Eu Te Amo, Cara

Eu Te Amo, Cara
Há muitas pessoas que em determinado momento de suas vidas ficam confusas ao constatarem que, até então, não cultivaram amizades suficientemente fortes. E isto não é algo impressionante, vendo que está cada vez mais difícil nos dias de hoje contar com uma amizade que sobrevive através da confiança, honestidade e companheirismo. John Hamburg, diretor de “Quero Ficar Com Polly” e roteirista de “Entrando Numa Fria”, não tem o mínimo de sensibilidade para trabalhar de forma envolvente com uma premissa que se desenvolva através desta realidade. Mas até que dá conta do recado ao converter este fato dramático em uma piada.

Peter Klaven (Paul Rudd) é o sujeito que se vê diante dessa situação solitária de não ter amigos quando a sua noiva Zooey (a carismática Rashida Jones) arma os preparativos para o casamento, que inclui todos aqueles convites para madrinhas e padrinhos do casal. Com isto, o filme persegue a busca de Peter por um amigo. Os maridos das amigas de Zooey é o extremo oposto do nosso protagonista e os encontros que marca com estranhos não são bem-sucedidos. É como corretor tentando vender a mansão de Lou Ferrigno (sim, o próprio dá as caras na comédia) que ele conhece Sydney Fife (Jason Segel), aquele que não somente topará ser seu padrinho de casamento, como também o seu companheiro de todas as horas. Literalmente.

Desse momento em diante, “Eu Te Amo, Cara” se resume aos encontros dos personagens. Eles são bem diferentes entre si. Peter é um homem responsável, contido. Já Sydney leva as coisas de maneira desleixada, sem preocupações ou ambições. Mas existe uma sintonia. E ela envolve a plateia. Não há aqui o nome de Judd Apatow envolvido na produção, mas o espírito da realização de John Harburg é praticamente o mesmo, fazendo com que a ausência de personalidade nos faça tratar o seu filme somente como um passatempo esquecível. E é, só que concebido com qualidade. A participação especial da clássica e sensacional banda canadense “Rush” enriquece o resultado.

Título Original: I Love You, Man
Ano de Produção: 2009
Direção: John Hamburg
Elenco: Paul Rudd, Jason Segel, Rashida Jones, Sarah Burns, Jaime Pressly, Jon Favreau, Jane Curtin, J.K. Simmons, Andy Samberg e Lou Ferrigno.
Nota: 7.0

A Proposta

A Proposta | The ProposalDesde o regular “Miss Simpatia 2 – Armada e Poderosa”, produção de 2005, que Sandra Bullock não protagonizava uma fita da mesma linha. Uma das razões para este afastamento do gênero que elevou seu status se dá pela idade. Hoje com quarenta e cinco anos, a atriz se dedicou em incorporar personagens mais densas. Os resultados foram bem-sucedidos (“Crash – No Limite” e “Confidencial“) e mal-sucedidos (“A Casa do Lago” e “Premonições“). Mas quem aprecia a sua doçura e carisma só tem a comemorar o retorno de Bullock à comédia com “A Proposta”, onde ela arrasa. E o público respondeu bem a esta investida, já que o filme da diretora Anne Fletcher é o maior sucesso de Bullock nos Estados Unidos, tendo arrecadado quatro vezes mais o valor de seu investimento de quarenta milhões de dólares.

Também produtora, Sandra Bullock agora encarna a vilã megera Margaret Tate, poderosa editora de livros. Embora a deteste, Andrew Paxton (Ryan Reynolds) praticamente joga pela lixeira a sua vida pessoal para satisfazer como assistente as vontades de sua chefe, tendo que cancelar até mesmo o compromisso de rever a sua avó que está prestes a completar noventa anos de vida (interpretada pela impagável Betty White, que rouba a cena). Mas há uma justificativa para tanta dedicação, pois Andrew sonha que Margaret possa publicar o seu romance. E ela vai, mas de uma forma que ele nunca imaginaria: se casando com a bruxa por obrigação. É que Margaret é canadense e arma a farsa para não ser deportada, já que seu visto expirou. O palco desse jogo de interesses se situará no Alasca, onde toda a família de Andrew mora.

