Resenha Crítica | Guerreiro (2011)

O Vencedor” é inegavelmente um ótimo filme. O drama baseado na história real dos irmãos Micky (Mark Wahlberg) e Dicky (Christian Bale) foi além dos ringues ao focar mais as atenções na vida privada desses personagens. Porém, não há como não depositar no filme de David O. Russell a culpa (nada intencional, que fique claro) por “Guerreiro” não ter repetido o mesmo sucesso. As produções foram rodadas com um intervalo de tempo pequeno e lidam com um tema similar. No entanto, David O. Russell foi mais ágil no lançamento, ofuscando totalmente o filme de Gavin O’Connor tanto em termos de bilheteria quanto de indicações em premiações cinematográficas.

É um caso em que o sucesso é muito relevante, senão “Guerreiro” não seria lançado diretamente para o mercado de vídeo no Brasil, por exemplo. De qualquer maneira, poucos louros não tornam “Guerreiro” um filme inacessível, elevando a máxima potência toda a emoção já obtida com brilhantismo em “O Vencedor”.

Na história, Brendan e Tommy Conlon (respectivamente, Joel Edgerton e Tom Hardy) são irmãos separados por dramas familiares do passado. Brendan é casado com Tess (Jennifer Morrison, do seriado “Once Upon a Time”) e dá o sangue como professor em uma escola pública para poder quitar as contas que teve com uma cirurgia cardíaca que sua filha foi submetida. Como a renda não é suficiente, Brendan, outrora um lutador profissional de MMA, participa de combates amadores para ganhar uma grana extra.

Também lutador, Tommy retoma o treinamento tendo o seu pai Paddy (Nick Nolte, em performance devastadora) como mentor. A parceria que desencadeará entre pai e filho é explosiva, pois Tommy não está disposto em perdoar Paddy, ex-alcoólatra arrependido das ações que destruíram toda a família. O reencontro de Brendan e Tommy acontecerá em um torneio de MMA, que dará ao vencedor o prêmio de 5 milhões de dólares. Se as motivações de Brendan são claras, as de Tommy, que está desorientado e raivoso desde que voltou da guerra do Iraque, são misteriosas.

Não é nenhum segredo que os desentendimentos entre Brendan e Tommy serão resolvidos no octógono e o acerto de Gavin O’Connor é centrar todas as expectativas nas possibilidade de quanto estes personagens sairão transformados neste encontro, seja o resultado libertador ou trágico. Num esporte em que é célebre as provocações teatrais entre adversários, “Guerreiro” é memorável ao representá-lo como uma possibilidade de superação.

Título Original: Warrior
Ano de Produção: 2011
Direção: Gavin O’Connor
Roteiro: Anthony Tambakis, Cliff Dorfman e Gavin O’Connor
Elenco: Joel Edgerton, Tom Hardy, Nick Nolte, Jennifer Morrison, Frank Grillo, Kevin Dunn, Maximiliano Hernández, Bryan Callen, Sam Sheridan, Fernando Chien, Jake McLaughlin, Vanessa Martinez, Denzel Whitaker, Carlos Miranda, Nick Lehane, Laura Chinn, Capri Thomas, Lexi Cowan e Noah Emmerich

Dia Nacional do Cartaz | Os Dez Melhores Cartazes de Filmes

Hoje, 30 de julho, é “celebrado” o Dia Nacional do Cartaz. Celebrado com aspas, pois provavelmente poucos sabem disso, com exceção dos designers. São eles os responsáveis pela complicada missão de sintetizar através de uma arte  todo o conteúdo daquilo que será vendido. Um cartaz pode ser feito tanto para divulgar uma peça de teatro quanto um novo produto que ocupará as prateleiras de um supermercado.

Trata-se de um trabalho em que é necessário investir muita criatividade, algo que infelizmente tem sido substituído por desagradáveis montagens e retoques com Photoshop. Ainda assim, há muitas artes feitas atualmente que desejamos adquirir para as paredes de nosso quarto.

Para não passar o dia em branco, o Cine Resenhas selecionou dez dos melhores cartazes já feitos.

Anjos da Noite – O Despertar

A franquia “Anjos da Noite” havia adquirido novo fôlego com o terceiro episódio “A Rebelião”, sequência em forma de prequel que continha um desenvolvimento de tirar o fôlego. “A Rebelião” não se mostrou apenas o melhor momento da franquia “Anjos da Noite”, mas também provou algo interessante: Selene, heroína vivida pela inglesa Kate Beckinsale, não era a melhor coisa neste universo em que vampiros e lobisomens são inimigos seculares. Os produtores da franquia “Anjos da Noite” provavelmente não perceberam isto, como prova a existência de “Anjos da Noite – O Despertar”, aventura que traz Selene como protagonista da história.

