Vencedores do Oscar 2012


MELHOR FILME
 
A Árvore da Vida

A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra
Histórias Cruzadas
Meia-Noite em Paris
O Artista
O Homem Que Mudou o Jogo
Os Descendentes
Tão Perto e Tão Forte

MELHOR DIRETOR
Alexander Payne (Os Descendentes)
Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Michael Hazanavicius (O Artista)
Terrence Malick (A Árvore da Vida)
Woody Allen (Meia-noite em Paris)

MELHOR ATOR
Brad Pitt (O Homem Que Mudou o Jogo)
Demián Bichir (Uma Vida Melhor)
Gary Oldman (O Espião Que Sabia Demais)
George Clooney (Os Descendentes)
Jean Dujardin (O Artista)

MELHOR ATRIZ
Glenn Close (Albert Nobbs)
Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn)
Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Rooney Mara (Millenium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Jonah Hill (O Homem Que Mudou o Jogo)
Kenneth Branagh (Sete Dias com Marilyn)
Max von Sydow (Tão Forte e Tão Perto)
Nick Nolte (Guerreiro)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Bérénice Bejo (O Artista)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)
Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

MELHOR ANIMAÇÃO
Chico & Rita
Gato de Botas
Kung-fu Panda 2
Rango
Um Gato em Paris

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Invenção de Hugo Cabret

O Espião que Sabia Demais
O Homem Que Mudou o Jogo
Os Descendentes
Tudo Pelo Poder

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
A Separação
Margin Call – O Dia Antes do Fim
Meia-noite em Paris
Missão Madrinha de Casamento
O Artista

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
A Separação (Irã)

Bullhead (Bélgica)
Footnote (Israel)
In Darkness (Polônia)
Monsieur Lazhar (Canadá)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Hell and Back Again
If a Tree Falls
Paradise Lost 3: Purgatory
Pina
Undefeated

MELHOR TRILHA-SONORA ORIGINAL
A Invenção de Hugo Cabret

As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne
Cavalo de Guerra
O Artista
O Espião Que Sabia Demais

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Man or Muppet” – Os Muppets

“Real in Rio” – Rio

MELHORES EFEITOS VISUAIS
A Invenção de Hugo Cabret

Gigantes de Aço
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
Planeta dos Macacos – A Origem
Transformers: O Lado Oculto da Lua

MELHOR MAQUIAGEM
A Dama de Ferro

Albert Nobbs
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

MELHOR FOTOGRAFIA
A Árvore da Vida

A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra
Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
O Artista

MELHOR FIGURINO
A Invenção de Hugo Cabret

Anônimo
Jane Eyre
O Artista
W.E. – O Romance do Século

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
A Invenção de Hugo Cabret

Cavalo de Guerra
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
Meia-noite em Paris
O Artista

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
God is the Bigger Elvis
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
The Tsunami and the Cherry Blossom

MELHOR MONTAGEM
A Invenção de Hugo Cabret

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
O Artista
O Homem Que Mudou o Jogo
Os Descendentes

MELHOR CURTA-METRAGEM
Pentecost
Raju
The Shore
Time Freak
Tuba Atlantic

MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA-METRAGEM
A Morning Stroll
Dimanche
La Luna
The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
Wild Life

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
A Invenção de Hugo Cabret

Cavalo de Guerra
Drive
Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Transformers: O Lado Oculto da Lua

MELHOR MIXAGEM DE SOM
A Invenção de Hugo Cabret

Cavalo de Guerra
Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
O Homem Que Mudou o Jogo
Transformers: O Lado Oculto da Lua

Indicados ao Oscar 2012 – Comentários e Apostas

Faltam apenas algumas horas para finalmente conhecermos cada um dos vencedores das vinte e quatro categorias apresentadas nesta postagem. Como publiquei minhas impressões sobre as mais recentes edições do Globo de Ouro e Independent Spirit Awards, não poderia deixar passar em branco esta que é a premiação mais famosa do cinema.

Uma pena que farei isso com pouco entusiasmo, pois a lista de indicados ao Oscar 2012 é totalmente desapontadora. Não se trata apenas da ausência de grandes filmes, mas sim da estratégia ultrapassada do AMPAS em selecionar aqueles que julgam como as melhores obras produzidas no último ano. Todos sabem que o Oscar procura por fãs para acompanhá-los anualmente através da escolha de filmes que da sua maneira buscam retratar toda esta geração ou que se empenham em prestar uma homenagem afetuosa ao passado. Porém, entre os nove filmes indicados na categoria principal, apenas “O Artista” é capaz de fazer tudo isso e muito mais de forma sublime. Outros títulos como “Histórias Cruzadas” e “A Árvore da Vida” conseguem em seus desfechos chegarem lá, mas o fazem com tantos tropeços que pouco justificam suas inclusões como finalistas.

Enfim, continuaremos analisando isto a seguir, onde comentarei as categorias principais, bem como assinalar (em negrito em Outras Categorias) os meus palpites de quem vencerá o Oscar nesta noite.

MELHOR FILME

Indicados: A Árvore da Vida | A Invenção de Hugo Cabret | Cavalo de Guerra | Histórias Cruzadas | Meia-Noite em Paris | O Artista | O Homem Que Mudou o Jogo | Os Descendentes | Tão Perto e Tão Forte
Quem vai vencer: O Artista
Quem deveria vencer: O Artista
Ficou faltando: Melancolia

Nesta edição, a Academia optou em modificar novamente as regras quanto ao número de finalistas. Tendo nos dois últimos anos colocado nada menos do que dez filmes como finalistas, agora eles decidiram que o número pode variar entre cinco e dez finalistas. A modificação só piorou a reputação do evento. Fosse melhor se eles voltassem atrás para selecionarem apenas cinco filmes. Do jeito que ficou, podemos descartar ao menos quatro filmes medíocres de cara: “O Homem Que Mudou o Jogo“, “Cavalo de Guerra” e “Tão Forte e Tão Perto“. Ainda assim, problemas continuariam presentes, pois apenas “O Artista” é um filme realmente digno de todo esse reconhecimento. Se a intenção da Academia era montar um grupo de finalistas que resumisse o que havia de melhor no cinema de 2011 o tiro saiu pela culatra. Antes incluíssem filmes como “Guerreiro”, “Precisamos Falar Sobre o Kevin” e “Margin Call – O Dia Antes do Fim“, estes sim certeiros ao lidarem com temas envolventes e que muito diz não apenas sobre a América, mas o mundo de hoje.

