Cabeça a Prêmio

Mesmo não tendo a popularidade de intérpretes como Wagner Moura e Selton Mello, Marco Ricca sempre se mostrou um ator exemplar em títulos importantes dentro da cinematografia brasileira (“O Que É Isso, Companheiro?” e “O Invasor”), projetos populares (“Cristina Quer Casar” e “O Casamento de Romeu e Julieta”) e televisivos (“JK”, “Brava Gente” e “Os Normais”). Talvez por isto muitos aguardavam com expectativa que este talento singular para a interpretação fosse transferido para o seu primeiro trabalho como cineasta em “Cabeça a Prêmio”. Infelizmente, não foi desta vez.
A estrutura de “Cabeça a Prêmio”, inspirado em um livro de Marçal Aquino, é cansativa, acompanhando dois irmãos de perfis antagônicos, Miro (Fúlvio Stefanini) e Abílio (Otávio Müller). Sabe-se que são pecuaristas envolvidos em negócios obscuros que a narrativa jamais destaca com clareza. Miro é pai de Elaine (Alice Braga, sempre reservando espaço para o cinema nacional mesmo com sua fama fora do país) e mantém relações com Denis (o uruguaio Daniel Hendler), piloto que trabalha para Miro. Envolve-se nas intrigas dois matadores de aluguel (papéis de Eduardo Moscovis e Cássio Gabus Mendes).
Em termos de interpretações, “Cabeça a Prêmio” tem relevância. Os personagens, todos bem desorientados, são incorporados com esforço pelo elenco, com muitos nomes já tendo dividido a cena com Marco Ricca. Um destaque especial vai para as cenas de sexo entre Eduardo Moscovis e Via Negromonte, fotografada com pouca iluminação por José Roberto Eliezer e que ganham intensidade pela dupla. Uma pena que “Cabeça a Prêmio” comete os maiores deslizes de um filme de iniciante por trás das câmeras: não tem o que dizer com suas linhas narrativas inconclusivas e não sabe para quem deseja ser direcionado.
Título Original: Cabeça a Prêmio
Ano de Produção: 2009
Direção: Marco Ricca
Roteiro: Felipe Braga e Marco Ricca, baseado no livro “Cabeça a Prêmio”, de Marçal Aquino
Elenco: Fúlvio Stefanini, Otávio Muller, Eduardo Moscovis, Daniel Hendler, Alice Braga, Cássio Gabus Mendes, Via Negromonte, Ana Braga, César Trancoso, David Cardoso e Denise Weinberg

Cabeça a PrêmioMesmo não tendo a popularidade de intérpretes como Wagner Moura e Selton Mello, Marco Ricca sempre se mostrou um ator exemplar em títulos importantes dentro da cinematografia brasileira (“O Que É Isso, Companheiro?” e “O Invasor”), projetos populares (“Cristina Quer Casar” e “O Casamento de Romeu e Julieta”) e televisivos (“JK”, “Brava Gente” e “Os Normais”). Talvez por isto muitos aguardavam com expectativa que este talento singular para a interpretação fosse transferido para o seu primeiro trabalho como cineasta em “Cabeça a Prêmio”. Infelizmente, não foi desta vez.

A estrutura de “Cabeça a Prêmio”, inspirado em um livro de Marçal Aquino, é cansativa, acompanhando dois irmãos de perfis antagônicos, Miro (Fúlvio Stefanini) e Abílio (Otávio Müller). Sabe-se que são pecuaristas envolvidos em negócios obscuros que a narrativa jamais destaca com clareza. Miro é pai de Elaine (Alice Braga, sempre reservando espaço para o cinema nacional mesmo com sua fama fora do país) e mantém relações com Denis (o uruguaio Daniel Hendler), piloto de avião que trabalha para Miro. Envolvem-se nas intrigas dois matadores de aluguel (papéis de Eduardo Moscovis e Cássio Gabus Mendes).

Em termos de interpretações, “Cabeça a Prêmio” tem relevância. Os personagens, todos bem desorientados, são incorporados com esforço pelo elenco, com muitos nomes já tendo dividido a cena com Marco Ricca em oportunidades anteriores. Um destaque especial vai para Eduardo Moscovis e Via Negromonte nas cenas de sexo, fotografadas com pouca iluminação por José Roberto Eliezer e que ganham intensidade pela dupla. Uma pena que “Cabeça a Prêmio” comete os maiores deslizes de um filme de iniciante detrás das câmeras: não tem o que dizer com suas linhas narrativas inconclusivas e não sabe para quem deseja ser direcionado.