Neste quarto episódio, Selene está em estado de sono criogênico há mais de dez anos na corporação Antigen. Finalmente acordada, Selene inicia uma busca sangrenta pelo seu amado Michael (papel que o ator Scott Speedman não reprisa). Porém, descobre que concebeu uma filha enquanto estava inconsciente. Trata-se de Eve (India Eisley), uma hibrida de vampira e Lycan (como os lobisomens são chamados) vigiada vinte e quatro horas por dia pelo doutor Jacob Lane, responsável pela corporação Antigen. Presa em um cenário em que os Lycans estão em extinção, Selene inicia uma inesperada parceria com o detetive Sebastian (Michael Ealy) a fim de combater os planos de Jacob em se tornar um ser invencível com o uso do DNA de Eve.

Mesmo que a equipe de roteiristas tenha conseguido elaborar uma história que se distancie do conflito entre vampiros e Lycans já solucionado em “Anjos da Noite – A Evolução”, este novo episódio não passa de uma sucessão de sequências de ação terrivelmente realizadas. Os diretores Björn Stein e Måns Mårlind (dupla sueca que já havia decepcionado em “Identidade Paranormal”, fita sobrenatural protagonizada por Julianne Moore e Jonathan Rhys Meyers) levam apenas quinze minutos para contarem uma história, usando o restante do tempo apenas para visualizarmos Selene em uma ação exaustiva e sem um pingo de conteúdo.

Título Original: Underworld – Awakening
Ano de Produção: 2011
Direção: Björn Stein e Måns Mårlind
Roteiro: Allison Burnett, J. Michael Straczynski, John Hlavin e Len Wiseman
Elenco: Kate Beckinsale, Stephen Rea, Michael Ealy, Theo James, India Eisley, Sandrine Holt, Charles Dance, Kris Holden-Ried, Jacob Blair, Catlin Adams e Wes Bentley

Resenha Crítica | Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (2011)

Com “O Invasor”, o cineasta paulistano Beto Brant apresentou um thriller com qualidade rara em nosso cinema, o que lhe rendeu grande prestígio diante do público e da crítica. Desde então, Beto Brant pareceu incapaz de realizar uma obra à altura. Se “Crime Delicado” e “Cão Sem Dono” dividiram opiniões, “O Amor Segundo B. Schianberg” passou totalmente despercebido. Com “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios”, testemunhamos o cineasta em sua melhor forma.

Em nova colaboração com o diretor Renato Ciasca e o escritor Marçal Aquino, Beto Brant conta, de forma pouco linear, a formação de um triângulo amoroso. Na primeira cena de “Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios”, Lavínia (Camila Pitanga) posa para o seu amante Cauby (Gustavo Machado), fotógrafo que está vivendo temporariamente em uma casa em Santarém, cidade do interior do Pará. Apesar do relacionamento ardente, Lavínia parece incapaz de trocar Cauby por Ernani (Zecarlos Machado), um pastor que praticamente a fez renascer em um passado obscuro.

Passado e presente se misturam e aos poucos vamos conhecendo todas as características de Lavínia, a verdadeira protagonista de “Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios”. E aí, por maior que seja a força do texto de Marçal Aquino e a maneira como Beto Brant e Renato Ciasca consegue envolver o público, o filme apresenta como maior virtude o desempenho de Camila Pitanga. Seja na tevê ou no cinema, a atriz carioca jamais apresentou um trabalho realmente memorável. Aqui, Camila Pitanga tem a árdua tarefa de representar praticamente três papéis, uma vez que a Lavínia que circula pelos três atos da narrativa apresenta três personalidades totalmente distintas, resultando em uma entrega bárbara da atriz.

Embora a dupla de realizadores tenha sido criticada pelo tom documental de algumas sequências que se propõem a discutir o negócio de exploração ilegal de madeira em Santarém, estes instantes só acrescentam autenticidade à fita, uma vez que apresentam ao público as paisagens e costumes de um cenário raramente explorado por nossos realizadores.

Mesmo assim, “Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios” não está isento de imperfeições. Sente-se que Beto Brant e Renato Ciasca alongaram demais o terço final do filme, especialmente pelo uso constante de fades. Usado sem moderação, este recurso de montagem torna incômoda a espera pela cena que realmente concluirá a história.

