O Refúgio

O Refúgio | Le refugeUm cineasta que lança uma média de um filme por ano nem sempre está livre de assinar um projeto que certamente será selecionado como o menor de seus trabalhos. Não são muitos profissionais que trabalham tão ativamente por trás das câmeras. Woody Allen é um deles e atualmente apresenta uma filmografia dividida entre altos e baixos. François Ozon, o diretor francês mais interessante e talentoso em atividade, é outro. Seu currículo é cheio de personalidade, alternando entre gêneros como musical (“8 Mulheres”), comédia (“Sitcom – Nossa Linda Família”), romance de época (“Angel”) e suspense (“Swimming Pool – À Beira da Piscina”) de maneira impecável. Entretanto, não entrega o melhor de si em “O Refúgio”.

O novo drama do diretor abre com uma sequência de intensidade habitual. Foca o casal Mousse (Isabelle Carré, de “Medos Privados em Lugares Públicos”) e Louis (ponta de Melvil Poupaud, ator que trabalhou com Ozon em “O Tempo Que Resta”) se drogando em um quarto vazio. Ele tem uma overdose e não resiste. Ela quase tem o mesmo destino. O que lhe perturba é saber que está grávida de algumas semanas de seu parceiro. Os pais de Louis não querem que Mousse tenha o bebê, mas ela recebe consolo do irmão dele, Paul (Louis-Ronan Choisy). O refúgio do título se refere à casa na praia onde a protagonista se isola para passar por todo o processo de gestação e Paul, homossexual assumido, passa a dividir a residência com ela.

Ao contrário do que sugere seus primeiros minutos de metragem, “O Refúgio” desenvolve sua narrativa em um tom bem ameno. Não faltam momentos para François Ozon exibir toda a sua sensibilidade de autor, como nas cenas de amor ou aquelas onde se vê Mousse acariciando o seu ventre. É importante também elogiar o desempenho de Isabelle Carré, que iniciou as filmagens grávida de seis meses. Parece um processo importante para a atriz e ela monstra verdade em cena. Louis-Ronan Choisy, um cantor em seu primeiro papel para cinema, também não fica muito atrás. O problema é que “O Refúgio” jamais arrebata, frustrando as expectativas dos fãs de François Ozon.

Título Original: Le refuge
Ano de Produção: 2009
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon e Mathieu Hippeau
Elenco: Isabelle Carré, Louis-Ronan Choisy, Pierre Louis-Calixte, Claire Vernet, Jean-Pierre Andréani, Dominique Jacquet e Melvil Poupaud
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | O Lobisomem (2010)

O Lobisomem | The WolfmanEm uma resenha publicada neste espaço em 2007 sobre o fraco “Sangue & Chocolate“, fiz uma breve introdução sobre os filmes mais famosos sobre lobisomem e sua origem. Desde o filme da alemã Katja von Garnier até agora o conceito do filme da criatura noturna não mudou. Os espectadores que acompanharam a primeira aparição de um lobisomem como protagonista em “O Lobisomem”, clássico terror na Universal Pictures produzido em 1941, sabem que sua história está longe de se aproximar do cuidado de outros seres como Drácula e Frankenstein. Talvez seja por isto que o trabalho do americano Joe Johnston seja bem-sucedido, no sentido de que é modesto, como nos melhores exemplares, ao contar a história de como um homem é abatido por uma maldição irreversível.

O ator de teatro Lawrence Talbot (Benicio Del Toro, também produtor) retorna à País de Gales quando sua cunhada Gwen Conliffe (Emily Blunt, sempre bela e talentosa) lhe comunica que seu irmão desapareceu.  Aos poucos se desvenda que algo muito estarrecedor está por trás do mistério. Quando se aproxima da verdade, Lawrence é atacado por uma criatura cujo arranhão que lhe provoca o transforma gradativamente. Com a cigana Maleva (participação especial de Geraldine Chaplin) alertando que fora vítima de uma maldição, Lawrence fará de tudo para não virar um lobisomem.

As filmagens do terror “O Lobisomem” foram uma grande novela. Isto porque elas foram concluídas no meio de 2008 para um ano depois muitas modificações serem feitas. A montagem feita para cinema difere um pouco daquela realizada por Joe Johnston, que conta com quase vinte minutos a mais. Mesmo tendo custado altos 150 milhões de dólares, valor exorbitante e arriscado para qualquer título do gênero, “O Lobisomem” se beneficia ao evitar o uso excessivo de efeitos especiais para que o lendário maquiador Rick Baker entre em ação, oferecendo ao projeto fantástico um tom mais realista. É um filme bem classudo, mas que honra o cinema B com um gore ousado para produções deste porte.