Título Original: Cabeça a Prêmio
Ano de Produção: 2009
Direção: Marco Ricca
Roteiro: Felipe Braga e Marco Ricca, baseado no livro “Cabeça a Prêmio”, de Marçal Aquino
Elenco: Fúlvio Stefanini, Otávio Muller, Eduardo Moscovis, Daniel Hendler, Alice Braga, Cássio Gabus Mendes, Via Negromonte, Ana Braga, César Trancoso, David Cardoso e Denise Weinberg
Cotação:  2 Stars

Piranha

O cineasta francês Alexandre Aja se apresentou como promessa dentro do gênero terror durante a década passada com os nervosos “Alta Tensão” e “Viagem Maldita”. Derrapou levemente na sua contribuição como roteirista em “P2 – Sem Saída” e “Espelhos do Medo”. Nada que abalasse a sua reputação. Entretanto, se o jovem realizador não buscar se envolver em projetos originais poderá comprometer sua filmografia – de cinco filmes, três são refilmagens. É o que podemos notar com “Piranha”, que infelizmente funciona apenas na base do deboche.
Tinha tudo para ser uma diversão memorável, mas o desenvolvimento da história pouco contribui para isto. No meio de tantos personagens, muitos meros figurantes, encontramos como protagonista Jake Forester (papel de Steven R. McQueen, neto de Steve MacQueen e ator do seriado “The Vampire Diaries”), filho da xerife Julie (Elisabeth Shue). Ele se envolve com um picareta realizador de filmes pornográficos (Jerry O’Connell) exatamente no momento que piranhas pré-históricas atacam universitários no spring break. Os mocinhos se dão bem enquanto moças esculturais que exibem seus seis e rapazes alcoólatras e vulgares se tornam banquetes dos peixes carnívoros sem qualquer cerimônia.
A impressão que essa carnificina rende é praticamente a mesma vista no trabalho recente de Robert Rodriguez, “Machete”. Ambos os títulos fazem crer que são suficientemente satisfatórios ao se ancorarem no que há de mais precário no cinema. Há litros de sangue falso, péssimas interpretações, muita sacanagem e um argumento patético que se arrasta por aproximadamente noventa minutos. Os diretores se esqueceram que não basta fazer um filme ruim para ele, no final das contas, ser bom. É preciso, acima de tudo, inteligência para tornar as referências (a introdução de “Piranha” é clara homenagem a “Tubarão”, com Richard Dreyfuss dando o ar da graça rapidamente) e o tom cômico empregado válidos, como bem fez o também recente “Zumbilândia”. Do jeito que ficou, só não perde para as piranhas voadoras de James Cameron.
Título Original: Piranha
Ano de Produção: 2010
Direção: Alexandre Aja
Roteiro: Josh Stolberg e Pete Goldfinger
Elenco: Elisabeth Shue, Steven R. McQueen, Ving Rhames, Jessica Szohr, Jerry O’Connell, Cody Longo, Adam Scott, Kelly Brook, Riley Steele, Dina Meyer, Ricardo Chavira, Paul Scheer, Brooklynn Proulx, Sage Ryan, Brian Kubach, Eli Roth, Christopher Lloyd e Richard Dreyfuss

PiranhaO cineasta francês Alexandre Aja se apresentou como promessa dentro do gênero terror durante a década passada com os nervosos “Alta Tensão” e “Viagem Maldita”. Derrapou levemente na sua contribuição como roteirista em “P2 – Sem Saída” e “Espelhos do Medo“. Nada que abalasse a sua reputação. Entretanto, se o jovem realizador não buscar se envolver em projetos originais poderá comprometer sua filmografia – de cinco filmes, três são refilmagens. É o que podemos notar com “Piranha”, que infelizmente funciona apenas na base do deboche.

Tinha tudo para ser uma diversão memorável, mas o desenvolvimento da história pouco contribui para isto. No meio de tantos personagens, muitos meros figurantes, encontramos como protagonista Jake Forester (papel de Steven R. McQueen, neto de Steve MacQueen e ator do seriado “The Vampire Diaries”), filho da xerife Julie (Elisabeth Shue). Ele se envolve com um realizador picareta de filmes pornográficos (Jerry O’Connell) exatamente no momento que piranhas pré-históricas atacam universitários no spring break. Os personagens bonzinhos se dão bem enquanto moças esculturais que exibem seus seios e rapazes alcoólatras  se tornam banquete dos peixes carnívoros sem qualquer cerimônia.

A impressão que essa carnificina rende é praticamente a mesma vista no trabalho recente de Robert Rodriguez, “Machete”. Ambos os títulos fazem crer que são suficientemente satisfatórios ao se ancorarem no que há de mais precário no cinema. Há litros de sangue falso, péssimas interpretações, muita sacanagem e um argumento patético que se arrasta por aproximadamente noventa minutos. Os diretores se esqueceram que não basta fazer um filme ruim para ele, no final das contas, ser bom. É preciso, acima de tudo, inteligência para tornar as referências (a introdução de “Piranha” é clara homenagem a “Tubarão”, com Richard Dreyfuss dando o ar da graça rapidamente) e o tom cômico empregado válidos, como bem fez o também recente “Zumbilândia”. Do jeito que ficou, só não perde para as piranhas voadoras de James Cameron.