Título Original: Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios
Ano de Produção: 2011
Direção: Beto Brant e Renato Ciasca
Roteiro: Beto Brant e Renato Ciasca, baseado no romance homônimo de Marçal Aquino
Elenco: Camila Pitanga, Gustavo Machado, Zé Carlos Machado, Gero Camilo, Adriano Barroso, Lívea Amazonas, Magnólio de Oliveira, Simone Sou e Antonio Pitanga

Os Vingadores

Um filme como “Os Vingadores” é muito difícil de ser realizado. Há tantos personagens importantes que nem mesmo um longa-metragem com três horas de duração conseguiria destacá-los com equilíbrio. Para isso, a Marvel Studios decidiu investir em filmes solos para enfim conceberem “Os Vingadores”. Tivemos assim a franquia Marvel, composta pelos filmes “Homem de Ferro”, “O Incrível Hulk”, “Homem de Ferro 2”, “Thor” e “Capitão América – O Primeiro Vingador”.

Devidamente apresentados ao público isoladamente, “Os Vingadores” conseguiria se concentrar em construir uma ameaça suficientemente convincente para a reunião de personagens como Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans). Tal ameaça é representada por um verdadeiro MacGuffin: trata-se de Tesseract, uma poderosa fonte de energia capaz de destruir toda a Terra. O objeto é cobiçado por Loki (Tom Hiddleston), irmão adotivo de Thor (Chris Hemsworth) que passa a controlar membros da S.H.I.E.L.D. (como o Gavião Arqueiro de Jeremy Renner) assim que o tem em mãos.

Com o nosso planeta em risco, Nick Fury (Samuel L. Jackson), agente responsável pela S.H.I.E.L.D., recruta Stark, Rogers, Bruce Banner (Mark Ruffalo) e Viúva Negra (Scarlett Johansson) para formarem Os Vingadores, equipe que unirá todas as suas habilidades para interromper o plano de Loki.

É engraçado notar que “Os Vingadores” parece perder um tempo precioso em seu primeiro ato ao aproximar os heróis para o espectador, mesmo que já estejamos familiarizados com cada um deles. Quando eles finalmente se tornam Os Vingadores, Joss Whedon não orquestra a ação de maneira surpreendente. Se a longa sequência passada na nave da S.H.I.E.L.D. se mostra pouco imaginativa, a destruição em Nova York que toma conta da tela no clímax da história se assemelha as badernas orquestradas por Michael Bay na franquia “Transformers”.

Se a contribuição de Joss Whedon para “Os Vingadores” nada tem de relevante para acrescentar ao universo de super-heróis vindos das histórias em quadrinhos neste quesito, ele é brilhante ao menos em um aspecto: o uso de humor espirituoso, estranhamente tão ignorado em fitas do gênero. A interação entre os personagens é tão divertida que passamos até mesmo a ignorar as besteiras que motivam Loki em levar os seus planos até as últimas consequências. A decisão não apenas beneficia personagens como Hulk (que de monstrengo insosso se converteu em um alívio cômico memorável), mas dita um novo rumo interessante para as adaptações de histórias em quadrinhos. Resta aguardar para que as futuras sequências já confirmadas para “Homem de Ferro”, “Thor” e “Capitão América” sigam o mesmo caminho.

Título Original: The Avengers
Ano de Produção: 2012
Direção: Joss Whedon
Roteiro: Joss Whedon, baseado nas histórias em quadrinhos de Jack Kirby e Stan Lee
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Clark Gregg, Cobie Smulders, Stellan Skarsgård, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow, Powers Boothe, Harry Dean Stanton, Stan Lee, Jerzy Skolimowski e voz de Paul Bettany

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Oito anos se passaram desde os eventos de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Batman (Christian Bale) jamais voltou à ação após a morte de Harvey Dent (Aaron Eckhart), que o converteu de herói em vilão da cidade de Gothan. Já Bruce Wayne está recluso em sua mansão com o seu mordomo Alfred (Michaelo Caine). Perder Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal), o grande amor de sua vida, o arrasou. Uma nova ameaça se apresenta na forma do mercenário Bane (Tom Hardy), o que força tanto Batman quanto Bruce Wayne a darem as caras. Será no embate entre Batman/Bruce e Bane o grande momento de “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, dada como a conclusão de uma trilogia iniciada em 2005 com “Batman Begins”.

