Os 10 Melhores Filmes de 2015

Uma vez finalizado o nosso Prêmio Review, no qual rememoramos o melhor do cinema de 2015 em várias categorias, encerramos os tópicos pertinentes ao ano passado com um top 10 sobre os nossos lançamentos favoritos. Assim como em anos anteriores, consideramos aqui qualquer filme conferido em sua passagem pelos cinemas brasileiros ou com apreciação exclusiva por meio do nosso mercado de homevideo. Compreendemos a expansão do video on demand, mas ainda não temos uma fonte em que podemos consultar a chegada de cada título nessa plataforma.

E quanto a você, quais foram os melhores filmes de 2015? No Letterboxd, também publicamos um top 50.

Força Maior (Force Majeure)

# 10. Força Maior, de Ruben Östlund

Vencedor do prêmio Um Certo Olhar na última edição do Festival de Cannes e lamentavelmente ignorado no Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, “Força Maior” busca tanto por panorâmicas de paisagens naturais e gélidas como representações da natureza do protagonista como também por planos que o capturam à distância, forçando uma pequenez que parece caçoar de sua masculinidade. Os suecos são ótimos em retratar as suas fraquezas sem qualquer reserva e as coisas não são diferentes para Tomas, nos fazendo criar uma empatia por um homem inegavelmente patético. +

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A Tribo (Plemya)

# 9. A Gangue, de Miroslav Slaboshpitsky

Além de exigir que o público saia de sua zona de conforto ao contar uma história que se comunica com a apropriação de ferramentas pouco usuais, “A Gangue” também não o poupa ao fazer um registro barra-pesada sobre o submundo europeu que não deixa ninguém incólume. Figuras geralmente retratadas em tom piedoso, os surdos-mudos se veem aqui tão errantes e vulneráveis quando os indivíduos que verbalizam com mais facilidade as suas fúrias internas. +

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O Julgamento de Viviane Amsalem (Gett)

# 8. O Julgamento de Viviane Amsalem, de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz

Na posição autoral privilegiada, Ronit Elkabetz poderia muito bem persuadir o seu irmão e co-diretor Shlomi Elkabetz ao enaltecer a figura de Viviane Amsalem ao mesmo tempo em que vilaniza Carmel e todos os homens que o cercam. Ao invés disso, não questiona as falhas, inerentes a qualquer ser humano, mas o poder de decisão, exclusivo a eles. É um status quo tão devastador daquela realidade que a nem mesmo a liberdade surge sem que um novo voto de opressão seja prometido. +

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Mad Max - Estrada da Fúria (Mad Max - Fury Road)

# 7. Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller

O que transformará “Estrada da Fúria” em clássico, no entanto, é a virada de expectativas que é proposta a partir de seu segundo ato. É preciso muita coragem para transformar Max em um coadjuvante de sua própria história, algo que George Miller faz sem qualquer cerimônia ao avaliar a potencialidade de sua Imperatriz Furiosa. É ela a face que os personagens íntegros precisam como um novo líder e a inteligência em confirmar esse desejo permite ao filme caminhar para um encerramento implacável. +

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A Pele de Vênus (La Vénus à la fourrure)

# 6. A Pele de Vênus, de Roman Polanski

A maior graça de “A Pele de Vênus” é a desmitificação de mitos com as menções às inúmeras versões de Vênus. Seja nas pinturas de Botticelli, Ticiano e Kustodiev ou nas esculturas preservadas nos museus de Louvre e Atenas, a Deusa da Beleza e do Amor sempre foi retratada em seu esplendor. Mas resistiria suas virtudes ao tempo? É um questionamento que Polanski transfere para a reversão dos papéis do Homem e da Mulher, para a compreensão da máscara que sustentamos e a verdadeira face que ela acoberta e, especialmente, para a desnudação da arte de fazer cinema. +

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Livre (Wild)

