As 10 Melhores Músicas de David Bowie

Exposição David BowieContei os dias para ver a Exposição David Bowie desde o momento em que ela foi confirmada no último trimestre do ano passado. Afinal, as músicas do cantor britânico eram indispensáveis na minha infância roqueira. Não pensei duas vezes ao convidar a minha prima Luara Cristina para me acompanhar e já na primeira semana de exposição estávamos lá para conferir todo o acervo organizado pela Victoria and Albert Museum.

Apesar de não levarmos para casa muitos cliques além deste que uso para ilustrar o início da postagem, a visita foi divertida. Sem dizer que a presença da Luara, ainda mais fanática por David Bowie do que eu, foi essencial para mergulhar mais fundo em algumas fases da carreira do Camaleão do Rock.

Após alguns comentários sobre a Exposição David Bowie, me senti obrigado a convidar a Luara para compartilhar para os leitores do Cine Resenhas o seu top 10 de músicas favoritas do artista. Como nossas escolhas foram totalmente diferentes, tratei de juntá-las em cada colocação. A primeira escolha foi minha e a segunda, da Luara. Para ouvir cada uma das músicas, basta clicar no sinal de adição presente antes do título.

Let’s dance!

1.

I catch a paper boyDavid Bowie - Modern Love
But things don’t really change
I’m standing in the wind
But I never wave bye-bye
But I try, I try

+ Modern Love

I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can beat them, just for one day
We can be Heroes, just for one day

+ Heroes-Helden

 

2.

David Bowie - Soul LoveAll night
She wants the young american
Young american, young american, she wants the young american
All right
She wants the young american

+ Young Americans

Soul love – the priest that tastes the word and
Told of love – and how my God on high is
All love – though reaching up my loneliness evolves
By the blindness that surrounds him

+ Soul Love

 

3.

Can’t we give ourselves one more chanceDavid Bowie - Under Pressure
Why can’t we give love that one more chance?
Why can’t we give love?

+ Under Pressure

Heartwrecker, heartwrecker, make me delight
Right is so vague when it brings someone new
This time tomorrow I’ll know what to do
I know it’s happened to you

+ Stay

4.

David Bowie - Boys Keep SwingingRebel, rebel, you’ve torn your dress
Rebel, rebel, your face is a mess
Rebel, rebel, how could they know?
Hot tramp, I love you so

+ Rebel Rebel

When you’re a boy
You can wear a uniform
When you’re a boy
Other boys check you out
You get a girl
These are your favourite things
When you’re a boy

+ Boys Keep Swinging

5.

Sailors fighting in the dance hall.David Bowie - Life On Mars?
Oh man!
Look at those cavemen go.
It’s the freakiest show.
Take a look at the lawman
Beating up the wrong guy.
Oh man!
Wonder if he’ll ever know
He’s in the best selling show.
Is there life on Mars?

+ Life On Mars?

Keep your ‘lectric eye on me, babe
Put your ray gun to my head
Press your space face close to mine, love
Freak out in a moonage daydream, oh yeah!

+ Moonage Daydream

6.

David Bowie - The Jean GenieSee these eyes so red
Red like jungle burning bright
Those who feel me near
Pull the blinds and change their minds
It’s been so long

+ Cat People (Putting Out Fire)

The Jean Genie lives on his back
The Jean Genie loves chimney stacks
He’s outrageous, he screams and he bawls
Jean Genie let yourself go!

+ The Jean Genie

7.

Still don’t know what I was waiting forDavid Bowie - Changes
And my time was running wild
A million dead-end streets and
Every time I thought I’d got it made
It seemed the taste was not so sweet
So I turned myself to face me
But I’ve never caught a glimpse
Of how the others must see the faker
I’m much too fast to take that test

+ Changes

(Hey, man)
Ah, Henry, don’t be unkind, go away
(Hey, man)
I can’t take you this time, no way
(Hey, man)
Said, “Droogie, don’t crash here
There’s only room for one and here she comes, here she comes”

+ Suffragette City

8.

David Bowie - Ashes to AshesShe’s so swishy in her satin and tat
In her frock coat and bipperty-bopperty hat
Oh God, I could do better than that

+ Queen Bitch

Ashes to Ashes, funk to funky
We know Major Tom’s a junkie
Strung out on heaven’s high
Hitting an all-time low

+ Ashes to Ashes

9.

