Alguém que Me Ame de Verdade

Alguém que me ame de verdade
“Alguém que Me Ame de Verdade”, uma realização da dupla Stefan C. Schaefer e Diane Crespo e que conta com o roteiro assinado somente por Schaefer, tece uma história fictícia que se move através de credos diferentes entre duas pessoas próximas. Se conferisse alguém mais ousado no comando renderia uma interessante polêmica.

Em um colégio no Brooklyn duas jovens mulheres são submetidas a lidarem com uma turma de crianças, estas em choque ao ver que as novas professoras são de religiões diferentes. Rochel (Zoe Lister Jones, uma bela e boa atriz), que sempre pede para ser chamada de Rachel pela dificuldade das pessoas em dizer o seu nome, é uma judia ortodoxa. Sua companheira de trabalho, Nasira (Francis Benhamou), é muçulmana. A tradição faria com que ambas mantessem a maior distância possível uma da outra, mas uma amizade sincera acontece entre elas.

Mesmo com os preconceitos da família, Rochel e Nasira tem uma forte sintonia, além de passarem por uma situação em igual: o casamento. Elas já estão na idade de consumar uma união, mas apesar da pressão dos pais elas não conseguem visualizar nos excêntricos pretendentes aquele homem ideal com quem ter um futuro. E surge a dúvida de como se livrar desse destino sem trair a própria fé.

Conforme as personagens tentam se desviar do casamento, “Alguém que Me Ame de Verdade” inaugura uma discussão com a platéia com a situação de suas protagonistas. Afinal, é ainda normal nos tempos de hoje testemunharmos casos de pessoas que abrem a mão da liberdade de escolha e do que o mundo oferece diante da fé religiosa, seja criado por si mesmo ou daquele que se desenvolve por influências da própria família. Só que ao invés de ir até os limites dessa condição o longa independente, prejudicado pelo seu formato quase televisivo, prefere preparar um final feliz diante do conformismo.

Título Original: Arranged
Ano de Produção: 2007
Direção: Stefan C. Schaefer e Diane Crespo
Elenco: Zoe Lister Jones, Francis Benhamou, Mimi Lieber, John Rothman, Sarah Lord, Trevor Braun, Doris Belack, Laith Nakli e Jason Liebman.
Nota: 5.5

Primavera Para Hitler Vs. Os Produtores

Filme Vs. Filme
O Cine Resenhas não poderia passar os últimos dias deste mês de maio sem publicar um novo embate entre duas obras cinematográficas. Em abril os longas selecionados foram “Nikita – Criada Para Matar” e “A Assassina”. A versão original de Luc Besson e a refilmagem comandada por John Badham provavelmente não foi muito assistida entre os visitantes. Mas, desta vez, os longas são bem populares e se trata novamente uma obra original e a sua refilmagem. O primeiro filme é “Primavera Para Hitler”, comédia de Mel Brooks vencedora do Oscar de melhor roteiro original. Quem vai combatê-lo nesta edição é “Os Produtores”, o remake que recebeu quatro indicações ao Globo de Ouro que também usa a adaptação musical para a Broadway como base.

DVD - Primavera Para HitlerPRIMAVERA PARA HITLER

Mel Brooks, que um dia já foi considerado um dos grandes diretores americanos de filmes cômicos, estreiou nos cinemas com “Primavera Para Hitler”. Não é tão hilariante e brilhante quanto “Alta Ansiedade” ou “O Jovem Frankenstein”, mas em matéria de clássicos do gênero o filme tem um lugar reservado. A história todo mundo sabe, inclusive aqueles que ainda não assistiram o longa. É sobre um produtor teatral, Max Bialystock (Zero Mostel), que consegue financiamento para as suas peças realizando desejos de velhas endinheiradas. Ao conhecer o contador Leo Bloom (Gene Wilder) armam um golpe que os deixarão podres de rico: produzir uma peça horrenda e lucrar com o seu fracasso, pois com poucas apresentações ficam restando um alto valor do investimento dos patrocinadores. E daí nasce o musical teatral “Primavera Para Hitler”. A sequência de testes com vários candidatos a Hitler é antológica.

