Resenha Crítica: Trouble (2019), de Mariah Garnett

Com traços andrógenos, Mariah Garnett usa da linguagem audiovisual para fazer os seus experimentos artísticos, mas é a primeira vez em que abraça o formato documental em longa-metragem com uma proposta mais linear para assim ampliar o seu campo de possibilidades com a entrada pelo circuito de festivais.

Mas, como o próprio título sugere, o seu foco aqui poderia acarretar em uma longa exposição de conflitos de identidade. Afinal, “Trouble” apresenta como fio condutor a curiosidade de Garnett, encostando os 40 anos, em investigar a história de vida de seu pai David, ausente em quase toda a sua vida e do qual descobre indícios de seu passado a partir de uma aparição dele em um documentário televisivo produzido em 1971.

Vem aí mais uma serventia do título para a obra, que também alude ao conflito na Irlanda do Norte, período em que David era um jovem protestante em um relacionamento com uma garota católica: uniões inter-religiosas eram proibidas naquele contexto. Entre as consequências, houve o rompimento não apenas com o país, mas também com familiares e amigos.

O documentário parece perder as suas características pessoais para compreender, com olhos estrangeiros, que fim deu um território que superou o seu período de fundamentalismos extremos, o que faz o espectador ficar um tanto disperso em seus rumos e intenções. Além do mais, Mariah Garnett, que tem claro perfil introspectivo, não parece confortável em sua própria escolha de dublar para a câmera os depoimentos em áudio de David. ★★

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