Título Original: Piranha
Ano de Produção: 2010
Direção: Alexandre Aja
Roteiro: Josh Stolberg e Pete Goldfinger
Elenco: Elisabeth Shue, Steven R. McQueen, Ving Rhames, Jessica Szohr, Jerry O’Connell, Cody Longo, Adam Scott, Kelly Brook, Riley Steele, Dina Meyer, Ricardo Chavira, Paul Scheer, Brooklynn Proulx, Sage Ryan, Brian Kubach, Eli Roth, Christopher Lloyd e Richard Dreyfuss
Cotação: *

 

Atividade Paranormal 2

Se “Atividade Paranormal” é notório por sua bem-sucedida campanha de marketing, cujo boca a boca no Twitter transformou a pequena realização em um estrondoso sucesso de bilheteria no ápice da fama do microblog, a sua sequência, que conta com o prestigiado Akiva Goldsman como produtor executivo, foi totalmente contra a maré. O material de divulgação foi extremamente escasso e antes de seu lançamento mal aconteceu uma sessão para a imprensa especializada. No fim das contas, quanto menos se souber da nova trama melhor será.
O que se conclui com os vídeos curtos publicados antes do lançamento nos cinemas de “Atividade Paranormal 2” é que a presença de uma entidade parece perturbar uma nova família. No longa original, tínhamos o casal Micah (Micah Sloat) e Katie (Katie Featherston). Agora, temos o casal Daniel (Brian Boland) e Kristi (Sprague Grayden), além da filha de Daniel em outro relacionamento, Ali (Molly Ephraim). É claro que não podemos nos esquecer de Hunter (papel alternado entre os gêmeos Jackson Xenia Prieto e William Juan Prieto). Acreditando que a residência onde moram foi invadida, Daniel decide instalar câmeras de vigilância em vários cômodos a fim de manter a segurança da família. Como se pode antecipar, tudo é orquestrado por uma presença maligna, muito ligado ao passado de Kristi.
A Paramount Pictures oficializou de imediato a produção de “Atividade Paranormal 2” assim que “Atividade Paranormal” superou as expectativas do estúdio. Ambições financeiras à parte, esta sequência rodada ao custo de três milhões de dólares mostra a que veio, apresentando informações extras aos fenômenos materializados na produção interior. A ligação direta de “Atividade Paranormal 2” com o trabalho de Oren Peli (que aqui colaborou apenas na produção e no argumento) é o seu maior trunfo. Mesmo perdendo um pouco do impacto diante dos minutos finais angustiantes de “Atividade Paranormal”, este terceiro filme de Tod Williams tem momentos de horror de fazer muitos pularem da poltrona. O registro de Kristi só no meio da tarde lendo revista na cozinha representa o susto do ano. Só irá curtir aquele que aprecia esta linha de horror que ganhou popularidade a partir de “A Bruxa de Blair”.
Título Original: Paranormal Activity 2
Ano de Produção: 2009
Direção: Tod Williams
Roteiro: Christopher B. Landon, Michael R. Perry e Tom Pabst
Elenco: Sprague Grayden, Brian Boland, Molly Ephraim, Jackson Xenia Prieto, William Juan Prieto, Vivis Cortez, Harper Zelinsky, Seth Ginsberg, David Bierend, Katie Featherston e Micah Sloat
Cotação:

Atividade Paranormal 2 | Paranormal Activity 2Se “Atividade Paranormal” é notório por sua bem-sucedida campanha de marketing, cujo boca a boca no Twitter transformou a pequena realização em um estrondoso sucesso de bilheteria no ápice da fama do microblog, a sua sequência, que conta com o prestigiado Akiva Goldsman como produtor executivo, foi totalmente contra a maré. O material de divulgação foi escasso e antes de seu lançamento mal aconteceu uma sessão para a imprensa especializada. No fim das contas, quanto menos se souber da nova trama melhor será.

O que se conclui com os vídeos curtos publicados antes do lançamento nos cinemas de “Atividade Paranormal 2” é que a presença de uma entidade parece perturbar uma nova família. No longa original, tínhamos o casal Micah (Micah Sloat) e Katie (Katie Featherston). Agora, temos o casal Daniel (Brian Boland) e Kristi (Sprague Grayden), além da filha de Daniel fruto de outro relacionamento, Ali (Molly Ephraim). É claro que não podemos nos esquecer de Hunter (papel alternado entre os gêmeos Jackson Xenia Prieto e William Juan Prieto). Acreditando que a residência onde moram foi invadida, Daniel decide instalar câmeras de vigilância em vários cômodos a fim de manter a segurança da família. Como se pode antecipar, tudo é orquestrado por uma presença maligna, muito ligado ao passado de Kristi.

