10 Piores Filmes de 2011

Ano passado, o Cine Resenhas elaborou a lista dos piores filmes lançados nos cinemas e direto em DVD ao longo de 2010. A lista, publicada no início de junho de 2011, saiu do forno bem atrasada. Desta forma, o blog tenta reverter um pouco a situação neste ano, divulgando os piores filmes do ano passado antes de nos atermos apenas as publicações dos melhores do mesmo ano. Também poderá ser conferido a lista das piores interpretações, que não segue uma ordem de preferência. Mesmo assim, é possível deduzir qual é o pior entre todos os selecionados através da imagem em destaque postada ao lado das relações, separadas em piores desempenhos masculinos e piores desempenhos femininos.

O Cine Resenhas espera que todos vocês gostem (ou não, vendo o teor do tema) do resultado. Não deixem de comentar! 😉

01. “O Noivo da Minha Melhor Amiga”, de Luke Greenfield
Falar mal de comédia romântica é a mesma coisa que chutar cachorro morto. Por isso muitos já sabem o que esperar quando investem tempo e dinheiro num filme do gênero: casal de protagonistas bonitos e caretas que após uma dúzia de adversidades simples viverão felizes ao final da história. Pois a fórmula é repetida em “O Noivo da Minha Melhor Amiga”, mas da maneira mais insuportável possível. O que se vê na tela são dois protagonistas egoístas, canalhas mesmo, que são capazes de cometerem as maiores atrocidades emocionais para ficarem juntos. O primeiro desejo que surge assim que os créditos finais na tela é que o destino nos ajude a manter distância máxima de pessoas como Rachel e Dex, interpretados por Ginnifer Goodwin e Colin Egglesfield. O que mais assusta, entretanto, é ver o nome de uma competente atriz como Hilary Swank como produtora de um filme tão abominável.

02. “Cilada.com“, de José Alvarenga Jr.
Se não fosse por burocracia de cunho virtual, esse filme de José Alvarenga Jr. se justificaria melhor sendo chamado apenas de “Cilada”. Baseado na atração televisiva criada por Bruno Mazzeo, “Cilada.com” condensa em uma hora e meia tudo o que há de pior não apenas na comédia, mas no cinema brasileiro em geral. E é impossível descrever esses erros sem cair na redundância: péssima direção, interpretações fora do tom, situações apelativas, moralismo torto etc. O mestre do humor Chico Anysio, que lamentavelmente apresenta um estado de saúde grave, não deve estar nem um pouco orgulhoso do filhinho Bruno Mazzeo.

03. “A Casa dos Sonhos”, de Jim Sheridan
O que esperar de um filme do qual seu próprio diretor considerou tão ruim ao ponto de recorrer ao Sindicado dos Diretores para remover seu nome dos créditos? Nem Daniel Craig e Rachel Weisz, dois intérpretes com talentos para lá de questionáveis, se moveram para divulgar “A Casa dos Sonhos”, que ao menos parece ter sido o estopim para a cerimônia secreta de casamento dos dois. Amparado pelos elementos mais manjados do gênero, o filme ainda tem duas resoluções previsíveis e hilárias. É de dar medo tamanha incompetência.

04. “A Árvore“, de Julie Bertuccelli
Julie Bertuccelli foi elogiada pela sua estreia como cineasta em “Desde que Otar Partiu” e se inspirou em um próprio episódio de luto para conceber “A Árvore”. Pois o caldo entorna assim que ela opta em misturar o romance de Elizabeth J. Mars com elementos particulares, resultando em um drama que não convence nem como exemplo de superação do luto e muito menos pelos elementos sobrenaturais introduzidos a partir de seu segundo ato. Esperta, Charlotte Gainsbourg engatou nova parceria com Lars von Trier em “Melancolia” após protagonizar esse vexame.

05. “Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo!”, de Hugo Carvana
Não há dúvidas de que Hugo Carvana é uma grande personalidade tanto na tevê como no cinema. No entanto, nas suas últimas investidas como cineasta os resultados foram decepcionantes. Talvez seja a vontade de trazer para hoje todos os elementos das chanchadas, tão populares até a década de 1950. Carvana não primou pelo bom gosto em “A Casa da Mãe Joana” e se mostra ainda pior em “Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo!”. Além de focar a parceria complicada entre pai e filho capengas há ainda uma trama de mistério que não faz feio diante daqueles romances vagabundos que encontramos em sebos por apenas R$1,00. Como disse um espectador frustrado ao sair da sala de cinema, “não se preocupe, esse filme não deu certo!”.