A trama é modesta e os seus rumos são previstos pelo público, mas “A Proposta” não é um programa descartável como tem sido declarado. A verdade é que o filme é suficientemente engraçado para valer até mesmo uma revisão. Isso porque a diretora e coreógrafa bem requisitada em Hollywood Anne Fletcher aplica aqui o mesmo jogo de cintura de seus outros sucessos anteriores, “Ela Dança, Eu Danço” e “Vestida Para Casar”. Ou seja, ela sabe muito bem satisfazer as expectativas do espectador, não muito exigente para fitas desse gênero. É verdade que falta no filme aquela acidez de seu início, mas é um pequeno detalhe diante de tantas risadas. Destaque para a sequência com Sandra Bullock e Betty White realizando um estranho ritual em plena manhã em uma floresta, que resulta em uma mórbida dança de rap.

Título Original: The Proposal
Ano de Produção: 2009
Direção: Anne Fletcher
Elenco: Sandra Bullock, Ryan Reynolds, Mary Steenburgen, Craig T. Nelson, Betty White, Denis O’Hare, Oscar Nuñez, Aasif Mandvi e Malin Akerman.
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | Arraste-Me Para o Inferno (2009)

Arraste-me Para o Inferno | Drag Me to HellSam Raimi passou praticamente toda a década se dedicando na direção da série cinematográfica “Homem-Aranha”. Mesmo que sejam filmes de natureza fantástica, todos sempre aguardavam por um retorno às suas raízes, dos bons tempos de “Uma Noite Alucinante”. É verdade que, de certa maneira, ele nunca abandonou o gênero que o consagrou, já que antes de “Homem-Aranha” ele dirigiu o esplêndido drama sobrenatural “O Dom da Premonição”. Raimi também é um dos investidores da Ghost House, produtora que bancou projetos como “O Grito”, “Os Mensageiros” e “Rise – A Ressurreição”. Só que as caríssimas aventuras de Peter Parker o impossibilitava de dirigir algo aos moldes da série protagonizada pelo impagável Bruce Campbell. Talvez por isto “Arraste-Me Para o Inferno” seja um dos eventos cinematográficos mais empolgantes do ano. E o melhor: merece toda essa expectativa, pois é um filmaço.

O roteiro do próprio Sam Raimi e de seu irmão Ivan Raimi estava pronto há anos e só agora ganha vida. O prólogo de aproximadamente quatro minutos já reserva um eficiente resumo do que se trata a história. Trata-se da maldição lançada por ciganos que evoca Lâmia, criatura satânica que arrasta para as profundezas do inferno a alma amaldiçoada três dias antes através de algum pertence. E esta maldição recaiu em Christine Brown (Alison Lohman), funcionária de uma agência bancária que nega a extensão de um empréstimo solicitada pela pavorosa senhora Ganush (Lorna Raver) a fim de impressionar o seu chefe (papel de David Paymer) e obter a vaga de gerente assistente. Depois de um embate sensacional dentro de um estacionamento, Ganush retira o botão da blusa de Christine e amaldiçoa o objeto, fazendo o seu dono passar por três dias sufocantes marcados por aparições macabras, sons medonhos, moscas e outras esquisitices.

O espectador já pode testemunhar que “Arraste-Me Para o Inferno” se sustenta com base nos filmes B de horror. O logotipo da Universal Pictures apresentado nos créditos iniciais e finais é o mesmo de quase trinta anos atrás. E como poucos realizadores hoje em dia, Sam Raimi consegue resgatar todo esse espírito trabalhando com as ferramentas hoje disponíveis na indústria. Os efeitos especiais, por exemplo, são perigosos, pois podem destruir qualquer atmosfera perturbadora que tenta predominar na história. Algo que não acontece em “Arraste-Me Para o Inferno”, pois aqui eles são eficientes justamente por serem grotescos, por vezes cartunescos. Aliás, se há outra coisa que Sam Raimi faz com maestria é a forma como mescla horror com humor. Em todos os momentos é fácil se pegar em gargalhadas ao mesmo tempo que os nervos se arrepiam progressivamente.

