Hairspray – E Éramos Todos Jovens Vs. Hairspray – Em Busca da Fama

Hairspray

E o Cine Resenhas não poderia se despedir do mês de junho sem a terceira edição do Filme Vs. Filmes, uma seção que aparecerá mensalmente por aqui. Mas se nos comentários anteriores o destaque foi para produções cujas refilmagens não atingiram a mesma qualidade da obra original, vamos mudar um pouco o quadro agora. Embora “Hairspray – E Éramos Todos Jovens” e “Hairspray – Em Busca da Fama” estejam relacionados com uma mesma cotação vale ressaltar que a refilmagem de Adam Shankman acaba levando a melhor na batalha com o filme de John Waters. Saiba o porquê a seguir.

Hairspray - E Éramos Todos Jovens

HAIRSPRAY – E ÉRAMOS TODOS JOVENS

Essa comédia de John Waters se passa no início da década de 1960 e o centro da ação é a atração televisiva “Corny Collins Show”. É para este programa que a garota Tracy Turnblad (Ricki Lake) tenta a todo custo participar para mostrar que é boa de dança. A história do próprio Waters, que evolui muito pouco, rendeu para si algum destaque comercial, pois foi o seu primeiro filme a chamar a atenção um pouco maior de público. E esse reconhecimento foi tamanho que até a Broadway fez uma montagem musical com base nesta produção. É um filme divertido, muito fiel ao espírito sessentista e que atinge bons momentos de humor, como o clímax com a bomba relógio dentro da peruca da Deborah Harry, que aqui faz a vilã Velma Von Tussle.

Título Original: Hairspray
Ano de Produção: 1988
Direção: John Waters
Elenco: Ricki Lake, Divine, Jerry Stiller, Deborah Harry, Michael St. Gerard, Leslie Ann Powers, Mink Stole, Shawn Thompson, Alan J. Wendl, Joann Havrilla, Sonny Bono, Ruth Brown e Colleen Fitzpatrick.
Cotação: 3 Stars

Hairspray - Em Busca da FamaHAIRSPRAY – EM BUSCA DA FAMA

Se não fosse o excesso de alguns números musicais (todos envolvendo o amor dos personagens de Nikki Blonsky e Zac Efron e aquela da passeata liderada por Queen Latifah são enjoativos) o remake “Hairspray – Em Busca da Fama” seria perfeito. O diretor Adam Shankman, que se mostrou eficiente no comando de “Um Amor Para Recordar” e “A Casa Caiu”, se inspirou bastante na história de John Waters (que aparece aqui em ponta relâmpago) e seguiu a tradição de trazer Edna Turnblad no corpo de um ator sob pesada maquiagem (John Travolta herda o papel que antes nos cinemas fora do travesti Divine), mas foi mais feliz em trazer para a sua realização as letras musicais da montagem na Broadway. O elenco é perfeito e o desfecho, com quase todos os personagens cantando “You Can’t Stop the Beat”, é um dos mais irresistíveis da década.

Título Original: Hairspray
Ano de Produção: 2007
Direção: Adam Shankman
Elenco: Nikki Blonsky, John Travolta, Michelle Pfeiffer, Christopher Walken, Amanda Bynes, James Marsden, Queen Latifah, Zac Efron, Brittany Snow, Elijah Kelley e Allison Janney.
Cotação: 3 Stars

Eu, Meu Irmão e a Nossa Namorada

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Peter Hedges só veio a dirigir o seu primeiro longa-metragem em 2003, sendo o filme “Do Jeito Que Ela é”. Antes desse momento, assinou os scripts de “Um Grande Garoto” (pelo qual foi indicado ao Oscar), “O Mapa do Mundo” e “Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador”. E todos esses títulos relevam algo muito parecido com o mais recente “Eu, Meu Irmão e a Nossa Namorada”, que Hedges escreve e dirige, sendo a história envolta de uma estrutura familiar repleta de abalos. Este mais recente filme de Hedges, que tem uma química especial entre Steve Carell e Juliette Binoche, está longe de alcançar toda a emoção do seu filme anterior que contava com Patricia Clarkson e Katie Holmes interpretando, respectivamente, mãe e filha que nunca tiveram uma relação afetuosa, mas alcança pontos elevados graças a sua simpatia e ternura.

