Glória ao Cineasta!

Glória ao Cineasta!
O que faz um diretor de cinema quando as suas idéias se esgotaram para um nova produção? É a pergunta que “Glória ao Cineasta!” responde de forma bem-humorada. Dirigindo, roteirizando e editando, Takeshi Kitano também aparece aqui como protagonista, interpretando uma versão de si mesmo. O realizador, sempre afeito a fitas de ação, fita exausto pela linha de sua carreira e tenta investir em gêneros dos quais ainda não contribuiu.

Seguem-se filmes românticos, dramáticos, terroríficos, entre outros. O planejamento de cada idéia não sai como o esperado, pois o resultado ou remete a violência presente em sua filmografia ou trazem histórias que simplesmente não dão certo, a exemplo de uma produção de época de um garotinho vítima da violência entre colegas e família ou daquela que se aproveita do sucesso de j-horror trazendo fantasma com maquiagem sinistra. A primeira metade de “Glória ao Cineasta!” se dedica a esses inspirados recortes dos mais variados tipos de cinema.

A segunda parte, no entanto, tem um argumento definido – e é nele que a eficácia da comédia evapora, fazendo a fita atingir um resultado somente mediano. O diretor Kitano, neste momento, parece de fato não ter idéia alguma do que está fazendo, direcionando “Glória ao Cineasta” a um caminho de pouca graça e interesse. A salvação só aparece na forma das atrizes Anne Suzuki e Kayoko Kishimoto. Tenho que admitir que essas duas me fizeram gargalhar como há muito tempo não conseguia. Ambas interpretam vigaristas que bolam artimanhas que sempre dão em fracasso. A cena onde almoçam em um restaurante e acrescentam uma barata na comida para não pagar por ela é antológica, assim como aquelas onde tentam se safar do pagamento de aluguel e que simulam um atropelamento para arrancar grana de ricaços. A idéia de Kitano, que mistura várias referências ao cinema, é bem-vinda, mas os méritos da fita pertencem a elas.

Título Original: Kantoku · Banzai!
Ano de Produção: 2007
Direção: Takeshi Kitano
Elenco: Takeshi Kitano, Anne Suzuki, Kayoko Kishimoto, Toru Emori, Keiko Matsuzaka, Yoshino Kimura, Kazuko Yoshiyuki, Yuki Uchida, Akira Takarada.
Nota: 6.0

Resenha Crítica | O Lutador (2008)

É extremamente comum no cinema hollywoodiano testemunharmos vários intérpretes de incrível talento ter as suas carreiras rapidamente destruídas por escolhas equivocadas tanto na vida profissional quanto pessoal. Mickey Rourke é um entre vários casos existentes. Embora nunca tenha demonstrado em cena um empenho visceral, extraordinário, Rourke conquistou vários espectadores em filmes da década retrasada, como “Coração Satânico”, “9 e ½ Semanas de Amor” e sua ponta em “Corpos Ardentes”. Já nos anos 1990 veio o abismo. O casamento com a sua parceira de cena em “Orquídea Selvagem”, Carré Otis, resultou em denúncia de violência doméstica e acabou abandonando a carreira de ator para investir na de boxeador. É verdade que houve chances de renascimento quando Rourke foi convidado a participar do elenco de apoio de filmes como “Búffalo 66”, “A Promessa” e “Sin City – A Cidade do Pecado”, mas isso definitivamente acontece em “O Lutador”.

Em uma interpretação soberba e que dificilmente devemos testemunhar se repetir em projetos futuros, Rourke é Randy “The Ram” Robinson, personagem que anteriormente passou pelas mãos de Nicolas Cage. Ele foi um dos grandes lutadores na década de 1980 e nos dias atuais faz show nos ringues para um pequeno público, atingindo os seus oponentes e sendo revidado com golpes que vão de socos à pauladas. O limite aparece ao sofrer um ataque cardíaco. Impossibilitado de voltar ao ofício (seu coração não resistiria), resta a Randy trabalhar em um supermercado e reverter a situação de sua vida pessoal destroçada. Ao mesmo tempo que tenta investir em um relacionamento com a stripper Cassidy (Marisa Tomei) tenta reatar aquele que se perdeu no passado com a sua filha Stephanie (Evan Rachel Wood, sublime).

