O humor politicamente incorreto na ensolarada Filadélfia

It's Always Sunny in Philadelphia

Sempre tive uma tendência em proteger os fracos e oprimidos. Quando não é contra o Corinthians, prefiro os times mais fracos. Luto pelas causas perdidas. Opto pelo underground em detrimento do mainstream. Prefiro mais apostar no azarão.

Partindo desse principio, gostaria de comentar um seriado que vejo a algum tempo, poucas pessoas sabem que vejo e quando conto sequer sabem que essa série existe: “It’s Always Sunny in Philadelphia”.

Pra quem não tem noção do que estou falando, essa é uma série de humor, de vinte e poucos minutos, sem claque, baseada na… Filadélfia. Estrelada por Rob McElhenney (criador), Charlie Day, Glenn Howerton, Kaitlin Olson e, a partir da segunda temporada, Danny DeVito, tem como enredo um grupo de amigos cuja missão é administrar um bar irlandês.

Seria fácil e enfadonho, senão pelo fato deles serem uma espécie de anti-heróis, asquerosos, sempre em busca de tirar vantagens por meios politicamente incorretos.

Tentativas de golpes, tráfico, sexo, abuso de drogas e álcool, piadas com estereótipos de minorias ou humor negro são temas corriqueiros dessa série que está em sua… décima temporada! E, ao menos no Brasil, é quase desconhecida – e creio que em qualquer outro lugar fora dos Estados Unidos.

E isso é bom, tendo em vista que um seriado que usa de um humor tão ácido como essa tem que agir meio na surdina. Ou talvez a surdina seja uma consequência do seu humor – que até para os fãs pode ser intragável às vezes.

Porém, sempre há uma espécie de moral da história intrínseca, haja visto ser raro eles se darem bem em suas empreitadas. O que, apesar do humor politicamente incorreto, mostra que eles não pregam isso. Pelo contrário, tocam no assunto e tiram sarro deles mesmos.

Bom para assistir com cerveja gelada.

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Paolo Enryco amadureceu em frente à tevê e por esse motivo adquiriu um humor exótico e um senso crítico rabugento. Sua formação, que varia entre o sensato e o lírico, compõe suas críticas – ou seja lá o que ele escreve aqui. Mais devaneios em Eu Penso.

Os 10 Melhores Filmes de 2014

Veja bem. Em 2014, o top 10 dos melhores do ano saiu no dia 1º de junho. Desta vez, conseguimos publicá-lo ao final do mês de abril. Um avanço, não é mesmo? Quem sabe em 2016 teremos uma lista divulgada no início de março ou, numa perspectiva mais positiva, final de fevereiro?

Criar listas é um processo desgastante. É preciso se dedicar em diagramação da postagem, nas posições para cada título, nas alterações e em revisões. Mas é também gratificante. É legal pensar na produção ou reprodução dos comentários que vão justificar as suas escolhas. Também é emocionante lembrar dos grandes momentos presentes em cada filme. Mais: em um top 10 de melhores do ano, a sensação é de que o ponto final foi dado. Vamos agora desfrutar o que o cinema vai nos apresentar ainda este ano. Que sejamos surpreendidos.

Cães Errantes | Jiao you

#10. Cães Errantes, de Tsai Ming Liang

De certo modo, a experiência de se ver “Cães Errantes” é a mesma que mergulhar em uma galeria de imagens de um artista anônimo. O desconforto inicial é paulatinamente substituído por um sentimento de fascínio quando finalmente contemplamos as mesmas imagens com um olhar já amadurecido. Trata-se de algo oferecido por Tsai Ming Liang ao longo de “Cães Errantes”: a mesma pintura visualizada por uma personagem no meio da narrativa representa a nós mesmos quando mostrada pela segunda vez em uma conclusão fenomenal. +

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Philomena

#9. Philomena, de Stephen Frears

Tudo indicava que Stephen Frears não conseguiria oferecer outro grande momento como diretor depois do close em Michelle Pfeiffer que encerra “Chéri“, uma emulação evidente da conclusão de “Ligações Perigosas”, ainda dada por muitos como sua obra-prima. Depois de não dar o melhor de si no apenas bom “O Retorno de Tamara” e de alcançar o fundo do poço com “O Dobro ou Nada“, Frears consegue provar o ótimo cineasta que é ao presentar o público com um close devastador nos belos olhos azuis de Judi Dench nos momentos finais de “Philomena”. A boa notícia é que este não é o único trunfo de sua nova realização. +