Se isso já não fosse o suficiente, ainda há outras características que só enaltecem “Arraste-Me Para o Inferno”. A trilha-sonora composta por Christopher Young, um grande maestro de temas suspicazes e constante colaborador de Sam Raimi, é um primor, atuando como um personagem fundamental em cena através de acordes tenebrosos. Já o elenco também merece destaque. Cercado de ótimos coadjuvantes, Alison Lohman é quem tem a maior responsabilidade. Antes seria Ellen Page a protagonista de “Arraste-Me Para o Inferno”, mas o diretor foi feliz por ter contado com a disponibilidade de uma atriz muito mais experiente e infinitamente melhor e depositar nela confiança para carregar todo o filme. Toda a empatia que temos pela personagem e sua intrigante situação é mérito de Lohman. Por sinal, todos os instantes você certamente estará se questionando o que faria caso estivesse na pele de Christine e se de fato ela é a grande vítima da própria escolha que fez.

É o melhor filme do gênero exibido até o instante este ano. Todavia, há um lamento: embora esteja em planejamento outros projetos terrorifícos, como a refilmagem de “Uma Noite Alucinante”, já é certo que Sam Raimi passará os próximos anos bem ocupado com a quarta aventura do “Homem-Aranha”. Um cineasta fantástico como este não pode continuar apodrecendo no inferno limitador e artificial que o heroísmo e os draminhas fajutos de Peter Parker certamente representam.

Título Original: Drag Me to Hell
Ano de Produção: 2009
Direção: Sam Raimi
Elenco: Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, Dileep Rao, David Paymer, Reggie Lee, Kevin Foster, Molly Cheek, Chelcie Ross, Ted Raimi, Flor de Maria Chahua e Adriana Barraza.
Cotação: 4 Stars

Juízo Final

Juízo Final | DoomsdaySe há diretores que merecem algum reconhecimento logo em seu trabalho de estreia o britânico Neil Marshall talvez não seja um deles. Vai saber como, seu “Dog Soldiers – Cães de Caça”, produção de 2002 sobre tropa de soldados ingleses em floresta escocesa que aos poucos se transformam em lobisomens, virou cult. Em “Abismo do Medo” o prestígio foi ainda maior, com direito a comentários afirmando que se tratava da melhor produção do gênero desde o distante “Alien – O Oitavo Passageiro”. Mas se o claustrofóbico filme situado quase inteiramente dentro de uma caverna com criaturas sinistras de fato é muito bom, em “Juízo Final”, terceiro trabalho de Marshall, não há quase nada para ser aproveitado.

A premissa é de uma falta de originalidade tamanha. Na Inglaterra atual o Vírus Reaper se espalha matando milhares de pessoas. A pequena Eden Sinclair (Christine Tomlinson) é uma das poucas sobreviventes. Trinta anos depois, ela, uma major nas formas de Rhona Mitra, é designada a atravessar um muro enorme que foi construído no passado para separar os sobreviventes das possíveis vítimas da epidemia. A sua missão é procurar por uma cura que possa combater o Vírus Reaper, pois há indícios de que há vida “do outro lado”. O que Eden e sua equipe encontram é uma surpresa: uma sociedade composta por canibais metaleiros.

As conexões aqui são com uma das obras mais populares de John Carpenter, “Fuga de Nova York”. Mas os aficionados pelo gênero notarão várias outras influências, especialmente de obras recentes como “Extermínio”. Mesmo surrado, dá para acompanhar como diversão descompromissada essa aventura de horror até a metade. Deste momento até a sua conclusão, no entanto, a ação acontece em uma sociedade medieval liderada pelo personagem de Malcolm McDowell. Soa tão desconexo e risível que remete a uma produção qualquer de Uwe Boll. Mas há de se destacar uma pequena ousadia por parte de Neil Marshall. Trabalhando com o maior orçamento da sua carreira (trinta milhões de dólares) ele continua preservando o espetáculo de sangue de suas fitas anteriores, aqui elevado a potência máxima – há uma cena de canibalismo e outra de decapitação de tirar o chapéu. Inerte como sempre, Rhona Mitra ao menos conta com a vantagem de ter a cara ideal para protagonizar projetos com essa adrenalina exigida.

