Resenha Crítica | Incêndios (2010)

Os conflitos no Oriente Médio registram intolerâncias que jamais direcionam a uma solução. Em 2005, Wajdi Mouawad fez a primeira montagem de “Incendies”, peça teatral de grande sucesso cuja protagonista surge como vítima dos trágicos episódios em meio a uma guerra entre palestinos e cristãos. Denis Villeneuve foi o nome que recebeu carta branca de Wajdi Mouawad para levar seu espetáculo para o cinema. O realizador que já vinha do forte “Politécnica”, produção exibida na 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que encena o massacre de estudantes em 1989 num colégio de Montreal, não apenas garantiu vaga na categoria de melhor filme estrangeiro na última edição do Oscar como faz de “Incêndios” um sério candidato a melhor filme exibido em circuito nacional neste ano de 2011.

A personagem interpretada pela bárbara Lubna Azabal (de “Exílios” e “Paradise Now”) enfrenta uma via crúcis. Nawal Marwan é mãe de gêmeos que morre ao entrar num repentino estado de choque. De sexos opostos, Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Maxim Gaudette) se deparam com um pedido impactante no testamento da mãe: a busca pelo pai e irmão deles. Ambos sempre acreditaram que o pai já estivesse morto e nunca souberam da existência de um irmão. Quando encontrados, duas cartas em poder do tabelião feito por Rémy Girard devem ser entregues pessoalmente. Simon é contra cumprir o pedido da mãe falecida, mas Jeanne é não é cética e embarcará nesta jornada de buscas pelas origens de Nawal.

Em um trabalho de montagem que permite que o público jamais desvie sua atenção, acompanhamos estes personagens no presente enquanto flashbacks se encarregam de mostrar Nawal e as tragédias que passam a abatê-la desde o instante que engravida de um palestino. Para não desonrar a família, por sua vez cristã, seu namorado não apenas é assassinado por seu irmão como seu filho é enviado contra sua vontade para a adoção ao nascer. A mãe de Nawal dá a chance de reencontro deixando no pé do recém-nascido três pequenas marcas circulares. A procura se mostra desoladora para Nawal, que será atingida de todas as maneiras ao percorrer um cenário marcado por violência.

Ir além será expor as grandes emoções oferecidas por uma narrativa que conecta irretocavelmente todas as pontas soltas e que permite que nós avancemos nas descobertas no mesmo ritmo atingido por Jeanne e Simon. Esta cumplicidade é o segredo de “Incêndios”, que através de uma mulher, Nawal, registra todos os horrores de um conflito que, amenizado ou não, não deixará de atingir futuras gerações, culminando num desfecho que apresenta uma coincidência que não soa forçada e capaz de destroçar muitos corações.

Título Original: Incendies
Ano de Produção: 2010
Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Denis Villeneuve, baseado na peça de Wajdi Mouawad
Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette, Rémy Girard, Abdelghafour Elaaziz, Allen Altman, Mohamed Majd, Nabil Sawalha, Baya Belal, Bader Alami, Karim Babin, Anthony Ecclissi e Yousef Shweihat
Cotação: [5star.jpg]

Sucker Punch – Mundo Surreal

Desde os primórdios do cinema, os efeitos especiais serviram de ferramenta para uma equipe criar cenas impossíveis de serem feitas sem recorrer a truques. Muitos anos se passaram e atualmente é raro assistir algo que não recorra aos recursos de computação gráfica. Trata-se de algo poderoso, capaz de dar formas as fantasias imaginadas. Seu mau uso é constante, concebido com desleixo ou excesso. Zack Snyder é um dos únicos realizadores americanos ao (re)criar universos fantásticos e deixar uma marca autoral. Já adaptou duas graphic novels (“300” e “Watchmen”) com resultados bem-sucedidos. Com “Sucker Punch – Mundo Surreal” ele se supera.

É a primeira vez que Zack Snyder, um diretor relativamente jovem, trabalha com um argumento original e a cada segundo se nota sua liberdade criativa em ação. Ao contar a trágica história de Baby Doll (Emily Browning), “Sucker Punch – Mundo Surreal” não tem receios de escancarar sua própria fonte pop de inspirações, com ação em eficiente ritmo de video game onde a jovem heroína confronta a própria mente que a submete a percorrer cenários e enfrentar inimigos, tendo a captura de objetos o destino de cada “fase” e um pacato senhor (Scott Glenn) como mentor.