06. “Pacific”, de Marcelo Pedroso
Assim que chega sexta-feira, acesso alguns portais de cinema para saber o que está chegando ao circuito e, claro, ler o que a crítica tem para dizer. Quando “Pacific” foi exibido em salas alternativas de São Paulo, os comentários foram unânimes, afirmando que o documentário de Marcelo Pedroso vem com o propósito de registrar o comportamento humano através de uma família classe média que desfruta um cruzeiro nas festas de final de ano. Porém, o que vi foi uma representação frustrada dessa intenção, que faz um documentário insuportável e com uma precariedade técnica inadmissível. Faz cinema parecer uma brincadeira.

07. “Deu a Louca na Chapeuzinho 2”, de Mike Disa
Quando lançado nos cinemas, “Deu a Louca na Chapeuzinho” rendeu uma boa bilheteria por se distanciar um pouco do modelo de animações que eram lançados naquele período. Claro, a sátira a famosos contos infantis já havia sido praticado na franquia “Shrek”. Porém, o humor de “Deu a Louca na Chapeuzinho” colava bem no público adulto. Porém, nada que justificasse a Weinstein Company fazer uma sequência. Embora o orçamento seja o dobro do filme original, faltou investimento artístico para fazer uma história decente, pois não demoramos a questionar em “Deu a Louca na Chapeuzinho 2” a razão dele existir. Ótimo sonífero para crianças tão malvadas quanto o João e Maria criado aqui.

08. “Cowboys & Aliens”, de Jon Favreau
A ideia de fazer um filme de faroeste misturado com ficção-científica parecia muito boa. Mas ela ficou apenas no papel. Ou nos quadrinhos de Scott Mitchell Rosenberg. Com a moral lá em cima com o sucesso (bem infundado, aliás) dos dois episódios de “Homem de Ferro”, Jon Favreau conduz “Cowboys & Aliens” do seu jeito inconfundível: sem ritmo, criatividade ou inteligência. O mais absurdo é ver que este lixo cinematográfico precisou de nada menos que cinco roteiristas para dar conta de tanta incompetência. Triste fim para Harrison Ford, que antes fora Indiana Jones, Jack Ryan e Rick Deckard e que atualmente pena para trabalhar como coadjuvante de projetos aborrecidos.

09. “A Vida e a Morte de Charlie“, de Burr Steers
Não tenho absolutamente nada contra jovens intérpretes que fazem de tudo para se desvincularem de um papel marcante dentro do público infantojuvenil É o que Zac Efron tentou fazer após encerrar seus compromissos com “High School Musical”. Como ninguém o viu em “Me and Orson Welles” (filme de Richard Linklater rodado em 2008 que permanece inédito no Brasil), Zac Efron apostou todas as suas fichas em “A Morte e Vida de Charlie”, que pode ser definido como uma versão genérica e espírita dos draminhas adaptados dos romances baratos de Nicholas Sparks. Em tempo: a próxima investida num papel sério de Zac será em “Um Homem de Sorte”, baseado num best-seller de… Nicholas Sparks!

10. Natimorto, de Paulo Machline
Um dos grandes escritores brasileiros no cenário atual, Lourenço Mutarelli investiu em cinema em ocasiões bem discretas, seja através de pontas em filmes como “É Proibido Fumar”, seja através do romance que inspirou “O Cheiro do Ralo”. Não se sabe quem teve a ideia infeliz de dizer que Lourenço Mutarelli poderia render como ator. Provavelmente o diretor Paulo Machline, que através do roteiro de Andre Pinho adapta “O Natimorto”, romance de Lourenço Mutarelli publicado pela Companhia de Letras. A presunção só não é pior do que a encarnação cinematográfica do texto encenado na maior parte do tempo em um único cenário. É uma confusão de linguagens (ora parece cinema, ora parece teatro) e um filme que, assim como a do perturbado protagonista, parece ter a sorte lançada a partir da repulsiva campanha contra tabagismo impressa em maços de cigarros. Se a sua intenção é embarcar num programa alternativo que ressalte toda a necessidade de isolamento de anônimos numa sociedade cruel, prefira “Possuídos”.

