Os Destaques da Coletiva de Imprensa de “Prova de Coragem”

Diretor bissexto, Roberto Gervitz esteve em um intervalo de 10 anos entre as produções de “Jogo Subterrâneo” e “Prova de Coragem”. No entanto, o período serviu para estudar outros projetos. Escrito por Daniel Galera, “Mãos de Cavalo” foi lançado em 2006 e, desde a conclusão da leitura, Gervitz demonstrava interesse em adaptá-lo para o cinema, cujos direitos foram obtidos por Monica Schmiedt.

Cineasta e produtora, Monica faleceu em março deste ano. Não pôde testemunhar o lançamento comercial de “Prova de Coragem”, mas acompanhou a sua exibição no último Festival de Brasília. Ela foi um dos assuntos da coletiva de imprensa do filme, cujos destaques você pode ler agora.

Agradecimento especial ao Danilo Calazans, do Loucos por Filmes e do Pipoca de Pimenta, que gentilmente cedeu para nós o registro em áudio da coletiva após identificarmos problemas com a nossa gravação. Também informamos que temos uma análise sobre o filme, que pode ser lida aqui.

.

Roberto Gervitz (Prova de Coragem)

Sobre o ponto em comum em adaptar escritores diferentes

Roberto Gervitz:

Existem algumas características comuns aos personagens, embora eles sejam muito distintos entre si. São livros bem diferentes entre si, mas que tem a ver com questões que a vida me colocava e que encontrava elementos que me estimulassem a construir algo a partir deles, para discutir razões que me angustiavam e sobre as quais me perguntava.

Os meus filmes sempre foram um processo de aprendizado meu comigo mesmo. Aprendizado no sentido de me debruçar sobre certas questões e, de alguma forma, construir alguma coisa a partir dali. Não uma resposta. Não são filmes de autoajuda. Em “Prova de Coragem”, não há respostas. Mas são filmes que debatem questões importantes para a vida de todos nós. Algo em comum nesses personagens é o medo. Eles temem e desejam a vida. O medo se estabelece entre eles com um embate com a vida. Os personagens vivem essa tensão. Eles se defrontam com acontecimentos que vão colocando em xeque essas questões que se concretizam. Não há filosofia em “Prova de Coragem”. Eles são psicológicos, mas não são atraídos por psicologismo. Não há explicações para você entender esses personagens.

Em “Jogo Subterrâneo”, cheguei ao máximo disso. Temos um personagem sem passado e você não sabe o que aconteceu com ele. Você parte a partir do jogo que ele estabelece. Não há explicações como “ah, a mãe dele o maltratou quando ele era uma criança”. Não há esse tipo de psicologismo nos meus personagens, até porque o espectador tem uma função importante de completar isso de acordo com as suas necessidades. Algo que a literatura supera muito o cinema é a participação intensa do leitor. No cinema, isso não é fácil de conseguir. Nos meus filmes, tento justaposições de cenas, um embate entre elas. No fundo, você vai formando um quebra-cabeça no qual cada um extrairá um sentido, nem certo ou errado. Há claramente um sentido para mim, mas ele importa até certo ponto. Ainda mais agora, que o filme deixou de ser nosso. Estamos entregando-o e agora ele viverá a sua própria vida.

.

Mariana Xinemes (Prova de Coragem)

Sobre a problematização dos relacionamentos contemporâneos em “Prova de Coragem”

Mariana Ximenes:

Todas as questões que envolvem um casal, como maternidade e paternidade, são abordadas no filme. A Adri tem uma idade, o relógio biológico dela já apitou e ela quer ser mãe de qualquer jeito. O marido tem medo, insegurança. Essa mulher, que quer ser mãe, tem outra questão, que é a profissional. As mulheres de 30 anos hoje em dia têm esse dilema: o ser mãe e a necessidade de separar um tempo para isso e a profissão, esta a qual a Adri não quer abrir mão. Ela quer fazer a exposição dela. Entra a questão do tempo. Tudo aconteceu ao mesmo tempo para ela. Não gosto de fechar muito as minhas reflexões, pois tudo está no filme e, como o Roberto Gervitz já falou, ele é um prato para as pessoas saborearem, que farão as suas próprias reflexões.

.

Armando Babaioff (Prova de Coragem)

Sobre a sua visão dos relacionamentos contemporâneos

Armando Babaioff: 

Há essa questão do relacionamento contemporâneo, dessa ausência de nomes, de tratos, de nomenclaturas. É um relacionamento no qual não sei identificar se eles são casados ou namorados. Hermano e Adri talvez não soubessem responder. O que há é um pacto. Reflete um pouco o que os meus amigos são. Eles não são casados, mas têm filhos ou planejam tê-los. Eles são um espelho dessa geração.

.

