41ª Mostra São Paulo tem pôster assinado por Ai Weiwei

.:: 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Com 60 anos completados em agosto, o chinês Ai Weiwei se debruça em diversas extensões em seu fazer artístico. Além de designer, pintor, comentarista e ativista, Weiwei é também documentarista, somando mais de 10 créditos nessa função que exerce desde 2004. Em sua 41ª edição, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo proporcionará aquela que deverá ser a primeira experiência de muitos cinéfilos diante de um projeto do artista por trás das câmeras.

Além de apresentar “Human Flow”, selecionado como o filme de abertura e com distribuição comercial já assegurada pela Paris Filmes, Weiwei é quem assina a arte deste ano, intitulada “Hands Without Bodies”. Trata-se de uma representação de um tema caro ao realizador e cada vez mais discutida na cinematografia mundial: a crise dos refugiados. O pôster pode ser apreciado ao fim desta postagem.

Com mais de 300 títulos programados, a 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo começa no dia 19 de outubro. Por ora, um pouco mais de 20 filmes foram confirmados pela organização, alguns com passagem pelos principais festivais de cinema. Entre eles, há “The Square”, último vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, “Happy End”, nova realização de Michael Haneke exibida em competição também em Cannes, e “Três Anúncios Para um Crime”, com direção de Martin McDonagh e um dos filmes mais comentados no Festival de Veneza e Toronto.

Bem como em anos anteriores, o Cine Resenhas fará uma cobertura com artigos, análises e entrevistas na 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que vai correr até 1º de novembro – no dia seguinte, começa a repescagem com os destaques da programação, com a duração de uma semana no CineSesc. Para acompanhar as nossas atualizações, basta ficar antenado na sessão Mostra São Paulo do site.

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Resenha Crítica | mãe! (2017)

mother!, de Darren Aronofsky

Não se pode dar muita credibilidade aos casos de vaias no Festival de Veneza, com parte de seu corpo de imprensa local sempre entusiasmado em desdenhar dos filmes em seleção. No entanto, é possível compreender perfeitamente quem urrou contra “mãe!”, bem como aqueles que foram mais cordiais ao aplaudi-lo.

“mãe!” é a obra mais divisiva da carreira de Darren Aronofsky e surpreende que um grande estúdio tenha bancado um projeto underground em proposta. A mim, não me agradou bem um pouco. Isso até surgir um ponto de virada a partir de sua metade final que definitivamente ressignifica muitas coisas. Bem como em “Fonte da Vida” e “Noé“, Aronofsky versa sobre conceitos bíblicos e os subverte para algo contestador. Comento um pouco mais sobre isso no vídeo a seguir, com o alerta de spoiler marcado para você que prefere embarcar na experiência totalmente no escuro.

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Resenha Crítica | Deserto (2017)

Deserto, de Guilherme Weber

Há pouco tempo, Rosemberg Cariry finalmente lançou comercialmente “Os Pobres Diabos”, no qual evidenciou a arte circense pelo sertão em um momento de crise compatível com o qual vivemos de algum modo atualmente, muito pelo descrédito do público por uma classe em impasse com toda a polarização política que toma o nosso país. É parecido o primeiro ato dessa comédia com a estreia de Guilherme Weber na direção com “Deserto”. Depois dele, muda-se tudo, inclusive o tom, agora um tanto desesperançoso.

Inspirado no romance “Santa Maria do Circo”, do mexicano David Toscana, “Deserto” acompanha um pequeno coletivo de artistas liderado por Dom Aleixo (Lima Duarte) em itinerância. Sem mais energias, chega a uma vila desabitada, com somente uma plantação com alguns vegetais, um porco magro, uma fonte de água e muitos urubus.

Dom Aleixo não resiste e para os demais resta se reinventarem em papéis selecionados na sorte. Portanto, Alma (Magali Biff, em desempenho fascinante) se transforma em Doutura, Valquíria (Cida Moreira) na Cozinheira, Narcisa (Pietra Pan) na Caçadora, Anão (Claudinho Castro) no Padre, Draco (Everaldo Pontes) no Militar, Domênico (Fernando Teixeira) no Negro e Hercules (Marcio Rosario), na Puta.

