Espelho, Espelho Meu Vs. Branca de Neve e o Caçador

Espelho, Espelho Meu Vs. Branca de Neve e o CaçadorHoje em dia tem sido fácil se deparar com duas produções que lidam com uma temática quase idêntica. Assim que caiu em domínio público, o livro “A Guerra dos Botões” recebeu duas novas versões cinematográficas produzidas no mesmo ano na França – uma delas foi dirigida por Yann Samuell e já ganhou comentário aqui. Outro caso é o que envolve o diretor Alfred Hitchcock, que recebeu duas homenagens no ano passado. No cinema, Hitch foi incorporado por Anthony Hopkins em “Hitchcock“, produção que nos revela os bastidores de “Psicose”. Já a HBO contratou Toby Jones para vivê-lo em “The Girl”, telefilme em que é dissecado o tumultuado relacionamento profissional entre Hitch e sua última musa loura, Tippi Hedren, nas filmagens de “Os Pássaros” e “Marnie – Confissões de Uma Ladra”.

Hoje faremos uma rápida análise sobre “Espelho, Espelho Meu” e “Branca de Neve e o Caçador”. Separados por um intervalo de aproximadamente dois meses, as duas produções receberam lançamento no primeiro semestre do ano passado e apresentam tons distintos para o conto da Branca de Neve. Enquanto o público-alvo do filme de Tarsem Singh é o infantil, o estreante Rupert Sanders está interessado em chamar a atenção dos adolescentes. Confira a seguir quem é o melhor nesta edição do Filme Vs. Filme.

Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror)Cineasta indiano, Tarsem Singh despontou como um artista capaz de criar imagens poderosas com o clipe “Loosing My Religion”, da banda “REM”. Desde então, realizou quatro longas-metragens em que buscou preservar esta qualidade. Seu último trabalho é “Espelho, Espelho Meu”, em que atualiza livremente a famosa história dos irmãos Grimm cuja versão cinematográfica mais famosa é a clássica e insuperável animação da Disney “Branca de Neve e os Sete Anões”. Sua intenção é comandar uma produção também direcionada ao público infantil e o resultado é satisfatório. Algumas cenas em que há um tom cartunesco não funcionam, como aquela em que o serviçal interpretado por Nathan Lane é transformado em uma barata como castigo imposto pela Rainha Má de Julia Roberts. Aliás, a estrela, que há anos estava devendo uma boa aparição na telona, está bem à vontade incorporando a vilã, representando uma das melhores qualidades de “Espelho, Espelho Meu”. Além de Julia Roberts, Lily Collins (como Branca de Neve), Armie Hammer (como o Príncipe) e o septeto de intérpretes anões comprovam a acertada escalação para formar o elenco da fantasia. Além do visual, é impossível não se deslumbrar com os figurinos da japonesa Eiko Ishioka, cujo último trabalho antes de morrer confere exageros e fortes tonalidades que casam com perfeição com o universo de Branca de Neve.

Título Original: Mirror, Mirror
Ano de Produção: 2012
Direção: Tarsem Singh
Roteiro: Jason Keller e Marc Klein
Elenco: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Sean Bean, Nathan Lane, Mare Winningham, Michael Lerner, Robert Emms, Martin Klebba, Danny Woodburn, Mark Povinelli, Joe Gnoffo, Jordan Prentice, Sebastian Saraceno, Ronald Lee Clark, Chantal Hunt, Jason Cavalier e Kimberly-Sue Murray

Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman)A pulada de cerca entre o diretor Rupert Sanders e a protagonista Kristen Stewart fora dos bastidores repercutiu muito mais que a versão gótica do conto de “Branca de Neve e os Sete Anões” realizada pela dupla. Fuxicos à parte, “Branca de Neve e o Caçador” surge com a intenção de se transformar em uma franquia, mas o pontapé inicial não é muito promissor. A maior expectativa aqui era acompanhar a história pela perspectiva de Ravenna, a madrasta má encarada com o talento e beleza usuais de Charlize Theron. Quando a Branca de Neve de Kristen Stewart sai da posição de coadjuvante, “Branca de Neve e o Caçador” caminha em duas direções. A primeira é preservar o conto original e a segunda acrescenta novos elementos (o que inclui a entrada do Caçador de Chris “Thor” Hemsworth) que configurarão em uma resolução diferente do esperado. Mesmo que tenha feito mais sucesso que “Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador” é inferior em termos de entretenimento. O trabalho técnico é impecável (grandes atores como Bob Hoskins e Eddie Marsan surgem aqui diminutos como os anões que se aliam a Branca de Neve), mas Kristen Stewart é um erro para viver a jovem heroína. Não se trata apenas por ser apontada como mais bela Ravenna (definitivamente ela não é), mas de convencer como uma guerreira. É difícil acreditar na bravura de Branca de Neve quando a história nos quer fazer crer de que ela pode  brandir espada e escudo sem qualquer treinamento prévio. Se a intenção é assistir a uma versão obscura de Branca de Neve, é melhor procurar por “Floresta Negra”, ótima produção televisiva com Sigourney Weaver e Sam Neill.