Título Original: The Producers
Ano de Produção: 1968
Direção: Mel Brooks
Elenco: Zero Mostel, Gene Wilder, Lee Meredith, Dick Shawn, Kenneth Mars e Christopher Hewett.
Cotação: 3 Stars

DVD - Os ProdutoresOS PRODUTORES

A imprensa, especialmente a nacional, até tentou levantar os ânimos do público para assistirem “Os Produtores”, afirmando que “Primavera Para Hitler” não passava de uma comédia datada e que esta mais recente versão era superior em vários aspectos. Mas se o filme de Mel Brooks não era exatamente brilhante, a refilmagem de Susan Stroman (que nunca mais realizou um filme após o fracasso comercial de sua obra) consegue ser pavorosa. A história é a mesma, mas com uma modificação gritante, sendo os diálogos cantados. A idéia de tornar não só a encenação teatral dentro do filme um musical foi retirada da adaptação para a Broadway, um sucesso produzido por Brooks e Thomas Meehan. Nathan Lane e Matthew Broderick repetem os seus papéis dos palcos, protagonizando um filme que não confere sequer uma cena cantada memorável. É sem graça, extremamente sonolento. Mas se os personagens de Lane e Broderick no fim nas contas não conseguem tornar a peça um fracasso a de se louvar o feito de Susan Stroman, que entrega o pior musical de toda a história do cinema, talvez perdendo somente para “Mamma Mia!”.

Título Original: The Producers
Ano de Produção: 2005
Direção: Susan Stroman
Elenco: Nathan Lane, Matthew Broderick, Uma Thurman, Will Ferrell, Roger Bart, Andrea Martin e Jon Lovitz.
Cotação: 1 Star

Resenha Crítica | O Dia em que a Terra Parou (2008)

O Dia em que a Terra Parou
Se usássemos a recepção dada ao “O Dia em que a Terra Parou” de Scott Derrickson podemos classificá-lo como uma das refilmagens americanas mais detestadas dos últimos anos. Derrickson mostrou em seu segundo filme, “O Exorcismo de Emily Rose”, que está mais interessado em apresentar uma boa história do que usar mecanismos que tornem o seu pequeno cinema em blockbuster de pouca qualidade. E o roteiro da versão original de “O Dia em que a Terra Parou” de Edmund H. North, que trabalha em um argumento de Harry Bates, confirmam essa sua intenção no comando de um longa. O problema é que você não tem o controle de tudo sendo novo, com dois filmes no curriculum e oitenta milhões de dólares para gastar.

O inexpressivo Klaatu é, na verdade, um alienígena nas formas de Keanu Reeves – mas vamos evitar piadas, okay? – que vem à Terra com uma missão: protegê-la de toda a humanidade. A sua primeira tarefa é reunir todos os líderes globais e confirmar que nós somos os únicos responsáveis pela destruição do planeta e que a única solução encontrada é eliminar todos os seres humanos. Daí entra Helen Benson (Jennifer Connelly), cientista convocada para estudar o comportamento de Klaatu. É ela que passará todo o filme ao lado do alienígena, tentando convencê-lo de que há chances da Terra sobreviver sem a necessidade de eliminar toda a humanidade. O enteado de Helen, Jacob (Jaden Smith, que mais atrapalha do que ajuda), os acompanharão.