They burn you with their radiant smilesSaskia De Brauw, Tilda Swinton, David Bowie, Andrej Pejic
Trap you with their beautiful eyes
They’re broke and shamed or drunk or scared
But I hope they live forever

+ The Stars (Are Out Tonight)

Oh my T V C one five, oh oh, T V C one five
Oh my T V C one five, oh oh, T V C one five
Oh my T V C one five, oh oh, T V C one five
Oh my T V C one five, oh oh, T V C one five

+ TVC 15

10.

David Bowie - Aladdin SaneIs it any wonder I reject you first?
Fame, fame, fame, fame
Is it any wonder you are too cool to fool
Fame (fame)

+ Fame

Oooh Who’ll love Aladdin Sane
Millions weep a fountain, just in case of sunrise
Oooh Who’ll love Aladdin Sane

+ Aladdin Sane

 

Exposição David Bowie

David Bowie Aladdin Sane

Abrigada pelo MIS – Museu da Imagem e do Som, a Exposição Stanley Kubrick iniciou tímida em temporada de Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e se despediu com filas formadas por visitantes que contornavam o quarteirão da Avenida Europa. Desde o dia 31 de janeiro aberta ao público, a Exposição David Bowie também acontece no MIS e veio com a expectativa de igualar a popularidade da Exposição Stanley Kubrick.

Talvez o roqueiro mais versátil ainda vivo, David Bowie consolidou uma carreira com base na excentricidade. Mais do que um compositor extraordinário, o britânico incorporou alguns personagens ainda lembrados em cada fase particular vinda com o sucesso da canção  “Space Oddity”. No início dos anos 1970, Bowie fortaleceu o glam rock ao incorporar Ziggy Stardust, figura andrógina que lhe possibilitou reconhecimento mundial. Daí em diante, veio parcerias com bandas como o “Queen”, um período de reclusão em Berlim e até mesmo algumas investidas bem-sucedidas no cinema em filmes como “Fome de Viver” e “Labirinto – A Magia do Tempo”.

Exposição David Bowie 1

Organizada pela Victoria and Albert Museum (V&A) de Londres, a Exposição David Bowie permite ao fã reviver várias fases do artista ao situá-lo em ambientes que expõem figurinos, rascunhos de suas letras, trechos de documentários, clipes musicais e fotografias. Antes do visitante adentrar o primeiro salão, um aparelho sonoro é entregue. Ao explorar determinada divisão, músicas e diálogos que condizem com o que está sendo visto são automaticamente acionados no aparelho.

Principal atração da Exposição David Bowie, o macacão feito de vinil desenhado por Kansai Yamamoto e usado durante a turnê do álbum “Aladdin Sane” (1973) exigirá alguns minutos de contemplação. Outro atrativo é o salão em que foi instalado telões e manequins em quatro cantos. Ao som de músicas como “The Jean Genie”, e possível sentir-se como em um show do cantor.

David Bowie 2

Apesar de obrigatória, a Exposição David Bowie pode decepcionar. O primeiro problema está na proibição de fotografias em qualquer ambiente. Só será possível trazer duas capturas para casa: uma na recepção que contém uma imagem gigante de David Bowie caracterizado como Ziggy Stardust e outra no Estúdio Bowie. Por sinal, o Estúdio Bowie é a única promessa de interação na exposição, pois contém o karaokê disponível para qualquer soltar a voz. No entanto, o valor é salgado (R$10,00 para cantar uma única música) e a compra do ingresso só pode ser realizada online.

Outra queixa é a ausência de materiais que cubram os últimos vinte anos da carreira de David Bowie. Só há trechos de sua participação em “Basquiat – Traços de Uma Vida” e fotografias mais recentes emolduradas, revelando pouco sobre quem é o artista hoje. Uma pena, especialmente porque o novo álbum de David Bowie, “The Next Day”, foi lançado recentemente e poderia render mais alguns atrativos para a exposição.

A Exposição David Bowie acontece até o dia 20 de abril. Para mais informações, basta clicar aqui.

Serviço:

Recepção MIS
R$ 10 (inteira) R$ 5 (meia)
Ingressos para a mesma data da visitação à venda a partir de 11/10 nos horários: terça à sexta-feiras, das 12h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 21h. Terças-feiras: Ingresso gratuito.

