Reféns

Elaborar uma narrativa coesa tendo um roubo como ação é uma tarefa difícil. Afinal, como fazer o público ficar interessado por personagens confinados num único cenário sob ameaças que se intensificam a cada momento? Infelizmente, os thrillers hollywoodianos ainda não descobriram novas táticas para fazer uma produção que vá um pouco além da mediocridade já testemunhada em títulos como “Refém” e “Firewall – Segurança em Risco” e isto se repete em “Reféns”, nova investida de Joel Schumacher, cuja filmografia é uma verdadeira corda bamba.

Com exceção de parcerias feitas anteriormente com Joel Schumacher, é difícil compreender a razão de Nicolas Cage e Nicole Kidman serem os protagonistas desse suspense chinfrim. Eles interpretam os Miller, casal que descobrimos não ser perfeito assim que são feitos de reféns na bela mansão onde vive. A quadrilha liderada por Elias (Ben Mendelsohn, de “Reino Animal“) quer acesso ao cofre da família, mas Kyle, o personagem de Nicolas Cage, está dificultando as coisas. Para criar mais suspense, há a filha (Liana Liberato) rebelde do casal que em breve também será feita refém e a presença de Jonah (Cam Gigandet, péssimo como sempre), um dos membros da quadrilha, que aparentemente teve um caso com Sarah, a esposa vivida por Nicole Kidman.

Com carreira comprometida desde o momento que assumiu o constrangedor “Batman & Robin”, Joel Schumacher ainda assim pôde oferecer bons filmes posteriormente, a exemplo de “Tigerland” e “Por Um Fio”, ambos protagonizados por Colin Farrell. Já “Reféns” conta com o seu pior como cineasta, fazendo uma obra de amador sempre quando investe no suspense. Parte da culpa também deve ser vinculada ao roteirista estreante Karl Gajdusek, achando que criou uma narrativa esperta ao desenhar reviravoltas cada vez mais absurdas. O resultado é tão ruim que “Reféns” ficou apenas uma semana em cartaz nos Estados Unidos, tornando-se o maior fracasso do ano passado ao arrecadar pífios 24 mil dólares para cobrir o inacreditável orçamento de 35 milhões de dólares.

Título Original: Trespass
Ano de Produção: 2011
Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Karl Gajdusek
Elenco: Nicolas Cage, Nicole Kidman, Cam Gigandet, Liana Liberato, Ben Mendelsohn, Jordana Spiro, Dash Mihok, Emily Meade, Nico Tortorella e Brandon Belknap
Cotação: 1 Star

Resenha Crítica | A Chave de Sarah (2010)

Ainda que mais de meio século tenha se passado desde o fim da Segunda Guerra Mundial, há sequelas em muitas pessoas diretamente ligadas ou não neste que foi um dos episódios mais trágicos de toda a História. Isto se sente intensamente no cinema, havendo filmes recentes como “O Menino do Pijama Listrado“, “O Leitor” e “A Espiã” que se dedicam em dar suas versões distintas sobre o mesmo período. “A Chave de Sarah” é a obra mais recente em contribuir com um tema que, apesar de excessivamente explorado, não evidencia muitos sinais de esgotamento.

“A Chave de Sarah” tem frescor porque sua narrativa, adaptada de um best seller de Tatiana De Rosnay, tem um recurso interessante ao focar, com quase o mesmo tempo em cena, duas protagonistas de épocas distintas. A primeira é a pequena Sarah (a fantástica Mélusine Mayance, que já se mostrara promissora em “Ricky“, de François Ozon). Filha de franceses judeus, Sarah comete um ato drástico em uma situação desesperadora: o de trancar em seu guarda-roupa o irmão caçula quando soldados nazistas invadem seu apartamento. Capturados, Sarah e seus pais são reclusos e, posteriormente, separados. Sarah é a única a conter a chave capaz de abrir o guarda-roupa e corre contra o tempo para salvar o irmão.

Simultaneamente, acompanhamos a jornalista Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) em dias atuais. Coincidentemente, o apartamento que vivia seu sogro era habitado pela familia de Sarah, os Strazynski. Isto a motiva a desenvolver uma extensa matéria sobre judeus deportados na França de 1942, exatamente o ano em que a história de Sarah transcorre. Porém, desvendar o que aconteceu com Sarah parece influenciar Julia em muitas atitudes particulares, como a decisão em abortar após se descobrir grávida de Bertrand (Frédéric Pierrot), um homem que não ama como antes.

Cineasta até então inexpressivo (realizou o pavoroso “A Prisioneira”, thriller estrelado por Mischa Barton disponível em DVD), o francês Gilles Paquet-Brenner faz um bom trabalho em “A Chave de Sarah”, mantendo equilíbrio entre as duas histórias e nunca usando meios manipulativos para tornar mais dramáticas algumas resoluções naturalmente tristes. Mas é importante também frisar que uma vez mostrada a chegada de Sarah ao seu destino, algo mostrado no meio da metragem, “A Chave de Sarah” vai perdendo gradativamente seu impacto.