Título Original: Doomsday
Ano de Produção: 2008
Direção: Neil Marshall
Roteiro: Neil Marshall
Elenco: Rhona Mitra, Bob Hoskins, Malcolm McDowell, Craig Conway, Lee-Anne Liebenberg, MyAnna Buring, Emma Cleasby, Alexander Siddig, Adrian Lester e MyAnna Buring.
Cotação: 2 Stars

Anticristo

AnticristoO cineasta dinamarquês Lars von Trier é considerado por muitos cinéfilos como o diretor mais polêmico em atividade. Não se trata de uma afirmação exagerada, já que cada um de seus filmes sempre é alvo de controvérsia quando lançado. Com o recentemente apresentado “Anticristo” a situação não foi diferente, a exemplo da exibição no Festival de Cannes deste ano. A reação ao término da fita se sucedeu entre vaias e aplausos. Mas o verdadeiro resultado de “Anticristo” atinge um equilíbrio diante desses dois pesos díspares: é interessante o suficiente ao ponto de não ser um projeto desastroso, só que de tão desorientado fica difícil apreciá-lo por completo.

A história é dividida em quatro capítulos: “Luto”, “Dor – Caos Reina”, “Desespero – Genocídio” e “Os Três Mendigos”. No prólogo sensacional, flagramos um casal definidos na trama como Ele (Willem Dafoe) e Ela (Charlotte Gainsbourg) fazendo sexo enquanto o único filho deles morre em queda ao se aproximar de uma janela. Ele supera a perda enquanto Ela não é capaz de processá-la, estando com uma profunda depressão. Ele, um psicólogo, propõe à Ela se isolarem em uma cabana chamada Eden no meio de uma floresta para se submeterem a tentativas de poder controlar as suas emoções. No entanto, a reclusão se transforma em pesadelo, já que estranhos fenômenos começam a se materializar no ambiente.

A ideia para esta realização surgiu no longo período de depressão do diretor Lars von Trier. Os enigmas vistos na tela são resultados de pesadelos e sentimentos de angústia vividos por ele. Mas sua vontade aqui está mais de exorcizar os seus próprios demônios com sequências arrepiantes do que em explicá-los. E aí reside a frustração que “Anticristo” rende, mesmo que Willem Dafoe e especialmente Charlotte Gainsbourg se entreguem a valer em seus personagens. Nada contra fazer cinema totalmente autoral ou aplicar para o público a responsabilidade de compreender por si mesmo o que ele está sendo assistido. O problema é transformar isto em algo que sobrevive mais como uma experiência perturbadora e menos como cinema. É verdade que quem acompanha o trabalho de von Trier já terá alguma base do que esperar, mas as suas outras obras mais recentes, como “Dançando no Escuro” e “Dogville”, são trabalhos muito mais gratificantes de serem contemplados que se locomovem com praticamente as mesmas ferramentas, mas com arrogância moderada por parte de seu diretor.

Título Original: Antichist
Ano de Produção: 2009
Direção: Lars von Trier
Elenco: Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg
Cotação: 3 Stars

A Órfã

Nascido na Espanha, o diretor Jaume Collet-Serra fez sua estreia na função com o thriller “A Casa de Cera”, produção de 2005. Embora o filme não tenha recolhido nem muitos elogios da imprensa especializada ou do público, o nome do cineasta, que agora tem trinta em cinco anos, entrou em evidência pela sua criatividade ao trabalhar em um curioso cenário. Após, rodou o drama esportivo de fraca repercussão “Gol 2 – Vivendo o Sonho”. Agora, ele está de volta ao gênero com “A Órfã” com uma dupla de respeitáveis protagonistas.

Peter Sarsgaard e a sempre exemplar Vera Farmiga (que parece gostar de ser atormentada por crianças malévolas, vendo que também participou recentemente de “Joshua – O Filho do Mal) vivem John e Kate Coleman. Eles são pais de Daniel e Max (respectivamente, Jimmy Bennett e Aryana Engineer) e parecem formar com eles uma perfeita família, embora Max tenha deficiência auditiva. Mas só parecem, pois tentam superar um passado recente nebuloso. Entre os segredos, que aos poucos são revelados, é lançado a princípio a perda da filha de Kate enquanto ainda estava grávida. Problemas com o alcoolismo que a assombram até hoje foi o que a fez sofrer o aborto. Para amenizar a dor, John e Kate adotam Esther (a revelação Isabelle Fuhrman, assustadora) em uma instituição religiosa. Adorável a princípio, a pequena de origem russa logo se transforma em uma pessoa perigosa.