Steve Carell expande a sua versatilidade incorporando Dan Burns. Ele é um sujeito que escreve uma coluna de auto-ajuda bem-sucedida para um jornal. Mas ele tem os seus problemas pessoais bem delicados para tentar resolver. Tornou-se viúvo e cria sozinho as três filhas que herdou dessa união, todas bem jovens (interpretadas por Alison Pill, que trabalhou com Hedges em “Do Jeito Que Ela é”, Brittany Robertson e Marleen Lawston). Em um instante vem o convite para todos passarem um final de semana na casa dos pais de Dan (John Mahoney e Dianne Wiest) e será nessa pausa com toda a família que ele passa por crises emocionais a partir de uma coincidência: ele sente uma atração repentina por uma estranha (Juliette Binoche) que logo será apresentado pelo seu irmão (Dane Cook) como Marie, a sua namorada. Mesmo sabendo desse compromisso acontecendo entre Marie e seu irmão, Dan será capaz de evitar os sentimentos por ela que crescem a cada minuto mais e mais?

Enquanto acompanhamos até ver no que isto vai dar Peter Hedges preenche o seu filme com muitos personagens. Mas isto não é um problema. Na verdade, quanto vemos todo o elenco em cena juntos, sendo fazendo exercícios físicos, apresentando quadros com base na própria criatividade ou mesmo na sala de estar conversando enquanto aproveitam uma boa refeição “Eu, Meu Irmão e a Nossa Namorada” atinge os seus melhores momentos, fazendo com que o espectador pareça estar por dentro de todos aqueles entretenimentos familiares. Notem a alegria que o filme consegue transmitir quando John Mahoney e Dianne Wiest estão armando um número cômico e certa melancolia posterior a esta cena onde Steve Carell canta a infalível “Let My Love Open the Door”. Não há dúvidas de que Peter Hedges é um talento nato analisando todos os seus trabalhos, que às vezes apresentam personagens amargurados ou que enfrentam uma fase triste em suas vidas, mas que conquista qualquer espectador com a simplicidade e o carinho com que faz e escreve os seus filmes.

Título Original: Dan in Real Life
Ano de Produção: 2007
Direção: Peter Hedges
Elenco: Steve Carell, Juliette Binoche, Dane Cook, Alison Pill, Brittany Robertson, Marlene Lawston, Dianne Wiest, John Mahoney, Amy Ryan e Emily Blunt.
Nota: 7.5

Resenha Crítica | O Mistério das Duas Irmãs

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Antes de qualquer comentário é bom revelar uma curiosidade: “O Mistério das Duas Irmãs” é refilmagem de um horror realizado na Coréia do Sul, chamado “Medo” (lançado em nosso mercado de vídeo pela Europa Filmes em 2006). Mas vamos manter a calma, pois o filme não segue a onda das terríveis refilmagens vindos do Oriente. A refilmagem, conduzida pela dupla de irmãos Charles e Thomas Guard, não se iguala ao filme de Kim Ji-woon, mas as alterações que recebeu fazem muito a diferença, especialmente aos apreciadores do filme original, que provavelmente não se contentariam com uma cópia da cabeça aos pés.

Anna (Emily Browning, de “Desventuras em Série”, fraca nas sequências de horror) retorna à sua casa depois de um longo tempo reclusa em hospital psiquiátrico. A razão de ter passado tanto tempo se tratando está relacionado a morte de sua mãe (papel de Maya Massar). Há três pessoas aguardando pelo seu regresso. A sua irmã Alex (Arielle Kebbel, que ofusca Emily Browning em todas as cenas) e o seu pai Steven (David Strathairn). A terceira pessoa é bem indesejável: Rachel (Elizabeth Banks), a recente namorada de Steven. Dá que as duas irmãs aos poucos vão encontrando evidências escondidas pela casa que acusam a megera, que agora passa a fazer papel de madrasta, como a responsável pela morte da mãe. O jovem Matt (Jesse Moss), que já namorou com Anna, até tenta avisar algo que presenciou durante a morte da mãe das irmãs, mas o seu cadáver encontrado no mar próximo a casa delas fazem com que as suspeitas com Rachel aumentem.