10 PIORES DESEMPENHOS MASCULINOS

Bruno Mazzeo, por “Cilada.com
Daniel Craig, por “A Casa dos Sonhos”
Daniel Craig, por “Cowboys & Aliens”
Jack Black, por “As Viagens de Gulliver
Logan Lerman, por “Os Três Mosqueteiros
Lourenço Mutarelli, por “Natimorto”
Ryan Gosling, por “Amor a Toda Prova”
Seth Rogen, por “Besouro Verde
Tim Robbins, por “Lanterna Verde”
Tom Hanks, por “Larry Crowne – O Amor Está de Volta”

10 PIORES DESEMPENHOS FEMININOS

Angela Bassett, por “Lanterna Verde”
January Jones, por “Desconhecido
January Jones, por “X-Men – Primeira Classe
Jessica Alba, por “Entrando Numa Fria Maior Ainda Com A Família
Jessica Alba, por “O Assassino em Mim
Odette Annable, por “Você de Novo
Rachel Weisz, por “A Casa dos Sonhos”
Rosie Huntington-Whiteley, por “Transformers – O Lado Oculto da Lua”
Vanessa Gerbelli, por “As Mães de Chico Xavier”
Vanessa Hudgens, por “A Fera”

Resenha Crítica | O Palhaço (2011)

Considerado o melhor ator em atividade no cinema brasileiro ao lado de Wagner Moura, Selton Mello encabeçou na maioria das vezes projetos que tinham grande apelo diante do público, a exemplo de “O Auto da Compadecida”, “Lisbela e o Prisioneiro” e “A Mulher Invisível“. Ao estrear como diretor em “Feliz Natal”, muitos aprovaram o resultado, mas estranharam o nome de Selton Mello associado na direção e roteiro de um filme muito dramático. Novamente por trás das câmeras, Selton Mello parece atender melhor as expectativas do grande público com “O Palhaço”, um dos grandes sucessos de bilheteria do ano passado (o filme registrou mais de um milhão de espectadores).

Retomando parceria com Marcelo Vindicato (ambos escreveram “Feliz Natal”), Selton também é o protagonista da história. Ele faz Benjamim, que com o pai Valdemar (Paulo José) forma a dupla Pangaré e Puro Sangue nesses circos que se transferem de cidade em cidade. É verdade que não rendem muita grana para todos os artistas envolvidos, mas as apresentações sempre funcionam. Na que inicia o filme, por exemplo, há um prefeito chamado Romualdo (Phil Miler) que até negocia um pequeno papel para o seu filho num número. O drama em “O Palhaço” se revela quando Benjamim mergulha numa crise existencial assim que perde a vocação de fazer os outros rirem quando ele mesmo parece estar imerso num mar de melancolia.

Como se esperava, Selton Mello faz um trabalho que vai de encontro à sua excelência como artista, arrancando performances muito boas de todos os integrantes do elenco e provando que tem bom olho e ouvido quanto à seleção de cenários e música. Selton também se mostra feliz nas participações especiais de Fabiana Karla e principalmente Moacyr Franco, que rende a melhor cena de “O Palhaço” na pele do delegado Justo. “O Palhaço” apenas não acerta em cheio ao dar resolução para os problemas emocionais do protagonista, que rende, aliás, uma metáfora pouco convincente de ventiladores. Sente-se que não fomos presenteados com um grande espetáculo.

Título Original: O Palhaço
Ano de Produção: 2011
Direção: Selton Mello
Roteiro: Marcelo Vindicato e Selton Mello
Elenco: Selton Mello, Paulo José, Larissa Manoela, Giselle Motta, Teuda Bara, Álamo Facó, Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Hossen Minussi, Maíra Chasseraux, Thogun, Bruna Chiaradia, Phil Miler, Renato Macedo, Tony Tonelada, Fabiana Karla, Jorge Loredo, Jackson Antunes, Moacyr Franco, Tonico Pereira e Ferrugem

Um Gato em Paris

Não há dúvidas de que 2011 foi um ano muito desapontador para o gênero animação. Fazendo um rápido balanço e excetuando filmes como “Enrolados” e “Rango”, tivemos ao menos duas sequências fraquíssimas (“Kung-Fu Panda 2” e “Carros 2”), outras duas que resgatam personagens famosos sem brilho (“Winnie the Pooh” e “Gato de Botas”) e alguns títulos que simplesmente não contagiam, a exemplo de “Rio”. Talvez por essa nada empolgante retrospectiva haja algum destaque para “Um Gato em Paris”, animação produzida na França bem ágil e que pode entusiasmar a criançada com uma trama nada bobinha.