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O Lobo de Wall Street | The Wolf of Wall Street

#8. O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese

Para o bem ou para o mal, Scorsese se deixa envolver pela inconsequência de Jordan. Não é algo que contamina a sua técnica única, mas o modo como exibe o freak show em que seu protagonista é o host. Portanto, a frequência com que notas de 100 dólares são descartadas não é a a única extravagância que “O Lobo de Wall Street” se permite. Salões de orgias e consumo de drogas são alguns dos principais ambientes explorados e o humor alterna-se entre a misoginia e o cartunesco. +

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Ninfomaníaca - Versão do Diretor | Nymphomaniac - Director's Cut

#7. Ninfomaníaca: Volumes 1 & 2, de Lars von Trier

É quando finalmente Joe se aproxima do episódio em que Seligman a encontra abandonada e ferida no beco que abre “Ninfomaníaca: Volume 1″ que os relatos de Joe são devidamente validados. Os impulsos sexuais da protagonista são uma alegoria para os instintos mais primitivos que não aprendemos a reprimir, algo que garante conexão imediata com as abordagens trabalhadas nos títulos prévios do cineasta, como “Dogville” e “Manderlay”. Não se deixe enganar pela sensação de otimismo que promete se manifestar no encerramento de “Ninfomaníaca: Volume 2″. Não há nada que modifique a descrença de Lars von Trier na humanidade. +

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Sob-a-Pele-Under-the-Skin

#6. Sob a Pele, de Jonathan Glazer

Tendo como alvo principal indivíduos à margem da sociedade, era evidente o comentário que Michel Faber pretendia fazer em “Sob a Pele”, principalmente por se ater mais às interações de Isserley com esses homens tão ingênuos quanto ameaçadores. Na adaptação para cinema dirigida por Jonathan Glazer, poucos dos elementos reconhecíveis no romance de Faber se manteram. Melhor assim, pois, como filme, “Sob a Pele” se livra das amarras para fazer uma investigação extremamente sensorial das contradições humanas. +

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O Lobo Atrás da Porta

#5. O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra

Ainda que o leque de possibilidades sendo ampliado a cada ano no cinema nacional, o thriller ainda é um gênero estranho em nossa cinematografia recente. “O Lobo Atrás da Porta” presta uma colaboração imensurável a ele através de uma narrativa mantida com uma ferocidade que precisa se manifestar progressivamente. O resultado é visto no empenho de um elenco cercado de intérpretes em seus melhores momentos e em uma condução de planos sem cortes que respeita o perigo presente nas interações dos personagens. Em um ano que contou com a exibição de 102 longas nacionais, “O Lobo Atrás da Porta” é de longe o melhor. +

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 O Passado | Le Passé

#4. O Passado, de Asghar Farhadi 

Independente do cenário um tanto opressor que habitam, os personagens de Asghar Farhadi sobrevivem em nosso imaginário por lidarem com questões universais, como a fragilidade de homens na posição equivocada de autoridade e as dificuldades das mulheres em se sobressaírem diante das convenções do lar. Esses são apenas alguns dos temas que permeiam “O Passado”, talvez o filme mais completo já realizado por Asghar Farhadi. +

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Uma Vida Comum | Still Life

#3. Uma Vida Comum, de Uberto Pasolini

Sobrinho do mestre italiano Luchino Visconti, Uberto Pasolini comprova neste seu mais novo trabalho que a sua sensibilidade é hereditária. Conceber uma obra com uma história sobre as emoções que permeiam a vida e a morte requer um artista que tenha uma experiência muito ampla com as relações humanas e a solidão. É notável a sua capacidade de captar tantas informações diante de tão pouco. Cada fotografia ou cômodo que sua câmera observa traz a história de uma existência interrompida e a troca do luto pela rejeição deixa o seu registro ainda mais melancólico. +

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O Grande Hotel Budapeste | The Grand Budapest Hotel