Daniel Galera (Prova de Coragem)

Sobre a amizade com a produtora Monica Schmiedt e a adaptação de “Mãos de Cavalo”

Daniel Galera: 

A história desse filme está diretamente ligada à Monica Schmiedt. Eu a conheci antes de Mãos de Cavalo ser escrito. Trabalhei para ela durante “Extremo Sul”, um filme que ela dirigiu sobre uma escalada da mesma montanha mencionada em “Mãos de Cavalo”. Uma das minhas funções era receber os diários que ela enviava por internet e mexer um pouco antes de subir para o site onde eles eram publicados. Ficamos muito amigos nessa época. Eu havia feito alguns meses de escalada durante a faculdade e ela era uma praticante de mão cheia. Ela também fazia natação. Devido a essas ligações no esporte, ficamos muito próximos por algum tempo. A importância que a escalada ganhou no livro foi uma influência da Monica.

Quem leu o livro e viu o filme, notará muitas semelhanças e diferenças. Como uma adaptação legal e interessante, ela é a visão de um autor em cima de um material original. Isso é algo que desde a minha primeira conversa com o Roberto Gervitz sabia que aconteceria. Algumas semanas após vender os direitos do livro para a Monica, o Roberto me ligou. Não o conhecia e quando ele falou ao telefone sobre o interesse pelo romance, disse que os direitos foram vendidos. Anos depois, a Monica falou sobre a entrada de um diretor no projeto. Ao falar que era o Roberto, lembrei-me da ligação. Também não conhecia os dele. Conversamos outra vez e o Roberto os mandou para mim. Não me esqueço de um contato sobre os textos que ele me enviaria com base em sua visão sobre o meu livro e sobre o que o filme poderia ser. O texto me marcou bastante. Não o estava esperando, ele era enorme, com uma tensão, um mergulho fundo, sobre o que achava do romance, o que tiraria e colocaria para o filme. Impressionou-me a imersão, a vontade em adaptá-lo. Desde aquele momento, já sabia mais ou menos o filme que seria e isso foi se confirmando conforme o roteiro foi sendo feito. Não tive participação nele, mas o Roberto me mandou dois tratamentos. Dava as minhas opiniões e ele sempre se interessava por elas, mas sempre com a separação saudável que deve haver entre o autor e todos os envolvidos em uma adaptação. Acho importante não somente para o diretor, mas também para o roteirista, os atores e a equipe técnica em trabalhar como se o autor não fosse uma sombra, um peso. Não é isso que está em jogo. Quando um livro é adaptado para o cinema, as pessoas não estão trabalhando para me agradar. Eu sou a última pessoa naquele momento a ser agradado. Fui acompanhando tudo com aquela mistura de excitação, expectativa e um pouco de temor, que é inevitável. Foi uma aventurazinha para mim também.

Os Destaques da Coletiva de Imprensa de “Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil”

Ao permitir que o mundo assistisse aos meandros de sua performance no Museu de Arte Moderna de Nova York no documentário “Marina Abramovic: Artista Presente”, Marina Abramovic enfatizou a importância da performance no cenário artístico. Com o interesse ampliado sobre o seu trabalho, o Sesc Pompeia trouxe ao Brasil a exposição Terra Comunal, que contemplou uma detalhada linha do tempo de performances da artista sérvia e a continuidade de seus métodos a partir de outros artistas e de instrumentos que exigiam a participação direta dos visitantes.

Embora realizado antes de Terra Comunal, o documentário “Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil” é o resultado da intenção de Abramovic em transformar o seu público como a resposta final de suas performances. No entanto, o registro acompanha um momento particular da artista, que veio ao Brasil buscar por uma cura a um emocional abalado com um rompimento amoroso.

Para promover o documentário, Abramovic esteve na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi para participar da coletiva de imprensa organizada no dia 9 de maio. Trazemos agora os principais destaques de sua conversa com os jornalistas. Para conhecer a nossa opinião sobre “Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil”, basta clicar aqui.

.enfatizou 

Apresentando “Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil”

Esta história é como o “Rashomon”, de Kurosawa. Nele, há sete testemunhas de um crime em uma floresta. Eles se reúnem ao redor de uma fogueira e contam sobre as suas perspectivas de um mesmo acontecimento. No documentário, há três versões e agora eu contarei a minha.

Em 1989, foi a primeira vez que vim ao Brasil. Vim por uma razão bem específica: a pesquisa de minerais. Fui para todos os lugares do país. Iniciei a série chamada Objetos Transitórios, onde o público interage com esses materiais. Esse trabalho foi exibido em vários países, exceto o Brasil, justamente de onde ele originou. Em 2008, conheci a Luciana Brito. Ela tinha uma galeria. Foi ótimo, pois nos tornamos amigas e vi uma ótima oportunidade em finalmente trazer esse trabalho para o Brasil. Após a minha exibição no Museu de Arte Moderna em Nova York, decidi fazer algo além de uma exposição em galeria. Assim, planejei esse retorno ao Brasil para lugares da natureza, lugares esses que chamo de pontos de poder, com formações rochosas, cachoeiras, que contêm uma energia especial para que eu pudesse aprender sobre eles e sobre as pessoas que neles habitam.