MELHOR DIRETOR

Indicados: Alexander Payne (Os Descendentes) | Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret) | Michael Hazanavicius (O Artista) | Terrence Malick (A Árvore da Vida) | Woody Allen (Meia-noite em Paris)
Quem vai vencer: Michael Hazanavicius
Quem deveria vencer: Michael Hazanavicius
Ficou faltando: Lars von Trier (Melancolia)

Assim como em outras premiações de cinema, temos visualizado um grande embate entre o francês Michael Hazanavicius e Martin Scorsese. Afinal, “O Artista” e “A Invenção de Hugo Cabret” são dois filmes que fazem uma homenagem ao cinema. As diferenças entre ambos são gritantes. “O Artista” conseguiu o feito de resgatar toda a atmosfera do cinema mudo de 1920 através de poucos artifícios. Já “A Invenção de Hugo Cabret” é uma super produção que só encanta quando centra todas as suas atenções na figura de Georges Méliès. Torço com todas as minhas forças para que o extraordinário trabalho de Michael Hazanavicius seja devidamente reconhecido, mas a possibilidade de Martin Scorsese ganhar (que já teve sua carreira compensada com o Oscar por “Os Infiltrados“) é muito grande.

MELHOR ATOR

Indicados: Brad Pitt (O Homem Que Mudou o Jogo) | Demián Bichir (Uma Vida Melhor) | Gary Oldman (O Espião Que Sabia Demais) | George Clooney (Os Descendentes) | Jean Dujardin (O Artista)
Quem vai vencer: Jean Dujardin
Quem deveria vencer: Jean Dujardin
Ficou faltando: Owen Wilson (“Meia-noite em Paris“)

Há duas surpresas nesta categoria: Demián Bichir e Gary Oldman. Muitos apontaram que eles ocuparam as vagas que deveriam ser ocupadas por Leonardo DiCaprio e Michael Fassbender. Como ainda não conferi “J. Edgar” e “Shame” não há como lamentar suas ausências. “Uma Vida Melhor” faz um oportuno registro da atual situação de imigrantes ilegais nos Estados Unidos, mas não se trata de um grande filme. No entanto, seria injusto não dar crédito ao comovente trabalho de Demián Bichir, ator que esteve em “Weeds” e que agora deverá desfrutar uma bela carreira em Hollywood. Já a indicação de Gary Oldman vem para recompensá-lo por ter sido esnobado em todas as ocasiões em que entregou grandes performances. Apenas lamento que esse reconhecimento apareça justamente com “O Espião Que Sabia Demais”, um thriller de espionagem cuja monótona condução não permite que todo o seu excelente elenco brilhe como deveria. Porém, o que mais me deixa perplexo é ver Brad Pitt aqui, pois em “O Homem Que Mudou o Jogo” o ator nada mais faz do que um trabalho cheio de maneirismos. Parece que virou tendência o Oscar valorizar os piores trabalhos de Brad Pitt, uma vez que ele já foi indicado por “O Curioso Caso de Benjamin Button“. No mais, a disputa pelo prêmio ficará entre George Clooney e Jean Dujardin. Clooney era o favorito no início da temporada Oscar, mas é Jean que tem papado praticamente todos os troféus das principais premiações cinematográficas. Tomara que ganhe hoje de noite!

MELHOR ATRIZ

Indicadas: Glenn Close (Albert Nobbs) | Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn) | Meryl Streep (A Dama de Ferro) | Rooney Mara (Millenium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres) | Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Quem vai vencer: Meryl Streep
Quem deveria vencer: Viola Davis
Ficou faltando: Tilda Swinton (“Precisamos Falar Sobre o Kevin“)

É a categoria que me deixou mais frustrado quando anunciada. E o motivo é um só: Rooney Mara. É difícil entender o que a atriz faz aqui. Além de estar num filme que nem deveria existir de tão desnecessário que é, a sua Lisbeth Salander é insignificante diante do surpreendente trabalho realizado por Noomi Rapace na versão sueca de “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres“. Desde já uma das maiores injustiças na história recente do Oscar, que esnobou Tilda Swinton (por “Precisamos Falar Sobre o Kevin“) a troco de um trabalho genérico. Ao menos não dá para reclamar muito das outras quatro finalistas, a não ser lamentar que duas delas, Meryl Streep e Glenn Close, sejam protagonistas de dois filmes lamentáveis (respectivamente “A Dama de Ferro” e “Albert Nobbs“). Michelle Williams (“Sete Dias com Marilyn”) e Viola Davis (“Histórias Cruzadas“) tiveram muita mais sorte. O problema é que Meryl Streep, dezessete vezes indicada ou como protagonista ou como coadjuvante, não recebe um Oscar há vinte e nove anos e hoje a noite a Academia pode finalmente preencher este vazio.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Indicadas: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor) | Jonah Hill (O Homem Que Mudou o Jogo) | Kenneth Branagh (Sete Dias com Marilyn) | Max von Sydow (Tão Forte e Tão Perto) | Nick Nolte (Guerreiro)
Quem vai vencer: Christopher Plummer
Quem deveria vencer: qualquer um, menos Jonah Hill
Ficou faltando: Kevin Spacek (“Margin Call – O Dia Antes do Fim“)

Outra presença incômoda na categoria: Jonah Hill, por “O Homem Que Mudou o Jogo“. Parece que os americanos realmente caíram de amor pelo filme, que ao todo soma seis indicações. A boa notícia é que ele deve sair de mãos abanando ao fim da premiação. Já o papo é outro quando se fala dos outros quatro finalistas, todos veteranos extraordinários cujo Oscar representará mais o conjunto da obra do que unicamente o desempenho que oferecem pelos filmes que foram indicados. É difícil estabelecer aqui o meu favorito, mas não há dúvidas de que Christopher Plummer é quem subirá ao palco.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Indicadas: Bérénice Bejo (O Artista) | Janet McTeer (Albert Nobbs) | Jessica Chastain (Histórias Cruzadas) | Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento) | Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
Quem vai vencer: Octavia Spencer
Quem deveria vencer: Bérénice Bejo ou Janet McTeer
Ficou faltando: Sareh Bayat (“A Separação“)

Passei ao menos umas três semanas defendendo em redes sociais as indicações para Octavia Spencer (estou até usando o avatar dela em meu Twitter) e Melissa McCarthy. Ok, Octavia é o alívio cômico de um drama sobre preconceito racial e Melissa tem surge em duas cenas de “Missão Madrinha de Casamento” que deveriam ser esquecidas na sala de edição. Mas eu não posso negar que as performances das atrizes me marcaram de maneira positiva. Ambas, aliás, protagonizam duas das minhas sequências favoritas do último ano. É uma categoria que eu não mexeria em nada. Mentira: nem ferrando que Bérénice Bejo é coadjuvante em “O Artista” e trocaria facilmente o trabalho de Jessica Chastain em “Histórias Cruzadas” por aquele visto em “O Abrigo”.