Porém, nada é o que parece e… Bem, é melhor deixar para lá, pois até os mais astutos, que adoram criar possibilidades para a resolução de todo o mistério que vê em um filme do gênero, vão se contorcer depois de serem pegos de surpresa por conta da revelação entregue no último ato do filme. E até quem assistiu “Medo” não vai conseguir se livrar da surpresa preparada, embora uma outra que também é reservada para o fim seja antecipada por estes nos primeiros minutos de filme. Mas algumas sequências bem conduzidas pelos irmãos Guard, com exceção das aparições inconvenientes de um trio de crianças, garantem bons sustos e compensam os fãs da obra anterior. Merecia um maior êxito comercial.

Título Original: The Uninvited
Ano de Produção: 2009
Direção: Charles Guard e Thomas Guard
Elenco: Emily Browning, Arielle Kebbel, David Strathairn, Elizabeth Banks, Jesse Moss, Kevin McNulty e Maya Massar.
Nota: 7.0

Resenha Crítica | Perdido Pra Cachorro (2008)

Uma produção onde a história é centrada em personagens endinheirados em que conhecem as coisas boas e simples da vida abandonando as futilidades que o dinheiro compra até que é bem comum hoje em dia. Mas encenar isto usando cachorros como protagonistas trás uma diferença bem gritante. É por isto que o descompromissado “Perdido Pra Cachorro” (é incrível como uma equipe de marketing de qualquer distribuidora que seja sempre pensa em incluir o “pra cachorro” para um filme canino) acaba nos divertindo, mesmo que Raja Gosnell não seja um bom diretor.

Jamie Lee Curtis, que felizmente não se aposentou como diziam algumas especulações, vive a dona da chihuahua Chloe (voz de Drew Barrymore), Viv. A cadela tem um tratamento que muitos humanos não têm: ela usa colares de diamantes, caras roupas caninas, sua alimentação é balanceada, faz exercícios e outras coisas para cães frescos. Dá que Viv precisa viajar e não pode levar a sua chihuahua consigo, deixando ela sob a responsabilidade da sua sobrinha Rachel (Piper Perabo, de “Assunto de Meninas”). Não querendo ficar presa na mansão da sua tia por uma semana, Rachel decide viajar para o México com as suas melhores amigas. E é por lá que Chloe também vai e acaba se perdendo. Durante a jornada de volta à Beverly Hills, ela faz amizade com um pastor alemão abalado por algo que aconteceu em seu passado (voz de Andy Garcia) e é procurada pelo chihuahua Papi (voz de George Lopez), cãozinho do jardineiro de Viv, Sam (Manolo Cardona), que também ajuda na busca pela cadela perdida.

O que diferencia essa realização de Raja Gosnell da mediocridade do seu currículo, que também confere os dois “Scooby-Doo”, é o elenco e produção, uma fusão de mexicanos e americanos. A mencionada diferença que há ao ver a premissa sendo protagonizadas por cães, e não por humanos, também conta como ponto positivo. Mas o recurso de animais falantes não se sustenta a todo momento por certa ausência de encanto na produção, embora ela tenha adquirido muito sucesso em termos comerciais e que Barrymore, Garcia e Lopez estejam impecáveis no trabalho de dublagem. Basta recordar do admirável trabalho de Chris Noonan em “Babe – O Porquinho Atrapalhado” para chegarmos a conclusão de que “Perdido Pra Cachorro” poderia ser muito melhor.

