A Minha Versão do Amor

Mesmo que existam vários títulos que se dedicam em condensar toda a existência de um personagem em duas ou três horas, é muito raro testemunharmos uma experiência extremamente válida, que consiga sublinhar todos os contrastes que há na vida de qualquer um. Com isto, o cineasta Richard J. Lewis e o roteirista Michael Konyves tiveram uma tarefa no mínimo complicada em adaptar o extenso romance do canadense Mordecai Richler. Não apenas conseguem o feito como faz de “A Minha Versão do Amor” um dos filmes mais emocionantes do ano.

Há três mulheres que entraram na vida de Barney Panofsky (Paul Giamatti, vencedor do Globo de Ouro e possivelmente no melhor trabalho em toda sua carreira). A primeira, a bela Clara (Rachelle Lefevre), surgiu quando Barney ainda era jovem e vivia na Itália. Ia construir com ela uma família se não fossem as várias verdades ditas apenas durante e após o casamento, como o seu nome verdadeiro e o filho que carregava não sendo de Barney. A rica judia feita por Minnie Driver é a segunda mulher a se tornar esposa de Barney, mas eis que o destino prega novas peças para o protagonista, com ele se apaixonando à primeira vista por Miriam (Rosamund Pike).

Como a vida não é feita só de amores, a narrativa também foca o relacionamento de Barney com o seu pai Izzy (Dustin Hoffman) e com o seu melhor amigo Boogie (Scott Speedman), cuja morte Barney é dado como responsável. Há outros grandes episódios ao longo de quarenta anos sobre este personagem tão bem construído, mas não cabe aqui revelá-los. Se o sarcasmo tão exaltado no livro de Mordecai Richler não foi mantido, a versão cinematográfica ao menos preserva o caráter errante de Barney, que casado com Mirian é capaz de tomar atitudes imperdoáveis em nome do amor.

A impressionante maquiagem de Adrien Morot foi o único a representar “A Minha Versão do Amor” no Oscar 2011 e a produção não obteve um bom número de espectadores ao chegar nos cinemas. Disponível em DVD há alguns meses, agora existe a chance de desfrutar na telinha essa história maravilhosa.

Título Original: Barney’s Version
Ano de Produção: 2010
Direção: Richard J. Lewis
Roteiro: Michael Konyves, baseado no romance “A Versão de Barney”, de Mordecai Richler
Elenco: Paul Giamatti, Rosamund Pike, Minnie Driver, Rachelle Lefevre, Scott Speedman, Dustin Hoffman, Atom Egoyan, Mark Addy, Macha Grenon, Clé Bennett, Thomas Trabacchi, Saul Rubinek, Howard Jerome, David Cronenberg, Anna Hopkins, Jake Hoffman, Richard J. Lewis e Bruce Greenwood
Cotação: 4 Stars

A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

Mesmo alvo de piadas que se intensificam a cada momento, “A Saga Crepúsculo” é um daqueles guilty pleasures que não é possível abandonar caso o primeiro filme da franquia, “Crepúsculo”, tenha sido conferido. A verdade é que as adaptações dos romances de Stephenie Meyer são atraentes porque há o uso de vários dilemas que cercam a atual geração num universo fantástico de vampiros e lobisomens sempre popular. No entanto, “Amanhecer – Parte 1” não apenas estreia esgotado de ideias como é capaz de tirar do sério até o espectador mais aficionado pela “A Saga Crepúsculo”.

O início deste capítulo se dá com o casamento de Bella Swan (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson). É claro que há Jacob (Taylor Lautner) tendo ataque de ciúmes e até o clã Denali pouco entusiasmado com a união. Mas tudo sai como o planejado e o casal embarca para a lua de mel. Após muito nervosismo, o sexo é consumado e o horror se inicia: ainda humana, Bella engravida, acarretando numa breve gestação de um bebê-vampiro. Bella sabe dos riscos que se submeterá caso não aborte e, com isto, o velho conflito entre vampiros e lobisomens ressurge, já que a gravidez indesejada põe em xeque o acordo de paz entre ambas as espécies de criaturas da noite.