MELHOR ANIMAÇÃO

Indicados: Chico & Rita | Gato de Botas | Kung-fu Panda 2 | Rango | Um Gato em Paris
Quem vai vencer: Rango
Quem deveria vencer: Rango
Ficou faltando: Gnomeu & Julieta

É muito bizarro ver os finalistas nesta categoria e não se deparar com nenhuma obra da Pixar. Mas o estúdio fez por merecer ao lançar a desnecessária sequência de “Carros”. As novidades são “Chico & Rita” e “Um Gato em Paris”, duas boas animações estrangeiras feitas com traços tradicionais. Muitos reclamaram da ausência de “As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne”. Fui arrebatado em muitos momentos pela primorosa técnica usada para fazer a animação. Mas é problemático, mais longo do que deveria. Piores são “Gato de Botas” e “Kung-fu Panda 2”. Resta-me então torcer para “Rango“, esta sim uma animação de primeira em todos os aspectos.

OUTRAS CATEGORIAS

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

A Invenção de Hugo Cabret | O Espião que Sabia Demais | O Homem Que Mudou o Jogo | Os Descendentes | Tudo Pelo Poder

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

A Separação | Margin Call – O Dia Antes do Fim | Meia-noite em Paris | Missão Madrinha de Casamento | O Artista

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

A Separação (Irã) | Bullhead (Bélgica) | Footnote (Israel) | In Darkness (Polônia) | Monsieur Lazhar (Canadá)

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Hell and Back Again | If a Tree Falls | Paradise Lost 3: Purgatory | Pina | Undefeated

MELHOR TRILHA-SONORA ORIGINAL

A Invenção de Hugo Cabret | As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne | Cavalo de Guerra | O Artista | O Espião Que Sabia Demais

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Man or Muppet” – Os Muppets | “Real in Rio” – Rio

MELHORES EFEITOS VISUAIS

A Invenção de Hugo Cabret | Gigantes de Aço | Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | Planeta dos Macacos – A Origem | Transformers: O Lado Oculto da Lua

MELHOR MAQUIAGEM

A Dama de Ferro | Albert Nobbs | Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

MELHOR FOTOGRAFIA

A Árvore da Vida | A Invenção de Hugo Cabret | Cavalo de Guerra | Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | O Artista

MELHOR FIGURINO

A Invenção de Hugo Cabret | Anônimo | Jane Eyre | O Artista | W.E. – O Romance do Século

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

A Invenção de Hugo Cabret | Cavalo de Guerra | Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | Meia-noite em Paris | O Artista

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

God is the Bigger Elvis | Incident in New Baghdad | Saving Face | The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement | The Tsunami and the Cherry Blossom

MELHOR MONTAGEM

A Invenção de Hugo Cabret |  Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | O Artista | O Homem Que Mudou o Jogo | Os Descendentes

MELHOR CURTA-METRAGEM

Pentecost | Raju | The Shore | Time Freak | Tuba Atlantic

MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA-METRAGEM

A Morning Stroll | Dimanche | La Luna | The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore | Wild Life

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

A Invenção de Hugo Cabret | Cavalo de Guerra | Drive | Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Transformers: O Lado Oculto da Lua

MELHOR MIXAGEM DE SOM

A Invenção de Hugo Cabret | Cavalo de Guerra | Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | O Homem Que Mudou o Jogo |Transformers: O Lado Oculto da Lua

Indicados ao Framboesa de Ouro 2012

PIOR FILME
“A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I
“Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”
“Dotado Para Brilhar”
“Noite de Ano Novo”
“Transformers – O Lado Oculto da Lua”

PIOR DIRETOR
Bill Condon, por “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I
Dennis Dugan, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” e “Esposa de Mentirinha
Garry Marshall, por “Noite de Ano Novo”
Michael Bay, por “Transformers – O Lado Oculto da Lua”
Tom Brady, por “Dotado Para Brilhar”

PIOR ATOR
Adam Sandler, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” e “Esposa de Mentirinha
Nick Swardson, por “Dotado Para Brilhar”
Nicolas Cage, por “Caça às Bruxas“, “Fúria Sobre Rodas” e “Reféns
Russell Brand, por “Arthur – O Milionário Irresistível”
Taylor Lautner, por “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I” e “Sem Saída

PIOR ATRIZ
Adam Sandler, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” (como Jill)
Kristen Stewart, por “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I
Martin Lawrence, por “Vovó… Zona 3 – Tão Pai, Tal Filho” (como Momma)
Sarah Jessica Parker, por “Não Sei Como Ela Consegue” e “Noite de Ano Novo”
Sarah Palin, por “Sarah Palin – The Undefeated”

PIOR ATOR COADJUVANTE
Al Pacino, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”
James Franco, por “Sua Alteza?”
Ken Jeong, por “O Zelador Animal”, “Se Beber, Não Case! – Parte 2”, “Transformers – O Lado Oculto da Lua” e “Vovó… Zona 3 – Tão Pai, Tal Filho”
Nick Swardson, por “Dotado Para Brilhar” e “Esposa de Mentirinha
Patrick Dempsey, por “Transformers – O Lado Oculto da Lua”

PIOR ATRIZ COADJUVANTE
Brandon T. Jackson, por “Vovó… Zona 3 – Tão Pai, Tal Filho” (como Charmaine)
David Spade, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” (como Monica)
Katie Holmes, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”
Nicole Kidman, por “Esposa de Mentirinha
Rosie Huntington-Whiteley, por “Transformers – O Lado Oculto da Lua”

PIOR ROTEIRO
“A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I
“Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”
“Dotado Para Brilhar”
“Noite de Ano Novo”
“Transformers – O Lado Oculto da Lua”

PIOR REMAKE, PREQUEL, RIP-OFF OU SEQUÊNCIA
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I
“Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” (remake/rip-off de “Glen ou Glenda?”
“Dotado Para Brilhar” (rip-off de “Boogie Nights – Prazer Sem Limites” e “Nasce Uma Estrela”)
“Se Beber, Não Case! – Parte 2” (sequência “e” remake)

PIOR CONJUNTO NA TELA
Todo o elenco de “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1
Todo o elenco de “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”
Todo o elenco de “Dotado Para Brilhar”
Todo o elenco de “Noite de Ano Novo”
Todo o elenco de “Transformers – O Lado Oculto da Lua”

PIOR DUPLA
Adam Sandler & Jennifer Aniston ou Brooklyn Decker (“Esposa de Mentirinha“)
Adam Sandler & Katie Holmes ou Al Pacino ou Adam Sandler (“Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”)
Kristen Stewart & Taylor Lautner ou Robert Pattinson (“A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1“)
Nicolas Cage & Qualquer pessoa com quem ele tenha contracenado em qualquer um de seus três filmes em 2011 (“Caça às Bruxas“, “Fúria Sobre Rodas” e “Reféns“)
Shia LeBeouf & Rosie Huntington-Whiteley (“Transformers – O Lado Oculto da Lua”)

Vencedores do Independent Spirit Awards 2012 – Comentários

Acaba de ser anunciada a lista dos vencedores do 27º Independent Spirit Awards, premiação que aconteceu neste sábado em Santa Mônica, Califórnia. Como era esperado, “O Artista” foi o grande vencedor da edição, conquistando nada menos que quatro prêmios. Nas minhas apostas, houve apenas dois erros relacionados ao filme. O primeiro foi na categoria de Melhor Fotografia, pois imaginei que “Meia-noite em Paris” fosse o vencedor. Já na categoria de Melhor Roteiro, minha aposta foi para “O Artista“, mas foi “Os Descendentes” quem se deu melhor.