A Paramount Pictures oficializou de imediato a produção de “Atividade Paranormal 2” assim que “Atividade Paranormal” superou as expectativas do estúdio. Ambições financeiras à parte, esta sequência rodada ao custo de três milhões de dólares mostra a que veio, apresentando informações extras aos fenômenos materializados na produção interior. A ligação direta de “Atividade Paranormal 2” com o trabalho de Oren Peli (que aqui colaborou apenas na produção e no argumento) é o seu maior trunfo. Mesmo perdendo um pouco do impacto diante dos minutos finais angustiantes de “Atividade Paranormal“, este terceiro filme de Tod Williams tem momentos de horror de fazer muitos pularem da poltrona. O registro de Kristi sozinha no meio de uma tarde lendo revista na cozinha resulta no susto do ano. Só irá curtir aquele que aprecia esta linha de horror que ganhou popularidade a partir de “A Bruxa de Blair”.

Título Original: Paranormal Activity 2
Ano de Produção: 2010
Direção: Tod Williams
Roteiro: Christopher B. Landon, Michael R. Perry e Tom Pabst
Elenco: Sprague Grayden, Brian Boland, Molly Ephraim, Jackson Xenia Prieto, William Juan Prieto, Vivis Cortez, Harper Zelinsky, Seth Ginsberg, David Bierend, Katie Featherston e Micah Sloat
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | Temple Grandin (2010)

Há filmes que surgem uma vez ou outra que apresentam como maior ambição a homenagem que presta à figura excêntrica que retrata. Quando vai além das meras boas intenções, o resultado é ainda mais marcante. É exatamente o que acontece neste filme televisivo esplêndido que nos apresenta a americana Temple Grandin, um modelo exemplar de mulher que comprova que neste mundo há sim grandes heroinas.
A produção da HBO recebeu impressionantes quinze indicações ao Emmy Awards e ganhou sete prêmios merecidos. Impressiona a história de vida de Temple, num desempenho quase sobrenatural de Claire Danes, uma jovem atriz excelente que desde “Garota de Vitrine” estava presa em papéis que não lhe davam o merecido brilho, que arrebatou o Emmy de melhor atriz. Diagnosticada com autismo aos quartro anos, Temple chegou a esta idade praticamente muda. Também não suportava o contato humano, tendo progredido apenas com a determinação de sua mãe Eustacia (Julia Ormond, outra grande intérprete que venceu o Emmy de melhor atriz coadjuvante pelo papel). A fase da vida que o filme inicia com maior destaque é com Temple incoporada por Claire Danes visitantando a sua tia Ann (Catherine O’Hara). Como Ann mora em uma fazenda, Temple Grandin desperta grande interesse pelo ramo agropecuário. O professor Carlock David Strathairn (Emmy de melhor ator coadjuvante) será uma presença importante, dando maior relevância ao universo de imagens que Temple visualiza.
O autismo é um tema que quando não é trabalhado da maneira mais apropriada por um cineasta pode render um dramalhão totalmente descartável. Felizmente, Mick Jackson (cineasta que já contava com algum prestígio com o telefilme “Ao Vivo de Bagdá”), não caí nesta armadilha, fazendo de “Temple Grandin” uma mistura harmônica entre situações bem-humoradas e outras dotadas de dramas defendidos pelas atrizes de maneira autêntica. Perspicaz ao materializar os pensamentos da protagonista, “Temple Grandin” também oferece uma grande lição de vida. Tendo revolucionado o ramo de abate animal, até então perverso e nada humanitário, Temple Grandin ministra até hoje palestras que permitem que os pais responsáveis por crianças autistas encarem este problema não como uma limitação, mas como uma oportunidade para uma vida cheia de possibilidades inéditas. O retrato moldado de Temple Grandin é belíssimo e mesmo tendo uma distribuição limitada por se tratar de uma produção televisiva merece ser visto.
Título Original: Temple Grandin
Ano de Produção: 2010
Direção: Mick Jackson
Roteiro: Christopher Monger e William Merritt Johnson, baseado no livro “Emergence”, de Temple Grandin e Margaret Scarciano e “Thinking in Pictures”, de Temple Grandin
Elenco: Claire Danes, Julia Ormond, Catherine O’Hara, David Strathairn, Stephanie Faracy, Barry Tubb, Melissa Farman, Steve Shearer, Richard Dillard, Jenna Hughes, Michael Crabtree, Charles Baker, David Born e Matthew Posey

Temple GrandinHá filmes que surgem uma vez ou outra que apresentam como maior ambição a homenagem que presta à figura excêntrica que retrata. Quando vai além das meras boas intenções, o resultado é ainda mais marcante. É exatamente o que acontece neste filme televisivo esplêndido que nos apresenta a americana Temple Grandin, um modelo exemplar de mulher que comprova que neste mundo há sim grandes heroinas.