O que faz de “Amanhecer – Parte 1” um filme ainda menos tolerável que os capítulos anteriores é o número de incoerências, agora mais gritantes do que de costume. As principais estão relacionadas justamente naquele que seria o maior atrativo para nós, brasileiros: as sequências de lua de mel, ambientadas no Rio de Janeiro. Se já não fosse risível Edward magicamente não “bilhar” diante do sol carioca, os absurdos vão surgindo em carícias sendo substituídas por partidas de xadrez (é sério!) e o velho chavão de registrar cariocas ou como um povo incansavelmente festivo ou supersticioso. Os diálogos em português entre Edward e a empregada que o vê como um monstro diabólico são hilários.

Com todos esses deslizes, é difícil acreditar que o americano Bill Condon seja o nome por trás das câmeras. Com um Oscar pelo brilhante roteiro de “Deuses e Monstros” e tendo dirigido “Kinsey – Vamos Falar de Sexo”, “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” e o piloto do excelente seriado “The Big C”, Bill Condon apresenta aquele que é de longe o pior trabalho de direção na franquia. Não há qualquer achado visual que o caracterize e as poucas cenas de horror surgem e desaparecem sem deixar vestígios. É cruzar os dedos para que o melhor de Bill Condon seja mostrado em “Amanhecer – Parte 2”, com lançamento já confirmado para o dia 16 de novembro de 2012.

Título Original: The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 1
Ano de Produção: 2011
Direção: Bill Condon
Roteiro: Melissa Rosenberg, baseado no romance “Amanhecer”, de Stephenie Meyer
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Gil Birmingham, Billy Burke, Sarah Clarke, Ashley Greene, Jackson Rathbone, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Kellan Lutz, Ty Olsson, Nikki Reed, Anna Kendrick, Christian Serratos, Justin Chon, Michael Welch, Christopher Heyerdahl, Jamie Campbell Bower, Christian Camargo, Mía Maestro, Maggie Grace, MyAnna Buring, Casey LaBow, Booboo Stewart, Alex Rice, Stephenie Meyer e Michael Sheen
Cotação: 1 Star

Resenha Crítica | Onde Está a Felicidade? (2011)

Intérpretes já consagrados, Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi atingiram um novo ponto em suas carreiras. Ele como diretor e ela como roteirista. A terceira parceria do casal acontece em “Onde Está a Felicidade?”, comédia que se mostra mais acessível que o ainda inédito “Stress, Orgasms, and Salvation” e o drama “O Signo da Cidade”. A evidência disso se vê nos inúmeros elogios que a produção obteve na última edição do Festival de Paulínia.

Arrasada por descobrir a infidelidade do marido Nando (Bruno Garcia) e com o seu programa de culinária afrodisíaca ameaçado, Teodora (Bruna Lombardi) segue o conselho de sua maquiadora Aura (María Pujalte) em fazer o Caminho de Santiago de Compostela. Numa jornada de dias pela Espanha de leste a oeste, o Caminho de Santiago é famoso pela forte experiência espiritual vivida pelos seus peregrinos, que fazem o caminho a pé ou de bicicleta. Parece uma jornada de paz interior e descobertas perfeitas para tirar dos frangalhos a vida de Teodora. Bom, isso se não decidisse registrar os acontecimentos marcantes, tendo como companhia o cameraman Zeca (Marcello Airoldi) e a sobrinha espanhola de Aura, Milena (Marta Larralde), como guia.

