Julie & Julia

Julie & Julia A americana Nora Ephron sempre foi uma escritora de mão cheia. A badalação pode ser vista nas suas três indicações para o Oscar pelos roteiros de “Silkwood – O Retrato de Uma Coragem”, “Harry & Sally – Feitos Um Para o Outro” e “Sintonia de Amor”. Já como diretora o quadro é bem inverso, tenho amargado comentários muito negativos especialmente pelos mais recentes “Bilhete Premiado” (comédia estrelada por John Travolta e Lisa Kudrow que foi um enorme fracasso de bilheteria) e “A Feiticeira”, adaptação não tão mal-sucedida como comentaram de um prestigiado seriado televisivo. Tendo as extraordinárias Meryl Streep e Amy Adams a sua disposição, fez as pazes com o sucesso através do doce “Julie & Julia”.

Avaliando as pretensões de Nora Ephron, seu trabalho de roteiro e direção são perfeitos. Isto porque aqui há a opção de adaptar dois livros simultaneamente. O primeiro, “Minha Vida na França”, foi escrito por Julia Child e Alex Prud’Homme. Casada com Paul Child (Stanley Tucci), Julia (Meryl Streep, indicada ao Oscar de melhor atriz – perdeu para Sandra Bullock por “Um Sonho Possível“) tomou gosto pela culinária quando se viu sem distrações na França, pois seu marido passava um grande período fora da residência temporária que habitavam por conta de seu trabalho para o Governo. Praticou tanto que rapidamente criou suas próprias receitas, resultando em livros gastronômicos considerados verdadeiras “bíblias” da culinária, e até ganhou um programa televisivo.

Em tempos mais recentes, a história protagonizada por Amy Adams, que vive Julie Powell, é uma versão inspirada no livro “Julie & Julia – 365 Dias, 524 Receitas e 1 Cozinha Apertada”. Presa a um trabalho exaustivo e casada com Eric Powell (Chris Messina, que fez o noivo de Rebecca Hall em “Vicky Cristina Barcelona“), Julie encontra na criação de um blog uma maneira ideal para driblar o estresse típico de seu cotidiano. Veio com o objetivo de recriar mais de quinhentas receitas presentes no mais famoso livro de Julia Child, “Mastering the Art of French Cooking”, em apenas um ano, compartilhando diariamente as experiências com seus leitores que passam a crescer.

Mais do que dar água na boca com os pratos bem elaborados pelas personagens reais, Nora Ephron apresenta um trabalho caprichado de recriação em “Julie & Julia”. Além de caracterizar Meryl Streep para que pareça muito maior (a verdadeira Julia tinha quase dois metros de altura contra os 1,68m da atriz), a diretora adota estilos de condução bem distintos nas duas histórias ligadas. As passagens de Julia Child têm planos mais longos e enquadramentos mais singelos enquanto as de Julie Powell têm um ritmo mais elevado. No saldo final, grande parte do público certamente se identificará muito mais com Julie, pois a sua história de vida sem dúvidas encontra mais conexão na realidade das mulheres (e por que não de homens?) de hoje. Mesmo assim, “Julie & Julia” é um filme otimista para aqueles em busca de objetivos que repercutem algum sentido em suas vidas.

Título Original: Julie & Julia
Ano de Produção: 2009
Direção: Nora Ephron
Elenco: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina, Linda Emond, Helen Carey, Jane Lynch, Joan Juliet Buck, Vanessa Ferlito e Crystal Noelle
Cotação: 3 Stars