A produção da HBO recebeu impressionantes quinze indicações ao Emmy Awards e ganhou sete prêmios merecidos. Impressiona a história de vida de Temple, num desempenho quase sobrenatural de Claire Danes, uma jovem atriz excelente que desde “Garota de Vitrine” estava presa em papéis que não lhe davam o merecido brilho, que arrebatou o Emmy de melhor atriz. Diagnosticada com autismo aos quatro anos, Temple chegou a esta idade praticamente muda. Também não suportava o contato humano, tendo progredido apenas com a determinação de sua mãe Eustacia (Julia Ormond, outra grande intérprete que venceu o Emmy de melhor atriz coadjuvante pelo papel). A fase da vida que o filme inicia com maior destaque é com Temple incoporada por Claire Danes visitantando a sua tia Ann (Catherine O’Hara). Como Ann mora em uma fazenda, Temple Grandin desperta grande interesse pelo ramo agropecuário. O professor Carlock David Strathairn (Emmy de melhor ator coadjuvante) será uma presença importante, dando maior relevância ao universo de imagens que Temple visualiza.

O autismo é um tema que quando não é trabalhado da maneira mais apropriada por um cineasta pode render um dramalhão totalmente descartável. Felizmente, Mick Jackson (cineasta que já contava com algum prestígio com o telefilme “Ao Vivo de Bagdá”), não caí nesta armadilha, fazendo de “Temple Grandin” uma mistura harmônica entre situações bem-humoradas e outras dotadas de dramas defendidos pelas atrizes de maneira autêntica. Perspicaz ao materializar os pensamentos da protagonista, “Temple Grandin” também oferece uma grande lição de vida. Tendo revolucionado o ramo de abate animal, até então perverso e nada humanitário, Temple Grandin ministra até hoje palestras que permitem que os pais responsáveis por crianças autistas encarem este problema não como uma limitação, mas como uma oportunidade para uma vida cheia de possibilidades inéditas. O retrato moldado de Temple Grandin é belíssimo e mesmo tendo uma distribuição limitada por se tratar de uma produção televisiva merece ser visto.

Título Original: Temple Grandin
Ano de Produção: 2010
Direção: Mick Jackson
Roteiro: Christopher Monger e William Merritt Johnson, baseado no livro “Emergence”, de Temple Grandin e Margaret Scarciano e “Thinking in Pictures”, de Temple Grandin
Elenco: Claire Danes, Julia Ormond, Catherine O’Hara, David Strathairn, Stephanie Faracy, Barry Tubb, Melissa Farman, Steve Shearer, Richard Dillard, Jenna Hughes, Michael Crabtree, Charles Baker, David Born e Matthew Posey
Cotação: 4 Stars.

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PlusCurvedRaceCattleCorralAlém de mostrar o longo processo de adaptação de Temple Grandin em vários ambientes, como o universitário, o longa-metragem televisivo dirigido por Mick Jackson dedica grande parte de sua narrativa à luta da protagonista no ramo de abate animal. Isto porque na época de Temple esta ação era realizada com maior desleixo, sem qualquer preocupação com o gado. Os animais ficavam agitados no percurso de obstáculos para o abate, dificultando totalmente o trabalho e até permitindo a morte considerável de bois e vacas afogados no tanque de escaldagem.

A imagem à direita representa o sistema inovador de abate projetado por Temple Grandin. Ela aponta que o gado se sente seguro ao atravessarem um longo corredor com curvas e, ao contrário do que  se testemunhava antes de sua  enriquecedora pesquisa, os animais ficam tranquilos no ato do abate. Mesmo assim, infelizmente, ainda há inúmeros registros de animais que sofrem maus-tratos já em confinamento, como publicou a Revista Veja em setembro deste ano.