Título Original: Beverly Hills Chihuahua
Ano de Produção: 2008
Direção: Raja Gosnell
Elenco: Piper Perabo, Jamie Lee Curtis, Manolo Cardona e vozes de Drew Barrymore, Andy Garcia, George Lopez, Edward James Olmos e Luis Guzmán

Resenha Crítica | Operação Valquíria (2008)

Operação Valquíria (Valkyrie)

Brian Singer havia perdido a mão no comando do tedioso “Superman – O Retorno”, mas para alguém que realizou o incrível “Os Suspeitos” e ainda as duas primeiras aventuras dos mutantes de “X-Men”, uma das melhores traduções dos quadrinhos para o cinema já concebido, as expectativas em relação do seu passo seguinte, “Operação Valquíria”, eram consideráveis mesmo contando com o saltitante Tom Cruise como protagonista. Só que o filme não passa do razoável. Mesmo com um registro que muitos desconhecem, aqueles que já estão entediados de qualquer abordagem relacionada à Segunda Guerra Mundial não encontrarão muitos motivos para se entusiasmar com o drama.

Tom Cruise é o Coronel Claus von Stauffenberg. O filme inicia com a sua participação em um ataque situado na África. Com mulher (interpretada por Carice von Houten, atriz revelada por Paul Verhoeven em “A Espiã”) e filhos (papéis de Alexander Seidel, Timo Huber, Justus Kammerer, Annika Becker e Marie Becker – estas duas se alternando em uma mesma personagem) ele retorna para a Alemanha gravemente ferido, onde uma chuva de tiros o fez perder um dos olhos e uma das mãos. A sua recuperação o faz planejar algo muito audacioso com os seus companheiros, onde elaboram uma tática para eliminar Adolf Hitler (David Bamber).

Os obstáculos para levar “Operação Valquíria” para os cinemas não foram poucos. Além das constantes mudanças de datas para exibição nos cinemas, o filme teve rolos de filmagens perdidos, problemas com as locações e produtores sendo processados por figurantes que se acidentaram ao rodar uma sequência. Os transtornos dos bastidores não se refletem na tela. Porém, algo incomoda bastante no roteiro escrito pela dupla Christopher McQuarrie e Nathan Alexander. Da metade até o final, “Operação Valquíria” garante uma experiência bem tensa. A informação que podemos adquirir com antemão de como tudo vai se desenrolar até o último minuto não ameniza o impacto. Mas fora dessa conspiração contra Hitler, o Coronel Claus von Stauffenberg não é retratado com dignidade. A imagem que “Operação Valquiria” nos mostra é somente de um homem que gostaria de fincar o seu nome na História ao comandar um plano arriscado. O restante de sua vida, especialmente a sua dedicação como pai e marido, parece não importar muito. E não é bem assim que se desenha no cinema um personagem real considerado um herói.

Título Original: Valkyrie
Ano de Produção: 2008
Direção: Brian Singer
Elenco: Tom Cruise, Carice van Houten, Kenneth Branagh, Bill Nighy, Tom Wilkinson, Thomas Kretschmann, Eddie Izzard, Kevin McNally, Christian Berkel, Jamie Parker, David Bamber, Tom Hollander, Alexander Seidel, Timo Huber, Justus Kammerer, Annika Becker, Marie Becker e Terence Stamp.
Nota: 6.0

Resenha Crítica | Força Policial (2008)

Força Policial
Todo ano há ao menos um título a ser lembrado como aquele que tem um policial como protagonista de uma ação cercada de outros policiais de má índole, provavelmente envolvidos com corrupção e em casos para lá de obscuros. Se no ano passado o filme perfeito a se encaixar nessa descrição foi “Os Reis da Rua”, entre os lançamentos de 2009 que consegue o posto de representante dessa narrativa padrão é “Força Policial”. A falta de qualidade também é a mesma.