Título Original: The Wolfman
Ano de Produção: 2010
Direção: Joe Johnston
Roteiro: Andrew Kevin Walker e David Self, baseado no roteiro de “O Lobisomem”, escrito por Curt Siodmak.
Elenco: Benicio Del Toro, Emily Blunt, Anthony Hopkins, Hugo Weaving, Simon Merrells, Mario Marin-Borquez, Asa Butterfield, Cristina Contes, David Sterne, David Schofield, Rick Baker e Geraldine Chaplin

Resenha Crítica | Sherlock Holmes (2009)

O britânico Arthur Conan Doyle entregou ao mundo o famoso Sherlock Holmes no final do século XIX. Auxiliado pelo Dr. Watson, Holmes sempre foi notório na literatura pelas formas engenhosas nas quais desvendava mistérios para lá de complexos. Foi protagonista de muitos contos e romances e fez dezenas de aparições ao longo do século passado em filmes e produções televisivas. Meio esquecido na década passada, os produtores Joel Silver, Susan Downey, Dan Lin e Lionel Wigram estudaram a possibilidade de conferir uma roupagem acessível para a nova geração. Com o roteiro pronto, convocaram Guy Ritchie para dirigir Robert Downey Jr., marido de Susan, como protagonista. O resultado deu certo.
A dupla Holmes e Watson (Downey Jr. e Jude Law) precisam desvendar um mistério que envolve Lord Blackwood (o britânico Mark Strong, ultimamente afeito a papéis de vilão), embora Watson esteja mais preocupado com o seu matrimônio com Mary Morstan (a bela Kelly Reilly). Blackwood lida com ocultismo e muitas garotas foram mortas com as suas manipulações. Capturado já na sequência inicial de “Sherlock Holmes” e enforcado em seguida, este personagem parece ter retornado do além ainda mais imbatível. Irene Adler (Rachel McAdams), antiga paixão do detetive Holmes, está conectada neste enigma.
Responsável por fitas insuportáveis de ação frenética como o recente “Rock’n’Rolla – A Grande Roubada”, o ex-marido de Madonna faz de “Sherlock Holmes” o seu primeiro trabalho refinado. Embora o inchado orçamento de noventa milhões de dólares nem sempre confiram efeitos especiais de primeira, como é evidenciado na sequência no cais do porto que soa falsa, “Sherlock Holmes” faz jus nas categorias nas quais foi lembrada na última edição do Oscar. A direção de arte é primorosa, mostrando uma Londres sórdida pouco vista. Já o extraordinário compositor Hans Zimmer é responsável por uma trilha instrumental que enche o filme de personalidade. A produção também vale pela sua descontração, com um humor bem similar àquelas aventuras de Jack Sparrow.
Título Original: Sherlock Holmes
Ano de Produção: 2009
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Eddie Marsan, Kelly Reilly, Robert Maillet, Geraldine James, William Houston, Hans Matheson, James Fox, William Hope, Clive Russell, Oran Gurel e David Garrick

Sherlock HolmesO britânico Arthur Conan Doyle entregou ao mundo o famoso Sherlock Holmes no final do século XIX. Auxiliado pelo Dr. Watson, Holmes sempre foi notório na literatura pelas formas engenhosas nas quais desvendava mistérios para lá de complexos. Foi protagonista de muitos contos e romances e fez dezenas de aparições ao longo do século passado em filmes e produções televisivas. Meio esquecido na década passada, os produtores Joel Silver, Susan Downey, Dan Lin e Lionel Wigram estudaram a possibilidade de conferir uma roupagem acessível para a nova geração. Com o roteiro pronto, convocaram Guy Ritchie para a direção  e Robert Downey Jr., marido de Susan, como protagonista. O resultado deu certo.

A dupla Holmes e Watson (Downey Jr. e Jude Law) precisa desvendar um mistério que envolve Lord Blackwood (o britânico Mark Strong, ultimamente afeito a papéis de vilão), embora Watson esteja mais preocupado com o seu matrimônio com Mary Morstan (a bela Kelly Reilly). Blackwood lida com ocultismo e muitas garotas foram mortas com as suas manipulações. Capturado já na sequência inicial de “Sherlock Holmes” e enforcado em seguida, este personagem parece ter retornado do além ainda mais imbatível. Irene Adler (Rachel McAdams), antiga paixão do detetive Holmes, está conectada neste enigma.

Responsável por fitas insuportáveis de ação frenética como o recente “Rock’n’Rolla – A Grande Roubada”, o ex-marido de Madonna faz de “Sherlock Holmes” o seu primeiro trabalho refinado. Embora o inchado orçamento de noventa milhões de dólares nem sempre confiram efeitos especiais de primeira, como é evidenciado na sequência no cais do porto que soa falsa, “Sherlock Holmes” faz jus nas categorias nas quais foi lembrada na última edição do Oscar. A direção de arte é primorosa, mostrando uma Londres sórdida pouco vista. Já o extraordinário compositor Hans Zimmer é responsável por uma trilha instrumental que enche o filme de personalidade. A produção também vale pela sua descontração, com um humor bem similar àquelas aventuras de Jack Sparrow.

Título Original: Sherlock Holmes
Ano de Produção: 2009
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Eddie Marsan, Kelly Reilly, Robert Maillet, Geraldine James, William Houston, Hans Matheson, James Fox, William Hope, Clive Russell, Oran Gurel e David Garrick

Os Cinco Filmes Prediletos de Luiz Henrique Oliveira

Luiz Henrique OliveiraConforme uma informação que pode ser lida no comentário de “Rocky Horror Picture Show”, tive a oportunidade de conhecer o Luiz, editor do blog 3 Parágrafos, pessoalmente neste ano na Virada Cultural, a primeira edição que participei. Confesso que fico um pouco nervoso ao conhecer pessoas e arrependido de ter estado distante da poltrona onde ele estava acomodado ao lado de seu amigo Thiago. Mesmo assim, após a sessão, pude conversar com ele no meio da madrugada e tive aquela agradável sensação que que falava com alguém que conheço há um tempo considerável – graças as redes sociais, claro!