A pergunta é: o que aprendi com isso? Eu trabalho com a performance, uma forma imaterial de arte, que lida com energia. Não é algo tangível, você precisa sentir. O Brasil tem uma abundância de conhecimentos antigos, bem como pessoas que detêm esses conhecimentos com as quais eu posso aprender a lidar com essa energia.

Questionei se haveria alguém que pudesse registrar toda essa trajetória. Há muitos lugares, há muita pesquisa envolvida. Como faríamos tudo isso? A Luciana tinha um financiamento apenas para uma pequena viagem. Cheguei ao Brasil, dormi e, após o café da manhã eu e toda a equipe partimos para a Abadiânia. Estamos aqui com o João de Deus. Como filmá-lo? Ele nos respondeu que não tinha autorização para se deixar registrar, pois incorpora 126 espíritos. Onde ele vive, esse é um fato totalmente natural que não seria compreendido em outros lugares. Ele me disse: “Sou apenas um homem. Não posso deixar você me filmar, pois teria de pedir a permissão de todos os espíritos”. Aguardamos dias e mais dias, até o momento que ele se aproximou de nós, sorrindo, e disse: “Ok, você pode filmar tudo”.

Fui uma experiência incrível. A equipe de trabalho, da Casa Redonda, todos estavam engajados em fazer esse projeto. É preciso existir química com cada pessoa. Mas não foi um mar de rosas. O Marco Del Fiol e eu brigamos demais. Não durante as gravações, que foram maravilhosas, mas durante a montagem. Eu queria que tudo fosse cortado, mas Marco insistia em manter. Chegamos em um consenso e o resultado é o que será visto em “Espaço Além: Marina Abramovic e o Brasil”.

.

Marina Abramovic (Espaço Além - Marina Abramovic e o Brasil) 3-3

Sobre a cura emocional após a conclusão das gravações

Fico impressionada como o filme atinge as mulheres. Talvez seja mais fácil vê-las com o coração partido do que os homens. Isso é cientificamente comprovado. Eu realmente vivo de coração partido, choro por qualquer coisa. Comprando leite no supermercado, pegando o táxi. Acordo no meio da madrugada chorando. Todas as conversas com amigos no período antes de fazer o documentário era sobre a minha decepção amorosa, como se o resto do mundo não existisse. Assim, vim ao Brasil, conheci todos esses incríveis e diferentes xamãs e me curei. Em novembro, completarei 70 anos de idade e nunca estive tão feliz em minha vida. Minha avó dizia que quando você chegar aos 70 anos, é quando a sua vida realmente começará. Hoje, quero trazer ainda mais inspiração para as pessoas.

.

Sobre a sua expressão artística e a sua vida privada

Meu trabalho é sobre a minha vida. Além de lidar com as minhas questões, quero encontrar a chave para transcender e tocar todas as pessoas. Digo que quanto mais você mergulhar em seu íntimo, mais você transcende. Todos somos seres humanos. Todos nós lidamos com as dores de um coração partido, com a mortalidade.

.

Sobre o rompimento amoroso

Após o meu marido morrer… Não, ele não morreu. Essa foi maravilhosa! Não! Ele não se foi, ele morreu na minha mente. Após o meu primeiro marido, envolvi-me com um outro artista. Rompemos e fiz um manifesto em uma camisa que serve para todos: “Nunca se apaixone por um artista”. Cometi o mesmo erro duas vezes e não voltarei a fazê-lo. Artistas são os piores. É tudo sobre competição, poder. Quem é o mais famoso, quem não é. Isso destrói tudo.

.

Marina Abramovic (Espaço Além - Marina Abramovic e o Brasil) 1-3

Sobre as distinções do registro de sua performance e de sua intimidade

Não é fácil estar em frente de uma câmera a todo o momento e ser espontânea, mas tive um grande treino antes de “Espaço Além”. Em “Marina Abramovic: Artista Presente”, estive com um microfone em mim durante todo um ano. O diretor chegava ao meu apartamento às 6h da manhã com toda a equipe para me acordar. Queria matar todos eles. Filmavam-me quando estava no banheiro, quando passava mal, com ou sem maquiagem. Enfim, em todas as circunstâncias da minha vida. Foi difícil, mas valeu a pena. Por que eu fiz isso? Porque a perfomance, até aquele momento, não era respeitada como uma forma legítima de arte. Não era como o vídeo e a fotografia, duas expressões também consideradas ilegítimas e agora dentro do mainstream. A performance sempre foi vista como um entretenimento, com todos em um museu tomando vinho enquanto ao lado há uma performance acontecendo. Queria mostrar ao público em geral o quão difícil, como cada molécula do seu corpo exige para a sua preparação, mas também provar que a performance tem um poder de transformação de uma consciência. Penso que “Artista Presente” foi muito bem-sucedido nesse aspecto.

