Resenha Crítica | Predadores (2010)

“O Predador” é uma dos filmes do gênero Sci-Fi mais cultuados da década de 1980. Méritos não faltam, pois era uma ação com tensão crescente justamente por ocultar ao máximo a criatura criada pelo mago Stan Winston. Na produção, o Homem, personificado por Arnold Schwarzenegger e sua tropa, era colocado na posição incômoda e pouco vista de presa de um monstro abominável dentro da selva que contempla ferramentas arcaicas de sobrevivência. Infelizmente, Predador não durou muito. Em 1990, Stephen Hopkins rodou a sequência “Predador 2 – A Caçada Continua” e posteriormente a criatura serviu apenas de coadjuvante em “Alien Vs. Predador” e “Aliens Vs. Predador 2“. Foi assim que Robert Rodriguez embarcou como produtor em “Predadores”, um recomeço para os alienígenas com rastafari.

O início de “Predadores” é diferente em comparação com a obra original de 1987. Enquanto o Esquadrão de Arnold Schwarzenegger tinha como missão desvendar o desaparecimento dos soldados liderados pelo seu velho amigo Dillon (Carl Weathers), nesta versão a equipe meio globalizada caí em uma selva involuntariamente.

Os tipos são suspeitos. Temos o mercenário Royce (Adrien Brody), a atiradora de elite Isabelle (Alice Braga, olhem só!), o médico Edwin (Topher Grace), o serial killer Stans (Walton Goggins), o combatente do exército russo Nicolai (Oleg Taktatov), o traficante de drogas Cuchillo (Danny Trejo), o membro da Yakuza Hanzo (Louis Ozawa Changchien) e Mombasa (Mahershalashbaz Ali), integrante de um Esquadrão de Morte. Mortos (ou melhor, caçados) um a um, Royce toma a liderança e aos poucos desvenda com Isabelle as razões de estarem nesta situação de sobrevivência.

Embora o Predador continue sendo uma figura repulsiva e os protagonistas Adrien Brody (mesmo não tendo o carisma de Arnold Schwarzenegger) e Alice Braga defendam bem o filme, o diretor Nimród Antal, responsável pelo eficiente “Temos Vagas“, nada oferece de novo à mitologia do memorável vilão. Na maior parte do tempo, “Predadores” não passa de um genérico da obra de John McTiernan. Sem dizer algumas situações de pura vergonha alheia, como a participação especial de Laurence Fishburne e um risível duelo de espadas de Hanzo com um Predador.

Título Original: Predators
Ano de Produção: 2010
Direção: Nimród Antal
Roteiro: Alex Litvak e Michael Finch, baseado nos personagens de Jim Thomas e John Thomas
Elenco: Adrien Brody, Alice Braga, Topher Grace, Walton Goggins, Oleg Taktarov, Danny Trejo, Louis Ozawa Changchien, Mahershalalhashbaz Ali, Carey Jones, Brian Steele, Derek Mears e Laurence Fishburne

 

Resenha Crítica | O Pequeno Nicolau (2009)

Ao contrário de 2009, o ano passado foi extremamente bom para o cinema francês, com lançamentos sendo exibido no circuito nacional imperdíveis como “A Riviera Não é Aqui”, e “O Refúgio“, além do premiado “O Profeta”. Porém, o melhor título da última remessa é, surpreendentemente, uma produção voltada ao público infantil. Este filme é o gracioso “O Pequeno Nicolau”. Os personagens foram criados pela dupla Jean-Jacques Sempé e René Goscinny, este segundo mais conhecido pelas aventuras de “Asterix, O Gaulês”, e o longa-metragem de Laurent Tirard (“As Aventuras de Molière”) dá conta do ritmo de quadrinhos que a história precisava.

O Nicolau do título é feito por Maxime Godart. Dono de uma ingenuidade digna de qualquer garoto de sua idade interpreta de forma equivocada uma conversa de seus pais (Kad Merad e Valérie Lemercier, excelentes), pois imagina que eles planejam um novo filho e, posteriormente, abandonar Nicolau em uma floresta. Mais excêntrico que o próprio protagonista, os amigos de Nicolau o ajudarão a resolver o caso com planos mirabolantes. A turma é adorável. Temos o gorducho Alceu (Vincent Claude), o atrapalhado Rufino (Germain Petit Damico), o nerd Agnaldo (Damien Ferdel), o último da classe Clotário (Victor Carles), o valentão Eudes (Benjamin Averty), o filhindo de papai Godofredo (Charles Vaillant) e Joaquim (Virgile Tirard), que passa pela mesma situação que Nicolau.