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Em seus melhores momentos, “Deserto” apresenta um caráter bem provocativo na reorganização do seu microcosmo, por vezes evocando inclusive “Manderlay”, de Lars von Trier. Cedo ou tarde, todos esses artistas vão protagonizar ações movidos pela cobiça ou necessidade, revelando não somente o instinto primitivo característico de nossa natureza, mas também a consequência de se aprisionar em modelos pré-estabelecidos.

A esse contexto, encenado em um cenário com traços pós-apocalípticos, vem a esplendorosa fotografia do português Rui Poças, parceiro constante de João Pedro Rodrigues (“O Ornitólogo”) e Miguel Gomes (“Tabu”) em sua primeira contribuição na cinematografia brasileira, transformando cada plano em uma verdadeira pintura. Como elemento anacrônico, vem a música da banda “Beijo AA Força”, “A Partida”, estabelecendo laços desconfortáveis com nossa contemporaneidade.

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Resenha Crítica | Amityville: O Despertar (2017)

Amityville: The Awakening, de Franck Khalfoun

Quando a internet não era um recurso acessível lá atrás, era até fácil para os estúdios contornarem a má publicidade advinda de comentários sobre os adiamentos de suas produções. Como hoje se sabe muito bem, cancelar o lançamento de um filme é quase sempre um sinal de que as coisas não deram certo em um estágio, indo desde a refilmagens de material até uma péssima resposta apresentada diante do produto final.

Mesmo quem for ao cinema assistir “Amityville: O Despertar” sem dar uma googlada, notará logo nos créditos iniciais pobres e na música feita a toque de caixa que os acompanham que havia mesmo uma razão para esconder o filme por mais de dois anos e meio: a sua estreia nos cinemas americanos estava agendada para acontecer em 2 de janeiro de 2015.

A verdade é que não se podia esperar algo de muito bom de “Amityville: O Despertar”. Palco para um dos crimes mais chocantes da história, Amityville serviu de sustentação para uma dezena de versões ficcionais, todas elas falhando em causar ao menos uma parcela minúscula do desconforto do caso real.

Diretor e roteirista, o francês Franck Khalfoun ao menos tenta inovar. No seu “Amityville: O Despertar”, estamos em um plano quase metalinguístico, no qual a família de Belle (Bella Thorne) se muda para aquela que é de fato a casa em que Ronald DeFeo Jr. executou toda a família com tiros de espingarda enquanto era aparentemente possuído por uma entidade demoníaca.

Excetuando Belle, todos têm a ciência do endereço maldito, mas Joan (Jennifer Jason Leigh), mãe de Belle, ignorou os fatos porque era a única possibilidade de continuar viabilizando o tratamento do seu filho James (Cameron Monaghan), em estado vegetativo após um acidente. Mas eis que as janelas e as portas começam a fechar sozinhas, as moscas a dominar os cômodos e os vultos a cercarem James, que aos poucos passa a sair do estado de inércia.

Amigo de Alejandre Aja (“Alta Tensão”, “Viagem Maldita”), Franck Khalfoun é adepto de um horror explícito em sua violência, misteriosamente castrado em “Amityville: O Despertar”. Acaba precisando priorizar o drama familiar, desleixado principalmente na relação que ela apresenta com a fé no divino. Seria melhor ter convertido o personagem de Thomas Mann em protagonista, que presenteia o público com a melhor cena do filme, na qual promove na casa de Belle uma sessão das 3:15 do “Horror em Amityville” original.

Resenha Crítica | Columbus (2017)

Columbus, de Kogonada

Kogonada, um nome nada comum de assinatura, pode estrear somente agora na direção de longa-metragem com “Columbus”, mas é certo que você já se deparou em algum momento com outros de seus feitos. Isso porque o realizador, nascido em Seul e criado nos Estados Unidos, tem um currículo extenso composto por vídeos-ensaios, além de críticas destinadas a Criterion Collection e Sight & Sound.

