As Melhores Atrizes no Cinema em 2019

O conteúdo de retrospectiva do ano preparado pelo Cine Resenhas em um formato bem diferente daquele visto desde a concepção deste site está chegando ao fim. Com um vídeo sobre melhores filmes brasileiros de 2019 já publicado no canal do YouTube e outro sobre melhores filmes de qualquer nacionalidade em processo de edição, pegamos o intervalo para agora trazer aquelas que foram as grandes atrizes do último ano.

A partir de um top 10, comentamos brevemente sobre cada uma das escolhas, que trazem talentos femininos que apresentam as faces mais obscuras, divertidas e comoventes de mulheres vistas em circunstâncias bem distintas, estabelecendo um choque entre emoções da ficção com aquelas da realidade. Boa leitura!

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10. Samal Yeslyamova, Ayka

O mundo cinéfilo foi pego de surpresa quando Samal Yeslyamova recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes de 2018. Uma análise mais detalhada entregará que não havia opção à altura da cazaque, que antes só havia trabalhado em “Tulpan”, obra de 2008 do mesmo Sergei Dvortsevoy que a dirige em “Ayka”. No registro cru em forma e conteúdo, Samal interpreta uma imigrante que parece mais preocupada em conseguir um trabalho para sobreviver e quitar uma dívida do que com o bebê que carrega em seu ventre, abandonado-o assim que se vê em condições de fugir do hospital. Uma jornada extremamente difícil, que graças à Samal conta com a nossa completa cumplicidade.

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9. Isabelle Huppert, Obsessão

Ao ser indicada ao Oscar por “Elle“. Isabelle Huppert voltou a cair no radar de realizadores fora da França. Em tempos mais recentes, protagonizou em inglês projetos como “Frankie” (que chega aos cinemas brasileiros nos próximos dias) e a minissérie “The Romanoffs”. Quando iniciava o percurso na temporada de prêmios pelo filme de Paul Verhoeven e também por “O Que Está Por Vir“, Neil Jordan já tinha assegurado a maior atriz do cinema europeu no papel de Greta Hideg, talvez a primeira vez em que ela vive uma vilã de modo mais frontal. Algumas dimensões estão ausentes para integrar a personagem de Greta. Isabelle Huppert tem ciência disso, virando uma chave que a faz se divertir à beça em uma bobagem que lembra aqueles thrillers de stalkers do início dos anos 1990. Se não bastasse, o público ainda recebe o bônus de testemunhar Huppert cuspindo uma goma de mascar nos cabelos de Chloë Grace Moretz. É o suficiente.

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8. Rebecca Ferguson, Doutor Sono

Nascida na Suécia, Rebecca Ferguson teve a chamada grande chance ao viver na tevê uma encarnação diferente da Rainha Elizabeth na minissérie “The White Queen”, que rendeu para ela uma indicação ao Globo de Ouro. Não foi tão vista e comentada pelo público em 2013, mas foi o suficiente para os olheiros de Hollywood a convocarem em papéis importantes em filmes como “A Garota no Trem“, “O Rei do Show” e três episódios da franquia “Missão: Impossível”. O seu melhor será visto como a vilã de “Doutor Sono”, Rose Cartola. É uma das melhores coisas na encarnação em texto da continuação de “O Iluminado” e o realizador Mike Flanagan amplia o seu território para evidenciar a sua tridimensionalidade.

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7. Jennifer Lopez, As Golpistas

Admito adorar quando um artista consegue dar a volta por cima após não conseguir se desvincular de uma repercussão negativa que se deu por algumas escolhas equivocadas na construção de sua carreira. Mas, excetuando a exposição que se autorizou a lançar durante o seu relacionamento com Ben Affleck, as motivações de Jennifer Lopez hoje parecem nobres mesmo com resultados aquém das boas intenções, como a de desejar protagonizar comédias românticas porque não via latinas representadas nesse gênero. Também franca foi a felicidade que expressou com os vários louros recolhidos com “As Golpistas”, uma perspectiva feminina sobre a crise econômica que abateu a América há um pouco mais de 10 anos na qual inclusive assume o papel de produtora executiva. A sua Ramona é um estouro em cena, dona de um dos melhores diálogos concebidos pelo roteiro e ainda com camadas de vulnerabilidade que reforçam que a celebridade J-Lo é, acima de tudo, uma boa intérprete dramática.