Fiquei contente de contar com sua participação neste mero espaço, compartilhando conosco suas maiores experiências audiovisuais. E que numa futura sessão de cinema estejamos aproveitando um entretenimento tão divertido como foi “Rocky Horror Picture Show” sentados em uma mesma fileira de poltronas.

Dando o direito à palavra:

“Atendendo ao convite do Alex, saí de minha pseudo aposentadoria – eu tinha o 3 Parágrafos, quem sabe volte com ele em breve! – para fazer cinco breves comentários sobre os filmes que eu considero importante. Coloquei na ordem da minha preferência, e você que lê isso agora pode concordar ou não com o meu texto. Depende de você!”

 

Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg (1977, Close Encounters of the Third Kind)Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg (1977, Close Encounters of the Third Kind)

A minha ligação com “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” começou quando eu ganhei meu primeiro aparelho de DVD, isso em 2001. Fui buscar algum lançamento na locadora, e me vendo sem opções, resolvi arriscar com aquela capinha esquisita, multicolorida e bem misteriosa, trazendo uma nave que, sinceramente, achei bem estranha. E ter o nome “Spielberg” acima dos letreiros também ajudou bastante, já naquela época eu era muito fã dele. Pois bem. Estamos em 2010 e ainda pego esse filme para ver pelo menos uma vez por mês, sem enjoar. Encabeça qualquer lista que eu faça. Tudo no filme me arrebatou, desde a história sensacional de contatos com extraterrestres até os efeitos especiais que são melhores do que muita coisa produzida hoje em dia pelo quíntuplo do preço. É o que de melhor o diretor dirigiu e serve como um manifesto das ideias que ele viria a apresentar em seus filmes seguintes, até “amadurecer” com “A Lista de Schindler” e se tornar um diretor sério, de filmes sérios e ficar meio careta. Sua porção sonhadora e idealista fez com que dirigisse suas melhores obras, e por consequência, entrar com a maioria para a História do Cinema. Richard Dreyfuss e François Truffaut são os principais atores, encarnando com dignidade e emoção seus personagens, deslocados do mundo dito real, que agarram seus ideais com firmeza não só por coragem, mas por acreditar em seus sonhos, o que é realmente inspirador. É algo único, ninguém nunca conseguirá criar algo tão intenso e perfeito como “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, o filme das cinco notas.


Gandhi, de Richard Attenborough (1982, Gandhi)Gandhi, de Richard Attenborough (1982, Gandhi)

Sou fã de Ben Kingsley, assisto qualquer coisa da qual ele participe. Ultimamente ele andou escorregando no tomate atuando em coisas bizarras, como num filme daquele diretor que é considerado o pior do mundo, aquele alemão cujo nome só vou lembrar daqui duas semanas. E também esteve naquela bobagem da adaptação de “Prince of Persia”. Sendo assim, é um mistério para mim como é que eu ainda não tinha visto “Gandhi”. Achei para comprar, levei para casa, e ao final de quase três horas eu já estava encantado. Por esse motivo o listei aqui, em segundo lugar. Mesmo que a direção emotiva e competente do Richard Attenborough – que nunca mais fez algo de bom na direção depois desse – que levou anos para concretizar esse projeto, é um filme de atuação, e a atuação é de Kingsley, que incorpora Gandhi, vestindo a túnica branca e falando de paz e amor como se fizesse isso todas as manhãs. Da primeira até a última cena o filme é dele, mostrando-se com energia, sobriedade e grande carisma. Coisa que só voltou a acontecer numa biografia quando Marion Cotillard ressuscitou Edith Piaf em “Piaf – Um Hino ao Amor”. É impressionante. E se nada disso fosse suficiente, convém ao atual público jovem assistir para aprender como se chega a algum lugar sem violência e nem baixaria, como fez o Mahatma no começo do século.


Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick (1964, Dr. Strangelove)Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick (1964, Dr. Strangelove)

É praticamente impossível a qualquer amante do cinema deixar de incluir alguma coisa do gênio incontestável Stanley Kubrick. Seja em que lista for, é quase obrigação colocar alguma coisa dele. O ruim é escolher o que colocar. Para fugir dos óbvios “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, “Laranja Mecânica” e “O Iluminado”, escolhi este, que foi o primeiro contato que tive com o senso de humor (!) de Kubrick. Partindo de uma premissa absurda (ou nem tão absurda assim, tendo em vista as loucuras de certos militares ao redor do mundo…), uma comédia de erros se desenrola de uma forma até exagerada para os padrões kubrickianos. O trunfo está na atuação de Peter Sellers que, como veio a provar em toda a sua carreira, foi um excepcional ator, conseguindo criar, em três papéis diferentes, três personalidades completamente distintas. Isso associado à obsessão tão conhecida do diretor pela perfeição, compondo quadros que caminham de mãos dadas com o surrealismo, causa em quem assiste uma sensação de estranhamento. Estranho, mas engraçado, sem dúvida. Como em toda a sua filmografia, o roteiro é impecável, inteligente e envelheceu pouco. E ah! Tem George C. Scott no elenco. Não tinha mesmo como dar errado.