Ela foca Dino, um gato de vida dupla. Durante o dia, Dino faz companhia à Zoe (Oriane Zani), garotinha que ficou sem dizer uma palavra desde que seu pai foi morto. De noite, Dino segue Nico (voz de Bruno Salomone) em seus roubos ligeiros. Aos poucos, também conhecemos a mãe de Zoe, Jeanne (Dominique Blanc). Trata-se de uma policial cujo marido assassinado também era seu parceiro de profissão. Jeanne está obstinada em vingar a morte do amado capturando o temido gângster Victor Costa (Jean Benguigui). Porém, esta missão pessoal pode se configurar num trágico desfecho assim que uma série de circunstâncias põe a indefesa Zoe e Costa cara a cara.

De técnica tradicional, “Um Gato em Paris” conseguiu o feito de garantir uma vaga na última edição do Oscar. Só não é possível compará-lo com o também recente e francês “O Mágico”, pois aqui temos uma narrativa policial, o que por si só é um grande atrativo. É uma pena que não se pode deixar de considerar dois incômodos que ficam depois de apenas sessenta minutos de filme. O primeiro se refere a presença do gracioso Dino, que em muitas passagens é tratada como um mero coadjuvante. Já o segundo é em como um mau caráter como Nico é desvirtuado para ser o herói do dia.

Título Original: Une vie de chat
Ano de Produção: 2010
Direção: Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
Roteiro: Alain Gagnol
Vozes de: Dominique Blanc, Bruno Salomone, Jean Benguigui, Bernadette Lafont, Oriane Zani, Bernard Bouillon, Patrick Ridremont, Jacques Ramade, Jean-Pierre Yvars e Patrick Descamps
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | Lixo Extraordinário (2010)

Em 2009, o Museu de Arte Moderna abrigou uma exposição que registrou um dos maiores números de visitas em toda a história do espaço. Era o trabalho do artista plástico Vik Muniz, brasileiro radicado em Nova York que criou belos retratos usando materiais recolhidos no Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário do mundo. Porém, visualizar de perto a criatividade e beleza das imagens não seria suficiente para nos aproximarmos da experiência que elas representaram para Vik Muniz e todos os envolvidos. “Lixo Extraordinário”, indicado ao Oscar de melhor documentário e vencedor do prêmio de público no Festival de Sundance, surge para criar este vínculo.

Também indicada ao Oscar neste último ano pelo documentário “The Tsunami and the Cherry Blossom”, Lucy Walker se juntou com Karen Harley (editora dos recentes “Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo” e “A Festa da Menina Morta”) e João Jardim (realizador de “Amor?”) para acompanhar Vik Muniz durante todo o processo de criação de seu novo trabalho. Processo este que durou aproximadamente dois anos e que consistia em montar uma equipe de catadores de materiais recicláveis no Jardim Gramacho.

Conhecemos assim indivíduos sem grandes perspectivas devido as adversidades constantes em suas vidas que os levaram a ingrata situação que estão. Entre eles, temos o presidente da ACAMJG (Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho) Tião, a jovem mãe de dois filhos Suelem, Isis, uma mulher que detesta todo o trabalho como catadora, e Zumbi, catador de materiais recicláveis desde os nove anos de idade que toma para si todos os livros desprezados no Jardim Gramacho.

Maravilhosas, as artes criadas por Vik são realizadas através de fotografias que ele tirou de cada catador voluntário. Num esforço conjunto, os retratos são ampliados e preenchidos por inúmeros materiais coletados no Jardim Gramacho. Neste registro não fica de fora o panorama de histórias tristes traçadas por cada um desses personagens. Com isto, “Lixo Extraordinário” se transforma em um documentário irretocável não em carregar no drama das histórias que esses catadores têm para contar, mas em apontar a arte como agente de um recomeço que eles tanto mereciam.

