Tony Manero

Tony ManeroQualquer um que esbarrar no filme chinelo “Tony Manero” sem ter conhecimento da sinopse pode muito bem associá-lo com um filme alternativo razoavelmente descompromissado. Afinal, Tony Manero é o nome do personagem de “Os Embalos de Sábado à Noite”, incorporado por um John Travolta que subiu ao posto de astro de Hollywood. As aparências, obviamente, enganam.

A história de Raúl Peralta (Alfredo Castro, em um desempenho assombroso que merece ser descoberto) se passa não somente nos anos da ditadura de Pinochet, mas também no lançamento explosivo da obra cinematográfica filmada por John Badham 1977. Desta forma, Raúl passeia tanto pelos cenários urbanos marcados pelos horrores políticos quanto no cinema para rever pela milésima vez “Os Embalos de Sábado à Noite” e o palco do salão que administra para mostrar ao público a coreografia exata de Tony Manero, executada com imperfeição pelas limitações que a idade causa na sua própria estrutura física.

Conhecemos o íntimo desse personagem quando surgem as metas de reproduzir a coreografia de Manero em cima do mesmo piso iluminado e de participar de um concurso televisivo que elegerá o melhor Tony Manero chileno. É daí que surge o Raúl psicopata, que mata todos que de certa forma interferem em sua obsessão, como o casal de idosos gerentes do mesmo cinema que retira de cartaz “Os Embalos de Sábado à Noite” para exibir outro fenômeno com John Travolta, “Grease – Nos Tempos da Brilhantina”, de 1978. É fascinante acompanhar esse personagem frio, por vezes desprezível, mas humano e que a sua maneira provoca empatia. Pena que todos os outros personagens, sem qualquer exceção, sejam unidimensionais, compostos sem interesse.

Título Original: Tony Manero
Ano de Produção: 2008
Direção: Pablo Larrain
Elenco: Alfredo Castro, Paola Lattus, Héctor Morales, Amparo Noguera e Elsa Poblete.
Cotação: 3 Stars

Marido Por Acaso

Marido por AcasoDizem as atrizes de Hollywood que bastam completarem quarenta anos para os bons roteiros ficarem cada vez mais raros de caírem em seus colos, já que as jovens atrizes passam a ser as mais requisitadas. Uma Thurman será quarentona neste ano, mas é possível notar que após os dois volumes de “Kill Bill” a carreira da atriz parou de engrenar. “Marido por Acaso” é mais um filme insosso em sua filmografia. Seria triste se não testemunhássemos que, na verdade, é tudo questão de péssima escolha, pois essa nova investida do ator Griffin Dunne na direção conta com a produção da loura.

A história, de tão previsível e mal acabada, chega a ser triste. Uma Thurman é Emma Lloyd, uma famosa consultora sentimental que trabalha como locultora em uma estação de rádio. A ouvinte Sofia (Justina Machado) toma coragem ao ponto de ligar para Emma e pedir conselhos sobre se deve ou não casar, pois acredita que será uma atitude precipitada se fazê-lo. A decisão? Sofia acaba de uma vez por todas o relacionamento com o simpático bombeiro Patrick (Jeffrey Dean Morgan). Como vingança, o abatido herói faz com que seu vizinho hacker invada uma rede de documentos e altere os dados de Emma, colocando-a como esposa dele. A atitude coincide com o lançamento do livro de auto-ajuda de Emma e o seu casamento com o editor Richard (Colin Firth). Ao correr atrás do sujeito para reparar o erro, Emma acaba fazendo com que seus sentimentos se confundam ao ponto de ter um caso com aquele que deseja puní-la. O restante é trivial.

Título Original: The Accidental Husband
Ano de Produção: 2008
Direção: Griffin Dunne
Elenco: Uma Thurman, Jeffrey Dean Morgan, Colin Firth, Sam Shepard, Lindsay Sloane, Justina Machado, Ajay Naidu, Jeffrey Tedmori, Brooke Adams, Keir Dullea e Isabella Rossellini.
Cotação:  bomb

Resenha Crítica | O Visitante (2007)

O VisitanteIntérprete secundário em filmes recentes como “Um Olhar do Paraíso” e “Amor Pra Cachorro“, o americano Thomas McCarthy também se mostrou colaborativo dentro do cinema independente. O seu primeiro esforço se deu em “O Agente da Estação”, um filme acima da média. Em “O Visitante”, filme que rendeu ao impecável veterano Richard Jenkins uma indicação ao Oscar de melhor ator, o resultado de seu trabalho é ainda melhor.