Claro que antes da viagem ao mundo surreal que o título nacional sugere, “Sucker Punch” dá uma introdução apropriada antes que a fantasia tome conta da história. Mandada ao sanatório após uma sequência de episódios fatídicos (a perda da mãe, a morte acidental da irmã e o padrasto canalha interessado em uma herança), Baby Doll será lobotomizada e depende de outras internas para arquitetar um plano de fuga. Pois na companhia de Blondie (Vanessa Hudgens), Amber (Jamie Chung) e das irmãs Sweet Pea e Rocket (Abbie Cornish e Jena Malone), Baby Doll deverá reunir os cinco elementos repassados pelo seu mentor: mapa, fogo, faca, chave e um mistério que será revelado apenas no final. Situação complicada se o sanatório onde estão não fosse um cabaré que reúne como clientes homens poderosos e barra-pesada.

As aventuras que as personagens embarcarão são um deleite para os olhos e também para os ouvidos. Ao som de canções regravadas como “Tomorrow Never Knows” e “White Rabbit”, além de “Army of Me” intacta na voz de Björk, vemos confronto com samurais de pedra gigantes, soldados nazistas com dispositivos que os mantêm vivos, orcs, dragões e robôs. Isoladamente, tais cenários se assemelham a curtas-metragens sensacionais, especialmente pelo domínio de Zack Snyder, que não apenas recorre aos seus conhecidos stop motions como também usa recursos que intrigam o público (a exemplo da dança de Baby Doll que jamais é vista e que serve como passaporte para todas embarcarem nas missões).

Mesmo na versão extended cut (que conta com dezoito minutos a mais) as resoluções da narrativa não são das melhores. Por outro lado, há uma vontade de se fazer entretenimento moldado por imagens. Diante deste prisma, as imagens de “Sucker Punch – Mundo Surreal” são perfeitas.

Título Original: Sucker Punch
Ano de Produção: 2011
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Steve Shibuya e Zack Snyder
Elenco: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Oscar Isaac, Jon Hamm, Scott Glenn, Richard Cetrone, Gerard Plunkett, Malcolm Scott, Alan C. Peterson, Revard Dufresne, Kelora Clingwall e Frederique De Raucourt
Cotação: 4 Stars

Resenha Crítica | Doce Vingança (2010)

“A Vingança de Jennifer” é um digno exploitation produzido com baixíssimo custo no final da década de 1970. Com teor elevado de violência, a realização assinada por Meir Zarchi provocou polêmica e recebeu censura por onde passou. Hoje, “A Vingança de Jennifer” é um cult dentro do gênero e recebe atualização pelas mãos do americano Steven R. Monroe, cujo trabalho mais célebre até então era “Aprisionados” (fita razoável estrelada por Dennis Hopper e disponível em vídeo em nosso país). Eis uma refilmagem que é capaz de dar uma nova perspectiva ao original sem ofendê-lo.

O primeiro ato de “A Vingança de Jennifer” é refeito em “Doce Vingança” sem maiores modificações. Jennifer Hill (agora vivida por Sarah Butler, em seu primeiro papel no cinema) é uma jovem escritora que se isola em uma cabana para escrever seu segundo romance. Antes de chegar ao seu destino, ela se depara com três homens rudes e cheios de más intenções. Na segunda noite de estada, todos eles, acompanhados por um deficiente mental que faz bicos como encanador, invadem o local e submetem a moça a inúmeras humilhações. A chegada de um novo personagem culminará no estupro de Jennifer.

Desde ponto em diante, o roteirista Stuart Morse arquiteta a vingança de Jennifer. Na versão original, a Jennifer de Camille Keaton (curiosamente, neta de Buster Keaton) usa o poder de sedução para persuadir seus algozes. Em “Doce Vingança”, Jennifer reprisa o episódio da qual foi vítima, agora no papel que pode ou não ser definido como de uma vilã. O resultado são cenas de violência que desconcertam e superiores ao filme de Meir Zarchi. Avaliando que aqui os recursos são tão limitados quanto antes, o mérito é ainda maior para uma história que nos convida a nos deparar com nossas próprias reações numa encenação de justiça com as próprias mãos.