Vamos conhecer quais foram os outros vencedores e comentar brevemente sobre as escolhas nas categorias principais. [Score: 11/16]

MELHOR FILME

Vencedor: O Artista
Outros indicados: 50% | Drive | O Abrigo | Os Descendentes | Toda Forma de Amor
Comentário: a vitória de “O Artista” só deixa o filme ainda mais próximo para abocanhar o Oscar, cujo principal oponente será “A Invenção de Hugo Cabret“. Trata-se de uma vitória justa para um filme que é infinitamente superior a qualquer outro finalista aqui.

MELHOR DIRETOR

Vencedor: Michael Hazanavicius (O Artista)
Outros indicados: Alexander Payne (Os Descendentes) | Jeff Nichols (O Abrigo) | Mike Mills (Toda Forma de Amor) | Nicolas Winding Refn (Drive)
Comentário: Michael Hazanavicius conseguiu um feito impressionante ao conseguir com que todos os espectadores fossem capazes de mergulharem na atmosfera do cinema mudo através de “O Artista“. O diretor não apenas preparou toda a equipe para se adequar na proposta da história como conseguiu com ela fazer uma mistura perfeita de comédia, musical, drama e romance. Vitória mais do que justa.


MELHOR ATOR

Vencedor: Jean Dujardin | O Artista
Outros indicados: Demián Bichir (Uma Vida Melhor) | Michael Shannon (O Abrigo) | Ryan Gosling (Drive) | Woody Harrelson (Rampart)
Comentário: devido a viagem que Jean Dujardin fez para a França para participar do César, o ator não conseguiu chegar nos Estados Unidos a tempo para receber o seu prêmio de melhor ator (Penelope Ann Miller, que interpreta a amarga esposa de seu personagem em “O Artista“, o representou). O mais curioso de sua mais do que óbvia vitória no Independent Spirit Awards é que ele não disputou o troféu com George Clooney, que sequer foi indicado por “Os Descendentes“. Indício de que ele está mais imbatível do que nunca na briga pelo Oscar?

MELHOR ATRIZ

Vencedora: Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn
Outras indicadas: Adepero Oduye (Pariah) | Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene) | Lauren Ambrose (Think of Me) | Rachel Harris (Natural Selection)
Comentário: até o fechamento dessa postagem, não pude conferir “Sete Dias com Marilyn” (algo que farei antes de cobrir o Oscar no domingo). Ainda assim, dava para prever a sua vitória no Independent Spirit Awards, ainda mais diante da pouca popularidade dos trabalhos das outras atrizes (com exceção de Elizabeth Olsen, que conquistou a todos com o seu debut). A vitória serve para consagrar ainda mais a jovem atriz, sem dúvida uma das melhores em atividade.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Vencedor: Christopher Plummer | Toda Forma de Amor
Outros indicados: Albert Brooks (Drive) | Corey Stoll (Meia-noite em Paris) | John C. Reilly (Negócio Fechado) | John Hawkes (Martha Marcy May Marlene)
Comentário: outra vitória para lá de esperada no Independent Spirit Awards e que deixa Christopher Plummer a apenas alguns passos para ganhar o Oscar (no qual ele terá de enfrentar outros veteranos há muito injustiçados como Nick Nolte e Max von Sydow). Prêmio para uma performance muito boa e que também serve para representar a carreira de um ator extraordinário.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Vencedora: Shailene Woodley | Os Descendentes
Outras indicadas: Anjelica Huston (50%) | Harmony Santana (Gun Hill Road) |  Janet McTeer (Albert Nobbs) |  Jessica Chastain (O Abrigo)
Comentário: conforme comentei na postagem dos indicados ao Independent Spirit Awards, Shailene Woodley realmente tinha chances muito grandes de sair com o troféu de melhor atriz coadjuvente por “Os Descendentes“. A maior concorrente era Jessica Chastain, na qual até apostei minha ficha. É um primeiro grande passo para a carreira cinematográfica de Shailene, antes reconhecida apenas como a protagonista do seriado “A Vida Secreta de uma Adolescente Americana”.

MELHOR PRIMEIRO FILME

Vencedor: Margin Call – O Dia Antes do Fim
Outros indicados: A Outra Terra | In the Family | Martha Marcy May Marlene | Natural Selection
Comentário: como escolhido a vencer o Prêmio Robert Altman (dado ao diretor, diretor de elenco e elenco de um filme), “Margin Call – O Dia Antes do Fim” tinha grandes possibilidades de também levar o troféu nesta categoria. Foi exatamente o que aconteceu, já que seu oponente mais forte era “Martha Marcy May Marlene” (que acabou saindo sem nenhum prêmio). A vitória somada a indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original levantará ainda mais a moral de J.C. Chandor no cinema americano, que já está desenvolvendo seu segundo filme com ninguém menos que Robert Redford.

PRÊMIO JOHN CASSAVETES

Vencedor: Pariah
Outros indicados: Bellflower | Circumstance | Hello Lonesome | The Dynamiter
Comentário: como também era esperado, o pequeno “Pariah” foi quem venceu o Prêmio John Cassavetes, categoria que contempla filmes filmados com até 500 mil dólares. Sucesso de crítica (o filme tem nada menos que 96% de críticas positivas no site RottenTomatoes), a história foca uma adolescente lésbica do Brooklyn em busca de sua própria identidade ao mesmo tempo em que precisa lidar com as duras pressões diárias. É aguardar que alguma distribuidora nacional se prontifique em exibi-lo algum dia no circuito alternativo.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Vencedor: A Separação
Outros indicados: Melancolia | Shame | O Garoto da Bicicleta | Tiranossauro
Comentário: é. Meu querido “Melancolia” teve que se contentar apenas com a indicação. “A Separação” é mesmo o filme do momento e não há candidato forte o suficiente que lhe tire o Oscar no domingo. Mesmo não sendo minha obra estrangeira favorita, o reconhecimento ao trabalho de Asghar Farhadi é mais do que merecido. Que o realizador consiga continuar fazendo dramas poderosos sem sofrer censuras de seu país.