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6. Ana de Armas, Entre Facas e Segredos

Nós começamos a notar a existência da columbiana Ana de Armas há cinco anos, quando fez o seu primeiro trabalho em inglês, “Bata Antes de Entrar”, aquela atualização bem esquecível do Eli Roth para o também esquecível “Death Game”, thriller dos mais baratos produzido em 1977. Uma das jovens atrizes mais belas atualmente, passou a receber oportunidades mais interessantes desde sua intensa presença em “Blade Runner 2049“. Ainda assim, a escolha do diretor, roteirista e produtor Rian Johnson em escalar Ana para o papel central de “Entre Facas e Segredos” soava bem arriscada. Ainda bem que apostou todas as suas fichas nela. Ana não somente é uma personagem muito mais bacana que a do investigador agathacristiano Benoit Blanc (interpretado por Daniel Craig), como ainda coloca todo o elenco de apoio no bolso, de Jamie Lee Curtis a Chris Evans. A sua Marta Cabrera é comovente, engraçada e até mesmo dúbia. Vai ser difícil bolar uma sequência de “Entre Facas e Segredos” com uma protagonista (e atriz) à altura.

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5. Julia Stockler, A Vida Invisível

O que mais se falou sobre “A Vida Invisível” foi como a conclusão da história emociona, sobretudo pela presença especial de Fernanda Montenegro. Pelo visto, eu sou um dos poucos que passou incólume por essa etapa final da narrativa de Karim Aïnouz, que se dá a partir de uma elipse no mínimo desconfortável. Até lá, ainda estava sob uma hipnose provocada por Julia Stockler, o verdadeiro coração do drama, dando vida a uma irmã que tem de matar um leão por dia pelo abandono de um amor estrangeiro e pelo desprezo do pai. Com um currículo amparado por participações em curtas-metragens e projetos televisivos, hoje Julia recebe várias propostas, como para estar na adaptação cinematográfica para a peça teatral “Os Últimos Dias de Gilda”. Mal posso esperar pelo que está por vir.

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4. Mary Kay Place, A Vida de Diane

Somando mais de 100 créditos no cinema e na tevê desde 1973, a americana Mary Kay Place se conformou com papéis secundários de mães ou de um componente em um círculo de amizade de uma protagonista. Estreante na direção de longa-metragem de ficção, Kent Jones provavelmente viu os trabalhos mais substanciais de Mary, escalando-a para o grande papel-título de seu drama, registrando uma mulher que parece ter deixado de lado a construção de uma vida mais plena. Diane só passa a ser vista pelo público em seu próprio lar quando a narrativa já está em estágio avançado. É também flagrada pedindo desculpas a todos ao seu redor, bem como perdendo amigos e familiares na mesma faixa de idade que a sua. Mary não precisa de um grande grito para expressar a dor que a corrói. Está tudo expresso em sua face.

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3. Melissa McCarthy, Poderia Me Perdoar?

Não tenho dúvidas de que Melissa McCarthy tenha um casamento maravilho. Tanto que dele tem vindo as parcerias que impedem que a carreira da atriz alce voos mais altos. Se Paul Feig mostrou a comediante brilhante que é Melissa com os seus papéis em “Missão Madrinha de Casamento” e “A Espiã que Sabia de Menos“, Falcone exibe a sua esposa como uma mulher histriônica. A redenção veio recentemente com “Poderia Me Perdoar?”, no qual foi indicada ao Oscar 2019 na categoria de interpretação. É a grande chance para o público conhecer as suas habilidades dramáticas, que tinham sido manifestadas em pequenas doses em “Um Santo Vizinho”. E o melhor: nos faz ter uma empatia imediata com uma figura real antes que qualquer julgamento possa ser estabelecido sobre os seus atos. Pena que com o marido já tenha outros dois filmes no forno pra estrear ao longo deste ano…

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2. Glenn Close, A Esposa

Amamos Olivia Colman, mas Glenn Close sem um Oscar por sua interpretação em “A Esposa” é algo que ainda causa comoção. Especialmente pelo dado de que a grande veterana detém um recorde nada nobre: no histórico da premiação, é a atriz que mais acumula indicações sem uma conversão em vitória – sete ao todo. Neste drama acima da média do sueco Björn Runge, há da parte de Close uma interpretação extremamente sutil antes das esperadas explosões emocionais, expressando em faces de arrependimento o modo como negligenciou a si mesma em detrimento do sucesso do marido. O sonho de vê-la com uma estatueta talvez aconteça em 2022: a versão musical de “Sunset Boulevard” contou com a atriz em duas encarnações na Broadway e a versão cinematográfica está em pré-produção.