# 5. Livre, de Jean-Marc Vallée

Evitando o erro visto em filmes similares como “Na Natureza Selvagem”, em que o protagonista é involuntariamente reduzido com o realce exacerbado conferido aos personagens secundários, “Livre” se mantém concentrado totalmente em Cheryl, o que garante força à aventura que ela mergulha. Há também o trabalho musical, com canções selecionadas a dedo pelo roteirista Nick Hornby (britânico mais conhecido como o autor dos livros “Alta Fidelidade” e “Um Grande Garoto”) para embalar os passos de Cheryl, firmes o suficiente para tornar palpáveis as novas possibilidades com o fim de um percurso existencial. +

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Mistress America

#4. Mistress America, de Noah Baumbach

Nunca se viu Noah Baumbach tão certeiro na mise-en-scène e nos diálogos, estes também assinados por Greta Gerwig e disparados como balas de uma metralhadora. E é exatamente aí que “Mistress America” vai deixando um gosto amargo. É um filme tão sincero e espontâneo em suas intenções que 84 minutos de duração parecem insuficientes. O desejo é o de ficar acompanhando esses personagens instáveis o dia inteiro. +

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A Lição (Urok)

# 3. A Lição, de Kristina Grozeva e Petar Valchanov

Muito parecida com Noomi Rapace, Margita Gosheva está extraordinária no desafio em viver Nade, que passa a ter um problema ainda maior a partir do ponto que soluciona o anterior. É sufocante vê-la com dificuldades em pagar uma taxa risível para não ter a sua residência tomada pelas autoridades e os acontecimentos que se sucedem, como as consequências por um empréstimo ilegal e os atritos familiares vindo à tona, quase nos fazendo perder as esperanças por uma resolução positiva, não fosse a determinação em Nade em não permitir que as adversidades pisoteiem os seus valores. Um estudo fascinante de personagem e do cenário em que está inserida, bem como um dos melhores filmes deste ano. +

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Sicario - Terra de Ninguém (Sicario)

# 2. Sicario: Terra de Ninguém, de Denis Villeneuve

Após “Os Suspeitos”, Denis Villeneuve volta a trabalhar novamente com o diretor de fotografia Roger Deakins, formando assim uma dupla que compreende a tensão com o enclausuramento de seus personagens com planos fechados e a preferência por alguns recursos que nos jogam na ação, como o clímax que emula o que se vê com o uso de um equipamento de visão noturna. Colabora também a trilha do islandês Jóhann Jóhannsson, que substitui os acordes ternos de “A Teoria de Tudo” pelo empenho em criar uma ilusão de uma tormenta desabando sobre a terra. +

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Whiplash - Em Busca da Perfeição (Whiplash)

# 1. Whiplash: Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle

Além do domínio técnico, Chazelle tem tanta fluência do seu próprio texto que ainda é capaz de visualizar na vilania de Fletcher e no fracasso de Andrew dois componentes opostos que irão se articular em parceria na tentativa de alcançarem algo que vá além de suas capacidades. Conclui-se assim um grande filme que extrai de nós os aplausos que não encena. +

As 10 Melhores Músicas de Marina and the Diamonds

Marina and the Diamonds

Nascida no País de Gales em 1985 como Marina Lambrini Diamandis, Marina and the Diamonds (os diamantes são os fãs, já apontou) teve uma longa jornada antes de lançar em 2010 “The Family Jewels”, o seu primeiro álbum e ainda inédito no Brasil. Encontrando a vocação na adolescência ao frequentar as aulas de música de uma escola somente para meninas, Marina veio como uma grande aposta no cenário pop independente, hoje consolidada com uma discografia que inclui “Electra Heart” (2012) e “Froot” (2015).

Hoje mundialmente conhecida, Marina desembarca no Brasil após a sua ausência na penúltima edição do Lollapalooza, justificada com os problemas mecânicos do avião que tomaria para o nosso país, deixando inconsoláveis centenas de fãs que compareceram ao festival apenas para vê-la. Como forma de compensação, Marina fará duas apresentações neste fim de semana. A primeira acontece amanhã, sexta-feira, às 23h30 no Audio Club. Já a segunda é no próprio Lollapalooza, disputando o público de ninguém menos que Eninem em um palco paralelo.