Desde os tempos que Chris Noonan fez “Babe – O Porquinho Atrapalhado”, Alfonso Cuarón com “A Princesinha” e Penelope Spheeris com a adaptação de “Os Batutinhas” que não se via uma obra infantil tão divertida como “O Pequeno Nicolau”. Os acertos são encontrados a cada momento da película, seja com uma direção de arte toda colorida, no elenco infantil extraordinário e em todas as piadas capazes de fazerem crianças e adultos se entreterem na mesma proporção. “O Pequeno Nicolau” só tem como falha a sua curta duração, pois o trabalho de Laurent Tirard é tão encantador que quando os créditos finais aparecem fica aquele gosto de quero mais.

Título Original: Le petit Nicolas
Ano de Produção: 2009
Direção: Laurent Tirard
Roteiro: Laurent Tirard e Grégoire Vigneron, baseado nos personagens de René Goscinny e Jean-Jacques Sempé
Elenco: Maxime Godart, Valérie Lemercier, Kad Merad, Sandrine Kiberlain, François-Xavier Demaison, Michel Duchaussoy, Daniel Prévost, Michel Galabru, François Damiens, Louise Bourgoin, Vincent Claude, Charles Vaillant, Victor Carles, Benjamin Averty, Germain Petit Damico, Damien Ferdel, Virgile Tirard, Elisa Heusch e Gérard Jugnot.
Cotação: 4 Stars

Querido John

O primeiro romance do escritor Nicholas Sparks a ganhar uma adaptação para o cinema foi “Uma Carta de Amor”, filme protagonizado por Kevin Costner e Robin Wright. O moderado sucesso representou a confirmação de que as histórias de Nicholas Sparks tinham os ingredientes certos para conquistar ao mais ingênuo dos apaixonados, que acreditam em mudanças radicais de caráter e os mais manjados obstáculos com o qual o amor se impõe. O escritor atualmente é uma sensação e uma sétima adaptação de um de seus romances, “The Lucky One”, está previsto para estrear ano que vem com Zac Efron sob domínio da direção de Scott Hicks.

Ano passado tivemos duas adaptações. Uma foi “A Última Música”, protagonizado por Miley “”Hannah Montana” Cyrus. Já a que comentaremos agora se trata de “Querido John”, contando com os jovens Channing Tatum e Amanda Seyfried como John e Savannah. Eles se conhecem nas férias de verão e pouco demora para se transformarem em namorados. O problema são as velhas barreiras que eles enfrentam para se manterem unidos após todos esses dias proveitosos, pois John é um soldado que logo retomará as suas atividades em nome do seu país e Savannah precisa prosseguir com os estudos universitários. A solução é preservarem a paixão  se correspondendo através de cartas.

Com outra história de Nicholas Sparks que também era pouco promissora, Nick Cassavetes rendeu maravilhas em “Diário de Uma Paixão”. Pelo talento e filmografia exemplares, esperava-se que o sueco Lasse Hallström atingisse o mesmo feito. Mas se o seu “Querido John” é capaz de nos envolver em seu início e de até mesmo nos fazer torcer pela união do casal, logo impera todos os chavões típicos de Nicholas Sparks. Além do mais, Channing Tatum é uma péssima escolha para viver o protagonista. Das poucas exigências que o roteiro faz ele as desempenha de forma deplorável. Por outro lado, se existe uma razão para se ver “Querido John” é a performance tocante do veterano Richard Jenkins. Através de sutilezas, Richard Jenkins é o único capaz de dar humanidade ao romance como o pai autista de John.

Título Original: Dear John
Ano de Produção: 2010
Direção: Lasse Hallström
Roteiro: Jamie Linden, baseado no romance de Nicholas Sparks
Elenco: Channing Tatum, Amanda Seyfried, Richard Jenkins, Henry Thomas, D.J. Cotrona, Cullen Moss, Gavin McCulley, Jose Lucena Jr., Keith Robinson, Leslea Fisher, William Howard Bowman, David Andrews, Mary Rachel Dudley e Scott Porter
Cotação: **

Resenha Crítica | O Brilho de Uma Paixão (2009)

Nascida na Nova Zelândia, Jane Campion virou sensação quando em 1994 se tornou a segunda mulher a ser indicada na categoria de melhor direção na história do Oscar pelo extraordinário “O Piano”. A cineasta sempre se mostrou seletiva ao embarcar em novos projetos (costuma rodar de três em três anos) e alguns deles, como “Retratos de Uma Mulher” e “Em Carne Viva”, não alcançaram o mesmo prestígio da obra protagonizada por Holly Hunter. Com “O Brilho de Uma Paixão”, volta a colocar o seu nome em evidência.