Ao trabalhar em “Espaço Além”, já estava confortável com o microfone. É muito importante saber o que estávamos fazendo. Penso que ele é muito inspirador para quem o assiste. Sim, você testemunha a minha jornada íntima, o meu coração partido, mas nos minutos derradeiros é mostrada a nossa principal finalidade. Fizemos um trabalho de sucesso no Sesc, que ajudou a definir o meu papel como artista hoje. Não sou mais eu fazendo uma performance diante de uma pessoa. O público é a minha obra, pois mais cedo ou mais tarde eu já não estarei mais aqui, mas deixarei como legado as minhas ferramentas para que o público possa utilizá-las.

.

Estivemos na coletiva de imprensa com a participação de Marina Abramovic. Para ler os principais destaques da conversa com os jornalistas, basta clicar aqui.

Resenha Crítica | Espaço Além: Marina Abramovic e o Brasil (2016)

The Space in Between: Marina Abramovic and Brazil, de Marco Del Fiol

Embora tema de outros registros documentais, a artista sérvia Marina Abramovic só veio a receber com “Marina Abramovic: Artista Presente” um interesse mundial a partir de um projeto cinematográfico. Compartilhou com todos uma performance então testemunhada somente por aqueles que enfrentaram filas enormes no Museu de Arte Moderna de Nova York para vê-la sentada em uma cadeira, silenciosa e quase sem esboçar alguma reação, servindo como um espelho da alma de cada um que a contemplava.

“Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil” pode ser considerado informalmente uma continuidade de “Marina Abramovic: A Artista Está Presente”, pois a artista que aqui acompanharemos é aquela que experimenta uma longa estadia no Brasil logo após a sua participação no MoMA. A motivação de sua vinda é o que difere radicalmente um documentário do outro: Abramovic não apresenta uma nova performance e sim inaugura uma busca para curar o seu coração partido, resultado de um relacionamento desfeito com outro artista.

O antídoto, acredita, está em uma imersão em destinos brasileiros marcados pela preservação de rituais geralmente procurados por indivíduos que já se sujeitaram a todas as possibilidades para a resolução de uma enfermidade, seja ela física ou emocional. A sua primeira parada é em Abadiânia, onde o médium João de Deus recorre a procedimentos nada usuais para remover uma doença.

Algumas experiências em que Abramovic se submete são reconhecidas por nossa cultura, como as tradições de raizeiros e benzedeiras em Goiás. Outras trazem a artista se reconectando com elementos que já integraram as suas performances, como os cristais de Minas Gerais, os quais teve acesso pela primeira vez em 1989. Entretanto, há também procedimentos que podem soar inéditos inclusive à audiência brasileira, como a  sauna sagrada na Chapada Diamantina, onde Abramovic concentra todas as suas energias negativas em ovos que somente é capaz de despedaçar com uma força descomunal.

O cineasta Marco Del Fiol faz um registro esteticamente singular da peregrinação de Abramovic e não se furta de exibir flagras íntimos da artista de 69 anos. Mas é no poder em nos transformar em testemunhas estrangeiras de nosso próprio território que está o encanto de “Espaço Além”. Autora de uma arte preocupada em repensar o tempo, a purificação da alma e como um ambiente é apropriado por um corpo, Abramovic agora se volta para a beleza que há em uma diversidade de crenças que deve ser reconhecida.

Resenha Crítica | X-Men: Apocalipse (2016)

X-Men: Apocalypse, de Bryan Singer

Após Tim Burton com “Batman” e “Batman – O Retorno”, Bryan Singer foi o primeiro cineasta que transformou em realidade o projeto de encarar os quadrinhos como uma fonte potencialmente lucrativa no cinema. Seu “X-Men – O Filme” abriu as portas para as histórias de super-heróis se transformarem em gênero, hoje o mais poderoso deste jovem século. Foi também o mentor de uma franquia madura em comparação com a concorrência, ainda que não isenta de algumas fragilidades.

Foi pensando nos baixos que Singer voltou ao posto de diretor em “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido”, mais um corretivo do que um ótimo filme, uma vez que é clara a intenção em reparar, por exemplo, o extremismo de “X-Men: O Confronto Final”, episódio mais contemporâneo responsável por matar alguns personagens e remover a mutação de outros. Por outro lado, há também a estratégia de dar novos horizontes à história, mesmo que para isso seja preciso estar no passado. É o que faz “Apocalipse”, ambientado nos anos 1980.