Desde que ouvimos “Hollywood” pela primeira vez, não pudemos desgrudar os nossos ouvidos de Marina and the Diamonds. Por isso mesmo, saímos um pouco da editoria de cinema para selecionar e comentar brevemente, sem ordem de preferência, sobre as nossas músicas favoritas da artista, cujo primeiro show em nosso território estamos ansiosos para prestigiar.

# 1
Hollywood

Prevendo a ascensão no cenário musical, mas já se precavendo dos excessos do sucesso, Marina faz uma crítica mordaz sobre os artificialismos da fama, visualizando caos no desembarque no endereço mais almejado por aqueles que desejam se tornar públicos. É um comentário que só vem a somar a uma música que não se furta do convite para ser celebrada.

#2
Oh, No!

“Oh, No!” prossegue com as intenções ditadas em “Hollywood” e “Mowgli’s Road” – esta, embora não presente em nossa lista, é também genial. Vem como o testemunho de uma artista mais interessada em se expressar artisticamente do que as consequências que isso trás, como fama e dinheiro. Há grandes achados, como “A TV me ensinou o que sentir. Agora a vida real não tem nenhum apelo“, e o clipe, que homenageia a estética do pop-art,  prova as boas referências que a galesa carrega.

# 3
Numb

A voz angelical de Marina está presente com força nesta que talvez seja a melhor de suas canções dramáticas. A sensação de ouvi-la é a mesma de flagrar a si mesmo no fundo de um poço e ainda assim encontrar o seu próprio brilho interior como uma escalada para a superação. “Numb” também marca o primeiro crédito de Marina no cinema, sendo a canção usada na conclusão do filme “Relação Mortal“, de Mary Harron.

# 4
Teen Idle

Se “Electra Heart” foi duramente criticado por trazer Marina flertando com o comercial com canções “fáceis” como “Primadonna” e “How to Be a Heartbreaker” (gravada quando o lote britânico já tinha sido despachado), “Teen Idle” a traz em uma atmosfera mais próxima de suas raízes, em um registro amargo e incrivelmente verdadeiro sobre a adolescência e todos os seus pesares oriundos do processo de construção da própria identidade. Os horríveis anos sendo uma tola. A juventude não foi feita para ser bela?

# 5
Hypocrates

Os instrumentos musicais, como a guitarra, o teclado e a bateria, parecem emular aquelas baladas irresistíveis de festas de debutantes, uma roupagem ideal para uma letra sobre como nos diminuímos ao posicionar uma paixão em um pedestal. Eu estou tão doente e cansada de toda sua pregação. Quem é você para me dizer quem devo ser?

# 6
Radioactive

“Primadonna” é um barato, mas Marina errou ao seguir a recomendação de seus produtores de selecioná-la como o principal single de “Electra Heart” ao invés de “Radioactive”. Com críticas mistas, o álbum encontra as suas principais virtudes nesta composição, que revela a genialidade por trás da construção da fictícia Electra e todos os seus arquétipos, sendo “Radioactive” uma sequência de “Fear and Loathing”. A batida influenciada pela música eletrônica oitentista é viciante.

# 7
Buy the Stars

“Buy the Stars” é muito associada com “Numb”, já citada nesta lista. Também presente no ato final do álbum, Marina é acompanhada apenas pelo piano em uma letra sobre a procura do amor próprio. Uma belíssima melodia lamentavelmente pouco lembrada e presente apenas na versão deluxe não lançada no Brasil de “Electra Heart”.

# 8
Happy

Em uma escolha ousada, “Happy” vem a ser a canção que inaugura “Froot”, sendo a faixa-título a segunda presente neste terceiro álbum da cantora. Espécie de encontro da felicidade após uma peregrinação interna com a tristeza como terreno, “Happy” é também um momento em que a vertente lírica de Marina assume o protagonismo, com a interferência mínima de instrumentos.

# 9
I’m a Ruin

Fruto de um relacionamento mal-sucedido, “I’m a Ruin” traz a cantora como a face “inimiga” de uma experiência amorosa, talvez não consolidada apenas com dois componentes e movida por egoísmo e abandono. Eu vou arruinar, sim, vou te arruinar. Tenho feito coisas que não deveria fazer.