Sob cores fortes que remetem ao cinema de Pedro Almodóvar, “Onde Está a Felicidade?” oferece excelentes momentos de humor quando Teodora permite que a sua ansiedade de chegar ao final do Caminho de Santiago seja maior do que o desejo de se redescobrir e enfim dar soluções aos seus problemas pessoais. Uma pena que há muitas peças descartáveis que são introduzidas apenas para fazer a narrativa se alongar desnecessariamente, como a presença de Hanna Rosenbaum vivendo Clarinha (uma fã incondicional de Nando e que renderá alguns mal entendidos) e a péssima decisão de concluir o filme em pontos turísticos do Piauí. A despeito do título convidativo, bem, será uma questão cuja resposta o público não deverá encontrar na história de Bruna Lombardi.

Título Original: Onde Está a Felicidade?
Ano de Produção: 2011
Direção: Carlos Alberto Riccelli
Roteiro: Bruna Lombardi
Elenco: Bruna Lombardi, Bruno Garcia, Marcello Airoldi, Marta Larralde, María Pujalte, Wandy Doratiotto, Sérgio Guizé, Paulo Federal, Luis Zahera, Pedro Alonso, Berta Ojea, Marcelo Adnet, Dani Calabresa, Kotoe Karasawa e Hanna Rosenbaum
Cotação: 2 Stars

Resenha Crítica | O Homem do Futuro (2011)

Em seu quarto longa-metragem, Cláudio Torres parece reforçar a impressão que surgiu desde “Redentor” e transferida para “A Mulher do Meu Amigo” e “A Mulher Invisível“: o de preencher seus projetos com elementos suficientes para saciar o grande público. Pois é essa vontade que parece limitar este que é o filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Algo que se notou especialmente em “A Mulher Invisível” e agora em “O Homem do Futuro”, ambos com narrativas redundantes até dizer chega.

“O Homem do Futuro” até se mostra promissor em seus primeiros momentos, especialmente por investir em um gênero, ficção-científica, ainda pouco explorado por nosso cinema. Com competência habitual (ainda que fora de tom em um ou outro momento), Wagner Moura faz Zero, cientista obstinado em criar uma máquina capaz de levá-lo de volta ao passado e consertar um episódio traumático em sua formatura. Antes gago, Zero teve com Helena (Alinne Moraes), a garota dos seus sonhos, uma rápida relação e um dueto de “Tempo Perdido”, do “Legião Urbana”, feito com emoção. Seria o casal perfeito se ela não tivesse servido de peça para Ricardo (Gabriel Braga Nunes) arquitetar um plano para humilhar Zero em público.

Pois então Zero modifica seu passado e, como consequência, seu futuro também é alterado. Para a pior, como se esperava. É uma pena que, ao invés de explorar esta nova realidade de Zero ou desenvolver outras possibilidades, “O Homem do Futuro” apenas repita o tropeço já ensaiado em “A Mulher Invisível“. E lá vamos nós testemunhar a trama retroceder outra vez, com a intenção de preparar um destino mais razoável para o protagonista. Uma resolução no último ato tenta fazer de “O Homem do Futuro” um entretenimento mais esperto do que o habitual, mas só deixa o resultado ainda mais amargo.

Título Original: O Homem do Futuro
Ano de Produção: 2011
Direção: Cláudio Torres
Roteiro: Cláudio Torres
Elenco: Wagner Moura, Aline Moraes, Maria Luísa Mendonça, Fernando Ceylão, Gabriel Braga Nunes, Rodolfo Bottino, Gregório Duvivier, Jean Pierre Noher, Rogério Fróes e Lívia de Bueno

Resenha Crítica | A Árvore da Vida (2011)

A Árvore da VidaCom uma carreira que se iniciou em 1969, o americano Terrence Malick rodou apenas cinco filmes e um curta-metragem. Mesmo esporádico, é considerado como um dos maiores realizadores ainda vivo, tendo obras cujas cenas parecem ser concebidas com extrema meticulosidade. Atualmente, Malick está muito mais ativo, já que tem vários filmes na agenda após “A Árvore da Vida”. Em estágio de pós-produção, “Voyage of Time” e um drama romântico ainda sem título protagonizado por Rachel McAdams e Ben Affleck devem estrear no ano que vem. “Lawless” e “Knight of Cups” ainda estão em fase de pré-produção.