#2. O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson

Por trás das gags visuais esplendorosas e os desdobramentos planejados com uma astúcia singular, há no âmago de “O Grande Hotel Budapeste” uma representação muito especial sobre uma necessidade inerente a qualquer indivíduo: a preservação da memória. Ao testemunhar perdas ou naturais ou promovidas pela desgraça humana em tempos de guerra, Zero encontra na curiosidade de um escritor o vínculo com uma geração posterior para possibilitar que os mesmos erros de seu passado não sejam reprisados. Na ficção, seu objetivo é alcançado através da literatura. Do “lado de cá”, a meta se materializa como um dos melhores filmes do ano. +

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Nebraska#1. Nebraska, de Alexander Payne

O coração de “Nebraska” está mesmo no relacionamento de pai e filho entre Woody e David. É habitual testemunhar em histórias como esta a figura paternal disposta aos maiores sacrifícios para compensar uma existência marcada por erros e ausências. O que se vê em “Nebraska” é o oposto, pois é David que tem a iniciativa, mesmo que tardia, de restabelecer uma ligação perdida. É um momento em que o fim como certeza de uma existência finalmente é claro para David e que o melhor a ser feito é esquecer as agruras do passado e dar o melhor de si para fortalecer as melhores memórias. +

Prêmio Review | Melhores de 2014: Filme

NebraskaNEBRASKA
(produzido por Albert Berger e Ron Yerxa)

“Nebraska é um filme com tudo no lugar certo: o roteiro é redondo, com diálogos incrivelmente espirituosos; o ritmo prende o interesse do espectador da primeira à última cena; o elenco está tão fantástico que merecia uma premiação coletiva; a fotografia em P&B é um charme; e a direção firme de Payne conjuga todos esses elementos para criar um todo harmonioso.” – Erika Liporaci [Artes & Subversão]

“Longos planos e a opção pelo preto e branco criam o distanciamento do público, mero espectador da jornada, mas não impedem o envolvimento e identificação com os personagens.” – Cecilia Barroso [Cenas de Cinema]

“Um filme belíssimo que resiste ao tempo e cresce de tamanho à medida que nos afastamos dele. Uma das grandes joias do ano nos cinemas brasileiros.” – Reinaldo Glioche [Cineclube]

“Nebraska é um road movie, um olhar crítico e rabugento da terceira idade, um relato sobre comunicação entre gerações e um belo estudo sobre como pais influenciam filhos e vice-versa. Tudo com a devida calma e sutileza, trazendo aquela sensação tão frequentemente errada de que nada está acontecendo.” – Matheus Pannebecker [Cinema e Argumento]

“Nebraska (2013) dá sequência ao tema abordado em Os Descendentes e As Confissões de Schmidt. Será que temos aqui uma trilogia involuntária? Não importa. O que vale é que ninguém conta esse tipo de história no cinema atual tão bem quanto Alexander Payne.” – Otávio Almeida [Hollywoodiano]

“Nebraska se faz belo por um conjunto harmônico de elementos, nada parece fora de lugar. É quando o cinema clássico mais convencional está tão afiado àquilo que se propõe que consegue construir uma trama tão fluida quanto emocional.” – Rafael Carvalho [Moviola Digital]

Outros indicados:Cães Errantes” | “Ninfomaníaca: Volumes 1 & 2” | “O Grande Hotel Budapeste” | “O Lobo Atrás da Porta” | “O Lobo de Wall Street” | “O Passado” | “Philomena” | “Sob a Pele” | “Uma Vida Comum

Em 2013: A Hora Mais Escura
Em 2012:
O Artista
Em 2011:
Incêndios
Em 2010:Os Homens Que Não Amavam As Mulheres
Em 2009:A Partida
Em 2008: “O Nevoeiro”
Em 2007:Possuídos

Prêmio Review | Melhores de 2014: Direção

Alexander Payne, por Nebraska

Se a idade fosse um fator que realmente comprometesse  o sucesso de qualquer pessoa em uma transição de estudos ou de carreira profissional, Alexander Payne certamente não teria cursado cinema. Tendo estudado História e Literatura Espanhola na Stanford University, o então jovem Alexander Payne decidiu se arriscar em Cinema na University of California at Los Angeles. Formou-se em 1990, tendo quase 30 anos. A sua tese universitária foi o que o levou a realizar “Ruth em Questão”, então seu primeiro longa-metragem. Já nesta produção protagonizada por Laura Dern foi possível identificar elementos que tornariam Alexander Payne um dos maiores cineastas em atividade: o humor mordaz, a coragem em lidar com temas espinhosos com uma autêntica acessibilidade e a construção de personagens errantes capazes de contar com a nossa simpatia.