Ray Tierney (Edward Norton) é um policial que parece ter preferido desde a infância seguir essa difícil profissão por influências familiares. Afinal, o seu pai (Jon Voight), irmão (Noah Emmerich) e o marido (Colin Farrell) da sua irmã (Jennifer Ehle, que infelizmente aparece pouco) também são policiais. Só que um caso envolvendo o perigoso traficante de drogas Angel Tezo (Ramon Rodriguez) abalam bastante essa família, pois quando quatro policiais da equipe do personagem de Noah Emmerich são assassinados as investigações de Ray, afastado de missões de risco desde que uma foi capaz de destruir o seu casamento, chegam a apontar que o seu cunhado é um dos vários suspeitos do massacre.

O diretor de “Livre Para Amar”, Gavin O’Connor, até que tentou com Joe Carnahan desenvolver um argumento digno inserindo nele essa dinastia de policiais. O seu trabalho de direção é competente até a metade, destacando-se nele o seu empenho ao criar planos sem cortes. Mas tudo desmorona quando todas as informações necessárias para manter algum mistério na trama são jogados para conhecimento do público antes mesmo de Ray ter acesso a elas. E que o universo narrado no filme é sórdido por natureza todo mundo sabe – “Orgulho e Glória”, tradução do nome original da produção, parece funcionar como ironia, pois são essas as virtudes que os personagens provavelmente não carregaram em suas consciências. Só que não precisavam exagerar a dose na violência para captarmos isso, pois se não irritantes são os rumos finais do filme podemos defini-los como risíveis, como o patético confronto entre os personagens de Norton e Farrell e algumas coincidências e atitudes absurdas que colaboram para aumentar a tragédia.

Título Original: Pride and Glory
Ano de Produção: 2008
Direção: Gavin O’Connor
Elenco: Edward Norton, Colin Farrell, Noah Emmerich, Jon Voight, Jennifer Ehle, John Ortiz, Frank Grillo, Shea Whigham, Lake Bell, Carmen Ejogo, Manny Perez, Wayne Duvall e Ramon Rodriguez.
Nota: 5.0

Resenha Crítica | A Pantera Cor de Rosa 2 (2009)

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Com o sucesso quase insignificante da fita original que estreou em 2006, imaginava-se ao menos que o comediante Steve Martin, que em tempos mais recentes tem sido bem-sucedido mais em produções melancólicas como “Droga da Sedução” e “Garota de Vitrine” do que na missão de nos fazer rir, iria caprichar em “A Pantera Cor de Rosa 2”. A escalação de elenco é inspirada, mas quem se deu bem foi Kevin Kline, que não se submeteu mais uma vez a incorporar o Inspetor Dreyfus (o papel agora é de John Cleese), escapando dessa sequência que repete a mesma sucessão de piadas nada engraçadas do filme de Shawn Levy, que aqui só se encarrega da produção executiva.

Jacques Clouseau, o Inspetor que antes de Steve Martin era encarnado por Peter Sellers, é convocado nesta nova comédia misteriosa junto a uma equipe de investigadores internacionais (integrada por Andy Garcia, Alfred Molina e Yuki Matsuzaki) para desvendar o desaparecimento de caríssimos monumentos protegidos em museus ao redor do mundo. A Pantera Cor de Rosa, o tesouro da França, também é roubada. Ponton (Jean Reno) e Nicole (Emily Mortimer), respectivamente amigo de trabalho e secretária de Clouseau, também ajudarão a descobrir quem é o responsável pelo roubo e quais são as suas intenções.

Mesmo com a mudança de direção (Shawn Levy estava comprometido com as filmagens de “Uma Noite no Museu 2”), “A Pantera Cor de Rosa 2” se mostra tão insosso quanto o seu antecessor. Isso porque o cineasta Harald Zwart, mais conhecido por “Que Mulher é Essa?” e o fraco “O Agente Teen”, parece querer repetir os êxitos (ou a falta deles) da obra original do que em conferir identidade própria a sua realização. O roteiro, que também leva a assinatura de Steve Martin, arma uma ou outra situação que colabora somente para risos amarelos, como as intervenções da Mrs. Berenger (pequena participação de Lily Tomlin) e na resolução do mistério, mas a impressão que temos na maior parte da aventura é que não são os personagens que pesam a mão sobre a própria cabeça ao presenciar as atrapalhadas de Clouseau, mas sim os atores que os interpretam, refletindo em cena o constrangimento que se submeteram a partir do momento que assinaram o contrato para participarem do filme.