Título Original: Elle s’appelait Sarah
Ano de Produção: 2010
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Roteiro: Gilles Paquet-Brenner e Serge Joncour, baseado no romance “A Chave de Sarah”, de Tatiana De Rosnay
Elenco: Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Aidan Quinn, Niels Arestrup, Frédéric Pierrot, Michel Duchaussoy, Dominique Frot, Natasha Mashkevich, Gisèle Casadesus, Sarah Ber, Arben Bajraktaraj, Karina Hin, James Gerard, Joseph Rezwin, Kate Moran, Paul Mercier e Charlotte Poutrel
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | De Coração Partido (2009)

Há várias perspectivas já trabalhadas quando o argumento dramático em pauta é uma criança no meio da briga entre duas famílias ou pais separados que lutam para ter a sua guarda integral. O filme independente “De Coração Partido” tem um ponto de partida original e que a princípio o difere de tantos outros exemplares. De um lado, há um casal de passado errante que busca por uma nova chance. Do outro, pais que podem dar do bom e do melhor e que justamente pelo alto poder aquisitivo têm um caráter meio questionável.

Wendy (Mira Sorvino) foi agredida pelo marido alcoólatra Roy (Barry Pepper) e não teve alternativa a não ser mandá-lo para a prisão e cumprir um programa de reabilitação. Solto sete anos depois, Roy diz que está curado e que planeja com Wendy construir uma família. Wendy revela neste momento que já estava grávida antes de ele partir e que entregou seu filho ainda recém-nascido para a adoção. Como não houve consentimento do Roy nesta ação, há uma lei de Ohio que pode favorecê-los no sentido de reaver a criança, atualmente vivendo com Jack (Cole Hauser) e Molly Campbell (Kate Levering). O casal Campbell é incapaz de ter um filho e irão cometer atitudes pouco recomendáveis para ficar com Joey (Maxwell Perry Cotton), o filho legítimo de Wendy e Roy.

Acompanhar a história até sabermos com quem o pequeno Joey ficará gera alguma tensão dramática. O que o diretor Jon Gunn, junto com a dupla de roteiristas Michael Lachance e Stephen J. Rivele, não compreende é que é preciso ir além disso. Com isto, “De Coração Partido” lida de forma apenas trivial o conflito estabelecido, fazendo com que Joey, justamente o elemento em jogo, seja encarado apenas como mero figurante enquanto esses dois casais sofrem por ele. No meio de tanto dramalhão, salva-se apenas a performance de Mira Sorvino, convincente na pele de uma mulher sempre encurralada nas circunstâncias que se moldam.

Título Original: Like Dandelion Dust
Ano de Produção: 2009
Direção: Jon Gunn
Roteiro: Michael Lachance e Stephen J. Rivele, baseado no romance de Karen Kingsbury
Elenco: Mira Sorvino, Barry Pepper, Cole Hauser, Kate Levering, Maxwell Perry Cotton, L. Scott Caldwell, Abby Brammell, Kirk B.R. Woller e Brett Rice
Cotação: 2 Stars

Resenha Crítica | Assalto ao Banco Central (2011)

Eis que o mais notório assalto a um banco brasileiro tem uma versão preparada para cinema. Neste caso, aquele que tirou do Banco Central do Brasil em Fortaleza a quantia aproximada de 170 milhões de reais. E ele foi espetacular, visto todo o planejamento da quadrilha. Talvez por isto tenha sido confiado a Marcos Paulo o cargo de direção, sua primeira vez em formato de longa-metragem. Para aqueles que não o conhecem, Marcos Paulo tem uma vasta experiência na direção de novelas e séries, cujo dinamismo provavelmente foi definitivo para “Assalto ao Banco Central” e sua narrativa tão intrincada.

No filme, Barão (Milhem Cortaz) começa a escalar com o auxílio da bela Carla (Hermila Guedes) pessoas para executar o seu plano de roubo ao Banco Central do Brasil. O primeiro a ser procurado é o ex-presidiário Mineiro (Eriberto Leão), que será uma espécie de braço direto do Barão. Depois, os sujeitos que serão encarregados de fazer a escavação do túnel da casa onde alugaram até o cofre do Banco Central. Para não inaugurarem suspeitas, Barão faz da casa uma empresa de fachada especializada em grama sintética.

Desde o momento que chegou aos cinemas, “Assalto ao Banco Central”, que ultrapassou a marca de um milhão de espectadores, tem sido encarado com pouco entusiasmo pela crítica, acusado de americanizar demais a história. Pois os principais problemas de “Assalto ao Banco Central” é o de repetir vícios dos mais baratos existentes em nosso próprio cinema. Os principais são as soluções narrativas que visam criar tensão (a cena da visita de um agente contra a dengue, bem como o jogo de xadrez em praça pública com Milhem Cortaz, são risíveis). De qualquer forma, acompanhar o destino de todos os personagens envolvidos no roubo, mesmo com todos sendo antecipados por um trabalho de montagem pouco consistente, garante interesse, algo que faz de “Assalto ao Banco Central” um filme brasileiro menos medíocre que a média atual. No elenco, destaque para a presença do jovem Vinícius de Oliveira, de longe o melhor no papel de um evangélico afetado que embarca na quadrilha involuntariamente.