Rocky Horror Picture Show, de Jim Sharman (1975, The Rocky Horror Picture Show)Rocky Horror Picture Show, de Jim Sharman (1975, The Rocky Horror Picture Show)

Antes do dia quinze de maio do ano corrente, eu só havia visto “Rocky Horror Picture Show” duas vezes: uma no começo da minha adolescência, e outra há poucos anos, em um canal de tevê por assinatura, onde o vi aos pedaços. E em ambas as vezes eu o achei apenas… legalzinho. Entretanto, durante a Virada Cultural desse ano, em São Paulo, o filme passou numa sessão de meia-noite e eu fui conferir acompanhado, entre outros, pelo honorável escrevinhador do Cine Resenhas. E o que vi, na tela grande do Cine SESC, foi algo muito próximo de uma experiência litúrgica. Até o momento em que eu digito isso aqui, foi a melhor sessão de cinema que eu já peguei nessa minha ordinária vida. Até hoje não consigo mais deixar de assistir e cantar coisas como “Hot Patootie” ou “Time Warp”. A mágica desse filme reside em dois pontos cruciais: em primeiro, as músicas fáceis de decorar, que grudam na cabeça igual durepox, são de ritmo ágil e letras marcantes; quem vê o filme fica com a maioria na cabeça por várias semanas. Em segundo, o tom deliciosamente exagerado do filme, com as atuações mais extravagantes (no bom sentido) de Susan Sarandon, Barry Bostwick e de Tim Curry, que rouba cada frame em que aparece com seu magnetismo. É um musical paupérrimo, e como cinema é bem limitado. Mas quem se importa? “Rocky Horror Picture Show” transcende a isso. É viciante.


E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg (1982, E.T. the Extra-Terrestrial)E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg (1982, E.T. the Extra-Terrestrial)

Não há cineasta que saiba tão bem levar o público às lágrimas como Steven Spielberg. Ainda me lembro do choque que foi ver “E.T. – O Extraterrestre” pela primeira vez; eu era pequeno e no começo fiquei assustado, com um pouco de medo daquele bicho pescoçudo e barrigudo. Normalmente ele me causaria asco, mas o talento de Spielberg o humaniza, trazendo-o como algo absolutamente normal inserido no ambiente suburbano dos Estados Unidos. O mais legal é que o filme poderia se passar em qualquer subúrbio, seja aqui no Brasil ou no Japão, na Alemanha ou na Itália. Em qualquer lugar do mundo. Drew Barrymore estreou no cinema neste filme, fofa como nunca. E tem o Peter Coyote, competente ator que também se destaca nas poucas cenas em que efetivamente aparece. O roteiro flui com naturalidade, e as duas horas do filme passam num passe de mágica. Sem contar a excepcional e, na minha opinião, a melhor trilha que John Williams compôs até o momento, melhor até que seus temas para “Star Wars”, “Indiana Jones” ou “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”. Mas o marco mesmo é a direção inspirada do diretor, que se colocou de cabeça no projeto e produziu um filme arrebatador, seja para as crianças ou para os adultos. É um clássico atemporal, e obrigatório em qualquer coleção de grandes filmes da História, e certamente é um dos três melhores filmes da absurdamente criativa década de oitenta.


Resenha Crítica | Flashes de Uma Psicose

A morte da jovem atriz Brittany Murphy deixou muitas pessoas chocadas. Isto porque a atriz revelada em “As Patricinhas de Beverly Hills” era talentosa e tinha um carisma contagiante. Talvez nunca seja confirmada a veracidade de boatos que confirmam que seus últimos dias de vida não foram fáceis, mas só mesmo problemas particulares poderiam justificar os rumos lamentáveis de sua carreira. Devastadora no drama misterioso “A Garota Morta”, longa-metragem da diretora independente Karen Moncrieff produzido em 2006, Brittany Murphy não fez nada digno de nota posteriormente, o que inclui “Flashes de Uma Psicose”, thriller lançado diretamente ao mercado de vídeo com o selo de que este é seu último filme – na verdade não é, pois Darin Scott está pós-produzindo “Something Wicked”, que traz a atriz como protagonista.
Alice (Brittany Murphy) é uma roteirista lésbica de trinta e dois anos. Ela tem um deadline para escrever sua próxima criação e decide se isolar em uma casa vitoriana. Sua namorada Rebecca (Tammy Blanchard) não concorda com o isolamento, mas vê que ele é necessário para Alice. O problema é que nossa protagonista não demora para notar que algo de muito obscuro aconteceu naquele lugar. Aos poucos desvenda que é algo relacionado ao casal Lucy (Thora Birch, outra jovem atriz talentosa com carreira indo ladeira abaixo) e David (Marc Blucas, que viveu o amante vizinho de Naomi Watts em “Destinos Ligados”).
Apesar da resolução do mistério ser parcialmente previsível (há dois finais surpresa), “Flashes de Uma Psicose” seria um passatempo caso o seu condutor Sean McConville tivesse esmero para explorar o cenário. Ao invés disso, se aproveita de velhas convenções de gênero, como o uso de maquiagem vagabunda (fruto do orçamento baixíssimo) com acordes musicais excessivos para provocar algum pavor na plateia. Não funciona, assim como os desempenhos ineficazes, especialmente da pobre Brittany Murphy.
Título Original: Deadline
Ano de Produção: 2009
Direção: Sean McConville
Elenco: Brittany Murphy, Thora Birch, Tammy Blanchard, Marc Blucas, Claudia Troll e Michael Piscitelli