Em “A Árvore da Vida”, acompanhamos episódios da vida que foram definitivos na formação do caráter de Jack (Sean Penn), que atualmente encara no automático o trabalho e o relacionamento com a esposa (Joanna Going). Além do mais, é um homem triste, cujo comportamento espelha alguém que ainda não superou as experiências que teve na infância com o senhor O’Brien, seu rígido pai interpretado por Brad Pitt.

A sinopse entrega um drama familiar, mas o nome de Terrence Malick no projeto indica algo que vai muito além disso. Abre “A Árvore da Vida” com a mãe de Jack (Jessica Chastain, em performance singular) recebendo a notícia da morte de um de seus três filhos. Passado o luto, a história retrocede, mostrando o casal O’Brien tendo o primeiro filho e, em paralelo, o Big Bang. Tudo com o uso de imagens extraordinárias que constroem uma narrativa totalmente distinta dentro do que se vê no cinema contemporâneo.

Com isto, temos um filme onde há uma forte experiência sensorial e, com ela, discussões sobre Fé e Ciência. Nada melhor então do que ter a família O’Brien com sua existência totalmente crível para representar a proposta de Terrence Malick, mas há um problema com a chegada do último ato de “A Árvore da Vida”. Isto se dá com a tentativa de tornar mais sólidos os tormentos do Jack adulto, ingênuos avaliando que o que ele é hoje se baseia apenas na educação rigorosa de seu pai – não à toa, o próprio Sean Penn, feliz com os projetos que participou, se mostrou insatisfeito com o produto final de “A Árvore da Vida”. Numa tentativa de compartilhar os sentimentos tumultuados que cercam o início e o fim, a vida e a morte, “Melancolia” é uma obra tão recente quanto “A Árvore da Vida”, mas que se mostra mais completa.

Título Original: The Tree of Life
Ano de Produção: 2011
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
Elenco: Brad Pitt, Jessica Chastain, Hunter McCracken, Laramie Eppler, Tye Sheridan, Fiona Shaw, Jessica Fuselier, Nicolas Gonda, Will Wallace, Kelly Koonce, Bryce Boudoin, Jimmy Donaldson, Kameron Vaughn, Cole Cockburn, Dustin Allen, Brayden Whisenhunt, Joanna Going e Sean Penn

Resenha Crítica | Martha Marcy May Marlene (2011)

Martha. Marcy May. Marlene. O que esses três nomes femininos que compõem o título do primeiro longa-metragem de Sean Durkin têm em comum? Mais do que se espera. Provavelmente, trata-se das três identidades em algum momento adotadas por Elizabeth Olsen. Na verdade, ela é Martha, virou Marcy May ao entrar em um estranho culto comandado por Patrick (John Hawkes, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por “Inverno da Alma“) e, se houver muita desatenção, e possível não reconhecê-la como Marlene em alguma etapa da história, cujo início se dá com a fuga de Marcy May do casarão na floresta que habitou por quase dois anos.

A seguir, Martha é aquela que ligará para Lucy (Sarah Paulson), sua irmã mais velha que tenta com Ted (Hugh Dancy) engravidar. Sem ter para onde ir, Lucy hospeda Martha em uma bela casa para onde vai apenas quando Ted consegue alguns dias consecutivos de folga. Sem aviso prévio, a narrativa costura assim o dia a dia de Martha e Lucy e alguns episódios de Marcy May convivendo com Patrick e outros elementos de seu culto, como o por vezes ameaçador Watts (Brady Corbet) e a novata Sarah (Julia Garner).