Porém, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” não se concentra apenas no aguardado encontro dessas duas figuras. O comissário James Gordon (Gary Oldman) e Lucius Fox (Morgan Freeman) permanecem como os grandes aliados do protagonista, mas há personagens inéditos neste último episódio. O guarda John Blake (Joseph Gordon-Levitt) surge como um jovem destemido que acredita na importância de Batman para a cidade de Gothan, mesmo que a culpa pela morte de Harvey Dent jamais tenha sido desmentida. Já Miranda (Marion Cotillard, péssima) será aquela a se responsabilizar pelos negócios de Bruce quando eles são ameaçados. Por fim, Selina Kyle (Anne Hathaway) é uma mulher disposta a fazer qualquer coisa para esquecer definitivamente o seu passado criminal, o que inclui entrar no caminho do Homem-Morcego como Mulher-Gato.

Um filme concebido com a missão de fechar um ciclo é destinado a cumprir várias missões. Este é o momento de compreendermos toda a importância do protagonista para que assim ele possa estar presente no imaginário coletivo. É também a oportunidade de atar todas as pontas soltas. Em “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, Christopher Nolan cumpre essas expectativas básicas de maneira pouco gloriosa.

Como um mero entretenimento de ação, o filme apresenta o que se espera. Mesmo que o compositor Hans Zimmer exagere em evocar emoções em passagens que elas inexistem, é injusto não dar crédito às primorosas sequências de ação, executadas com rigor técnico. Destacam-se especialmente aquelas em que Batman utiliza o seu espetacular veículo voador. Estes momentos também ganham muito com a presença de Bane e Mulher-Gato, que servem de contrapontos bem interessantes ao protagonista – aliás, é importante dizer que qualquer dúvida existente quanto a escalação de Anne Hathaway para viver a personagem é rapidamente anulada, embora a figurinista Lindy Hemming teve a péssima escolha em desenhar um uniforme que camufla a sensualidade tão essencial à Mulher-Gato. Bane não é um vilão tão fascinante quanto o Coringa de Heath Ledger, mas surge ameaçador graças ao interessante recurso que reforça a voz de Tom Hardy.

Por outro lado, estamos diante de um capítulo de encerramento e é incrível como o roteiro desenvolvido por Christopher e Jonathan Nolan seja capaz de investir um tempo tão precioso com uma introdução banal de personagens e a explicação pouco precisa de revelações que se apresentam ao longo do filme. Não basta a interação dos personagens, é preciso também se valer de diálogos explicativos ilustrados através de flashbacks.

Mais grave, entretanto, é a obsessão de Christopher Nolan em situar este universo dos quadrinhos em um cenário realista. O plano do vilão Bane atravessa por temas atuais tão delicados (desequilíbrio da bolsa de valores, terrorismo, inversão de valores sobre justiça et cetera) que parecemos estar diante de um filme bem distante do que caracteriza Batman. Não há problema nenhum em tornar madura a adaptação de um quadrinho e com isto tentar nos aproximar da história que está sendo contada. O que mata “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é a ausência de equilíbrio entre realismo e fantasia.

Título Original: The Dark Knight Rises
Ano de Produção: 2012
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan e Jonathan Nolan, baseado nos personagens de Bob Kane
Elenco: Christian Bale, Tom Hardy, Anne Hathaway, Gary Oldman, Morgan Freeman, Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Michael Caine, Matthew Modine, Juno Temple, Cillian Murphy, Joey King, Daniel Sunjata, Josh Stewart, Thomas Lennon, Josh Pence e Liam Neeson
Cotação: 2 Stars

Franquia Marvel

Ok, “Os Vingadores” foi lançado em abril, mas o filme continua dando o que falar. Ainda em exibição em todos os cantos do mundo, a aventura comandada por Joss Whedon parece ditar um novo rumo para as adaptações de histórias em quadrinhos. Mesmo longe de atingir a perfeição, “Os Vingadores” conseguiu apresentar uma ótima dinâmica entre os heróis, cada um ganhando o seu momento para brilhar. Há também a presença de um humor espirituoso, ultimamente tão raro em filmes do mesmo segmento.

No entanto, antes de comentarmos mais sobre “Os Vingadores”, é importante recordar de todos os cinco filmes que colaboraram para a sua existência. No caso, “Homem de Ferro”, “O Incrível Hulk”, “Homem de Ferro 2”, “Thor” e “Capitão América – O Primeiro Vingador”. A intenção da Marvel Studios era realizar aventuras solo dos seus principais heróis para testar o público. Caso todos os projetos fossem bem acolhidos, “Os Vingadores” se tornaria um sonho concretizado. Somando o orçamento dos cinco filmes que compõem a franquia Marvel, temos o valor de 780 milhões de dólares. Em bilheteria mundial, todos os filmes totalizam praticamente o triplo desse valor em arrecadação, um resultado positivo.