Após um longo trabalho de pesquisa, Jane Campion desvenda um episódio particular e definitivo na vida do poeta John Keats (Ben Whishaw): a paixão que nutriu até a sua morte prematura por Fanny Brawne (Abbie Cornish). John Keats foi um dos maiores exemplos de sucesso não testemunhado pelo próprio artista. Notável pela produção de grandes textos em uma pequena faixa de tempo, Keats ainda assim morava de favor na casa do amigo Mr. Brown (Paul Schneider), para o qual auxiliava em seu trabalho de poesia. Fanny é vizinha de Mr. Brown e não demora para uma relação se estabelecer.

Como é de costume na fotografia da cineasta, “O Brilho de Uma Paixão” é tomado por um ritmo lento para nos mostrar o crescimento desta paixão entre os personagens. Isto não resulta em uma experiência que frustra, mas sim os espaços que Jane Campion precisa para contemplar o quanto seus personagens reais se modificaram com todo o amor mútuo. Como roteirista, Jane Campion não faz muito na tarefa de fascinar o público com as poesias de John Keats, algo comum em trabalhos biográficos que se dedicam mais em esmiuçar a pessoa e menos o seu trabalho. Já como diretora, usufruí desse respiro de contemplação com tomadas que, graças a um trabalho técnico arrebatador e o desempenho de Abbie Cornish, são de uma poesia inebriante.

Título Original: Bright Star
Ano de Produção: 2009
Direção: Jane Campion
Roteiro: Jane Campion, baseado na biografia “Keats”, de Andrew Motion
Elenco: Abbie Cornish, Ben Whishaw, Paul Schneider, Kerry Fox, Edie Martin, Thomas Brodie-Sangster, Claudie Blakley, Gerard Monaco, Antonia Campbell-Hughes, Samuel Roukin, Amanda Hale, Lucinda Raikes, Samuel Barnett, Jonathan Aris e Olly Alexander

Quando Me Apaixono

Helen Hunt venceu o Oscar de Melhor Atriz pela comédia “Melhor é Impossível”. Foi um prêmio surpreendente, pois não é sempre que a Academia gosta de prestigiar papéis de gente como a gente, mas sim personificações notáveis de grandes nomes como Virgínia Woolf (Nicole Kidman em “As Horas”), a cantora June Carter (Reese Witherspoon em “Johnny & June”), a Rainha Elizabeth II (Helen Mirren em “A Rainha”) e a extraordinária Édith Piaf (Marion Cotillard em “Piaf – Um Hino ao Amor”). Depois do prêmio, a atriz se meteu em furadas (“A Corrente do Bem”) e pequenos papéis em filmes pouco vistos (“Bobby“), mas tenta se livrar do ostracismo como diretora, protagonista, roteirista e produtora de “Quando Me Apaixono”, filme que estreou com três anos de atraso em nossos cinemas.

Baseado em um romance escrito por Elinor Lipman, Helen Hunt dá vida à April Epner. Essa nova-iorquina, membro de uma família judia, é professora do ensino infantil e sonha em ter uma criança. Quase quarentona, April sabe que a idade complicará a realização de seu objetivo caso não engravide imediatamente. As situações atuais não lhe ajudam, pois o seu casamento com Ben Green (Matthew Broderick) é um fiasco, sua mãe adotiva (Lynn Cohen) acaba de falecer e sua mãe biológica, a famosa apresentadora Bernice Graves (Bette Midler), tem a intenção de criar laços afetivos após toda uma existência ausente. Frank (Colin Firth) é pai de um de seus alunos e primeiro como amigo e depois como amante orientará April para tomar decisões em sua vida.

A estreia de Helen Hunt como cineasta é um acerto. Todo bom intérprete que sonha em ser realizador sabe que deve começar pequeno e está na simplicidade os maiores valores de “Quando Me Apaixono”. Com um roteiro de elementos autênticos, os personagens são reconhecidos pelo espectador como figuras que poderiam muito bem ser reais e temas como relacionamento e maternidade são transmitidos por Helen Hunt com muita ternura. As interpretações também são ótimas, com química de Hunt com Colin Firth e o imaturo personagem de Matthew Broderick e uma Bette Midler que há muito não era valorizada como o merecido. Com toda essa leveza e uma belíssima sequência de encerramento, bem que Helen Hunt poderia estudar a possibilidade de realizar novos projetos como diretora e expandir esse ciclo de mulheres que têm muito o que compartilhar por trás das câmeras.