Título Original: Waste Land
Ano de Produção: 2010
Direção: Lucy Walker
Com: Vik Muniz
Cotação: [5star.jpg]

Resenha Crítica | O Enigma de Outro Mundo (2011)

Quando lançou em 1982 a refilmagem do pequeno clássico de ficção “O Monstro do Ártico”, John Carpenter, um mestre do horror, recebeu críticas pouco entusiasmadas. Muitos alegaram que em “O Enigma de Outro Mundo” há poucas sutilezas, especialmente nos efeitos especiais explícitos. Não é mesmo a obra-prima do cineasta, mas “O Enigma de Outro Mundo” virou cult e agora ganhou até um prequel. Trata-se de “O Enigma de Outro Mundo” (2011), que reprisa atualmente o mesmo histórico de “O Enigma de Outro Mundo” original de péssima recepção de público e crítica, mas que futuramente poderá também ser redescoberto por aficionados pelo gênero com um olhar mais apurado.

Mesmo se passando alguns instantes antes da narrativa do filme de John Carpenter, “O Enigma de Outro Mundo” (2011) muitas vezes parece se tratar de um remake. Antes protagonizado por Kurt Russell, agora temos a atriz Mary Elizabeth Winstead no centro, muito bem encarando praticamente o único papel feminino da história (a canadense Kim Bubbs faz apenas algumas aparições como Juliette). Ela interpreta Kate, uma paleontóloga contratada pelo cientista norueguês Sander Halvorson (Ulrich Thomsen, de “Em Um Mundo Melhor”) para avaliar um organismo vivo. Removido da Antártida, essa descoberta faz Sander montar uma equipe com intenção de estudar suas origens.

Qualquer um que tenha visto algumas das versões da história originalmente criada americano John W. Campbell Jr. sabe que tal organismo vivo é uma espécie de alienígena que faz uma réplica humana perfeita. Não tendo um conteúdo que acrescente algo de muito relevante à fita de John Carpenter, o estreante Matthijs van Heijningen Jr. foi feliz em se aproveitar de todo o potencial deste implacável vilão. O resultado é um filme de tensão constante por não sabemos qual personagem é ou não é uma réplica e por contar com efeitos especiais classe B deliciosos.

Título Original: The Thing
Ano de Produção: 2011
Direção: Matthijs van Heijningen Jr.
Roteiro: Eric Heisserer, baseado na história “Who Goes There?”, de John W. Campbell Jr.
Elenco: Mary Elizabeth Winstead, Joel Edgerton, Ulrich Thomsen, Eric Christian Olsen, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Paul Braunstein, Trond Espen Seim, Kim Bubbs, Jørgen Langhelle, Jan Gunnar Røise, Stig Henrik Hoff, Kristofer Hivju, Jo Adrian Haavind, Carsten Bjørnlund, Ole Martin Aune Nilsen, Michael Brown e Jonathan Walker
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | Caminho da Liberdade (2010)

Seis vezes indicado ao Oscar, o australiano Peter Weir se mostrou mais do que nunca um realizador de filmes contemplativos nos últimos anos de sua carreira. Algo perceptível com apenas duas obras: “Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo” e agora “Caminho da Liberdade”. Em ambos, Peter Weir tenta com sua câmera se aproximar na imensidão dos ambientes que se passam os conflitos entre seus personagens.

Em relação a “Caminho da Liberdade”, temos um grupo de refugiados de um gulag, um campo que continha de presos políticos a criminosos. Como é natural neste tipo de situação, há algum integrante que se apresentará como líder. Trata-se de Janusz (Jim Sturgess), jovem apontado como espião pela própria esposa enquanto esta é torturada no regime soviético – a história se passa no início da década de 1940 durante o conflito entre a Polônia e a União Soviética. Janusz, o bandido Valka (Colin Farrell), o padre Voss (Gustaf Skarsgård), o polonês que sofre de cegueira noturna Kazik (Sebastian Urzendowsky), o artista Tomasz (Alexandru Potocean), o americano Smith (Ed Harris), o contabilista Zoran (Dragos Bucur) e posteriormente a pequena Irena (Saoirse Ronan) são aqueles que vão encarar os maiores sacrifícios físicos e psicológicos para chegarem à Índia, o que renderá um trajeto de nada menos que sete mil quilômetros a pé.