Nessa alternância entre passado e presente é possível compreender o contraste entre ambos os cenários e, talvez, o quanto eles atingiram a sanidade de Martha. Em alguns diálogos, especialmente aqueles com o cunhado Ted, e possível notar em Martha o quanto aquela existência de aparências a enoja. Por outro lado, a interação com todos aqueles que compõem o culto de Patrick revelam que o modelo de vida serena antes prometida, que inclui o desapego do bem material com intenção de produzir com as próprias mãos o que é necessário para sobreviver, se mostra mais selvagem do que deveria.

Em sua estreia como atriz, Elizabeth Olsen tem aqui a meta que provavelmente seria recusada por muitas intérpretes veteranas. Diante de uma narrativa complexa também escrita por Sean Durkin, Olsen precisa processar para o público toda a paranoia de suas personagens. Não apenas lida perfeitamente com a tarefa digna de uma indicação ao Oscar que infelizmente não deve acontecer como nos faz esquecer que é, na vida real, irmã mais nova das gêmeas Mary-Kate Olsen e Ashley Olsen, talvez as mais insuportáveis que se vê por aí. Seu olhar atinge o público com a capacidade de transmitir a turbulência que a habita, rendendo uma experiência mais perturbadora do que dedicada em dar resolução aos enigmas que inevitavelmente ficarão com a conclusão em aberto.

Título Original: Martha Marcy May Marlene
Ano de Produção: 2011
Direção: Sean Durkin
Roteiro: Sean Durkin
Elenco: Elizabeth Olsen, John Hawkes, Sarah Paulson, Hugh Dancy, Brady Corbet, Julia Garner, Christopher Abbott, Maria Dizzia, Louisa Krause, Adam David Thompson, Allen McCullough, Gregg Burton, Lauren Molina, Louisa Braden Johnson, Tobias Segal, Michael Chmiel e Diana Masi
Cotação: 4 Stars

Um Sonho de Amor

Atriz de extraordinário talento, a inglesa Tilda Swinton tem uma agenda cheia de trabalhos em pré-produção ou prestes a serem finalizados, mesmo já tendo passado dos cinquenta anos, uma faixa de idade onde os bons papéis começam a rarear. Com isto, surpreende que ela tenha conseguido conciliar seus compromissos com outros cineastas ao mesmo tempo que auxiliava o levantamento de investimentos para a produção de “Um Sonho de Amor”, dirigido pelo italiano Luca Guadagnino (o mesmo de “100 Escovadas Antes de Dormir”).

Filmado com o custo estimado de dez milhões de dólares com base num argumento do próprio Luca Guadagnino, “Um Sonho de Amor” registra Emma Recchi (Tilda Swinton) e sua vida cheia de luxos. Nascida na Rússia, Emma abandona a terra natal para viver com o marido Tancredi (Pippo Delbono) em Milão. O casal tem três filhos: Edoardo Jr. (Flavio Parenti), Elisabetta (Alba Rohrwacher) e Gianluca (Mattia Zaccaro).

A trama inicia com um jantar para comemorar o aniversário do sogro de Emma, Edoardo (Gabriele Ferzetti). Entre os brindes, Edoardo aproveita para anunciar o abandono de sua indústria têxtil, deixando como sucessores o filho  Tancredi e o neto Edoardo. Porém, maior do que esta surpresa é o quanto a rápida presença de Antonio (Edoardo Gabbriellini), chefe de cozinha e melhor amigo de Edoardo Jr., atraí as atenções de Emma.

Assim, ao longo de duas horas de metragem, “Um Sonho de Amor” passa a registrar a aproximação de Emma, matriarca de uma família poderosa, com Antonio, um homem jovem, humilde e que planeja com Edoardo Jr. abrir seu próprio restaurante. Para isto, Luca Guadagnino conta com muitos elementos ao seu favor. Se o empenho de Tilda Swinton (dialogando em italiano invejável) dispensa apresentações, há bom uso da música instrumental de John Adams, dos figurinos indicado ao Oscar de Antonella Cannarozzi e da fotografia de Yorick Le Saux (que já trabalhou com o francês François Ozon e mestre na elaboração de cenas de sexo). Entretanto, também é fato que não dá para se entusiasmar com o espírito novelesco da narrativa e suas resoluções inconvincentes.

