vida”, percorre com mais acertos muitos dos temas imaginados por Frank e Ross sendo inspirados por Grogan.

Título Original: Marley & Me
Ano de Produção: 2008
Direção: David Frankel
Elenco: Owen Wilson, Jennifer Aniston, Eric Dane, Alan Arkin, Haley Bennett e Kathleen Turner.
Nota: 6.0

Anjos da Noite – A Rebelião

anjos-da-noite-a-rebeliao
Quando exibido em 2003 nos cinemas americanos, “Anjos da Noite – Underworld” adquiriu imediato sucesso de público e os comentários mais pesados por parte da imprensa daquele ano. Apesar a má recepção diante da crítica especializada o público compreendeu e aceitou que com os inúmeros exemplares existentes desde os primeiros sucessos de filmes de décadas atrás sobre vampiros e lobisomens o universo por trás dessas duas criaturas precisava de mais fôlego, informações e inovações. Com isto a bem-sucedida série cinematográfica chega agora em seu terceiro episódio como “Anjos da Noite – A Rebelião”, uma aventura ainda melhor do que as duas anteriores dirigidas por Len Wiseman e protagonizada por sua mulher, Kate Backinsale.

Ao invés de uma sequência de “Anjos da Noite – A Evolução”, o agora diretor Patrick Tatopoulos (antes responsável pelo design e efeitos especiais dos episódios anteriores) realiza em “Anjos da Noite – A Rebelião” um prequel. O foco aqui como se espera é a guerra que surgiu entre vampiros e Lycans (lobisomens). Enquanto os primeiros passam a sua imortalidade dentro de um enorme castelo, uma grande parte dos segundos lhe são escravos. O restante desta espécie vivem nas florestas sendo mortos pelos vampiros. Mas Viktor (Bill Nighy, num personagem ao qual interpreta com orgulho) tem um afeto maior por um deles, o habilidoso Lucian (Michael Sheen, cada vez melhor ator). Lucian, assim como os outros Lycans prisioneiros, estão limitados por uma coleira presa em seus pescoços que impossibilitam que se transformem em feras. Mas a paixão que aparece entre Lucian e Sonja (a bela Rhona Mitra, que muito se assemelha com Kate Backinsale), a filha de Lucian, dará início a uma rebelião.

Cientes de que muito desse início já havia sido narrado em “Anjos da Noite – Underworld” e “Anjos da Noite – A Evolução”, o trio de roteiristas Danny McBride, Dirk Blackman e Howard McCain conseguem transmitir informações sem a necessidade de muitos espaços somente para diálogos entre os personagens, fazendo com que “Anjos da Noite – A Rebelião” se concentre mais em incessantes sequências de batalhas, todas excelentes. Se não há toda aquela elegância e sutileza visto em muitos filmes vampíricos ou mesmo todo o detalhismo por trás da transformação de homem em lobo ao luar da noite, o filme se beneficia pelo trabalho técnico impressionante e o espírito épico que carrega ao início dessa batalha que se alongou por séculos.

Título Original: Underworld: Rise of the Lycans
Ano de Produção: 2009
Direção: Patrick Tatopoulos
Elenco:Michael Sheen, Bill Nighy, Rhona Mitra, Steven Mackintosh, Kevin Grevioux e Kate Beckinsale.
Nota: 7.5

Resenha Crítica | Mamãezinha Querida (1981)

Mommie Dearest, de Frank Perry

“Mamãezinha Querida” é o título de um dos projetos mais polêmicos a serem realizados nos anos 1980. Este filme, dirigido por Frank Perry e protagonizado por Faye Dunaway, é uma adaptação do livro autobiográfico de Christina Crawford, filha de Joan Crawford – considerada uma das maiores estrelas que Hollywood já produziu. Mas a Crawford de “Mamãezinha Querida”, tanto a do livro de Christina e a do filme de Frank Perry, não é aquela que batalhou desde a adolescência até firmar um contrato de anos com a Metro Goldwyn Mayer. A Joan Crawford daqui é uma mulher amarga e desprezível.

Nos créditos iniciais, vemos Faye Dunaway, que através de um belo trabalho de maquiagem consegue adquirir uma aparência extremamente similar a de Crowford, protagonizando uma longa sequência onde cuida de sua própria aparência e a da sua mansão de forma rígida. Já é um sinal de que será em questão de pouco tempo para vermos um “mostro” surgir. Enquanto não apresenta nenhuma atitude assustadoramente agressiva, Joan Crawford é uma mulher que é grata pelas maravilhas que a cercam, desde a fama e fortuna que lhe são recompensas do seu trabalho como atriz até os amores, sejam dos homens (o ponto de partida do filme já revela que Joan enfrentou dois divórcios, com Douglas Fairbanks Jr. e Franchot Tone) ou dos fãs.

O que falta a ela é uma única coisa que não pode ter: um filho. Embora o processo de adoção seja a princípio um obstáculo para ela, já que enfrentou divórcios e não poderá conciliar as tarefas maternais com as de seu trabalho, não demora para Crawford conseguir uma criança, ao qual batiza de Christina. Na infância, fase na qual é interpretada por Mara Hobel, já é vítima de maus-tratos.

A rigidez de Crawford é aplicada em castigos e até agressões. Alguns, como a punição por causa dos cabides de arame usados por Christina para pendurar no closet os caros vestidos que ganhou, são duros de acompanhar. Nem na fase adulta, quando Christina ganha os contornos da atriz Diana Scarwid, o perverso comportamento de Joan é amenizado, mesmo depois de sua filha adotiva passar por colégios internos e religiosos. Christopher, o segundo filho adotivo da atriz, também passa por poucas e boas.

Embora já se tenha passado 27 anos desde o tempo de produção de “Mamãezinha Querida”, a sua má reputação permanece até hoje. Ainda que não tenha sido um fracasso comercial, já que seu custo de produção foi recuperado no seu primeiro final de semana em exibição nas telas de cinema americano, a crítica não foi nada piedosa com o retrato negativo de Joan Crawford em “Mamãezinha Querida”.

Inclusive, esse foi o filme que iniciou o declínio que assombra até hoje na carreira de Faye Dunaway, antes prestigiada por filmes como “Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas”, “Chinatown” e “Rede de Intrigas”. A atriz foi dada como culpada pelo resultado final do filme, especialmente por se propor a dar vida a uma Joan Crawford conforme o retrato desenhado por Christine.

Acima de tudo,  Frank Perry fez um ótimo filme e, mesmo que sejam ignoradas outras coisas, como o fato de Crawford ter adotado mais crianças, muitas coisas estão registradas, desde a sua reação ao ouvir o seu nome anunciado como a vencedora do Oscar por “Almas em Suplício” até a sua união com Alfred Steele, que tinha forte cargo dentro da Pepsi Cola. Ainda assim, o mistério sobre Joan ser uma mulher perversa ou bondosa persiste.

Vale lembrar que até a grande Bette Davis, que contracenou com Crawford em “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”, defendeu a atriz dos relatos de Christina em seu livro, mesmo que Bette já tenha assumido que não gostava de Joan. No fim das contas, independente de qual conceito adotar sobre Crawford, “Mamãezinha Querida” traz algo que todos sabem e concordam: a imagem que a atriz sempre carregou de grande mito da história do cinema.