Flashes de uma Psicose | DeadlineA morte da jovem atriz Brittany Murphy deixou muitas pessoas chocadas. Isto porque a atriz revelada em “As Patricinhas de Beverly Hills” era talentosa e tinha um carisma contagiante. Talvez nunca seja confirmada a veracidade de boatos que confirmam que seus últimos dias de vida não foram fáceis, mas só mesmo problemas particulares poderiam justificar os rumos lamentáveis de sua carreira. Devastadora no drama misterioso “A Garota Morta“, longa-metragem da diretora independente Karen Moncrieff produzido em 2006, Brittany Murphy não fez nada digno de nota posteriormente, o que inclui “Flashes de Uma Psicose”, thriller lançado diretamente ao mercado de vídeo com o selo de que este é seu último filme – na verdade não é, pois Darin Scott está pós-produzindo “Something Wicked”, que traz a atriz como protagonista.

Alice (Brittany Murphy) é uma roteirista lésbica de trinta e dois anos. Ela tem um deadline para escrever sua próxima criação e decide se isolar em uma casa vitoriana. Sua namorada Rebecca (Tammy Blanchard) não concorda com o isolamento, mas vê que ele é necessário para Alice. O problema é que nossa protagonista não demora para notar que algo de muito obscuro aconteceu naquele lugar. Aos poucos desvenda que é algo relacionado ao casal Lucy (Thora Birch, outra jovem atriz talentosa com carreira indo ladeira abaixo) e David (Marc Blucas, que viveu o amante vizinho de Naomi Watts em “Destinos Ligados“).

Apesar da resolução do mistério ser parcialmente previsível (há dois finais surpresa), “Flashes de Uma Psicose” seria um bom passatempo caso o seu condutor Sean McConville tivesse esmero para explorar o cenário. Ao invés disso, se aproveita de velhas convenções de gênero, como o uso de maquiagem vagabunda (fruto do orçamento baixíssimo) com acordes excessivos para provocar algum pavor na plateia. Não funciona, assim como os desempenhos ineficazes, especialmente da pobre Brittany Murphy.

Título Original: Deadline
Ano de Produção: 2009
Direção: Sean McConville
Elenco: Brittany Murphy, Thora Birch, Tammy Blanchard, Marc Blucas, Claudia Troll e Michael Piscitelli
Cotação:  1 Star

Resenha Crítica | Sentimento de Culpa (2010)

A cineasta nascida em Nova York Nicole Holofcener é responsável por uma filmografia pequena de grande prestígio entre a crítica. Forte colaboradora do cinema americano independente, Nicole se destaque ao desenvolver personagens que são seres humanos como nós, enfrentando anseios realistas que causam empatia. Foi algo que aconteceu no ótimo “Amigas com Dinheiro”, um dos poucos filmes a desenvolver de maneira nada caricata a vida de mulheres de classe média alta e que novamente é testemunhado no pequeno “Sentimento de Culpa”.
De maneira geral, o filme é centrado em duas protagonistas. A primeira é Kate (Catherine Keener, sempre perfeita em papéis que lhe dão o devido realce), que junto com o marido Alex (Oliver Platt) são donos de um negócio que viza vender móveis de pessoas falecidas. Kate sofre de uma crise de meia-idade, com a filha Abby (Sarah Steele) que não a respeita e o impulso que sente ao ajudar aos necessitados. A segunda protagonista é Rebecca (a inglesa Rebecca Hall, de “Vicky Cristina Barcelona” e “Frost/Nixon”), cuja avó Andra (Ann Guilbert) é vizinha de Kate e Alex. Rebecca a visita constantemente e se sente solitária sempre que percebe que não encontrou um parceiro ideal.
Muito sutil, “Sentimento de Culpa” lida a todo o momento com os temores de suas personagens em envelhecerem. Elas sempre analisam as próprias aparências, castigadas com o passar de cada ano. Fazendo uma ótima analogia a isto, a sequência inicial mostra Rebecca realizando exames de mamografia, com a câmera focando apenas os seios de senhoras em idades bem avançadas. Não se limitando apenas a isto, “Sentimento de Culpa” é um filme que chega a comover ao retratar outras coisas simples da vida, como as relações familiares e o amadurecimento. Há anos sem um bom desempenho, Amanda Peet surpreende vivendo Mary, irmã de Rebecca que trabalha em uma clínica de limpeza facial e que tem lá seus assuntos mal resolvidos.
Título Original: Please Give
Ano de Produção: 2010
Direção: Nicole Holofcener
Elenco: Catherine Keener, Rebecca Hall, Oliver Platt, Amanda Peet, Sarah Steele, Ann Morgan Guilbert, Thomas Ian Nicholas, Lois Smith, Josh Pais, Elizabeth Keener, Elise Ivy, Scott Cohen e Amy Wright

Sentimento de Culpa | Please GiveA cineasta nascida em Nova York Nicole Holofcener é responsável por uma filmografia pequena de grande prestígio entre a crítica. Forte colaboradora do cinema americano independente, Nicole se destaque ao desenvolver personagens que são seres humanos como nós, enfrentando anseios realistas que causam empatia. Foi algo que aconteceu no ótimo “Amigas com Dinheiro”, um dos poucos filmes a desenvolver de maneira nada caricata a vida de mulheres de classe média alta, e que novamente é testemunhado no pequeno “Sentimento de Culpa”.