Título Original: Snow White and the Huntsman
Ano de Produção: 2012
Direção: Rupert Sanders
Roteiro: Evan Daugherty, John Lee Hancock e Hossein Amini
Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Ian McShane, Toby Jones, Nick Frost, Ray Winstone, Sam Claflin, Bob Hoskins, Eddie Marsan, Lily Cole, Vincent Regan, Johnny Harris, Dave Legeno, Rachael Stirling, Jamie Blackley, Noah Huntley, Joey Ansah, Brian Gleeson, Sam Spruell e Craig Garner

Resenha Crítica | A Hora Mais Escura (2012)

A Hora Mais Escura | Zero Dark ThirtyUm pouco depois de ganhar o Oscar por “Guerra ao Terror”, a dupla formada pela cineasta Kathryn Bigelow e o roteirista Mark Boal anunciou a pré-produção de “Kill Bin Laden”, cuja história narraria as inúmeras tentativas fracassadas da CIA em capturar o líder da Al-Qaeda e principal responsável pelos ataques terroristas do 11 de setembro. Em maio de 2010, uma operação secreta do Comando de Operações Especiais Conjuntas, em parceria com a CIA, foi a responsável pela morte de Osama Bin Laden. A ação foi oficializada posteriormente pelo presidente Barack Obama e os americanos sentiram com este anúncio que finalmente poderiam respirar aliviados pelo ciclo fechado de uma das maiores tragédias em solo americano.

Mesmo plenamente satisfeitos com este resultado, não haveria dúvidas de que isto comprometeria todo o trabalho de Kathryn Bigelow e Mark Boal para viabilizarem “Kill Bin Laden”. Isto não significaria que ambos estariam impedidos de mudarem o foco de toda a pesquisa realizada. Assim nasceu “A Hora Mais Escura”, que não apenas encena os fracassos da perseguição ao maior inimigo dos Estados Unidos, como também o encontro do seu refúgio e a sua morte.

Após um ano de novas pesquisas, Mark Boal pôde finalizar o texto de “A Hora Mais Escura”. Proibido de revelar o nome da pessoa que foi essencial para a descoberta do local em que Bin Laden estava escondido, Mark Boal criou Maya. Defendida por Jessica Chastain, este papel ganha todas as camadas para formar um irretocável modelo de heroína contemporânea. É Maya que por doze anos tentou interceptar Bin Laden até se deparar com uma pista que a levou até uma fortaleza situada em Abbottabad, local em que aconteceu a operação secreta após convencer os seus superiores de suas convicções.

Claro que, para chegarmos neste episódio específico, o caminho caminhado por Maya foi longo e exaustivo. Ao iniciar com uma tela preta em que ouvimos algumas conversas telefônicas de vítimas que estavam dentro do World Trade Center, Kathryn Bigelow rapidamente adentra a um ambiente de um endereço desconhecido em que o agente Dan (Jason Clarke, excelente) tortura, com a companhia de Maya, Ammar (Reda Kateb), homem que pode conter informações preciosas sobre o paradeiro de Bin Laden.

Corajoso, “A Hora Mais Escura” não nega a existência da tortura como ferramenta para o alcance das informações necessárias para capturar Bin Laden e consegue costurar em sua narrativa outros episódios fatídicos, como os atentados ao metrô de Londres em 2005 e ao hotel Marriott de Islamabad em 2008.

O compromisso com a estética e narrativa documentais prejudicaram a reputação de “A Hora Mais Escura”. Melhor título da temporada Oscar, “A Hora Mais Escura” não deverá repetir o mesmo favoritismo que cercou “Guerra ao Terror” em 2010 e ainda teve a esplêndida direção de Kathryn Bigelow ignorada. Restaram cinco indicações nas categorias de melhor filme, melhor atriz, melhor roteiro original, melhor montagem e melhor edição de som, totalizando um número insuficiente de menções para o filme mais atual e relevante lançado recentemente.

A perspectiva do conflito é integralmente americana, mas Kathryn Bigelow não está disposta a incentivar falsas morais ou patriotismo em sua realização. As bandeiras americanas surgem aqui tímidas e o close que fecha o filme no rosto abatido de Maya, que pela primeira vez deixa as lágrimas correrem pelo seu rosto, representam tanto o alívio de uma missão cumprida após 12 anos quanto o medo de uma guerra que nunca chega ao fim.