# 10
Blue

Se “Happy” é uma canção movida por um tom melancólico, “Blue” faz uma inversão de intenções, contrariando o título com uma das faixas mais animadas de “Froot”. É mais uma prova da genialidade da cantora e compositora, famosa em subverter os sentimentos que se transformam em matéria-prima para as suas letras.

Prêmio Review | Melhores de 2015: Filme

Prêmio Review - Melhor Filme - Whiplash Em Busca da Perfeição

 

“É muito válido apontar no elenco o brilhante protagonismo de Milles Teller, mas não tem como não se encantar com o benevolente antagonismo de J.K. Simmons, que dribla todos os artifícios manjados que poderiam ser encontrados em seu personagem, abusando da racionalidade, mas usando a emoção nas doses e nos momentos certos, mostrando a faceta daquele que está julgando e que sabe que o melhor resultado provém da pessoa que faz um bom trabalho.” – Brenno Bezerra [Rede Cinéfila]

“Confirmando a máxima de que a música é 5% inspiração e 95% transpiração, o filme aproxima-se da realidade ao demonstrar que até mesmo os virtuoses – aqueles que nescem com o dom – precisam se dedicar e se esforçar até o limite de suas forças para chegar onde desejam. Para ver, ouvir e se deleitar.” – Cecilia Barroso [Cenas de Cinema]

“A montagem impetuosa de Tom Cross salta dos gestos secos de Fletcher aos planos-detalhe dos instrumentos – para ele, há apenas acordes – com a precisão que exigida de seus alunos, de maneira a criar, com auxílio da excelente trilha sonora de Justin Hurwitz, a sensação de estarmos assistindo ao aterrorizante nascimento de um concerto de jazz.” – Márcio Sallem [Em Cartaz]

Ao final da cena apoteótica que encerra “Whiplash: Em Busca da Perfeição”, filme dirigido e escrito por Damien Chazelle, é impossível não imaginar Andrew (Milles Teller) incorporando uma Nina (Natalie Portman, no filme “Cisne Negro”) e afirmando para si mesmo: “Eu senti. Perfeito. Eu fui perfeito”. – Kamila Azevedo [Cinéfila por Natureza]

É a técnica fazendo algo empolgante como há anos não víamos em uma sequência final. E também o próprio roteiro, resolvendo questões decisivas da trama sem uma palavra sequer – e sem precisar delas. Como o próprio filme sugere com a chegada dos créditos finais, as palmas ficam por nossa conta. – Matheus Pannebecker [Cinema e Argumento]

“Whiplash” é uma apoteose. No subtexto feroz que articula sobre a obsessão e por devolver à música aquele sentido estupendo que poucas vezes o cinema tangenciou como na derradeira cena desta pequena obra-prima contemporânea. – Reinaldo Glioche [Cineclube]

Damien Chazelle realiza um trabalho sedutor, que até certo ponto bebe de conceitos e ideias que filmes como Nascido para Matar e Cisne Negro aplicam em outros universos. – Wanderley Teixeira [Chovendo Sapos]

Outros indicados: A Gangue | A Lição | A Pele de Vênus | Força Maior | Livre | Mad Max: Estrada da Fúria | Mistress America | O Julgamento de Viviane Amsalem | Sicario: Terra de Ninguém

Em 2014: Nebraska
Em 2013:
A Hora Mais Escura
Em 2012:
O Artista
Em 2011:
Incêndios
Em 2010: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres
Em 2009: A Partida
Em 2008: O Nevoeiro
Em 2007: Possuídos

Prêmio Review | Melhores de 2015: Direção

Prêmio Review - Melhor Direção - George Miller - Mad Max Estrada da Fúria

Entre as décadas de 1970 e 1990, o cinema australiano passou a ser movido com a potência de novas vozes, resultando em produções que ultrapassaram as barreiras da terra dos cangurus para invadir Hollywood e o mundo. Não somente alguns intérpretes como Nicole Kidman, Russel Crowe, Hugo Weaving, Guy Pearce, Toni Collette e Paul Hogan se transformaram em astros, como também muitos diretores migraram para conduzir grandes produções em outros países.

