Resenha Crítica | Substitutos (2009)

Reconhecido pelo eficiente “Breakdown – Implacável Perseguição”, thriller de ação estrelado por Kurt Russell, o americano Jonathan Mostow não foi capaz de mostrar a que veio com os seus ambiciosos projetos posteriores, que incluiu o decepcionante “O Exterminador do Futuro – A Rebelião das Máquinas”. Sem investir em nada no cinema desde a fita que fez Arnold Schwarzenegger reprisar o seu famoso Terminator pelo valor de 30 milhões de dólares, Mostow agora volta com “Substitutos”, uma ficção-científica promissora. O resultado, entretanto, causa frustração.

A história, ambientada em um futuro não muito distante, se baseia em uma sociedade composta por robôs. Conhecidos como Substitutos, eles se movimentam a partir do momento em que os humanos se conectam a eles. Essa evolução fez com que alguns índices sempre preocupantes, como o da violência, sofressem uma queda quase total. Porém, alguém conspira contra essa condição, restando ao agente do FBI Tom Greer (Bruce Willis) e a sua parceira Peters (Radha Mitchell, sem muito o que fazer), conectados em seu Substitutos, desvendarem quem está por trás dos assassinatos tanto das Máquinas quanto pela pessoa por trás dela.

Para deixar as coisas mais intrigantes os roteiristas John D. Brancato e Michael Ferris (que se baseiam em uma graphic novel de Brett Weldele e Robert Venditti) fazem com que o herói Tom solucione os crimes sem um Substituto e acrescenta uma pequena comunidade que se manifesta contra a artificialidade das máquinas viverem pelos indivíduos reclusos na segurança de seus lares. O problema é que “Substitutos” reserva uma revelação final tão fraca que é difícil não imaginar outras possibilidades bem melhores para que ele pudesse desenvolver. Se isto não bastasse, Mostow trabalha aqui com uma metragem bem curta, debilitando até mesmo as sequências de ação, breves e pouco imaginativas.

Título Original: Surrogates
Ano de Produção: 2009
Direção: Jonathan Mostow
Roteiro: John D. Brancato e Michael Ferris, baseado na graphic novel de Brett Weldele e Robert Venditti
Elenco: Bruce Willis, Radha Mitchell, Rosamund Pike, Boris Kodjoe, James Francis Ginty, Jack Noseworthy, Devin Ratray, Michael Cudlitz, Ving Rhames e James Cromwell
Cotação: 2 Stars

Resenha Crítica | Falando Grego (2009)

Falando Grego

Desde “Casamento Grego” a atriz Nia Vardalos parece não ter sido capaz de seguir adiante com um trabalho que não remetesse a este grande sucesso de 2002. De lá para cá seguiram-se uma curta e mal-sucedida temporada de “Casamento Grego – A Série”, que acompanhava os acontecimentos posteriores ao filme original e o discreto “Connie e Carla – As Rainhas da Noite”. Houve até mesmo o terrível “Eu Odeio o Dia dos Namorados“, sua estreia na direção. Um pouco antes ela protagonizou “Falando Grego”. O título já entrega semelhanças com “Casamento Grego”, mas o resultado é surpreendente agradável, onde a atriz retorna a sua boa forma e o casal Tom Hanks e Rita Wilson novamente assinam a produção.

Desta vez, Nia Vardalos é Georgia. Trata-se de uma mulher com os seus quarenta anos totalmente entediada com a própria vida. Muito por conta de sua profissão como guia turística na Grécia. Lidando sempre com os mesmos estereótipos de turistas ela decide que o tour narrado em “Falando Grego” seja o último antes de sua demissão. No entanto, o grupo que a acompanha, especialmente o simpático velhinho Irv (Richard Dreyfuss, o grande trunfo do filme), fará com que ela reveja a sua atual situação, especialmente no campo amoroso.