Em todos os filmes que dirigiu, Alexander Payne jamais abdicou de sua marca autoral, narrando histórias que têm uma proximidade muito forte com as suas origens.  Não seria diferente em “Nebraska”, filme ambientado no estado americano em que nasceu. Com o apoio do diretor de fotografia Phedon Papamichael (seu parceiro desde “Sideways – Entre Umas e Outras”), Alexander Payne conduz com muito afeto a saga de um filho que acompanha o seu pai em uma viagem para resgatar um prêmio inexistente, sempre evidenciando o tempo como um processo que devasta ou consolida memórias, relacionamentos e ações.

Outros indicados: Asghar Farhadi (O Passado) | Jonathan Glazer (Sob a Pele) | Tsai Ming-liang (Cães Errantes) | Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)

Em 2013: Alfonso Cuarón, por “Gravidade
Em 2012:
Michel Hazanavicius, por “O Artista
Em 2011: Denis Villeneuve, por “Incêndios
Em 2010:
Roman Polanski, por “O Escritor Fantasma
Em 2009: Yôjirô Takita, por “A Partida
Em 2008: Joe Wright, por “Desejo e Reparação”
Em 2007: William Friedkin, por “Possuídos

Prêmio Review | Melhores de 2014: Ator

Eddie Marsan em Uma Vida Comum

Eddie Marsan, por “Uma Vida Comum

Você sabe que está diante de um grande ator quando o vê incorporando com maestria personagens extremamente opostos. Em 2009, elegemos o britânico Eddie Marsan como o Melhor Ator Coadjuvante por “Simplesmente Feliz”, em que vive um instrutor de autoescola em estado permanente de estresse. Dois anos depois, Eddie Marsan esteve em “Tiranossauro” incorporando um marido agressivo. Eis dois personagens que marcam pelos seus perfis extremamente negativos, mas que nunca impedem que o espectador crie alguns laços de empatia, ainda que o James de “Tiranossauro” seja um homem de um caráter indefensável.

É comovente ver Eddie Marsan em “Uma Vida Comum”, pois o seu John May é um sujeito solitário extremamente cordial. Há mais de 20 anos atuando em uma repartição pública que dá um destino a corpos sem vida de anônimos abandonados à própria sorte, John nunca desiste de dar uma cerimônia digna de despedida para cada uma dessas pessoas, talvez por já aceitar que está caminhando para um destino em que também será esquecido. É um desempenho maravilhoso e que se permite a ganhar novas cores conforme o personagem se abre a novas possibilidades.

Outros indicados: Ali Mosaffa (O Passado) |  Geoffrey Rush (O Melhor Lance) | Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste) | Steve Coogan (Philomena)

Em 2013: John Hawkes, por “As Sessões
Em 2012:
Jean Dujardin, por “O Artista
Em 2011:
Mikael Persbrandt, por “Em Um Mundo Melhor
Em 2010:
Nicolas Cage, por “Vício Frenético
Em 2009: Richard Jenkins, por “O Visitante
Em 2008: Philip Seymour Hoffman, por “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto”
Em 2007: Toby Jones, por “Confidencial

Prêmio Review | Melhores de 2014: Atriz

Emma Thompson em Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Emma Thompson, por Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Uma pena que as produções recentes da Disney preocupadas em desmitificar as suas fábulas não tenham sido abraçadas como o merecido. Se neste ano muitos se mostraram furiosos com o musical “Caminhos da Floresta”, ano passado “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” foi encarado como uma cinebiografia imprecisa quando a sua principal meta era enaltecer a arte como uma ferramenta para reparar o que a vida tratou de dissipar. Ainda mais incompreensível é o fato de Emma Thompson ter sido esnobada no Oscar, cuja penúltima edição rendeu ao filme somente uma menção na categoria de Melhor Trilha Sonora.