Bem como Peter Weir, Jane Campion, Baz Luhrmann, P.J. Hogan, Phillip Noyce e tantos outros, George Miller começou a carreira com um filme independente cujos ecos foram notados por públicos de todos os cantos do mundo, transformando a cinematografia australiana em uma arte com um diálogo universal. Porém, somente Miller tem hoje uma saga a qual continua revisitando para as novas gerações: “Mad Max”.

Absolutamente tudo conspirava para o fracasso de “Mad Max: Estrada da Fúria“: a substituição do grande Mel Gibson pelo pouco carismático Tom Hardy, as constantes mudanças de cronograma para as filmagens e os adiamentos no lançamento nos cinemas, um indício de que há muitos problemas a serem revertidos na ilha de edição. Felizmente, as estimativas pouco favoráveis não condizem com o resultado final, no qual George Miller outra vez revê a saga que o levou a fama ao capturar temas pertinentes ao nosso contexto, como o esgotamento de recursos naturais e o empoderamento feminino, como combustíveis de uma ação insana e em movimento contínuo. [texto originalmente publicado no Cinema de Buteco]

Outros indicados: Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição) | Denis Villeneuve (Sicario: Terra de Ninguém) | Miroslav Slaboshpitsky (A Gangue) | Roman Polanski (A Pele de Vênus)

Em 2014: Alexander Payne, por Nebraska
Em 2013: 
Alfonso Cuarón, por Gravidade
Em 2012:
Michel Hazanavicius, por O Artista
Em 2011: Denis Villeneuve, por Incêndios
Em 2010:
Roman Polanski, por O Escritor Fantasma
Em 2009: Yôjirô Takita, por A Partida
Em 2008: Joe Wright, por Desejo e Reparação
Em 2007: William Friedkin, por Possuídos

Prêmio Review | Melhores de 2015: Ator

Melhores de 2015 - Ator - Brendan Gleeson - Calvário

Brendan Gleeson divide com Gabriel Byrne e Michael Gambon o título de irlandês veterano de maior respeito no cinema. Impressiona também o modo exemplar como encara qualquer desafio, navegando tanto pelo blockbuster quanto pelo cinema alternativo sempre deixando uma forte impressão. Se Martin McDonagh ofereceu a Gleeson um grande papel secundário em “Na Mira do Chefe”, o seu irmão John Michael McDonagh aproveitou mais a sua figura como protagonista de “O Guarda”. No entanto, essa desapontadora comédia policial felizmente se dissipa com a segunda parceria entre o diretor e o ator em “Calvário”. Como James, um padre que tem a sua vida ameaçada durante uma confissão, Brendan Gleeson tem aquela que talvez seja a interpretação de sua carreira, trazendo ao papel a força inabalável de alguém que passa por todas as provações do plano material em uma comunidade amoral.

Outros indicados: Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo) | François Damiens (Se Fazendo de Morto) | Michael Keaton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) | Tommy Lee Jones (Dívida de Honra)

Em 2014: Eddie Marsan, por Uma Vida Comum
Em 2013: 
John Hawkes, por As Sessões
Em 2012:
Jean Dujardin, por O Artista
Em 2011:
Mikael Persbrandt, por Em Um Mundo Melhor
Em 2010:
Nicolas Cage, por Vício Frenético
Em 2009: Richard Jenkins, por O Visitante
Em 2008: Philip Seymour Hoffman, por Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
Em 2007: Toby Jones, por Confidencial

Prêmio Review | Melhores de 2015: Atriz

Prêmio Review - Melhor Atriz - A Lição

Um dos maiores prazeres de um cinéfilo é assistir a um filme totalmente no escuro, sem referências sobre a sua premissa e toda a equipe envolvida. Isso certamente foi sentido por muitos que se dispuseram a assistir “A Lição“, uma produção lamentavelmente lançada no Brasil em circuito restrito no primeiro semestre de 2015. A responsabilidade de seu êxito, no entanto, recai totalmente na atriz Margita Gosheva. Como Nade, uma professora e tradutora de inglês que se vê desafiada pelos próprios valores que impõe naqueles que a cercam, Margita tem um desempenho arrebatador, daqueles que não nos permitem desviar a atenção por um segundo sequer. O efeito é compatível com o de alguém envolto a uma bola de neve, com problemas que se duplicam quando uma solução parece acenar. Margita Gosheva tem sensibilidade de sobra para sacar essa nuance, tornando-nos cúmplices da via-crúcis que atravessa para manter a sua integridade intacta. Neste ano, Margita deverá ser vista em “I Want to Be Like You”, uma co-produção entre Bélgica, Bulgária e Reino Unido.