A versão de 1951 dirigida por Robert Wise não é necessariamente um filme notável. Na verdade, os seus méritos estão voltados mais ao choque que a história provoca, continuando assustadoramente atual nos dias de hoje, do que por qualquer outro sentido, mesmo considerando também o belo trabalho de design da nave espacial e do alienígena Gort, que na refilmagem foi reduzido a um ser gigantesco computadorizado que não causa impacto algum. Já o filme de Scott Derrickson é inferior, mas continua preservando a premissa com certo vigor. O novo dado acrescentado a história, das esferas que representam o novo dilúvio que está por vir, é um achado. É aquele caso de ficção que poderia ser mais do que é se os produtores não insistissem tanto em captar o caos mundial e mais os vários outros efeitos que o roteiro promissor causariam.

Título Original: The Day the Earth Stood Still
Ano de Produção: 2008
Direção: Scott Derrickson
Elenco: Keanu Reeves, Jennifer Connelly, Jaden Smith, Kathy Bates, Jon Hamm e John Cleese.
Nota: 6.5

Resenha Crítica | Foi Apenas Um Sonho (2008)

Revolutionary Road
Pelo visto, não foi a dupla formado por Kate Winslet e Leonardo DiCaprio o grande atrativo que tornou “Titanic” a maior bilheteria mundial em todos os tempos. Talvez com intenção de chamar a atenção das mais baladalas premiações de cinema e ainda adquirir sucesso comercial, Sam Mendes optou por escalar a sua esposa Winslet e DiCaprio como protagonistas de “Foi Apenas Um Sonho”. Mas o truque não funcionou muito bem. Nas indicações do Oscar deste ano os jurados selecionaram aquele que é o melhor do elenco (Michael Shannon, como ator coadjuvante) e destacaram duas outras categorias do filme que não há nada de excepcional: figurinos e direção de arte.

O segundo roteiro de Justin Haythe (“Refém de Uma Vida”), adaptação do romance de Richard Yates, é centrado em Frank e April (DiCaprio e Winslet), um casal que vive na década de 1950. O início do filme se encarrega de encenar o primeiro encontro dos dois. A sequência posterior, uma fracassada apresentação teatral de April, nos mostra um casal em crise. O fato de Frank ter um emprego chatíssimo e de April ser uma dona de casa que não conseguiu seguir carreira como intérprete fazem com que ambos tenham aquela relação onde não há amor, mesmo com os filhos para criar e hospedados em um belo lar.

O filme vai acompanhando o tédio desse casal por um bom tempo, mas as aparições de John Givings (Michael Shannon), filho perturbado de Helen (Kathy Bates, outra aquisição vinda de “Titanic”) fazem as coisas esquentarem. Assim, “Foi Apenas Um Sonho” vai desenvolvendo com uma abordagem também apresentada por Mendes com o seu “Beleza Americana”, só que sem qualquer maestria: os sonhos que desaparecem, o sufoco que surge e a maneira como um casal se deixa abater por esta condição banal. Mas o argumento estaciona no meio do caminho. As discuções do casal rendem, só que é superficial o tratamento dado as questões relacionadas a adultério e a solidão de uma dona de casa e também a falta de envolvimento dos filhos entre a frustração presente no casamento de Frank e April.

Título Original: Revolutionary Road
Ano de Produção: 2008
Direção: Sam Mendes
Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Kathy Bates, Michael Shannon, Richard Easton, Ryan Simpkins, Ty Simpkins, David Harbour, Kathryn Hahn, Zoe Kazan e Dylan Baker.
Nota: 6.0

Resenha Crítica | Evocando Espíritos (2009)

Evocando Espíritos
Os filmes de terror já exploraram ameaças vindo de todos os lugares e se materializando de todas as formas, mas um ambiente que muitas vezes se apresenta infalível na tarefa de perturbar a platéia é o lar, que tantas vezes parece nos confortar por ser aquele espaço que nos mantem seguros de todos os riscos e perigos fora dele. A velha casa onde se passa a história que se vende como fato verídico em “Evocando Espíritos”, no entanto, é palco de um espetáculo repleto de excessos no que se diz respeito aos famosos sustos fáceis e desenvolvimento para lá de frouxo.