Os Cinco Filmes Prediletos de Mayara Bastos

Antes do nascimento do Apaixonada por Cinema no dia vinte de abril de 2008, já tive o privilégio de conhecer a sua autora virtualmente. Mayara Bastos é uma cinéfila que conheci no site de relacionamentos Orkut e sempre fiquei impressionado pela sua simpatia contagiante durante a troca de impressões sobre cinema. Vale também citar o encontro cinéfilo que agendamos no mês passado, onde também conhecemos os blogueiros cinéfilos Robson (autor do Portal Cine, que tive o prazer de conhecê-lo antecipadamente em outro encontro) e Cecília, do Cenas de Cinema. Também é uma das minhas leitoras favoritas, sempre disponibilizando algum tempinho para visualizar as atualizações do Cine Resenhas. Para mim, um comentário sempre funcionou como a “remuneração” das experiências cinematográficas que compartilho resumidamente através da escrita e contar com a frequente participação dos meus amigos neste trabalho sempre foi gratificante.
Refletindo desta forma, demorei até demais para oferecer um convite a Mayara para participar desta seção especial do Cine Resenhas, Cinco Filmes. A seleção não poderia ser melhor, com títulos que me marcaram muito na infância e adolescência e que até hoje são considerados clássicos absolutos na história do cinema. Sem mais delongas, vamos disponibilizar o espaço para a blogueira.
Tempos Modernos, de Charles Chaplin (1936, Modern Times)
Tenho de admitir que “Tempos Modernos” acabou fazendo parte de minha vida, desde a infância e temporada escolar em que muitas colégios fazem questão de exibir o filme para turmas de ensino fundamental, até na minha paixão por cinema e filmes cômicos. “Tempos Modernos” conquista por ser uma crítica à classe trabalhadora e o comportamento da sociedade na época, mas diverte pelo lado irreverente de Chaplin, sua marca registrada até nos tempos modernos.
E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg (1982, E.T. the Extra-Terrestrial)
“E.T. – O Extraterrestre” é uma produção que introduz o espectador a um Sci-Fi, mas ele é mais do que isso, é um filme de sentimentos, onde há uma amizade improvável e espírito de aventura. Presente nas matinês de família, “E.T. – O Extraterrestre” mostra que mesmo sendo uma pessoa ou um ser de outro planeta, o companheirismo é uma parte eterna e a amizade verdadeira não tem preço.
Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards (1961, Breakfast at Tiffany’s)
Charmoso é uma das palavras que podem descrever “Bonequinha de Luxo”. Além de trazer a cidade americana de Nova York como cartão-postal, mostra Holly, uma moça que veio do interior com o intuito de ter uma vida melhor, como uma personagem ingênua e sonhadora. Baseado no livro de Truman Capote, “Bonequinha de Luxo” traz um ícone clássico, com relação à moda e ao romance meloso, mas ao mesmo tempo, que faz torcer para que o casal principal tenha o seu final feliz.
A Felicidade Não Se Compra, de Frank Capra (1946, It’s a Wonderful Life)
“A Felicidade Não Se Compra” é um filme que acabou sobrevivendo ao tempo. Mesmo com a revisão, ele acaba ficando melhor do que a primeira vez. É uma lição de vida em mostrar o que o ser humano atual precisa, como honestidade, solidariedade e amor, em um modo simples e tocante. Um homem que está prestes a dar um ponto final em sua existência recebe uma visita inesperada para tentar impedí-lo desta ideia e mostrar as maravilhas da vida.
Toy Story, de John Lasseter (1995, Toy Story)
“Toy Story” marca a primeira vez que a blogueira que vos fala teve a oportunidade de conhecer uma sala escura de cinema. O melhor é a questão da película não só ser a primeira animação em computação gráfica, mas também por conter uma história simples, ao mesmo tempo divertida e emocionante, com personagens carismáticos, que conquista totalmente pela questão da identificação da infância.

Mayara Bastos | Apaixonada Por CinemaAntes do nascimento do Apaixonada por Cinema no dia vinte de abril de 2008, já tive o privilégio de conhecer a sua autora virtualmente. Mayara Bastos é uma cinéfila que conheci no site de relacionamentos Orkut e sempre fiquei impressionado pela sua simpatia contagiante durante a troca de impressões sobre cinema. Vale também citar o encontro cinéfilo que agendamos no mês passado, onde também conhecemos os blogueiros cinéfilos Robson (autor do Portal Cine, que tive o prazer de conhecê-lo antecipadamente em outro encontro) e Cecília, do Cenas de Cinema. Também é uma das minhas leitoras favoritas, sempre disponibilizando algum tempinho para visualizar as atualizações do Cine Resenhas. Para mim, um comentário sempre funcionou como a “remuneração” das experiências cinematográficas que compartilho resumidamente através da escrita e contar com a frequente participação dos meus amigos neste trabalho sempre foi gratificante.