De maneira geral, o filme é centrado em duas protagonistas. A primeira é Kate (Catherine Keener, sempre perfeita em papéis que lhe dão o devido realce), que junto com o marido Alex (Oliver Platt) são donos de um negócio que visa vender móveis de pessoas falecidas. Kate sofre de uma crise de meia-idade, com a filha Abby (Sarah Steele) que não a respeita e o impulso que sente ao ajudar os necessitados. A segunda protagonista é Rebecca (a inglesa Rebecca Hall, de “Vicky Cristina Barcelona” e “Frost/Nixon“), cuja avó Andra (Ann Guilbert) é vizinha de Kate e Alex. Rebecca a visita constantemente e se sente solitária sempre que percebe que não encontrou um parceiro ideal.

Muito sutil, “Sentimento de Culpa” lida a todo o momento com os temores de suas personagens em envelhecerem. Elas sempre analisam as próprias aparências, castigadas com o passar de cada ano. Fazendo uma ótima analogia a isto, a sequência inicial mostra Rebecca realizando exames de mamografia, com a câmera focando apenas os seios de senhoras em idades bem avançadas. Não se limitando apenas a isto, “Sentimento de Culpa” é um filme que chega a comover ao retratar outras coisas simples da vida, como as relações familiares e o amadurecimento. Há anos sem um bom desempenho, Amanda Peet surpreende vivendo Mary, irmã de Rebecca que trabalha em uma clínica de limpeza facial e que tem lá seus assuntos mal resolvidos.

Título Original: Please Give
Ano de Produção: 2010
Direção: Nicole Holofcener
Elenco: Catherine Keener, Rebecca Hall, Oliver Platt, Amanda Peet, Sarah Steele, Ann Morgan Guilbert, Thomas Ian Nicholas, Lois Smith, Josh Pais, Elizabeth Keener, Elise Ivy, Scott Cohen e Amy Wright

Amor Extremo

Keira Knightley parece ter nascido para estrelar filmes de época. A musa do cineasta John Maybury já trabalhou com ele em “Camisa de Força”, um dos poucos trabalhos recentes da atriz que a traz em uma história que se passa em uma data mais atual. Em “Amor Extremo”, Keira Knightley capricha na performance, pois lhe é um projeto pessoal, cujo roteiro foi assinado pela própria mãe, Sharman Macdonald, autora de “Momento de Afeto”, primeiro e único filme dirigido pelo ator britânico Alan Rickman.
Enquanto a guerra está prestes a estourar, a cantora Vera Phillips (Keira Knightley) reencontra-se com um amigo e amor do passado, Dylan Thomas (Matthew Rhys). Ele se relaciona com Caitlin Thomas (Sienna Miller), com quem já tem uma filha. No entanto, algo de estranho acontece com este casal. Dylan e Caitlin aparentam serem infiéis e a presença do soldado William Killick (Cillian Murphy) transformará tudo em um quadrado amoroso.
Há falta de tato do diretor John Maybury ou mesmo da roteirista Sharman Macdonald na construção destes personagens. No início de “Amor Extremo”, não é muito compreensível as motivações do quarteto. Por outro lado, quando é explorado os efeitos causados a todos quando o personagem William está em um verdadeiro campo de batalha, o filme cresce, criando tensão e envolvimento da plateia com a história.
Título Original: The Edge of Love
Ano de Produção: 2008
Direção: John Maybury
Elenco: Keira Knightley, Sienna Miller, Cillian Murphy, Matthew Rhys, Richard Dillane, Huw Ceredig, Rachel Essex, Anne Lambton, Alastair Mackenzie, Neville Malcolm, Jonny Phillips, Camilla Rutherford e Lisa Stansfield

Amor Extremo | The Edge of Love

Keira Knightley parece ter nascido para estrelar filmes de época. A musa do cineasta John Maybury já trabalhou com ele em “Camisa de Força”, um dos poucos trabalhos recentes da atriz que a traz em uma história que se passa em uma data mais atual. Em “Amor Extremo”, Keira Knightley capricha na performance, pois lhe é um projeto pessoal, cujo roteiro foi assinado pela própria mãe, Sharman Macdonald, autora de “Momento de Afeto”, primeiro e único filme dirigido pelo ator britânico Alan Rickman.

Enquanto a guerra está prestes a estourar, a cantora Vera Phillips (Keira Knightley) reencontra-se com um amigo e amor do passado, Dylan Thomas (Matthew Rhys). Ele se relaciona com Caitlin Thomas (Sienna Miller), com quem já tem um filho. No entanto, algo de estranho acontece com este casal. Dylan e Caitlin aparentam serem infiéis e a presença do soldado William Killick (Cillian Murphy) transformará tudo em um quadrado amoroso.

