Resenha Crítica | O Substituto (2011)

Há vários exemplos de encenações dramáticas entre alunos e professores no cinema que buscam comprovar a importância que um tem para o outro através de um relacionamento inicialmente conturbado, mas que chega ao final com alguma mensagem edificante. Aqueles que esperam que a fórmula se repita em “O Substituto” ficarão estarrecidos, entretanto.

O inglês Tony Kaye não conseguiu distribuição para nenhum dos seus projetos após “A Outra História Americana”, mas a fúria com que conduz sua obra permanece intacta. Em “O Substituto”, Adrien Brody vive Henry Barthes, um professor substitutivo que consegue a oportunidade de trabalhar temporariamente na escola dirigida por Carol Dearden (Marcia Gay Harden). A sua vida privada é tão desmotivadora quanto a profissional, investindo o tempo entre visitar o avô moribundo (Louis Zorich) e habitar o seu apartamento vazio e melancólico.

Henry é o personagem central de “O Substituto”, mas a história sempre registra o íntimo dos profissionais que o cercam, todos igualmente infelizes. São professores presos em um ambiente em que claramente não há alunos interessados em avançarem em suas vidas, enfraquecendo qualquer intenção de se inserirem como figuras exemplares na memória de indivíduos tão jovens e que desconhecem o mundo cão presente fora da salas de aula.

Qualquer diretor que se dedique em fazer um drama que não console o espectador ao mostrar um registro tão próximo do nosso dia a dia automaticamente se garante como um artista de olhar autêntico. Se Tony Kaye não conquista outros méritos é porque a todo o momento notamos a sua mão pesada em “O Substituto”.

Com uma câmera agressiva e o texto feroz de Carl Lund, o cineasta parece interessado apenas na desgraça que ronda a existência dos seus personagens, sem oferecer qualquer oportunidade para que isto seja revertido. Não parece suficiente atordoar-nos ao mostrar o passado e presente horrendos de Henry, é preciso também destacar a insignificância do professor interpretado por Tim Blake Nelson diante dos outros ou o efeito nulo provocado pelas palavras ditas pela psicóloga incorporada por Lucy Liu.

Se “O Substituto” não é mais doloroso de se ver é porque há ao menos algum indício de otimismo neste limbo, algo que se vê na presença de Erica (a excelente Sami Gayle), garota de programa e menor de idade que cruza o caminho de John. Se mantivesse o equilíbrio que se vê no relacionamento entre ambos em todas as outras passagens da história, “O Substituto” provavelmente não nos marcaria apenas pelos motivos errados.

Título Original: Detachment
Ano de Produção: 2011
Direção: Tony Kaye
Roteiro: Carl Lund
Elenco: Adrien Brody, Marcia Gay Harden, James Caan, Christina Hendricks, Lucy Liu, Blythe Danner, Tim Blake Nelson, William Petersen, Bryan Cranston, Sami Gayle, Betty Kaye, Louis Zorich e Isiah Whitlock Jr.

Resenha Crítica | Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (2011)

Realizador de filmes superestimados como “Snatch – Porcos E Diamantes” e “Rock’n’Rolla – A Grande Roubada”, o inglês Guy Ritchie parecia uma escolha inadequada para dar uma nova roupagem a Sherlock Holmes, celebre detetive criado por Arthur Conan Doyle. Provou o contrário quando lançou “Sherlock Holmes” em 2009. O acerto não se concentrava apenas na escolha de Robert Downey Jr. para viver o protagonista, pois Guy Ritchie conseguiu introduzir na aventura um humor à lá Jack Sparrow (o famoso papel de Johnny Depp na franquia “Piratas do Caribe”) que combinava com a trama investigativa.

Com o grande sucesso de “Sherlock Holmes”, a realização de uma sequência era inevitável. Infelizmente, “Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras” sofre do mal que abate várias continuações. Ciente dos acertos do primeiro filme, Guy Ritchie apenas os reutilizou e acrescentou poucas novidades que vão se enfraquecendo ao longo da história escrita pela dupla Kieran e Michele Mulroney (diretores de “Tempo de Crescer”).