Refletindo desta forma, demorei até demais para oferecer um convite a Mayara para participar desta seção especial do Cine Resenhas, Cinco Filmes. A seleção não poderia ser melhor, com títulos que me marcaram muito na infância e adolescência e que até hoje são considerados clássicos absolutos na história do cinema. Sem mais delongas, vamos disponibilizar o espaço para a blogueira.

 

Tempos Modernos, de Charles Chaplin (1936, Modern Times)Tempos Modernos, de Charles Chaplin (1936, Modern Times)

Tenho de admitir que “Tempos Modernos” acabou fazendo parte de minha vida, desde a infância e temporada escolar em que muitas colégios fazem questão de exibir o filme para turmas de ensino fundamental, até na minha paixão por cinema e filmes cômicos. “Tempos Modernos” conquista por ser uma crítica à classe trabalhadora e o comportamento da sociedade na época, mas diverte pelo lado irreverente de Chaplin, sua marca registrada até nos tempos modernos.


E.T. - O Extraterrestre, de Steven Spielberg (1982, E.T. the Extra-Terrestrial)E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg (1982, E.T. the Extra-Terrestrial)

“E.T. – O Extraterrestre” é uma produção que introduz o espectador a um Sci-Fi, mas ele é mais do que isso, é um filme de sentimentos, onde há uma amizade improvável e espírito de aventura. Presente nas matinês de família, “E.T. – O Extraterrestre” mostra que mesmo sendo uma pessoa ou um ser de outro planeta, o companheirismo é uma parte eterna e a amizade verdadeira não tem preço.


Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards (1961, Breakfast at Tiffany's)Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards (1961, Breakfast at Tiffany’s)

Charmoso é uma das palavras que podem descrever “Bonequinha de Luxo”. Além de trazer a cidade americana de Nova York como cartão-postal, mostra Holly, uma moça que veio do interior com o intuito de ter uma vida melhor, como uma personagem ingênua e sonhadora. Baseado no livro de Truman Capote, “Bonequinha de Luxo” traz um ícone clássico, com relação à moda e ao romance meloso, mas ao mesmo tempo, que faz torcer para que o casal principal tenha o seu final feliz.


A Felicidade Não Se Compra, de Frank Capra (1946, It's a Wonderful Life) A Felicidade Não Se Compra, de Frank Capra (1946, It’s a Wonderful Life)

“A Felicidade Não Se Compra” é um filme que acabou sobrevivendo ao tempo. Mesmo com a revisão, ele acaba ficando melhor do que a primeira vez. É uma lição de vida em mostrar o que o ser humano atual precisa, como honestidade, solidariedade e amor, em um modo simples e tocante. Um homem que está prestes a dar um ponto final em sua existência recebe uma visita inesperada para tentar impedí-lo desta ideia e mostrar as maravilhas da vida.


Toy Story, de John Lasseter (1995, Toy Story) Toy Story, de John Lasseter (1995, Toy Story)

“Toy Story” marca a primeira vez que a blogueira que vos fala teve a oportunidade de conhecer uma sala escura de cinema. O melhor é a questão da película não só ser a primeira animação em computação gráfica, mas também por conter uma história simples, ao mesmo tempo divertida e emocionante, com personagens carismáticos, que conquista totalmente pela questão da identificação da infância.


Exposição Narrativa do Olhar

No início de 2010 pude desenvolver uma nova paixão para preencher o meu tempo livre: a fotografia. Isto porque ao realizar uma breve oficina de fotografia na Casa do Olhar Luiz Sacilotto (situada na Rua Campos Sales, 414, Santo André) vi que é preciso muito mais de um clique para o registro de um momento, seja ele particular ou não. É claro que com os avanços da tecnologia veio também a banalização da fotografia. O que há quinze anos atrás era tratado com alguma seriedade pelos custos de máquina, filme e revelação (eu mesmo não tive o luxo de possuir um equipamento tão cedo) hoje é uma ferramenta direcionada para indivíduos que tiram fotos pavorosas em frente a espelhos de banheiros públicos e residenciais para compartilhar em redes sociais ou encherem de photoshop.

Para amadurecimento do Olhar, o coordenador da oficina de fotografia Christian Piana propôs o desenvolvimento de fotografias de aspectos socioculturais. O resultado está mais detalhado em uma objetiva apresentação que desenvolvi e em algumas fotografias selecionadas de todo o grupo que integrei.