O Amante da Rainha

O Amante da Rainha | A Royal Affair

Ainda que tenha iniciado uma carreira como cineasta há dez anos, o dinamarquês Nikolaj Arcel obteve maior reconhecimento como roteirista de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres“. O sucesso do primeiro volume da trilogia “Millennium” foi certamente importante para que Arcel obtivesse maior projeção com o seu novo filme, o ótimo “O Amante da Rainha”, adaptação de um romance de Bodil Steensen-Leth defendido por um elenco central formidável e que recebeu a visibilidade necessária para garantir uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Ambientada no século XVIII, a história de “O Amante da Rainha” inicia com a chegada da princesa inglesa Caroline Mathilde (Alicia Vikander) na Dinamarca. Sua responsabilidade é viver em uma união forçada com Christian VII (Mikkel Boe Følsgaard), o herdeiro desequilibrado do trono real. Caroline se conforma com o papel insípido que deverá assumir até o fim de sua existência, mas ela sente que pode ser mais do que é com a chegada de Johann Friedrich Struensee (Mads Mikkelsen).

Johann é médico e idealista iluminista e a confiança que obtém do rei Christian VII o faz assumir um cargo de conselheiro. A inferioridade de Christian VII é aos poucos revelada quando é evidente o seu caráter facilmente manipulável, passando a seguir as sugestões de Johann ao mesmo tempo em que se vê como uma marionete nas mãos de aliados conservadores.

Também autor do roteiro ao lado de Rasmus Heisterberg, Nikolaj Arcel é bem-sucedido ao impor uma tensão genuína dentro do clima de intrigas que se desenha. O relacionamento inevitável entre Johann e Caroline, duas pessoas que compartilham as mesmas ideologias, acontece de modo plausível, e Christian VII é, através do desempenho extraordinário de Mikkel Boe Følsgaard, um rei que causa repúdio e pena, ódio e uma estranha fascinação. Porém, “O Amante da Rainha” sobreviverá como um registro ainda não encenado da Época das Luzes e o quanto ainda estamos distantes das transformações defendidas há quatro séculos.

En kongelig affære, 2012 | Dirigido por Nikolaj Arcel | Roteiro de Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg, baseado no romance “Prinsesse af blodet”, de Bodil Steensen-Leth | Elenco: Alicia Vikander, Mads Mikkelsen, Mikkel Boe Følsgaard, Trine Dyrholm, David Dencik, Thomas W. Gabrielsson, Cyron Bjørn Melville¹, Bent Mejding, Harriet Walter, Laura Bro, Søren Malling, Jakob Ulrik Lohmann, Søren Spanning, Frederik Christian Johansen, John Martinus, Rosalinde Mynster e Nikol Kouklová | Distribuidora: Europa Filmes

Detona Ralph

Detona Ralph | Wreck-It Ralph

Após um momento de crise criativa, as animações em longa-metragem da Disney recuperaram a confiança dos espectadores após uma onda de títulos acima da média. Finalista ao Oscar de Melhor Animação e lançado em janeiro do ano passado no Brasil, “Detona Ralph” é um componente importante para essa linha de progresso que foi brevemente retardada com a existência de “Carros 2”.

Com créditos na direção de alguns episódios dos seriados animados “Os Simpsons” e “Futurama”, Rich Moore faz sua estreia na animação em longa-metragem com o pé direito ao conseguir de modo competente um feito hoje obrigatório em qualquer bom filme do gênero que se preze: agradar tanto ao público infantil quanto ao adulto. Ao mesmo tempo em que conta com protagonistas que farão os pequenos ficarem maravilhados, “Detona Ralph” desperta a nostalgia nos mais velhos ao trazer inúmeras faces outrora apresentadas em jogos eletrônicos de plataformas como o Super Nitendo.

Há uma inversão de papéis que rendem lições bacaninhas. Ralph (voz de John C. Reilly) é um grandalhão cujo dever durante o expediente de trabalho é vestir o uniforme de vilão no jogo “Fix-It Felix”. Enquanto Ralph promove a destruição, Felix Jr. (Jack McBrayer) é incubido de consertar o estrago com o seu martelinho insosso. O problema é que, ao contrário do game, Ralph é um sujeito de bom coração e incompreendido, algo não percebido pelos seus colegas. Ao querer provar que também pode ser um herói, Ralph acaba invadindo outros jogos em busca de uma medalha de campeão. Sua peregrinação em outros universos traz resultados catastróficos e sua única aliada será Vanellope (Sarah Silverman), uma espécie de bug em forma de menina.