O segundo roteiro original para cinema de Robert D. Siegel trás como maior triunfo o caminho de Randy rumo à redenção. Há fartos momentos maravilhosos nesta história e Darren Aronofsky, em sua primeira direção não experimental, apresenta um domínio fantástico na condução de câmera e elenco. Mas o filme não atinge um resultado excepcional em todos os momentos por conta de algumas imperfeições no texto de Siegel. A personagem Cassidy, por exemplo, recebe tratamento raso, sendo aquele estereótipo de mulher de “trabalho sujo” sem marido e com filho para criar. Resta a atriz Marisa Tomei, que recebeu a sua terceira nomeação ao Oscar pelo papel e que já vencera o prêmio pela comédia “Meu Primo Vinny“, conferir através da excelência de seu talento dimensão a sua personagem. Quebra-se também o encanto de acompanhar Randy em circunstâncias quando paralelos insistentes aparecem com o ator que o incorpora. Isso não quer dizer que “O Lutador”, com a sua antológica conclusão que certamente povoará a mente do público, não seja um ótimo filme. Só o impede de ser mais do que isto.

Título Original: The Wrestler
Ano de Produção: 2008
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Robert D. Siegel
Elenco: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Mark Margolis, Todd Barry, Wass Stevens e Judah Friedlander

Resenha Crítica | Segredos Íntimos (2007)

“Segredos Íntimos”, do diretor israelense Avi Nesher, é um novo registro cinematográfico da vida sufocante que as mulheres levam diante dos costumes da religião ao qual pertencem. Afinal o roteiro de Hadar Galron e também de Nesher destacam duas personagens de condutas e sentimentos que não condizem com aquelas impostas pelas suas famílias, que as pressionam de todas as formas para se casarem.

Elas são Naomi e Michelle (respectivamente Ania Bukstein e Michal Shtamler). A primeira acaba de perder a mãe e pede ao seu pai que possa adiar o casamento já planejado, pois tem o interesse de mergulhar nos ensinamentos judáicos em uma escola em Safed. E é lá que Naomi se envolve com Michelle, vinda de uma família afortunada e que se apresenta como uma garota bem rebelde. A princípio ambas não apresentam qualquer sintonia, mas se tornam amigas íntimas ao ajudar Anouk (Fanny Ardant), uma francesa cristã em delicado estado de saúde que oculta um passado obscuro. A amizade se intensifica enquanto submetem Anouk em um ritual de purificação permitido somente aos judeus.

Em direção ao mesmo tempo suave e audaciosa, Nesher trabalha muito bem em “Segredos Íntimos” a relação entre essas três mulheres, especialmente na relação lésbica que acontece entre Naomi e Michelle. Esse turbilhão de emoções abre espaço para que o espectador possa se conectar com a história e analisar os rumos que ela leva, por vezes devastadores. Com isto, “Segredos Íntimos” se torna mais um título interessante que, mesmo com a distribuição limitada, compensa aqueles que o procurarem. As distâncias, se assemelha com a proposta do também recentemente exibido “Alguém que Me Ame de Verdade“, mas com resultados bem superiores.

Título Original: Ha-Sodot
Ano de Produção: 2007
Direção: Avi Nesher
Elenco: Ania Bukstein, Michal Shtamler, Fanny Ardant, Adir Miller, Guri Alfi, Alma Zack e Tikya Dayan.

Dragonball Evolution

Dragonball
Qualquer fã de mangá (aquelas famosas histórias em quadrinhos onde a leitura se inicia da direita para a esquerda) provavelmente é aficionado pelo universo de “Dragon Ball”. Com o sucesso do material de Akira Toriyama logo foi gerada a adaptação em animação. Com isso, a fama de Toriyama aumentou com a onda de fãs que “Dragon Ball” conseguiu em muitos lugares, inclusive no Brasil. As aventuras de Goku na animação, ao contrário dos mangás, obteve três longos atos. O primeiro, “Dragon Ball”, focava em sua infância. Já em “Dragon Ball Z” a ação ocorria quando ele já era um homem casado e com filhos. E por fim foi criado “Dragon Ball GT”, o terrível ato final de Goku, que aqui retorna ao seu corpo de criança.