Título Original: I Spit on Your Grave
Ano de Produção: 2010
Direção: Steven R. Monroe
Roteiro: Stuart Morse, baseado no filme “A Vingança de Jennifer”, de Meir Zarchi
Elenco: Sarah Butler, Jeff Branson, Andrew Howard, Daniel Franzese, Rodney Eastman, Chad Lindberg, Tracey Walter, Mollie Milligan, Saxon Sharbino e Amber Dawn Landrum
Cotação: 3 Stars

Um Lugar Qualquer

Johnny Marco (Stephen Dorff) é um personagem fictício que pode ser confundido com muitos dos atuais astros de Hollywood. É um célebre protagonista de blockbusters e também um homem com uma vida cheia de excessos. Fora das aparições públicas, onde automaticamente se mostra um sujeito carismático, Johnny parece um nômade, alguém que pula de hotel para hotel e que afugenta a solidão marcando presença em festas regadas a bebidas alcoólicas, contratando dançarinas de pole dance ou transando com a primeira moça de corpo escultural que lhe abrir as portas.

A partir do momento que abandonou a curta e fracassada carreira como atriz, Sofia Coppola parece disposta a exorcizar seus demônios como cineasta. Mostrou-se uma mulher que privilegia o cinema autoral e em “Um Lugar Qualquer” parece compreender bem o personagem que desenhou. Apenas uma impressão passageira, pois desta vez lhe faltou estofo.

Tendo acompanhado a carreira de seu pai Francis Ford Coppola desde o momento que nasceu, Sofia observou de camarote o preço da fama. Concentra suas experiências em Johnny Marco com tudo o que há de pior neste universo privilegiado. Com isto, registra apenas imagens que, apesar de inegavelmente belas e bem enquadradas, são redundantes. Para Sofia Coppola, é preciso dedicar muito tempo para extrair algo do movimento (a interminável sequência de abertura) e do silêncio (Johnny repousando à beira da piscina na presença de sua filha Cleo, feita por Elle Fanning). Um olhar contemplativo limitado, quase vazio, que se revela pouco recompensador à plateia.

Título Original: Somewhere
Ano de Produção: 2010
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius, Kristina Shannon, Karissa Shannon, Lala Sloatman, Erin Wasson, Alexandra Williams, Nathalie Fay, Kristina Shannon, Karissa Shannon, Amanda Anka, Ellie Kemper, Laura Chiatti, Laura Ramsey, Damián Delgado, Michelle Monaghan e Benicio Del Toro
Cotação: 2 Stars

Resenha Crítica | Sexo Sem Compromisso (2011)

Na realidade atual, é natural muitos casais jamais assumirem um relacionamento sério e responsável. As decepções amorosas anteriores e uma vida atarefada fazem com que invistam mais nos prazeres das relações sexuais e menos na paixão. Este é o assunto principal de “Sexo Sem Compromisso”. Infelizmente, Ivan Reitman (que há anos não acerta uma) pouco faz além de transformar esta comédia romântica em um filme bem cafajeste, seja no que diz respeito às piadas, seja na falta de qualidade.

Natalie Portman provavelmente precisava de algum “refresco” após o exaustivo trabalho em “Cisne Negro“, pois nada além disto justifica sua presença como protagonista e produtora executiva de “Sexo Sem Compromisso”. Ela vive Emma, workaholic que definitivamente não quer embarcar num compromisso, não importa quem for o pretendente. O destino permite que ela reencontre Adam (Ashton Kutcher) em várias ocasiões de sua vida. Ele é um sujeito boa-praça que não deu sorte no amor e que pena para ser valorizado no seu trabalho como assistente em produções de tevê. Calha a Emma e Adam descontar as frustrações fazendo sexo, combinando que não deixarão nenhum sentimento sério interferir na relação.

A inexperiente Elizabeth Meriwether sem dúvidas teve uma boa ideia para um roteiro. Porém, o produto final é ruim, cheio de caminhos previsíveis. Ivan Reitman pouco colabora com a direção de elenco, que dá vida a personagens estereotipados, especialmente a estabanada Lucy (Lake Bell) e o pai do protagonista, Alvin (Kevin Kline), um homem de idade que se comporta como um jovem. Resta aguardar a chegada do próximo mês para o lançamento de “Amizade Colorida” em nosso país, produção que parece lidar com o mesmo argumento com mais propriedade.