Título Original: Then She Found Me
Ano de Produção: 2007
Direção: Helen Hunt
Roteiro: Helen Hunt, Alice Arlen e Victor Levin, baseado no romance de Elinor Lipman
Elenco: Helen Hunt, Bette Midler, Colin Firth, Matthew Broderick, Ben Shenkman, Lynn Cohen, John Benjamin Hickey, Salman Rushdie, Daisy Tahan, Tommy Nelson, Stephanie Yankwitt, Lillias White, David Callegati, Janeane Garofalo, Tim Robbins e Edie Falco
Cotação: ***

 

Belle Toujours – Sempre Bela

“A Bela da Tarde” é uma das obras mais marcantes da carreira do cineasta nascido na Espanha Luis Buñuel. Para quem não se lembra, a produção é famosa por trazer a personagem de Catherine Deneuve, Séverine, das duas às cinco da tarde, como uma prostituta de luxo. O drama suscitava uma visão sobre o sexo pouco explorada naquela época, com os seus personagens, geralmente clientes perturbadores, querendo pôr em prática os seus sonhos eróticos. “A Bela da Tarde” é um clássico que o tempo lhe investiu mais valor do que realmente merecia, mas o diretor português Manoel de Oliveira gosta tanto da produção que decidiu prestar um tributo com uma sequência.

A deusa Catherine Deneuve não ficou entusiasmada com a ideia, já que apenas Michel Piccoli reprisa o seu papel. É preciso assistir ao filme de 1967, pois é com uma dúvida deixada naquela história que esta sequência se move. Na última cena, Henri Husson (Michel Piccoli) estava prestes a revelar um segredo para Pierre Serizy (Jean Sorel), que aparentemente se tratava da vida dupla de Séverine. Décadas depois, Michel a reencontra em um concerto e pretende confirmar para ela se de fato expôs o seu segredo.

Estreando com quatro anos de atraso no Brasil, “Belle Toujours – Sempre Bela” é uma homenagem bem enxuta com sua duração de praticamente uma hora. Manoel de Oliveira é o mais velho diretor em atividade (102 anos) e a produção, mesmo que classuda, é simples. A maior força são os diálogos, seja de Henri papeando com um barman (papel de Ricardo Trêpa, neto de Manoel de Oliveira e seu constante colaborador) e com o esperado encontro do protagonista com Séverine (agora incorporada por Bulle Ogier em bom desempenho). Faltou apenas evitar os planos longos, uma constante nos trabalhos do cineasta.

Título Original: Belle toujours
Ano de Produção: 2006
Direção: Manoel de Oliveira
Roteiro: Manoel de Oliveira
Elenco: Michel Piccoli, Bulle Ogier, Ricardo Trêpa, Leonor Baldaque, Júlia Buisel e Lawrence Foster
Cotação: ***

 

Resenha Crítica | Karatê Kid (2010)

John G. Avildsen, que tem um Oscar de melhor diretor por “Rocky, Um Lutador”, fez na década de 1980 um filme que marcou toda uma geração. Esta produção foi “Karatê Kid – A Hora da Verdade”, reconhecido pelos brasileiros como uma das mais populares reprises da Sessão da Tarde. Trazendo Ralph Macchio na pele de Daniel Larusso, aprendiz de Sr. Miyagi (Pat Morita) e interesse romântico de Ali (Elisabeth Shue),  “Karatê Kid – A Hora da Verdade” era um ótimo entretenimento destinado ao público juvenil. Sendo obra de culto até hoje, Will Smith e sua esposa Jada Pinkett Smith tiveram a péssima ideia, como produtores, de promoverem o filho Jaden Smith com uma atualização.

A nova história é situada em belas locações da China, pois a mãe de Dre (Jaden Smith), Sherry Parker (Taraji P. Henson), precisou sair de Detroit por causa do emprego. Se já não era suficiente para Dre se despedir dos amigos de infância e as mudanças que terá que se adaptar rapidamente em seu novo lar, o garoto é vítima de bullying no colégio. O zelador Sr. Han (Jackie Chan) entra na situação para que Dre seja disciplinado a enfrentar os valentões.