Sendo a maior parte do elenco formado por intérpretes americanos ou britânicos, prepare-se para se deparar com desempenhos onde há sotaque carregado. Relevando este problema, sempre constante em uma produção americana, “Caminho da Liberdade” cumpre bem o papel de adaptar o romance de Slavomir Rawicz, baseado em uma história surpreendentemente real. Experiente, Peter Weir conseguiu reproduzir muito bem a vulnerabilidade do ser humano em meio a paisagens para ficar na memória, mas sempre expostas a temperaturas extremas e a qualquer outro tipo de eventos inesperados.

Título Original: The Way Back
Ano de Produção: 2010
Direção: Peter Weir
Roteiro: Keith R. Clarke e Peter Weir, baseado no romance “The Long Walk: The True Story of a Trek to Freedom”, de Slavomir Rawicz
Elenco: Jim Sturgess, Ed Harris, Saoirse Ronan, Colin Farrell, Mark Strong, Gustaf Skarsgård, Alexandru Potocean, Sebastian Urzendowsky, Dragos Bucur, Zahary Baharov, Irinei Konstantinov, Meglena Karalambova e Sally Edwards

A Hora do Espanto

Ao estrear como diretor em “A Hora do Pesadelo”, Tom Holland não esperava fazer uma importante contribuição ao gênero de terror dos anos 1980. Trata-se de recolocar os famosos vampiros naquele cenário de horror dominado por assassinos em série indestrutíveis como Michael Myers (“Halloween”) e Freddy Krueger (“A Hora do Pesadelo”) através de uma roupagem moderna e cheia de humor. Já Craig Gillespie refilma “A Hora do Pesadelo” aproveitando a popularidade dos sanguessugas dentro do cenário atual.

Até certo ponto, o roteiro de Marti Noxon se assemelha bastante com o original de Tom Holland. Charley Brewster (Anton Yelchin) vive com a mãe (Toni Collette, dirigida por Craig Gillespie em alguns episódios de “United States of Tara”) e namora com uma bela garota (Imogen Poots, muito bem). A chegada de um novo vizinho, Jerry Danridge (Colin Farrell), inaugura as suspeitas de que ele está longe de ser apenas um sujeito charmoso e pacato, algo provado pelo melhor amigo de Charley, Ed (Christopher Mintz-Plasse).

Este novo “A Hora do Espanto” começa a mostrar a que veio assim que a história entra para o segundo tempo. Se na fita original Charley tinha sua sanidade questionada a todo o instante pelas pessoas ao seu redor, agora ele terá que enfrentar Jerry ao lado da mãe e da namorada, culminando num plano-sequência de tirar o fôlego. Já o picareta Peter Vincent, personificado no filme de 1985 pelo veterano Roddy McDowall, pode ganhar ainda mais fãs agora na pele de David Tennant, o famoso Doctor Who. Um raro exemplo de refilmagem dentro do gênero que atinge um resultado muito melhor do que a fita original.

Título Original: Fright Night
Ano de Produção: 2011
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Marti Noxon, baseado no filme “A Hora do Espanto”, de Tom Holland
Elenco: Anton Yelchin, Colin Farrell, Imogen Poots, Toni Collette, David Tennant, Christopher Mintz-Plasse, Dave Franco, Reid Ewing, Will Denton, Sandra Vergara, Emily Montague e Chris Sarandon
Cotação: 3 Stars

Os Muppets

Os Muppets são tão famosos que até a mais recente geração provavelmente reconhece personagens como Miss Piggy e Caco, o sapo. São apenas dois de vários fantoches que entraram no imaginário popular. Irônico, entretanto, é ver que os Muppets pareciam não ser mais sinônimo de bom faturamento. Em matéria de cinema, temos “Muppets do Espaço” como o último longa-metragem protagonizado pelos fantoches – esta produção de 1999 foi um fracasso no circuito estadunidense. Entra aí Jason Segel, um ator afeito a comédias que aos poucos faz seu nome diante do público americano e que oferece para os Muppets uma nova chance na tela grande através da sua colaboração como protagonista, roteirista e produtor.