É verdade que “A Órfã” muito se parece com “O Anjo Malvado”. Temos aqui uma assassina em miniatura que destrói todo um harmonioso laço familiar com hábil poder de manipular a todos em seu redor. E se não bastasse o ambiente todo gélido que corre a ação, há ainda um ataque de Esther dentro de um hospital bem similar com aquele executado pelo personagem de Macaulay Culkin no filme de Joseph Ruben. Mas isto não conta como uma característica negativa, vale lembrar. Mesmo assim, embora tenha ótimos desempenhos e acontecimentos de gelar a espinha (a própria sequência inicial não é aconselhável para gestantes), o filme derrapa feio em seu ato final. Há uma revelação de deixar os cabelos em pé, só que o roteiro de David Johnson acaba resumindo tudo a uma perseguição sem tensão alguma que sabota até mesmo a direção de Jaume Collet-Serra.

Título Original: Orphan
Ano de Produção: 2009
Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: David Johnson
Elenco: Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, Isabelle Fuhrman, CCH Pounder, Jimmy Bennett, Aryana Engineer, Margo Martindale e Karel Roden
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | Obsessiva (2009)

“Atração Fatal”, a obra máxima de Adrian Lyne, continua parindo cópias bem inferiores. E “Obsessiva”, filme de Steve Shill, se diferencia por uma razão: é a pior entre todas já realizadas. Embora de filmografia pequena, Lyne ao longo dela desenvolveu diversos longas onde a temática principal é o adultério e as suas inevitáveis consequências. Mas ele elaborava isto com talento e originalidade, resultando tanto em romances descompromissados como “Proposta Indecente” quanto em polêmicas como a sua versão de “Lolita” e o próprio “Atração Fatal”. Shill só consegue risos involuntários.

A história segue uma família composta por três membros. Um casal, vivido por Idris Elba e Beyoncé Knowles, está de casa nova com o pequeno filho Kyle (os gêmeos Nathan e Nicolas Myers, revezando-se no papel). O personagem de Elba, Derek, é um executivo bem-sucedido e a sua rotina (profissional e pessoal) começa a sofrer abalos com a presença da recente estagiária Lisa Sheridan (Ali Larter). Claro que a louca de corpo escultural vai dar em cima do chefinho, embora a intenção de fazê-lo pular a cerca está envolvido mais em suas obsessões sinistras do que de em arruinar a imagem de bom sujeito que ele tem.

O mais estranho do nosso protagonista é o seu próprio caráter. Afinal, ele quebra uma promessa feita com sua esposa Sharon de sempre deixar a verdade acima de tudo e se comporta ingenuamente diante dos ataques da estonteante secretária. Se do nosso herói já podemos esperar por esta desastrosa construção (e que não venham falar em vulnerabilidade, por favor) o que dizer então de sua mulher Sharon e sua suposta amante Lisa? Bom, o grande ápice entre as duas é mesmo na previsível conclusão, onde elas apresentaram um embate com direito a puxões de cabelos, sopapos na cara e golpes com as pernas nuas, com Sharon de salto alto e Lisa vestindo somente uma camisa de jogador de futebol americano. É o melhor e mais embaraçoso momento desse thriller que pode muito bem ser confundido com uma novela mexicana, embora conte com uma canastrice e desrespeito de fazer corar a eterna Gabriela Spanic.