Título Original: Zero Dark Thirty
Ano de Produção: 2012
Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal
Elenco: Jessica Chastain, Jason Clarke,  Joel Edgerton, Scott Adkins, Mark Strong, Jennifer Ehle, Chris Pratt, James Gandolfini , Taylor Kinney, Kyle Chandler, Édgar Ramírez, Harold Perrineau, Frank Grillo, Mark Duplass, Reda Kateb , Stephen Dillane, Lee Asquith-Coe, Fredric Lehne, Fares Fares, Callan Mulvey, Daniel Lapaine, Jessica Collins, Shabana Azmi, Mike Colter, Josh Kelly, Nash Edgerton, Jeremy Strong e Ricky Sekhon

As Aventuras de Pi

As Aventuras de Pi | Life of PiDurante o primeiro ato de “As Aventuras de Pi”, filme baseado no romance homônimo do canadense Yann Martel, o jovem Pi Patel (na maior parte da história vivido pelo estreante Suraj Sharma) parece incompleto espiritualmente. Passou sua infância e adolescência buscando uma crença, mas não conseguiu se encaixar em nenhuma. Simplesmente não encontrou as respostas para todas as suas dúvidas. Ou encontrou, mas não acreditou que elas fossem suficientemente convincentes para fazê-lo seguir uma doutrina.

“As Aventuras de Pi” entra assim para o segundo ato com uma reviravolta trágica. Herdeira de um zoológico na Índia, a família de Pi decide transportar todos os animais de navio para o Canadá, pois visualiza um investimento mais próspero em outro país. Não é revelar um segredo se dissermos que o plano não saiu como o esperado, pois uma tormenta surge e Pi é o único da tripulação a sobreviver.

Dentro de um barco, Pi se depara com a presença de quatro animais: uma zebra, uma hiena feroz, um orangotango e o majestoso tigre de bengala Richard Parker. Como o instinto de sobrevivência não é apenas um privilégio para nós, seres humanos, estas criaturas se rebelam até restarem apenas Pi e Richard Parker. No meio do mar e sem nenhum recurso para clamar por socorro, o protagonista precisará seguir com três táticas: bolar artimanhas para se alimentar enquanto não chega a terra firme, domar Richard Parker e reunir fé para sair com vida desta situação.

Durante os anos 1990, Ang Lee iniciou sua carreira e rapidamente fez seu nome forte e respeitável na indústria de cinema através de dramas que possibilitavam plena identificação com personagens que viviam vários dilemas, a exemplo de “Tempestade de Gelo” e “Banquete de Casamento”. Já na década passada, ganhou o mundo com “O Tigre e o Dragão”, produção tailandesa que evidenciou o grande apuro estético do cinema oriental. Frustrou a todos quando investiu novamente neste esmero visual no esquizofrênico “Hulk” e agora volta a arrebatar em “As Aventuras de Pi”.

Intensificadas pela tecnologia 3D, as cenas de “As Aventuras de Pi” parecem representar um novo universo em que Pi e Richard Parker se situaram. Céu e mar se confundem a todo o momento e há ainda outras criaturas da natureza que impressionam ao invadirem a tela. Tanta beleza, entretanto, se anularia se não estivesse sintonizada a um objetivo claro. E assim, ao seguir para a etapa final da história, Ang Lee entrega uma obra-prima.

Ao voltar a dar destaque para a figura já amadurecida de Pi (fase em que o fantástico Irrfan Khan defende), um senhor que conta este evento real de sua vida a um jornalista (Rafe Spall) em busca de uma grande história, “As Aventuras de Pi” lança o velho embate entre fé e incredulidade, um tema tratado sem a seriedade necessária no cinema contemporâneo. Ao oferecer duas possibilidades para a história em que Pi narra, Ang Lee não deixa ninguém indiferente e preenche com convicção o mesmo vazio que o protagonista experimentara ao sobreviver no naufrágio. Um debate examinado com uma perícia poucas vezes alcançada.

Título Original: Life of Pi
Ano de Produção: 2012
Direção: Ang Lee
Roteiro: David Magee, baseado no romance homônimo de Yann Martel
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Ayush Tandon, Gautam Belur, Adil Hussain, Tabu, Ayan Khan, Mohd Abbas Khaleeli, Vibish Sivakumar, Rafe Spall e Gérard Depardieu

Resenha Crítica | O Lado Bom da Vida (2012)

O Lado Bom da Vida | Silver Linings PlaybookEm “O Vencedor”, o diretor David O. Russell criou um ótimo drama em que as desavenças de uma família em frangalhos eram mais fundamentais do que os conflitos do protagonista interpretado por Mark Wahlberg nos ringues. Este tema continua perseguindo David O. Russell em seu novo filme, “O Lado Bom da Vida”, em que ele parece trabalhá-lo de maneira ainda mais especial. Isto porque David O. Russell é pai de um jovem bipolar e com TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo).