No todo, é uma animação cercada de personagens e conflitos bem detalhados e que contava com elementos o suficiente para alegrar tanto a molecada quanto o público adolescente. A possibilidade de uma adaptação para os cinemas não era uma idéia descartável, embora já se imaginava desde o início que as coisas não dariam certo. E assim, depois de vinte e três anos que “Dragon Ball” ganhou vida em versão mangá, é o que se concretizou, mas pelas mãos dos americanos. É verdade que no filme “Dragonball Evolution” também há orientais movimentando as engrenagens (um deles é ninguém menos que Stephen Chow, famoso diretor e protagonista de “Kung-Fu Futebol Clube” e “Kung-Fusão”), mas a mediocridade pesa mais para o lado dos estadunidenses que se sujeitaram ao ridículo de tentar transformar em bem-sucedido a idéia que soava risível desde sua concepção, que foi o de transportar o mundo fantasioso e quase inadaptável de “Dragon Ball” para as telas de cinema.

O resultado é ruim em todos os sentidos, sendo por motivos narrativos, passando pelos fracos efeitos especiais e a falta de fidelidade a caracterização de vários personagens (Joon Park pode ser qualquer personagem, menos com Yamcha). A correria do roteiro de Ben Ramsey (que atualmente está escalado também como roteirista de “Luke Cage”) já lança Goku (Justin Chatwin, no papel que provavelmente vai acabar com a sua carreira) prestes a completar dezoito anos de idade. Ele mora com o seu avô (Randall Duk Kim) e se apaixona no colégio por Chi Chi (Jamie Chung). Dá que Piccolo (James Marsters, com uma maquiagem sem as orelhas enormes do personagem da animação) vai à Terra em busca das Esferas do Dragão. Há um total de sete e quando reunidas o Dragão Shenlong é despertado e concebe qualquer desejo.

É constrangedor, mas não será o pior filme da sua vida nem se você for um fã número um de “Dragon Ball”. A verdade é que o filme consegue um ou outro bom momento quando dois personagens estão presentes em cena. Emmy Rossum, que encarnou Christine na versão cinematográfica de Joel Schumacher para “O Fantasma da Ópera”, interpreta Bulma e a jovem atriz consegue trazer muitas das características de sua personagem. Chow Yun-Fat, por sua vez, diverte como o Mestre Roshi (na verdade, o seu personagem na fonte original se chama Mestre Kame). Mas é só. Dá que no fim das contas o público será capaz de assemelhar essa realização de James Wong como qualquer coisa, menos como uma adaptação fiel ou minimamente parecida com “Dragon Ball”.

Título Original: Dragonball Evolution
Ano de Produção: 2009
Direção: James Wong
Elenco: Justin Chatwin, Emmy Rossum, Jamie Chung, Chow Yun-Fat, James Marsters, Joon Park, Eriko Tamura e Randall Duk Kim.
Nota: 3.0

Diretor: Todd Solondz

Todd Solondz tem uma aparência que remete a um nerd, conforme costuma dizer a imprensa especializada. Magrelo, usando vestes e calçados esquisitos (especialmente os seus tênis amarelos) e antes portando grandes óculos, o diretor e roteirista já disse que muitos dos dramas que constrói surgem das próprias experiências pessoais que viveu quando era mais jovem (há quem consiga ver paralelos entre ele e Dawn, personagem incorporada por Heather Matarazzo em “Bem-Vindo à Casa de Bonecas”).

Se as experiências poderiam muito bem transformá-lo em um ser humano amargurado elas acabam servindo como oportunidades para este que é uma das mentes mais interessantes do cinema independente. Os seus argumentos se baseiam naquilo que é chamado de sonho americano, mas a sua função é o de apresentar toda a mediocridade e podridão que cercam a sociedade como um todo.

Faltando somente alguns meses para completar cinquenta anos, Todd Solondz sempre foi exaltado pela crítica preguiçosa como o diretor capaz de fazer a plateia rir da tragédia vista na tela e que, simultaneamente, estranha o próprio comportamento. Mas a sua filmografia comentada abaixo traz um realizador que com toda a certeza o marcará por inúmeras razões ainda mais intrigantes.