O maior exemplo disto está na introdução de uma nova personagem, a cigana Simza (Noomi Rapace), que vai sendo deixada em segundo plano assim que o embate entre Sherlock Holmes e o professor James Moriarty (o ótimo Jared Harris, filho de Richard Harris) ganha potência. Também incomoda o tour feito pelo detetive e o seu fiel escudeiro Doutor Watson (Jude Law) em Londres, Paris e Alemanha, rendendo ao filme um ritmo claudicante.

Desta vez, Sherlock Holmes “rouba” Watson de sua lua de mel com Mary (Kelly Reilly) para que ele possa ajudá-lo a desmascarar Moriarty, conceituado professor com incríveis capacidades matemáticas que espalha o terror pela Europa sem que ninguém desconfie de sua identidade. A missão se torna pessoal quando Moriarty cruza rapidamente o caminho de Irene Adler (Irene Adler), o amor mal resolvido de Sherlock. Em meio a esta perseguição, algumas boas cenas de ação, a exemplo do bombardeio na floresta, surgem para espantar um pouco os bocejos e a constante sensação de repetição.

Título Original: Sherlock Holmes: A Game of Shadows
Ano de Produção: 2011
Direção: Guy Ritchie
Roteiro: Kieran Mulroney e Michele Mulroney, baseado nos personagens de Arthur Conan Doyle
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Rachel McAdams, Jared Harris, Stephen Fry, Paul Anderson, Kelly Reilly, Geraldine James, Eddie Marsan, William Houston, Joe Egan e Clive Russell

Resenha Crítica | Jane Eyre (2011)

Publicado em 1847, “Jane Eyre”, romance da inglesa Charlotte Brontë, tem conseguido força para sobreviver a cada nova geração. Embora muitos apontem similaridades com as obras de Jane Austen, o segredo do sucesso de “Jane Eyre” está em sua história cercada por uma atmosfera gótica, assim como na sua fórmula romântica infalível.

Não há como descartar o cinema e a televisão como mídias que mantém “Jane Eyre” vivíssimo. Afinal, há um século temos adaptações em vários formatos, seja em curta-metragem e longa-metragem, seja em minissérie e telefilme. É difícil apontar a versão conduzida por Cary Fukunaga (“Sin Nombre”) como definitiva, mas o fascínio pelo texto de Charlotte Brontë permanece.

Órfã, Jane Eyre (a excelente Amelia Clarkson) vive sob os cuidados da senhora Reed (Sally Hawkins), sua tia detestável que rapidamente lhe envia para um rígido internato após uma séria discussão. Os anos em que viveu isolada lhe transformaram em uma jovem amarga, mas obstinada em viver de maneira independente. Já no corpo da australiana Mia Wasikowska, Jane consegue se tornar governanta do castelo de Rochester (Michael Fassbender), homem muito mais velho que não resiste a sua forte personalidade e que tem um passado oculto.

Há requinte nesta mais recente versão de “Jane Eyre”, que inexplicavelmente recebeu lançamento direto para o mercado de homevideo no Brasil. Nos departamentos técnicos, destacam-se a esplêndida fotografia do brasileiro Adriano Goldman e também a música do italiano Dario Marianelli (o mesmo de “Desejo e Reparação”). Também não há como não elogiar as performances de Mia Wasikowska e Michael Fassbender, que preenchem de emoção os diálogos escritos por Moira Buffini. Como ressalva, há apenas o tom sobrenatural presente na narrativa que se mostra dispensável diante do conturbado romance que se estabelece entre os protagonistas.