Título Original: Assalto ao Banco Central
Ano de Produção: 2011
Direção: Marcos Paulo
Roteiro: Rene Belmonte
Elenco: Milhem Cortaz, Eriberto Leão, Hermila Guedes, Lima Duarte, Giulia Gam, Vinícius de Oliveira, Gero Camilo, Cássio Gabus Mendes, Juliano Cazarré, Paulo César Grande, Antônia Fontenelle, Heitor Martinez Mello, Fábio Lago, Tonico Pereira e Daniel Filho
Cotação: 2 Stars

Resenha Crítica | Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011)

Desde a Grande Depressão Americana não houve uma crise econômica de consequências tão graves quando a que se abateu em várias instituições financeiras em 2008. No cinema, já há obras que existem como extensões destas crises, como “A Grande Virada”, “Wall Street 2 – O Dinheiro Nunca Dorme”, “Amor Sem Escalas” e o premiado documentário “Trabalho Interno”. Porém, nenhuma delas se aproxima da excelência alcançada por “Margin Call – O Dia Antes do Fim”, que lida com este recente episódio dando uma versão fictícia para o banco de investimentos Lehman Brothers, que em setembro de 2008 anunciou sua quebra e, consequentemente, o início do efeito dominó que atingiu outras instituições.

Dirigido e roteirizado pelo estreante J.C. Chandor, desde já um nome a se observar, “Margin Call – O Dia Antes do Fim” inicia com uma companhia financeira demitindo em torno de 3/4 de todo o seu quadro de funcionários. Entre eles está Eric Dale (Stanley Tucci), Gerente de Avaliação de Risco. Antes de ele abandonar o prédio, deixa para Peter (Zachary Quinto), um pen drive contendo arquivos comprometedores. O sujeito analisa e, após uma série de cálculos, a bomba: o oferecimento de crédito imobiliário para clientes com alto risco de inadimplência somado ao investimento em hipotecas para imóveis fez com que a companhia atingisse um prejuízo líquido irreversível.

A informação é transmitida primeiro para o colega de trabalho de Peter, Seth (Penn Badgley). Como ambos são subordinados de Will (Paul Bettany), ele é informado. E assim o caos se espalha atingindo cada um dos níveis hierárquicos da companhia, com Will repassando a bomba para Sam Rogers (Kevin Spacey), que, por sua vez, aciona os executivos Jared (Simon Baker) e Sarah (Demi Moore). As estratégias serão discutidas em uma reunião de emergência em plena madrugada, tendo enfim a presença do “chefe-mor” John Tuld (Jeremy Irons).

O “economês” é uma linguagem não compreendida por quase todo o público, especialmente nós, brasileiros, pouco expostos a esta crise financeira. O que não significa que a produção independente não surta algum efeito. Amparado por performances bárbaras de todo o elenco e conduzido com mão firme por J.C. Chandor, “Margin Call – O Dia Antes do Fim” se aproveita da escuridão da madrugada e de ambientes vazios para expor todos os seus personagens como elementos que prepararam o destino de milhares de cidadãos ainda em repouso. O amanhecer está ausente na narrativa, pois as consequências amargas são conhecidas por todos.

Título Original: Margin Call
Ano de Produção: 2011
Direção: J.C. Chandor
Roteiro: J.C. Chandor
Elenco: Kevin Spacey, Paul Bettany, Jeremy Irons, Zachary Quinto, Penn Badgley, Demi Moore, Simon Baker, Stanley Tucci, Aasif Mandvi, Ashley Williams, Susan Blackwell e Mary McDonnell
Cotação: 4 Stars

Resenha Crítica | A Separação (2011)

No início de “A Separação” temos uma longa sequência sem corte que foca apenas o casal formado por Nader (Peyman Moaadi) e Simin (Leila Hatami). Diante de um juiz, cada um apresenta seu argumento para dar início ao processo de divórcio. Simin quer a separação porque deseja mudar de pais com a filha, Termeh (Sarina Farhadi). Já Simin até então se mostrou contrário a decisão da mulher, defendendo que precisa permanecer no Irã para cuidar do pai (Ali-Asghar Shahbazi), que sofre de Alzheimer. O espectador, claro, é posicionado como juiz da situação, o único capaz de julgar Nader e Simin. Mais do que isto, é a cena que define todo o tom do filme.

Apesar das aparências, este novo filme escrito e dirigido por Asghar Farhadi não se limita em acompanhar o casal desfeito, mas sim as consequências que surgem com isto. Como Simin passa a viver em outro apartamento, Nader precisa contratar alguém que possa cuidar de seu pai inválido enquanto ele trabalha e Termeh estuda. Ele então solicita os serviços de Razieh (Sareh Bayat). Mesmo morando longe e recebendo pouco para um trabalho com o qual é inexperiente, Razieh aceita a tarefa. Religiosa, Razieh acredita estar cometendo um pecado trabalhando diretamente para um homem como Nader sem a presença de sua mulher, fazendo-o sem dizer nada ao marido Hodjat (Shahab Hosseini) com o propósito de ajudá-lo financeiramente. Avançar o enredo estragaria todas as surpresas que ele reserva, sendo suficiente apenas antecipar que estes personagens centrais estarão novamente diante da Justiça, mas agora por outros motivos.

Tendo dirigido há três anos o ótimo “Procurando Elly“, Asghar Farhadi novamente é capaz com “A Separação” de trazer à tona os anseios que permeiam todos os cidadãos de sua terra natal ao mesmo tempo em que põe em pauta discussões que qualquer espectador, independente de sua cultura, possa se identificar. Isto se reflete na recepção conferida para “A Separação”, que tem conquistado dezenas de prêmios por onde é exibido. Embora seus personagens recorram a omissões ao ponto de forçar a narrativa a recorrer a diversas reviravoltas, Asghar Farhadi torna-os indivíduos críveis ao ponto de nos impossibilitar de defender um único lado quando todos eles oferecem pós e contras na mesma proporção.