Um dos membros da família Campbell passa por uma fase delicada. Matt (Kyle Gallner, que em “Danika” interpretou o filho de Marisa Tomei) é diagnosticado com cancêr. Como maneira de seguir com rigidez todos os processos de tratamento em um conceituado hospital em Connecticut os seus pais, Sarah (Virginia Madsen) e Peter (Martin Donovan), compram uma casa no município para as baterias de exames. Já que Peter precisa trabalhar exaustivamente para ser capaz de lidar com todas as despesas, Sarah vai para a residência sem a sua companhia, mas com os seus outros dois filhos (Sophi Knight e Ty Wood) e Wendy (Amanda Crew), adolescente que a ajudará com as rotinas diárias.

Aos poucos o protagonista Matt começará a visualizar estranhos fenômenos se manifestando neste seu novo lar. A princípio imagina que tudo seja consequência do rigoroso tratamento. Mas quando os indícios de assombrações se intensificam o jovem terá que solucionar o que aconteceu na casa antes de sua família habitá-la. E com isto, o que daria espaço para resgatar os bons exemplares do gênero com a abordagem similiar, acaba se transformando em uma quase cópia de “Amityville – A Cidade do Horror”, só que piorada. Soa até risível o testemunho de Virginia Madsen na última sequência do filme, descrevendo que esta é uma história que poucos foram aqueles que presenciaram a tragédia do além. Uma pena que precisou se fazer um filme insuportável para compartilhar conosco esse acontecimento.

Título Original: The Haunting in Connecticut
Ano de Produção: 2009
Direção: Peter Cornwell
Elenco: Virginia Madsen, Kyle Gallner, Martin Donovan, Amanda Crew, Sophi Knight, Ty Wood, Erik J. Berg e Elias Koteas.
Nota: 2.5

À Procura da Vingança

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“À Procura da Vingança” é um western americano de pouca repercussão no cinema. Embora seja um longa muito bom, acabou sendo vítima de uma limitada distribuição na sua época de lançamento nos Estados Unidos no início de 2007. O pouco reconhecimento do filme continuou pela mesma causa ou mesmo o lançamento direto no mercado de vídeo em outros países. Isto, no entanto, não deve permitir que os fãs de faroeste não vejam “À Procura da Vingança”, o primeiro longa metragem de David Von Ancken, nome mais popular no comando de alguns episódios de seriados como “Californication”, “Heroes”, “OZ”, “Num3ers”, entre outros.

O roteiro também de David Von Ancken e com colaboração de Abby Everett Jaques mistura tantos aspectos clássicos do gênero tão famoso por causa de nomes como John Ford, Sergio Leone e Sam Peckinpah (ainda que o diretor não utilize necessariamente referências para essas semelhanças) quanto mais ousados entre o embate dos personagens vividos por Pierce Brosnan e Liam Neeson. Embora todos os atos apresentem grande brilhantismo, o primeiro se destaca um pouco dos demais por um único motivo: não compreendemos de imediato as motivações dos personagens. O que vemos é a fuga de Gideon (Brosnan) pelas montanhas e rios gelados. Ele tenta se esconder enquanto Carver (Neeson) junto à sua pequena tropa o persegue por razões desconhecidas.

O que é possível deduzir antes que informações apareçam é que Gideon não parece ser o “mocinho” dessa história, vendo as extraordinárias táticas de sobrevivência aplicadas por ele contra os inimigos e o quanto Carver se enlouquece em encontrá-lo para realizar a sua tão almejada vingança. Mas o esclarecimento desse mistério só surge mesmo um pouco antes do último ato, em forma de um flashback surpreendente passado na Guerra Civil. Depois dele, só há a presença de Gideon e Carver num escaldante deserto repleto de aparições curiosas, como o de Madame Louise (Anjelica Huston), uma ambulante vendedora de tônico.