Título Original: Jane Eyre
Ano de Produção: 2011
Direção: Cary Fukunaga
Roteiro: Moira Buffini, baseado no romance homônimo de Charlotte Brontë
Elenco: Mia Wasikowska, Michael Fassbender, Judi Dench, Jamie Bell, Sally Hawkins, Craig Roberts, Imogen Poots, Holliday Grainger, Tamzin Merchant, Freya Parks, Romy Settbon Moore, Harry Lloyd e Valentina Cervi

Os Cinco Filmes Prediletos de Kamila Azevedo

Recentemente, admiti que manter um blogue de cinema era mais divertido ou mesmo construtivo no passado. Especificamente, em 2007, ano em que nasceu o Cine Resenhas. Penso que foi um momento em que tudo era mais interativo, onde postar uma impressão sobre um filme sempre rendia um debate saudável, permitindo conhecer amigos que compartilham a mesma paixão pelo cinema. De lá para cá, a blogosfera ficou saturada. Muitos blogues encerraram suas atividades e um texto bem produzido rende mais comentários vazios sobre a avaliação (numérica ou com estrelas) que você deu do que a relevância da obra analisada, o que acaba sendo bem desmotivador.

Felizmente, ainda há pessoas que velam pelo bem da blogosfera cinéfila. Kamila Azevedo definitivamente é uma delas. Nascida e criada em Natal, Kamila é editora do Cinéfila por Natureza desde novembro de 2005. Quase sete anos depois, continua preservando o endereço com fervor. Além de comentar os últimos filmes que assistiu na tela grande, Kamila ainda escreve sobre suas recentes leituras, as grandes premiações cinematográficas e teatro. É muito popular no Cinéfila por Natureza o Cena da Semana, seção em que tece comentários pessoais sobre momentos-chave de filmes ou mesmo de acontecimentos do dia a dia.

Fã de carteirinha do ator Edward Norton, da atriz Audrey Hepburn e do cantor Marcelo Camelo, Kamila se destaca pela escrita singular, permitindo que os seus leitores consigam captar o que há de mais emotivo em um filme. Verdadeiro exemplo disto se vê na lista a seguir, em que Kamila nos apresenta os seus cinco filmes favoritos.

As Horas, de Stephen Daldry (The Hours, 2002)
Meu filme e livro favoritos. Acredito muito que uma boa adaptação cinematográfica é aquela que oferece uma visão independente do livro na qual se inspira e acho que a dupla David Hare e Stephen Daldry foi muito feliz ao transporem a narrativa de Michael Cunningham para a grande tela, especialmente porque a narrativa é muito densa e complicada. Três mulheres, em três décadas distintas, todas lidando, de uma certa maneira, com os mesmos conflitos, com as suas alegrias e tristezas, e sendo deparadas com decisões importantes a se tomar. O que eu mais amo em “As Horas” é que o filme mostra a nossa capacidade de livre arbítrio e revela como a nossa vida está diretamente relacionada às escolhas que fazemos. É um filme que mostra, por meio da coragem de Virginia Woolf, de Laura Brown e de Clarissa Vaughan, que o importante é sempre encarar a vida de frente e que não é sinônimo de fraqueza desistir no meio do caminho.

Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornattore (Nuovo Cinema Paradiso, 1988)
Esse é um filme que tem um significado especial pra mim, pois foi um dos primeiros longas que assisti no cinema. Tanto que me lembro até hoje das circunstâncias nas quais o assisti. Tinha 8 anos e estávamos passando a Semana Santa em João Pessoa-PB, com um grupo de amigos dos meus pais. Numa noite, eles decidiram colocar a gente (todos os filhos) na sala de cinema da galeria de lojas que tinha dentro do hotel, enquanto eles iriam aproveitar a noite da cidade. O filme que estava passando era “Cinema Paradiso”. Enquanto as outras crianças ficavam se divertindo jogando pipoca na tela, eu fiquei completamente hipnotizada pelo que vi em tela. Foi uma das experiências mais mágicas da minha vida dentro da sala escura. Por meio da relação entre Alfredo e Totó, da trilha de Ennio Morricone e da maestria das imagens de Giuseppe Tornatore, me apaixonei por completo pela sétima arte e, desde esse dia, a minha vida não foi mais a mesma.