Interpretado por Oscar Isaac, Apocalipse vem como o capítulo final de uma humanidade marcada por conflitos, bem como a promessa de um recomeço em que somente os mutantes que abraçarem o seu propósito terão privilégios em seu domínio. O seu despertar vem em um momento em que figuras já conhecidas como Jean Grey (Sophie Turner) e Scott (Tye Sheridan) ainda são jovens às voltas com as suas habilidades recém-descobertas, ao passo que outros como Magneto (Michael Fassbender) e Mística (Jennifer Lawrence) estão prestes a saírem do anonimato.

Por vezes, é possível reconhecer em Apocalipse o clima de fraternidade de “X-Men: Evolution”, reinaginação animada bem popular no Brasil que trazia a mistura de mutantes veteranos com calouros. Mas há também um sentimento de que as coisas rumarão para consequências decisivas, uma vez que “Apocalipse” é também o fechamento de um ciclo, a conclusão de uma segunda trilogia dos “X-Men” nos cinemas.

A limitação vem justamente nas formas do vilão que dá nome ao filme, considerado no universo Marvel o mais ameaçador já concebido. Aqui, Apocalipse parece uma criatura maligna de “Power Rangers”, moldado com durepox que muda de cor a cada aparição e que detém uma superioridade reduzida em sua peregrinação para escalar mutantes caracterizados como as vítimas de Freddy Krueger em “A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos”.

Considerando outros nós não muito bem atados, o que inclui o anacronismo de Angel (Ben Hardy) – o personagem só surgiria 25 anos depois em “O Confronto Final” – e a ponta cômica de Stan Lee naquele que pretende ser um dos momentos mais dramáticos do roteiro, “Apocalipse” ainda assim mantém a qualidade esperada sustentada pela franquia. O mérito vem justamente da assimilação de personagens com dilemas que já conhecemos, mas agora com um novo destino ainda não escrito.

Resenha Crítica | Alice Através do Espelho (2016)

Alice Through the Looking Glass, de James Bobin

Tim Burton foi severamente criticado ao oferecer para a nova geração a sua versão de “Alice no País das Maravilhas”, escrito por Lewis Carroll e um dos maiores clássicos infantis de toda a história da literatura. A razão seria o tratamento correto que conferiu à adaptação, rendendo um resultado que satisfaria a todos os públicos sem assumir muitos riscos. A avaliação não é muito justa, pois Burton se mostrou apto a imprimir a sua assinatura em um universo de fantasia muito particular.

Porém, algo que o realizador trouxe a mais sem considerar o comprometimento da inevitável sequência foi o uso antecipado de muitos elementos essenciais do livro “Alice Através do Espelho”, que ganha vida nos cinemas seis anos após “Alice no País das Maravilhas” com James Bobin assumindo o comando. Restou a roteirista Linda Woolverton (de “Malévola”) encontrar soluções para a escassez de matéria-prima saída da mente de Lewis Carroll, dando à Alice uma nova aventura quase original para justificar o seu retorno.

A australiana Mia Wasikowska segue encantadora como Alice Kingsleigh, substituindo a típica busca por um noivo pelas expedições em águas turbulentas com o navio que herdou de seu pai. Ainda assim, as pressões de uma sociedade que encara a independência de uma jovem mulher como um ultraje podem colocar um ponto final em suas viagens. Uma saída deve ser encontrada em seu retorno ao mundo mágico habitado pelo Chapeleiro Maluco (Johnny Depp, que reprisa o papel de modo menos espalhafatoso), deprimido em um momento em que a paz impera.

A razão da tristeza do Chapeleiro Maluco é o que vai dar combustível para a narrativa, agora sem muito estofo para sustentar um longa-metragem com mais de 100 minutos de duração. Na prática, “Alice Através do Espelho” se comporta como um pilar sustentando dois pesos, um com uma medida positiva e o outro com uma medida negativa. Há aqui a liberdade para deixar a criatividade aflorar e propor ao público algo ainda não visto nas encarnações passadas de Alice, mas há também a falta de uma bússola para um rumo mais seguro.

O processo de ganhos e perdas se estende em outros aspectos de “Alice Através do Espelho”. Algo a se comemorar com o retorno dos personagens do filme original é a evolução na qual são submetidos. Merece uma apreciação cuidadosa a relação entre a Rainha Branca (Anne Hathaway) e a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), irmãs que vão confrontar um passado que nos fará flagrar ações e consequências surpreendentes. Por outro lado, a seriedade dessa e de outras relações suprimem o espírito infantojuvenil da história. Falta em “Alice Através do Espelho” espaço para os risos, que se manifestam esporadicamente e com muita timidez.