Nascida em Paddington, Londres, Emma Thompson é sem dúvida uma das maiores atrizes em atividade. Após estrear nos cinemas com “As Atrapalhadas de um Conquistador”, a veterana teve o seu melhor momento nos anos 1990, obtendo o Oscar de Melhor Atriz por “Retorno a Howards End” e Melhor Roteiro Adaptado por “Razão e Sensibilidade”. Emma continuou brilhando, mas os seus últimos trabalhos indicavam que ela envelheceria confortavelmente em papéis secundários. O papel de P.L. Travers, autora de “Mary Poppins”, veio em um momento certo, trazendo o desafio em revelar a humanidade de uma mulher a princípio amarga e impenetrável. Emma permite a todos se tornarem reféns de seus protestos ao adaptar a sua obra-prima literária e nos emociona ao revelar o propósito em estabelecer tantas barreiras: o desejo em não macular a imagem ficcional como um meio para preservar as qualidades de uma figura real que sucumbiu a um fim trágico.

Outras indicadas: Judi Dench (Philomena) | Leandra Leal (O Lobo Atrás da Porta) | Paulina García (Gloria) | Scarlett Johansson (Sob a Pele)

Em 2013: Jessica Chastain, por “A Hora Mais Escura
Em 2012:
Tilda Swinton, por “Precisamos Falar Sobre o Kevin
Em 2011:
Lubna Azabal, por “Incêndios
Em 2010:
Noomi Rapace, por “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres
Em 2009: Melissa Leo, por “Rio Congelado
Em 2008: Belén Rueda, por “O Orfanato”
Em 2007: Ashley Judd, por “Possuídos

Prêmio Review | Melhores de 2014: Ator Coadjuvante

Matthew McConaughey em O Lobo de Wall Street

Matthew McConaughey, por “O Lobo de Wall Street”

Matthew McConaughey tinha acabado de sair de “Clube de Compras Dallas” quando rodou a sua breve participação em “O Lobo de Wall Street”. O ator entrou na segunda semana de filmagens e, assim como Uma Thurman em “Ninfomaníaca: Vol. 1”, aproveitou o seu tempo limitado em cena para entregar algo inesquecível. Como a versão ficcional de Mark Hanna, Matthew McConaughey funciona como uma prévia do homem que Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) se transformará, um zé-ninguém que chega ao topo do mundo perdendo o controle sobre tudo que construiu.

A consagração de Matthew McConaughey em 2014 serviu como uma comprovação da verdadeira transformação que esse texano de 44 anos forçou em sua carreira. Ao se recusar em continuar protagonizando as comédias românticas que banalizaram a sua trajetória (e a imagem de galã), McConaughey ficou praticamente um ano sem conseguir um emprego. Eis que veio “O Poder e a Lei” e tudo mudou. O destaque por “O Lobo de Wall Street” vem influenciado também pelo que fez em “Clube de Compras Dallas”, mas o humor que incorpora ao seu Mark Hanna – a batida no peito foi uma espécie de improviso – basta por si só.

Outros indicados: Geoffrey Rush (A Menina que Roubava Livros) | Jared Leto (Clube de Compras Dallas) | Robert Pattinson (The Rover – A Caçada) | Tom Hanks (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)

Em 2013: Mikkel Boe Følsgaard, por “O Amante da Rainha
Em 2012:
François Damiens, por “A Delicadeza do Amor
Em 2011: John Hawkes, por “Inverno da Alma
Em 2010:
Pierce Brosnan, por “O Escritor Fantasma
Em 2009: Eddie Marsan, por “Simplesmente Feliz
Em 2008: Javier Bardem, por “Onde os Fracos Não Têm Vez”
Em 2007:
 Jackie Earle Haley, por “Pecados Íntimos”

Prêmio Review | Melhores de 2014: Atriz Coadjuvante

Uma Thurman em Ninfomaníaca - Vol. 1

Uma Thurman, por “Ninfomaníaca: Volume 1

Nunca houve dúvidas de que Uma Thurman é uma boa atriz. Nascida em Boston em 1970, Uma Karuna Thurman começou a carreira com o pé direito ao trabalhar com os cineastas Terry Gilliam (“As Aventuras do Barão de Münchausen”) e Philip Kaufman (“Henry & June”), além de viver Cécile de Volanges na adaptação de Stephen Frears para “Ligações Perigosas”, romance do francês Choderlos de Laclos.  Porém, os seus momentos inquestionavelmente brilhantes estão nas parcerias com Quentin Tarantino, diretor que lhe renderia a sua única indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Pulp Fiction” e também o papel de Beatrix Kiddo (vulgo A Noiva), dos dois volumes de “Kill Bill”. Mesmo voltando a ser uma sensação em 2003 e 2004, Uma Thurman mergulhou em um limbo do qual somente o dinamarquês Lars von Trier seria capaz de removê-la.