Título Original: Jodaeiye Nader az Simin
Ano de Produção: 2011
Direção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi
Elenco: Peyman Moadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini, Sarina Farhadi, Merila Zare’i, Ali-Asghar Shahbazi, Babak Karimi, Kimia Hosseini, Shirin Yazdanbakhsh e Sahabanu Zolghadr
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | X-Men – Primeira Classe (2011)

Tinha tudo para dar errado. A princípio, este prequel imaginado para “X-Men – O Filme” parecia desnecessário. Afinal, mesmo com os percalços da trilogia original havia ali muitas possibilidades para prosseguir com a história dos mutantes. Quando “X-Men – Primeira Classe” foi anunciado, os temores surgiram. Especialmente quando começaram a sair materiais promocionais compostos por imagens que mais pareciam descaracterizar os famosos personagens donos de dons espetaculares. Ainda bem que nada mais eram do que meras impressões pouco positivas, pois o trabalho de Matthew Vaughn supera as expectativas, fazendo uma adaptação de quadrinhos de qualidade como há muito não se via.

O roteiro escrito por Matthew Vaughn em parceria com Ashley Miller, Jane Goldman e Zack Stentz dá luz as origens misteriosas de Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lehnsherr (a sensação do momento Michael Fassbender), que mais tarde adota nickname Magneto. Apenas sugerido no primeiro filme de 2000, a história de ambos são devidamente esmiuçadas, mostrando como Xavier se tornou líder dos mutantes e a infância de Magneto na Alemanha de Hitler. As circunstâncias fazem com que esses mutantes (Xavier é capaz de ler a mente das pessoas enquanto Magneto tem poderes para manipular qualquer material feito de metal) se unam para a criação da Primeira Classe, recrutando pessoas como a Mística (Jennifer Lawrence), o Fera (Nicholas Hoult) e Angel Salvadore (Zoë Kravitz).

Uma vez definido Sebastian Shaw (Kevin Bacon) como o grande vilão da história, um sujeito que também tem sua equipe de mutantes e que planeja iniciar uma Terceira Guerra Mundial (episódios históricos como a Crise dos Mísseis de Cuba são usados sem cerimônia na trama), “X-Men – Primeira Classe” tem como maior trunfo o desenho que faz de Xavier e Erik. Com motivações totalmente distintas, Xavier e Erik dão uma nova perspectiva diante de tudo que já foi explorado no universo de super heróis. A complexidade e tensão presentes na interação entre os personagens são tão fortes que anulam os problemas de “X-Men – Primeira Classe”, como a cronologia divergente diante de todos os filmes da franquia e a escalação da terrível January Jones para fazer Emma Frost, um dos papéis mais importantes do filme. Agora resta aguardar “X-Men – Segunda Classe”, já confirmado pela Fox.

Título Original: X-Men: First Class
Ano de Produção: 2011
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Ashley Miller, Jane Goldman, Matthew Vaughn e Zack Stentz
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Oliver Platt, Álex González, Jason Flemyng, Zoë Kravitz, January Jones, Nicholas Hoult, Caleb Landry Jones, Edi Gathegi, Corey Johnson, Lucas Till, Demetri Goritsas, Glenn Morshower, Don Creech, Matt Craven, Rade Serbedzija, Ray Wise, Brendan Fehr, Michael Ironside, Tony Curran, Randall Batinkoff, Hugh Jackman, Laurence Belcher, Bill Milner, Morgan Lily e Rebecca Romijn

Resenha Crítica | Sem Saída (2011)

Ao contrário de Kristen Stewart e Robert Pattisson, Taylor Lautner é o intérprete que forma o triângulo amoroso de “Crepúsculo” que ainda não tem carreira estabelecida fora da saga. Trata-se de um quadro complicado para qualquer ator marcado pelo papel de destaque numa franquia de sucesso, pois custa encontrar os papéis apropriados para se desvincular de um personagem adorado por milhares de fãs. Assim, Taylor Lautner providenciou rapidinho seu primeiro grande papel como protagonista fora da série baseada nos livros de Stephenie Meyer em “Sem Saída”. A escolha, como era esperada, não foi acertada.

Se não se trata de um adolescente exemplar pelas constantes ressacas pós-festas, Nathan (Taylor Lautner) ao menos tem méritos o suficiente para seus pais (Jason Isaacs e Maria Bello) ficarem orgulhosos: é um jovem atlético que anda com boas influências, que tira boas notas na escola e que apresenta progresso nas consultas com a analista feita por Sigourney Weaver, amenizando o seu temperamento outrora explosivo. Ainda assim, Nathan não se encaixa na realidade onde vive e suspeitas de que não vive com seus pais verdadeiros surgem.

No momento que o roteiro do estreante Shawn Christensen dá razão ao protagonista, “Sem Saída” afunda sem jamais alcançar a superfície, com incontáveis coincidências servindo de muletas para a narrativa prosseguir. A primeira é a presença de Karen (Lily “Eyebrow” Collins) como interesse romântico de Nathan acessando sem mais nem menos um site de crianças desaparecidas. Depois, Nathan se reconhecendo numa das imagens. E assim se dá a morte dos pais fictícios do protagonista, sua fuga com Karen, um vilão obviamente estrangeiro (o sueco Michael Nyqvist, já sendo judiado em seu primeiro papel hollywoodiano após o sucesso de “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres“) e a CIA conseguindo interceptar Nathan com a maior facilidade do mundo. Se Taylor Lautner quiser crescer como ator, precisará ir além de suas habilidades físicas para sobreviver como astro juvenil.