FILMOGRAFIA


BEM-VINDO À CASA DE BONECAS – 1995

“Bem-Vindo à Casa de Bonecas” não é o primeiro trabalho de Todd Solondz, mas foi o primeiro a conseguir lançamento no Brasil. Heather Matarazzo, excelente em seu primeiro papel aos treze anos, é Dawn, uma menina que é alvo de piadas dos colegas de escola e de desprezo no ambiente familiar. É também a protagonista de um retrato criado por Solondz, onde nem as crianças se encontram livres de uma sociedade moldada por aparências, embora até elas não sejam nada inocentes quando testemunhamos as humilhações passadas por Dawn. Ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance e fez discreto sucesso nas bilheterias americanas.
Cotação: ***

 

FELICIDADE – 1998

A obra máxima do diretor e também o seu filme mais completo. Usando o já hoje surrado recurso onde uma história se movimenta com a ligação entre indivíduos desconhecidos, “Felicidade” toca em temas espinhosos como pedofilia sem nenhum pudor. O drama foca personagens que, ironicamente, podem ser qualquer coisa, menos felizes. Sem este sentimento, Solondz aproveita para revelar que há pessoas mais sórdidas, confusas e melancólicas do que Joy Jordan (Jane Adams), o fio condutor da narrativa.
Cotação: ****

 

HISTÓRIAS PROIBIDAS – 2001

Com o prestígio obtido em “Felicidade”, Todd Solondz decepciona bastante em “Histórias Proibidas”, embora não seja uma fraca produção. O diretor tem um roteiro a princípio interessante, dividindo-o em dois com os títulos de “Ficção” e “Não-Ficção”. A ideia aqui é elaborar duas histórias sérias que são recebidas por personagens secundários de uma maneira inversa da esperada. Mas se “Ficção” é um retrato quase perfeito pela sua acidez, “Não-Ficção” se revela entediante tanto pela sua longa duração (de aproximadamente cinquenta minutos) quanto pelos rumos que levam as filmagens do cotidiano de uma família cujo filho mais velho tem sonhos futuros que levam a plateia as gargalhadas.
Cotação: ***

PALÍNDROMOS – 2004

Neste drama inédito em nosso país, Todd Solondz se aproxima do mesmo patamar de “Felicidade”. O tema é a maternidade e o diretor novamente levanta polêmicas ao falar sobre pedofilia. Há também outras consequências sérias aqui mostradas, como o aborto. O filme tem uma complexidade nunca vista igual no cinema de Solondz, construindo Aviva através do corpo de várias atrizes, entre as quais Jennifer Jason Leigh, Sharon Wilkins e Valerie Shusterov. Com isto Solondz consegue transmitir a sensação de que qualquer mulher poderia ter vivido a mesma circunstância. E o palíndromo do título não se dá somente no nome da personagem: independente das mudanças que possam ser impostas, todos sempre serão os mesmos em suas essências.
Cotação: ****

ATUAÇÕES

Assim que iniciou a sua carreira nos cinemas em 1985 com o curta-metragem “Schatt’s Last Shot”, Todd Solondz também experimentou a arte de representar, incorporando um jovem que tenta surpreender a garota que gosta em uma partida de basquete no colégio onde estuda. Este foi o primeiro de cinco trabalhos como ator, mas foi somente em “Fear, Anxiety & Depression” (o seu primeiro longa-metragem inédito no Brasil) que Solondz teve um tempo maior em cena. É mais fácil conferir as suas aparições em “De Caso Com A Máfia” e em “Melhor é Impossível”. No primeiro filme, dirigido por Jonathan Demme, ele faz uma ponta como um repórter. Já na comédia de James L. Brooks, Solondz aparece dentro de um ônibus.