Orgulho e Preconceito, de Joe Wright (Pride & Prejudice, 2005)
Sou uma besta para comédias românticas e essa, definitivamente, é a minha favorita de todas. Já perdi as contas de quantas vezes assisti. O que mais me fascina nessa história é a forma como a Jane Austen enxerga o amor. Acertadamente, ela sabe que um sentimento desses vem do conhecimento entre as pessoas. E é justamente essa a jornada de Mr. Darcy e de Elizabeth Bennet nesse filme. A partir do preconceito dele e do orgulho dela e da forma como isso vai entrando na relação que se estabelece entre eles, temos o território perfeito para o nascimento de uma das mais belas histórias de amor da literatura/cinema. Além disso, este é um filme especial por se caracterizar como uma comédia de costumes sobre a Inglaterra do século XIX em que o destino das mulheres, na realidade, estava muito condicionado ao casamento que elas arranjavam. E era essa a conjuntura em que se encontravam as cinco filhas da família Bennet. Um filme viciante!

O Mágico de Oz, de Victor Fleming (The Wizard Of Oz, 1939)
Para mim, esse longa é uma daquelas obras atemporais. Acho maravilhosa a forma como foi concebida do ponto de vista estético, com o Kansas de Dorothy sendo retratado em preto e branco e o mundo de Oz sendo todo colorido, quase que representando a abertura de um território novo para a jovem Dorothy. Mas, talvez o que eu mais goste neste filme é o fato de que a jornada da personagem principal nos lembra que é possível para a gente sonhar e desejar viver experiências diferentes, pois a gente tem a certeza de que temos sempre a segurança de nossa casa e de nossa família para nos acolher se algo der errado. Afinal, parte do nosso futuro está em saber de onde viemos.

Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder (Sunset Blvd., 1950)
Na minha opinião, este é o melhor filme de todos os tempos. O roteiro é muito corajoso, especialmente na crítica que faz à indústria cinematográfica hollywoodiana. De um lado, um aspirante à roteirista. Do outro, uma ex-estrela do cinema mudo que, agora, vive na obscuridade. Ambos estabelecem uma relação de extrema dependência entre si, pois um possui um interesse bastante específico no outro. Com base nisso, o grande diretor Billy Wilder construiu um longa cheio de momentos clássicos sobre personalidades doentias e sobre um sistema que é repleto de falhas. A cena final, desde já, é um dos momentos mais definitivos da história do cinema, com a grande atuação de Gloria Swanson, ela mesma uma ex-estrela do cinema mudo que caiu no esquecimento na transição pro cinema falado.

Resenha Crítica | Resident Evil 5 – Retribuição (2012)

Com “Resident Evil 4 – Recomeço”, Paul W.S. Anderson deu novo fôlego a um universo que ele mesmo criou com “Resident Evil – O Hóspede Maldito”. O diretor inglês não apenas resgatou o que havia de melhor na franquia “Resident Evil” como também a elevou a um novo patamar com o uso perfeito da tecnologia 3D. Testemunha da evolução do formato com “Avatar”, Paul W.S. Anderson contou com o auxílio de James Cameron para usar nos sets de filmagens as mesmas câmeras com sistema 3D desenvolvidas para a ficção científica de maior bilheteria na história do cinema.

Aqueles que tiveram a oportunidade de assistir “Resident Evil 4 – Recomeço” nos cinemas em 3D provavelmente ficaram boquiabertos com uma série de cenas, especialmente aquela em que Alice (Milla Jovovich) e Claire Redfield (Ali Larter) enfrentam o assustador Axeman, o monstrengo que usa um machado gigante para dilacerar suas vítimas. O uso bem empregado do 3D também contribuiu para que o filme, adaptado de um dos games mais populares da Capcom, estabelecesse uma interação inédita com a plateia, um feito até então não alcançado por outros títulos do mesmo segmento.

Portanto, nada mais esperado do que Paul W.S. Anderson conseguir repetir esta prazerosa experiência com “Resident Evil 5 – Retribuição”, capítulo também rodado com a mesma tecnologia e que inicia do mesmo ponto em que “Resident Evil 4 – Recomeço” havia terminado. Infelizmente, “Resident Evil” não escapou da maldição da parte cinco, aquela em que franquias cinematográficas (especialmente do gênero horror) atingem o fundo do poço em seu quinto episódio.