Porém, essa necessidade de ligar as histórias provoca a sensação incômoda de que a franquia Marvel nada mais passa do que um aquecimento para a criação de algo maior, mais ambicioso. Isto se reflete especialmente em “Homem de Ferro 2”, uma versão genérica do original produzido em 2008 (que por si só já não era um primor). Daí os títulos que a integram não serem mais do que razoáveis.

De qualquer maneira, assistir a franquia Marvel é importante para nos familiarizarmos com os personagens principais antes de “Os Vingadores”. Para isto, temos mais detalhes sobre a franquia a seguir.

Personagens Principais

01. Tony Stark / Homem de Ferro (Robert Downey Jr.): Herdeiro das Indústrias Stark, Tony Stark transforma-se no Homem de Ferro no momento em que é sequestrado por afegãos, construindo uma armadura que lhe oferece habilidades sobre-humanas. Aparições: “Homem de Ferro”, “O Incrível Hulk”, “Homem de Ferro 2” e “Os Vingadores”

02. Steve Rogers / Capitão América (Chris Evans): Mesmo inadequado em todos os aspectos, Steve Rogers está determinado em se tornar soldado e combater os inimigos em plena Segunda Guerra Mundial. Um experimento científico o converte no supersoldado Capitão América. Aparições: “Capitão América – O Primeiro Vingador” e “Os Vingadores”

03. Bruce Banner / Hulk (Edward Norton e Mark Ruffalo): Recluso no Rio de Janeiro, o cientista Bruce Banner tente localizar um antídoto que impeça sua transformação em Hulk, monstrengo verde e gigante com fúria incontrolável capaz de destruir tudo ao seu redor. Tal condição teve início em um episódio que Bruce foi exposto a raios gama. Aparições: “O Incrível Hulk” e “Os Vingadores”

04. Thor (Chris Hemsworth): Também conhecido como Deus do Trovão, Thor é filho de Odin, Deus supremo de Asgard. Assim como o irmão Loki, Thor cobiça desde cedo o reino de Asgard. No entanto, se vê indigno para cumprir este papel ao não conseguir erguer o martelo Mjolnir. Aparições: “Thor” e “Os Vingadores”

05. Nick Fury (Samuel L. Jackson): Responsável pela S.H.I.E.L.D. (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão, em português), o comandante Nick Furry é quem reúne Tony Stark, Steve Rogers, Bruce Banner, Thor, Natasha Romanoff e Clint Barton para formarem Os Vingadores. Aparições: “Homem de Ferro”, “Homem de Ferro 2”, “Thor”, “Capitão América – O Primeiro Vingador” e “Os Vingadores”

06. Natasha Romanoff / Viúva Negra (Scarlett Johansson): Nascida na União Soviética, Natasha é uma das espiãs da S.H.I.E.L.D., organização comandada por Nick Furry. Aparições: “Homem de Ferro 2” e “Os Vingadores”

07. Clint Barton / Gavião Arqueiro (Jeremy Renner): Também membro da S.H.I.E.L.D., Clint tem habilidades insuperáveis no uso de arco e flecha. Aparições: “Thor” e “Os Vingadores”

08. Agente Phil Coulson (Clark Gregg): Amigo de Tony Stark, Phil Coulson é um dos agentes da S.H.I.E.L.D. Aparições: “Homem de Ferro”, “Homem de Ferro 2”, “Thor” e “Os Vingadores”

09. Loki (Tom Hiddleston): Irmão de Thor, Loki é o principal vilão de “Thor” e “Os Vingadores”. Entre suas habilidades está o poder de mudar a própria aparência e o controle do fogo e do gelo. Aparições: “Thor” e “Os Vingadores”

10. Pepper Potts (Gwyneth Paltrow): Mesmo uma personagem secundária, Pepper Potts é presença fundamental nos dois filmes do Homem de Ferro. Ela é secretária e interesse romântico de Tony Stark. Aparições: “Homem de Ferro”, “Homem de Ferro 2” e “Os Vingadores”.

Os Filmes

Homem de Ferro, de Jon Favreau (Iron Man, 2008) 2 Stars
Considerado o primeiro passo relevante da Marvel Studios no cinema, “Homem de Ferro” foi a tentativa financeiramente bem-sucedida em converter em marca os principais heróis criados por Stan Lee. O maior (e talvez único) acerto de “Homem de Ferro” foi escalar Robert Downey Jr. como protagonista. Sem prestígio após os seus problemas com drogas se tornarem público, o ator encontrou em Tony Stark a grande oportunidade de mostrar todo o seu carisma e veia cômica, transformando-o praticamente uma versão de si mesmo.