Também responsável pelo roteiro original, McCarthy faz de Walter Vale (Richard Jenkins) um velho professor universitário solitário e de vida entediante com a morte de sua esposa. Convocado para apresentar uma breve conferência em Nova York, Walter, que vive em Connecticut, se depara com um casal de imigrantes ilegais em um apartamento que comprou e que há anos não se hospeda. Generoso, oferece o local para que eles possam viver até encontrar um novo lar. É assim que Walter passa a conhecê-los melhor.

Tarek Khalil (Haaz Sleiman), sírio, é com quem Walter passa a maior parte do tempo em sua breve estada em Nova York, aprendendo com o jovem músico a tocar tambor africano. Já a namorada dele, a senegalesa Zainab (Danai Gurira), trabalha com a venda de artigos artesanais em uma feira. O drama se instala quando Tarek é banido pela polícia dentro de uma estação de metrô. Preso por não ter visto de permanência dentro do país, resta a Walter lutar para que este que se tornou seu amigo não seja deportado.

Com as marcas eternas deixadas pelo 11 de Setembro, “O Visitante” abre amplo espaço para discussão sobre a situação de imigrantes após o ataque terrorista. No entanto, Thomas McCarthy se propõe mais em realçar os dramas de Walter, que em determinado instante já não tem receios de admitir uma existência recheada de fracassos pessoais, como por exemplo a profissão que julga banal. Outro aspecto que deve ser notado, além da participação extraordinária da atriz israelense Hiam Abbas, é o poder da música na trajetória de seus principais personagens, que também é valorizada pela comovente trilha-sonora de Jan A.P. Kaczmarek.

Título Original: The Visitor
Ano de Produção: 2007
Direção: Thomas McCarthy
Elenco: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Danai Gurira, Marian Seldes, Maggie Moore, Michael Cumpsty, Richard Kind e Hiam Abbas.
Cotação: 4 Stars

Pagando Bem, Que Mal Tem?

Pagando Bem, Que Mal Tem?Mesmo não tenho mais o prestígio dos tempos de “Procura-se Amy”, Kevin Smith tem mantido a própria carreira ativa dirigindo outros filmes com renda regular nas bilheterias e indo um pouco além de Silent Bob, atuando em filmes como “Duro de Matar 4.0” e “Pegar e Largar”. “Pagando Bem, Que Mal Tem?” é mais um filme similar entre os mais recentes de Smith, sendo divertido enquanto dura e esquecível quando termina.

A história se resume nos problemas financeiros de Zack (Seth Rogen, o comediante mais superestimando da atualidade) e Miri (Elizabeth Banks, excelente atriz que está longe de apresentar o seu melhor nesta comédia) e a ideia que eles têm de driblar as dívidas, sendo de fazer cinema pornô com os mais precários dos recursos.

Como era de se esperar de tal premissa, a comédia é uma tremenda baixaria, o que fez que o filme não tivesse boa acolhida do público por causa de costumeiras barreiras de censura. O irônico é que a maioria das piadas funcionam mais para o público adolescente do que para a classificação indicativa. Outro fator que incomoda é o pouco rendimento do excelente elenco de apoio. Com personagens que se destacam, digamos, pelas suas “excentricidades”, Smith dá preferência para o romance que aparece entre os melhores amigos protagonistas.

Título Original: Zack and Miri Make a Porno
Ano de Produção: 2008
Direção: Kevin Smith
Elenco: Elizabeth Banks, Seth Rogen, Craig Robinson, Gerry Bednob, Jason Mewes, Jennifer Schwalbach Smith, Tom Savini, Anne Wade, Brandon Routh e Justin Long.
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | Vitus (2006)

VitusO veterano Fredi M. Murer é um cineasta nada conhecido entre os americanos e especialmente entre os brasileiros, tendo realizado longas e documentários nunca lançados por aqui. O drama com pitadas cômicas “Vitus”, uma produção de 2006, reverte um pouco o quadro, tendo vida discreta em circuito alternativo. Ele também trás uma história que merece ser conferida.

Trata-se de um menino de seis anos chamado Vitus, nesta fase interpretado por Fabrizio Borsani. Ele é o extremo de garoto prodígio, tocando Mozart, Bach e Schumann como poucos adultos conseguiriam e dotado de uma inteligência fora do comum. Porém, o nosso protagonista chega aos doze anos (agora encarnado por Teo Gheorghiu) triste em ver que os seus talentos afastam ao invés de atrair amigos. Assim, ele acaba simulando voo em plena madrugada de seu quarto localizado no último andar de sua casa com acessórios de piloto, resultando em uma queda que, com a batida de sua cabeça, o faz perder todas as notáveis habilidades, para desespero de seus pais (papéis de Julika Jenkins e Urs Jucker).