Quem não tiver tempo de fazer uma maratona “Resident Evil”, “Retribuição” presta um grande serviço com uma introdução em que Alice relembra os principais eventos de “O Hóspede Maldito”, “Apocalipse”, “A Extinção” e “Recomeço”. Após ela, não demoramos para perceber que as ideias de Paul W.S. Anderson para a franquia se esgotaram, uma vez que a história é praticamente a mesma de sempre. Alice continua com a sua missão de deter os planos da Umbrella Corporation em dizimar a raça humana. O problema é que ela foi novamente manipulada pela organização, despertando em um cenário em que velhos conhecidos como Rain (Michelle Rodriguez) e Carlos Oliveira (Oded Fehr) são clones com identidades distintas. Na liderança deste time do mal está Jill Valentine (Sienna Guillory), também manipulada pela Umbrella Corporation.

Maior vilão de “Recomeço”, Albert Wesker (Shawn Roberts) permanece vivo, mas desiste dos seus planos anteriores de eliminar Alice, uma vez que a Rainha Vermelha (codinome do sistema de defesa com inteligência artificial da Umbrella Corporation) está disposta em fazer com que as criaturas mutantes acabem com o grupo minúsculo de sobreviventes que restaram na Terra. Para impedir que isto aconteça, Alice une forças com outros heróis, como Ada Wong (Bingbing Li), Leon Kennedy (Johann Urb), Barry Burton (Kevin Durand) e até mesmo Luther West (Boris Kodjoe), que apareceu em “Recomeço”.

Verdade que, apesar do sucesso, a franquia “Resident Evil” não tem uma reputação muito favorável. Porém, a precariedade que “Retribuição” atinge é embaraçosa. Milla Jovovich continua mostrando suas incríveis habilidades físicas, mas ela nunca esteve tão blasé como se vê aqui. Pior são os casos de Michelle Rodriguez, Oded Fehr e Sienna Guillory, que foram infelizes em retornarem à franquia e que estão constrangedores ao lidarem com ao menos dois papéis.

As sequências de ação também ficam devendo. Há uma tentativa de emular as peculiaridades do game, contando a história como se seus personagens passassem por fases. No entanto, ela resulta frustrada pela pouca habilidade de Paul W.S. Anderson em equilibrar dois segmentos, especialmente no segundo ato, em que a tensão da ação protagonizada por Alice e Ada em Nova York é enfraquecida toda vez que o foco muda para a missão liderada por Leon, Barry e Luther em Moscou. Sem dizer que Paul W.S. Anderson reaproveita sem qualquer cerimônia os melhores momentos de “Recomeço” (como a abertura situada em Tóquio) e usa inúmeras vezes o bullet time, deixando qualquer fã de “Matrix” saturado.

Se há algo de animador em “Resident Evil 5 – Retribuição” é a sua conclusão. Depois de uma hora e meia de personagens andando quase a esmo, “Retribuição” surge com a promessa de um encerramento épico. Como já foi noticiado, Paul W.S. Anderson tem planos de concluir a franquia em seu sexto capítulo. Porém, para que isto aconteça, dependerá da boa vontade do público com “Retribuição” – será se ele se contentará com tão pouco?

Título Original: Resident Evil: Retribution
Ano de Produção: 2012
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Sienna Guillory, Michelle Rodriguez, Bingbing Li, Boris Kodjoe, Johann Urb, Robin Kasyanov, Kevin Durand, Ofilio Portillo, Oded Fehr, Colin Salmon, Shawn Roberts e Aryana Engineer

Resenha Crítica | Apenas Uma Noite (2010)

No início de “Apenas Uma Noite”, Joanna (Keira Knightley) inicia uma séria discussão sobre infidelidade com o marido Michael (Sam Worthington). A motivação foi a desconfiança que surgiu quando ela o flagrou conversando com Laura (Eva Mendes), uma companheira de trabalho. Ambos decidiram viver juntos em um apartamento em Nova York ainda muito jovens e a sensação de que foram precipitados nesta escolha é clara. Porém, é na noite seguinte que será realmente testado não apenas a fidelidade de Michael, mas também de Joanna.