Narrativa do Olhar
Coordenação: Christian Piana

A fotografia é o registro dos mais variados acontecimentos. Com ela podemos eternizar experiências particulares. O contato direto com um equipamento permite também o aprendizado para infinitas possibilidades. Porém, nada é mais primordial do que o amadurecimento do olhar. Muito mais do que um clique, o ato de fotografar confere a sensibilidade única de quem o faz.

Atentar aos aspectos socioculturais presentes em um município resulta em um trabalho coletivo que ainda assim tem muitas personalidades. Um amplo ambiente é capaz de revelar características distintas, mas não por isto, desconexas. Há uma geração de jovens com valores sempre renovados, a vivacidade que só os esportes provocam e os eventos culturais direcionados a qualquer público, os meios de transportes públicos que parecem representar as veias de uma cidade, o cotidiano comum e por vezes difícil vivenciado pelas minorias, o trabalho de comerciantes e o conforto dentro de vários restaurantes. Tudo traduzido em imagens que marcam uma experiência nova enriquecedora. Por Alex Gonçalves.

A exposição “Narrativa do Olhar” é o resultado da oficina de fotojornalismo ocorrido no primeiro semestre na Casa do Olhar Luiz Sacilotto em Santo André. Os fotógrafos autores das obras expostas são alunos que, ao longo da oficina, realizaram contos fotográficos, fotorreportagens e ensaios fotográficos sobre aspectos socioculturais do ABC.

 

A abertura acontece amanhã, sexta-feira, 27 de agosto, a partir das 19h no saguão do Teatro Municipal de Santo André.

This Is It

A empresa AEG Live se responsabilizou em bancar a turnê “This is It”, que seria composta por dezenas de concertos de Michael Jackson. O cantor americano anunciou no início de março de 2009 que estas seriam suas últimas apresentações e não demorou para que milhares de ingressos fossem adquiridos por fãs em apenas um dia. Porém, a AEG Live não esperava a bomba que estaria em sua mão: a morte de Michael Jackson em 25 de junho de 2009, quase vinte dias antes do primeiro concerto agendado. Se não bastassem os altos custos bancados para os vários ensaios, contratação de dançarinos, cantores e caracterização de palco, a empresa ainda sofreu com um alto prejuízo com o reembolso dos ingressos vendidos.
Desta maneira, o diretor e coreógrafo Kenny Ortega (responsável da série “High School Musical”) decidiu tirar a única carta que teria para retrucar a triste adversidade: transformar “This is It” em documentário. Os ensaios registrados comprovam que Michael Jackson ainda estava em forma, embora limitado ao ponto de dizer que não daria tudo de si por exaustão física.
Algumas das cançoes que compõem o set-list são as clássicas “They Don’t Care About Us”, “The Way You Make Me Feel”, “Thriller”, “Beat It”, “Black or White” e “Man in the Mirror” (esta encerrando belamente o documentário). Qualquer pessoa, por mais ingênua que possa ser, sabe que “This is It”, o filme, não passa de um artifício para reverter um pouco da grana perdida. A preocupação dos investidores foi tamanha que eles nem cumpriram com a promessa de que exibiriam “This is It” por apenas duas semanas no circuito americano – ficou o dobro do período nas salas de cinema. Mas quem vai se importar com isto quando estamos diante daquela que seria a última apresentação do eterno Rei do Pop?

This Is ItA empresa AEG Live se responsabilizou em bancar a turnê “This is It”, que seria composta por dezenas de concertos de Michael Jackson. O cantor americano anunciou no início de março de 2009 que estas seriam suas últimas apresentações e não demorou para que milhares de ingressos fossem adquiridos por fãs em apenas um dia. Porém, a AEG Live não esperava a bomba que estaria em sua mão: a morte de Michael Jackson em 25 de junho de 2009, quase vinte dias antes do primeiro concerto agendado. Se não bastassem os altos para os vários ensaios, contratação de dançarinos, cantores e caracterização de palco, a empresa ainda sofreu um alto prejuízo com o reembolso dos ingressos vendidos.

Desta maneira, o diretor e coreógrafo Kenny Ortega (responsável da série “High School Musical”) decidiu tirar a única carta que teria para retrucar a triste adversidade: transformar “This is It” em documentário. Os ensaios registrados comprovam que Michael Jackson ainda estava em forma, embora limitado ao ponto de dizer que não daria tudo de si por exaustão física.