Com as câmeras de Fredi M. Murer destacando mais esse momento, vemos o personagem finalmente descobrindo alguns prazeres da vida que cabem na sua idade através de seu avô conselheiro (o sempre competente Bruno Ganz), como a amizade e o amor (Vitus é apaixonado por sua antiga babá, que tem quase o dobro de sua idade). Pena que a impressão que se cria com este ato do filme é que é a antipatia de Vitus que afasta as pessoas que ele deseja estarem ao seu redor, e não propriamente os seus dons. Trata-se de um personagem que se torna muito chato com a qual dificilmente o público passará a se identificar, o que prejudica a moral de que o amadurecimento deve seguir o seu curso natural.

Título Original: Vitus
Ano de Produção: 2006
Direção: Fredi M. Murer
Elenco: Teo Gheorghiu, Fabrizio Borsani, Julika Jenkins, Urs Jucker, Tamara Scarpellini, Kristina Lykowa. Eleni Haupt e Bruno Ganz.
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | A Mulher Invisível (2009)

A Mulher InvisívelCláudio Torres teve com o seu “Redentor” críticas positivas quase unânimes por parte da imprensa especializada. A carreira do filme nos cinemas se mostrou contra qualquer expectativa dos distribuidores, entretanto. Posteriormente, realizou a comédia popular “A Mulher do Meu Amigo”, mas eis que novamente amarga um fracasso. Só com “A Mulher Invisível”, o seu quarto filme como diretor (sua estreia aconteceu com um dos segmentos de “Traição”, produção de 1998), o sucesso lhe apareceu. Que fique claro que a conquista obtida se diz respeito em termos de bilheteria, já que “A Mulher Invisível” se mostra bem enfadonho, mesmo com uma ou outra cena cômica.

A comédia inicia no exato momento onde Marina (Maria Luisa Mendonça), grávida de seu amante, abandona o marido Pedro (Selton Mello). Sem reação, o nosso protagonista nada mais faz do que se manter recluso de tudo e de todos por meses em seu apartamento. A sua existência só volta a fazer sentido quando aparece em sua porta a vizinha Amanda (Luana Piovani) pedindo uma xícara com açúcar. Considerando-a a mulher perfeita, Pedro não demora para engatar um namoro. O agito começa quando a outra vizinha Vitória (Maria Manoella) pretende decretar a atração secreta que tem por Pedro assim que seu marido morre e quando ela, junto com a sua irmã grávida Lucia (Fernanda Torres), descobre que Amanda não passa de um fruto da imaginação do sujeito.

Dá para notar certo apelo por fitas americanas do gênero no desenvolvimento de “A Mulher Invisível”. As sequências noturnas onde Pedro sai com Amanda para jantares românticos e para o cinema são típicas de besteirol. Mesmo assim, “A Mulher Invisível” vai seguindo tranquilamente até a primeira hora. Os instantes finais são os que prejudicam radicalmente o resultado. Sem mais nem menos, Cláudio Torres repete a mesma premissa, substituindo Amanda pela Vitória para viver a vizinha perfeita da vez, com o diferencial desta de fato existir – e com quem Pedro acredita ser outra personagem de sua imaginação, já que ele nunca deu bolas para a sua vizinha de anos. No meio dessa longa repetição só mesmo Fernanda Torres com suas intervenções e com os conselhos “cabeludos” que dá para a sua irmã para valer o programa.

Título Original: A Mulher Invisível
Ano de Produção: 2009
Direção: Cláudio Torres
Elenco: Selton Mello, Luana Piovani, Maria Manoella, Vladimir Brichta, Fernanda Torres, Paulo Betti, Lúcio Mauro e Maria Luisa Mendonça.
Cotação: 2 Stars

A Saga Crepúsculo: Lua Nova

A Saga Crepúsculo: Lua NovaAntes do lançamento de “Crepúsculo” nos cinemas, os romances desta saga escrita por Stephenie Meyer foi um discreto sucesso, sendo adquirido por meros curiosos em relação da adaptação para cinema ou mesmo fãs de contos protagonizados por vampiros e até mesmo lobisomens. Uma semana com o filme em exibição foi o suficiente para que as garotas sonhassem ser Bella (Kristen Stewart) e ter um príncipe vampiro como Edward Cullen (Robert Pattinson) para protagonizarem um final feliz. Apesar do romance açúcarado até dizer chega, a cineasta Catherine Hardwicke, que é bem antenada ao universo jovem como bem comprovado nos ótimos “Aos Treze” e “Os Reis de Dogtown”, fez um trabalho interessante. Ao contrário de de Chris Weitz, o diretor do segundo episódio da “Saga Crepúsculo”, “Lua Nova”.