Salt

Com raras excessões, filmes de ação protagonizado por mulheres nunca empolgaram o público. Atrizes como Halle Berry (“Mulher-Gato”), Jennifer Garner (“Elektra”), Charlize Theron (“Æon Flux”), Jodie Foster (“Valente”) e até Rhona Mitra (“Juízo Final”) foram algumas das belas moças ao mostrarem desenvoltura em filmes com adrenalina que não vingaram. Apenas Milla Jovovich com a franquia “Resident Evil” teve êxito, embora a sobrevivência dessa história de zumbis dependa do valor que obtêm mundialmente (o último filme, “Resident Evil 4: Recomeço”, apenas atingiu nos Estados Unidos uma bilheteria que garantiu seu custo de produção). Felizmente, este cenário anda se modificando aos poucos e Angelina Jolie é um nome importante neste sentido.
Angelina Jolie sustentou apenas dois episódios da série “Tomb Raider” e apareceu como coadjuvante em “O Procurado”. Em “Salt”, todo o seu potencial tanto como intérprete dramática quanto como atriz de ação é aproveitado perfeitamente, apresentando um desempenho memorável. E olha que antes o papel foi escrito com Tom Cruise em mente… “Salt” também registra o retorno do veterano Phillip Noyce às fitas do gênero e com quem Angelina Jolie trabalhou no apenas regular “O Colecionador de Ossos”.
O roteiro escrito por Kurt Wimmer, que recentemente derrapou no ato final de “Código de Conduto”, é perfeito no que se diz respeito a construção da protagonista em meio a uma ação que poucas vezes reserva alguma pausa. Evelyn Salt (Angelina Jolie) é uma agente da Cia tem a sua credibilidade questionada quando Vassily Orlov (Daniel Olbrychski, quase assustador), um desertor russo, afirma que ela é uma espiã russa que arquitetará no dia seguinte um atentado. Ao longo da fuga que se sucede, a questão estampada no poster de “Salt” assola o espectador: “Quem é Salt?”. A princípio ela segue à procura de seu marido Mike (August Diehl), com quem é muito bem casada. A seguir, vemos que ela tem outros planos obscuros.
O bacana de “Salt” é que os mistérios que permeiam Evelyn Salt de fato intrigam e as dúvidas são bem sustentadas por cenas ágeis filmadas com excelente domínio de Phillip Noyce. A trilogia “Bourne” é inspiração óbvia, mas “Salt” é cheio de personalidade mesmo dentro de uma estrutura que remetem as criações de Paul Greengrass e Doug Liman. As perseguições nas ruas de Nova York são espetaculares e há uma cena no clímax que se passa nas escadarias de um enorme edifício envolvendo algemas que é de cair o queixo. Além do mais, “Salt” oferece o que há de melhor no gênero. É enxuto, indo direto ao ponto e permite que o espectador jamais contemple com desatenção ao que está acontecendo. Vale ressaltar que desfecho permite a possibilidade para uma sequência. Que venha!
Título Original: Salt
Ano de Produção: 2010
Direção: Phillip Noyce
Roteiro: Kurt Wimmer
Elenco: Angelina Jolie, Chiwetel Ejiofor, Liev Schreiber, August Diehl, Daniel Olbrychski, Daniel Pearce, Hunt Block, Olek Krupa, Cassidy Hinkle, Corey Stoll, Andre Braugher e Zoe Lister Jones

Salt– O nome da agente é Evelyn Salt.
– Meu nome é Evelyn Salt.
– Então você é uma espiã russa.

Com raras excessões, filmes de ação protagonizado por mulheres nunca empolgaram o público. Atrizes como Halle Berry (“Mulher-Gato”), Jennifer Garner (“Elektra”), Charlize Theron (“Æon Flux”), Jodie Foster (“Valente”) e até Rhona Mitra (“Juízo Final“) foram algumas das belas moças ao mostrarem desenvoltura em filmes com adrenalina que não vingaram em anos mais recentes. Apenas Milla Jovovich com a franquia “Resident Evil” teve êxito, embora a sobrevivência dessa história de zumbis dependa do valor que obtêm mundialmente (o último filme, “Resident Evil 4: Recomeço”, apenas atingiu nos Estados Unidos uma bilheteria que garantiu seu custo de produção). Felizmente, este cenário anda se modificando aos poucos e Angelina Jolie é um nome importante neste sentido.

Angelina Jolie sustentou apenas dois episódios da série “Tomb Raider” e apareceu como coadjuvante em “O Procurado”. Em “Salt”, todo o seu potencial tanto como intérprete dramática quanto como atriz de ação é aproveitado perfeitamente, apresentando um desempenho memorável. E olha que antes o papel foi escrito com Tom Cruise em mente… “Salt” também registra o retorno do veterano Phillip Noyce às fitas do gênero e com quem Angelina Jolie trabalhou no apenas regular “O Colecionador de Ossos”.

O roteiro escrito por Kurt Wimmer, que recentemente derrapou no ato final de “Código de Conduta“, é perfeito no que se diz respeito a construção da protagonista em meio a uma ação que poucas vezes reserva alguma pausa. Evelyn Salt (Angelina Jolie) é uma agente da Cia que tem a sua credibilidade questionada quando Vassily Orlov (Daniel Olbrychski, quase assustador), um desertor, afirma que ela é uma espiã russa que arquitetará no dia seguinte um atentado em um conselho contra o presidente da Rússia. Ao longo da fuga que se sucede, a questão estampada no poster de “Salt” assola o espectador: “Quem é Salt?”. A princípio ela segue à procura de seu marido Mike (August Diehl), com quem é muito bem casada. A seguir, vemos que ela tem outros planos bem obscuros.