Em suas criações, tá tanto uma atenção para a simetria nos filmes de Wes Anderson quanto o significado que os espelhos exercem nas narrativas de Ingmar Bergman. No entanto, é no cinema de Yasujiro Ozu, o seu maior ídolo, que surgem as principais influências para incorporar em “Columbus”.

Situada em Indiana, Columbus é notória pela sua arquitetura singular, com construções modernas e pós-modernas separadas por meros minutos de caminhada. É também uma residência para uma população minúscula, de aproximadamente 50 mil habitantes.

Funcionária da biblioteca municipal, Casey (Haley Lu Richardson) é uma das poucas pessoas com olhares realmente atentos às residências e edifícios ao seu redor. É o seu sonho se tornar uma arquiteta, cancelado pela necessidade em fazer companhia à mãe, Maria (Michelle Forbes), recuperada de um passado de instabilidades.

Paralelamente, acompanhamos Jin (John Cho), um profissional bem-sucedido que retorna à Columbus para acompanhar a recuperação de seu pai, um intelectual influente. Logo cruza o caminho com Casey, iniciando com ela uma relação em que a amizade e a paixão se confundem.

Também autor do roteiro, Kogonada visualiza o cotidiano dos personagens sem qualquer deslumbramento, permitindo que a história floresça a partir de consequências mundanas. A busca pelo encanto de rotinas, bem à moda Ozu.

A questão é que o aspecto humano de seu “Columbus” parece sabotada pela sua obsessão por planos perfeitos em seu equilíbrio entre os espaços e os indivíduos que neles circulam. Logo a sua mise-en-scène passa a soar mais calculada do que natural. Notem o momento em que Casey e Jin se apresentam: os seus movimentos parecem ditados pelo percurso da câmera, não o oposto.

O fato de não explicitar os tormentos internos dos protagonistas também dificulta a nossa empatia integral e os personagens secundários não trazem fortes contribuições. Como Eleanor, Parker Posey até tem uma forte presença, especialmente ao ver em Jin o reflexo de seu pai, o qual ela admira. Por outro lado, soa injustificável a frieza com a qual Casey trata Gabriel, melhor amigo interpretado por Rory Culkin e que se limita a mero capacho de uma garota interessada por uma versão masculina, Jin, com atributos equivalentes ao seu nível de apatia.

Resenha Crítica | Saint Amour: Na Rota do Vinho (2016)

Saint Amour, de Benoît Delépine e Gustave Kervern

A dupla de realizadores Benoît Delépine e Gustave Kervern é conhecida no circuito alternativo do país por “Mamute” e “A Grande Noite”, longas que evidenciam o seu espírito um tanto iconoclasta. No primeiro, há um Gérard Depardieu colocando o pé na estrada e dando fim a uma existência careta na busca por uma papelada para obter a aposentadoria. No outro, há o vendedor certinho feito por Albert Dupontel que ao pouco se deixa contaminar pelo seu irmão punk vivido por Benoît Poelvoorde.

Na comparação, o novo “Saint Amour: Na Rota do Vinho” é menos radical em sua forma e narrativa, mas Delépine e Kervern não estão necessariamente convencionais. Na premissa, Jean (Gérard Depardieu) está acompanhado pelo filho quarentão Bruno (Benoît Poelvoorde) para traçarem a rota do vinho na França. Com eles, acaba se enturmando Mike (Vincent Lacoste, de “Hipócrates”), um taxista.

Muito mais do que o velho relacionamento pai e filho sendo desnudado dentro da moldura de um road movie, “Saint Amour: Na Rota do Vinho” dá o protagonismo a Bruno justamente por apresentar um (des)controle emocional por vezes juvenil, consequência de seus insucessos no amor.