Além de Ralph, Vanellope e, vá lá, Felix Jr., há outro personagem bacana com destaque “Detona Ralph”: Calhoun (Jane Lynch), que parece uma versão de Samus Aran, a caçadora de recompensas à frente do game “Metroid”. Mas o melhor mesmo é ver os lutadores Ryu, Ken, Mister Bison, Zangief, Chun Li e Cammy (“Street Fighters”), o Sonic e até mesmo o Pac-Man. Pena que, para privilegiar a amizade construída entre Ralph e Vanellope, a maioria acabe fazendo apenas figuração, tornando um pouco enganosa a publicidade em torno dessas presenças ilustres.

Wreck-It Ralph, 2012 | Dirigido por Rich Moore | Roteiro de Jennifer Lee e Phil Johnston | Vozes de John C. Reilly, Sarah Silverman, Jack McBrayer, Jane Lynch, Alan Tudyk, Mindy Kaling, Joe Lo Truglio, Ed O’Neill, Dennis Haysbert, Edie McClurg, Raymond S. Persi, Jess Harnell, Racheel Harris, Rich Moore e Skylar Astin | Distribuidora: Disney

Resenha Crítica | Uma História de Amor e Fúria (2012)

Uma História de Amor e Fúria

Casado com Laís Bodanzky (de “Bicho de Sete Cabeças”), Luiz Bolognesi especializou-se ao longo de sua carreira na direção e roteiro de documentários. A experiência vasta com pesquisa certamente foi positiva para a investida ousada que faz agora no gênero animação, tão pouco explorado em nossa cinematografia. Isso porque “Uma História de Amor e Fúria” cobre nada mais do que quatro encarnações de um mesmo personagem, sendo três delas existentes em episódios históricos do nosso país.

No primeiro momento de “Uma História de Amor e Fúria”, temos o guerreiro Abeguar (voz de Selton Mello) como protagonista de uma história ambientada na Guanabara de 1566 . É um período em que sua tribo trava uma batalha contra os portugueses que desejam dominá-los. A luta pela liberdade compromete o seu envolvimento com Janaína (Camila Pitanga), por quem sempre foi apaixonado. Uma tragédia faz Abeguar saltar para o Maranhão 1825 e a se transformar em Manuel Balaio. Mesmo constituindo família, Manuel terá de enfrentar uma nova batalha, desta vez com o governador e as tropas do município de Duque de Caxias.

Mais duas encarnações em épocas diferentes aguardam pelo protagonista. Na primeira, ele se transforma em Cau e enfrentará todas as mobilizações promovidas por estudantes cariocas em 1968 contra a Ditadura Militar. Por fim, saltamos para 2096 e “Uma História de Amor e Fúria” já deixa como legado a encenação animada de algo que possivelmente acontecerá daqui a um século: a falta de água. Assim como nas três ocasiões anteriores, há neste futuro a presença de uma mulher como a Janaína de Guanabara.

Seria fácil para Luiz Bolognesi selecionar um caminho didático ao cobrir os quatro eventos históricos que moldam “Uma História de Amor e Fúria”. Felizmente, o realizador mostra ter jogo de cintura em converter o material em um entretenimento prazeroso de se ver. Além do mais, Bolognesi conseguiu um resultado realmente belo ao utilizar métodos clássicos para conceber personagens, cores e cenários, atingindo um patamar de qualidade raramente testemunhado nos exemplares nacionais do gênero. A lamentar somente o baixo êxito na carreira comercial de “Uma História de Amor e Fúria”, o que pode impedir que novos títulos animados com o mesmo grau de seriedade sejam produzidas tão cedo.

Uma História de Amor e Fúria, 2012 | Dirigido por Luiz Bolognesi | Roteiro de Luiz Bolognesi | Vozes de Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro | Distribuidora: Europa Filmes

Resenha Crítica | Tá Chovendo Hambúrguer 2 (2013)

Tá Chovendo Hambúrguer 2 | Cloudy with a Chance of Meatballs 2

Em 2009, a dupla Chris Miller e Phil Lord fez “Tá Chovendo Hambúrguer“, ótima animação cuja maior virtude era a homenagem aos filmes B de ficção-científica. Tresloucado, o longa-metragem foi bem recebida pelo público e pela crítica especializada e uma sequência seria uma mera questão de tempo. Como Chris Miller e Phil Lord estavam envolvidos com o fraquinho “Uma Aventura LEGO” e com a pré-produção de “Anjos da Lei 2”, restou conferir a direção para outra dupla: Cody Cameron e Kris Pearn.