Adaptar o romance homônimo de Matthew Quick, cujos direitos foram comprados antes de sua chegada às livrarias, lhe caiu com uma luva. Pat (Bradley Cooper, que finalmente amadurece como ator) esteve em uma clínica de recuperação por oito meses. Ao flagrar sua esposa Nikki (Brea Bee) com outro homem no chuveiro de sua própria residência, Pat, então um professor tranquilo, perde totalmente o controle. Sua mãe Dolores (a ótima australiana Jacki Weaver, num papel em que infelizmente vai perdendo espaço ao longo da história) é quem vai tirá-lo da clínica, mas ainda existe o receio de Pat perder o controle de suas próprias emoções, pois ele não consegue deletar Nikki dos seus pensamentos.

Seu pai (papel de Robert De Niro), ele mesmo um indivíduo com TOC, dá toda a atenção necessária, mas Pat só deve superar o recente episódio de sua vida ao conhecer Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota com quem cria uma estranha sintonia. Tiffany também tem os seus dramas particulares. Ela enviuvou cedo demais e reverteu o estado de luto ao transar com todos os homens do seu último emprego. Aconselhado pelo seu terapeuta (Anupam Kher), Pat decide ter um relacionamento amigável com Tiffany, que promete ajudá-lo a contatar Nikki se em troca ele formar o seu par para um concurso de dança.

O aspecto mais fascinante de “O Lado Bom da Vida” é como David O. Russell consegue mergulhar fundo na personalidade de personagens tão disfuncionais. Do início ao fim, esta comédia é tomada por uma inquietação quase frenética. “O Lado Bom da Vida” literalmente não para, sempre há energia correndo por suas veias. Crédito para a dupla de montadores Crispin Struthers e Jay Cassidy, que conferiram dinâmica à uma narrativa que poderia resultar convencional nas mãos de outros profissionais.

O resultado alcançado por “O Lado Bom da Vida” tem inaugurado uma série de reclamações contra o filme, que carrega o peso da alcunha “Indicado ao Oscar” – ao todo, o filme concorre em oito categorias e é o primeiro desde “Reds” a ter todas as categorias de interpretações com uma vaga preenchida. Porém, como já disse a realizadora de “Sob o Sol da Toscana”, Audrey Wells, a comédia, especificamente a humana, não tem como escapar de uma conclusão previsível. O diferencial são os meios que um contador de história chega até ela. Isto se aplica a “O Lado Bom da Vida”, um filme que celebra a anormalidade de seus personagens centrais em um clímax inesquecível.

Título Original: Silver Linings Playbook
Ano de Produção: 2012
Direção: David O. Russell
Roteiro: David O. Russell, baseado no romance homônimo de Matthew Quick
Elenco: Bradley Cooper , Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Julia Stiles, Jacki Weaver, Chris Tucker, John Ortiz, Shea Whigham, Dash Mihok, Anupam Kher, Montana Marks, Bonnie Aarons, Romina, Jessica Czop, Paul Herman, Matthew James Gulbranson, Jeni Miller, Luisa Diaz, Patrick McDade e Brea Bee

Resenha Crítica | Django Livre (2012)

Django Livre | Django UnchainedAlém de um grande diretor, Quentin Tarantino é um grande cinéfilo. A sua maior escola foi a locadora em que trabalhava. Assim como qualquer balconista de um estabelecimento como este, Tarantino assistia obras dos mais diversos gêneros. A bagagem justifica a diversidade de sua filmografia, com títulos moldados através de escolhas que o tornaram um autor único.

Mesmo com várias referências aos faroestes presentes em “Kill Bill – Vol. II”, a decisão de produzir algo que fosse exclusivo deste gênero, que é um dos seus favoritos, era mera questão de tempo. O sucesso de “Bastardos Inglórios” foi decisivo, pois em “Django Livre” o cineasta repete uma fórmula que funcionou: resgatar um episódio histórico e mexê-lo da maneira que achar conveniente.

O nível de qualidade não é o mesmo, mas “Django Livre” caiu rapidamente no gosto do público e crítica. Não é apenas um dos maiores sucessos comerciais de Quentin Tarantino, como também é um filme para ser lembrado em grandes premiações. Como o Oscar, em que aparece indicado em cinco categorias: melhor filme, melhor ator coadjuvante, melhor roteiro original, melhor fotografia e melhor edição de som.

O período em que negros eram escravos dos brancos serve para Tarantino deitar e rolar em sua roupagem pop já abraçada com entusiasmo pelos cinéfilos ou meros curiosos por cinema. Django, nome eternizado pelo italiano Franco Nero (que faz uma participação muito especial), é incorporado aqui por Jamie Foxx. Marido de Broomhilda von Schaft (Kerry Washington), Django tem a oportunidade de ouro de resgatar a sua amada das mãos de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio, numa rara ocasião em que atua de verdade), um poderoso e impiedoso fazendeiro, quando o caçador de recompensas King Schultz (Christoph Waltz) cruza o seu caminho.