Outras indicadas: Emily Blunt (Sicario: Terra de Ninguém) | Gugu Mbatha-Raw (Nos Bastidores da Fama) | Reese Witherspoon (Livre) | Ronit Elkabetz (O Julgamento de Viviane Amsalem)

Em 2014: Emma Thompson, por Walt nos Bastidores de Mary Poppins
Em 2013: 
Jessica Chastain, por A Hora Mais Escura
Em 2012:
Tilda Swinton, por Precisamos Falar Sobre o Kevin
Em 2011:
Lubna Azabal, por Incêndios
Em 2010:
Noomi Rapace, por Os Homens Que Não Amavam As Mulheres
Em 2009: Melissa Leo, por Rio Congelado
Em 2008: Belén Rueda, por O Orfanato
Em 2007: Ashley Judd, por Possuídos

Prêmio Review | Melhores de 2015: Ator Coadjuvante

Melhores de 2015 - Ator Coadjuvante - J. K. Simmons - Whiplash Em Busca da Perfeição

Um dos atores favoritos de Jason Reitman e Sam Raimi, J. K. Simmons é reconhecido pela voz que empresta para séries animadas, os homens que exercem alguma autoridade ou os senhores serenos e confiáveis. Trata-se de um grande ator que somente uma ou outra vez tem uma oportunidade ofertada para se esquivar dos estereótipos. Os dramas que trazem a música como um personagem central parecem tirá-lo da trivialidade. Se J. K. Simmons emocionou a todos em “A Música Nunca Parou”, uma faceta absolutamente oposta é explorada  em “Whiplash: Em Busca da Perfeição“. Como Fletcher, um professor de música que fará o personagem de Miles Teller superar os próprios limites, J. K. Simmons está um assombro sem jamais quebrar o encanto pelo sadismo que impõe a um homem à espera de um aluno que possa ter um desempenho à altura das maiores referências do jazz. O resultado não foi apenas todos os troféus das principais premiações cinematográficas, como também a possibilidade de ir ainda mais além com uma carreira há muito estabelecida.

Outros indicados: Benicio Del Toro (Sicario: Terra de Ninguém) | Evan Bird (Mapas Para as Estrelas) | Jason Statham (A Espiã que Sabia de Menos) | Joel Edgerton (O Presente)

Em 2014: Matthew McConaughey, por O Lobo de Wall Street
Em 2013:
Mikkel Boe Følsgaard, por O Amante da Rainha
Em 2012:
François Damiens, por A Delicadeza do Amor
Em 2011: John Hawkes, por Inverno da Alma
Em 2010:
Pierce Brosnan, por “O Escritor Fantasma
Em 2009: Eddie Marsan, por “Simplesmente Feliz
Em 2008: Javier Bardem, por “Onde os Fracos Não Têm Vez
Em 2007:
 Jackie Earle Haley, por “Pecados Íntimos