Após Joanna admitir que exagerou nas acusações contra Michael, ele precisa deixá-la sozinha para uma viagem de negócios com Laura e mais um amigo. Eis que durante a manhã Joanna revê Alex (Guillaume Canet, que recentemente dirigiu “Até a Eternidade”), um ex-namorado francês pelo qual ela nunca deixou de amar. Alex irá embora no dia seguinte e marca um jantar com ela para colocar o papo em dia. Neste reencontro, Joanna é assolada justamente pelas mesmas dúvidas que dispensou em seu marido.

Paralelamente, a história também nos mostra a resistência de Michael quanto aos flertes de Laura, que ignora o fato de ele ser comprometido. Sozinhos durante a noite, Michael e Laura desabafam sobre os rumos que suas vidas tomaram a partir do momento em que se relacionaram seriamente com alguém e parecem cada vez mais dispostos em irem para a cama.

Histórias sobre infidelidade não são novidades no cinema contemporâneo, mas “Apenas Uma Noite” se sobressaí pelo amadurecimento com que constrói a interação entre personagens. Michael e Joanna, Alex e Laura são figuras críveis e com personalidades que conseguem fisgar o espectador. Além do mais, a direção da estreante Massy Tadjedin (iraniana que roteirizou o suspense “Camisa de Força”, com Adrien Brody e Keira Knightley) prima pela elegância e bom gosto, situando seus protagonistas em ambientes em que sempre há a presença de espelhos e janelas como modo para refletirem suas consciências e moralidades.

Ainda assim, parece existir um grande desequilíbrio em “Apenas Uma Noite”. A realizadora se deixou contaminar em demasia pelas passagens em que Joanna e Alex são o destaque, enquanto aquelas em que vemos Michael e Laura parecem jogadas de escanteio – um pouco mais de atenção fará qualquer um perceber que, no resultado final, a interação entre eles totaliza um tempo na tela muito menor. É como se a realizadora se influenciasse e identificasse mais por Joanne e menos por Michael, o que corrobora uma decisão que deveria partir do espectador, não dela.

Título Original: Last Night
Ano de Produção: 2010
Direção: Massy Tadjedin
Roteiro: Massy Tadjedin
Elenco: Keira Knightley, Sam Worthington, Guillaume Canet, Eva Mendes, Griffin Dunne, Justine Cotsonas, Scott Adsit, Daniel Eric Gold, Christian Lorentzen, Anson Mount, Karen Pittman, Rae Ritke e Stephanie Romanov

Resenha Crítica | Lola Contra o Mundo (2012)

Todos nós estabelecemos ou iremos estabelecer uma idade na qual temos que estar com a nossa vida devidamente nos eixos. Engravidar, sair da casa dos pais, se formar na faculdade ou formar uma família são apenas alguns dos planos que acompanham qualquer indivíduo. Lola (Greta Gerwig) é assim como nós e quer se casar antes de se tornar trintona. Porém, a vida é cheia de pegadinhas e Lola cairá em várias delas.

Lola é pedida em casamento por Luke (Joel Kinnaman). No entanto, quando se aproxima o grande dia em que irão selar a união, ele é tomado por um nervosismo que o faz desistir de tudo. O problema é que, ao contrário de Luke, Lola parece ter perdido tudo com este rompimento e um vazio rapidamente lhe toma quando reflete que não havia conquistado nada na vida além de uma promessa de matrimônio não concretizada.

A presença dos seus pais (Bill Pullman e Debra Winger, lamentavelmente desperdiçados) e dos melhores amigos Alice (Zoe Lister Jones) e Henry (Hamish Linklater, do seriado “The New Adventures of Old Christine”) deveria trazer serenidade para Lola, mas só a deixa emocionalmente mais confusa.

O americano Daryl Wein chamou a atenção dois anos atrás com o lançamento de “Breaking Upwards”, uma produção que custou apenas 15 mil dólares e que contou com a sua companheira Zoe Lister Jones como protagonista e roteirista. Em “Lola Contra o Mundo” é perceptível as tentativas de conquistar um público mais amplo – não à toa, o estúdio é o mesmo que transformou o também indie(500) Dias Com Ela” um sucesso. Isto não acontece porque “Lola Contra o Mundo” não atinge o público em cheio.