Uma vez livre das correntes que o definiam como escravo, Django não parece incomodado em ter King, que se disfarça de dentista e que procurou por alguém como Django para auxiliá-lo em suas missões, como um mentor. Temos então dois personagens que, assim como os soldados judeus de “Bastardos Inglórios”, desejam dar um basta em um cenário preenchido por intolerâncias.

Quentin Tarantino é um criador de história sábio e encontra os tons de humor e violência apropriados em “Django Livre”. Às vezes recorre ao deboche por acreditar como a sociedade fora tão baixa ao seguir com preconceitos tolos, algo muito bem caracterizado no personagem de Samuel L. Jackson, um negro que, olhem só, se revela a pessoa mais racista em toda a narrativa. Sem dizer a hilária cena em que vários homens reclamam da típica máscara de pano do Ku Klux Klan. Também não evita o inevitável desejo de vingança, que se traduz na tela com uma ação sangrenta e empolgante.

Ficou faltando a esta “realidade alternativa” uma montagem mais concisa. É uma queixa previsível, mas é impossível não lamentar a ausência de Sally Menke, morta em 2010, em “Django Livre”. Braço direito de Tarantino, a montadora colaborou em todos os seus filmes, conferindo uma precisão sem igual. Ao confiar o material bruto a Fred Raskin (que trabalhou nos três últimos filmes da franquia “Velozes e Furiosos”), Tarantino lançou um filme com ritmo vacilante e com passagens que poderiam ser descartadas. Certas decições, como fazer Django visualizar Broomhilda durante sua jornada e oferecer uma camada mais humana ao sarcástico King Schultz, conferem ao filme um tom piegas incômodo jamais testemunhado em outras realizações de Tarantino.

Título Original: Django Unchained
Ano de Produção: 2012
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Jamie Foxx, Christolph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, James Remar, Don Johnson, James Russo, Bruce Dern, M.C. Gainey, Jonah Hill, Zoe Bell, Robert Carradine, Tom Savini, Michael Parks, Franco Nero, Amber Tamblyn, Russ Tamblyn, Quentin Tarantino, James Parks, Michael Bowen e Misty Upham

Resenha Crítica | Argo (2012)

ArgoA história real por trás de “Argo” teve origem em meados dos anos 1950, quando influências externas tiraram do poder Mohammed Mossadegh, líder admirado pelos iranianos e que pôde gerar mudanças positivas para o seu país. Em seu lugar, ficou Reza Pahlevi e o seu regime impopular, que durou nada menos que 26 anos. Em 1979, a população se rebelou e Pahlevi recebeu asilo político nos Estados Unidos. É exatamente deste episódio que nasce “Argo”, terceiro longa-metragem dirigido por Ben Affleck.

“Argo” inicia no exato momento em que rebeldes invadem a embaixada americana em Teerã para tornar os funcionários reféns. O plano, claro, serve como protesto. Seis funcionários conseguem fugir e se refugiar na casa do embaixador canadense (Victor Garber). São Bob Anders (Tate Donovan), Cora Lijek (Clea DuVall), Joe Stafford (Scoot McNairy), Lee Schatz (Rory Cochrane), Mark Lijek (Christopher Denham) e Kathy Stafford (Kerry Bishé), personagens confinados que aguardam algum esforço da CIA em retirá-los do lugar.

Assim como em “Atração Perigosa”, Ben Affleck também se encarrega do papel de protagonista. Ele incorpora Tony Mendez, justamente o agente que viveu o episódio real e que inspira o roteiro através do seu livro, já disponível nas livrarias do Brasil. Típico workaholic, Tony elaborou um plano inusitado para resgatá-los em Teerã e trazê-los de volta aos Estados Unidos. Trata-se de “Argo”, roteiro de ficção-científica não produzido em Hollywood em que Tony, com a ajuda do maquiador John Chambers (John Goodman) e do produtor Lester Siegel (Alan Arkin), finge viabilizar como pretexto para visitar Teerã em busca de locações.

Por mais inacreditável que possa parecer,  a CIA compra a ideia e Tony faz o sexteto se passar pela equipe responsável por “Argo”, cada um assumindo o papel de diretor, roteirista, designer et cetera. Reside aí a única chance de eles transitarem em um território perigoso sem que sejam descobertos. Porém, como voltarão para casa com guardas para todos os cantos de  Teerã?

Se como ator Ben Affleck parece ligar o piloto automático em várias ocasiões, como diretor proporciona grande tensão quando os personagens precisam atuar como profissionais de cinema. Temos aqui o seu melhor filme por trás das câmeras. O resultado, alias, é tão positivo que muitos parecem insatisfeitos com a ausência do seu nome entre os indicados ao Oscar de direção – ao todo, “Argo” concorre em sete categorias.