Título Original: No Strings Attached
Ano de Produção: 2011
Direção: Ivan Reitman
Roteiro: Elizabeth Meriwether
Elenco: Natalie Portman, Ashton Kutcher, Greta Gerwig, Kevin Kline, Cary Elwes, Lake Bell, Olivia Thirlby, Chris ‘Ludacris’ Bridges, Jake M. Johnson, Mindy Kaling, Talia Balsam, Ophelia Lovibond, Guy Branum, Ben Lawson, Jennifer Irwin, Adhir Kalyan, Brian H. Dierker, Abby Elliott, Vedette Lim, Elizabeth Meriwether, Tyne Stecklein, Dylan Hayes, Stefanie Scott e Ivan Reitman
Cotação: 1 Star

Resenha Crítica | Confiar (2010)

Não faltam casos exibidos em noticiários de menores abusados sexualmente por pedófilos. Esta triste realidade mostra não apenas familiares, vizinhos ou membros religiosos como principais responsáveis como também condena a Internet como melhor ferramenta para estes desprezíveis predadores sexuais agirem. A produção independente “Confiar” encena esta tragédia que destrói psicologicamente muitos inocentes e a faz com contundência e sem amenizar para o espectador as severas consequências. Definitivamente, é uma obra dura de acompanhar.

Annie (Liana Liberato, em interpretação arrebatadora) é filha com catorze anos de uma típica família americana que a todo o momento está online conversando com Graham (Chris Henry Coffey) , com quem fez amizade numa sala de bate-papo. Annie estabelece uma comunicação onde a confiança é sempre primordial, expondo pensamentos que jamais compartilhou com seus pais (Clive Owen e Catherine Keener). Talvez por isso Graham não demora para lhe confessar que é mais velho. Um encontro é marcado e Annie se depara com alguém que jamais imaginaria ser, um sujeito que facilmente tem o triplo de sua idade. O pior acontece, mas Annie não se comporta como vítima, claramente convencida do amor que Graham manipulou ao longo de inúmeras mensagens de texto.

É uma situação indiscutivelmente polêmica e que, surpreendentemente, é realizada através da mão firme de David Schwimmer. Com uma expressão abobalhada com a qual jamais foi capaz de se desvincular com o término do seriado “Friends” (embora tenha dado uma pequena amostra de seu potencial dramático como o marido de Kate Backinsale em “Faces da Verdade”), David Schwimmer parecia repetir os passos mal-sucedidos de intérprete também por trás das câmeras, ao julgar tanto pelos filmes televisivos que conduziu quanto pela comédia “Maratona do Amor”. Em “Confiar”, David Schwimmer se mostra outro realizador.

“Confiar” é uma obra cinematográfica digna, seja pelos desempenhos, seja pelos desdobramentos da narrativa. Porém, é no seu tom de denúncia que realmente consegue se sobressair. Mesmo que denote o contrário, é um filme que deve ser assistido por pais e filhos para conscientizá-los dos riscos que estão expostos. Não há espaço para final feliz e a cena nos créditos finais tem a intensidade de um soco no estômago: em “Confiar”, não existe dúvidas sobre o caráter desses predadores.

Título Original: Trust
Ano de Produção: 2010
Direção: David Schwimmer
Roteiro: Andy Bellin e Robert Festinger
Elenco: Liana Liberato, Clive Owen, Catherine Keener, Jason Clarke, Viola Davis, Chris Henry Coffey, Spencer Curnutt, Aislinn DeButch, Noah Emmerich, Olivia Wickline, Zoe Levin, Zanny Laird, Yolanda Mendoza, Shenell Randall, Ruth Crawford, Marty Bufalini e Tristan Peach
Cotação: 4 Stars

Desconhecido

Com a franquia Bourne temporariamente congelada após “O Últimato Bourne“, o que não falta no mercado americano é exemplar que emula descaradamente os três episódios de sucesso estrelado por Matt Damon. “Desconhecido” não apenas comete este erro como também se mostra um veículo muito inferior para Liam Neeson como herói de ação. É o primeiro tropeço do espanhol Jaume Collet-Serra em Hollywood, responsável pelos climas tensos de “A Casa de Cera” e “A Órfã“.

Martin Harris (Liam Neeson) está em Berlim com a sua esposa Elizabeth (January Jones, com sua imutável cara blasé) e ao apanhar um táxi sofre um terrível acidente que o faz ficar em coma. O fator Bourne surge com uma perda de identidade, pois ninguém o reconhece como Martin, inclusive Elizabeth. Com a memória parcialmente prejudicada pelo acidente, Martin inicia uma busca pela taxista que o conduzia (papel de Diane Kruger) para que possa compreender a conspiração que passou a cercá-lo.