Daryl Wein e Zoe Lister Jones infantilizaram demais a história e deram mais importância para os conflitos de Lola com o amor do que qualquer outra coisa. O fim de um relacionamento despedaça qualquer um, mas as nossas ambições profissionais, o bom convívio com aqueles que nos cercam constantemente e a descoberta do nosso eu interior são indispensáveis quando tentamos nos reerguer de uma queda. Pena que “Lola Contra o Mundo” só dê importância para isto na conclusão da história, que apresenta graça e amadurecimento não testemunhados em nenhum outro momento da projeção.

Título Original: Lola Versus
Ano de Produção: 2012
Direção: Daryl Wein
Roteiro: Daryl Wein e Zoe Lister Jones
Elenco: Greta Gerwig, Joel Kinnaman, Zoe Lister Jones, Hamish Linklater, Bill Pullman, Debra Winger, Ebon Moss-Bachrach, Maria Dizzia, Jonathan Sale, Adriane Lenox, Jay Pharoah, Cheyenne Jackson e Parisa Fitz-Henley

Resenha Crítica | O Monge (2011)

O diretor alemão Dominik Moll tem uma filmografia pequena, mas nela há dois títulos que confirmam sua aptidão para histórias obscuras. São deles “Harry Chegou Para Ajudar” e “Lemming – Instinto Animal”, ambos bem avaliados quando foram lançados em homevideo no Brasil. Em “O Monge”, Dominik Moll lida com o mesmo gênero ao contar uma história religiosa sob estética gótica. Infelizmente, quando o filme consegue causar algum incômodo não é por mérito do diretor, mas sim pelo trabalho musical do compositor Alberto Iglesias aliado aos tons obscuros da fotografia de Patrick Blossier. Também falta ao filme um maior equilíbrio narrativo, com mistérios ganhando respostas ora banais, ora antes do tempo.

Exibido na última edição do Festival Varilux de Cinema Francês e desde ontem em cartaz no Rio de Janeiro, “O Monge” ganhou crítica assinada por mim no Cenas de Cinema. Para conferi-la, basta clicar aqui.

O Ditador

O inglês Sacha Baron Cohen trabalha como ator desde 1995, mas levou dez anos para ser reconhecido mundialmente. A conquista foi alcançada com “Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América“, um mockumentary em que ele vivia o personagem-título, uma figura absurda cujos comportamentos serviam para cutucar a sociedade americana com os seus valores por vezes questionáveis. Embora Sacha Baron Cohen desta vez incorpore Aladeen em “O Ditador”, um indivíduo bem distinto de Borat, as suas alfinetadas politicamente incorretas permanecem intactas. Há o abandonado do estilo mockumentary para fazer uma comédia de estrutura convencional, mas parceria de Sacha Baron Cohen e o diretor Larry Charles ainda se vale de inteligência e humor subversivo, elementos raros no gênero.

No Cenas de Cinema, descrevi com mais detalhes os altos e baixos de “O Ditador”. Para ler a minha crítica, basta clicar aqui.

A Casa Silenciosa

Exibido ano passado no circuito nacional, o uruguaio “A Casa” despertou a curiosidade em inúmeros espectadores por obter um feito curioso: contar uma história em um único plano-sequência. Até o momento, o único filme conhecido ao fazer este experimento com sucesso foi “Arca Russa”, filme de 2002 dirigido por Alexandr Sokurov. Ok, o espectador mais atento conseguia ver, sem muitas dificuldades, os cortes durante a narrativa. O que valia era o medo crescente, daqueles de fazer qualquer um dormir com a luz acessa. Se o remake “A Casa Silenciosa” tinha algo para contribuir seria a melhora na história, pois “A Casa” desapontava por uma resolução aquém das expectativas. Porém, de bom nesta refilmagem americana só mesmo a presença de Elizabeth Olsen, que confirma aqui o talento já notado em “Martha Marcy May Marlene“.

Fiz para o Cenas de Cinema uma crítica para “A Casa Silenciosa”. Para ler, basta clicar aqui.