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1. Nicole Kidman, O Peso do Passado

Atualmente com 52 anos, Nicole Kidman viveu na pele a maldição dos 40 anos, em que a oferta de bons papéis começa a rarear em Hollywood. Houve mesmo algumas falhas em alcançar êxitos artísticos, mas Nicole deu a volta por cima. Voltou a encarar com mais regularidade o papel de produtora e mantém firme a promessa de trabalhar com mais cineastas mulheres. Karyn Kusama foi uma delas, que submeteu a australiana a uma transformação devastadora, comprovando o seu empenho em abraçar cada personagem com uma entrega que poucas atrizes em atividade estão dispostas. Nicole encara a sordidez do filme como um ambiente familiar, sobretudo como incorpora as cicatrizes físicas e emocionais da detetive Erin Bell, que passa a ser confrontada por um passado traumático que explica a decadência que a sucumbiu. Mesmo pouco visto, “O Peso do Passado” se destaca com “Obsessão” e “Segredos de Sangue” como as melhores interpretações da década de Nicole.

Melhores Atores 2019

Os Melhores Atores no Cinema em 2019

Saudações cinéfilas!

O ano de 2019 foi tão tumultuado em minha vida que muitas prioridades precisaram ser revistas. Uma delas foi a alimentação do Cine Resenhas como site, pois admito que ultimamente tenho flertado muito mais com a sua encarnação como canal no YouTube, onde publico entrevistas e vídeo comentários com maior regularidade.

Como intenção de voltar a gerar mais conteúdo textual, faço a primeira publicação de 2020 inaugurando uma maratona que farei celebrando os melhores de 2019, hoje apresentando a vocês quais foram para mim as grandes interpretações masculinas, devidamente comentadas.

Contem-me o que acharam e até a próxima!

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10. Ethan Hawke, Fé Corrompida

Ethan Hawke é um tipo de ator que qualquer diretor independente pode contratar sem que a qualidade de sua interpretação seja comprometida pelo cachê limitado. Foi o que fez Paul Schrader, que com “Fé Corrompida” não entrega somente aquele que é o seu melhor filme em mais de 10 anos, como vai além do automático na direção de seu elenco, no qual Hawke assume o protagonismo vivendo um padre  não muito confiante de suas certezas que vai paulatinamente sucumbindo à angústia.

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9. Asier Etxeandia, Dor e Glória

Já chegaremos a Antonio Banderas, mas a primeira metade de “Dor e Glória” certamente não seria tão excepcional se o astro, agora indicado ao Oscar, não tivesse como seu principal parceiro de cena Asier Etxeandia, que interpreta Alberto Crespo, ator que caiu em desgraça após um desentendimento que durou três décadas com o diretor que o descobriu e que ajuda a compreender, com drama e humor, alguns dos tormentos do próprio Pedro Almodóvar. Até então, o espanhol era mais conhecido por seus papéis na tevê. Hoje finalista ao Goya de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme de Almodóvar, talvez passe a ser uma presença mais reconhecida na tela grande.

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8. Zain Al Rafeea, Cafarnaum

É sempre um perigo trabalhar com crianças, especialmente se for uma que não é um ator profissional e que tem uma vida parecida com a do personagem miserável que interpreta. “Cafarnaum” tem lá seus problemas morais, mas quando emociona, é por conta do gigantismo de seu pequeno protagonista Zain Al Rafeea, que habita uma realidade em que o obriga a sobreviver como se fosse um adulto. A diretora Nadine Labaki assegurou que a vida de Zain mudou após o seu filme, hoje vivendo com sua família na Noruega, onde frequenta uma escola pela primeira vez após uma infância nas favelas de Beirute.

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7. Jim Cummings, Thunder Road

“Thunder Road” teve umas três ou quatro sessões na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2018 e poucos o viram quando foi lançado nos streamings brasileiros. Pois vale a pena descobrir essa pérola feita por meros 191 mil dólares, especialmente por Jim Cummings, protagonista, diretor, roteirista e editor de uma comédia com toques dramáticos muito críveis sobre um policial que precisa encarar os fracassos de sua vida com o luto pela morte de sua mãe e um divórcio. É um personagem cheio de erros e pelo qual criamos uma simpatia imediata graças ao empenho que Cummings emprega ao papel. “The Werewolf”, seu próximo longa-metragem, começa a pipocar nas telas americanas em março deste ano.