 

PROJETO FUTURO

Sem estar envolvido em qualquer projeto desde “Palíndromos”, Todd Solondz agora volta a dar as caras com a dramédia “Life During Wartime”, que deve ser exibido ainda este ano. Em fase de pós-produção, nada muito detalhado foi divulgado sobre a premissa. Algumas fontes informam que o filme deve seguir a mesma linha de “Felicidade”, mas desenvolvendo personagens diante de uma guerra. O projeto chamou a atenção pelo rumor de Paris Hilton estar envolvida no elenco, algo negado poucas semanas depois. Ainda assim, há outros nomes bem conhecidos, como os de Shirley Henderson (“Hipnose”), Charlotte Rampling (“Swimming Pool – À Beira da Piscina”), Ciarán Hinds (“Margot e o Casamento”) e Allison Janney (“As Horas”). O orçamento de “Life During Wartime” é de aproximadamente cinco milhões de dólares e as suas filmagens iniciaram em outubro do ano passado.


LINKS RELACIONADOS

IMDb: Conheça a filmografia do diretor
Todd Solondz: Site sobre a carreira do diretor
Zeta Filmes: Entrevista com o diretor
Laranja Psicodélica: Download de “Palíndromos”


Sabotagem Vs. O Agente Secreto

Filme Vs. Filme - Sabotagem Vs. O Agente Secreto
Alfred Hitchcock foi reconhecido como o grande Mestre do Suspense após a sua morte. E ele continua sendo exaltado pelos cinéfilos com este título. Com grandes filmes no curriculum, Hitchcock também é famoso pelas influências que causou em diretores como Brian De Palma e M. Night Shyamalan. Há muitos outros também que ao menos em uma oportunidade realizaram uma obra com muitas referências as mais famosas realizações do diretor nascido na Inglaterra, como Robert Zemeckis, Curtis Hanson, John Carpenter, Pedro Almódovar, entre outros. No entanto, a carreira de Hitchcock nem sempre foi feita de acertos, especialmente no que se diz respeito a sua fase britânica. “Sabotagem” (ou “O Marido Era O Culpado”, como é conhecido por muitas pessoas) é o melhor filme do diretor antes de sua fase americana, mas a narrativa recebeu melhoras em 1996 por Christopher Hampton com o seu “O Agente Secreto”. Conheça a razão e um pouco mais sobre ambos os títulos baseados em um romance de Joseph Conrad a seguir.

Sabotagem / O Marido Era o CulpadoSABOTAGEM / O MARIDO ERA O CULPADO

“O Marido Era o Culpado” foi o primeiro título recebido quando este filme com roteiro de Charles Bennett (que por sua vez adaptou o livro de Joseph Conrad) chegou no Brasil. Já a distribuidora Cine Art alterou para “Sabotagem” quando o lançou em DVD em uma coletânea que também vinha com “Agente Secreto” e “Assassinato”. Há também no mercado uma edição que trás somente “Sabotagem”. Na história o ator Oskar Homolka (que foi indicado ao Oscar por “A Vida de um Sonho”, de George Stevens) é Karl Anton Verloc, um proprietário de um cinema junto com a sua esposa Sylvia (Sylvia Sydney). Mas ele é também um integrante de um grupo de sabotadores prestes a explodir um local em Londres. Para não deixar seus rastros na execução do plano, Verloc usa o pequeno Stevie (Desmond Tester), irmão de Sylvia, para carregar consigo uma bomba para que seja deixada em um determinado local da cidade. Mas as coisas não acontecem como planejada e as consequências rendem uma das sequências mais suspicazes já concebidas em toda a carreira de Alfred Hitchcock, embora seja o melhor de poucos outros pontos fortes que o filme confere.

Título Original: Sabotage
Ano de Produção: 1936
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Oskar Homolka, Sylvia Sidney, Desmond Tester, John Loder e Joyce Barbour.
Cotação: 3 Stars

O Agente SecretoO AGENTE SECRETO

“O Agente Secreto” de Christopher Hampton está relacionado como uma nova versão do filme de Alfred Hitchcock, “Sabotagem”. Mas não se trata de uma refilmagem direta e sim uma adaptação atualizada do romance de Conrad. E isto diferencia esta produção de 1996, onde Hampton (mais conhecido como roteirista em filmes como “Desejo e Reparação” e “O Segredo de Mary Reilly”) oferece uma nova identidade a história. Ela é basicamente a mesma do filme de Hitchcock, com o diferencial de ter rumos distintos. O papel de Verloc agora cabe a Bob Hoskins, enquanto Patricia Arquette faz a sua frágil esposa. O irmão dela, Stevie, tem problemas mentais e aqui é incorporado por Christian Bale. Nesta versão praticamente tudo deu certo com grande sucesso, indo da tensão presente na trama, a reconstituição de época e o fabuloso papel que a música de Philip Glass exerce no suspense. Mas quem rouba a cena é Robin Williams. No papel do Professor, um criador de bombas, o ator está assustador!