Há falta de tato do diretor John Maybury ou mesmo da roteirista Sharman Macdonald na construção destes personagens. No início de “Amor Extremo”, não são muito compreensíveis as motivações do quarteto, embora nestes momentos se sobressaia pelo apuro técnico e por cenas muito bem enquadradas (especialmente a conversa de Vera e Caitlin deitadas no assoalho com as cabeças próximas uma da outra). Por outro lado, quando é explorado os efeitos causados a todos quando o personagem William está em um verdadeiro campo de batalha, o filme cresce, criando tensão e envolvimento da plateia com a história.

Título Original: The Edge of Love
Ano de Produção: 2008
Direção: John Maybury
Elenco: Keira Knightley, Sienna Miller, Cillian Murphy, Matthew Rhys, Richard Dillane, Huw Ceredig, Rachel Essex, Anne Lambton, Alastair Mackenzie, Neville Malcolm, Jonny Phillips, Camilla Rutherford e Lisa Stansfield
Cotação: 3 Stars

Nine

Não há filme pior do que aquele que tenta se destinar para dois ou mais gêneros de público e não é capaz de satisfazer nenhum deles. Esta é uma preocupação grande no musical “Nine”. Não se trata exatamente de uma versão direta do clássico “8½”, uma espécie de fantasia dramática conduzida em 1963 por Federico Fellini, mas sim do musical da Broadway apresentado pela primeira vez em 1982 com Raul Julia na pele de Guido Contini. Em um revival de 2003, Antonio Banderas interpretou o personagem.
Para o cinema o roteiro foi escrito por Michael Tolkin e Anthony Minghella, que faleceu enquanto estava envolvido na produção. Trata-se apenas da história de Guido Contini (Daniel Day-Lewis, péssimo com sua imutável expressão de cão sem dono e sotaque desapropriado), cineasta as voltas de seu novo filme sendo produzido sem um roteiro. O problema é que Rob Marshall também parece sofrer do mesmo mal de Guido, preenchendo todo o seu filme com números musicais com letras muito bem compostas, mas encaixadas em sua produção de maneira quase desastrosa.
Se há um diferencial positivo em “Nine” se diz respeito as personagens defendidas por um respeitável elenco feminino. As mulheres deste musical têm mais camadas do que aquelas dentro da história de Federico Fellini, embora não passem de marionetes controladas por Guido. Temos sua esposa (Marion Cotillard, excelente), amante (Penélope Cruz, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante), Mamma (Sophia Loren), uma jornalista (Kate Hudson), sua figurinista e confidente (Judi Dench, que protagoniza o número musical mais grotesco de todos), sua musa (Nicole Kidman) e uma prostituta que marcou sua infância (Stacy Ferguson, que por ser cantora é a melhor em desempenhar o seu número). Apesar da turma de peso, todo o empenho da equipe de “Nine” não é suficiente para que os tormentos tolos de Guido diante de tantas mulheres convençam. Procure apenas pela trilha-sonora.
Título Original: Nine
Ano de Produção: 2009
Direção: Rob Marshall
Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Sophia Loren, Kate Hudson, Judi Dench, Nicole Kidman, Stacy Ferguson, Ricky Tognazzi, Giuseppe Cederna, Elio Germano, Roberto Nobile e Andrea Di Stefano

NineNão há filme pior do que aquele que tenta se destinar para dois ou mais gêneros de público e não é capaz de satisfazer nenhum deles. Esta é uma preocupação grande no musical “Nine”. Não se trata exatamente de uma versão direta do clássico “8½”, uma espécie de fantasia dramática conduzida em 1963 por Federico Fellini, mas sim do musical da Broadway apresentado pela primeira vez em 1982 com Raul Julia na pele de Guido Contini. Em um revival de 2003, Antonio Banderas interpretou o personagem.

Para o cinema o roteiro foi escrito por Michael Tolkin e Anthony Minghella, que faleceu enquanto estava envolvido na produção. Trata-se apenas da história de Guido Contini (Daniel Day-Lewis, péssimo com sua imutável expressão de cão sem dono e sotaque desapropriado), cineasta às voltas de seu novo filme sem roteiro. O problema é que Rob Marshall também parece sofrer do mesmo mal de Guido, preenchendo todo o seu filme com números musicais com letras muito bem compostas, mas encaixadas em sua produção de maneira quase desastrosa.

Se há um diferencial positivo em “Nine” se diz respeito as personagens defendidas por um respeitável elenco feminino. As mulheres deste musical têm mais camadas do que aquelas dentro da história de Federico Fellini, embora não passem de marionetes controladas por Guido. Temos sua esposa (Marion Cotillard, excelente), amante (Penélope Cruz, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante), Mamma (Sophia Loren), uma jornalista (Kate Hudson), sua figurinista e confidente (Judi Dench, que protagoniza o número musical mais grotesco de todos), sua musa (Nicole Kidman) e uma prostituta que marcou sua infância (Stacy Ferguson, que por ser cantora é a melhor em desempenhar o seu número). Apesar da turma de peso, todo o empenho não é suficiente para que os tormentos tolos de Guido diante de tantas mulheres convençam. Procure apenas pela trilha-sonora.