Título Original: Abduction
Ano de Produção: 2011
Direção: John Singleton
Roteiro: Shawn Christensen
Elenco: Taylor Lautner, Lily Collins, Jason Isaacs, Maria Bello, Sigourney Weaver, Michael Nyqvist, Alfred Molina, Richard Cetrone, William Peltz, Elisabeth Röhm, Nickola Shreli, Antonique Smith, Victor Slezak, Roger Guenveur Smith, Denzel Whitaker, Allen Williamson e Dermot Mulroney

Resenha Crítica | Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011)

Precisamos Falar Sobre o KevinTem sido cada vez mais constante testemunhar vários veículos noticiando de uma só vez tragédias que atingiram instituições de ensino. Em quase todos os casos, trata-se de alunos que se rebelaram contra colegas de classe e professores, transformando a escola em palco de um massacre. Em abril do ano passado, os brasileiros puderam sentir na pele o desespero de uma tragédia como esta quando um atirador invadiu uma escola de Realengo, se matando após tirar a vida de onze crianças. Na busca incessante em desvendar as motivações que levam esses indivíduos a cometerem atos tão chocantes, bem como os sonhos que as vítimas tinham para o futuro, algo fica em segundo plano: o choque que abate os pais do culpado. Pois no perturbador “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, esta lacuna é devidamente preenchida.

Adaptação do romance homônimo da escritora americana Lionel Shriver, o drama incomoda em seus primeiros momentos com a mistura de inúmeros recortes da vida de Eva (Tilda Swinton), mas não demoramos a antecipar o que realmente atingiu esta mulher, nascida na Armênia e que em dias atuais procura por emprego em agências de viagem. Frequentemente Eva vai à prisão visitar Kevin (Ezra Miller), primeiro filho que teve com Franklin (John C. Reilly). Eles mal são capazes de se encararem e Eva tem a sua vida transformada em um inferno quando todos em sua volta parecem culpá-la por um crime cometido pelo filho.

Rapidamente a narrativa, que não segue uma ordem cronológica, substitui as cenas aleatórias para compreender de forma mais firme a relação de mãe e filho, desastrosa desde o instante que Eva deu a luz para Kevin. Aos seis anos, Kevin (nesta fase feito por Jasper Newell) assume uma postura assustadora diante da mãe, como se fosse a encarnação do diabo: além de usar fraudas apenas para provocar Eva, Kevin tem um relacionamento totalmente distinto com Franklin, comportando-se como um filho exemplar apenas diante do pai.

Títulos baseado em eventos reais como “Elefante” e “Polytechnique” se dedicaram, cada um a sua maneira, em investigar ou apenas acompanhar o perfil perturbador de seus protagonistas, sugerindo o que os motivaram a usar armas e somar um alto número de vítimas. Apenas o recente “Tarde Demais” deu realce para os pais do assassino, incapazes de processarem a tragédia. “Precisamos Falar Sobre o Kevin” não apenas supera todas as obras citadas como tem potencial para se tornar o registro mais relevante já feito sobre massacres escolares.

Diretora e roteirista, a inglesa Lynne Ramsay driblou as divergências e entregou uma extraordinária adaptação. Sem a possibilidade de reproduzir o mesmo recurso usado pela escritora Lionel Shriver em seu best-seller (do qual acompanhamos a história de Eva através de cartas que ela endereça a Franklin), restou para Ramsay contar com o extremo talento de Tilda Swinton para ter uma Eva emocionalmente estraçalhada. Sem diálogos, a atriz é capaz de transmitir apenas em mínimas reações todos os seus tormentos de uma mãe pela qual sentimos imensa pena por servir injustamente de alvo para as atitudes de seu filho. Um desempenho soberbo, e é preciso também destacar os três atores que vivem Kevin ao longo de sua vida, especialmente Jasper Newell na infância e Ezra Miller na adolescência.

Ir além disso não interessa muito para Lynne Ramsay. Em “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, o massacre cometido por Kevin não é orquestrado de maneira explícita e o porquê de fazê-lo tem uma resolução que deixará ainda mais questionamentos com o público. É exatamente por isto que “Precisamos Falar Sobre o Kevin” é uma obra marcante. Estarmos presos em uma sociedade que auxiliam a moldar pessoas como Kevin, independente das condições com o qual foram criadas, e saber o quão frágeis somos diante de um massacre é muito mais assustador do que qualquer justificativa, especialmente se a ligação é direta.