Sente-se que essa dramatização seria ainda mais forte caso o cinema fosse um elemento vívido. “Argo” respeita apropriadamente a todas as regras para se fazer um bom thriller e narra com clareza o conflito político destacado. Porém, sabe-se que a sétima arte, com todo o seu poder de manipulação, foi fundamental para assegurar o sucesso da missão de Tony e Affleck parece avesso à possibilidade de homenagem.

Título Original: Argo
Ano de Produção: 2012
Direção: Ben Affleck
Roteiro: Chris Terrio, baseado no livro “The Master of Disguise”, de Tony Mendez, e no artigo “Escape from Tehran”, de Joshuah Bearman
Elenco: Ben Affleck, Bryan Cranston,  Alan Arkin , John Goodman, Taylor Schilling, Kyle Chandler, Victor Garber , Tate Donovan, Clea DuVall, Adrienne Barbeau, Rory Cochrane, Kerry Bishé, Richard Kind, Titus Welliver, Michael Parks, Zeljko Ivanek, Chris Messina, Michael Cassidy, Barry Livingston, Keith Szarabajka, Scoot McNairy e Tom Lenk

Resenha Crítica | Amor (2012)

Amor | AmourAlém de um dos cineastas europeus mais aclamados no cinema contemporâneo, Michael Haneke é autor de obras que exigem do espectador um grande preparo emocional. Suas histórias são protagonizadas por personagens comuns que surpreendem com os seus impulsos mais obscuros. Se “Caché” e “A Fita Branca” continham um mistério que nos permitiram conhecer a face oculta de crianças e adultos, “Violência Gratuita” e “A Professora de Piano” têm indivíduos movidos por extremos.

Amor é o sentimento mais belo que pode ser vivido e compartilhado, mas não se deixe levar pelo título. “Amor” confirma um cineasta cru e livre de respostas fáceis ao encenar as relações humanas. O resultado agradou a Academia, pois “Amor” é finalista em cinco categorias do Oscar 2013: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz (Emmanuelle Riva, a mais velha candidata já indicada ao prêmio), Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Estrangeiro.

“Amor” entrega todas as cartas na cena inicial, mas é interessante não revelá-la ao espectador. O melhor é dizer o que vem a seguir, o cotidiano do casal Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Riva). Ambos já passaram dos 80 anos e vivem em paz em um aconchegante apartamento. De repente, Georges se assusta ao se deparar com Anne sem esboçar qualquer reação diante de uma simples conversa matinal. O rápido episódio serve de prenúncio da via-crúcis que este senhor atravessará ao descobrir que Anne está com uma doença degenerativa.

Como se espera, Michael Haneke, que também assina o roteiro, não ameniza a nova dinâmica entre o casal. Por mais simples que seja a sua câmera estática, o desconforto proporcionado é atordoante. Ao estabelecer uma longa duração entre os planos, que por sua vez não permitem tanta proximidade com os personagens, Haneke provoca a sensação de passividade, enfatizando o começo do fim na velhice. Uma experiência dolorosa e nada mais.

Título Original: Amour
Ano de Produção: 2012
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Ramón Agirre, Rita Blanco, Carole Franck, Dinara Drukarova, Laurent Capelluto, Jean-Michel Monroc, Suzanne Schmidt, Damien Jouillero e Walid Afkir

Resenha Crítica | Indomável Sonhadora (2012)

Indomável Sonhadora | Beasts of the Southern WildO rastro de destruição e morte deixado em Louisiana pelo furacão Katrina continua sendo um episódio importante de alguns dramas adaptados de histórias ficcionais. Ao levar para o cinema a peça “Juicy and Delicious”, o jovem diretor e roteirista Benh Zeitlin não faz uma reconstrução do desastre e sim a celebração do senso de união entre os sobreviventes. Em “Indomável Sonhadora”, são as comunidades pesqueiras na região de Terrebonne que servem de inspiração para a história assinada também por Lucy Alibar, autora da versão teatral.

Como se espera, a narrativa se dá pela perspectiva de uma criança. Trata-se de Hushpuppy (a estreante Quvenzhané Wallis, a mais jovem intérprete a ser indicada ao Oscar de melhor atriz principal), uma garotinha de cinco anos que vive em um ambiente precário com o seu pai Wink (Dwight Henry), um homem instável e com problemas cardíacos.

Não demora a percebemos que Hushpuppy é alguém especial. Além de sentir a presença de uma mãe ausente (e que, segundo Wink, tinha estranhas habilidades como ferver a água em recipientes), tem o hábito de ouvir os batimentos cardíacos dos seres vivos ao seu redor e a convicção de que será um nome lembrado pelos cientistas que um dia estudarem Bathtub, a comunidade isolada do mundo em que vive.