Praticamente coadjuvante, Robert Pattinson cede a vez para Taylor Lautner ter os seus momentos como Jacob Black. É para os braços desse que Bella corre quando leva um ótimo fora de Edward, já que o vampiro galenteador assegura que foi uma decisão tomada para o bem da garota que se revela perturbada nas inúmeras noites mal dormidas. E haja tímpanos para aturar tantos gritos histéricos! O que ela não sabe é que Jacob é um lobisomem, típico inimigo dos sanguessugas. Com mais de duas horas de metragem, o episódio só ganha fôlego lá para o segundo round, quando o encontro com os Volturi está próximo de ser selado, uma família real de vampiros de vive em Volterra, Itália.

O grande mal desse “Lua Nova” é converter em desastre aquela que era a qualidade de “Crepúsculo”, sendo o retrato modesto em tons fantásticos que realiza do surgimento do amor na vida adolescente e o quanto essa fase é tão conturbada. Sem o manejo que Catherine Hardwicke tem neste sentido, Chris Weitz dá continuidade a narrativa de forma para lá de irritante. Ser bombardeado com românticas frases de efeito como “O mundo não possui nenhum interesse para mim sem você” é o mais puro presente de grego. Talvez o único instante que possa ser registrado na memória é a impactante aparição de Victoria, vivida de forma marcante por Rachelle Lefevre e que infelizmente será substituída por Bryce Dallas Howard na próxima aventura. Nem dá para aguardar com ansiedade “Eclipse”, mesmo sendo considerado o melhor dos livros da “Saga Crepúsculo”.

Título Original: The Twilight Saga: New Moon
Ano de Produção: 2009
Direção: Chris Weitz
Elenco: Kristen Stewart, Taylor Lautner, Robert Pattinson, Billy Burke, Ashley Greene, Anna Kendrick, Christian Serratos, Michael Welch, Justin Chon, Jackson Rathbone, Cam Gigandet, Michael Sheen, Jamie Campbell Bower, Christopher Heyerdahl, Peter Facinelli, Daniel Cudmore, Charlie Bewley, Rachelle Lefevre, Elizabeth Reaser, Kellan Lutz, Nikki Reed, Gil Birmingham, Dakota Fanning e Cameron Bright.
Cotação: 2 Stars

Um Olhar do Paraíso

Um Olhar no ParaísoFilmando e lançando cada um dos três longos episódios que compõem “O Senhor dos Anéis” e com a atualização de “King Kong”, o seu projeto mais pessoal, se tornando realidade, “Um Olhar do Paraíso” foi relacionado durante esse período como um dos projetos futuros de Peter Jackson. Com isso, essa adaptação de “Uma Vida Interrompida – Memórias de um Anjo Assassinado”, da escritora Alice Sebold, tornou-se um projeto cercado por expectativas, pois Peter Jackson além de se consagrar com os títulos mais indispensáveis da década passada também foi laureado com uma estatueta de melhor diretor por “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”.

A narrativa se empenha em acompanhar a pequena Susie Salmon (Saoirse Ronan, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por “Desejo e Reparação” e que teve desempenho excepcional em “Atos que Desafiam a Morte”) após o seu assassinato. É no paraíso onde Susie vê os desdobramentos das investigações sem resultados da procura pelo seu cadáver, pois o psicopata que a matou, George Harvey (Stanley Tucci), nada mais é do que o pacífico vizinho da rua ao lado. Porém, o maior interesse de Susie é no choque que o seu desaparecimento provocou ao seu pai Jack (Mark Wahlberg, substituindo Ryan Gosling) sua mãe Abigail (Rachel Weisz), sua avó Lynn (Susan Sarandon) e seus irmãos Buckley e Lindsey (papéis de Christian Thomas Ashdale e Rose McIver).

Pode-se afirmar que acompanhar é a única pretensão de Peter Jackson, pois o seu “Um Olhar do Paraíso” é totalmente pobre, especialmente na economia que usa para retratar o luto da família Salmon. O drama atinge o cúmulo da bizarrice quando, de uma hora para outra, a matriarca encarnada com a inexpressividade de praxe de Rachel Weisz decide abandonar a família. Já grande parte do orçamento de 65 milhões de dólares provavelmente foi investida em efeitos visuais para o paraíso imaginável de Susie, ainda mais limitado do que aquele de “Amor Além da Vida”. Ao menos há um acerto que não deve passar em branco: a extraordinária interpretação de Stanley Tucci. O ator, que diz que seus filhos nunca assistiram ao filme por causa de seu personagem, cria o perfil de uma pessoa fria ao ponto de provocar arrepios em todas as suas cenas. Mas nem o intérprete é poupado do constrangimento, sendo vítima de uma última aparição burlesca.