Prêmio Review | Melhores de 2015: Atriz Coadjuvante

Melhores de 2015 - Atriz Coadjuvante - Hilary Swank - Dívida de Honra

A americana Hilary Swank conquistou o seu segundo Oscar por “Menina de Ouro” tendo apenas 31 anos, um feito sequer obtido por muitas veteranas. Ainda assim, a atriz nem sempre foi presenteada com bons papéis, talvez pela sua beleza não se encaixar com aquela idealizada em Hollywood – e ela é inquestionavelmente linda. A verdade é uma só: quando Hilary Swank acerta, não há ninguém no jogo que a supere. Se no irregular “Um Momento Pode Mudar Tudo” Hilary está exemplar como uma mulher acometida pela ELA, sob as mãos de Tommy Lee Jones ela rouba “Dívida de Honra“, sendo o fio que nos conduzirá até o destino mais surpreendente visto no cinema no último ano. Até ele chegar, nosso emocional está totalmente conectado a sua Mary Bee Cuddy, que garantiu para si a independência que nenhuma outra é capaz de conquistar, mas que, ainda assim, se vê deslocada do ambiente que habita. O sentimento de abandono que imprime na tela é visceral e é certo que você perceberá a força de sua presença mesmo após os créditos finais de “Dívida de Honra” rolarem na tela.

Outras indicadas: Franziska Weisz (14 Estações de Maria) | Julianne Moore (Mapas Para as Estrelas) | Laura Dern (Livre) | Tilda Swinton (Expresso do Amanhã)

Em 2014: Uma Thurman, por Ninfomaníaca: Volume 1
Em 2013: 
Helen Hunt, por As Sessões
Em 2012:
Viola Davis, por Histórias Cruzadas
Em 2011: Rosamund Pike, por A Minha Versão do Amor
Em 2010:
Olivia Williams, por O Escritor Fantasma
Em 2009: Diane Kruger, por Bastardos Inglórios
Em 2008:
 Marcia Gay Harden, por O Nevoeiro
Em 2007: Toni Collette, por Segredos na Noite

Prêmio Review | Melhores de 2015: Elenco

Melhores de 2015 - Elenco - A Espiã que Sabia de Menos

Em “Missão Madrinha de Casamento”, Paul Feig reuniu um time inacreditável de atrizes. Pois se “As Bem-Armadas” o show foi uma exclusividade de Sandra Bullock e Melissa McCarthy, em “A Espiã que Sabia de Menos” Feig volta a reunir intérpretes que asseguram momentos de brilho a cada aparição. No entanto, a fórmula do sucesso vem da diversidade, incluindo grandes nomes que são uma verdadeira surpresa em papéis cômicos. Quem diria que o brucutu Jason Statham renderia na pele de um agente paspalhão? E o que dizer da maravilhosa Miranda Hart, que faz a melhor amiga da protagonista? Vemos uma galera claramente se divertindo em cena, uma harmonia vital para “A Espiã que Sabia de Menos” ser um dos grandes filmes de 2015.

Outros indicados: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) | Dívida de Honra | Expresso do Amanhã | Mapas Para as Estrelas

Em 2014: O Grande Hotel Budapeste
Em 2013: 
Álbum de Família
Em 2012:
Histórias Cruzadas
Em 2011: Melancolia
Em 2010: O Escritor Fantasma
Em 2009: Bastardos Inglórios
Em 2008: Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
Em 2007:  Bobby

Prêmio Review | Melhores de 2015: Animação

Prêmio Review - Melhor Animação - Shaun O Carneiro

Assistir a “Shaun, O Carneiro – O Filme” é uma espécie de reconexão com um entretenimento capaz de aproximar todas as “tribos”. Não somente pelo esforço descomunal para dar vida a personagens de massa de modelar que precisam ser animados a cada frame, como também pela adoção de uma língua que se comunica com todos. Ou melhor, a ausência de uma língua. Na aparentemente ingênua peripécia, na qual o cordeiro Shaun se vê obrigado a liderar o rebanho ao qual pertence para resgatar o seu dono humano na cidade grande, a animação revela valores que já conhecemos, mas aqui processados com uma singularidade pouco vista. Além de enaltecer o sentido do que é uma família e do que é um lar, crianças e adultos devem assegurar com a pipoca e o refrigerante uma caixa de Kleenex para todas as aparições da cachorrinha Slip.

Outros indicados: As Memórias de Marnie | Cada Um na Sua Casa | Minions | O Conto da Princesa Kaguya

Em 2014: Frozen: Uma Aventura Congelante
Em 2013: 
Universidade Monstros
Em 2012:
O Mundo dos Pequeninos
Em 2011: Rango
Em 2010: Como Treinar o Seu Dragão
Em 2009: Up – Altas Aventuras