O roteiro de Mike Reiss (muito conhecido pela sua contribuição na série animada “Os Simpsons”) tem lá um ou outro momento superficial, mas ganha muito contando com a direção experiente de Donald Petrie, que realizou os divertidos “Miss Simpatia”, “Como Perder Um Homem em Dez Dias” e “Três Mulheres, Três Amores”. Com uma mistura irresistível de graça e ternura, o diretor garante um resultado que se aproxima não de “Casamento Grego”, mas de filmes como “Sob o Sol da Toscana”. Pode-se dizer que assim como Frances (personagem de Diane Lane), Georgia descobrirá através das adoráveis pessoas que a cercam transitando nas maravilhosas ruínas da Grécia que é preciso somente um pouco de otimismo para ver que a felicidade que sempre procura está ao seu redor – ou seguindo a tradição grega, a recuperação do seu kefi.

Título Original: My Life in Ruins
Ano de Produção: 2009
Direção: Donald Petrie
Elenco: Nia Vardalos, Alexis Georgoulis, Richard Dreyfuss, Alistair McGowan, Harland Williams, Rachel Dratch, Caroline Goodall, Ian Ogilvy, Sophie Stuckey, María Adánez, Brian Palermo, Jareb Dauplaise, Simon Gleeson, Natalie O’Donnell, Ian Gomez e Rita Wilson.
Nota: 8.0

Resenha Crítica | Salve Geral (2009)

Salve GeralAssim como ocorrido em “Última Parada 174”, de Bruno Barreto, “Salve Geral”, o mais recente longa-metragem de Sérgio Rezende (“O Homem da Capa Preta”, “Zuzu Angel”), acabou sendo massacrado pela crítica e público brasileiro por ser anunciado pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura como o filme a representar o Brasil no Oscar 2010. Entre os outros pré-finalistas que também concorriam a essa chance estavam “Besouro”, “Budapeste”, “O Contador de Histórias”, “Feliz Natal”, “A Festa da Menina Morta”, “Jean Charles”, “O Menino da Porteira“, “Se Nada Mais Der Certo” e “Síndrome de Pinnochio – Refluxo”.

A razão pela elaboração do massacre verbal é uma só: “Salve Geral” é mais um produto audiovisual a exportar a violência presente no cotidiano brasileiro. Mas não é bem por aí. A verdade é que o espectador ainda esta convicto de que a nossa indústria de cinema prossegue com relatos ficcionais sobre a sórdida situação que sempre tomou a nossa sociedade. O retrato que “Salve Geral” tece sobre os incidentes comandados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) pode até não se desviar dessa impressão em um primeiro momento. Mas Rezende, com sua ampla experiência como cineasta, conduz o seu projeto para outros caminhos com a tensão que somente ele sabe produzir.

O drama acompanha Lucia (interpretada por Andréa Beltrão), viúva que se muda com o seu filho Rafael (Lee Thalor) para um bairro modesto de São Paulo por causa da grana curta. Se as aulas de piano que realiza já não são um problema pela falta de alunos as coisas em sua vida se agravam quando o seu filho é preso por cometer um assassinato após uma confusão que se envolveu em um racha. “Minha vida foi destruída em quinze segundos”, diz Rafa na prisão em uma das visitas que Lucia faz.

Como boa mãe, claro, resta a Lucia fazer tudo ao seu alcance para garantir a liberdade de seu filho ou ao menos reduzir a sua pena. Mas as decisões que comete são arriscadas. Mesmo formada em Direito ela nunca exerceu a carreira, tendo que contar com os auxílios da advogada de porta de cadeia Ruiva (Denise Weinberg, em forte desempenho). No entanto, Ruiva está ligada ao PCC, fornecendo as mais diversas informações a alguns líderes e integrantes do partido reclusos na mesma penitenciária que Rafa. Não tenho outra escolha para libertar o seu filho, Lucia se envolve nestas conspirações de presidiários contra as autoridades e com um amor bandido, o Professor (Bruno Perillo).