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6. Robert De Niro, O Irlandês

Dá uma tristeza ver um veterano que amamos como Robert De Niro hoje sustentando uma carreira na base de filmes patéticos, quando não vergonhosos. Mas dá para entender, pois talvez as coisas alcancem um estágio em que o desgaste emocional para dar vida a personagens complexos aparece para clamar por projetos mais descompromissados. No entanto, se não fosse um ou outro projeto isolado (como os conduzidos por David O. Russell), talvez a gente não testemunhasse mais em vida o De Niro dos bons tempos. Ainda bem que a Netflix bancou o gordo orçamento de “O Irlandês”, permitindo uma reencontro tardio com Martin Scorsese (com quem não trabalha desde “Cassino”) e ainda a divisão de espaço com Al Pacino (esse é um que não via tão bom ator desde “O Mercador de Veneza”, de 2004), Joe Pesci e Harvey Keitel. A melancolia que expressa no ato final desse épico faz ser considerado um crime o fato de não estar concorrendo ao Oscar de Melhor Ator.

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5. Antonio Banderas, Dor e Glória

Chegamos a ele. Levou 22 anos para que Antonio Banderas e Pedro Almodóvar se reencontrassem no cinema. Depois de “Ata-me!”, houve uma ruptura resolvida somente em “A Pele que Habito“. Especulou-se que houve uma desarmonia entre ambos, talvez servindo de inspiração para a construção de “Dor e Glória”, ainda que o maior realizador espanhol hoje em atividade também tenha se desentendido com outros de seus intérpretes ao longo da carreira. Há males que vem para o bem. Almodóvar entrega o seu melhor filme desde “Volver” (de um distante 2006) e Banderas traz aqui o peso de um ator que amadureceu muito com o tempo, melhor como nunca se viu.

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4. Richard E. Grant, Poderia Me Perdoar?

Às vezes, um bom filme depende da sintonia que há entre dois atores contracenando. Se os melhores momentos de “Dor e Glória” são aqueles entre Antonio Banderas e Asier Etxeandia, “Poderia Me Perdoar?” talvez não fosse tão bom se Melissa McCarthy não contasse com um ator do calibre de Richard E. Grant como o seu principal parceiro de crime. O ator nascido em Suazilândia tem mais de 130 créditos no currículo e é desses que a gente sabe que viu a cara em um filme, mas nem sempre lembra em qual. Até diretor já foi, em “A Conquista da Liberdade”, de 2005. O humor afiado como uma navalha que impõe ao seu personagem torna ainda mais mordaz os direcionamentos dramáticos da história real. Indicado ao Oscar, perdeu para Mahershala Ali.

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3. Eddie Murphy, Meu Nome é Dolemite

Após o fracasso comercial retumbante de seus últimos filmes (“O Grande Dave“, “Imagine Só!”, “As Mil Palavras” e o drama indie “Mr. Church”), Eddie Murphy fez o que parecia certo: desapareceu por alguns anos para curtir a família, a sua fortuna e o aparecimento de algum projeto que valesse a pena um comeback. “Meu Nome é Dolemite” faz lembar aquele comediante dos velhos tempos, pelo qual nos apaixonamos por causa de “Um Príncipe em Nova York”, “Um Tira da Pesada” e tantas outras comédias memoráveis dos anos 1980/1990. A homenagem que presta para Rudy Ray Moore é emocionante, em um filme que narra os percalços do sucesso daquele jeito contagiante que Craig Brewer já havia demonstrado no igualmente ótimo “Ritmo de um Sonho”.

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2. Félix Maritaud, Selvagem

Mais novo ícone gay do cinema europeu? Félix Maritaud teve um personagem secundário de destaque em “120 Batimentos por Minuto” e, desde então, tem sido convocado para marcar presença em narrativas que encontram maior sintonia com o público LGBTQI+. “Selvagem” tem mesmo esse apelo, mas a maneira como Maritaud se entrega ao papel de um garoto de programa autodestrutivo é tão intensa que penso que qualquer um que tenha experimentado um amor não correspondido ou a ausência de afeto sairá igualmente devastado da sessão.

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1. Jonas Dassler, O Bar Luva Dourada

Jonas Dassler é um jovem de 23 anos com toda uma pinta de galã. O extremo oposto do temível e feioso Fritz Honka, assassino em série acusado pela morte de quatro prostitutas em Hamburgo quando tinha entre 35 e 40 anos. Vá entender como o realizador Fatih Akin o avaliou para o papel, mas a escolha se mostra certeira na tela. A partir de um departamento de maquiagem liderado por Daniel Schröder, Lisa Edelmann e Maike Heinlein (constantes colaboradores de Akin), Dassier definitivamente se transforma em uma criatura abominável, abraçando-a para representar o que há de mais podre não somente em um indivíduo com a maldade encarnada em seu ser, mas também nos abismos sociais bem delimitados no ambiente que habita.

Os 10 Melhores Filmes da 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Uma sucessão de eventos quase impediu que o Cine Resenhas fizesse a cobertura integral da 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Mesmo com a ausência nos últimos dias, nos quais só foi possível prestigiar a exibição em homenagem ao brasileiro “Central do Brasil”, foram mais de 60 filmes da programação assistidos até o fechamento desta publicação.