Título Original: A Pantera Cor de Rosa 2
Ano de Produção: 2009
Direção: Harald Zwart
Elenco: Steve Martin, Jean Reno, Emily Mortimer, Andy Garcia, Alfred Molina, Yuki Matsuzaki, Aishwarya Rai, John Cleese, Lily Tomlin e Jeremy Irons.
Nota: 3.0

Resenha Crítica | Um Hotel Bom Pra Cachorro

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Assim como no início da década passada, onde filmes que viviam marcando presença na programação da Sessão da Tarde, como  “A Incrível Jornada”, “Beethoven – O Magnífico” e “Bingo”, os americanos reaparecem com força total para infestar as salas de cinema com filmes, digamos, caninos. Alguns títulos são bem dramáticos a exemplo de  “Wendy and Lucy” e “Amor Pra Cachorro“. Já outros são bem aventureiros a exemplo de “Perdido Pra Cachorro” e “Um Hotel Bom Pra Cachorro”, sendo este segundo a produção de estréia do diretor Thor Freudenthal.

Andi (Emma Roberts) e Bruce (Jake T. Austin) são irmãos órfãos que pipocam de casa em casa, mas que nunca encontram os pais perfeitos. Bernie (Don Cheadle), um assistente social, apresenta um novo lar para eles, onde os donos é o casal de músicos Carl e Lois Scudder (papéis de Kevin Dillon e Lisa Kudrow). A mudança de ares não impede, no entanto, dos irmãos cuidarem as escondidas do cão de estimação, Friday. Uma saída encontrada para que o animal não seja capturado pela chamada carrocinha entre os seus passeios pela cidade é hospedá-lo em um prédio antigo, que já é habitado por outros três cães abandonados. Dá que a dupla acaba adotando todos os cachorros que encontram nas ruas, criando com o apoio de mais três adolescentes o hotel para cachorros do título original do filme.

Previsível até a medula como qualquer outro exemplar do gênero, “Um Hotel Bom Pra Cachorro” se beneficia pela forma que Thor confere diversão e energia nesse passatempo de qualidade. Além do mais, o roteiro, adaptação de um livro de Lois Duncan, usa os personagens de Roberts e T. Austin para criar uma mensagem simpática sobre família, podendo atingir em cheio o público, especialmente o infantil. O elenco jovem é muito carismático e Cheadle, Kudrow e Dillon estão muito legais em suas cenas, mas é a irresistível escalação canina que realmente comanda o filme (o casal de cães Romeu e Julieta é uma graça!). Os espectadores que têm ao menos um cachorro como companhia não podem perder.

Título Original: Hotel for Dogs
Ano de Produção: 2009
Direção: Thor Freudenthal
Elenco: Emma Roberts, Jake T. Austin, Johnny Simmons, Kyla Pratt, Troy Gentile, Don Cheadle, Kevin Dillon e Lisa Kudrow.
Nota: 7.0

Um Táxi Para a Escuridão

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O diretor de documentários Alex Gibney já carregava certa notoriedade depois do seu documentário “Enron – Os Mais Espertos da Sala”, produção narrada por Peter Coyote que discorria sobre os maiores escândalos econômicos registrados nos Estados Unidos. Em “Um Táxi Para a Escuridão” chega a sua consagração, vencendo o Oscar 2008 de Melhor Documentário. Com 1 Milhão de Dólares, Alex Gibney realiza uma ampla pesquisa sobre o taxista Dilawar.