A fotografia de John Toll, consagrado com dois Óscares consecutivos por “Lendas da Paixão” e “Coração Valente” e ainda indicado por “Além da Linha Vermelha”, é a mais bela já vista em todos os western recentes pelo tom que predomina em cada um dos muitos ambientes naturais, talvez se aproveitando das mudanças climáticas da ampla trajetória da história como expressão para exaustão física e psicológica dos dois personagens. Inclusive, muito bom é também os desempenhos de Brosnan e Neeson, imprimindo na tela de forma crível determinação e completo desgaste nesta missão. Mas nada é tão formidável como o seu desfecho. Mesmo sendo questionável para muitos, é onde se concentra toda a honra que os clássicos western sempre preservaram em seus heróis, aqui desenvolvendo o conceito de que nenhum rancor será amenizado com a conclusão de uma vingança, por mais justa e tentadora que ela seja.

Título Original: Seraphim Falls
Ano de Produção: 2006
Direção: David Von Ancken
Elenco: Pierce Brosnan, Liam Neeson, Michael Wincott, Xander Berkeley, Wes Studi, Anjelica Huston e Angie Harmon.
Nota: 7.5

O Corajoso Ratinho Despereaux

O Corajoso Ratinho Despereaux
A Universal Pictures não foi feliz em exibir nos cinemas americanos a animação “O Corajoso Ratinho Despereaux” entre os últimos dias do ano de 2008, o período onde outras produções, tanto as caríssimas quanto as com potencial de Oscar, correm para serem vistas pelo público. Deu que a realização da dupla Sam Fell, Robert Stevenhagen passou batido por qualquer possibilidade de sucesso comercial e nem foi considerado nas principais premiações de cinema a conseguir uma vaga em categoria de melhor animação em longa-metragem. Mas são as suas irregularidades que comprometem consideravelmente o resultado de todo o projeto.

Um dos seus mais graves defeitos se diz respeito a ausência de um protagonista estabelecido para a história. O título destaca o valente camundongo Despereaux (voz de Matthew Broderick), mas ele não é o único a conduzir a aventura que tem o seu primeiro impacto com a morte da rainha Antoinette (Patricia Culler), provocada, sem querer, por Roscuro (Dustin Hoffman). O trágico acontecimento faz com que todos os ratos sejam reclusos em locais por onde os humanos não circulam. Os anos passam e a filha da rainha, Pea (Emma Watson), parece viver em seu castelo com a mesma tristeza que o seu pai, o rei Lester (William H. Macy). O lugar nunca mais foi o mesmo depois da morte da rainha Antoinette, onde tudo pasou a ser cercado por nuvens escuras e a falta de harmonia entre os habitantes. Mig (Tracey Ullman), uma das serviçais do castelo, é outra personagem importante.

Uma das virtudes de “O Corajoso Ratinho Despereaux” se diz respeito a maneira nada infantil como essa história, uma adaptação de um livro de Kate DiCamillo, é contada. Apesar disso e também do elenco de peso responsável pelas dublagens dos personagens e a técnica muitas vezes bem caprichada, o longa animado perde ritmo demais por tantas mudanças de foco, de um protagonista a seguir sempre. Isto prejudica também as boas intenções da história, que em seu final se dedica a mostrar a importância e a força que há no perdão, um aspecto muito valorizado também pela maravilhosa narração da atriz Sigourney Weaver. Vale a conferida, mesmo com o resultado médio.

Título Original: The Tale of Despereaux
Ano de Produção: 2008
Direção: Sam Fell e Robert Stevenhagen
Elenco: Vozes de Matthew Broderick, Dustin Hoffman, Emma Watson, Tracey Ullman, Kevin Kline, William H. Macy, Stanley Tucci, Ciarán Hinds, Robbie Coltrane, Tony Hale, Frances Conroy, Frank Langella, Richard Jenkins, Christopher Lloyd, Patricia Cullen e narração de Sigourney Weaver.
Nota: 5.0

Resenha Crítica | Por Trás das Câmeras (2006)