O Incrível Hulk, de Louis Leterrier (The Incredible Hulk, 2008) 2 Stars
Talvez o melhor filme a anteceder “Os Vingadores”, “O Incrível Hulk” se beneficiou com a condução ágil do francês Louis Leterrier, que concebeu de maneira imaginativa todas as sequências de ação. No entanto, o filme acaba comprometido pela escalação totalmente equivocada de Edward Norton, que nada combina com a figura de Bruce Banner e muito menos com o do Gigante Esmeralda. Outro fator comprometedor é a decisão em não tornar “O Incrível Hulk” uma história de origem, aproveitando-se estranhamente das aventuras anteriores do personagem, como o péssimo filme de Ang Lee produzido em 2003.

Homem de Ferro 2, de Jon Favreau (Iron Man 2, 2010) 2 Stars
Uma continuação que se enquadra perfeitamente na descrição mais do mesmo, uma vez que “Homem de Ferro 2” não tem absolutamente nada de novo para apresentar. Mesmo com a presença de Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) e um novo vilão (Mickey Rourke), a direção sem personalidade de Jon Favreau apenas resgata o que deu certo no primeiro filme sem ousar. O show fica novamente por conta de Robert Downey Jr., ainda mais confortável como o protagonista.

Thor, de Kenneth Branagh (idem, 2011) 2 Stars
Entre todos os filmes da franquia, “Thor” provavelmente é aquele que mais destoa do grupo, tendo grande parte de sua narrativa ambientada no reino de Asgard. Outra curiosidade estranha é o nome de Kenneth Branagh, conhecido como o mais shakespeariano dos diretores, por trás das câmeras. Os melhores momentos da aventura são aqueles ambientados em nosso planeta em que o Deus do Trovão parece avesso aos costumes dos seres humanos.
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Capitão América – O Primeiro Vingador, de Joe Johnston (Captain America – The First Avenger, 2011) 2 Stars
Em termos técnicos, “Capitão América – O Primeiro Vingador” é de longe o melhor título da lista. Direção de arte, figurinos, fotografia e efeitos visuais são fascinantes. Por outro lado, o roteiro, calcado no patriotismo do protagonista, não decola devido a presença de um vilão insosso – no caso, o Caveira Vermelha, interpretado pelo australiano Hugo Weaving. Ao menos vale a pena chegar ao clímax, orquestrado com grande emoção por Joe Johnston.

Curiosidades

* De “Homem de Ferro” a “Os Vingadores” aconteceram duas mudanças significativas no elenco. Terrence Howard foi substituído por Don Cheadle para o papel de Rhodey em “Homem de Ferro 2” por não aceitar uma diminuição de salário (Howard recebeu um valor superior ao de Robert Downey Jr. por ser o primeiro a assinar contrato para participar de “Homem de Ferro”). Já Edward Norton não topou reprisar o papel de Bruce Banner em “Os Vingadores” devido as divergências que teve com roteirista e produtores de “O Incrível Hulk”.

* Um dos criadores de “Os Vingadores”, Stan Lee faz aparições especiais em todos os filmes da franquia.

* O ator inglês Paul Bettany é quem dá voz a Jarvis, computador de inteligência artificial de Tony Stark

* Nicolas Cage e Tom Cruise estavam realmente interessados em viver Tony Stark, papel que ficou com Robert Downey Jr., ator que levantava dúvidas em vivê-lo devido aos problemas com drogas no passado.

* “O Incrível Hulk” foi o único filme da franquia que não obteve uma bilheteria satisfatória, o que talvez justifique a repaginada dada em Bruce Banner em “Os Vingadores”.

* “Thor” representou o retorno da americana Rene Russo ao cinema. Seu último trabalho havia sido a comédia “Os Seus, Os Meus e os Nossos”, produzida em 2006.

* Sam Raimi planejava filmar “Thor” nos anos 1990 após o sucesso de “Darkman – Vingança Sem Rosto”, longa-metragem também adaptado de uma história em quadrinhos

* Tom Hiddleston foi considerado para viver Thor. Porém, o diretor Kenneth Branagh acreditou que ele renderia mais no papel do vilão Loki.

* Antes da confirmação de Chris Evans para viver o Capitão América, inúmeros atores foram considerados para o papel. Entre eles estavam Will Smith, Channing Tatum, Chace Crawford, Jensen Ackles, Alexander Skarsgård e Ryan Phillippe,

* “Capitão América – O Primeiro Vingador” foi o sexto filme adaptado de uma história em quadrinhos que Chris Evans participou. Anteriormente, o ator esteve em “Quarteto Fantástico”, “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, “Push”, “Os Perdedores” e “Scott Pilgrim Contra o Mundo”, além de emprestar a voz para “As Tartarugas Ninja – O Retorno”.