Entre pós e contras, o filme só atinge um resultado por fim razoável por haver um empenho em oferecer uma experiência visual ainda mais impactante que “Alice no País das Maravilhas”. Se Tim Burton se contentou com uma conversão em 3D capenga, James Bobin consegue em “Alice Através do Espelho” um efeito de imersão. Mais de um ano em pós-produção, o filme traz imagens surreais arrebatadoras a partir do momento em que Alice tem acesso à cronosfera, objeto que a fará voltar ao passado para acertar adequadamente os ponteiros para o futuro. O diferencial, no entanto, não deve ser suficiente para assegurar uma trilogia.

Resenha Crítica | O Caçador e a Rainha do Gelo (2016)

The Huntsman: Winter’s War, de Cedric Nicolas-Troyan

A sequência de “Branca de Neve e o Caçador” já estava condenada muito antes dela se formar como “O Caçador e a Rainha do Gelo”. Aprovado pela Universal após “Branca de Neve e o Caçador” render mundialmente 400 milhões de dólares para um orçamento de 170 milhões, a pré-produção da continuação foi interrompida com o escândalo midiático provocado pelo relacionamento de Kristen Stewart com o diretor Rupert Sanders enquanto namorava com Robert Pattinson.

Diante do impasse, o estúdio assumiu uma postura discreta ao dispensá-los, trabalhando com a estratégia de seguir em frente com uma história que trouxesse o caçador Eric (Chris Hemsworth) como o grande protagonista. Para isso dar certo, era preciso um nome que pudesse conferir soluções para as lacunas preenchidas. Eis um novo impasse: contratado, Frank Darabont (de “Um Sonho de Liberdade”) se desvinculou imediatamente do projeto por diferenças criativas. A bomba enfim recaiu nos colos de Cedric Nicolas-Troyan, supervisor de efeitos visuais de “Branca de Neve e o Caçador” e praticamente sem qualquer experiência como diretor.

A norma é clara: se um filme apresenta tantos problemas durante a sua realização, eles certamente serão revertidos em um produto final problemático, quase indigesto. Mas há exceções e “O Caçador e a Rainha do Gelo” é uma delas. Verdade que o público não tem comparecido ao cinema para tirar o filme da zona do fracasso comercial e a crítica foi feroz com as suas avaliações. Por outro lado, há aqui um desejo em legitimar as intenções que permitiram a fuga de seu engavetamento permanente.

Escrito por Craig Mazin e Evan Spiliotopoulos, o roteiro é até mesmo esperto ao driblar a ausência da Branca de Neve, organizando uma mistura de prequel com sequência. No primeiro ato, conhecemos Eric ainda na infância, afastado de seus pais a mando de Freya, a Rainha do Gelo (Emily Blunt). Testemunha de uma tragédia íntima que a fez obter o poder de congelar tudo ao seu redor, Freya é a irmã mais nova de Ravenna (Charlize Theron, que segue irresistível em uma composição afetadíssima) e foge de sua morada para construir um império de órfãos onde o amor é proibido.

Já no segundo ato, temos Eric vagando pela floresta já cumprindo com os seus deveres em assegurar o reinado da Branca de Neve. Duas informações interrompem o seu trajeto. A primeira é sobre a influência que o espelho de Ravenna está exercendo sobre Branca de Neve, um indício de que há uma força oculta ainda viva que precisa ser derrotada. A segunda vem nas formas de Sara (Jessica Chastain), um amor do passado que julgou morto que o reconectará com Freya.

Sem uma heroína de uma fábula infantil consagrada à frente da história, “O Caçador e a Rainha do Gelo” é menos engessado na arquitetura de sua fantasia. Com uma linha do tempo bem resolvida, o texto enfatiza ainda mais a cobiça pelo poder sem se furtar das motivações dos personagens como elementos essenciais de narrativas desse segmento, como a pureza para a derrota de um inimigo que encarna o mal ou age sob a sua influência. O humor, muito bem representado pelos anões interpretados por Nick Frost e Rob Brydon, vem como mais um atrativo para uma aventura que não merece ser descartada com tanta fúria.

Resenha Crítica | Vovó Está Dançando na Mesa (2015)

Granny’s Dancing on the Table, de Hanna Sköld

.:: 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Na edição do ano passado, a Mostra Internacional de Cinema trouxe ao público um panorama completo do que de melhor e mais importante o cinema nórdico anda produzindo. Foram mais de 60 títulos exibidos, cada um flagrando as particularidades da Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Entre todos, o sueco “Vovó Está Dançando na Mesa” foi o mais original e incisivo presente na seleção.

Segundo longa-metragem de Hanna Sköld (de “Nasty Old People”, célebre por ser o primeiro filme a ser lançado com exclusividade no site de compartilhamentos gratuitos The Pirate Bay), “Vovó Está Dançando na Mesa” é composto por dois momentos – ou talvez três, dependendo da sua interpretação dos fatos. Eini (Blanca Engström) é a protagonista, uma garota de 13 anos que vive isolada com o seu pai (papel de Lennart Jähkel) em uma cabana na floresta a quilômetros da civilização.