Algumas das canções que compõem o set-list são as clássicas “They Don’t Care About Us”, “The Way You Make Me Feel”, “Thriller”, “Beat It”, “Black or White” e “Man in the Mirror” (esta encerrando belamente o documentário). Qualquer pessoa, por mais ingênua que possa ser, sabe que “This is It”, o filme, não passa de um artifício para reverter um pouco da grana perdida. A preocupação dos investidores foi tamanha que eles nem cumpriram com a promessa de que exibiriam “This is It” por apenas duas semanas no circuito americano – ficou o dobro do período nas salas de cinema. Mas quem vai se importar com isto quando estamos diante daquela que seria a última apresentação do eterno Rei do Pop?

Título Original: Michael Jackson’s This Is It
Ano de Produção: 2009
Direção:  Kenny Ortega
Elenco: Michael Jackson, Kenny Ortega, Alex Al, Nick Bass, Michael Bearden, Daniel Celebre, Mekia Cox, Misha Gabriel, Chris Grant, Judith Hill, Dorian Holley, Shannon Holtzapffel, Devin Jamieson e Bashiri Joh
Cotação: 3 Stars

Alô, Alô, Terezinha!

Alô, Alô, Terezinha!

Já fazia aproximadamente dois anos que José Abelardo Barbosa de Medeiros havia morrido quando nasci. Mesmo assim, a geração anos 1990 com certeza conhecia a carreira televisiva do famoso Chacrinha, tendo apresentado programas para emissoras tão diversas quanto a TV Bandeirantes e Rede Globo. O documentário “Alô, Alô, Terezinha!”, pronto desde 2008 e lançado nos cinemas nacionais em outubro do ano passado, é um registro que servirá tanto para os fãs matarem a saudade da excêntrica figura como fazer com que o público mais jovem esteja a par de curiosidades profissionais e particulares.

O carioca Nelson Hoineff compartilha arquivos de época e condensou as entrevistas que somavam ao todo cento e cinquenta horas de gravações em material que totaliza um todo aproximado de uma hora. Os depoimentos são de famosos como Roberto Carlos, Fábio Jr. e Alcione, as desejadas chacretes e até mesmo de calouros que ficaram marcados pelas buzinadas de reprovação do Chacrinha.

O acerto de “Alô, Alô, Terezinha!” é se esquivar do padrão um tanto maçante de qualquer documentário e encarar as coisas com um tom de deboche digno do personagem homenageado. Exemplo claro disto é a já clássica cena onde Byafra canta “Sonho de Ícaro” para ser atingido, acidentalmente, por um parapente. Esse clima só é quebrado quando se manifesta a sensação de que o tributo é involuntariamente transferido para alguns convidados em alguns momentos: se não bastasse ter ganhado um documentário todo seu pelas mãos de Toni Venturi, Rita Cadillac ainda chama as atenções para si de maneira totalmente desapropriada em “Alô, Alô, Terezinha!”, embora a “lady do povo” tenha lá seu inegável carisma.

Título Original: Alô, Alô, Terezinha!
Ano de Produção: 2008
Direção: Nelson Hoineff
Elenco: Chacrinha, Roberto Carlos, Gilberto Gil, Alcione, Ney Matogrosso, Beth Carvalho, Fábio Jr., Cauby Peixoto, Fafá de Belém, Rita Cadillac, Elke Maravilha, Índia Potira, Gracinha Copacabana, Chiclete com Banana, Gretchen, Vera Furacão, Agnaldo Timóteo, Loira Sinistra, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Wanderlea, Baby do Brasil, Alceu Valença, Elba Ramalho, Elymar Santos, Byafra, Rosemary, Nelson Ned e outros

Título Original: Alô, Alô, Terezinha!
Ano de Produção: 2008
Direção: Nelson Hoineff
Elenco: Chacrinha, Roberto Carlos, Gilberto Gil, Alcione, Ney Matogrosso, Beth Carvalho, Fábio Jr., Cauby Peixoto, Fafá de Belém, Rita Cadillac, Elke Maravilha, Índia Potira, Gracinha Copacabana, Chiclete com Banana, Gretchen, Vera Furacão, Agnaldo Timóteo, Loira Sinistra, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Wanderlea, Baby do Brasil, Alceu Valença, Elba Ramalho, Elymar Santos, Byafra, Rosemary, Nelson Ned e outros
Cotação: 3 Stars