* Atualmente, “Os Vingadores” é o filme que ocupa a terceira posição das maiores bilheterias da história do cinema. Em primeiro e segundo lugar estão, respectivamente, “Titanic” e “Avatar”, ambos de James Cameron.

Resenha Crítica | Cada Um Tem a Gêmea Que Merece (2011)

Assistir a uma comédia protagonizada por Adam Sandler é um verdadeiro risco. Se em um momento ele está à frente de produções divertidas como “Tratamento de Choque” (que inspira o novo seriado do canal FX protagonizado por Charlie Sheen, “Anger Management”) “Como se Fosse a Primeira Vez” e “Esposa de Mentirinha”, em outro faz tolices como “Um Faz de Conta Que Acontece”, “Gente Grande” (com sequência atualmente em filmagens) e este “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”, nova parceria do comediante com o diretor Dennis Dugan.

A fórmula secreta dos filmes mais bem-sucedidos de Adam Sandler é simples. O comediante faz praticamente o mesmo papel, mas funciona quando contracena com alguém suficientemente talentoso ou carismático para compensá-lo. Ou seja: não é difícil alguém extrair algo de intérpretes como Jack Nicholson, Drew Barrymore e Jennifer Aniston, mesmo tendo de trocar diálogos com alguém inferior em todos os aspectos.

Na trama, Jack e Jill (papéis de Sandler) são irmãos que jamais se deram bem. As razões são bem compreensíveis. Se Jack é um sujeito insosso e egoísta, Jill é uma mulher extremamente insuportável e ingênua. As piadas nada inspiradas surgem assim que fica forte o desejo de Jack  em evitar Jill ao mesmo instante em que ela tenta criar vínculos com ele. Como esperado, a composição de Sandler para incorporar os dois papéis é desastrosa e a impressão de que “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” se tornaria menos ruim caso David Spade vivesse os dois papéis é inevitável, uma vez que a cena que ele protagoniza (ele faz uma mulher chamada Monica) é a única a extrair alguma risada.

“Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” provavelmente é o pior filme de Sandler porque temos de aturá-lo em dose dupla sem alguém minimamente bom para dar algum suporte às piadas. A presença de Al Pacino pode até tornar contraditória essa afirmação, mas o veterano está há tanto tempo atuando no automático no cinema que vê-lo interpretando uma versão de si mesmo é mais constrangedor do que hilário. Se há algum acerto envolvendo “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” está nos troféus que arrebatou em todas as categorias para o qual foi indicado na última edição do Framboesa de Ouro.

Título Original: Jack and Jill
Ano de Produção: 2011
Direção: Dennis Dugan
Roteiro: Adam Sandler e Steve Koren
Elenco: Adam Sandler, Katie Holmes, Al Pacino, Elodie Tougne, Rohan Chand, Eugenio Derbez, David Spade, Nick Swardson, Tim Meadows, Allen Covert, Norm MacDonald, Geoff Pierson, Valerie Mahaffey, Gary Valentine, Shaquille O’Neal, Dennis Dugan, Rob Schneider e Johnny Depp
Cotação:

Shame

Brandon (Michael Fassbender) é um homem que possui um emprego bem-sucedido em Nova York. Dono de um belo apartamento, ele parece ter como único amigo o seu chefe David (James Badge Dale), um homem casado e infiel. Apesar desse relacionamento em que há espaço para intimidade e franqueza, David mal desconfia que Brandon seja um viciado em sexo, alguém que ocupa suas noites com prostitutas, sites e revistas pornográficas. Se houver uma brecha durante o trabalho, Brandon não hesita em ir ao banheiro para se masturbar ou usar a memória de seu computador para armazenar vídeos e imagens impróprias.

A chegada surpresa de sua irmã Sissy (Carey Mulligan) o deixará totalmente perturbado, uma vez que ele não conseguirá seguir com os seus hábitos privados com a presença de uma pessoa dividindo por tempo indeterminado o mesmo ambiente com ele. Não demora para vermos que Sissy é uma figura desequilibrada. Ela é uma ótima cantora que realiza apresentações em bares de classe, mas as constantes mudanças que faz de cidade para cidade revelam uma jovem mulher incapaz de se situar tanto fisicamente quanto emocionalmente.