OUTRAS CATEGORIAS

MELHOR ROTEIRO

Footnote | Ganhar ou Ganhar | O Artista | Os Descendentes | Toda Forma de Amor


MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO

50% | A Outra Terra | Margin Call – O Dia Antes do Fim | Negócio Fechado | Terri


MELHOR FOTOGRAFIA

Bellflower | Meia-noite em Paris | O Artista | The Dynamiter | The Off Hours


MELHOR DOCUMENTÁRIO

An African Election | Bill Cunningham New York | The Interrrupters | The Redemption of Gerenal Butt Naked | We Were Here


PRÊMIO ROBERT ALTMAN

Margin Call – O Dia Antes do Fim


PRÊMIO PIAGET PARA PRODUTORES

Martha Marcy May Marlene | Mosquito Y Mari | O Abrigo


PRÊMIO “SOMEONE TO WATCH”

Mark Jackson, de Without | Nicholas Ozeki, de Mamitas | Simon Arthur, de Silver Tongues


PRÊMIO “TRUER THAN FICTION AWARD”

Alma Har’el, de Bombay Beach | Danfung Dennis, de Hell and Back Again | Heather Courtney, de Where Soldiers Come From

Indicados ao Independent Spirit Awards 2012 – Comentários e Apostas

Hoje a noite acontecerá a premiação do 27º Independent Spirit Awards. Como de costume, o evento é apresentado um dia antes do Oscar e premia o que há de melhor dentro do cinema independente. Como fã do Independent Spirit Awards, decidi pela primeira vez aqui no blog comentar os filmes indicados em alguma categoria, realizando na última semana uma verdadeira maratona com todos os títulos já disponíveis para avaliação.

Assim como qualquer outra premiação cinematográfica, o Independent Spirit Awards tem suas regras. A mais importante delas é que uma produção só pode receber alguma indicação caso rodada com orçamento inferior a 20 milhões de dólares. Entre outros requisitos, o filme deverá ter duração mínima de setenta minutos e ter sido exibido ou no circuito comercial ou em festivais como o Sundance, Toronto e Los Angeles entre 1 de janeiro e 1 de dezembro.

Na edição do ano passado, “Cisne Negro” foi o filme que mais se destacou, ganhando prêmios em todas as categorias na qual foi indicado: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia e Melhor Atriz para Natalie Portman. Neste ano, as expectativas de consagração estão concentradas em “O Artista” e “O Abrigo”, recordistas em indicações.

Acompanhe a seguir minhas breves impressões sobre as principais categorias do Independent Spirit Awards e as minhas apostas (em negrito). Uma vez com a lista de vencedores em mãos, farei uma postagem sobre cada uma das escolhas. Ah, e amanhã sairá meus comentários sobre os indicados ao Oscar. Fiquem de olho! 😉

MELHOR FILME

50% | Drive | O Abrigo | O Artista | Os Descendentes | Toda Forma de Amor

Todos os seis finalistas na categoria principal foram aclamados pela crítica e público quando lançado nos cinemas, o que ao contrário do Oscar não deverá render muitas queixas. Apenas “O Abrigo” e “Toda Forma de Amor” não se tornaram grandes êxitos de bilheteria dados o circuito limitado e a concorrência sempre devastadora. Particularmente, considero apenas “O Artista” como um filme excepcional presente nesta lista e não há dúvidas de que o evento dará à produção o prêmio máximo.

MELHOR DIRETOR

Alexander Payne | Os Descendentes
Jeff Nichols | O Abrigo
Michael Hazanavicius | O Artista
Mike Mills | Toda Forma de Amor
Nicolas Winding Refn | Drive

Nesta categoria há casos de direção tão boas que elas acabam elevando um roteiro nem sempre inspirado. É o caso do ritmo oferecido por Nicolas Winding Refn (melhor diretor em Cannes) em “Drive” e toda a sensibilidade que Mike Mills impõe ao dirigir o elenco central de “Toda Forma de Amor“. Melhor se sai Michael Hazanavicius, que conseguiu o feito impressionante de fazer nos dias de hoje um filme que realmente parece rodado entre a transição do cinema mudo para o sonoro. É provável que o francês saia vitorioso.

MELHOR ATOR

Demián Bichir | Uma Vida Melhor
Jean Dujardin | O Artista
Michael Shannon | O Abrigo
Ryan Gosling | Drive
Woody Harrelson | Rampart

A única presença questionável aqui é a de Ryan Gosling pelo seu limitado trabalho em “Drive” – o ator se sai melhor em “Tudo Pelo Poder”, novo filme dirigido por George Clooney que estranhamente não marcou presença em nenhuma categoria desta edição. Com exceção dele e de Woody Harrelson (cujo trabalho em “Rampart” não pude conferir), todos os outros intérpretes fazem jus as suas indicações. Jean Dujardin é o favorito absoluto, mas os desempenhos de Demián Bichir e Michael Shannon também se sobressaem. Ambos, inclusive, tiveram forte buzz para serem indicados ao Oscar neste ano e apenas Demián Bichir garantiu uma vaga, o que deverá impulsionar sua carreira.

MELHOR ATRIZ

Adepero Oduye | Pariah
Elizabeth Olsen | Martha Marcy May Marlene
Lauren Ambrose | Think of Me
Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn
Rachel Harris | Natural Selection

O Independent Spirit Awards se mostrou bem imprevisível aqui, celebrando dois trabalhos ainda inéditos nos cinemas, sendo os de Lauren Ambrose em “Think of Me” (exibido no Festival de Toronto) e Rachel Harris em “Natural Selection” (exibido no Los Angeles Film Festival). Assim, há nada menos do que três trabalhos que não pude conferir, já que “Pariah” permanece inédito no Brasil.  Nada que interfira muito, pois sem dúvidas Elizabeth Olsen e Michelle Williams são as favoritas da noite. Aos trinta e um anos, Michelle Williams atualmente é considerada uma musa do cinema independente e já soma cinco indicações ao Independent Spirit Awards e um Prêmio Robert Altman compartilhado com o elenco de “Sinédoque, Nova York”. Sua consagração deve se dar com o papel de Marilyn Monroe, mas é bom Michelle tomar cuidado com a arrasadora estreia de Elizabeth Olsen como atriz.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Albert Brooks | Drive
Corey Stoll | Meia-noite em Paris
Christopher Plummer | Toda Forma de Amor
John C. Reilly | Negócio Fechado
John Hawkes | Martha Marcy May Marlene

Às alturas com o sucesso de “Inverno da Alma” (filme que lhe rendeu ano passado o prêmio nesta categoria), John Hawkes novamente dá às caras pela sua incômoda participação em “Martha Marcy May Marlene“. Porém, não deve ter chances de ganhar outra vez, pois Christopher Plummer é quem está papando todos os prêmios da temporada como um homem que assume sua homossexualidade aos setenta e cinco anos de idade. É preciso novamente elogiar a premiação por mais uma inspirada seleção ao lembrarem do trabalho de Albert Brooks em “Drive“, a presença marcante de Corey Stoll em “Meia-noite em Paris” e o impagável John C. Reilly em “Negócio Fechado”, que tem nesta comédia um dos melhores diálogos do roteiro indicado na categoria de Melhor Primeiro Roteiro.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Anjelica Huston | 50%
Harmony Santana | Gun Hill Road
Janet McTeer | Albert Nobbs
Jessica Chastain | O Abrigo
Shailene Woodley | Os Descendentes

Sem dúvidas a categoria mais difícil de apontar uma vencedora. Harmony Santana é a surpresa da categoria e deverá ficar apenas com a indicação. O mesmo pode ser dito de Anjelica Huston, numa menção um tanto exagerado para um trabalho sem grande destaque em “50%“. Esnobada no Oscar, a jovem Shailene Woodley tem chances muito grandes para conquistar os votantes da premiação. Considero as performances de Janet McTeer e Jessica Chastain irretocáveis e ficaria feliz em ver qualquer uma das duas levar o troféu para casa.