Mesmo com toda essa mudança de ares, o novo “Karatê Kid” se esforça para respeitar a sua fonte de inspiração. Dedicação pouco válida em uma produção cujos erros já iniciam em seu próprio título, pois Dre não aprende caratê, mas sim kung-fu. Pior do que isto são a metragem (a fita quase atinge duas horas e meia de duração) e o nepotismo capaz de arranhar qualquer produção com tanta facilidade. Jaden Smith se limita em fazer cara de criança mimada em seus momentos, não prejudicando o filme por completo graças as participações de Jackie Chan e Taraji P. Henson, que oferecem alguma dignidade com um material agora tão medíocre.

Título Original: The Karate Kid
Ano de Produção: 2010
Direção: Harald Zwart
Roteiro: Christopher Murphey, baseado no roteiro de “Karatê Kid – A Hora da Verdade”, de Robert Mark Kamen
Elenco: Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Wenwen Han, Rongguang Yu, Zhensu Wu, Zhiheng Wang, Zhenwei Wang, Jared Minns, Shijia Lü, Yi Zhao, Bo Zhang e Luke Carberry
Cotação: **

O Último Mestre do Ar

O que torna o cinema do cineasta indiano M. Night Shyamalan tão fascinante é a sua capacidade de provocar tantas reações com suas premissas sobrenaturais. Suas realizações são perturbadoras tanto com o medo materializado com as situações que seus personagens estão confinados quanto com as discussões sobre crenças, a dor da perda, o convívio em uma sociedade cheia de ameaças. São características constantes em sua filmografia, inclusive em “Fim dos Tempos”, até então sua obra menor e, mesmo assim, acima da média. Infelizmente, essas qualidades singulares não se mostram presentes em “O Último Mestre do Ar”, seu último longa-metragem.

A história é uma adaptação da animação “Avatar – A Lenda de Aang”. Fez muito sucesso no Brasil e suas três temporadas que somam sessenta episódios foram exibidos de 2005 a 2008. “O Último Mestre do Ar”, com uma duração aproximada de uma hora e meia, praticamente fez um resumo da primeira temporada completa de “Avatar – A Lenda de Aang”. O mundo é dividido em quatro nações: Tribo da Água, Nação do Fogo, Reino da Terra e Nômades do Ar. Todas viviam em harmonia até o momento que a Nação do Fogo decide obter domínio total sobre as outras três nações. Aang (Noah Ringer) é o mais recente Avatar com a missão de restabelecer este equilíbrio e une forças com os irmãos Katara (Nicola Peltz) e Sokka (Jackson Rathbone), ambos da Tribo da Água.

Desde que dividiu o público e crítica com o espetacular “A Vila” (o seu melhor filme ao lado de “O Sexto Sentido”), M. Night Shyamalan foi atacado como um profissional egocêntrico por na insistência de manter uma linha mais autoral. O cineasta afirma que o interesse em fazer “O Último Mestre do Ar” foi pelo universo fascinante que descobriu ao acompanhar a animação com os seus filhos. Mas dá para notar a mudança que forçou em sua própria carreira, trabalhando pela primeira vez com uma adaptação. Não partindo de uma de suas ideias geniais, M. Night Shyamalan falha miseravelmente em um filme que não preserva um traço de sua personalidade.

Título Original: The Last Airbender
Ano de Produção: 2010
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan, baseado na animação “Avatar – A Lenda de Aang”
Elenco: Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Shaun Toub, Aasif Mandvi, Cliff Curtis, Seychelle Gabriel, Katharine Houghton, Francis Guinan, Damon Gupton, Summer Bishil e Randall Duk Kim
Cotação: bomba

 

Resenha Crítica | Alice no País das Maravilhas (2010)

Dono de uma filmografia que prima por narrativas passadas em universos fantásticos e góticos, Tim Burton por anos foi o nome apropriado caso uma produção de “Alice no País das Maravilhas” fosse encomendada. Pois foi exatamente o que aconteceu. O público compareceu aos montes para apreciar o aguardado trabalho, contribuindo para que “Alice no País das Maravilhas” entrasse no seleto grupo de títulos a arrecadar mais de um bilhão de dólares em bilheteria mundial, embora o 3D convertido apenas razoável tenha ajudado a chegar neste valor.