No novo “Os Muppets”, a história é centrada em Gary (papel de Jason Segel), no seu irmão Walter (voz de Peter Linz) e na sua namorada Mary (Amy Adams). Gary divide as atenções com ambos, pois Walter tem dúvidas existenciais e Mary é daquelas namoradas devotadas loucas por um pedido de casamento. Numa passagem em Hollywood para visitar o estúdio dos Muppets, Walter desvenda que o ambicioso Tex (Chris Cooper, uma das poucas surpresas do filme) pretende destruir o lugar e remover todo o petróleo que há no solo. O trio então procura reunir toda a turma liderada por Caco (ops, Kermit) para fazer um show televisivo com intenção de arrecadar 10 milhões de dólares e preservar o estúdio.

A vontade dos realizadores em trazer os Muppets de volta parece desesperadora. Só assim para justificar esse desejo como principal elemento da narrativa. Assim, apesar dos bons números musicais e algumas sacadas divertidas (como  o que envolve a atriz Emily Blunt reprisando a sua antipática secretária de “O Diabo Veste Prada”), “Os Muppets” nada mais é do que uma investida tão aborrecida quando as aventuras mais fracas da turma em outros títulos, preenchendo a tela apenas com várias participações especiais de astros hollywoodianos (a mais insuportável sem dúvida é a de Jack Black) e com nostalgia com gosto de naftalina. Não à toa, Frank Oz, uma das principais mentes por trás dos Muppets, recusou a oferta de dirigir esta produção alegando pouca simpatia com o roteiro.

Título Original: The Muppets
Ano de Produção: 2011
Direção: James Bobin
Roteiro: Jason Segel e Nicholas Stoller
Elenco: Jason Segel, Amy Adams, Chris Cooper, Rashida Jones, Alan Arkin, Bill Cobbs, Zach Galifianakis, Ken Jeong, Jim Parsons, Eddie Pepitone, Kristen Schaal, Sarah Silverman, Jonathan Palmer, Whoopi Goldberg, Selena Gomez, David Grohl, Neil Patrick Harris, Judd Hirsch, John Krasinski, Rico Rodriguez, Mickey Rooney, Emily Blunt, Jack Black e vozes de Steve Whitmire, Eric Jacobson, Dave Goelz, Bill Barretta, David Rudman, Matt Vogel e Peter Linz
Cotação: 2 Stars

Resenha Crítica | O Homem ao Lado (2009)

Uma das coisas mais comuns de acontecerem no cotidiano é algum desentendimento com o vizinho. Ora pela algazarra em horário inoportuno, ora por se intrometer demais em assuntos particulares. Os realizadores argentinos Gastón Duprat e Mariano Cohn, através do roteiro escrito por Andrés Duprat, iniciam o drama “O Homem ao Lado” discutindo este conflito previsível, mas que receberá desdobramentos inesperados.

O protagonista de “O Homem ao Lado” é Leonardo (Rafael Spregelburd), design que tem seu sono interrompido com o barulho ocasionado pela reforma no apartamento vizinho. As reclamações por parte de Leonardo vão se tornando constantes quando descobre que seu novo vizinho, Victor (Daniel Aráoz), está fazendo uma abertura para instalar uma janela que permitirá visualizar a sua cozinha.

“O Homem ao Lado” cresce quando Leonardo e Victor se mostram mais envolvidos do que o esperado com a falta de solução para o episódio. Afinal, Leonardo defende sua privacidade enquanto Victor afirma necessitar da janela para a passagem de luz natural. Temos assim uma crônica que não resulta banal graças à existência de cenas memoráveis (como aquelas em que Victor faz números de dança apenas com o dedo indicador e médio) e ao ótimo registro que faz de gente comum, embora a conclusão se mostre discutível analisando os rumos que a história poderia chegar.

Título Original: El hombre de al lado
Ano de Produção: 2009
Direção: Gastón Duprat e Mariano Cohn
Roteiro: Andrés Duprat
Elenco: Rafael Spregelburd, Daniel Aráoz, Eugenia Alonso, Inés Budassi, Lorenza Acuña, Eugenio Scopel, Debora Zanolli, Bárbara Hang e Enrique Gagliesi
Cotação: 3 Stars