Entre noites mal dormidas e o encontro com outros personagens pitorescos, os realizadores e também roteiristas surpreendem no encontro de alguma sensibilidade em homens brutos, culminando em um clímax de relações sexuais explícitas na exibição das fragilidades desses três homens. Algo pouco recorrente em registros masculinos mais preparados para expôr a virilidade dos homens do que o extremo oposto.

Resenha Crítica | Uma Mulher Fantástica (2017)

Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lelio

Toda semana, adentram no circuito narrativas LGBT cada vez com maior naturalidade. Por isso, as fronteiras do que se determina como segmento andam borradas, uma vez que as histórias sobre indivíduos que integram uma comunidade de minorias estão perdendo tanto um caráter didático quanto puramente restrito àqueles que em comum assumem a preferência pelo mesmo sexo (quando não os dois), por uma caracterização ou gênero.

Pois “Uma Mulher Fantástica” é quase tão libertador quanto “Tangerine” neste aspecto. Aqui, acompanhamos Marina Vidal (Daniela Vega), uma jovem trans que no período comercial trabalha como garçonete e que vislumbra uma carreira como cantora lírica. Mas até mergulharmos em seu íntimo, temos um percurso inicial guiado por Orlando (Francisco Reyes), companheiro de Marina com mais de 50 anos e que vem a falecer repentinamente.

A partir desse ponto, o roteiro, vencedor no Festival de Berlim do Urso de Prata, nos mergulha no luto, mas através de Marina, forçada a adotar um comportamento (quando não sujeitada a ações desconfortantes) por ser quem é. Aos olhos da família de Orlando, como a ex-mulher Sonia (Aline Küppenheim) ou o filho Bruno (Nicolás Saavedra), Marina não é apenas a amante, mas também a presença que eles se negam a reconhecer como feminina.

O diretor e roteirista naturalizado no Chile Sebastián Lelio faz para a sua Marina algo parecido com o que vimos no esplêndido “Gloria”, no qual Paulina García encara as agruras de qualquer mulher se aproximando da velhice. Já no contexto de Marina, há a ignorância de uma sociedade que não compreende a questão do gênero, mas isso não se torna a pauta central de seu filme, pois os empecilhos e preconceitos não impedem que Marina siga um cotidiano comum com todas as suas dores e desejos.

Por tudo isso, não era necessário para Lelio insistir volta e meia em devaneios visuais, como o da sua protagonista andando contra uma forte ventania ou dançando em uma boate. Marina e sua intérprete são fantásticas demais para artifícios que buscam criar uma maior empatia por uma mulher que já nos conquistou nos primeiros segundos.

Resenha Crítica | It: A Coisa (2017)

It, de Andy Muschietti

Em matéria de cinema, desde “O Nevoeiro”, produzido há 10 anos, que o cinéfilo estava órfão de uma excelente adaptação de um romance/conto assinado por Stephen King. Consequência da venda desenfreada de direitos para qualquer pessoa física ou jurídica. Felizmente, o jejum é quebrado com “It: A Coisa”, que lá atrás, exatamente em 1990, já havia sido adaptado como minissérie e telefilme.

Há até ecos de “Conta Comigo”, pois o diretor Andy Muschietti recebeu de mão beijada um tratamento que trás um viés mais denso da história, no qual os jovens protagonistas vivem uma realidade cruel de abusos, preconceitos e as perdas prematuras. “It: A Coisa” é um filmaço e comento um pouco mais sobre a realização no vídeo a seguir.

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Os Cinco Filmes Prediletos de Otávio Almeida

Já se passaram 10 anos desde a decisão em usar a blogosfera como uma plataforma não somente para tornar pública as minhas opiniões sobre filmes, mas também para criar conexões com pessoas com quem em comum tenho essa paixão irrefreável por cinema. Da “velha guarda”, há até hoje uma relação cordial. Como a com Otávio Almeida, com o qual tenho uma amizade que se fortaleceu quando nos descobrimos residentes de municípios vizinhos.