Título Original: Obsessed
Ano de Produção: 2009
Direção: Steve Shill
Roteiro: David Loughery
Elenco: Idris Elba, Beyoncé Knowles, Ali Larter, Jerry O’Connell, Bonnie Perlman, Christine Lahti, Nathan Myers, Nicolas Myers, Matthew Humphreys e Scout Taylor-Compton
Cotação:

Resenha Crítica | Verônica (2008)

Verônica
Ficou famoso o roteiro de John Cassavetes onde uma mulher protege até as últimas consequências o garoto que pertence a uma família assassinada por gangters. A descrição pertence ao filme “Glória”, rodado pelo próprio Cassavetes em 1980. A mesma premissa foi atualizada nas mãos de Sidney Lumet em 1999 com Sharon Stone vivendo Glória. Já o cineasta brasileiro Maurício Farias (reconhecido pelo sucesso de “A Grande Família – O Filme“) parece fazer a sua versão brasileira de “Glória”, pois “Verônica” conta também com um argumento quase idêntico. E enquanto Cassavetes tinha escalado Gena Rowlands, sua esposa, como protagonista, aqui Farias conta com Andréa Beltrão, com quem é casado desde 1994.

Sempre extraordinária, Beltrão alcança como Verônica uma nova plataforma à sua bem-sucedida carreira como atriz, estando a frente de um filme como poucas vezes aconteceu anteriormente. A personagem-título é uma mulher que há vinte anos leciona em escola da rede municipal. Depois de mais um dia frustrante de trabalho, ela se oferece para levar Leandro (Matheus de Sá) até a sua residência, pois os pais do aluno ainda não compareceram ao local para retirá-lo. Verônica se surpreende ao saber que eles foram assassinados por traficantes e resta somente a ela protegê-lo, já que ele também está jurado de morte por portar um Pen Drive com informações sigilosas, como vídeos de traficantes negociando com policiais corruptos. Ela tenta contar com a ajuda de Paulo (Marco Ricca), policial e seu ex-marido, embora ele trabalhe com os mesmos profissionais visualizados nos arquivos em poder de Leandro.

Se o filme já ganha por ser um thiller repleto de sequências de perseguições e fugas bem tensas, ele acaba adquirindo ainda mais valor por narrar tão bem a vida solitária e com poucas perspectivas de sua personagem, já que se manisfesta de forma bem verdadeira a relação quase de mãe e filho entre Verônica e Leandro. Tudo só é um pouco prejudicado pelas descartáveis passagens envolvendo os pais de Verônica. Fora isso, Maurício Farias mostra que amadureceu muito diante de suas realizações anteriores, reproduzindo com firmeza e habilidade o sórdido clima urbano do Rio de Janeiro.

Título Original: Verônica
Ano de Produção: 2008
Direção: Maurício Farias
Elenco: Andréa Beltrão, Matheus de Sá, Marco Ricca, Giulio Lopes, Patrícia Selonik, Flávio Migliaccio, Camila Amado, Thogun e Ailton Graça.
Nota: 7.5

Watchmen – O Filme

Watchmen - O Filme
Autor de Graphic novels, o britânico Alan Moore nunca esteve a favor das adaptações cinematográficas de seus trabalhos. E ele o responsável pelas histórias de filmes como  “Do Inferno”, “A Liga Extraordinária”, “Constantine”, “V de Vingança” e “Watchmen – O Filme”, este último o mais recente lançado. São compreensíveis as suas razões, especialmente pela ganância dos produtores americanos, que aplicam diversas modificações mirabolantes em comparação com o material original para lançar um produto mais digerível ao público. Mas os títulos de sua autoria foram os mais bem-sucedidos em termos de entretenimento. Zack Snyder, responsável por “Madrugada dos Mortos” e “300“, fortalece essa corrente em “Watchmen – O Filme”.

A trama é ambientada na década de 1980, mas longos flashbacks se passam em tempos anteriores, e ela se inicia de forma arrasadora, com Edward Blake (Jeffrey Dean Morgan) sendo assassinado por um estranho. Este acontecimento provavelmente está ligado ao seu passado de herói errante, o Comediante. Mas não é somente este integrante dos Watchmen (Os Vigilantes) que está ligado a uma espécie de conspiração. Dan Dreiberg, o segundo Coruja (Patrick Wilson), Laurie Jupiter, a segunda Spectral (Malin Akerman, do seriado “The Comeback”), Adrian Veidt, o Ozymandias (Matthew Goode) e o intrigante Walter Kovacs, o Rorschach (Jackie Earle Haley, em outro grande desempenho após aquele registrado em “Pecados Íntimos”) também já foram os Watchmen. Mas há também Jon Osterman (Billy Crudup), cientista vítima de seu próprio experimento de física nuclear que herda os poderes de teletransporte, voo, imortalidade, entre outros, transformando-se assim em Dr. Manhattan. Aos poucos vamos conhecendo cada um desses heróis, que voltam a combater os inúmeros inimigos que atuam nos Estados Unidos.