Ao contrário do que se esperava, “Alice no País das Maravilhas” não é uma refilmagem da animação Disney produzida em 1951, mas uma espécie de continuidade daquela história, pois a roteirista Linda Woolverton se apoiou mais no livro “Alice no País dos Espelhos”, também de Lewis Carroll, com a protagonista Alice (interpretada por Mia Wasikowska) já adolescente e prestes a ser prometida para um casamento que não deseja selar. Fugindo da situação, embarca novamente e meio sem querer no País das Maravilhas, universo que ela acredita ter habitado apenas em seus sonhos.

Alice não é estranha para as bizarras figuras que habitam o lugar, como o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp). A sua missão, importante também para o seu processo de amadurecimento no mundo real, consiste em “destronar” a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter, sensacional), que converteu em trevas toda a paz do País das Maravilhas, antes sob o domínio da Rainha Branca (Anne Hathaway, numa caricatura hilariante).

Com trabalhos de filmagens e efeitos-especiais de aproximadamente um ano e meio, o apuro técnico de “Alice no País das Maravilhas” é de cair o queixo. O elenco praticamente se virou em cenários construídos através de fundo verde e atores como Helena Bonham Carter e Crispin Glover tiveram todo o corpo moldado digitalmente. Já a narrativa de “Alice no País das Maravilhas” parece não ter correspondido todas as expectativas, talvez equivocadas. Isto porque o longa-metragem cumpre perfeitamente com o que se espera de uma mistura entre as peculiaridades de Tim Burton e todo o encanto e ternura das produções Disney.

Título Original: Alice in Wonderland
Ano de Produção: 2010
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Woolverton, baseado nos livros de Lewis Carroll
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Matt Lucas, Marton Csokas e vozes de Michael Sheen, Stephen Fry, Alan Rickman, Barbara Windsor, Paul Whitehouse e Timothy Spall

Sex and the City 2

Mesmo que a primeira estada da turma de “Sex and the City” no cinema tenha sido um sucesso de bilheteria houve uma preocupação quanto aos comentários negativos que a produção recebeu. Muitos alegaram que o realizador Michael Patrick King não acertou no tom, fazendo apenas o que foi considerado um episódio alongado do seriado com todos os temores das protagonistas já explorados em formato televisivo. A equipe bem que se esforçou para “Sex and the City 2”, mas as reações foram piores. Até o ator Chris Noth se pronunciou afirmando que a crítica foi a responsável por sepultar todas as ambições para um terceiro filme.

Uma crise acomete a protagonista Carrie Preston (Sarah Jessica Parker) com o seu parceiro Mr. Big (papel de Chris Noth). São dois anos de casamento e tudo se transformou em um verdadeiro marasmo. Carrie quer uma relação no mesmo pique que era quando ainda não eram casados e Mr. Big deseja apenas descansar após um exaustivo dia de trabalho deitando no sofá vendo algum jogo ou clássico cinematográfico na televisão. A solução? Dar uma pequena pausa e viajar com as amigas para Abu Dhabi. Mas até as companheiras peruas estão em maus lençóis. Samantha (Kim Cattrall) sofre com a crise da meia-idade, Charlotte (Kristin Davis) está exausta das atividades maternas e Miranda (Cynthia Nixon) tem um chefe que não valoriza seus esforços profissionais simplesmente por ela ser uma mulher, o conflito mais manjado que felizmente tem uma rápida resolução.

Estranho analisar “Sex and the City 2” diante da reação da imprensa especializada. Para falar a verdade, as mesmas qualidades vistas no filme original de 2008 estão aqui. Estão lá as piadas habituais e o destaque dado a amizade do quarteto bem realçado pela química irretocável das amigas. Mas há algumas perdas, como os figurinos antes atraentes e agora horrorosos e a forma como era declarada a independência dessas mulheres no mundo moderno. “Sex and the City” é bem-sucedido ao deixar bem claro que não é apenas os homens que não têm tabu ou iniciativa quando o assunto é sexo e nesta continuação apenas a hilariante Samantha de Kim Cattrall revive isto com suas intervenções espirituosas.

Título Original: Sex and the City 2
Ano de Produção: 2010
Direção: Michael Patrick King
Roteiro: Michael Patrick King
Elenco: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Chris Noth, David Eigenberg, Willie Garson, Evan Handler, Mario Cantone, Liza Minnelli, Lynn Cohen, Alice Eve, Max Ryan, Omid Djalili, Art Malik, Raza Jaffrey, Jason Lewis, Miley Cyrus, Penélope Cruz e John Corbett
Cotação: ***