Melhores Atores 2019

Os Melhores Atores no Cinema em 2019

Saudações cinéfilas!

O ano de 2019 foi tão tumultuado em minha vida que muitas prioridades precisaram ser revistas. Uma delas foi a alimentação do Cine Resenhas como site, pois admito que ultimamente tenho flertado muito mais com a sua encarnação como canal no YouTube, onde publico entrevistas e vídeo comentários com maior regularidade.

Como intenção de voltar a gerar mais conteúdo textual, faço a primeira publicação de 2020 inaugurando uma maratona que farei celebrando os melhores de 2019, hoje apresentando a vocês quais foram para mim as grandes interpretações masculinas, devidamente comentadas.

Contem-me o que acharam e até a próxima!

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10. Ethan Hawke, Fé Corrompida

Ethan Hawke é um tipo de ator que qualquer diretor independente pode contratar sem que a qualidade de sua interpretação seja comprometida pelo cachê limitado. Foi o que fez Paul Schrader, que com “Fé Corrompida” não entrega somente aquele que é o seu melhor filme em mais de 10 anos, como vai além do automático na direção de seu elenco, no qual Hawke assume o protagonismo vivendo um padre  não muito confiante de suas certezas que vai paulatinamente sucumbindo à angústia.

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9. Asier Etxeandia, Dor e Glória

Já chegaremos a Antonio Banderas, mas a primeira metade de “Dor e Glória” certamente não seria tão excepcional se o astro, agora indicado ao Oscar, não tivesse como seu principal parceiro de cena Asier Etxeandia, que interpreta Alberto Crespo, ator que caiu em desgraça após um desentendimento que durou três décadas com o diretor que o descobriu e que ajuda a compreender, com drama e humor, alguns dos tormentos do próprio Pedro Almodóvar. Até então, o espanhol era mais conhecido por seus papéis na tevê. Hoje finalista ao Goya de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme de Almodóvar, talvez passe a ser uma presença mais reconhecida na tela grande.

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8. Zain Al Rafeea, Cafarnaum

É sempre um perigo trabalhar com crianças, especialmente se for uma que não é um ator profissional e que tem uma vida parecida com a do personagem miserável que interpreta. “Cafarnaum” tem lá seus problemas morais, mas quando emociona, é por conta do gigantismo de seu pequeno protagonista Zain Al Rafeea, que habita uma realidade em que o obriga a sobreviver como se fosse um adulto. A diretora Nadine Labaki assegurou que a vida de Zain mudou após o seu filme, hoje vivendo com sua família na Noruega, onde frequenta uma escola pela primeira vez após uma infância nas favelas de Beirute.

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7. Jim Cummings, Thunder Road

“Thunder Road” teve umas três ou quatro sessões na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2018 e poucos o viram quando foi lançado nos streamings brasileiros. Pois vale a pena descobrir essa pérola feita por meros 191 mil dólares, especialmente por Jim Cummings, protagonista, diretor, roteirista e editor de uma comédia com toques dramáticos muito críveis sobre um policial que precisa encarar os fracassos de sua vida com o luto pela morte de sua mãe e um divórcio. É um personagem cheio de erros e pelo qual criamos uma simpatia imediata graças ao empenho que Cummings emprega ao papel. “The Werewolf”, seu próximo longa-metragem, começa a pipocar nas telas americanas em março deste ano.

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6. Robert De Niro, O Irlandês

Dá uma tristeza ver um veterano que amamos como Robert De Niro hoje sustentando uma carreira na base de filmes patéticos, quando não vergonhosos. Mas dá para entender, pois talvez as coisas alcancem um estágio em que o desgaste emocional para dar vida a personagens complexos aparece para clamar por projetos mais descompromissados. No entanto, se não fosse um ou outro projeto isolado (como os conduzidos por David O. Russell), talvez a gente não testemunhasse mais em vida o De Niro dos bons tempos. Ainda bem que a Netflix bancou o gordo orçamento de “O Irlandês”, permitindo uma reencontro tardio com Martin Scorsese (com quem não trabalha desde “Cassino”) e ainda a divisão de espaço com Al Pacino (esse é um que não via tão bom ator desde “O Mercador de Veneza”, de 2004), Joe Pesci e Harvey Keitel. A melancolia que expressa no ato final desse épico faz ser considerado um crime o fato de não estar concorrendo ao Oscar de Melhor Ator.