Quase sem recursos para se distrair, Eini passa a maior parte do seu dia cumprindo com as regras estabelecidas pelo seu pai, um homem amargo que a pune severamente pelo menor dos deslizes. Nas ocasiões em que ele a deixa sozinha para ir à caça de animais, Eini se refugia em sua própria imaginação, recordando a infância em que tinha a companhia de sua mãe e avó.

Para a encenação desse passado, “Vovó Está Dançando na Mesa” recorre à técnica de stop motion, com resultados mais rústicos que a animação britânica “Wallace & Gromit”, por exemplo. Mais do que o cenário e os personagens, os dois períodos são marcados por um histórico de violência contra essas mulheres, realmente perturbador de se testemunhar.

O experimento de Hanna Sköld, que ganhou vida com o apoio de participantes da campanha que inaugurou no Kickstarter, é cheia de riscos, uma vez que trabalhar em paralelo com o live-action e o stop motion pode provocar uma dissintonia ao ponto de oferecer a sensação de que não estamos diante de uma obra homogênea. Felizmente, as ambições da realizadora superam o impasse.

Com uma habilidade sem igual para construir uma atmosfera de isolamento e perigo, “Vovô Está Dançando na Mesa” ainda desconcerta com as implicações do amadurecimento de Eini, o que a motiva a traçar de imediato um plano de fuga a partir da sua ciência sobre a existência de uma realidade exterior. O que não é assegurado nesta “fábula”, no entanto, é a descontinuidade do estigma da insegurança, presente inclusive na abertura de portas para um novo mundo. Um filme que deve ser descoberto.

Resenha Crítica | Desafiando a Arte (2015)

The Family Fang, de Jason Bateman

Romance de estreia de Kevin Wilson, “Caninos em Família” traz o velho tema de família disfuncional como o acabamento de uma história incomum. Após um acidente na elaboração de um artigo jornalístico que deixa a sua face temporariamente desfigurada, Buster Caninus clama pela presença de Annie ao ser resgatado no hospital pelos seus pais, Caleb e Camille. Desde que se tornaram adultos, Annie e Buster (ou A e B, como foram apelidados) escaparam de atuar em parceria com Caleb e Camille, dois artistas que vivem de aplicar prendas em multidões.

As doses de um humor negro sofisticado ajudaram “Caninos em Família” a se transformar em um best seller, chamando a atenção de Nicole Kidman para obter os direitos e solicitar ao seu roteirista de “Reencontrando a Felicidade”, David Lindsay-Abaire, a lidar com a adaptação. Nicole também assume o papel de Annie, enquanto Jason Bateman é escalado tanto como diretor quanto como Buster. Há uma diferença de tom: embora a comédia seja predominante, há muita densidade inserida no DNA dos personagens.

Annie e Buster Caninus eram figuras claramente medíocres na encarnação literária. Mesmo indicada ao Oscar, Annie sucumbiu a participação em filmes de segunda categoria, além de encontrar na bebida uma companhia para aplacar a solidão. Buster é ainda mais pálido, um escritor de um único sucesso com bloqueio criativo e sem grana no bolso. O tratamento é adequado para o direcionamento que Kevin Wilson confere ao seu romance. No entanto, o texto de Lindsay-Abaire e a condução de Bateman são mais empáticos com os agora Annie e Buster Fang.

Ainda assim, há muita fidelidade ao material original, especialmente no curso da narrativa, que investe no mistério quando Buster e Annie são comunicados pela polícia de que Caleb (Christopher Walken) e Camille (a ótima e pouco conhecida Maryann Plunkett) podem ter sido vítimas de um homicídio durante uma viagem de carro. Annie recebe a notícia com risos de indignação. Caleb e Camille acreditam que a verdadeira arte está na reação de estranhos em ações que programam, como um assalto a um banco, um beijo incestuoso em uma montagem infantil de Shakespeare ou ofender os seus filhos em uma apresentação musical em um parque. Portanto, para Annie, a cena do crime, não passa de mais uma de suas “pegadinhas artísticas”.

Enquanto se reúnem para trazer a possível farsa dos pais ao público, Annie e Buster reconhecem a influência negativa que eles exerceram em suas formações. Não apenas por enveredarem uma carreira artística, como também por serem adultos estagnados na vida com o sentimento de que foram mais amados como marionetes de Caleb e Camille para os seus experimentos do que como filhos.

As constatações levam a revelações amargas que não deixarão um sorriso no rosto, mas que retribuem com uma forte impressão sobre a tendência a reprise diante de quem sucedemos e o corte das raízes quando o reflexo não é o desejado. Ponto positivo sobretudo para Jason Bateman, um bom ator que se revela ainda melhor ao administrar a melancolia inegável em seu olhar de intérprete e diretor.