Christopher Guest, que é marido de Jamie Lee Curtis, faz da comédia “Por Trás das Câmeras” um filme praticamente exclusivo para os cinéfilos, tão interessados em saber como se desdobra a rotina de toda uma produção de longa-metragem. Com isto Guest, mais famoso por sua colaboração como roteirista e intérprete de “Isto é Spinal Tap” (considerado um dos melhores filmes de Rob Reiner), aproveita para desglamourizar a indústria hollywoodiana, onde os profissionais possuem um sonho para elevar o status, mas que acabam sendo beneficiados com a decepção ou mesmo ridicularização.

“Por Trás das Câmeras” se desenvolve a partir da produção de um drama independente chamado “Home for Purim”, sobre uma família que comemora a data-título (um feriado judeu) onde alguns dos membros se destacam a matriarca doente(Catherine O’Hara) e a jovem filha (Parker Posey) que está prestes a assumir um relacionamento lésbico. O que era um filme pequeno que contava com uma equipe em grande decadência acaba, no entanto, se relevando um produto com chances de indicações ao Oscar. Daí entra o título original, “For Your Consideration”, frase que estampa aqueles anúncios de realizações cinematográficas apontadas por grandes veículos como possibilidades de conseguirem vagas entre os indicados ao prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Isso faz com que a produção fique mais agitada, alterando até mesmo o título para “Home For Thanksgiving”

Esta encenação que Guest comanda abre espaço para um filme mais verborrágico e que prima muito menos por ações tragicômicas entre personagens. E mesmo que essa base se sustente até o final o roteiro, escrito por Guest e por Eugene Levy (que também está no filme), se torna por demais confuso diante dos muitos personagens que entram e saem de cena e dos departamentos destacados tanto por dentro quanto por fora dos bastidores. Mas é uma comédia original, bem filmada e interpretada, que confere o seu grande ápice com a tensão e ansiosidade presente em uma sequência onde as personagens de Parker e Catherine, excelentes, estão em frente à tevê com a esperança de ouvirem os seus nomes mencionados na categoria de melhor atriz e o que acontece com suas carreiras e vidas diante do reconhecimento – ou a falta dele.

Título Original: For Your Consideration
Ano de Produção: 2006
Direção: Christopher Guest
Elenco: Catherine O’Hara, Christopher Moynihan, Parker Posey, Harry Shearer, Eugene Levy, Christopher Guest, John Michael Higgins, Jennifer Coolidge, John Krasinski, Michael Hitchcock, Sandra Oh, Richard Kind, Bob Balaban, Fred Willard, Jane Lynch, Mary McCormack, Craig Bierko e Claire Forlani

Se Eu Fosse Você 2

“Se Eu Fosse Você” é uma comédia realizada em 2006 que fez muito sucesso através de uma história para lá de batida, mesmo que ainda eficiente: a troca de corpos entre os protagonistas. Eles são Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires), vítimas de um estranho fenômeno que os fazem viverem um no corpo do outro após uma discussão. O segundo filme tem a mesma premissa, onde o casal passa pela mesma circunstância quando armam a papelada para consolidar o divórcio. E se um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar, sendo essa a afirmação que estampa o poster dessa sequência, o sucesso (é o filme nacional mais assistido desde a Retomada) confirma essa teoria.

“Se Eu Fosse Você 2”, cujo final já anuncia uma nova sequência, “Se A Vovó Fosse O Vovô”, também lida com mais um acontecimento importante. É a gravidez de Bia (Isabelle Drummond, a Emília do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, substituindo Lara Rodrigues), a filha de Cláudio e Helena. E é exatamente essa novidade que logo, logo fará o filme cair num abismo sem nunca mais retornar ao topo.