Zack Snyder, que atualmente está finalizando a animação “Guardians of Ga’Hoole” (lançamento agendado para setembro de 2010), novamente se mostra um cineasta cheio de estilo e de completo domínio nas mais avançadas técnicas do cinema. E assim, “Watchmen – O Filme”, que até então é de longe o seu melhor trabalho, acaba se tornando um programa cujo visual é de encher os olhos. Na versão do diretor, que conta com uma duração aproximada de três horas, Snyder completa com mais violência gráfica todos os conflitos, realçando também o passado dessas figuras peculiares. Há excessos, como o insistente uso de slow motion scene que parecem alargar a duração. Todavia, não relevando somente o show estilístico, “Watchmen – O Filme” caminha de forma interessante perante a incessante busca de seus personagens centrais pelo fim do terror provocado pela violência e pela desesperança que tomou toda a humanidade. Desta forma, há mais paralelos com a realidade atual do que aquelas que muitos fanáticos insistem em confirmar que foi propagada pelo superestimado “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.

Título Original: Watchmen
Ano de Produção: 2009
Direção: Zack Snyder
Elenco: Billy Crudup, Patrick Wilson, Malin Akerman, Jackie Earle Haley, Matthew Goode, Jeffrey Dean Morgan, Matt Frewer, Stephen McHattie e Carla Gugino.
Nota: 7.0

Resenha Crítica | Velozes e Furiosos 4 (2009)

Velozes e Furiosos 4
O estrondoso sucesso de “Velozes e Furiosos”, lançada em 2001 sob o custo de trinta e oito milhões de dólares – lucrou nas bilheterias mundiais cinco vezes mais o valor de seu investimento -, dava a impressão de que faria o quarteto central seria alçado diretamente ao estrelato. Mas Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez e Jordana Brewster estavam destinados mais em cair no esquecimento do que se tornarem astros de primeira linha, pois a cada um bom filme com algum dos intérpretes liderando o elenco sendo exibido outros cinco para lá de frustrantes eram lançados posteriormente. Só assim para explicar o retorno deles em “Velozes & Furiosos 4” depois de uma primeira sequência contando somente com a presença de Paul Walker e uma segunda situada em Tóquio com Vin Diesel aparecendo em ponta relâmpago no desfecho, ambas péssimas.

Justin Lin, que comandou “Velozes e Furiosos – Desafio em Tóquio”, ao menos aqui conta com um roteiro que justifique este novo encontro, apoiado em um acontecimento fatídico que não merece ser revelado. O que pode ser dito é que Dominic Toretto (Diesel) e sua namorada Letty (Rodriguez) continuam armando seus audaciosos golpes ao comando de carros potentes e que o agente Brian O’Conner (Walker) contará com a colaboração de Toretto na missão de capturar um poderoso traficante de drogas. Ou seja: praticamente a mesma premissa de uma centena de fitas do gênero, com o diferencial dos possantes serem os verdadeiros protagonistas da ação.

É feito para aquele tipo de público não perde nenhuma exposição para contemplar carros tunados e esportivos com modelos quase seminuas posicionadas neles para fotografias e que só sabe falar com os amigos sobre o assunto. Público-alvo mais superficial, impossível. No entanto, o filme original foi uma competente fita de ação e com essa escalação do elenco muitas coisas boas também foram resgatadas, como o bom domínio na arquitetura de cenas com muita adrenalina, embora prejudicadas aqui em algumas circunstâncias pelo uso excessivo de efeitos especiais, a exemplo das perseguições dentro de uma caverna.

Título Original: Fast & Furious
Ano de Produção: 2009
Direção: Justin Lin
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, John Ortiz, Laz Alonso, Gal Gadot, Shea Whigham, Jack Conley, Liza Lapira e Greg Cipes