Mesmo sem nenhum crédito na direção (somente Cody Cameron teve uma experiência na função em “O Bicho Vai Pegar 3”), ambos cumprem bem a tarefa de dar continuidade ao filme original. E a novidade é que, sendo uma continuação direta, há atrativos na nova aventura capitaneada por Flint Lockwood (voz de Bill Hader), cientista atrapalhado convocado pelo seu ídolo Chester V (Will Forte), inventor e SEO da Live Corp, a fazer uma faxina geral na ilha  que recebeu uma chuva de comida no filme anterior.

A pegadinha na história desta continuação é que as criações acidentais de Flint não representam a ameaça que Chester V tanto insiste. Pelo contrário, as anomalias se mostram as criaturas mais dóceis já vistas. No dilema de proteger os alimentos que ganharam vida ou seguir as instruções de seu mentor, Flint acaba se metendo em novas confusões com a sua namorada e repórter Sam Sparks (Anna Faris), o seu pai Tim (James Caan), o policial Earl (Terry Crews), o macaco Steve (Neil Patrick Harris), o panaca Brent (Andy Samberg) e Manny (Benjamin Bratt), o cinegrafista onipresente que rouba todas as cenas.

Por um lado, o charme e frescor de “Ta Chovendo Hambúrguer” não se mantiveram totalmente nessa sequência. Grande parte disso se dá pela presença de um vilão pouco atraente. Por outro lado, Flint e companhia continuam rendendo uma diversão acima da média e o cenário é de um colorido de encher os olhos. Sem dizer as criaturas, simplesmente fofas. Após o fim de “Tá Chovendo Hambúrguer 2”, não se sinta solitário na vontade de querer levar para casa um Barry, morango gigante que fala um idioma incompreensível.

Cloudy with a Chance of Meatballs 2, 2013 | Dirigido por Cody Cameron e Kris Pearn | Roteiro de Erica Rivinoja, John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein, baseado nos personagens de Judi e Ron Barrett | Vozes de Bill Hader, Anna Faris, James Caan, Will Forte, Andy Samberg, Benjamin Bratt, Neil Patrick Harris, Terry Crews, Kristen Schaal, Cody Cameron, Melissa Sturm e Khamani Griffin | Distribuidora: Sony

Resenha Crítica | Refém da Paixão (2013)

Nada contra jovens talentos que integram imediatamente a categoria de grandes cineastas contemporâneos em seus primeiros passos. Bem, contanto que tanto prestígio corresponda adequadamente a qualidade de seu próprio trabalho atrás das câmeras. Filho de Ivan Reitman, Jason Reitman já contabiliza quatro indicações ao Oscar tendo apenas cinco longas-metragens no currículo, um feito de impressionar qualquer veterano. Isso sem contar outras dezenas de prêmios obtidos nas mais diversas premiações cinematográficas.

“Obrigado por Fumar”, “Juno”, “Amor sem Escalas” e “Jovens Adultos” são definitivamente bons filmes. No entanto, há algo no modo como Reitman conduz os roteiros que impedem que eles sejam mais do que isso. É comum os seus protagonistas despertarem em nós alguma empatia ao lidarem com tomadas de decisões indesejáveis. Por outro lado, quando as imperfeições destes são mais claras, Reitman adota um tom de frieza que mais repele do que atrai. É um efeito indesejado que um cineasta como Alexander Payne jamais se permitiria a causar.

Em “Refém da Paixão”, os protagonistas originalmente criados por Joyce Maynard (o filme é uma adaptação de “Fim de Verão”, romance publicado em 2009 pela Editora Rocco) não estão necessariamente em um cenário de dilemas já visualizado nos trabalhos prévios de Jason Reitman, mas suas limitações como diretor são mais evidentes em sua primeira transição da comédia para o drama. A narração em off constante de Tobey Maguire não é mero capricho para creditar o nome do astro de “Homem-Aranha”, e sim para conferir um significado para as imagens que Reitman produz e sequer acredita.