MELHOR PRIMEIRO FILME

A Outra Terra | In the Family | Margin Call – O Dia Antes do Fim | Martha Marcy May Marlene | Natural Selection

Muitas produções não indicadas na categoria principal do Independent Spirit Awards conseguem uma segunda chance aqui caso tenha um diretor de primeira viagem. Embora “In the Family” e “Natural Selection” sejam produções que ainda não pude assistir, garanto que a categoria está muito mais inspirada do que a de Melhor Filme, pois “A Outra Terra“, “Margin Call – O Dia Antes do Fim” e “Martha Marcy May Marlene” são ótimos, o que enriquece muita a premiação como uma das mais sólidas do cinema americano. Como “Margin Call – O Dia Antes do Fim” automaticamente ganha vantagem por ser o escolhido do Prêmio Robert Altman (que homenageia o diretor, diretor de elenco e o conjunto de elenco de uma obra), é capaz que J.C. Chandor se dê muito bem.

PRÊMIO JOHN CASSAVETES

Bellflower | Circumstance | Hello Lonesome | Pariah | The Dynamiter

Uma das categorias mais importantes do Independent Spirit Awards, o Prêmio John Cassavetes celebra a produção de grande qualidade artística com o custo de até 500 mil dólares. “A Bruxa de Blair”, “Chuck & Buck”, “O Tempo de Cada Um” e “Quase Um Segredo”/”Pacto Maldito” foram alguns dos filmes contemplados com o prêmio que leva o nome do pai do cinema independente. Entre os indicados, assisti “Bellflower” (um filme ruim talvez indicado pela falta de opções) e “Circumstance” (um registro ousado sobre a juventude iraniana). O favorito da categoria é “Pariah”, lançado na última semana de 2011 nos Estados Unidos e grande sucesso de crítica.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

A Separação | Melancolia | Shame | O Garoto da Bicicleta | Tiranossauro

Eis aqui aquela que talvez seja a lista de filmes estrangeiros com os títulos mais populares da temporada. Só mesmo o Independent Spirit Awards para reconhecer obras tão soberbas quanto “Melancolia” e “Tiranossauro”, além de encaixar “Shame”, uma produção britânica, entre os finalistas. Todos sabem que considero a nova obra-prima de Lars von Trier como um dos melhores filmes dos últimos anos e seria agradável vê-la vitoriosa. O problema é que virou regra laurear “A Separação” – regra, aliás, que apenas o Bafta quebrou recentemente ao dar o prêmio de melhor filme estrangeiro para “A Pele Que Habito”.

OUTRAS CATEGORIAS

MELHOR ROTEIRO

Footnote | Ganhar ou Ganhar | O Artista | Os Descendentes | Toda Forma de Amor


MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO

50% | A Outra Terra | Margin Call – O Dia Antes do Fim | Negócio Fechado | Terri


MELHOR FOTOGRAFIA

Bellflower | Meia-noite em Paris | O Artista | The Dynamiter | The Off Hours


MELHOR DOCUMENTÁRIO

An African Election | Bill Cunningham New York | The Interrrupters | The Redemption of Gerenal Butt Naked | We Were Here


PRÊMIO ROBERT ALTMAN

Margin Call – O Dia Antes do Fim


PRÊMIO PIAGET PARA PRODUTORES

Martha Marcy May Marlene | Mosquito Y Mari | O Abrigo


PRÊMIO “SOMEONE TO WATCH”

Mark Jackson, de Without | Nicholas Ozeki, de Mamitas | Simon Arthur, de Silver Tongues


PRÊMIO “TRUER THAN FICTION AWARD”

Alma Har’el, de Bombay Beach | Danfung Dennis, de Hell and Back Again | Heather Courtney, de Where Soldiers Come From

Resenha Crítica | O Artista (2011)

Quando o Oscar surgiu em 1929 para celebrar anualmente o melhor do cinema hollywoodiano, “Asas”, um drama de guerra da Paramount, conquistou o prêmio máximo daquela noite de 16 de maio de 1929, em Los Angeles, Califórnia. É uma informação importante em toda a história do cinema, pois foi a primeira e última produção muda a arrebatar o prêmio, algo que definiu uma mudança definitiva na sétima arte: a transição do cinema mudo para o falado. Tal evolução promoveu ainda mais o cinema ao mesmo tempo em que determinou o fim de uma era onde uma história era contada com o uso de poucos artifícios, o que consequentemente levaram vários intérpretes à decadência.

Famosos na França pelo espião OSS 117, o diretor e roteirista Michel Hazanavicius e o ator Jean Dujardin alcançam com “O Artista” uma fama inesperada ao encenar esta página há muito tempo virada em Hollywood. O ano é 1927 (exatamente o ano em que “Asas” foi produzido, aliás) e George Valentin (Jean Dujardin) experimenta a mesma fama de Rodolfo Valentino, vítima de uma morte precoce e maior astro que o cinema mudo já teve. Todas as produções que contam com o seu nome no cartaz rendem filas enormes nas bilheterias de cinema e as mulheres caem aos seus pés, a exemplo de Peppy Miller (Bérénice Bejo, esposa de Michel Hazanavicius), uma jovem determinada em seguir a carreira de atriz.

Porém, os dias de George Valentin nesta posição de estrela estão contados com a chegada do som (“O Cantor de Jazz” é o primeiro filme falado da história do cinema). O público, maravilhado com a novidade, passou a ignorar os filmes que George Valentin insistia em lançar. Assim, o seu declínio veio no mesmo embalo em que letreiros explicativos, músicos em salas de cinema e intérpretes com expressões faciais forçadas foram sendo esquecidos. O inverso acontece a Peppy Miller, dona da voz pelo qual todos os espectadores se apaixonam.

O cinema mudo não está efetivamente morto, como se vê em algumas obras que, apesar de sua parcela de diálogos, conseguem apresentar uma história com o suporte das imagens (na comédia “Rumba” e na animação “O Mágico” quase não há interações verbais, por exemplo). Porém, nenhuma se arriscou tanto quanto “O Artista”, que a todo o momento se apresenta como uma produção realmente rodada ao final da década de 1920. Neste filme de Michel Hazanavicius, não há diálogos, é em preto e branco e inteiramente rodado em formato 1.33:1. Já a maravilhosa dupla central formada por Jean Dujardin e Bérénice Bejo (merecidamente indicados ao Oscar) é só elogio. Donos de fortes expressões, Jean e Bérénice realmente se assemelham em talento e aparência as maiores estrelas do cinema mudo. A presença do cãozinho Uggie, um Jack Russell Terrier, torna “O Artista” ainda mais irresistível.