Mas o que “Um Táxi Para a Escuridão” se encarrega de ilustrar sobre a vida deste homem? Na verdade, tudo se desenvolve diante de sua morte. Sem qualquer razão ou mesmo uma prova concreta, Dilawar foi barrado por soldados americanos enquanto conduzia um cliente e encaminhado para uma prisão em Abu Ghraib, onde foi submetido a quatro dias consecutivos de tortura, não resistindo aos ferimentos e dores. O lamentável episódio é só um entre os vários que se passaram no Afeganistão, Guantánamo e Iraque quando o governo americano estava sob o poder de George W. Bush.

Com quase duas horas de duração, outros registros presentes em “Um Táxi Para a Escuridão” são entrevistas com reféns, jornalistas que pesquisaram sobre os casos de homicídio e, o mais intrigante, depoimentos de militares americanos culpados pela morte de Dilawar e de outras vítimas que também foram submetidas a incessantes métodos de tortura não apresentando sequer alguma suspeita de atos terroristas. Os arquivos mostrados ao longo do documentário, como imagens e vídeos dos presos sendo humilhados são fortes, embora o senso de denúncia de “Um Táxi Para a Escuridão” não transpira tanta força como vista em outros filmes, como “Guerra Sem Cortes“.

Título Original: Taxi to the Dark Side
Ano de Produção: 2007
Direção: Alex Gibney
Elenco: Narração de Alex Gibney
Nota: 7.0

Resenha Crítica | Simplesmente Feliz (2008)

Simplesmente FelizO diretor britânico Mike Leigh sempre preservou fortemente em seus roteiros pessoas que não contém as emoções diante das adversidades que surgem em suas vidas. É o que acontece em filmes como “Segredos e Mentiras” e “O Segredo de Vera Drake”, onde os personagens, especialmente as protagonistas, revelam as suas tristezas e os seus medos. Poppy, a personagem a frente de “Simplesmente Feliz”, também é assim. Mas ela não está diante de uma tragédia ou revelação de surpreendente impacto. Tampouco é uma mulher deprimida.

Poppy, que é interpretada pela radiante Sally Hawkins, é uma pessoa, como o título nacional entrega, simplesmente feliz. Não importa que a sua vida amorosa esteja em baixa ou mesmo que o mundo onde vive esteja cercado de tragédias, Poppy sempre vai encarar tudo com sua felicidade inesgotável. E esta é praticamente toda a história presente na nova realização de Leigh, não conferindo exatamente a estrutura narrativa convencional de cinema, onde um argumento ganha forma através de um início, meio e fim. Só que irá surgir alguém essencial na vida de Poppy que vai agitar tanto a si quanto ao filme.

É o personagem do excelente Eddie Marsan, Scott. Ele é um professor de auto-escola que programa todos os sábados com Poppy uma aula prática de direção. As coisas fervem entre ambos, pois enquanto Poppy é aquela garota de exorbitante harmonia, Scott é o extremo oposto: é um sujeito mal-humorado, que parece desprezar a própria vida. Os embates verbais entre os dois levarão a consequências explosivas.

Mas o que é legal em “Simplesmente Feliz” é mesmo a personagem que Leigh desenhou, talvez a mais interessante em toda a sua carreira como autor. Poppy parece acreditar que a sua missão sagrada na Terra é proporcionar ao menos um pouco de felicidade para aqueles ao seu redor. Mas não se trata de uma pessoa que se comporta com infantilidade ou, sendo mais rude, uma retardada, embora a princípio venhamos com esses julgamentos. E o que faz nós mudarmos o nosso conceito sobre Poppy é o desempenho de Sally Hawkins (que venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical e o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim, mas que, lamentavelmente, acabou ficando de fora da seleção final de interpretações femininas na última edição do Oscar), em desempenho crível, cativante. É um filme simpático, repleto de situações deliciosas e que motiva o público ao término da sessão encarar o mundo com um pouco mais de alegria.

Título Original: Happy-Go-Lucky
Ano de Produção: 2008
Direção: Mike Leigh
Elenco: Sally Hawkins, Eddie Marsan, Alexis Zegerman, Andrea Riseborough, Sinead Matthews, Kate O’Flynn, Sarah Niles, Jack MacGeachin e Charlie Duffield