O que “Salve Geral” realiza é a fusão dessa premissa fictícia com “O Dia em que São Paulo Parou”. Neste caso, se trata do Dia das Mães do ano de 2006, onde presos provocaram o terror na capital paulista ao receberem indulto. O resultado concebido pela facção criminosa foi catastrófico: ônibus incendiados, bancos e comércios de cada bairro paulistano destruídos e a morte de dezenas de pessoas. Este acontecimento é registrado com precisão pelas câmeras de Rezende através do caos provocado na data comemorativa e o deserto que se tornou São Paulo no dia posterior aos ataques. Mas o que se destaca é a luta de uma mãe pelo seu filho no centro deste pânico. A dor de Lucia é a mesma de tantas mães certamente sentiram naquele dia de horror. E isto é o que diferencia “Salve Geral” do ingratos comentários.

Título Original: Salve Geral
Ano de Produção: 2009
Direção: Sérgio Rezende
Elenco: Andréa Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor, Bruno Perillo, Eucir de Souza, Kiko Mascarenhas, Michel Gomes, Giulio Lopes, Guilherme Sant’anna, Julio Cezar e Chris Couto.
Cotação: 4 Stars

Resenha Crítica | Primavera Maluca (2009)

Spring Breakdown, de Ryan Shiraki

Continua rendendo frutos a modesta premissa da divertida comédia “Romy e Michele”, aquela comédia de 1997 estrelada por Mira Sorvino e Lisa Kudrow. Um exemplo é este recente “Primavera Maluca”, segundo longa-metragem de Ryan Shiraki lançado diretamente em DVD no Brasil e nos Estados Unidos. Ambas as histórias se apresentam com situações semelhantes e há até mesmo um grande momento musical, pois enquanto Romy e Michele dançavam ao som de “Time After Time”,  Becky (Parkey Posey), Gayle (Amy Poehler) e Judi (Rachel Dratch, também responsável pelo argumento) cantam na sequência de créditos iniciais “True Colors”, outro grande sucesso de Cindy Lauper.

Mas não é tudo parecido. Acontece que essas três grandes amigas também tinham uma vida colegial fracassada. Mas agora, com aproximadamente trinta e cinco anos, elas encontrarão a chance de dar a volta por cima quando uma delas, Becky, é submetida pela sua chefe, a senadora Kay Bee (a sempre impagável Jane Lynch), a vigiar a sua filha (papel de Amber Tamblyn) nas pequenas férias escolares de primavera para que nada de escandaloso aconteça a ela ao ponto de comprometer a sua reputação em vésperas de eleição.

A razão de só agora tentarem se tornar populares diante de pessoas bem mais jovens se dá através de incidentes engraçados: Becky acabou de perder o seu gato de estimação e único companheiro; Gayle está em baixa com a sua vida amorosa, sendo rejeitada até mesmo por um cego; e Judi está prestes a se casar com um homem ideal, mas que descobre de tratar de um gay.

Repleto de situações simplesmente hilariantes, “Primavera Maluca” trabalha com aquele velho tema de personagens que se descobrem losers e que só escaparão desta situação ao reconhecerem os seus próprios valores. O trabalho de todo elenco é ótimo, com todas se entregando sem reservas a favor dos risos, ainda que o trabalho de direção de Ryan Shiraki resulte desleixado.

Resenha Crítica | Honeydripper – Do Blues ao Rock (2007)

Honeydripper - Do Blues ao Rock
O americano de cinquenta e nove anos John Sayles é bem reconhecido dentro do circuito independente. Também roteirista e editor dos seus próprios filmes, foi indicado ao Oscar em duas ocasiões com os argumentos de “Tudo Pela Vida” e “Lone Star”. Ainda assim, não demonstra na direção a mesma desenvoltura que tem ao escrever como é bem comprovado em “Honeydripper – Do Blues ao Rock”.