O bacana de “Salt” é que os mistérios sobre a verdadeira identidade de Evelyn Salt de fato intrigam e as dúvidas são bem sustentadas por cenas ágeis filmadas com excelente domínio de Phillip Noyce. A trilogia “Bourne” é inspiração óbvia, mas “Salt” é cheio de personalidade mesmo dentro de uma estrutura que remetem as criações de Paul Greengrass e Doug Liman. As perseguições nas ruas de Nova York são espetaculares e há uma cena no clímax que se passa nas escadarias de um enorme edifício envolvendo uma algema que é de cair o queixo. Além do mais, “Salt” oferece o que há de melhor no gênero. É enxuto, indo direto ao ponto e permitindo que o espectador jamais contemple com desatenção o que está acontecendo na tela. Vale ressaltar que o desfecho permite a possibilidade para uma sequência. Que venha!

Título Original: Salt
Ano de Produção: 2010
Direção: Phillip Noyce
Roteiro: Kurt Wimmer
Elenco: Angelina Jolie, Chiwetel Ejiofor, Liev Schreiber, August Diehl, Daniel Olbrychski, Daniel Pearce, Hunt Block, Olek Krupa, Cassidy Hinkle, Corey Stoll, Andre Braugher e Zoe Lister Jones
Cotação: 4 Stars

Aproximação

Aproximação | DisengagementNascido em Israel, Amos Gitai é um diretor prestigiado fora de seu país. Nomeado quatro vezes à Palma de Ouro no Festival de Cannes, o diretor, cujo longa-metragem mais recente foi “Free Zone”, apresenta um cinema que se desenvolve através de temas polêmicos dentro do Oriente Médio. É o que repete em “Aproximação”, título que passou pela Mostra Internacional de Cinema em São Paulo em 2007 como “A Retirada” e que ganhou espaço no circuito apenas no primeiro trimestre deste ano.

O plano-sequência que abre “Aproximação” é arrebatador e nos mostra dois personagens, uma palestina (participação de Hiam Abbass, que apareceu em “O Visitante“) e o soldado do exército de Israel Uli (Liron Levo, colaborador constante de Amos Gitai), em uma longa conversa que se encerra com um beijo intenso. Na sequência seguinte, conhecemos a grande protagonista da história, Ana (Juliette Binoche). Ela vive na França e seu pai acaba de falecer. Filho adotivo, Uli comparece ao velório, ficando claro neste instante a paixão que Ana tem por ele. O testamento deixado pelo pai perturba Ana, cuja razão (que não vale deixar explícito) a leva para Israel junto com o irmão. Uma circunstância a fará seguir o trajeto da viagem sozinha, onde o destino se dará em um kibutz. O caos já está instaurado em um território cheio de conflitos entre soldados israelenses removendo da Faixa de Gaza judeus ortodoxos.

Para ilustrar a jornada da protagonista, Amos Gitai reprisa em muitos instantes a força da introdução de “Aproximação”, concebendo assim inúmeros planos-sequência. O seu vigor impressiona. Impossível não gravar na memória alguns momentos como o de Ana com seu echarpe, as emoções de um forte abraço ou uma tropa de soldados em treinamento. Entretanto, a narrativa fica um pouco a dever. Em meio a tantos conflitos, é perigoso o público ficar ainda mais perdido que a personagem de Juliette Binoche. O resultado é um drama que se sobressai muito mais por sua forma irretocável do que pelo seu conteúdo não processado sempre de maneira adequada na tela.

Título Original: Disengagement
Ano de Produção: 2007
Direção: Amos Gitai
Roteiro: Amos Gitai e Marie-Jose Sanselme
Elenco: Juliette Binoche, Liron Levo, Dana Ivgy, Barbara Hendricks, Jeanne Moreau, Tomer Russo, Israel Katorza, Yussuf Abu-Warda, Uri Klauzner, Amos Gitai, Verena Mundhenke e Hiam Abbass
Cotação: 3 Stars