Adele (Kate Winslet) é uma mulher deprimida cujo marido (papel de Clark Gregg) a trocou pela secretária. Não tivesse a companhia de seu filho Henry (Gattlin Griffith), Adele provavelmente já teria tirado a própria vida. Se já não bastasse a dificuldade de manter o próprio controle (o turbilhão de desapontamentos em sua vida prejudicou até mesmo o seu tato), o que fazer quando ela se vê obrigada a abrigar, para a sua própria segurança e a de Henry, o prisioneiro em fuga Frank (Josh Brolin)?

A boa reviravolta pregada em “Refém da Paixão”, e ela é imediata, está no clima de perigo sendo brevemente substituído por uma relação de cumplicidade entre vítima e foragido. De repente, Adele está envolvida amorosamente com Frank e Henry vê o seu posto de homem da casa ser ameaçado com a vinda e permanência de um estranho. Sustentar a inversão de papéis já é algo não obtido por Jason Reitman.

“Refém da Paixão” é um filme contaminado pela obviedade, sendo incapaz até mesmo de criar uma aura de mistério em torno de Frank, cujas boas intenções anulam qualquer ameaça que sua presença deveria representar. Além do mais, quando não há um Henry adulto narrando exatamente o que vemos Frank fazer, há os flashbacks que frustram pela redundância, mesmo que eles contem com o atrativo de ter Tom Lipinski, um ator definitivamente idêntico a Josh Brolin.

Se não bastassem essas falhas que seriam facilmente evitadas até mesmo por iniciantes, há ainda em “Refém da Paixão” uma série de intervenções de personagens secundários sem nenhuma dimensão que só surgem como ameaça para um lar que se transforma em paraíso com três figuras incomuns. Do vizinho inconveniente de J.K. Simmons (quem mais?) até o policial extremamente implausível vivido por James Van Der Beek, somente Brooke Smith consegue oferecer alguma dignidade como a mãe que pede à Adele para cuidar de seu filho especial. São subterfúgios fracos demais em um filme de um cineasta que não contempla o domínio equivocadamente celebrado com o sucesso de sua filmografia.

Labor Day, 2013 | Dirigido por Jason Reitman | Roteiro de Jason Reitman, baseado no romance “Fim de Verão”, de Joyce Maynard | Elenco: Kate Winslet, Josh Brolin, Gattlin Griffith, Tobey Maguire, Tom Lipinski, Maika Monroe, Clark Gregg, James Van Der Beek, J. K. Simmons, Brooke Smith, Brighid Fleming, Alexia Hedges, Micah Fowler e Chandra Thomas | Distribuidora: Paramount

Resenha Crítica | Ninfomaníaca: Volume 2 (2013)

Ninfomaníaca: Volume 2 | Nymphomaniac: Volume 2

Caso Lars von Trier não pudesse ir além dos cinco capítulos de “Ninfomaníaca: Volume 1“, haveria material suficiente para selar uma história com uma resolução impactante. Afinal, não deve haver um destino muito feliz para Joe (Charlotte Gainsbourg), uma mulher que se autodiagnostica como ninfomaníaca e que diz a Seligman (Stellan Skarsgård) ter perdido o prazer e todas suas extensões ainda jovem. Como o interesse de Lars von Trier jamais se resumiu à jornada sexual de sua personagem, há muita coisa que ainda precisa ser descortinada e “Ninfomaníaca: Volume 2” tem muito o que contar em seus três derradeiros capítulos: “As Igrejas Oriental e Ocidental (O Pato Mudo)”, “O Espelho” e “A Arma”.

Antes que Stacy Martin ceda o espaço para Charlotte Gainsbourg, atriz com a qual não apresenta qualquer semelhança, Joe ainda busca contornar a falta de excitação em suas transas com Jerôme (Shia LaBeouf) mergulhando em experiências sexuais com outros homens. Nem exercer o papel de mãe lhe traz de volta os estímulos de outrora. Resta se entregar a algo mais agressivo, algo que a puna por ser quem é. A primeira saída são as sessões semanais com K (Jamie Bell), sujeito procurado por mulheres que se redescobrem através da agressão. A segunda é manter-se através da criminalidade, esta atrativa após seu chefe L (Willem Dafoe) assegurar que ela tem as “qualificações” ideais para castigar sujeitos afogados em dívidas.

Como não há nada que reverta a divisão desnecessária da história (o dano deverá ser compensado com a promessa de um lançamento futuro da versão integral e sem censura no circuito comercial), estabelece-se assim algumas diferenças de “Ninfomaníaca: Volume 2” com “Ninfomaníaca: Volume 1”. As digressões de Seligman se justificam com uma revelação surpreendente de um homem que admite sua imparcialidade quanto aos relatos de Joe através de sua devoção à literatura. As diferenças abissais de suas trajetórias, no entanto, condenam divergência de valores.