Título Original: We Need To Talk About Kevin
Ano de Produção: 2011
Direção: Lynne Ramsay
Roteiro: Lynne Ramsay e Rory Kinnear, baseado no livro “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, de Lionel Shriver
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Jasper Newell, Ashley Gerasimovich, Siobhan Fallon, Alex Manette e Rock Duer

Vencedores do Globo de Ouro 2012 – Comentários

MELHOR FILME – DRAMA

Vencedor: Os Descendentes

Indicados: Histórias Cruzadas | A Invenção de Hugo Cabret | Tudo pelo Poder | O Homem Que Mudou o Jogo | Cavalo de Guerra

Comentário: Analisando a popularidade diante do público americano, bem como a ausência de rigidez nas escolhas da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, acreditava que o grande vencedor na categoria de melhor filme dramático fosse “Histórias Cruzadas“. No entanto, o título que levou a melhor foi “Os Descendentes”, recente sucesso de Alexander Payne. Numa categoria que conta nesta edição com seis finalistas, “O Homem Que Mudou o Jogo”, típico filme para americano ver, tem poucos méritos para estar aqui, ocupando uma vaga que poderia ser ocupada por filmes como “Margin Call – O Dia Antes do Fim”, “Melancolia” ou “A Árvore da Vida“. Mas como se trata do Globo de Ouro, esta seria uma possibilidade absurda.
.
.
MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL

Vencedor: O Artista

Indicados: Missão Madrinha de Casamento | Sete Dias com Marilyn | Meia-noite em Paris | 50%

Comentário: “O Artista” representou uma das vitórias mais óbvias da noite. Na verdade, a produção muda que desponta como favorita ao Oscar de Melhor Filme tinha apenas como forte oponente “Meia-noite em Paris“. É outra escolha da qual não há muito o que comentar. Ao julgar pela unanimidade com a qual tem sido recebido, “O Artista” tem tudo para ser um dos melhores filmes deste ano. Também não posso deixar de mostrar meu entusiasmo com a presença de “Missão Madrinha de Casamento” entre os finalistas, cuja indicação já pode ser dada como uma vitória.
.
.

MELHOR ATOR – DRAMA

Vencedor: George Clooney – Os Descendentes

Indicados: Leonardo DiCaprio – J. Edgar | Michael Fassbender – Shame | Ryan Gosling – Tudo Pelo Poder | Brad Pitt – O Homem Que Mudou o Jogo

Comentário: George Clooney foi outra aposta minha que deu certo. Entre os seus concorrentes, pude conferir aos trabalhos de Ryan Gosling e Brad Pitt. O primeiro atua direitinho sob a batuta de George Clooney em “Tudo Pelo Poder”, mas o ator sempre é ofuscado ao contracenar com coadjuvantes muito mais experientes como Philip Seymour Hoffman e Marisa Tomei. Já o marido de Angelina Jolie se limita a um trabalho cheio de maneirismos, adotando uma postura arrogante como gerente de um time de baseball (como atirar objetos que estejam ao seu redor ou apresentar reações bruscas) e terna diante da filha com o qual tem uma proximidade restrita. Sobre os outros candidatos, a imprensa especializada acredita que Leonardo DiCaprio teve um grande desempenho em um filme medíocre e que Michael Fassbender não seria premiado pelos votantes por eles ainda não estarem preparados para prestigiar a entrega de um ator em um papel polêmico.
.
.
MELHOR ATRIZ – DRAMA

Vencedora: Meryl Streep – A Dama de Ferro

Indicadas: Glenn Close – Albert Nobbs | Viola Davis – Histórias Cruzadas | Rooney Mara – Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Tilda Swinton – Precisamos Falar Sobre o Kevin

Comentário: Outra aposta que não se concretizou. Acreditava que quem ganharia o prêmio seria Viola Davis pelo seu ótimo trabalho em “Histórias Cruzadas“, mas Meryl Streep foi quem levou a melhor. Há nesta categoria o mesmo mal que comprometeu Leonardo DiCaprio, aqui atingindo Meryl Streep e Glenn Close. Ambas (ou apenas Glenn Close, pois não assisti “A Dama de Ferro”) se entregam de corpo e alma num filme que, no geral, não as valorizam, seja pela narrativa cheia de problemas, seja pela direção descuidada. Ainda assim, Meryl Streep se mostrou mais forte que as críticas negativas dadas para “A Dama de Ferro”. Já sobre Rooney Mara, bom, eu duvido que ela consiga se aproximar da entrega fenomenal de Noomi Rapace na versão original de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (injustamente esnobado no ano passado, aliás) e, voltando a Viola Davis, não consigo considerá-la a protagonista de “Histórias Cruzadas“, vendo que quase toda a história é vista sob a perspectiva da personagem de Emma Stone. Assim, sem pensar duas vezes, tenho como favorita aqui Tilda Swinton, que em “Precisamos Falar Sobre o Kevin” tem um desempenho que, acreditem, ficará gravado na memória por muito tempo.
.
.
MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL

Vencedor: Jean Dujardin – O Artista

Indicados: Brendan Gleeson – O Guarda | Joseph Gordon-Levitt – 50% | Ryan Gosling – Amor a Toda Prova | Owen Wilson – Meia-Noite em Paris

Comentário: Há dois erros gravíssimos nesta lista de finalistas, talvez justificados pela baixa concorrência no último ano. O primeiro é a lembrança  do trabalho de Brendan Gleeson em “O Guarda”, comédia fraca que misteriosamente recebeu inúmeros elogios da imprensa especializada. O ator irlandes é um talento indiscutível, mas seu personagem não domina nem metade do sarcasmo previamente sugerido. O segundo erro é indicar Ryan Gosling por “Amor a Toda Prova”, uma piada de muito mau gosto. Que me desculpe o público chegado numa barriga tanquinho, mas até, sei lá, Philip Seymour Hoffman convenceria mais no papel de um galanteador barato. Não vejo a hora de conferir o trabalho do francês Jean Dujardin em “O Artista” (com estreia programada para o dia 10 de fevereiro no Brasil) e confesso que sou apaixonado pelo trabalho de Owen Wilson em “Meia-noite em Paris“, perfeito como o alter ego de Woody Allen.
.
.
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL

Vencedora: Michelle Williams – Sete Dias com Marilyn

Indicadas: Jodie Foster – Carnage | Charlize Theron – Jovens Adultos | Kristen Wiig – Missão Madrinha de Casamento | Kate Winslet – Carnage

Comentário: Novamente a falta de concorrência pesou para a categoria, que desta vez prestigia as performances de Jodie Foster e Kate Winslet em “Carnage“, um dos piores filmes de Roman Polanski e que ainda traz as atrizes em momentos constrangedores. Se faltavam candidatas, não custava nada dar uma espiadinha em alguns trabalhos femininos fora do cinema americano (Catherine Deneuve em “Potiche – Esposa Troféu“? Gisèle Casadesus em “Minhas Tardes com Margueritte”?). Como isso não acontece, ao menos é possível ficar entusiasmado com a vitória de Michelle Williams (todos confirmam que ela personifica Marilyn Monroe de maneira surpreendente) e as indicadas Charlize Theron (no trailer de “Jovens Adultos” dá para perceber que ela arrasa no papel) e Kristen Wiig, esta apresentando a minha perfomance cômica favorita no ano passado.
.
.
MELHOR ATOR COADJUVANTE

Vencedor: Christopher Plummer – Toda Forma de Amor

Indicados: Kenneth Branagh – Sete Dias com Marilyn | Albert Brooks – Drive | Jonah Hill – O Homem Que Mudou o Jogo | Viggo Mortensen – Um Método Perigoso

Comentário: Gosto um pouco mais do trabalho de Christopher Plummer  no drama de época “A Última Estação” e sua vitória por “Toda Forma de Amor” serve como uma forma de compensá-lo – não me surpreenderei se o Oscar fizer o mesmo na edição deste ano. Não tenho como julgar os trabalhos de Kenneth Branagh e Viggo Mortensen (não conferi “Sete Dias com Marilyn” e “Um Método Perigoso”) e Jonah Hill ser lembrado por “O Homem Que Mudou o Jogo” é uma escolha duvidosa para um jovem ator que há pouco tempo fez um trabalho tão bom em “Cyrus“. Já Albert Brooks está ameaçador como o principal vilão de “Drive“, filme superestimado, mas que enriquece com sua presença.
.
.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Vencedora: Octavia Spencer – Histórias Cruzadas

Indicadas: Bérénice Bejo – O Artista | Jessica Chastain – Histórias Cruzadas | Janet McTeer – Albert Nobbs | Shailene Woodley – Os Descendentes

Comentário: Jurava que iria ver Viola Davis ganhando o prêmio de melhor atriz por “Histórias Cruzadas” assim que sua companheira, Octavia Spencer, subiu no palco. A atriz brilha no papel de uma mulher que diariamente enfrenta inúmeras adversidades e que ainda assim é dura de queda. Caso seja indicada ao Oscar, exijo desde já que a cena onde oferece uma torta para a personagem de Bryce Dallas Howard seja exibida, um dos pontos altos do cinema americano em 2011. Com exceção de Janet McTeer (que tem um trabalho ainda mais surpreendente que Glenn Close em “Albert Nobbs“), não conferi o trabalho das outras atrizes.
.
.
MELHOR DIRETOR

Vencedor: Martin Scorsese – A Invenção de Hugo Cabret

Indicados: Woody Allen – Meia-Noite em Paris  | George Clooney – Tudo pelo Poder | Alexander Payne – Os Descendentes | Michel Hazanivicous – O Artista

Comentário: Algo me dizia para apostar na vitória de Martin Scorsese, mas arrisquei Michel Hazanivicous por “O Artista”, imaginando que ele ficaria como melhor diretor enquanto Woody Allen seria recompensado na categoria a seguir pelo roteiro de “Meia-noite em Paris“. Com “Tudo Pelo Poder”, George Clooney faz aquele que é o seu melhor trabalho por trás das câmeras, mas eis uma categoria que também não consigo defender um candidato. É aguardar as estreias de “A Invenção de Hugo Cabret”, “Os Descendentes” e “O Artista” para depois formar uma opinião mais sólida.
.
.

MELHOR ROTEIRO

Vencedor: Woody Allen – Meia-Noite em Paris

Indicados: George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon – Tudo pelo Poder | Michel Hazavanicious – O Artista | Jim Rash, Nat Faxon, Alexander Payne – Os Descendentes | Aaron Sorkin, Steve Zaillian – O Homem Que Mudou o Jogo

Comentário: Calma. A imagem acima com Clive Owen e Nicole Kidman não é um erro. Ambos apresentaram a categoria que rendeu um Globo de Ouro para Woody Allen. Como sempre, ele não estava presente no evento. Também pude antecipar a vitória de “Meia-noite em Paris” e acredito que por uma diferença mínima de votos “O Artista” acabou ficando para trás. Mesmo não sendo um filme formidável, gosto muito do texto de “Tudo Pelo Poder” que George Clooney escreveu em parceria com Grant Heslov e Beau Willimon. Se há uma categoria no Oscar que a produção poderá ser lembrada será esta. Novamente, não compreendo o que “O Homem Que Mudou o Jogo” faz aqui. É uma boa estratégia a história seguir apenas o personagem de Brad Pitt, sem jamais se ater as cenas de baseball. Fora isso, não há outras sacadas originais.
.
.
MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Vencedor: A Separação (Irã)