O ranking a seguir disponível é a celebração não somente de uma edição que já se despediu, como também uma possibilidade de concentração de todo um grupo de amigos que tornam o tradicional festival de cinema um dos mais empolgantes de se frequentar e de se promover.

Se tudo der certo, até a 43ª Mostra!

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10º Lugar
3 Faces, de Jafar Panahi
30 pontos | 5 menções

Tem sido muito gratificante acompanhar a trajetória do cinema de Jafar Panahi, a despeito das circunstâncias que o fizeram mudar o curso do seu trabalho. A cada novo filme, o diretor, que já esteve detido na cadeia, passou por prisão domiciliar e hoje está impossibilitado de deixar o Irã, busca se reinventar, mas ainda assim consegue aludir a sua própria condição, mesmo que de modo espelhado, como tenta fazer aqui. + [Rafael CarvalhoMoviola Digital]

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Culpa9º Lugar
Culpa, de Gustav Möller
30 pontos | 4 menções

Agora um dos mais populares da programação da 42ª edição da Mostra e em exibição no circuito americano (no Brasil, o lançamento é esperado para 20 de dezembro), “Culpa” é ainda um forte concorrente ao Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro como representante da Dinamarca. Não à toa: o exercício de imaginação que promove é ainda mais eficaz que o de “Buscando…“, somente para citar outro exemplar recente que encontra no confinamento o seu fio condutor. + [Alex Gonçalves, Cine Resenhas]

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8º Lugar
Assunto de Família, de Hirokazu Kore-eda
30 pontos | 8 menções

O filme refuta qualquer armadilha do dramalhão familiar e, sob o olhar sempre sensível de Kore-eda para a dinâmica humana, tramita numa linha tênue entre a ternura e o sentimentalismo, sendo que este último é assumido de peitos abertos pelo roteiro a partir do terceiro ato. Mas é uma transição que funciona muito bem e, de certo modo, está em consonância com os rumos dessa gente que sempre vive não só às margens da sociedade, como também do espírito humano. + [Yuri DeliberalliDiscurso Cinematográfico]

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7º Lugar
Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski
34 pontos | 6 menções

Num ato final contra tudo e contra todos – Deus, o estado, as tradições – Pawlikowski acredita encontrar uma solução para a paz em Guerra Fria. Tal solução é tão trágica quanto o tempo que os personagens viveram e, talvez, o mesmo que vivemos hoje. E num cenário tão sem perspectiva, olhar do outro lado parece uma saída – o que não quer dizer que seja a única. O que acontece aqui é como um alerta, onde o diretor usa da ficção para nos fazer refletir se realmente não existe outra saída além da triste apresentada. + [Tiago Paes de Lira, Tem Um Tigre no Cinema]

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6º Lugar
A Valsa de Waldheim, de Ruth Beckermann
35 pontos | 4 menções

Embora o formato seja convencional, o filme ganha força na montagem que compõe um panorama bastante claro. O interessante é que em meio a isso tudo, não seja apresentado o candidato concorrente. Talvez porque a documentarista esteja mais preocupada em, ao mesmo tempo descortinar o absurdo daquilo tudo, mas também deixar a narrativa aberta o suficiente para que os espectadores contemporâneos possam preenchê-la com as histórias atuais de direta conservadora que, com seus nacionalismos extremistas, novamente está em ascensão na Europa. O documentário deixa bem claro que não importam as provas: a população seguirá o discurso que lhe parecer mais conveniente. + [Isabel WittmannEstante da Sala]

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5º Lugar
Eu Não Me Importo se Entrarmos para a História como Bárbaros, de Radu Jude
36 pontos | 5 menções

O cineasta romeno Radu Jude (de Aferim!) reflete sobre a importância de se acertar as contas com o passado, ao mesmo tempo em que questiona se este é um esforço em vão. Sua protagonista é Mariana (Ioana Iacob, em performance vigorosa), uma diretora teatral incubida de fazer um espetáculo em praça pública para relembrar a participação da Romênia na Segunda Guerra. Para isso, ela escolhe um recorte bastante específico: o massacre de cerca de 30 mil judeus na cidade de Odessa, ocorrido a mando das autoridades locais em outubro de 1941. + [Diego Olivares, Cinematecando]

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4º Lugar
Em Chamas, de Lee Chang-dong
41 pontos | 5 menções