Título Original: The Lovely Bones
Ano de Produção: 2009
Direção: Peter Jackson
Elenco: Saoirse Ronan, Stanley Tucci, Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Rose McIver, Christian Thomas Ashdale, Amanda Michalka, Jake Abel, Nikki SooHoo e Susan Sarandon.
Cotação: 2 Stars

Resenha Crítica | Efeito Borboleta: Revelação (2009)

Efeito Borboleta: RevelaçãoQue “Efeito Borboleta” fez um sucesso maior do que esperado e que bastou o seu lançamento em DVD para virar obra de culto todo mundo sabe. Mas que o filme receberia não só uma mas duas sequências fajutas é uma surpresa até mesmo para os aficionados pelo longa original, uma daquelas surpresas mais aterradoras do que o estranho fenômeno do argumento fantástico.

Se na segunda parte, estrelada por Eric Lively (de “O Silêncio de Melinda”) e Erica Durance (a Lois Lane do seriado “Smallville”), já era intragável este “Efeito Borboleta – Revelação” consegue ser ainda pior. Neste daqui o herói é Sam Reide (Chris Carmack). Ele também pode voltar e alterar o passado e esta habilidade é realizada a favor dos homicídios que interromperá antes que aconteçam. Só que ele ainda se sente culpado até hoje por não desvendar o assassino em série que matou a sua namorada. O que ele perceberá é que ao voltar para desfazer ações anteriormente concretizadas outras pessoas morrerão.

O que espanta neste segundo longa-metragem do americano Seth Grossman nem é a reciclagem do argumento original e sim o estilo trash da obra. Se não bastasse a presença de um serial killer no suspense, as mortes beiram ao constrangedor, caso de uma onde o dedo de uma personagem liga um rádio às alturas quando ele é decepado. Porém, nada que supere o terceiro ato, com uma surpresa que disputa o topo das mais patéticas dos últimos meses com “Pacto Secreto“.

Título Original: The Butterfly Effect 3: Revelations
Ano de Produção: 2009
Direção: Seth Grossman
Elenco: Chris Carmack, Rachel Miner, Melissa Jones, Kevin Yon, Lynch R. Travis, Sarah Habel, Mia Serafino, Hugh Maguire, Richard Wilkinson, Chantel Giacalone e Ulysses Hernandez.
Cotação: 1 Star

Pacto Secreto

Pacto SecretoFazendo uma retrospectiva do ano de 2009, até que não há um volume considerável de fitas de terror destinadas unicamente ao público adolescente. Somente as refilmagens de “Sexta-feira 13” e “Dia dos Namorados Macabro” estão para representar a mais recente safra. Mas há também “Pacto Secreto”, que assim como os dois títulos citados trata-se também de uma atualização de um cult oitentista, o inédito no Brasil “The House on Sorority Row”.

A premissa lembra o terrível “Um Crime Entre Amigas”, de 1999. Trata-se de “irmãs” de uma fraternidade que armam uma brincadeira de mal gosto que resulta na morte de uma delas. Jovens e com medo de terem os seus futuros totalmente destruídos pelo acidente, elas decidem ocultar o corpo da amiga e seguir com suas vidas. Mas eis que se passam oito meses e elas começam a ser ameaçadas por mensagens de celulares sinistras e pelas aparições de uma estranha pessoa coberta por um traje que muito se assemelha a dos psicopatas da cinessérie “Pânico” e “Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado”.

Não passa de uma bobagem, mas o filme é bem conduzido e rende bons momentos de suspense até determinado momento. O diretor Stewart Hendler, razoavelmente conhecido por aqui pelo suspense lançado diretamente em DVD “Reféns do Mal” (protagonizado por Josh Holloway, o Sawyer de “Lost”), investe na carnificina contida, mas até que imaginativa. A arma do psicopata da vez não é uma faca, gancho, serra elétrica ou navalhas, mas nada menos do que uma chave de roda (!). Porém, nada que vale muito a pena, já que “Pacto Secreto” trás a justificativa para a matança mais patética que há muito não se testemunhava.

Título Original: Sorority Row
Ano de Produção: 2009
Direção: Stewart Hendler
Elenco: Briana Evigan, Leah Pipes, Rumer Willis, Jamie Chung, Audrina Patridge, Margo Harshman, Julian Morris, Matt O’Leary, Caroline D’Amore, Maxx Hennard, Matt Lanter e Carrie Fisher.
Cotação: 2 Stars