Mesmo que Hushpuppy seja, assim como sua pequena intérprete, uma força na natureza, “Indomável Sonhadora” é conduzido de um modo que não corresponde ao perfil da personagem, mas ao ambiente em que ela transita. A câmera se equipara a protagonista, mas usá-la na mão causa um efeito agressivo, quase indigesto.

Apenas no terceiro ato de “Indomável Sonhadora” é que visualizamos uma estética adequada para tornar críveis as emoções até então não compreendidas por Hushpuppy. Mais sereno, o filme oferece uma bela resolução que inclui elementos como família, realismo fantástico, amadurecimento e perseverança. Benh Zeitlin assumiu durante a divulgação de seu filme que só avaliou o material produzido quando concluiu as filmagens. Tivesse reservado atenção durante o processo, “Indomável Sonhadora” seria mais equilibrado.

Título Original: Beasts of the Southern Wild
Ano de Produção: 2012
Direção: Benh Zeitlin
Roteiro: Benh Zeitlin e Lucy Alibar, baseado na peça “Juicy and Delicious”, de Lucy Alibar
Elenco: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Levy Easterly, Lowell Landes, Pamela Harper, Gina Montana, Amber Henry, Jonshel Alexander, Nicholas Clark, Joseph Brown, Henry D. Coleman, Kaliana Brower, Philip Lawrence, Hannah Holby, Jimmy Lee Moore e Jovan Hathaway

Resenha Crítica | Lincoln (2012)

LincolnA 13ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos foi responsável por abolir a escravatura nos Estados Unidos em 1965. Proibindo a escravidão e o trabalho forçado em todo o país, a população negra finalmente se viu livre, embora o preconceito ainda seja um problema que se alastra na sociedade contemporânea. O feito histórico e político só se tornou possível pela insistência de Abraham Lincoln em obter o maior número possível de votos a favor da 13ª Emenda. A conquista é esmiuçada na biografia assinada por Doris Kearns Goodwin e Steven Spielberg prefere dar ênfase a este episódio a realizar uma cinebiografia convencional sobre a vida e a morte do 16° presidente dos Estados Unidos.

Recordista em indicações ao Oscar 2013, “Lincoln” aparece ocupando uma vaga de 12 categorias distintas. Nada mais que o esperado para uma produção feita aos moldes da Academia, que sempre confere reconhecimento anual ao menos a uma produção quadrada. Mais um ponto negativo para Steven Spielberg, que há tempos deve uma produção à altura do talento que conferiu em obras-primas do cinema oitentista e noventista e que hoje se contenta em moldar blockbusters de quinta categoria (“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”) ou obras esquálidas (“Munique”, “Cavalo de Guerra” e este “Lincoln”).

Assim, temos um drama que na maior parte do tempo é ambientado em um tribunal em que muitos dos interesses de Lincoln são defendidos por Thaddeus Stevens (Tommy Lee Jones), membro do Partido Republicano que tem como oponente Fernando Wood (Lee Pace), membro do Partido Democrata que se mostra veementemente contra a abolição da escravatura. Inaugurado este conflito, um lado buscará aliados para votar a favor da 13ª Emenda enquanto o outro persuade através de ameaças.

Na composição do irlandês Daniel Day-Lewis, Lincoln é firme em múltiplas ocasiões. É o marido que dá forças à esposa (Sally Field) para superar o luto pelo filho morto precocemente, o pai que impede o ingresso do filho (Joseph Gordon-Levitt) em uma guerra que não visualiza sentido, o presidente que anseia por uma nação sem brechas para desigualdade e o indivíduo silencioso que reflete sobre todas essas e outras responsabilidades que pesam sobre os seus ombros. A falha de Spielberg é filmar este Abraham Lincoln não como um ser humano, mas como um deus, abusando de contraluzes e ângulos baixos que apenas nos distanciam do personagem e, inevitavelmente, do relato das mudanças marcadas em seu governo que ajudaram a construir a América de hoje.

Título Original: Lincoln
Ano de Produção: 2012
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: John Logan, baseado no livro de Doris Kearns Goodwin
Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones, Joseph Gordon-Levitt, Michael Stuhlbarg, Jackie Earle Haley, Gloria Reuben, Adam Driver, Jared Harris, James Spader, Lee Pace, Gulliver McGrath, Walton Goggins, John Hawkes, David Strathairn, David Oyelowo, Hal Holbrook, Tim Blake Nelson, Bruce McGill, Joseph Cross, Julie White, Elizabeth Marvel, S. Epatha Merkerson, Gregory Itzin, David Costabile, David Warshofsky, Wayne Duvall e Jeremy Strong

Resenha Crítica | Os Miseráveis (2012)

Os Miseráveis | Les MisérablesDividido em cinco volumes, “Os Miseráveis” é a obra mais notável do francês Victor Hugo. Através de seu protagonista Jean Valjean, a história mergulha intensamente em uma França tomada pela miséria, motins e descrença. Ao ser certeiro em capturar um período histórico com personagens sofridos, “Os Miseráveis” obteve inúmeras adaptações cinematográficas, televisivas e teatrais desde o início do século passado. O musical composto por Claude-Michel Schönberg foi a versão que mais repercutiu mundialmente e é nela que Tom Hooper se inspira para fazer o seu “Os Miseráveis”.

