5 bons curtas-metragens brasileiros vistos no 9º Olhar de Cinema

Chão de Rua, de Tomás von der Osten
Montador de um dos títulos também presentes na programação do 9º Olhar de Cinema, “A Mulher que Sou”, Tomás von der Osten comprova com “Chão de Rua” ter uma visão muito singular para desenhar com a construção ou a organização de imagens alguns dados que nem sempre são explicitados pela dramaturgia econômica de um curta-metragem. Embora a sua obra se desenvolva a partir do reencontro entre os meios-irmãos Alberto e Valéria durante uma única noite, os gestos sutis (como as mãos que apalpam um chão em que estão sepultadas memórias da infância) e os corpos em movimento na penumbra sugerem as razões de distanciamento entre os protagonistas. ★★★★

Noite de Seresta, de Muniz Filho e Sávio Fernandes
Codiretor, Sávio Fernandes já tinha provado a sua ótima mão para o humor com a direção de outros dois curtas, “Who’s the Man?” (2017) e “Tommy Brilho” (2018). Além de uma energia contagiante em suas performances de karaokê, Kátia, o alvo central de “Noite de Seresta”, é também carregada de descontração ao falar de si em contextos mais mundanos de sua vida e ainda se permite a protagonizar algumas brincadeiras visuais, como se estivesse inserida em um videoclipe brega. Um filme tão vibrante quando a sua personagem. ★★★

Seremos Ouvidas, de Larissa Nepomuceno
Se acessibilidade no cinema é algo que está longe de ser resolvido, pior é a ausência de registros que dão protagonismo para personagens, reais ou ficcionais, que apresentam alguma deficiência. Larissa Nepomuceno traz à tona algo que muitas pessoas provavelmente nunca refletiram em seus pensamentos: os entraves que mulheres mudas atravessam ao reportar episódios de assédio dos quais foram vítimas. Registro urgente que merece ter o seu acesso ampliado após sua trajetória por festivais. ★★★

Os Últimos Românticos do Mundo, de Henrique Arruda
Diretor do bom “Ainda Não lhe Fiz Uma Canção de Amor” (2015), Henrique Arruda faz uma celebração ao amor livre com uma história com toques de ficção científica, a música como personagem importante, muitas citações pop (a exemplo de “Thelma & Louise”) e uma atmosfera estilizada obtida pela fotografia de Breno César. Chega até a lembrar bastante “San Junipero”, um dos episódios mais queridos de “Black Mirror”, mas com uma brasilidade que o torna único. ★★★

Enraizadas, de Gabriele Roza e Juliana Nascimento
Leusa Araujo publicou em 2012 o “Livro do Cabelo”, um registro ilustrado muito curioso sobre como o cabelo é uma abordagem importante para investigar os costumes preservados por séculos por um sem número de comunidades que constituem a sociedade que hoje vivemos. Singelo, o curta “Enraizadas”, da dupla Gabriele Roza e Juliana Nascimento, consegue expressar em poucos minutos como os trançados sustentados por mulheres e homens pretos são um símbolo indispensável de resistência. ★★★

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