Título Original: The Secret Agent
Ano de Produção: 1996
Direção: Christopher Hampton
Elenco: Bob Hoskins, Patricia Arquette, Gérard Depardieu, Jim Broadbent, Christian Bale, Roger Hammond, Eddie Izzard e Robin Williams.
Cotação: 4 Stars

Resenha Crítica | Yentl (1983)

Barbra Streisand é uma celebridade que parece ter desaparecido dos cinemas. Sua última aparição das telas se deu com a comédia “Entrando Numa Fria Maior Ainda”, que já havia marcado o seu retorno depois de longos oito anos de intervalo entre o seu último filme, “O Espelho Tem Duas Faces” (que, entre outras funções, também dirigiu). Mas Streisand já foi muito ativa nesta indústria, ao qual deu o seu primeiro passo com o pé direito, pois ganhara o Oscar de melhor atriz em “A Garota Genial”, a sua estréia.

“Yentl”, drama-romance-musical de 1983, foi baseado em um conto de Isaac Bashevis Singer. Na história, Anshel (Barbra Streisand) acaba de perder o seu velho pai (Nehemiah Persoff), um rabino que fornecia a ela (as escondidas) os livros sagrados do Judaismo, como o Talmude. Só os homens têm o direito de ter acesso aos livros sobre o assunto e praticar os ensinamentos entre si. Determinada em prosseguir com os estudos Ashlel opta em se transvestir de homem e ingressar uma escola de teologia. É assim que se transforma em Yentl.

Nesta decisão, o filme trás consequências sufocantes. Avigdor (Mandy Patinkin), seu melhor amigo, não sabe deste segredo e Yentl/Anshel se apaixona por ele. Só que Avigdor quer se casar com Hadass (a notável Amy Irving, que, vejam só, foi indicada ao Oscar e ao Framboesa de Ouro pelo seu desempenho), mas a família dela acredita que Yentl é o melhor partido para a jovem mulher. E agora?

Desenvolvendo essa situação extremamente conflitante, um típíco triângulo amoroso, “Yentl” também se transforma em musical com a sua protagonista soltando a voz nos momentos de desabafos marcados pela morte do seu pai, a sua paixão por Avigdor e medo que tem tanto de decepcionar Hadass quanto o se ser descoberta. É intrigante e envolvente, embora o filme pareça em determinados instantes jogar tudo dentro de um liquidificador para ver no que vai dar a mistura. Soam deslocadas algumas encenações cantadas, mas algumas como a maravilhosa “Papa, Can You Hear Me?” acabam se sobressaindo. No entanto, valem os esforços e dedicações de Barbra Streisand em “Yentl”, pois neste que é o seu primeiro filme como diretora ela também o protagoniza, desenvolve o roteiro adaptado, é responsável pelo departamento musical e a produção, mesmo que Isaac Bashevis Singer  a tenha julgado como indugente por trazer todas as atenções para si.

Título Original: Yentl
Ano de Produção: 1983
Direção: Barbra Streisand
Elenco: Barbra Streisand, Mandy Patinkin, Amy Irving, Nehemiah Persoff, Steven Hill, Allan Corduner e Ruth Goring

Resenha Crítica | Divã (2009)

Na cena inicial de “Divã”, baseado na peça de Marcelo Saback cujo roteiro é livremente inspirado no livro “Divã”, de Martha Medeiros, a personagem de Lilia Cabral, Mercedes, estabelece uma pequena pausa e reflete sobre os rumos que a sua própria vida levou. O casamento, os filhos que tem, a profissão como professora particular, as coisas que deixou para trás… Tudo a faz pensar que no fim a sua existência até então não lhe ofereceu a felicidade que ambicionava. Talvez seja por essa crise pessoal que mantém dentro de si que Mercedes procura por um psicanalista, pois talvez o desabafo a faça pensar com mais clareza sobre os seus problemas emotivos.