O filme acompanha Tyrone Purvis (Danny Glover) no Alabama da década de 1950. O título do filme, “Honeydripper”, é aquele que também leva o bar no qual administra. E ele está em uma fase de vacas magras, pois não tem dinheiro para arcar com as dívidas que o seu negócio rende. A saída que encontra é a de programar com um celebrado guitarrista de blues uma apresentação. Não é o que acontece, mas a passagem do jovem sem rumo que porta uma guitarra elétrica Sonny (Gary Clark Jr., em sua estreia nos cinemas) o fará executar uma farsa para o bem dos investimentos.

Deste ponto em diante, “Honeydripper – Do Blues ao Rock” só se desenrola através do plano de Tyrone. Nada mais. Bem, na verdade o roteiro de John Sayles arma alguns conflitos em ligação da situação de intolerância vivida pelos negros naquela época, como daqueles jovens presos sem motivo aparente que sobreviam através da miséria que recebiam com a colheita de algodão. Só que o drama se preocupa mais com os problemas do protagonista, nos implorando por paciência diante de quase duas horas para a concretização do trunfo reservado para o desfecho.

Título Original: Honeydripper
Ano de Produção: 2007
Direção: John Sayles
Elenco: Danny Glover, Lisa Gay Hamilton, Yaya DaCosta, Charles S. Dutton, Vondie Curtis-Hall, Gary Clark Jr., Mable John, Stacy Keach, Sean Patrick Thomas, John Sayles e Mary Steenburgen.
Nota: 3.0

Atrizes

Atrizes | ActricesNem mesmo o Festival de Cannes, um dos maiores eventos cinematográficos anuais que existe, está imune de cometer vacilos. Isto porque “Atrizes”, drama cômico francês produzido em 2007, foi o grande vencedor da mostra Um Certo Olhar, categoria ao qual o bem comentado “Kynodontas” saiu consagrado neste ano. Trata-se do segundo filme de Valeria Bruni Tedeschi (o primeiro, “Il est plus facile pour un chameau…”, ainda permanece inédito no circuito nacional), que pode ser vista como intérprete em filmes como “O Amor em Cinco Tempos” e “Um Casal Perfeito”, além dos americanos “Um Bom Ano” e “Munique”.

Como protagonista (Valerie também é roteirista e montadora) ela vive Marcelline, uma atriz com aproximadamente quarenta anos que ainda não realizou o seu sonho: o de ser esposa e principalmente mãe. O problema é que ela está naquela idade que começa a dificultar as possibilidades para uma mulher engravidar, conforme orienta sua ginecologista (Souzan Chirazi). O seu estado é tão desesperador que até promessas ela realiza, que é o de trocar a sua fama e fortuna por filho e marido. Como contraponto a esta personagem, “Atrizes” também destaca Nathalie (Noémy Lvovsky), mulher que também se dedica a vida artística e infeliz diante da vida familiar.

“Atrizes” se move a partir de situações tragicômicas, aquelas onde se faz humor diante da infelicidade de seus personagens. Mas um toque sinistro é acrescentado ao argumento, já que aos poucos Marcelline é assombrada por Natalia Petrovna (participação especial de Valeria Golino), que na verdade é a personagem que interpreta na peça de teatro que atualmente trabalha. Só é uma pena que nesta alternância entre drama e humor, real e imaginário, nada suficientemente interessante é extraído, embora seja inegável o talento de Valeria Bruni Tedeschi no que se diz respeito aos posicionamentos de câmeras e a sua feliz decisão referente ao apelo internacional de sua obra através de canções como “I Will Survive” (cantada pelo elenco) e “In The Mood” (com as vozes adoráveis das “The Puppini Sisters“).