É curioso notar que os rumos errantes tomados por Joe não corromperam o seu caráter. Corresponder aos seus desejos implica em magoar sua própria família, mas Joe tem um sentimento de complacência diante daqueles que convivem com a mesma solidão que a abate. É polêmica a discussão que o filme incita em uma situação em particular em que Joe diz compreender a dor de um inadimplente que desmorona diante de si: ao visualizar o cenário da história contada por Joe em que ele e uma criança são os protagonistas, o sujeito tem uma ereção indesejada.

É quando finalmente Joe se aproxima do episódio em que Seligman a encontra abandonada e ferida no beco que abre “Ninfomaníaca: Volume 1” que os relatos de Joe são devidamente validados. Os impulsos sexuais da protagonista são uma alegoria para os instintos mais primitivos que não aprendemos a reprimir, algo que garante conexão imediata com as abordagens trabalhadas nos títulos prévios do cineasta, como “Dogville” e “Manderlay”. Não se deixe enganar pela sensação de otimismo que promete se manifestar no encerramento de “Ninfomaníaca: Volume 2”. Não há nada que modifique a descrença de Lars von Trier na humanidade.

Nymphomaniac: Volume 2, 2013 | Dirigido por Lars von Trier | Roteiro de Lars von Trier | Elenco: Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgård, Stacy Martin, Shia LaBeouf, Christian Slater, Willem Dafoe, Mia Goth, Michael Pas, Jean-Marc Barr, Jamie Bell, Ananya Berg e Udo Kier | Distribuidora: California Filmes

Resenha Crítica | Alemão (2014)

Alemão

Realizador de filmes pouco acessíveis como “A Concepção”, “Se Nada Mais Der Certo” e “Meu Mundo em Perigo”, o cineasta nascido em Brasília José Eduardo Belmonte parece agora interessado em tocar projetos capazes de adquirirem maior projeção dentro de um circuito comercial cada vez mais avassalador. Enquanto não estreia “O Gorila”, filme que forma o terceiro componente de um trio que representa uma nova fase de uma carreira ainda não consolidada, podemos, com “Billi Pig” e “Alemão”, quase chegar à conclusão de que Belmonte não tomou a decisão de modo adequado.

Se com “Billi Pig” Belmonte tentou resgatar sem nenhum sucesso as características de um modelo cômico hoje obsoleto na cinematografia brasileira, pior é sua investida no gênero policial com “Alemão”, este ganhando agora o circuito comercial. É um filme que se revela um erro já em seus primeiros segundos: antes de narrar o drama de cinco policiais encurralados no Complexo do Alemão antes do processo de pacificação, os letreiros alertam que tudo deve ser encarado como ficção.

A história inicia com um motoboy que, sabe-se lá o porquê, circula em meio ao Complexo do Alemão com uma arquivo comprometedor capaz de revelar a identidade de cinco policiais infiltrados no local. Com os nomes e rostos espalhados a mando de Playboy (Cauã Reymond), líder de toda a bandidagem que corrompe o Complexo do Alemão, resta aos policiais Samuel (Caio Blat), Danilo (Gabriel Braga Nunes), Carlinhos (Marcello Melo Jr.) e Branco (Milhem Cortaz) se refugiarem na pizzaria de Doca (Otávio Muller), este também um policial que convenientemente deu fim em sua ficha antes que seus colegas fossem descobertos.

Inspirado por uma ideia do produtor Rodrigo Teixeira, “Alemão” acaba involuntariamente ridicularizando algo que deveria se comportar como a dramatização de um episódio recente na história do Rio de Janeiro. A irrealidade do roteiro já se vê em cada personagem respondendo a um estereótipo de filme policial barato. Claro que Caio Blat ficaria a cargo de fazer o sujeito franzino e coagido enquanto Gabriel Braga Nunes faz o galã e o Milhem Cortaz, o truculento.

Se já não bastasse criar personagens pelos quais a gente não torce em momento algum e que agem estupidamente diante dos imprevistos, “Alemão” ainda nos brinda com a entrada de Mariana (Mariana Nunes) para cobrar de Doca o dinheiro não pago por um dia de faxina na espelunca. Claro que a moça fará escândalo, revelará que é mãe e que ainda teve um passado com Playboy – se não bastasse tudo isso, Mariana ainda despertará o lado mais amoroso de um dos policiais.