José Alvarenga Jr., que recentemente concluiu “Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas”, foi sábio ao fazer com que Mercedes praticamente se comunique com a plateia sob o divã. Através dos detalhes que expõe do seu cotidiano recente, vemos que não há mais aquela forte paixão que existiu entre ela e o seu marido Gustavo (José Mayer). Desta forma, Mercedes também descreve as suas relações amorosas com Theo (Reynaldo Gianecchini), o irmão de uma de suas alunas, e Murilo (Cauã Reymond), rapaz com somente 19 anos. Há também a sua melhor amiga Mônica (Alexandra Richter, em excelente desempenho), com quem compartilha as neuras que surgem quando alguém já enfrenta os quarenta anos de idade.

Embora possa soar como uma história dramática, “Divã” trabalha com muito bom humor as dúvidas de sua personagem principal quando tenta tomar sérias decisões. Por se tratar de uma mulher às voltas com o peso que sua idade está lhe fazendo carregar, o filme fica a dever um pouco na sensação de exaustão que nem sempre é transmitido ao público nas seções de psicanálise. Salvo o recurso de ocultar o profissional como se Mercedes estivesse se dirigindo ao público, muitas vezes surge a impressão de todos os flashbacks serem montados com base em apenas uma seção. Há somente um discreto trabalho de figurinos que evidenciam que estão acontecendo consultas em tempos diferentes ao longo da metragem.

A falha, entretanto, está longe de comprometer o resultado de “Divã”. Não há como passar batido pela performance magnética de Lilia Cabral. Já o melhor momento do longa é um dos encontros de Lilia com a personagem de Alexandra Richter próximo ao final do filme, tocante e devastador. É no desfecho, por sinal, que encontramos o maior valor de “Divã”. De maneira surpreendente madura, “Divã” nos mostra usando o retrato de Mercedes que mesmo que tudo colabore para o desentusiasmo que surge através da tristeza, no fim de um relacionamento e com o desgaste que a idade nos traz, a felicidade pode existir.

Título Original: Divã
Ano de Produção: 2009
Direção: José Alvarenga Jr.
Elenco: Lília Cabral, José Mayer, Alexandra Richter, Reynaldo Gianecchini, Cauã Reymond, Paulo Gustavo Bastos, Eduardo Lago, Elias Gleizer, Vera Mancini, Helena Fernandes, Cesar Cardareiro e Johnny Massaro

Resenha Crítica | Sex Drive – Rumo ao Sexo

Sex Drive - Rumo ao Sexo
Fazia tempo que não se via uma comédia de qualidade onde a história se trata de adolescentes que só pensam em sexo. O divertido “American Pie” e suas sequências (com exceção dos pavorosos títulos oficiais da franquia que foram lançados diretamente para o mercado de vídeo) influênciaram, só que o gênero só dava bola-fora. “Sex Drive – Rumo ao Sexo” é uma exceção, mas só deve agradar mesmo aqueles que já sabem o que esperar do filme. Então é bom se preparar, pois há muita perversão e tudo progride em ritmo frenético.

Ian Lafferty (Josh Zuckerman) é aquele típico jovem de dezoito anos que se sente incompleto perante os demais por ainda ser virgem. Ele, que trabalha como vendedor de rosquinhas e que a maior parte do tempo aparece fantasiado como uma, acredita que pode mudar esta condição ao paquerar pela Internet uma bela loira usando o nickname de Ms. Tasty (Katrina Bowden). Segundo o seu melhor amigo Lance (Clark Duke), ele pode conquistar essa garota se no primeiro encontro conduzir um carro que chame a atenção. E aí que ele bola o plano de pegar emprestado o carro do seu agressivo irmão Rex (o impagável James Marsden, embora seu desempenho se assemelhe demasiadamente ao de Seann William Scott em “American Pie”), só que sem avisá-lo. A bordo do Mustang 69 GTO Vermelho também está a sua melhor amiga Felicia (Amanda Crew), mas Ian mente a ela, dizendo que irá dirigir por horas na estrada para visitar sua avó.