Algo Que Você Precisa Saber

O cinema francês não teve sorte no circuito de cinema no Brasil no ano passado. Isto porque entre os poucos filmes a ganharem lançamentos por aqui eram fraquíssimos, a exemplo de “As Testemunhas”, “Atrizes”, “Horas de Verão” e “Partir”. Outra infeliz obra a ingressar este grupo é “Algo Que Você Precisa Saber”, segundo filme da diretora Cécile Telerman. Em 2005 ela fez a comédia “Tudo Por Prazer”, estrelada pela irmã de Emmanuelle Seigner, a linda Mathilde Seigner, e desta vez repete o erro dos quatro títulos apontados e avaliados por aqui: a sua história jamais é suficientemente interessante para valer a conferida.
Mathilde Seigner vive Alice, a pintora filha do casal Celliers (Patrick Chesnais e Charlotte Rampling). Sua família é um tanto desestruturada, tendo também o fracassado irmão mais velho Antoine (Pascal Elbé) como o empreendedor de um negócio custeado pelo pai à beira da falência. Com menos intensidade, também somos apresentados ao membro mais novo dessa família, a médica Annabelle (Sophie Cattani), a irmã de Antoine e Alice.
A proposta aqui é mostrar os problemas de toda essa família e o aparecimento do policial Jacques de Parentis (Olivier Marchal) tentará dar um agito na história com algumas surpresas nada arrebatadoras. Há também uma investida no humor, com diálogos para lá de mordazes e fora do tom dentro da narrativa. A cineasta Cécile Telerman parece não dominar bem a arte de se fazer cinema e nos presenteia com cenas cafonas (como uma de reencontro entre Alice e Jacques próxima a uma ponte e outra que fecha o longa-metragem) que só piora o que já estava ruim.
Título Original: Quelque chose à te dire | Blame It on Mum
Ano de Produção: 2009
Direção: Cécile Telerman
Elenco: Charlotte Rampling, Mathilde Seigner, Pascal Elbé, Patrick Chesnais, Sophie Cattani, Olivier Marchal, Gwendoline Hamon, Laurent Olmedo e Jérôme Soubeyrand

Algo Que Você Precisa Saber | Quelque chose à te dire | Blame It on MumO cinema francês não teve sorte no circuito de cinema no Brasil no ano passado. Isto porque entre os poucos filmes a ganharem lançamentos por aqui eram fraquíssimos, a exemplo de “As Testemunhas“, “Atrizes“, “Horas de Verão” e “Partir“. Outra infeliz obra a ingressar este grupo é “Algo Que Você Precisa Saber”, segundo filme da diretora Cécile Telerman. Em 2005 ela fez a comédia “Tudo Por Prazer”, estrelada pela irmã de Emmanuelle Seigner, a linda Mathilde Seigner, e desta vez repete o erro dos quatro títulos apontados por aqui: a sua história jamais é suficientemente interessante para valer a conferida.

Mathilde Seigner vive Alice, a pintora filha do casal Celliers (Patrick Chesnais e Charlotte Rampling). Sua família é um tanto desestruturada, tendo também o fracassado irmão mais velho Antoine (Pascal Elbé) como o empreendedor de um negócio custeado pelo pai à beira da falência. Com menos intensidade, também somos apresentados ao membro mais novo dessa família, a médica Annabelle (Sophie Cattani), irmã de Antoine e Alice sempre consultando cartas de tarô.

A proposta aqui é mostrar os problemas de toda essa família e o aparecimento do policial Jacques de Parentis (Olivier Marchal) tentará dar um agito na história com algumas surpresas nada arrebatadoras. Há também uma investida no humor, com diálogos para lá de mordazes e fora do tom dentro da narrativa. A cineasta Cécile Telerman parece não dominar bem a arte de se fazer cinema e nos presenteia com cenas cafonas (como uma de reencontro entre Alice e Jacques próxima a uma ponte e outra que fecha o longa-metragem) que só piora o que já estava ruim.