Título Original: Io sono l’amore
Ano de Produção: 2009
Direção: Luca Guadagnino
Roteiro: Barbara Alberti, Ivan Cotroneo, Luca Guadagnino e Walter Fasano
Elenco: Tilda Swinton, Flavio Parenti, Edoardo Gabbriellini, Alba Rohrwacher, Pippo Delbono, Diane Fleri, Maria Paiato, Marisa Berenson, Waris Ahluwalia, Gabriele Ferzetti, Martina Codecasa, Elena Pavli e Mattia Zaccaro
Cotação: 2 Stars

Resenha Crítica | Pronta Para Amar (2011)

Basta surgir alguma história onde o personagem central descobre ter algum câncer terminal para encararmos com pouco entusiasmo o que vem a seguir. Afinal, é raro algum roteiro se esquivar dos velhos padrões, que incluem protagonistas em busca da realização de todos os seus desejos ainda pendentes e permitir que o fim de sua existência seja mais suportável para aqueles que os cercam. “Pronta Para Amar” apresenta esses vícios, mas o que faz a diferença aqui é o tom usado para narrar o drama de Marley.

Interpretada com enorme carisma por Kate Hudson, esta bela jovem é daquelas que encaram a vida com certa libertinagem, seja no trabalho ou nos relacionamentos. Uma consulta com o doutor Julian Goldstein (o mexicano Gael García Bernal) faz o seu mundo desmoronar: descobre ter um câncer em estágio irreversível. Por mais que Marley tente processar a notícia com bom humor, as pessoas que a cercam não conseguem encarar a situação delicada com indiferença.

Tendo estreado como diretora de longa-metragem em 2004 com o extraordinário e difícil “O Lenhador”, Nicole Kassell lida agora com uma trama muito mais leve preservando o talento apresentado em seu debut. Excelente diretora de elenco, Kassell faz bom proveito do elenco de apoio, que inclui Whoopi Goldberg fazendo o papel de Deus e Peter Dinklage surpreendentemente charmoso como um gigolô. Mas seu grande acerto é mesmo a junção de humor e drama, direcionando “Pronta Para Amar” para um desfecho terno e, dependendo do seu emocional, de fazer recorrer a uma caixa com lenços.

Título Original: A Little Bit of Heaven
Ano de Produção: 2011
Direção: Nicole Kassell
Roteiro: Gren Wells
Elenco: Kate Hudson, Gael García Bernal, Kathy Bates, Lucy Punch, Rosemarie DeWitt, Romany Malco, Treat Williams, Alan Dale, Johann Urb, Steven Weber, Beau Brasseaux, Peter Dinklage, Jaqueline Fleming, Monica Acosta e Whoopi Goldberg
Cotação:  3 Stars

Corações Perdidos

Um carro em chamas serve para abrir “Corações Perdidos”. A princípio, não se justifica o porquê de visualizarmos esta cena, mas já deduzimos que foi uma tragédia que abateu o casal Riley, Doug (James Gandolfini) e Lois (Melissa Leo).

O primeiro ato de “Corações Perdidos” se dedica em mostrar a rotina desses personagens. Doug é dono de um negócio bem-sucedido e mantém relacionamentos com uma garçonete. Já Lois passou a viver reclusa em seu próprio lar, dedicando a maior parte de seu tempo em cuidar da aparência. Uma viagem para um congresso em Nova Orleans muda a vida de Doug (e posteriormente de Lois) assim que ele passa a conviver diariamente com Mallory (Kristen Stewart), stripper e garota de programa com apenas dezesseis anos.