Misto perfeito de comédia, drama, romance e musical, “O Artista” vai além de um mero entretenimento nostálgico. Faz o registro de um passado que não pode ser resgatado, mas que oferece oportunidades para nos adaptarmos ao futuro. Afinal, cinema é uma arte em constante estado de mutação, que sempre se inova. Belíssima e singela homenagem a sétima arte com a qual o Oscar pode finalmente recompensar seus sucessivos erros com a exaltação de um filme realmente digno de celebração.

Título Original: The Artist
Ano de Produção: 2011
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Joel Murray, Bitsie Tulloch, Ken Davitian, Uggie e Malcolm McDowell
Cotação: 4 Stars

Resenha Crítica | Cavalo de Guerra (2011)

Steven Spielberg é o primeiro nome que se vem em mente quando se discute cinema pipoca de qualidade. Afinal, fitas como os três primeiros da série “Indiana Jones” e “E.T. – O Extraterrestre” ainda rende fãs e influenciam outros projetos. É lamentável que o brilho desse grande cineasta venha perdendo força a cada novo filme realizado, algo que vem acontecendo desde “O Terminal” e que também lhe atinge em “Cavalo de Guerra”, drama que misteriosamente encabeça a lista de finalistas na categoria de Melhor Filme na mais recente edição do Oscar.

Spielberg ficou deslumbrado com o romance de Michael Morpurgo e a montagem teatral londrina, notória por seus cavalos em marionetes. A história começa na Dartmoor de 1914 focando o jovem Albert Narracott (o estreante Jeremy Irvine) obstinado em treinar Joey, cavalo comprado pelo seu pai Ted (Peter Mullan) num momento de orgulho e desespero. O animal, um puro-sangue, não é apropriado para realizar o pesado serviço na fazenda dos Narracott. Mesmo assim, Albert, que desenvolve com Joey um laço de lealdade, faz de tudo para superar as adversidades. Só é incapaz de mantê-lo com o estouro da Primeira Guerra Mundial.

É com ela que “Cavalo de Guerra” finalmente transforma Joey em protagonista da história, algo que permite todo um mapeamento daquele triste cenário. Uma vez não pertencendo mais a Albert, Joey cruza os caminhos do capitão Nicholls (Tom Hiddleston), dos irmãos desertores Gunther (David Kross) e Michael (Leonard Carow), a menina Emilie (Celine Buckens) e também do soldado inimigo Friedrich (Nicolas Bro).

Com a ligação de tantos personagens através de Joey, “Cavalo de Guerra” parece emitir um protesto a qualquer conflito. Na melhor sequência do filme, dois soldados inimigos se unem na Terra de Ninguém para removerem os arames farpados envoltos no cavalo Joey. Trata-se de uma clara apresentação da quão desnecessária e toda aquela batalha, de como todas as diferenças entre nós são esquecidas quando somos movidos por boas intenções. Lamentavelmente, a mensagem não surte efeito numa produção Disney que se preocupa em infantilizar todo o episódio. É exatamente aí que Spielberg pesa a mão, além de incluir um péssimo elenco juvenil desempenhando seus papéis da maneira mais afetada possível.

Título Original: War Horse
Ano de Produção: 2011
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Lee Hall e Richard Curtis, baseado no romance “Cavalo de Guerra”, de Michael Morpurgo
Elenco: Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Niels Arestrup, David Thewlis, Tom Hiddleston, Benedict Cumberbatch, Celine Buckens, Toby Kebbell, Patrick Kennedy, Leonard Carow, David Kross, Matt Milne, Robert Emms, Liam Cunningham, Sebastian Hülk, Irfan Hussein e Eddie Marsan
Cotação: 2 Stars

A Invenção de Hugo Cabret

Qualquer fã de Martin Scorsese sabe que ele é um cinéfilo inveterado. Talvez por isso seja estranho testemunhar que o cineasta nascido em Nova York não tenha feito até o momento uma obra que homenageasse a sétima arte através de uma figura importante. Ok, em 2004 ele conduziu “O Aviador”, que retratava toda a vida do também diretor e produtor de cinema Howard Hughes, mas sabemos que os focos de interesse de Scorsese eram outros. Pois agora tudo isso muda com o lançamento de “A Invenção de Hugo Cabret”, produção, surpresa!, vinculada ao público infantil que marca presença em onze categorias do Oscar 2012.

Mesmo sabendo de antemão deste tributo, a primeira hora de “A Invenção de Hugo Cabret” desenvolve uma história que aponta para outras direções. Isto porque o protagonista da história é o pequeno Hugo Cabret (Asa Butterfield, de “O Menino do Pijama Listrado“), órfão adotado pelo tio Claude (Ray Winstone) para cuidar de todo o mecanismo dos relógios de uma estação de trem em Paris. Claude, um alcoólatra inconsequente, deixa o garoto à própria sorte no lugar. Todos os dias Hugo rouba alimentos para sobreviver e peças para fazer funcionar um automaton, o único objeto que tomou para si após um incêndio que matou seu pai (ponta de Jude Law). É num desses pequenos furtos que Hugo é pego no flagra por Georges (Ben Kingsley), dono de uma loja de brinquedos da estação de trem. O pequeno trabalha para Georges para compensá-lo pelos objetos que roubou e é neste momento que conhece a sobrinha dele, a doce Isabelle (Chloë Grace Moretz, a Hit-Girl de “Kick-Ass – Quebrando Tudo”). Aos poucos, Georges vai se tornando uma presença ainda mais forte na história, tendo um passado que vai de encontro à algumas experiências vivenciadas por Hugo.

Além de trabalhar num gênero que sempre lhe foi estranho, trata-se da primeira inclusão de Martin Scorsese no formato 3D. Mestre de minúcias, é evidente a contribuição que Scorsese presta para o formato, criando uma aventura que realmente faz o espectador estar imerso em meio aos cenários. É apenas um dos vários aspectos técnicos positivos na produção, que faz uma maravilhosa reconstrução da Paris de 1930. Por outro lado, as mesmas qualidades não se repetem na condução oferecida por Martin Scorsese e em algumas decisões tomadas pelo roteirista John Logan.