Com Mrs. H, a atriz assume pela terceira vez um papel recusado por Nicole Kidman e confere um peso inacreditável a uma personagem com uma presença que não toma mais do que dez minutos de “Ninfomaníaca: Vol. 1”. É um dos momentos mais brilhantes do filme, pois há no terceiro capítulo destinado à Mrs. H um humor furioso que somente um autor como Lars von Trier e uma atriz em estado de graça conseguiriam materializar com um exagero desconcertante.

Outras indicadas: Emily Watson (A Menina que Roubava Livros) | June Squibb (Nebraska) | Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão) | Sarah Paulson (12 Anos de Escravidão)

Em 2013: Helen Hunt, por “As Sessões
Em 2012:
Viola Davis, por “Histórias Cruzadas
Em 2011: Rosamund Pike, por “A Minha Versão do Amor
Em 2010:
Olivia Williams, por “O Escritor Fantasma
Em 2009: Diane Kruger, por “Bastardos Inglórios
Em 2008:
 Marcia Gay Harden, por “O Nevoeiro”
Em 2007: Toni Collette, por “Segredos na Noite”

Prêmio Review | Melhores de 2014: Elenco

Ainda que Wes Anderson costume repetir parcerias com atores como Jason Schwartzman, Bill Murray, Owen Wilson, Bob Balaban, Adrien Brody e Willem Dafoe, é incrível como cada um deles consegue evitar a repetição no universo tão particular do cineasta. Embora o seu rigor seja mais do que reconhecido na condução de um filme, nota-se que há a criação de um ambiente criativo em que todos têm prazer em colaborar, algo muito evidente também na parcela de equipe técnica laureada com 4 Oscars neste último ano, todos reservando agradecimentos empolgados a Wes Anderson. “O Grande Hotel Budapeste” reuniu o melhor elenco em um lançamento de 2014 e o cuidado de cada trabalho se vê tanto no protagonismo assumido por Ralph Fiennes quanto em participações muito breves que deixam uma impressão muito forte, seja na sempre impagável Tilda Swinton como Madame D. ou mesmo Léa Seydoux vivendo a delicada serviçal Clotilde.

Vencedor:O Grande Hotel Budapeste

Outros indicados: “Nebraska” | “Ninfomaníaca: Volumes 1 & 2” | “O Passado” | “Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Em 2013: Álbum de Família
Em 2012:
Histórias Cruzadas
Em 2011: Melancolia
Em 2010:O Escritor Fantasma
Em 2009: “Bastardos Inglórios
Em 2008: “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto”
Em 2007:  “Bobby

Prêmio Review | Melhores de 2014: Animação

É evidente que a Disney vem buscando algumas atualizações nos contos de fadas ou histórias infantojuvenis. A cada novo filme, o papel de uma donzela em perigo passa a ser discutido, seja pelo seu protagonismo em uma aventura, seja pelo modo como as adversidades são assumidas. “Frozen: Uma Aventura Congelante” é fofo e tem personagens perfeitos para serem transformados em pelúcia, mas é também uma adaptação de  “A Rainha da Neve” que sabe criar números musicais certeiros na exposição do âmago de Elsa e sua irmã Anna e que revê o papel da princesa que sempre tem como missão preservar a próxima geração de sua nobre linhagem. É uma animação excelente e o fato de ser aquela a alcançar a maior bilheteria da história (com uma arrecadação superior a 1,2 bilhões) é uma consagração mais do que justa.

Vencedor:Frozen: Uma Aventura Congelante“ (produzido por Chris Buck, Jennifer Lee e Peter Del Vecho)

Outros indicados:Chico & Rita” | “Como Treinar o Seu Dragão 2” | “Operação Big Hero” | “Vidas ao Vento

Em 2013: Universidade Monstros
Em 2012:
O Mundo dos Pequeninos
Em 2011: Rango
Em 2010:Como Treinar o Seu Dragão
Em 2009: “Up – Altas Aventuras