Mais do que oferecer uma conclusão surpreendente e que convença o público, “Desconhecido” é um tipo de produção com narrativa que também precisa de um bom desenvolvimento. Não testemunhamos nada disto e este resultado foi alcançado com a soma de inúmeros fatores negativos. Se não bastassem as anêmicas sequências de ação, os desempenhos no automático e os erros de continuidade, há uma vontade dos roteiristas em colocarem ideias não presentes no romance de Didier Van Cauwelaert e que ficam totalmente deslocadas na narrativa, a exemplo do personagem criado especialmente para Bruno Ganz com suas referências a Alemanha de Hitler. Uma bobagem que não vale o tempo e o dinheiro investidos.

Título Original: Unknown
Ano de Produção: 2011
Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: Oliver Butcher e Stephen Cornwell, baseado no romance “Out of My Head”, de Didier Van Cauwelaert
Elenco: Liam Neeson, Diane Kruger, January Jones, Aidan Quinn, Bruno Ganz, Frank Langella, Sebastian Koch, Olivier Schneider, Stipe Erceg, Rainer Bock, Mido Hamada, Clint Dyer, Karl Markovics e Eva Löbau
Cotação: 1 Star

Contra o Tempo

Filho de David Bowie, Duncan Jones pegou muitos de surpresa ao se lançar como cineasta em “Lunar”, produção que chegou no início do ano passado no Brasil direto em DVD. Considerado uma preciosidade dentro do gênero de ficção-científica, o filme protagonizado por Sam Rockwell provavelmente foi definitivo para o próximo passo de Duncan Jones, que se dá no comando de “Contra o Tempo”.

A história inicia com Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) não reconhecendo nada e ninguém ao despertar em um trem. A bela Christina Warren (Michelle Monaghan) conversa com Colter como se fossem amigos de longa data e Colter não sabe o que fazer. Oito minutos depois, há uma explosão, matando todos à bordo. A partir daí, o caráter científico de “Contra o Tempo” se mostra, pois passamos a descobrir que Colter, que afirma ser um soldado em missão no Afeganistão, faz parte de um experimento que é capaz de fazê-lo retornar ao passado e coletar informações inéditas. Neste caso, a identidade do terrorista responsável pela morte dos passageiros e que em tempo presente está ativando bombas para mandar para os ares outros pontos de Chicago.

Em “Contra o Tempo”, Duncan Jones mostra que é uma revelação que veio para ficar. Mesmo com o orçamento razoavelmente apertado para os padrões do cinema americano (trinta e dois milhões de dólares), o jovem realizador não apenas cria cenas empolgantes como também tira bom proveito do ótimo elenco principal (com destaque para Vera Farmiga como a capitã que orientará Colter ao longo da história) e dos poucos cenários disponíveis. Também é preciso destacar o texto de Ben Ripley, enxuto e jamais soando redundante quando os acontecimentos antes da explosão são reprisados inúmeras vezes. É verdade que a revelação e motivação do personagem responsável pelos ataques são frustrantes. Ainda assim, “Contra o Tempo” vale a conferida por desenvolver muito bem a sua ideia central, com o conceito do espaço-tempo processado sem grandes complicações e muita originalidade.

Título Original: Source Code
Ano de Produção: 2011
Direção: Duncan Jones
Roteiro: Ben Ripley
Elenco: Jake Gyllenhaal, Michelle Monaghan, Vera Farmiga, Jeffrey Wright, Michael Arden, Cas Anvar, Russell Peters, Brent Skagford e voz de Scott Bakula
Cotação: 3 Stars

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1

A adaptação da série literária “Harry Potter” seguia um rumo promissor com a mudança de diretores a cada episódio. Não eram filmes estranhos entre si e mesmo assim realizadores como Chris Columbus e Alfonso Cuáron foram capazes de impor suas diferentes perspectivas sobre o universo mágico do personagem. O inglês David Yates ofereceu com “Harry Potter e a Ordem da Fênix” o momento mais pulsante da fantasia e se contentou posteriormente com muito pouco em “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”. Com “Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1” o resultado é ainda mais frustrante e desta vez não há como depositar toda a culpa em David Yates.

Desolados com a morte de Dumbledore (Michael Gambon) em “O Enigma do Príncipe”, Harry (Daniel Radcliffe), Hermione (Emma Watson) e Ron (Rupert Grint) têm como missão encontrar e destruir as Horcruxes, espécie de amuletos onde se concentram a alma de Voldemort (Ralph Fiennes). Trata-se da verdadeira e única novidade em “Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1” e é de deixar qualquer um cabisbaixo que entre seis Horcruxes apenas uma é interceptada ao longo de uma narrativa que se arrasta por duas horas e meia.