Há de tudo aqui – erotismo, suspense, drama, humanismo, comentário político-social – todos construídos com ritmo dramático e imagens impactantes, que ficam nos olhos muito depois que o filme acabou. Pode-se até não sentir a passagem das 2 horas e 28 minutos, tamanho é o poder de Chang-dong de colar os olhos dos espectadores na tela, suspendendo sua respiração em torno das vicissitudes de seu frágil herói, Jongsu. O final é poderoso. + [Neusa Barbosa, Cineweb]

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A Favorita3º Lugar
A Favorita, de Yorgos Lanthimos
47 pontos | 8 menções

Para encerrar A Favorita, o diretor grego escolhe a sobreposição. Ali, de certo modo, está o que é o filme, o que é deixar algo tão tradicional na mão de alguém que narrativamente está em um outro lugar e tem outras proposições. E funciona lindamente. Segurando os arroubos criativos, nem sempre sãos, de um lado e libertando o quadradismo das histórias, principalmente as de época. + [Cecilia BarrosoCenas de Cinema]

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2º Lugar
Infiltrado na Klan, de Spike Lee
60 pontos | 8 menções

É daí que vem então a força do desfecho do filme, cujos múltiplos finais envoltos em tantas propostas – homenagem ao gênero, triunfo do cinema e, claro, o retorno à atualidade – reiteram uma continuidade dos valores abordados e tão urgentes aos dias de hoje. “Infiltrado na Klan” é uma obra que preza acima de tudo pela reafirmação da resistência ao ódio, ao medo e à opressão dentro do momento contemporâneo em que se situa, e Lee sabe o nível de importância de sua mensagem o suficiente para martelá-la à exaustão até ser ouvido. + [Pedro StrazzaB9]

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1º Lugar
Roma, de Alfonso Cuarón
80 pontos | 11 menções

Candidato do México para uma indicação na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no próximo Oscar, a produção também se destaca pela arte e outros departamentos técnicos que ambientam o público, desde o afiador passando na rua e a agitação do centro da cidade ao vislumbre da TV local e cinema da época. O furor nas ruas com manifestações de estudantes e a repressão de milícias do governo não serve apenas de contexto e acaba ganhando proporções maiores no último ato do longa. No entanto, em uma história fundamentada em discutir questões de classe e raciais, é a maternidade e os laços familiares que se tornam a alma desta obra. + [Nayara ReynaudNervos]

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Os 10 melhores filmes da 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo segundo Alex Gonçalves, editor do Cine Resenhas:

01. A Casa que Jack Construiu, de Lars von Trier
02. Infiltrado na Klan, de Spike Lee
03. Selvagem, de Camille Vidal-Naquet
04. A Guerra de Anna, de Aleksey Fedorchenko
05. Holiday, de Isabella Eklöf
06. O Mau Exemplo de Cameron Post, de Desiree Akhavan
07. CoinCoin e os Inumanos, de Bruno Dumont
08. Utøya: 22 de Julho, de Erik Poppe
09. Poderia Me Perdoar?, de Marielle Heller
10. Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski

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Os convidados:

Adriano Garrett | Cine Festivais

01. A Árvore dos Frutos Selvagens, de Nuri Bilge Ceylan
02. Temporada, de André Novais Oliveira
03. A Valsa de Waldheim, de Ruth Beckermann
04. 3 Faces, de Jafar Panahi
05. Amanda, de Mikhaël Hers
06. Vidas Duplas, de Olivier Assayas
07. Uma Terra Imaginada, de Yeo Siew Hua
08. Futebol Infinito, de Corneliu Porumboiu
09. Grass, de Hong Sang-soo
10. Vermelho Sol, de Benjamín Naishtat

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Barbara Demerov | AdoroCinema

01. Roma, de Alfonso Cuarón
02. A Favorita, de Yorgos Lanthimos
03. Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski
04. Infiltrado na Klan, de Spike Lee
05. Uma Mulher em Guerra, de Benedikt Erlingsson
06. Vidas Duplas, de Olivier Assayas
07. O Mau Exemplo de Cameron Post, de Desiree Akhavan
08. A Madeline de Madeline, de Josephine Decker
09. Cafarnaum, de Nadine Labaki
10. Assunto de Família, de Hirokazu Kore-eda

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Cecilia Barroso | Cenas de Cinema

01. Eu Não Me Importo se Entrarmos para a História como Bárbaros, de Radu Jude
02. Assunto de Família, de Hirokazu Kore-eda
03. A Valsa de Waldheim, de Ruth Beckermann
04. Em Chamas, de Lee Chang-dong
05. Roma, de Alfonso Cuarón
06. A Favorita, de Yorgos Lanthimos
07. Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski
08. 3 Faces, de Jafar Panahi
09. Uma Terra Imaginada, de Yeo Siew Hua
10. Vidas Duplas, de Olivier Assayas