Título Original: Actrices
Ano de Produção: 2007
Direção: Valeria Bruni Tedeschi
Elenco: Valeria Bruni Tedeschi, Noémie Lvovsky, Louis Garrel, Mathieu Amalric, Marysa Borini, Maurice Garrel, Bernard Nissile, Olivier Rabourdin, Laetitia Spigarelli, Gilles Cohen, Souzan Chirazi e Valeria Golino.
Cotação: 2 Stars

Entre os Muros da Escola

Entre os Muros da Escola
Foi com “Ao Mestre, Com Carinho”, com Sidney Poitier, que começou a ser comum no cinema a produção de filmes onde o personagem central fosse um professor, embora antes já tenham sido realizadas obras como “O Anjo Azul”, de Josef von Sternberg. “Mr. Holland – Adorável Professor”, “Sociedade dos Poetas Mortos”, “O Clube do Imperador” e o recente “Escritores da Liberdade” são só alguns dos vários títulos que podem ser encontrados. Nesta linha, também temos o francês “Entre os Muros da Escola”, mas se enganam aqueles que aguardam por um convívio entre mestres e alunos com direito a mensagem edificante.

Este vencedor da Palma de Ouro ano passado em Cannes é a adaptação de um livro de François Bégaudeau, que aqui surge como protagonista interpretando uma versão de si mesmo. Ele leciona a matéria de língua francesa para alunos do Ensino Médio de uma escola pública em Paris. O foco recaiu somente a uma turma de alunos durante um ano. Não há qualquer interferência neste relato, como a vida particular de seus personagens fora da área escolar. Conflitos se iniciam quando os alunos, muitos de origens distintas, protagonizam desentendimentos por diversos motivos, como o total desinteresse com o quanto eles podem se desenvolver através dos estudos ou o estímulo que não recebem de seus pais.

O que garante em “Entre os Muros da Escola” um incômodo realismo é o fato de todos os intérpretes, que não são profissionais, resgatarem as suas próprias experiências profissionais ou da vivência escolar a favor do drama. Ou seja: além de François Bégaudeau, o elenco adolescente é formado de fato por alunos da rede pública. O mais doloroso, entretanto, é testemunhar uma encenação que é puro reflexo de hoje. Não há mais respeito dos alunos para com os seus professores, o que transforma uma sala de aula em um cenário de guerra verbal. Só que uma grande parcela do público, como os brasileiros que também concluíram os seus estudos em rede pública, provavelmente se recordarão que o que é visto em sala de aula é ainda mais sórdido e absurdo em comparação com “Entre os Muros da Escola”.

Título Original: Entre les Murs
Ano de Produção: 2008
Direção: Laurent Cantet
Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela, Cherif Bounaïdja Rachedi, Juliette Demaille, Dalla Doucoure, Arthur Fogel. Damien Gomes, Louise Grinberg, Qifei Huang. Wey Huang, Franck Kelta, Henrietta Kasaruhanda, Lucie Landrevie, Agame Malembo-Emene, Rabah Naît Oufella, Carl Nanor, Esmerálda Ouertani, Burak Özyilmar, Eva Paradiso, Rachel Régulier, Angélica Sancio, Boubacar Thouré, Justine Wu, Jean-Michel Simonet, Vincent Caire, Olivier Dupeyron, Patrick Dureuil, Frédéric Faujas, Dorothée Guilbot e Cécile Lagarde
Nota: 7.5

Resenha Crítica | A Montanha Enfeitiçada

A Montanha Enfeitiçada | Race to Witch Mountain  Parece que Dwayne Johnson deu adeus aos tempos onde se apresentava em um filme como The Rock. Antes de ser revelado ao público antenado em cinema, The Rock foi um dos lutadores profissionais da World Wrestling Entertainment. Com a sua popularidade, foi convidado para ser o temível Mathayus em “O Retorno na Múmia”, reprisando posteriormente o mesmo personagem em “O Escorpião Rei”. Deste ponto em diante, as comparações com Arnold Schwarzenegger não foram poucas. Por terem carreiras parecidas, muitos apostaram que The Rock seria aquele que roubaria a vaga deixada por Schwarzenegger como o astro de filmes de ação. Vale lembrar que ambos chegaram a dividir a cena rapidamente no fiasco “Bem-Vindo a Selva”. A sorte é que Dwayne Johnson está trilhando um caminho diferente.