Título Original: Quelque chose à te dire | Blame It on Mum
Ano de Produção: 2009
Direção: Cécile Telerman
Elenco: Charlotte Rampling, Mathilde Seigner, Pascal Elbé, Patrick Chesnais, Sophie Cattani, Olivier Marchal, Gwendoline Hamon, Laurent Olmedo e Jérôme Soubeyrand
Cotação:  1 Star

Besouro

Promessa de bom filme: roteiro de Patrícia Andrade com parceria do também diretor João Daniel Tikhomiroff, bela fotografia a cargo de Enrique Chediak, cenas de ação coreografadas pelo chinês Huen Chiu Ku, belas locações no Recôncavo Baiano e na Chapada Diamantina e principalmente uma grande produção que parecia exaltar a arte da capoeira e do Candomblé. O resultado: nada mais do que uma grande bobagem por vezes insuportável tamanho os desencontros da narrativa.
Ambientado na Salvador de 1924, a ação baseada em uma lenda do mesmo período nos apresenta Besouro (papel de Ailton Carmo), capoeirista que se transforma em herói após a morte de seu mentor. Com negros estando em um período de intolerância com a autonomia do coronel Venâncio (Flavio Rocha), resta ao habilidoso Besouro fazer justiça numa salada que custou dez milhões de reais muito mal investidos.
Título Original: Besouro
Ano de Produção: 2009
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Elenco: Aílton Carmo, Ânderson Santos de Jesus, Jéssica Barbosa, Flávio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Miguel Lunardi e Adriana Alves

BesouroPromessa de bom filme: roteiro de Patrícia Andrade com parceria do também diretor João Daniel Tikhomiroff, bela fotografia a cargo de Enrique Chediak, cenas de ação coreografadas pelo chinês Huen Chiu Ku, belas locações no Recôncavo Baiano e na Chapada Diamantina e principalmente uma grande produção que parecia exaltar a arte da capoeira e do Candomblé. O resultado: nada mais do que uma grande bobagem por vezes insuportável tamanho os desencontros da narrativa.

Ambientado na Salvador de 1924, a ação baseada em uma lenda do mesmo período nos apresenta Besouro (papel de Ailton Carmo), capoeirista que se transforma em herói após a morte de seu mentor. Com negros estando em um período de intolerância com a autonomia do coronel Venâncio (Flavio Rocha), resta ao habilidoso Besouro fazer justiça numa salada que custou dez milhões de reais muito mal investidos.

Título Original: Besouro
Ano de Produção: 2009
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Elenco: Aílton Carmo, Ânderson Santos de Jesus, Jéssica Barbosa, Flávio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Miguel Lunardi e Adriana Alves
Cotação:  1 Star

Deixe Ela Entrar

É extremamente difícil uma obra estrangeira ter fama repercutida fora de seu país de origem e Tomas Alfredson pode se orgulhar de ver o seu pequeno e um pouco ambicioso “Deixe Ela Entrar” ter destaque dentro dos títulos cinematográficos mais relevantes dos últimos dois anos. Foram mais de setenta prêmios e indicações obtidos em importantes premiações de cinema e foi considerado um dos melhores filmes exibidos ao longo do ano passado no Brasil.

A história é protagonizada pelo menino Oskar (Kåre Hedebrant), que sofre bullying no colégio onde estuda na gélida Suécia. Sem amigos ou fortes conexões com seus pais divorciados, Oskar definitivamente é solitário. Ao encenar no meio da noite uma vingança contra aqueles que o transformam em saco de pancadas, conhece Eli (Lina Leandersson), que assim como Oskar tem doze anos de idade. Aparentemente.

Talvez seja a força das aparências o maior êxito do sucesso de “Deixe Ela Entrar”, um filme que trata sobre o vampirismo de uma forma inédita. Isto porque a figura da vampira Eli, em uma interpretação maravilhosa da promissora Lina Leandersson, pode não ser o que parece. Vale observar que suas atitudes bem intencionadas são, na verdade, oportunidades para se beneficiar. Um rápido nu frontal levanta ainda mais polêmicas. São aspectos muito mais interessantes que as sequências de horror planejadas por Tomas Alfredson, não superando apenas a bárbara e já clássica cena da piscina no clímax da fita.