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Diego Olivares | Cinematecando

01. Roma, de Alfonso Cuarón
02. Em Chamas, de Lee Chang-dong
03. A Favorita, de Yorgos Lanthimos
04. Culpa, de Gustav Möller
05. Eu Não Me Importo se Entrarmos para a História como Bárbaros, de Radu Jude
06. A Casa que Jack Construiu, de Lars von Trier
07. A Madeline de Madeline, de Josephine Decker
08. Infiltrado na Klan, de Spike Lee
09. Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes
10. Uma Mulher em Guerra, de Benedikt Erlingsson

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Hélio Flores | Mostreiro

01. Eu Não Me Importo se Entrarmos para a História como Bárbaros, de Radu Jude
02. Roma, de Alfonso Cuarón
03. John McEnroe: No Império Na Perfeição, de Julien Faraut
04. Uma Mulher em Guerra, de Benedikt Erlingsson
05. Ilha, de Ary Rosa e Glenda Nicácio
06. Selvagem, de Camille Vidal-Naquet
07. Trem das Vidas ou A Viagem de Angélique, de Paul Vecchiali
08. Assunto de Família, de Hirokazu Kore-eda
09. O Hotel às Margens do Rio, de Hong Sang-soo
10. Amanda, de Mikhaël Hers

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Isabel Wittmann | Estante da Sala

01. A Valsa de Waldheim, de Ruth Beckermann
02. Infiltrado na Klan, de Spike Lee
03. O Mau Exemplo de Cameron Post, de Desiree Akhavan
04. A Casa que Jack Construiu, de Lars von Trier
05. Almofada de Alfinetes, de Deborah Haywood
06. Poderia Me Perdoar?, de Marielle Heller
07. Eu Não Me Importo se Entrarmos para a História como Bárbaros, de Radu Jude
08. Meio Irmão, de Elaine Coster
09. Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, de João Salaviza e Renée Nader Messora
10. Rosas Selvagens, de Anna Jadowska

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Marcelo Ferreira | CINESe7e

01. Piedade, de Babis Makridis
02. Infiltrado na Klan, de Spike Lee
03. A Árvore dos Frutos Selvagens, de Nuri Bilge Ceylan
04. Ága, de Milko Lazarov
05. Roma, de Alfonso Cuarón
06. O Anjo, de Luis Ortega
07. Limonada, de Ioana Uricaru
08. Selvagem, de Camille Vidal-Naquet
09. Cafarnaum, de Nadine Labaki
10. A Favorita, de Yorgos Lanthimos

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Nayara Reynaud | Nervos

01. Culpa, de Gustav Möller
02. A Terceira Esposa, de Ash Mayfair
03. A Favorita, de Yorgos Lanthimos
04. Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski
05. Roma, de Alfonso Cuarón
06. Fuga, de Agnieszka Smoczynska
07. Temporada, de André Novais Oliveira
08. Vida Selvagem, de Paul Dano
09. Sofia, de Meryem Benm’Barek-Aloïsi
10. O Mau Exemplo de Cameron Post, de Desiree Akhavan

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Neusa Barbosa | Cineweb

01. Em Chamas, de Lee Chang-dong
02. Roma, de Alfonso Cuarón
03. A Árvore dos Frutos Selvagens, de Nuri Bilge Ceylan
04. 3 Faces, de Jafar Panahi
05. Vermelho Sol, de Benjamín Naishtat
06. A Favorita, de Yorgos Lanthimos
07. Verão, de Kirill Serebrennikov
08. Culpa, de Gustav Möller
09. Deslembro, de Flávia Castro
10. A Quietude, de Pablo Trapero

Pedro Strazza | B9

01. Amor Até as Cinzas, de Jia Zhang-ke
02. A Valsa de Waldheim, de Ruth Beckermann
03. Infiltrado na Klan, de Spike Lee
04. Trem das Vidas ou A Viagem de Angélique, de Paul Vecchiali
05. Eu Não Me Importo se Entrarmos para a História como Bárbaros, de Radu Jude
06. Roma, de Alfonso Cuarón
07. John McEnroe: No Império Na Perfeição, de Julien Faraut
08. 3 Faces, de Jafar Panahi
09. Assunto de Família, de Hirokazu Kore-eda
10. O Hotel às Margens do Rio, de Hong Sang-soo

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Rafael Carvalho | Moviola Digital