“A Montanha Enfeitiçada”, refilmagem da produção de 1975 adaptada do livro de Alexander Key, é a prova de que o também ator de “Agente 86” está aplicando o seu carisma em personagens de filmes voltados ao público jovem. A premissa é direta. Ela acompanha o motorista de táxi de Las Vegas Jack Bruno (Dwayne Johnson), que tem uma habilidade nata com o seu ofício, é solitário e tem a ficha suja na polícia por causa do seu trágico passado. A presença dos irmãos Seth (o insosso Alexander Ludwig, de “Os Seis Signos da Luz”) e Sara (AnnaSophia Robb, de “A Colheita do Mal“) vai dar uma agitada na vida do protagonista boa-praça, pois eles se apresentam como alienígenas de passagem pelo planeta Terra para salvá-lo. Mas eles devem ir à Montanha Enfeitiçada, situada em Nevada.

O interessante dessa produção Disney dirigida por Andy Fickman (dos ótimos “A Loucura de Mary Juana” e “Ela é o Cara” e que também trabalhou com Dwayne Johnson no sucesso “Treinando o Papai”) é que, ao contrário do que se esperava, não se trata de uma aventura destinada ao público infantil. Para falar a verdade, “A Montanha Enfeitiçada” é conduzido com bastante seriedade, pois há mais espaço para correria do que para piadas. Mesmo esquecível, a produção é caprichada e a presença da atriz Carla Gugino confere harmoniosidade na interação com o elenco central.

Título Original: Race to Witch Mountain
Ano de Produção: 2009
Direção: Andy Fickman
Elenco: Dwayne Johnson, Carla Gugino, AnnaSophia Robb, Alexander Ludwig, Ciarán Hinds, Tom Everett Scott, Chris Marquette, Billy Brown, Kim Richards e Garry Marshall.
Cotação: 3 Stars

Uma Noite no Museu 2

Uma Noite no Museu 2 | Night at the Museum: Battle of the SmithsonianO canadense Shawn Levy tem uma filmografia repleta de títulos bem-sucedidos diante do público. O melhor entre eles é “Uma Noite no Museu“, a divertida aventura cômica produzida em 2006 com Ben Stiller liderando o elenco. Com o sucesso extraordinário na bilheteria mundial (mais de 570 milhões) a sequência foi planejada às pressas pela Fox. O resultado continua divertido, só que a impressão de que “Uma Noite no Museu 2” é desnecessário é uma constante.
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Agora, Larry Daley (Ben Stiller) não é mais aquele vigia noturno do filme anterior. A experiência no ofício o fez ser dono de seu próprio negócio. Embora não admita, ele sente saudades dos tempos que antecedem a sua ascensão profissional. E isto o motiva a retornar ao Museu de História Natural, cenário do filme original, para salvar todo o patrimônio histórico que ganha vida de noite. Eles serão substituídos por mecanismos que interagem com os visitantes e, assim, são levados ao Instituto Smithsonian. O problema é que despertou o terrível faraó Kahmunrah (Hank Azaria, sempre hilário), que planeja abrir um portal qua trará a sua tropa morta em combate no Antigo Egito. Amelia Earhart (Amy Adams), grande nome da aviação, o ajudará a impedir este feito.
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Ao contrário do filme anterior, movimentado e engraçado do início ao fim, “Uma Noite do Museu 2” é arrastado ao apresentar a situação atual de Larry e a premissa da aventura que ele embarcará. Além do mais, existe um incrível desperdício de elenco. Robin Williams, que novamente vive Teddy Roosevelt, tem somente três breves aparições – uma delas se dá com o uso de efeitos especiais. Outros problemas, que se apresenta repetidas vezes na primeira hora, são aquelas piadas que se alongam mais do que deveria, se sucedendo da pior forma com a presença do insosso Jonah Hill, que nem é creditado no filme. A boa notícia é que o filme adquire fôlego nos minutos finais. Mesmo, esses momentos de humor emperrado são compensados por alguns truques interessantes, como a interação dos personagens centrais com aqueles pintados ou fotografados em quadros e o divertido efeito que traz Al Capone (Jon Bernthal) e a sua gangue em preto e branco.
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Título Original: Night at the Museum: Battle of the Smithsonian
Ano de Produção: 2009
Direção: Shawn Levy
Elenco: Ben Stiller, Amy Adams, Owen Wilson, Hank Azaria, Robin Williams, Christopher Guest, Alain Chabat, Steve Coogan, Ricky Gervais, Bill Hader, Jon Bernthal, Patrick Gallagher, Jake Cherry, Rami Malek, Mizuo Peck e Jonah Hill.
Cotação:
3 Stars