É aguardar agora para ver como Matt Reeves se saíra com sua nova versão do romance de John Ajvide Lindqvist. Ao julgar pelo seu afetadíssimo “Cloverfield – Monstro”, talvez não muito bem.

Título Original: Låt den rätte komma in | Let the Right One In
Ano de Produção: 2008
Direção: Tomas Alfredson
Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg, Ika Nord, Mikael Rahm, Karl-Robert Lindgren, Anders T. Peedu e Pale Olofsson
Cotação: 3 Stars

O Caçador

O Caçador | Chugyeogja | The ChaserNão é fácil um filme de origem sul-coreano ganhar espaço no circuito nacional de cinema e muitos cinéfilos celebram com entusiasmo quando isto acontece. Às vezes muito mais do que o merecido, como é o caso de “O Caçador”, primeiro filme de Na Hong-jin. E olha que a angustiante primeira meia hora de metragem indicava rumos contrários a esta afirmação, criando uma tensão que poucas vezes se testemunha em qualquer trama policial.

Joong-ho (Kim Yun-seok) é um cafetão e há poucos anos atrás foi policial. Seu negócio vai mal e o desaparecimento de suas garotas de programa o deixa menos intrigado do que deveria até o mesmo acontecer a Mi-jin (Seo Yeong-hie, ótima), que atende de última hora um homem mesmo febril e com a filha pequena para cuidar. O sujeito em questão, Jee (Ha Jung-woo) tem um comportamento de gelar a espinha e o roteiro nem se preocupa em revelá-lo como um perigoso serial killer.

Ao mudar radicalmente o ritmo da história, “O Caçador” chega a frustrar. Joong-ho consegue capturar Jee e resta a polícia de Seul lidar com o caso mesmo com o sujeito assumindo todos os crimes que cometeu. E até surpreende todo o interrogatório, pois poucas vezes se viu no cinema coreano policiais e investigadores tão incompetentes como estes retratados pelo diretor Na Hong-jin, onde um indivíduo não é incriminado quando não há provas mesmo quando assume seus crimes. É o limite de um filme cansativo ao ponto de deixar a forte impressão de que a todo o momento anda em círculos.

Título Original: Chugyeogja | The Chaser
Ano de Produção: 2008
Direção: Na Hong-jin
Elenco: Kim Yun-seok, Ha Jung-woo, Jee Young-min, Seo Yeong-hie, Kim Mi-jin, Jung In-gi e Park Hyo-ju
Cotação: 2 Stars

Te Amarei Para Sempre

Te Amarei Para Sempre | The Time Traveler's WifeCom título nacional digno de novela, “Te Amarei Para Sempre” mergulha em um estilo romântico peculiar cheio de caminhos perigosos. Afinal, uma história de amor com tons fantásticos pode facilmente cair no ridículo. A presença do regular diretor Robert Schwentke (responsável pelo ensaio que Jodie Foster fez como protagonista em um filme  após anos com “Plano de Voo”) não ajuda muito na tarefa de desviar “Te Amarei Para Sempre” de algumas armadilhas. A novidade é ver o nome de Bruce Joel Rubin creditado como roteirista.

Para quem não se lembra, Bruce Joel Rubin ganhou o Oscar pelo roteiro original de “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, filme que fez (e ainda faz) nove a cada dez pessoas caírem aos prantos. É uma informação importante, pois o roteirista, adaptando o popular romance de Audrey Niffenegger, desenvolve de maneira convincente alguns dos muitos encontros e desencontros do casal interpretado por Eric Bana e Rachel McAdams. Eric Bana é Henry, que na infância descobre o dom de viajar no tempo. Conhece Clare Abshire (Rachel McAdams) desde quando era uma menina e no presente tem a oportunidade de se casar com ela. A união não é muito feliz por Henry abandonar a esposa involuntariamente e sem qualquer aviso prévio. Essa falta de controle o faz testemunhar sua própria morte. E agora?

Título Original: The Time Traveler’s Wife
Ano de Produção: 2009
Direção: Robert Schwentke
Elenco: Eric Bana, Rachel McAdams, Ron Livingston, Jane McLean, Arliss Howard, Stephen Tobolowsky, Brooklynn Proulx, Alex Ferris e Michelle Nolden
Cotação: 3 Stars