O Último Exorcismo

Mesmo com o surpreendente sucesso de “A Bruxa de Blair” em 1999, demorou um pouquinho para o formato de falsos registros vendidos como reais atingisse a popularidade que se vê hoje em dia, ganhando impulso com a produção do espanhol “[REC]” e também do americano “Cloverfield – Monstro”. Fã de “Holocausto Canibal”, realização do italiano Ruggero Deodato, o diretor Eli Roth parece gostar dessa nova fase para o gênero, tendo produzido “O Último Exorcismo”, obra que custou apenas 1,8 milhões de dólares e que se desenvolve através dos registros encontrados de um cinegrafista.
As imagens apresentam o cinegrafista e uma repórter que acompanham o pastor Cotton Marcus (Patrick Fabian). Sua igreja é cercada de fiéis e ele recebe uma grande quantidade de cartas de pessoas desesperadas que imploram por sua ajuda. A maioria dos pedidos envolvem exorcismos e este é exatamente o foco do documentário sendo realizado: de que exorcismos são uma fraude, de que não são verdadeiras as afirmações de pessoas que foram possuídas por algum demônio. Assim, eles visitam a fazenda de um senhor viúvo no interior de Louisiana, cuja filha Nell Sweetzer (Ashley Bell) é atormentada constantemente. As coisas ficam mais aterradoras quando Cotton descobre que o demônio Abalan, O Príncipe dos Infernos, está possuindo o corpo da garota, confirmando que pela primeira vez está diante de um evento real.
O grande mérito de “O Último Exorcismo” é conferir o realismo que o formato exige. Há a presença incompreensível da trilha instrumental de Nathan Barr, mas ela colabora tanto para a atmosfera da situação que nem tem como se queixar. Grande parte dos méritos da produção se deve à Ashley Bell. A jovem atriz é uma grande revelação. Além dos impressionantes movimentos corporais nas sequências de possessão (a intérprete é contorcionista profissional), Ashley tem uma expressão marcante, uma mistura que provoca pena e pavor.
Com uma conclusão que remete a “O Bebê de Rosemary”, “O Último Exorcismo” se destina a um público em particular. Afinal, não são muitos que conseguem apreciar este modelo de produção cinematográfica. O filme fez bonito nas bilheterias, multiplicando facilmente o seu custo de produção. Porém, só a imprensa especializada vinculou comentários entusiasmados. Não se sabe ainda o tempo que este formato levará para se desgastar, mas enquanto conseguir assegurar a qualidade do gênero, serão bem-vindos.
Título Original: The Last Exorcism
Ano de Produção: 2010
Direção: Daniel Stamm
Elenco: Patrick Fabian, Ashley Bell, Iris Bahr, Louis Herthum, Caleb Landry Jones, Tony Bentley, John Wright Jr., Shanna Forrestall, Justin Shafer, Logan Craig Reid e Becky Fly

O Último Exorcismo | The Last ExorcismMesmo com o surpreendente sucesso de “A Bruxa de Blair” em 1999, demorou um pouquinho para o formato de falsos registros vendidos como reais atingisse a popularidade que se vê hoje em dia, ganhando impulso com a produção do espanhol “[REC]” e também do americano “Cloverfield – Monstro”. Fã de “Holocausto Canibal”, realização do italiano Ruggero Deodato, o diretor Eli Roth parece gostar dessa nova fase para o gênero, tendo produzido “O Último Exorcismo”, obra que custou apenas 1,8 milhões de dólares e que se desenvolve através dos registros encontrados de um cinegrafista.

As imagens apresentam o cinegrafista e uma repórter que acompanham o pastor Cotton Marcus (Patrick Fabian). Sua igreja é cercada de fiéis e ele recebe uma grande quantidade de cartas de pessoas desesperadas que imploram por sua ajuda. A maioria dos pedidos envolvem exorcismos e este é exatamente o foco do documentário sendo realizado: de que exorcismos são uma fraude, não sendo verdadeiras as afirmações de pessoas que foram possuídas por algum demônio. Assim, eles visitam a fazenda de um senhor viúvo no interior de Louisiana, cuja filha Nell Sweetzer (Ashley Bell) é atormentada constantemente. As coisas ficam mais aterradoras quando Cotton descobre que o demônio Abalan, O Príncipe dos Infernos, está possuindo o corpo da garota, confirmando que pela primeira vez está diante de um evento real.

O grande mérito de “O Último Exorcismo” é conferir o realismo que o formato exige. Há a presença incompreensível da trilha instrumental de Nathan Barr, mas ela colabora tanto para a atmosfera da situação que nem tem como se queixar. Grande parte dos méritos da produção se deve à Ashley Bell. A jovem atriz é uma grande revelação. Além dos impressionantes movimentos corporais nas sequências de possessão (a intérprete é contorcionista profissional), Ashley tem uma expressão marcante, uma mistura que provoca pena e pavor.

Com uma conclusão que remete a “O Bebê de Rosemary”, “O Último Exorcismo” se destina a um público em particular. Afinal, não são muitos que conseguem apreciar este modelo de produção cinematográfica. O filme fez bonito nas bilheterias, multiplicando facilmente o seu custo de produção. Porém, só a imprensa especializada manifestou comentários entusiasmados. Não se sabe ainda o tempo que este formato levará para se desgastar, mas enquanto conseguir assegurar a qualidade do gênero e provocar o mesmo medo apreciado em “O Último Exorcismo”, serão bem-vindos.

Título Original: The Last Exorcism
Ano de Produção: 2010
Direção: Daniel Stamm
Elenco: Patrick Fabian, Ashley Bell, Iris Bahr, Louis Herthum, Caleb Landry Jones, Tony Bentley, John Wright Jr., Shanna Forrestall, Justin Shafer, Logan Craig Reid e Becky Fly
Cotação:  3 Stars