Com libreto de Alain Boublil e letras de Herbert Kretzmer, o musical iniciou uma trajetória de sucesso em 1980 que agora se estende nos cinemas: produzido com 60 milhões de dólares, “Os Miseráveis” está prestes a atingir a marca de 400 milhões de dólares de arrecadação mundial, uma marca surpreendente para um musical, gênero que ainda provoca estranheza no público em geral. Além do mais, a obra aparecerá no Oscar em oito categorias, entre as quais filme, melhor ator (Hugh Jackman) e melhor atriz coadjuvante (Anne Hathaway).

Após o reconhecimento com “O Discurso do Rei”, fica clara a intenção de Tom Hooper em fazer um verdadeiro épico. No entanto, tropeça em vários aspectos, rendendo uma adaptação desastrosa. Todo cantado, “Os Miseráveis” inicia com a libertação de Jean Valjean (Jackman) após cumprir 19 anos de prisão por roubar um pedaço de pão e tentativa de fuga. Ficará em seu encalço Javert (Russell Crowe), inspetor obstinado em condenar Valjean pelos anos que ainda viverá. Valjean consegue mudar de vida ao assumir uma nova identidade: Monsieur Madeleine, o rico prefeito e empresário da cidade de Montreuil-sur-Mer.

Neste momento, em que oito anos já se passaram, surge Fantine (Hathaway), a trágica jovem que definirá o destino de Jean Valjean e outros personagens secundários. Operária de uma das fábricas de Valjean, Fantine é punida severamente ao ter o seu maior segredo revelado: a existência de uma filha, Cosette (Isabelle Allen), mantida pelos Thénardiers (Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter, alívios cômicos que funcionam), donos de uma decadente hospedaria. Convertida em prostituta, Fantine é encontrada por Valjean em estado frágil. Ao vê-la morrer, Valjean, assolado por um sentimento de culpa por não tê-la defendido quando precisou, promete que resgatará e cuidará de Cosette. Mais alguns anos se passam e já temos uma Cosette adulta (e vivida por Amanda Seyfried) e protegida de uma França ainda mais lastimável por Valjean.

Em “Os Miseráveis”, Tom Hooper impôs uma exigência muito arriscada: fazer com que todos os intérpretes cantassem ao vivo. Ao contrário do que anda sendo afirmado, esta não é uma escolha inédita no gênero, mas é corajosa. Como se espera, o resultado é destoante. Enquanto Hugh Jackman, Anne Hathaway e Samantha Barks apresentam trabalhos vocais quase extraordinários, Russell Crowe e Amanda Seyfried (visivelmente desconfortáveis) atingem uma entonação de fazer o espectador implorar pela distribuição de protetores auriculares nas salas de cinema.

Este desencontro de talentos na tela é o menor dos problemas de “Os Miseráveis”, entretanto. Tom Hooper é incapaz de contornar as fragilidades da obra de Victor Hugo, como a inconvincente história de amor que se desenha entre Cosette e o revolucionário Marius (Eddie Redmayne) após uma mera troca de olhares e as transições de tempo, e esbarra na breguice com sua inconveniente direção. Além de planos diagonais bisonhos, “Os Miseráveis” preenche a tela com closes manipuladores de personagens que apenas soluçam. A tão comentada cena em que Anne Hathaway canta “I Dreamed a Dream” é apenas o prenúncio de um drama que usa os métodos mais deselegantes para arrebatar o público.

Título Original: Les Misérables
Ano de Produção: 2012
Direção: Tom Hooper
Roteiro: Alain Boublil, Claude-Michel Schönberg, Herbert Kretzmer e William Nicholson, baseado no romance homônimo de Victor Hugo e no musical homônimo de Claude-Michel Schönberg e Herbert Kretzmer
Elenco: Hugh Jackman, Russell Crowe, Eddie Redmayne, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Sacha Baron Cohen, Helena Bonham Carter, Samantha Barks, Aaron Tveit, Colm Wilkinson, Ella Hunt, George Blagden, Daniel Huttlestone, Bertie Carvel, Isabelle Allen, Frances Ruffelle, Alistair Brammer, Evie Wray, Kerry Ellis, Tim Downie, Killian Donnelly e Alexander Brooks