Jornalista e PR, Otávio toca há um bom tempo o Hollywoodiano, um nome inspirado no antigo Hollywoodianas da correspondente internacional Ana Maria Bahiana. Mesmo com uma rotina dura de trabalho, está sempre antenado para fazer uma cobertura crítica sobre os principais lançamentos do momento, também contemplando títulos nem sempre exibidos em grande circuito.

É um excelente cinéfilo para trocar figurinhas. Mesmo em discussões quando há pontos divergentes, as opiniões se completam ao invés de se anularem. Há também um sentimento de nostalgia que o ronda, como se pode perceber em sua seleção de filmes prediletos a seguir.

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O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola (The Godfather, 1972)

Para uma geração antes da minha, “Cidadão Kane” costuma ser apontado como o melhor filme de todos os tempos. Para minha geração, “O Poderoso Chefão” é o filme perfeito em todos os quesitos. A direção mais elegante, o roteiro mais bem escrito, o elenco ideal e a música de Nino Rota são elementos que representam uma aula de narrativa e cinema como a arte que amamos e exigimos. Não é só por isso que jamais condenamos os Corleone. Nas entrelinhas nos identificamos porque todo mundo tem família. Nenhuma é perfeita e todas são amadas e perdoadas.

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Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese (Goodfellas, 1990)

Se “O Poderoso Chefão” é a máfia high society, “Os Bons Companheiros” é sua representação das ruas. É o gângster do povo. Não é exatamente uma família, como no clássico de Coppola. Scorsese fala de amigos, como está no título. Mas negócios é um assunto à parte e, mais cedo ou mais tarde, uma vida de excessos e a sede pelo poder levam amizades à ruínas. Foi a primeira vez que vi um filme narrado por vários personagens. E penso que essa diversidade de pontos de vista anula nossa capacidade de julgar seus atos. Sempre vi “Os Bons Companheiros” como o anti-“O Poderoso Chefão”, a realidade alternativa da máfia de Coppola.

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Os Caçadores da Arca Perdida, de Steven Spielberg (Raiders of the Lost Ark, 1981)

É o filme que me despertou para o cinema. Vi um trecho com um homem de chapéu e chicote sendo arrastado por um caminhão e quis voltar e assistir desde o início para entender o que estava acontecendo. Mas aquela cena havia deixado meu coração acelerado. Quis saber quem eram Steven Spielberg, George Lucas, Harrison Ford e John Williams. Sou fã de carteirinha de Indiana Jones, mas foi por causa dele que descobri “Star Wars”, “De Volta para o Futuro”, “Gremlins”, “Os Goonies”, “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, “E.T.”, “Blade Runner” e outros filmes que envolvem esses nomes. É a razão pela qual gosto de filmes divertidos e escapistas até hoje.

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O Império Contra-Ataca, de Irvin Kershner (Star Wars: Episode V – The Empire Strikes Back, 1980)

Os fãs de “Star Wars” gostam de dizer que “O Império Contra-Ataca” é o melhor filme da saga, afinal subverteu o clima de aventura do original e expôs os planos de George Lucas de criar uma mitologia, uma space opera. Mas, para mim, esse é o melhor filme da série porque foi o primeiro “Star Wars” que assisti. Fiquei sem fôlego. E só depois corri atrás de “Uma Nova Esperança” (conhecido como “Guerra nas Estrelas” na época) e “O Retorno de Jedi”. Para mim, o conflito entre pai e filho, os caminhos opostos tomados por eles e a certeza de que o passado e o elo de sangue nunca morrem, tudo isso é muito mais emocionante que qualquer luta de sabres de luz e batalhas entre naves no espaço.

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Blade Runner, o Caçador de Androides, de Ridley Scott (Blade Runner, 1982)

Um triunfo da junção entre imagem, som e música. A influência deste filme na ficção científica e no cinema em geral é inegável. Mas entre prédios gigantescos, luzes e sombras, o que mais me atrai em “Blade Runner” é a forma como Ridley Scott tenta mostrar o que torna alguém humano. E a fala final de Rutger Hauer é a minha favorita do cinema.