Título Original: Nine
Ano de Produção: 2009
Direção: Rob Marshall
Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Sophia Loren, Kate Hudson, Judi Dench, Nicole Kidman, Stacy Ferguson, Ricky Tognazzi, Giuseppe Cederna, Elio Germano, Roberto Nobile e Andrea Di Stefano
Cotação:  1 Star

Amelia

AmeliaQuando um filme é produzido com aquelas pretensões de fazer bonito na lista de indicados a uma edição do Oscar todo mundo fica atento a cada fase de filmagem até o seu lançamento. O problema é quando as expectativas se frustram. No último ano não houve melhor exemplo de mau êxito do que o novo trabalho da cineasta indiana Mira Nair. Tendo trabalhado em muitas ocasiões com investidores americanos em títulos como “Tudo Por Um Sonho” e “Feira das Vaidades”, “Amelia” estava assegurando ao menos uma nova indicação ao Oscar para a notável atriz Hilary Swank. Não foi o que aconteceu. No entanto, o seu fracasso é totalmente injusto.

Antes de ser incorporada por Hilary Swank, a aviadora Amelia Earhart ganhou vida em outros filmes por duas atrizes bem famosas. Em 1994, a produção televisiva “A Rainha do Ar” trazia Diane Keaton vivendo esta grande figura histórica. Com uma verve mais cômica, a adorável Amy Adams a fez em “Uma Noite no Museu 2“. Amelia Earhart também foi lembrada em outras produções pouco vistas e a produção de Mira Nair vinha como uma representação definitiva desta mulher, a primeira a voar sozinha sobre o oceano Atlântico. Casou-se com o publicitário George Putnam (no filme vivido por Richard Gere), mas não deixou de lado o seu sonho ousado de atingir novos limites nas alturas.

Mesmo que derrape sempre ao retratar o caso de Amelia com Gene Vidal (Ewan McGregor), aviador pai do escritor americano Gore Vidal, “Amelia” é uma produção de primeira. Além da impecável reconstituição de época representada por um maginífico guarda-roupa assinado por Kasia Walicka-Maimone, direção de arte de Nigel Churcher e fotografia de Stuart Dryburgh (indicado ao Oscar por “O Piano”), “Amelia” também apresenta sequências contemplativas magníficas. Com tudo isso, o seu grande trunfo se encontra mesmo na respeitável criação de personagem. Sendo uma mulher a frente de seu tempo, Amelia Earhart se mostra entre as suas aventuras romântica sonhadora, otimista e cheia de garra para enfrentar qualquer obstáculo daquele período. Eis aqui a adaptação de uma biografia digna da heroína que retrata.

Título Original: Amelia
Ano de Produção: 2009
Direção: Mira Nair
Elenco: Hilary Swank, Richard Gere, Ewan McGregor, Christopher Eccleston, Mia Wasikowska, Joe Anderson, Cherry Jones, Aaron Abrams, Dylan Roberts, Scott Yaphe, Tom Fairfoot, William Cuddy, Elizabeth Shepherd e William Cuddy
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | Os Vampiros Que Se Mordam (2010)

Os Vampiros Que Se Mordam | Vampires SuckUma sátira sempre chama a atenção do espectador, independente do veículo onde ela é destinada. Quando é no cinema, as primeiras paródias que são lembradas eram aquelas conduzidas pelo trio ZAZ, representado por David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker. São deles comédias clássicas como “Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu”, “Top Gang! – Ases Muito Loucos” e “Corra Que a Polícia Vem Aí!”. Pena que a recordação desses bons tempos também ofereça uma grande decepção, pois atualmente quem comanda esse tipo de sátira é a dupla Aaron Seltzer e Jason Friedberg. Embora tenham auxiliado na criação dos hilariantes personagens de “Todo Mundo em Pânico”, na direção eles são um desastre, como provou “Uma Comédia Nada Romântica”, “Deu a Louca em Hollywood“, entre outros.

Depois do vergonhoso fracasso de “Super-Heróis – A Liga da Injustiça” (ao menos no circuito americano), Aaron Seltzer e Jason Friedberg aproveitaram o fenômeno de “A Saga Crepúsculo” para a criação de novas piadas. Totalmente insosso, “Os Vampiros Que Se Mordam” se dedica apenas em repaginar a história da humana que se apaixona por um vampiro e também por um lobisomem (aqui também há referências de “A Saga Crepúsculo: Lua Nova“). Jenn Proske, Matt Lanter e Chris Riggi vivem os personagens respectivamente incorporados na saga original por Kristen Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner.

Não se importando com as críticas de público e imprensa, Aaron Seltzer e Jason Friedberg repetem as mesmas falhas das experiências passadas. A dupla acredita que para fazer rir basta usar referências aleatórias, colocando personagens e celebridades como Alice e Lady GaGa fazendo figurações inexplicáveis. Se “Os Vampiros Que Se Mordam” não recebe uma bomba como avaliação é porque a atriz Jenn Proske compensa algumas frações de tempo perdido. Mesmo boa atriz, Kristen Stewart está uma porta como Bella em “A Saga Crepúsculo” e Jenn consegue reproduzir com perfeição a inexpressividade que é marca registrada da jovem indecisa, provocando assim alguns risos amarelos.

Título Original: Vampires Suck
Ano de Produção: 2010
Direção: Aaron Seltzer e Jason Friedberg
Elenco: Jenn Proske, Matt Lanter, Diedrich Bader, Chris Riggi, Ken Jeong, Anneliese van der Pol, Mike Mayhall, Rett Terrell, Stephanie Fischer, Nick Eversman, Zane Holtz, Crista Flanagan e Arielle Kebbel