Com o fracasso do filme nas bilheterias (foi exibido na mesma semana de lançamento de “Max Payne“, “W.” e “A Vida Secreta das Abelhas” e faturou até a sua permanência nos cinemas somente um valor um pouco acima de oito milhões de dólares), o diretor Sean Anders acabou apresentando a sua versão de “Sex Drive – Rumo ao Sexo” em DVD. Com um pouco mais de duas horas, Anders não poupou ao mostrar várias mulheres  completamente nuas e algumas cenas ondem ocorrem muitos absurdos. Mas nada que espante os conservadores. Os personagens são bem carismáticos e há situações que provocam altas gargalhadas. Assim, acabou por moldar um empolgante road-movie com potencial de virar obra de culto.

Título Original: Sex Drive
Ano de Produção: 2008
Direção: Sean Anders
Elenco: Josh Zuckerman, Amanda Crew, Clark Duke, James Marsden, Seth Green, Alice Greczyn, Katrina Bowden, Charlie McDermott, Mark L. Young, Cole Petersen, Dave Sheridan, Michael Cudlitz, Kim Ostrenko e Allison Weissman.
Nota: 7.0

Alma Perdida

Alma Perdida
Assim como Sam Raimi, Michael Bay possui uma tática parecida de trabalho como produtor. Seguindo praticamente à risca o diretor da série “Homem-Aranha”, Bay investe o dinheiro que lucra por conta do sucesso dos seus blockbusters para produzir modestas fitas de horror. O seu primeiro momento como produtor dentro do gênero foi com a ótima refilmagem de “O Massacre da Serra Elétrica”. Com o sucesso, seguiram-se “Horror em Amityville”, “O Massacre da Serra Elétrica: O Início”, “A Morte Pede Carona”, “The Horseman” (com Dennis Quaid e Zhang Ziyi) e “Alma Perdida”. Há também “Sexta-feira 13” e “A Nightmare on Elm Street” (em fase de pós-produção), mas vamos nos concentrar no filme de David S. Goyer, o seu quarto como diretor.

Nele, Casey Beldon (Odette Yustman, de “Cloverfield – Monstro”) é uma jovem cuja mãe Janet (ponta de Carla Gugino) se suicidou quando ainda tinha sete anos. Sem qualquer preocupação na construção da personagem, o horror se instaura nos primeiros minutos. Sem mais nem menos, ela presencia fenômenos e informações do passado, especificamente, na Segunda Guerra Mundial. Olha só: ela estranha a coloração dos seus próprios olhos, descobre que tinha um irmão gêmeo morto antes de dar a luz e que sua mãe foi vítima de uma maldição desde sua nascença. Além de tudo isso, Casey terá que convencer o padre Sendak (Gary Oldman, coitado!) a realizar uma seção de exorcismo para salvar a sua própria vida. A garota é tão desesperada e preocupada que parece nem ligar quando a sua melhor amiga Romy (Meagan Good) e o seu namorado Mark (Cam Gigandet, que interpretou o vilão James de “Crepúsculo”) colocam as próprias vidas em jogo para ajudá-la.

Daria para dar um desconto se a escalação de elenco não fosse tão atrapalhada e David S. Goyer, mais imaginativo na missão sagrada de apavorar a platéia – não é o que acontece. Mesmo sendo um produto original, o que reverte um pouco todo o esquema da Platinum Dunes (na maioria das vezes a produtora investiu em refilmagens), “Alma Perdida” é uma montagem vergonhosa de idéias tiradas de outros filmes. Quando se vê seres assombrosos não há como não pensar em “O Exorcista”, embora de tão contorcionistas pareçam integrantes do famoso Cirque du Soleil. Mas não dá para se esperar muito do sujeito cujo “maior feito” é a sua colaboração no roteiro de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”…

Título Original: The Unborn
Ano de Produção: 2009
Direção: David S. Goyer
Elenco: Odette Yustman, Cam Gigandet, Meagan Good, Gary Oldman, Idris Elba, Jane Alexander, James Remar, Atticus Shaffer e Carla Gugino.
Nota: 2.0