Ambos revelados em “Hunger” (longa-metragem produzido em 2008 ainda inédito no Brasil) o cineasta Steve McQueen e o ator Michael Fassbender realizam uma nova parceria em “Shame”. O resultado é surpreendente, uma vez que Michael Fassbender se entrega de corpo e alma para que Steve McQueen consiga conceber um drama em que é discutido um tema polêmico sem muitas reservas. Há em “Shame” inúmeras sequências de sexo e nudez, mas elas comunicam muito sobre os tormentos internos do protagonista, não se valendo apenas da exploração física. Brandon mais sofre do que se excita no ato sexual.

Além disso, é importante se atentar nas interações incômodas que há entre Brandon e Sissy. Mesmo que fiquemos no escuro, é possível imaginar possibilidades que justifiquem tanto o vício por sexo de Brandon quanto a instabilidade de Sissy.

Se “Shame” comete um deslize é colocar infidelidade como outro tema em foco. Quando isto acontece, o texto de Abi Morgan (que escreveu recentemente “A Dama de Ferro”) e também de Steve McQueen se mostra totalmente moralista, dando importância ao velho valor de que não há satisfação no sexo sem compromisso. Algo que se confirma em cenas como aquela do flerte em um metrô entre Brandon e uma desconhecida (Lucy Walters) comprometida.

Título Original: Shame
Ano de Produção: 2011
Direção: Steve McQueen
Roteiro: Abi Morgan e Steve McQueen
Elenco: Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale, Nicole Beharie, Lucy Walters, Mari-Ange Ramirez, Alex Manette, Hannah Ware, Elizabeth Masucci, Rachel Farrar, Loren Omer e Anna Rose Hopkins
Cotação: 3 Stars

Resenha Crítica | Jovens Adultos (2011)

Mavis Gary (Charlize Theron) é um tipo de protagonista que raramente é retratada no cinema. Não há muito que dizer de positivo sobre esta mulher de 37 anos, que em certos instantes parece não se tocar de que a fase gloriosa de jovem mais desejada e popular do colégio há muito se passou. Mavis tem comportamentos egoístas, fala o que quer e jamais força uma mudança neste ponto atual e medíocre da sua vida, mas ela também não é uma má pessoa. É na maneira minuciosa e honesta com que a roteirista Diablo Cody (Oscar por “Juno”) desenha esta personagem que está o maior mérito de “Jovens Adultos”.

No momento em que a história inicia, Mavis está divorciada, com um deadline para finalizar o último volume de uma série de livros juvenis (ela é uma ghost writer) e reclusa em seu apartamento na maior parte do dia executando atividades banais como comer alimentos nada nutritivos e se exercitar através da tevê.

Eis que um e-mail deixa Mavis inquieta. Seu namorado nos tempos do colégio, Buddy Slade (Patrick Wilson), ainda vive na cidade de Mercury, Minnesota, e está casado com Beth (Elizabeth Reaser). Talvez por engano, uma mensagem foi encaminhada para Mavis avisando que haverá uma comemoração para o primeiro bebê do casal. Mavis enxerga aí a possibilidade de retornar aos tempos áureos de sua vida revendo todas aquelas pessoas até então deletadas de sua memória.

Afastada dos cinemas (sua última participação se deu em uma participação especial em “A Estrada”), Charlize Theron retorna perfeita em “Jovens Adultos”. Linda e talentosa, Charlize consegue nos fazer criar uma enorme empatia com Mavis, alguém na qual, querendo ou não, todo mundo tem um pouco. Já Diablo Cody, além de conceber esta grande personagem, cria inúmeros diálogos espertos. Muitos dos instantes em que Mavis tenta reconquistar Buddy são brilhantes.

Infelizmente, “Jovens Adultos” não consegue alçar voos mais altos com Jason Reitman conduzindo esta história. Não há dúvidas de que o cineasta canadense está construindo uma filmografia muito mais válida em comparação com os filmes mais recentes do seu pai, Ivan Reitman. Por outro lado, sua marca autoral contamina a história com uma frieza incômoda. Pouco se sente o peso que o passado de Mavis tem sobre ela e muito menos as consequências emocionais de um casamento fracassado. Nas mãos de um cineasta como Alexander Payne, que com “Eleição” fez Reese Witherspoon incorporar um papel tão fascinante quanto o de Charlize Theron, “Jovens Adultos” seria um arraso de filme.

Título Original: Young Adult
Ano de Produção: 2011
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Diablo Cody
Elenco: Charlize Theron, Patton Oswalt, Patrick Wilson, Elizabeth Reaser, Collette Wolfe, Jill Eikenberry, Richard Bekins, Mary Beth Hurt, Kate Nowlin, Elizabeth Ward Land, Louisa Krause e J.K. Simmons