Indicados: A Pele Que Habito (Espanha) | O Garoto da Bicicleta (Bélgica) | In the Land of Blood and Honey (EUA) | The Flowers of War (China)

Comentário: Essa daqui talvez seja a categoria a contar com a pior lista de finalistas. Não enxergo em “A Separação” a perfeição que muitos dizem se aproximar e até considero “Procurando Elly“, filme anterior de Asghar Farhadi, levemente superior. Ainda assim, é quase um ultraje vê-lo na briga com “A Pele Que Habito” (qualquer coisa que Pedro Almodóvar faça é automaticamente considerada no Globo de Ouro), “O Garoto da Bicicleta” (produção cheia de deficiências conduzida pelo irmãos Dardenne) e especialmente “The Flowers of War” (um show de pieguismo que fará qualquer fã de Zhang Yimou corar de vergonha). Não consigo esconder minha curiosidade a respeito do primeiro filme de Angelina Jolie como diretora. Por outro lado, é evidente que “In the Land of Blood and Honey” está aqui apenas para garantir que o casal Brangelina marque presença e glamorize um pouco mais o evento. Ou pode ser suborno também.
.
.
MELHOR ANIMAÇÃO

Vencedor: As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne

Indicados: Operação Presente | Carros 2 | Gato de Botas | Rango

Comentário: Já antecipava a vitória de  “As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne” nesta categoria. Embora o filme já esteja em pré-estreia em várias salas de São Paulo, não pude conferi-lo a tempo para a premiação. Compreendo o tempo extenso que Steven Spielberg e Peter Jackson dedicaram para a animação, mas duvido que seu preciosismo técnico supere a experiência que tive ao assistir “Rango“. Muitos se queixaram com a presença de “Carros 2”, que talvez estivesse ocupando uma vaga que poderia ser de “Rio“. Para mim, seria o mesmo que trocar seis por meia dúzia.
.
.
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

Vencedor: Ludovic Bource – O Artista

Indicados: Abel Korzeniowski – W.E. – O Romance do Século | Trent Reznor & Atticus Ross – Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Howard Shore – A Invenção de Hugo Cabret | John Williams – Cavalo de Guerra

Comentário: Ao fazer minhas apostas fiquei dividido nesta categoria entre Ludovic Bource e Abel Korzeniowski. Acabei ficando com o compositor por trás “W.E. – O Romance do Século”, que fez um trabalho tão primoroso quanto o de “Direito de Amar“. Não ouvi o trabalho do francês Ludovic Bource, mas creio que seja um dos elementos que definem “O Artista”, que todos sabem se tratar de um filme mudo. Minha única queixa é a presença do desagradável trabalho da dupla Trent Reznor & Atticus Ross, que nem em “A Rede Social” havia me conquistado.
.
.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Vencedor: “Masterpiece” – W.E. – O Romance do Século

Indicados: “Hello Hello” – Gnomeo e Julieta | “Lay Your Head Down” – Albert Nobbs | “The Living Proof” – Histórias Cruzadas | “The Keeper” – Redenção

Comentário: Odeio dizer isso, mas acredito que rolou algum tipo de suborno para Madonna ganhar seu segundo Globo de Ouro, desta vez por compor “Masterpiece”, canção de “W.E. – O Romance do Século”, seu segundo filme como diretora. É uma letra bonita, mas com um ritmo pop que não faria feio na lista das mais ouvidas de uma rádio Jovem Pam da vida. Minha aposta foi para “The Living Proof”, canção de “Histórias Cruzadas“. Porém, considero “Lay Your Head Down”, de “Albert Nobbs“, a melhor entre os finalistas.
.
.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pelo Twitter (@alexcinefilo) creio que muitos de vocês puderam acompanhar, entre uma piadinha e outra, o meu descontentamento com esta última edição do Globo de Ouro. A minha maior expectativa residia na presença de Ricky Gervais, que pela terceira vez consecutiva apresentava o evento. No entanto, com as piadas fortes que ele fez em 2011 foi perceptível que ele sofreu censura, pegando leve demais e soltando comentários engraçadinhos que eram previsíveis demais.

Porém, nada me deixou mais triste do que a maneira como os organizadores fizeram com que os vencedores apresentassem o mais depressa os seus agradecimentos, uma atitude no qual julgo totalmente desrespeitosa. Tivessem limado as desnecessárias apresentações de cada um dos títulos indicados nas categorias principais e o tempo disponível para os discursos seriam consideravelmente maiores.

Para finalizar, resta apenas a felicidade em ver as interpretações e programas televisivos que torcia saindo com troféus em mãos, a exemplo dos desempenhos de Laura Dern (pelo maravilhoso “Enlightened”), Claire Danes (“Homeland”) e Kate Winslet (por “Mildred Pierce”), bem como “Homeland” como melhor seriado dramático.

Até o Globo de Ouro 2013. Ou melhor, até o Oscar 2012.