Como obra destinada para toda a família, “A Invenção de Hugo Cabret” perde tempo demais para chegar ao assunto, recorrendo também a personagens secundários desnecessários. É difícil acompanhar com interesse a determinação de Hugo em ativar seu automaton e os flertes entre o inspetor feito por Sacha Baron Cohen e a florista Lisette (Emily Mortimer), bem como aqueles entre o monsieur Frick (Richard Griffiths) e madame Emilie (Frances de la Tour), só existem como um alívio cômico que não funciona. Brilhantismo mesmo apenas quando finalmente descobrimos sobre o passado de Georges, algo reservado para os momentos finais de “A Invenção de Hugo Cabret”. Momentos que fazem uma maravilhosa homenagem ao cinema, com trechos de obras como “O Grande Roubo do Trem”, “O Homem Mosca”, “A General” e especialmente “Viagem à Lua” projetados pela primeira vez em 3D. Fosse essa uma história com atenções centradas apenas em Georges e Scorsese faria uma obra inestimável.

Título Original: Hugo
Ano de Produção: 2011
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: John Logan, baseado no livro  “The Invention of Hugo Cabret”, de Brian Selznick
Elenco: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Ray Winstone, Emily Mortimer, Christopher Lee, Helen McCrory, Michael Stuhlbarg, Frances de la Tour, Richard Griffiths, Martin Scorsese e Jude Law
Cotação: 3 Stars

Tão Forte e Tão Perto

No momento em que  anunciaram os finalistas do Oscar todos ficaram surpresos com a inclusão de “Tão Forte e Tão Perto” em uma das nove vagas na categoria de Melhor Filme. Afinal, o que justifica a presença do quarto longa-metragem de Stephen Daldry mesmo com a avalanche de críticas negativas da imprensa especializada e o pouco entusiasmo do público? A hipótese de suborno entre os votantes não é dispensável, mas a melhor resposta talvez seja a habilidade de Stephen Daldry em fazer cinema aos moldes do Oscar: história dramática cheias de perseverança amparada por boas performances.

O trágico episódio do 11 de Setembro serve como pano de fundo no roteiro de Eric Roth (Oscar por “Forrest Gump – O Contador de Histórias”). Foi no “pior dos dias” que Oskar Schell (o estreante Thomas Horn) perdeu o seu pai Thomas (Tom Hanks, em breves aparições), que estava em uma reunião no World Trade Center no exato instante em que dois aviões atingiram os edifícios. Sofrendo da síndrome de Asperger, Oskar parece totalmente desorientado, uma vez que seu pai é quem lhe conduzia ao embate com seus próprios medos e fobias. Ao descobrir nos pertences de seu pai uma chave protegida em um pequeno envelope tendo como único dado o nome Black, Oskar inicia uma jornada pessoal pela fechadura que conseguirá abrir com ela.

É clara a intenção de Stephen Daldry em tornar esta premissa em uma radiografia de uma sociedade ainda atingida pelos eventos do 11 de Setembro ao mesmo tempo em que ela é forte o suficiente para seguir em frente de cabeça erguida. Isto se vê nos inúmeros personagens com sobrenome Black com quem Oskar irá se cruzar. Como não há muito tempo disponível, apenas um ou outro ganha destaque, como o casal interpretado por Viola Davis e Jeffrey Wright. Mesmo com as boas intenções, é lamentável testemunhar um Stephen Daldry muito distinto daquele que há dez anos fez obras-primas como “Billy Elliot” e “As Horas”. O clímax tenta tornar todo o drama mais digerível, mas é difícil acreditar na jornada de Oskar, apenas uma criança inofensiva e cheia de tiques solta num universo de estranhezas e que tem como única defesa a obstinação em chegar à porta que sua chave abrirá e, finalmente, encontrar algo que seu pai talvez tinha intenção de dizer depois de partir. Num tom quase de fábula, “Tão Forte e Tão Perto” só consegue encantar com a presença de Max von Sydow, comovente na pele de um misterioso inquilino mudo que guiará Oskar em alguns destinos.

Título Original: Extremely Loud & Incredibly Close
Ano de Produção: 2011
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: Eric Roth, baseado no romance de Jonathan Safran Foer
Elenco: Thomas Horn, Sandra Bullock, Tom Hanks, Max von Sydow, Viola Davis, Jeffrey Wright, Hazelle Goodman, Zoe Caldwell, Julian Tepper e John Goodman
Cotação: 2 Stars

Resenha Crítica | Em Um Mundo Melhor (2010)

Com algumas obras em sua filmografia, a cineasta dinamarquesa Susanne Bier pôde expor na sua visão de autora como um ato de violência consegue atingir drasticamente seus personagens. Apenas para nos atermos a exemplos recentes, em “Coisas Que Perdemos Pelo Caminho” a personagem de Halle Berry precisa encarar a difícil missão de cuidar sozinha de seus filhos e oferecer apoio ao personagem de Benicio Del Toro quando seu marido interpretado por David Duchovny é assassinado. No ainda mais denso “Brothers”, o protagonista feito por Ulrich Thomsen surta ao retornar para seu lar após ser dado como morto em combate no Iraque. No recente “Em Um Mundo Melhor”, a diretora busca dar mais enfoque a este tema que tanto a persegue. Faz assim aquele que talvez seja o filme mais perspicaz de sua carreira, laureado com o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro no ano passado.

O roteiro escrito por Anders Thomas Jensen acompanha duas famílias. Primeiro somos apresentados a Christian (William Jøhnk Nielsen) e ao seu pai Claus (Ulrich Thomsen). Christian é um garoto que apresenta mudança de comportamento desde o falecimento de sua mãe, o que se reflete na maneira como trata Claus e a difícil adaptação num novo ambiente escolar. Ele se torna amigo de Elias (Markus Rygaard), por sua vez uma vítima de bullying cujo pai, Anton (o soberbo Mikael Persbrandt, que aparecerá em “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada”), reveza-se entre salvar o próprio casamento e trabalhar na África num campo de refugiados.

Uma vez estabelecido o perfil de cada um dos membros da família de Christian e Elias, “Em Um Mundo Melhor” traça um painel universal de atos violentos que serão vivenciados ou protagonizados por cada um. As passagens mais comoventes são dedicadas a Anton, que faz todo o possível para afastar Elias da irracionalidade que toma conta de muitos indivíduos ao mesmo tempo em que encara seus próprios dilemas quando presta cuidados médicos a um líder de uma facção responsável pela barbárie provocada contra os inocentes que luta para salvar todos os dias. Ninguém, independente de nacionalidade, raça ou classe social, está imune deste mundo violento. Mesmo assim, Susanne Bier acerta em cheio ao apresentar uma resolução esperançosa de que é possível iniciar uma mudança a partir de nós mesmos.

Título Original: Hævnen
Ano de Produção: 2010
Direção: Susanne Bier
Roteiro: Anders Thomas Jense
Elenco: Mikael Persbrandt, Ulrich Thomsen, Trine Dyrholm, William Jøhnk Nielsen, Markus Rygaard, Wil Johnson, Gabriel Muli, Satu Helena Mikkelinen, Camilla Gottlieb, Toke Lars Bjarke, Anette Støvelbæk e Kim Bodnia