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5. Antonio Banderas, Dor e Glória

Chegamos a ele. Levou 22 anos para que Antonio Banderas e Pedro Almodóvar se reencontrassem no cinema. Depois de “Ata-me!”, houve uma ruptura resolvida somente em “A Pele que Habito“. Especulou-se que houve uma desarmonia entre ambos, talvez servindo de inspiração para a construção de “Dor e Glória”, ainda que o maior realizador espanhol hoje em atividade também tenha se desentendido com outros de seus intérpretes ao longo da carreira. Há males que vem para o bem. Almodóvar entrega o seu melhor filme desde “Volver” (de um distante 2006) e Banderas traz aqui o peso de um ator que amadureceu muito com o tempo, melhor como nunca se viu.

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4. Richard E. Grant, Poderia Me Perdoar?

Às vezes, um bom filme depende da sintonia que há entre dois atores contracenando. Se os melhores momentos de “Dor e Glória” são aqueles entre Antonio Banderas e Asier Etxeandia, “Poderia Me Perdoar?” talvez não fosse tão bom se Melissa McCarthy não contasse com um ator do calibre de Richard E. Grant como o seu principal parceiro de crime. O ator nascido em Suazilândia tem mais de 130 créditos no currículo e é desses que a gente sabe que viu a cara em um filme, mas nem sempre lembra em qual. Até diretor já foi, em “A Conquista da Liberdade”, de 2005. O humor afiado como uma navalha que impõe ao seu personagem torna ainda mais mordaz os direcionamentos dramáticos da história real. Indicado ao Oscar, perdeu para Mahershala Ali.

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3. Eddie Murphy, Meu Nome é Dolemite

Após o fracasso comercial retumbante de seus últimos filmes (“O Grande Dave“, “Imagine Só!”, “As Mil Palavras” e o drama indie “Mr. Church”), Eddie Murphy fez o que parecia certo: desapareceu por alguns anos para curtir a família, a sua fortuna e o aparecimento de algum projeto que valesse a pena um comeback. “Meu Nome é Dolemite” faz lembar aquele comediante dos velhos tempos, pelo qual nos apaixonamos por causa de “Um Príncipe em Nova York”, “Um Tira da Pesada” e tantas outras comédias memoráveis dos anos 1980/1990. A homenagem que presta para Rudy Ray Moore é emocionante, em um filme que narra os percalços do sucesso daquele jeito contagiante que Craig Brewer já havia demonstrado no igualmente ótimo “Ritmo de um Sonho”.

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2. Félix Maritaud, Selvagem

Mais novo ícone gay do cinema europeu? Félix Maritaud teve um personagem secundário de destaque em “120 Batimentos por Minuto” e, desde então, tem sido convocado para marcar presença em narrativas que encontram maior sintonia com o público LGBTQI+. “Selvagem” tem mesmo esse apelo, mas a maneira como Maritaud se entrega ao papel de um garoto de programa autodestrutivo é tão intensa que penso que qualquer um que tenha experimentado um amor não correspondido ou a ausência de afeto sairá igualmente devastado da sessão.

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1. Jonas Dassler, O Bar Luva Dourada

Jonas Dassler é um jovem de 23 anos com toda uma pinta de galã. O extremo oposto do temível e feioso Fritz Honka, assassino em série acusado pela morte de quatro prostitutas em Hamburgo quando tinha entre 35 e 40 anos. Vá entender como o realizador Fatih Akin o avaliou para o papel, mas a escolha se mostra certeira na tela. A partir de um departamento de maquiagem liderado por Daniel Schröder, Lisa Edelmann e Maike Heinlein (constantes colaboradores de Akin), Dassier definitivamente se transforma em uma criatura abominável, abraçando-a para representar o que há de mais podre não somente em um indivíduo com a maldade encarnada em seu ser, mas também nos abismos sociais bem delimitados no ambiente que habita.