[Revisão] Halloween – O Início (Versão do Diretor)

Halloween - O Início
Chegou com muito atraso no mês de julho “Halloween – O Início”, refilmagem de uma das obras mais cultuadas de John Carpenter, um terror modesto de 1978 estrelada por Jamie Lee Curtis e Donald Pleasence. Mas a fita aterrissou em circuito nacional acompanhada de uma grande polêmica: foi exibida uma versão somente com oitenta e três minutos de duração para obter a leve censura de catorze anos, com a descrição de conter agressão física e assassinato. A versão original pegaria dezoito anos acompanhada com o aviso de apresentar suicídio, crueldade e assassinato.

Depois desses cortes, que nem Michael Myers seria capaz de executar com apunhaladas contra suas vítimas, temos ao todo quatro versões existentes. A primeira, que foi comentada pelo Cine Resenhas em março deste ano (leia aqui), continha um desfecho distinto da segunda versão lançada nos cinemas americanos em 2007. O motivo: a versão avaliada pelo blog foi aquela que vazou na Internet momentos antes da estreia. Assim, Rob Zombie teve que fazer os ajustes o mais depressa possível. Ajustes estes que foram bem-vindos e que estão presentes na versão do diretor, que agora iremos comentar. Mas também tempos a quarta versão lançada nos cinemas brasileiros, que é lamentável, pois excluiu todas as sequências de puro horror. No entanto, internautas afirmam que a versão já disponível nas locadoras em DVD da Playarte confere a versão completa do filme, que tem a duração aproximada de cento e nove minutos.

O que diferencia a versão de Rob Zombie lançada no mercado americano das demais é que prevalece o conceito do clássico original, mas de uma maneira bem curiosa. O antigo Michael Myers era, nas palavras do detetive Sam Loomis, “simplesmente o mal personificado”. Na refilmagem esta descrição é mantida, mas preferiu-se realizar um perfil psicológico mais complexo para esta figura eterna do cinema de horror. Na trajetória sanguinolenta cujo destino é o reencontro com a sua irmã Laurie Strode (encarnada desta vez por Scout Taylor-Compton) o que também é trabalhado é a relação da família ser a primeira fonte a influenciar a conduta de um dos membros. Myers, no caso, tinha uma família composta por uma stripper, um pai alcoólatra e uma vadia irmã mais velha. Mas havia também mais uma irmã, que ainda era um bebê. Atualmente, já na pós-adolescência, Laurie é a única pessoa a produzir algum elo de bondade com Michael Myers. Esta reflexão eleva a potência do seu terceiro ato, nesta versão ele é de fato aterrador, e nos faz também chegar ao consenso de que por mais divertidas e despretensiosas possam ser os filmes de terror eles não têm nada de ingênuos.

Título Original: Halloween
Ano de Produção: 2007
Direção: Rob Zombie
Elenco: Tyler Mane, Malcolm McDowell, Scout Taylor-Compton, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie, William Forsythe, Danielle Harris, Danny Trejo, Hanna Hall, Bill Moseley, Brad Dourif, Udo Kier, Daryl Sabara, Sybil Danning, Sid Haig, Pat Skipper e Dee Wallace.
Nota: 8.0