Resenha Crítica | Prova de Coragem (2015)

Prova de Coragem, de Roberto Gervitz

Diretor bissexto, Roberto Gervitz adaptou três escritores de prestígio em estágios distintos de uma carreira que dura mais de 35 anos. A sua estreia na ficção veio em 1987 com “Feliz Ano Velho”, homônimo de um dos romances mais populares da literatura nacional, assinado por Marcelo Rubens Paiva. Em 2005, um conto de Julio Cortázar, “Manuscritos Achados num Bolso”, serviu de mote para “Jogo Subterrâneo”. Agora, é “Mãos de Cavalo”, de Daniel Galera, que leva Gervitz mais uma vez para detrás das câmeras.

Em comum, os textos sugerem um fascínio do diretor e roteirista por personagens com pendências com o passado, sendo elas elucidadas ou não no curso da narrativa. Esse mistério cerca Hermano (Armando Babaioff), cirurgião e entusiasta da escalada esportiva que não recebe bem a notícia de gravidez de sua mulher Adri (Mariana Ximenes), uma artista plástica se preparando para um novo projeto de exposição.

Sugere-se que uma gestação anterior foi interrompida com um aborto. O relacionamento do casal também não é dos mais pacíficos, principalmente por algumas condutas individualistas, como a postura machista de Hermano ao se defender como o homem que mantém a casa e a insistência de Adri em fazer um trabalho fisicamente exaustivo mesmo alertada pelo seu médico (interpretado por César Troncoso) que de enfrenta uma gravidez de risco.

A responsabilidade sobre a desarmonia na dinâmica do casal recai sobre Hermano, no entanto. É o seu passado que será decifrado a partir do segundo ato de “Prova de Coragem”, associando a negação de paternidade e a incapacidade de uma atitude mais ativa de Hermano com uma adolescência marcada por um acontecimento brutal que atingiu diretamente a formação de sua identidade.

Soa promissor, mas “Prova de Coragem” prefere investir em simbolismos que, no fim das contas, não nos leva a lugar algum. Seja a figueira que fascina Adri ao ponto de resgatá-la para ocupar toda a área externa de seu ateliê, seja o montanhismo praticado por Hermano – ou mesmo as suas mãos brutas, uma ligação ao protagonista literário de Daniel Galera -, não consta um elemento puramente cinematográfico que remova “Prova de Coragem” do terreno das trivialidades, sendo prejudicado ainda por uma montagem sem cadência de Manga Campion. Esperava-se mais deste novo regresso de Gervitz ao cinema.

Resenha Crítica | Nise: O Coração da Loucura (2015)

Nise: O Coração da Loucura, de Roberto Berliner

Nascida em Maceió em 1905, Nise da Silveira exerceu uma contribuição exemplar para a história da psiquiatria no Brasil. Interessada pelas descobertas de Jung, Nise começou a praticar estratégias que buscavam a cura em esquizofrênicos então submetidos a métodos de recuperação hoje considerados selvagens, como a lobotomia.  Como diz Gloria Pires na pele da personagem em “Nise: O Coração da Loucura”, a sua arma de trabalho não era o picador de gelo, mas sim o pincel que daria formas a pinturas que espelham o inconsciente de seus “clientes” – assim é como chamava os seus pacientes.

Afeito a documentários, Roberto Berliner teve recentemente a sua primeira experiência na direção de um longa-metragem de ficção desaprovada por público e crítica: a comédia “Julio Sumiu”, produzida em 2014 e protagonizada por Lília Cabral. A sua segunda tentativa na ficção vem com um registro que condiz mais com o seu currículo, especialmente por algumas tomadas de decisões a partir do texto assinado por Chris Alcazar, Flávia Castro, Maria Camargo e Mauricio Lissovski e finalizado por ele mesmo em parceria com Leonardo Rocha e Patrícia Andrade.

A principal dela está em se desvincular das tradições da cinebiografia. A Nise da Silveira apresentada ao público (alguns deverão conhecê-la pela primeira vez por não ser uma figura pública discutida como o merecido) não é construída a partir de uma história com a estrutura de início, meio e fim. Sequer há flashbacks que a revelem na infância e juventude ou legendas explicativas sobre o que ela se tornou após os eventos narrados.

Se o recorte selecionado deixa o público no escuro quanto à privacidade de Nise (sua vida domiciliar com o marido é explorada brevemente), por outro a enriquece como a articuladora de um processo de recuperação de seus “clientes”, aproximando-nos de um universo a princípio complicado de se dialogar que vai se modelando a partir de telas que dão cores a um ambiente acinzentado e formas a traumas e anseios antes abstratos. Mais atento a observação do que a exploração de dados sobre Nise, Roberto Berliner faz um importante testamento de um acontecimento verídico em que a arte novamente se mostra como o meio de verbalização para a recuperação de nossa estabilidade.

.

+ Entrevista com Gloria Pires
+ Entrevista com Roberto Berliner