Caso fosse planejado como uma única parte, “As Relíquias da Morte” teria potencial de fechar a franquia com chave de ouro. Como o que mais importa na jogada é a bilheteria que um momento tão definitivo como este é capaz de arrecadar, o estúdio optou pela divisão. O resultado causa impaciência e as mesmas lições moralistas defendidas anteriormente atingem aqui um limite – é preciso insistir tanto na força da amizade entre o jovem trio central? A expectativa é de que o melhor será reservado para a segunda parte de “As Relíquias da Morte”, embora a sensação de que tudo será processado sem muitas sutilezas (será o episódio mais curto de toda a série “Harry Potter”) preocupe até mesmo aos fãs mais ardorosos.

Título Original: Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1
Ano de Produção: 2010
Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves, baseado no romance de J.K. Rowling
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Bill Nighy, Richard Griffiths, Harry Melling, Julie Walters, Bonnie Wright, Ian Kelly, Michelle Fairley, Fiona Shaw, Alan Rickman, Carolyn Pickles, Helena Bonham Carter, Helen McCrory, Jason Isaacs, Tom Felton, Timothy Spall, Peter Mullan, Rod Hunt, Michael Gambon, Robbie Coltrane, Brendan Gleeson, Oliver Phelps, James Phelps, Mark Williams, Domhnall Gleeson, Clémence Poésy, David Thewlis, John Hurt, Frances de la Tour, Evanna Lynch, Rhys Ifans, Katie Leung, Afshan Azad, Imelda Staunton, David O’Hara, Nick Moran, Rade Serbedzija, Geraldine Somerville, Miranda Richardson, Ralph Fiennes e voz de Toby Jones
Cotação: 2 Stars

Resenha Crítica | Você de Novo (2010)

A presença de Jamie Lee Curtis e Sigourney Weaver em um filme sempre vale o ingresso. Dividindo a cena como rivais então, parece que estaremos diante de algo imperdível. Pois nem a Rainha do Grito, a Tenente Ripley e qualquer outra coisa compensa um tostão do bolso para encarar o entretenimento canhestro que é a comédia “Você de Novo”, que faz de um assunto sério, o bullying, uma mera ferramenta para pregar inúmeras piadas nada engraçadas.

Quando mais jovem, Marni (Kristen Bell, uma atriz com potencial que pena para encontrar um papel que preste) foi vítima das chacotas da estonteante e esnobe Joanna (Odette Annable). Mesmo muito mais bela alguns anos depois, é visível ao público que Marni jamais superou as humilhações que passou no colégio. Eis que se depara com uma grande surpresa: seu irmão, Will (o péssimo James Wolk), vai se casar justamente com Joanna. Quem também caí da cadeira é a mãe de Marni, Gail (Jamie Lee Curtis), pois ela revê Ramona (Sigourney Weaver), tia ricaça de Joanna e que transformou sua festa de formatura numa noite traumática.

O diretor Andy Fickman se saiu bem ao tentar dar uma nova roupagem para tramas batidas em filmes como “Ela é o Cara” e “Treinando o Papai”, mas em “Você de Novo”, com texto do novato Moe Jelline, ele passa dos limites. Seu interesse se resume apenas em choques cômicos que as estapafúrdias coincidências da história apresentam, com personagens centrais tendo ligações inimagináveis. As resoluções ridículas só reforçam a sensação de estarmos diante de criaturas unidimensionais e ao papelão que todos se submeteram em representá-las. Só compensa o tempo perdido a cena final onde a sempre impagável Betty White contracena com uma Cloris Leachman em ponta relâmpago.

Título Original: You Again
Ano de Produção: 2010
Direção: Andy Fickman
Roteiro: Moe Jelline
Elenco: Kristen Bell, Jamie Lee Curtis, Sigourney Weaver, Odette Annable, Victor Garber, Betty White, James Wolk, Kristin Chenoweth, Sean Wing, Kyle Bornheimer, Billy Unger, Christine Lakin, Meagan Holder, Patrick Duffy, Patrick Duffy, Anna A. White, Brytni Sarpy, Dwayne Johnson e Cloris Leachman
Cotação: 1 Star