A verdade é que “Se Eu Fosse Você 2” confere um trabalho mais caprichado de direção em comparação com o seu antecessor (Daniel Filho conseguiu planejar algumas boas cenas, como o pesadelo de Helena no primeiro ato do filme), mas no quesito humor esse perde feio. Tony Ramos continua brilhante e uma de suas cenas, num campo de futebol, rende boas gargalhadas. Mas quando abraça os intermináveis preparatórios para o casamento de Bia, que o faz por ser impulsionada tanto pelos seus quanto os pais de seu namorado, o longa carrega uma seriedade constrangedora pela forma ingênua com que os personagens lidam com a situação, prejudicando até mesmo o desempenho de Glória Pires, que estava a altura de Tony Ramos no filme anterior. Nem encarando o programa de peito aberto dá para se entusiasmar muito com os tropeços que aparecem a partir do meio da metragem.

Título Original: Se Eu Fosse Você 2
Ano de Produção: 2009
Direção: Daniel Filho
Roteiro: Adriana Falcão, Euclydes Marinho e Rene Belmonte
Elenco: Tony Ramos, Glória Pires, Isabelle Drummond, Maria Luisa Mendonça, Vivianne Pasmanter, Marcos Paulo, Cássio Gabus Mendes, Ary Fontoura, Renata Batista, Maria Gladys, Chico Anysio e Adriane Galisteu
Cotação: **

 

Surpresas do Amor

Surpresas do Amor | Four ChristmasesNão tem jeito. Todo final de ano a indústria americana de cinema tem que confeccionar um filme natalino. E os estúdios estão certos de continuar investindo nesta tradição, pois quase sempre é garantido o sucesso, mesmo não entregando produto de qualidade. O último filme vindo deles foi “Surpresas do Amor”. A tradução literal do título original é “Quatro Natais”, só que a distribuidora Playarte, num lance de marketing, optou por lançar “Coração de Tinta – O Livro Mágico” na data natalina no Brasil e converter a realização de Seth Gordon somente como comédia romântica (o seu lançamento nos cinemas foi em janeiro deste ano). Mas não importa como lidar com o filme, totalmente desinteressante.

Kate e Brad (a vencedora do Oscar Reese Witherspoon e Vince Vaughn) engatam um namoro depois de se conhecerem através de uma troca de diálogos bem agressivos em uma boate. Se passam três anos e as pessoas próximas a eles até estranham o porquê deles nunca planejarem casamento e filhos. Mas isso será justificado quando eles perdem um vôo para passar o natal longe de tudo e de todos. Dá que eles são entrevistados por uma jornalista no aeroporto por causa dos vôos cancelados e são chamados pelos pais para passarem a data com eles. Só que tanto Kate quando Brad tem pais divorciados e serão quatro o total visitas que eles terão que efetuar. A excentricidade dos membros da família somados aos segredos de cada um resultarão em alguns desentendimentos.

Mesmo que curto, “Surpresas do Amor” só tem uma cena de fato hilariante que justifique a nossa atenção por oitenta minutos de metragem, sendo aquela onde Kate protagoniza um confronto com um bando de crianças agressivas e insuportáveis. Reese Witherspoon, antes do lançamento do longa nos Estados Unidos, disse para quem quisesse ouvir através da imprensa que Vince Vaughn é uma pessoa bem extravagante. A falta de sintonia entre os profissionais parecem refletir diretamente no longa em diversas sequências. Mesmo com o sucesso, é difícil acreditar que este “Surpresas do Amor”, dirigido de forma tão convencional e sem novidade narrativa alguma, tenha custado oitenta milhões de dólares. Certamente quase todo o orçamento foi para o elenco, onde uns não fazem qualquer esforço em cena e outros são totalmente desperdiçados.

Título Original: Four Christmases
Ano de Produção: 2008
Direção: Seth Gordon
Elenco: Reese Witherspoon, Vince Vaughn, Robert Duvall, Sissy Spacek, Mary Steenburgen, Jon Voight, Dwight Yoakam, Carol Kane e Jon Favreau.
Cotação: 1 Star