Os exemplos de mau cinema não cessam aqui. Além do roteiro risível e das péssimas interpretações de todo o elenco (a inabilidade dos globais para interpretar policiais ou bandidos é impressionante), “Alemão” é tecnicamente atroz. Composta por Guilherme e Gustavo Garbato, a trilha-sonora é estridente. De Bruno Lasevicius e Virginia Primo, a montagem chega até a flertar com a linguagem de vídeo clipe de rap ao dar forma ao clímax. Por fim, resta um Belmonte bem distante daquele cineasta antes encarado como uma promessa de novos ares de um cinema que a todo o momento conta com filmes como “Alemão” para retardar uma linha de progresso.

Alemão, 2014 | Dirigido por José Eduardo Belmonte | Roteiro de Gabriel Martins | Elenco: Caio Blat, Gabriel Braga Nunes, Marcello Melo Jr., Milhem Cortaz, Otávio Muller, Mariana Nunes, Cauã Reymond, Antônio Fagundes, Jefferson Brasil, Marco Sorriso, Aisha Jambo, Micael Borges, MC Smith, Alcemar Vieira e Andrea Cavalcanti | Distribuidora: Paris Filmes

Resenha Crítica | Need for Speed – O Filme (2014)

Need for Speed - O Filme | Need For Speed - The Movie

Há alguns filmes que são bons justamente por não ambicionarem algo muito além que suas próprias essências permitem. Adaptação de “Need for Speed”, uma franquia de jogos eletrônicos que tinha como principal plataforma o PlayStation 1, o segundo longa-metragem de Scott Waugh (que vem do sucesso de “Ato de Valor”) é um entretenimento divertido exatamente por tirar o melhor que pode existir dentro de um material limitadíssimo.

Para aqueles viciados em outros jogos eletrônicos ou que passaram longe de qualquer console por problemas de coordenação motora, “Need for Speed” nada mais é do que um game em que o jogador conduz um veículo, desportivo ou tunado, em alta velocidade em meio a paisagens deslumbrantes e música bacana. O único desafio é obter crédito para potencializar um carro ou mesmo comprar um novo modelo. Em “Need for Speed – O Filme”, não é muito bem isso o que acontece.

Quase sonolento, o primeiro ato de “Need for Speed – O Filme” nos apresenta a Tobey Marshall (Aaron Paul), um mecânico que compete em corridas clandestinas. Para manter a oficina da família em pé, Tobey acaba se associando a um ex-piloto da Nascar pouco confiável chamado Dino Brewster (Dominic Cooper), o que culmina em um acidente que vitima seu irmão (Harrison Gilbertson) e ainda o leva para a prisão para cumprir uma pena de aproximadamente dois anos.

Uma vez definida as boas intenções e o desejo de vingança de Tobey em meio a ilegalidade e a falta de caráter de Dino, o segundo ato de “Need for Speed – O Filme” dá uma boa guinada ao ambientar os conflitos dentro de um carro. E aí se faz presente o talento de Scott Waugh em escolher um elenco carismático e também em conduzir boas cenas de ação.

Com a carreira nas alturas após o sucesso estrondoso do seriado “Breaking Bad”, Aaron Paul faz um protagonista sem pinta de galã extremamente carismático. Ainda melhor é a sua companheira de cena, a graciosa inglesa Imogen Poots, que joga pelo ralo o estereótipo de interesse romântico que mais se comporta como um adorno com curvas maliciosas. Quanto a ação, pouco se nota a presença de truques digitais. Waugh acerta ao recorrer aos planos em primeira pessoa e nos brinda com sequências que rivalizam (e superam) com outras vistas em similares como “Velozes e Furiosos”.

Need for Speed – The Movie, 2014 | Dirigido por Scott Waugh | Roteiro de George Gatins, baseado no game “Need for Speed”, da Electronic Arts | Elenco: Aaron Paul, Dominic Cooper, Imogen Poots, Scott Mescudi, Rami Malek, Ramon Rodriguez, Harrison Gilbertson, Dakota Johnson, Stevie Ray Dallimore, Alan Pflueger, Brian L. Keaulana, Logan Holladay, Carmela Zumbado, Jalil Jay Lynch e Michael Keaton | Distribuidora: Disney