Filho de Ridley Scott (um dos produtores executivos do filme), Jake Scott tem com “Corações Perdidos” seu primeiro longa-metragem como cineasta após onze anos. Lançado no ano passado no Sundance Film Festival, o drama independente ganha realce com o empenho do trio principal de intérpretes. Com personagens de caminhos errantes e sem perspectivas, “Corações Perdidos” permite que cada um seja capaz de superar as próprias tragédias pessoais que estacionaram suas existências, mesmo com resoluções não tão felizes quanto se esperam.

Título Original: Welcome to the Rileys
Ano de Produção: 2010
Direção: Jake Scott
Roteiro: Ken Hixon
Elenco: James Gandolfini, James Gandolfini, Kristen Stewart, Joe Chrest, Ally Sheedy, Tiffany Coty, Eisa Davis, Lance E. Nichols, Peggy Walton-Walker, Sharon Landry, Kathy Lamkin e Jack Moore
Cotação: 3 Stars

Histórias Cruzadas

You is kind. You is smart. You is important.

A segregação social é um dos episódios mais vergonhosos de toda a história dos Estados Unidos da América. Antes que o Movimento dos Direitos Civis obter sucesso em meados da década de 1960, a população negra foi vítima de intolerâncias estabelecidas pela população branca. Baseado no best-seller de Kathryn Stockett, “Histórias Cruzadas” se dedica em retratar este período através das perspectivas de empregadas domésticas negras.

Personagem central da história, Skeeter Phelan (Emma Stone) concluiu a faculdade de jornalismo e imediatamente põe em ação seu plano de escrever um romance. A jovem recebe sinal verde de Elain Stein (Mary Steenburgen) para desenvolver um livro com uma série de entrevistas com cidadãs negras e suas experiências como empregadas. Mesmo temendo ter a sua identidade revelada, Aibileen Clark (Viola Davis) é a primeira a se abrir para Skeeter. Minny Jackson (Octavia Spencer) é a segunda.

O título nacional para este drama que estreará no início de fevereiro de 2012 em nossos cinemas faz bastante sentido, vendo o grande número de personagens que são desenvolvidos e a forma como cada um apresenta uma ligação com o outro. Através de Aibileen e Minny, conhecemos outras mulheres, como a insaciável Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard) e Celia Foote (Jessica Chastain), ambas patroas.

Sucesso estrondoso nos cinemas americanos e figura fácil dentro de listas de finalistas das principais premiações de cinema, “Histórias Cruzadas” tem em seu diretor, Tate Taylor, alguém com extrema habilidade para sensibilizar o público. Prova disso está em alguns problemas pouco sutis que parecem ter sido ignorados com a comoção que o filme causa, a exemplo da caricata composição que Bryce Dallas Howard confere para a sua personagem unidimensional e de alguns conflitos que simplesmente são deixados à deriva ao longo da narrativa, como a suposta agressão que Minny sofre de seu parceiro ou o desnecessário destaque oferecido para retratar um interesse amoroso de Skeeter. Ainda assim, é um retrato digno para inúmeras mulheres que tiveram que abdicar das próprias famílias para servir não apenas de empregadas, mas de mães de crianças que tiveram a infelicidade de testemunhar os rumos preconceituosos de gerações não tão distantes.

Título Original: The Help
Ano de Produção: 2011
Direção: Tate Taylor
Roteiro: Tate Taylor, baseado no romance “A Resposta”, de Kathryn Stockett
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Bryce Dallas Howard, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Ahna O’Reilly, Allison Janney, Anna Camp, Eleanor Henry, Emma Henry, Chris Lowell, Cicely Tyson, Mike Vogel, Brian Kerwin, Wes Chatham, Aunjanue Ellis, Ted Welch, Shane McRae, Roslyn Ruff, Tarra Riggs, Leslie Jordan, Mary Steenburgen, Tiffany Brouwer, Carol Sutton, Millicent Bolton, Ashley Johnson e Sissy Spacek
Cotação: 3 Stars