01. Em Chamas, de Lee Chang-dong
02. 3 Faces, de Jafar Panahi
03. O Hotel às Margens do Rio, de Hong Sang-soo
04. Como Fernando Pessoa Salvou Portugal, de Eugène Green
05. Roma, de Alfonso Cuarón
06. Assunto de Família, de Hirokazu Kore-eda
07. Trem das Vidas ou A Viagem de Angélique, de Paul Vecchiali
08. Amanda, de Mikhaël Hers
09. A Árvore dos Frutos Selvagens, de Nuri Bilge Ceylan
10. A Madeline de Madeline, de Josephine Decker

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Tiago Paes de Lira | Tem Um Tigre no Cinema

01. Roma, de Alfonso Cuarón
02. Infiltrado na Klan, de Spike Lee
03. A Favorita, de Yorgos Lanthimos
04. Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski
05. Assunto de Família, de Hirokazu Kore-eda
06. Garotas em Fuga, de Virginie Gourmel
07. A Casa que Jack Construiu, de Lars von Trier
08. Verão, de Kirill Serebrennikov
09. The Man Who Killed Don Quixote, de Terry Gilliam
10. Sofia, de Meryem Benm’Barek-Aloïsi

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Vitor Búrigo | CINEVITOR

01. Culpa, de Gustav Möller
02. Vida Selvagem, de Paul Dano
03. Roma, de Alfonso Cuarón
04. Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski
05. Infiltrado na Klan, de Spike Lee
06. Em Chamas, de Lee Chang-dong
07. O Mau Exemplo de Cameron Post, de Desiree Akhavan
08. A Favorita, de Yorgos Lanthimos
09. Assunto de Família, de Hirokazu Kore-eda
10. Vidas Duplas, de Olivier Assayas

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Yuri Deliberalli | Discurso Cinematográfico

01. Amanda, de Mikhaël Hers
02. Extinção, de Salomé Lamas
03. Como Fernando Pessoa Salvou Portugal, de Eugène Green
04. Trem das Vidas ou A Viagem de Angélique, de Paul Vecchiali
05. Imagem e Palavra, de Jean-Luc Godard
06. O Hotel às Margens do Rio, de Hong Sang-soo
07. A Imagem que Você Perdeu, de Donal Foreman
08. Belmonte, de Federico Veiroj
09. Assunto de Família, de Hirokazu Kore-eda
10. Temporada, de André Novais Oliveira

A Casa que Jack Construiu

10 Filmes Para Assistir na 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Na última quinta-feira (11) a 42ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo finalmente compartilhou para os cinéfilos a sua programação oficial. Composta por 336 títulos, ela ocorrerá ao longo de duas semanas, com direito a uma adicional chamada de repescagem, onde os destaques serão reprisados no CineSesc.

No início da cobertura da Mostra, o Cine Resenhas sempre prepara uma pequena lista formada por 10 longas que merecem ser priorizados no processo de montagem da programação de bolso. São muitas opções, desde aqueles que saíram badalados dos grandes festivais competitivos de cinema no mundo, de Sundance ao de San Sebastián.

A seguir, você pode ver as recomendações do Cine Resenhas acompanhadas de sinopse e breve ficha técnica.

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A Casa que Jack Construiu | The House that Jack Built | dir. Lars von Trier | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Um dia, durante um encontro casual na estrada, Jack mata uma mulher. Esse evento provoca nele um prazer inesperado e que o faz assassinar dezenas de pessoas ao longo de 12 anos. Devido ao descaso das autoridades e à indiferença dos habitantes locais, Jack não encontra dificuldade em planejar seus crimes, executá-los ao olhar de todos e guardar os cadáveres num grande frigorífico. Tempos mais tarde, ele compartilha os seus casos mais marcantes com o sábio Virgílio, em uma jornada rumo ao inferno.

A Favorita | The Favourite | dir. Yorgos Lanthimos | Site da Mostra | IMDb | Trailer

No início do século 18, a Inglaterra está em guerra com a França. A frágil rainha Anne ocupa o trono, mas é sua amiga lady Sarah que governa o país. É quando chega à corte uma nova e ambiciosa serva, Abigail. A novata acaba se aproximando da monarca, e a amizade crescente entre as duas desperta a ira de Sarah —mas Abigail não vai deixar ninguém atrapalhar seus objetivos.

Vencedor do Grande Prêmio Especial do Júri e da Copa Volpi de Melhor Atriz para Olivia Colman no Festival de Veneza.

A Madeline de Madeline | Madeline’s Madeline | dir. Josephine Decker | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Às vezes, Madeline é um gato, outras, uma tartaruga. No entanto, mesmo quando ela é Madeline, é difícil dizer se está apenas interpretando o papel de Madeline. Aos olhos de sua ansiosa mãe, a garota é uma criatura vulnerável cujo óbvio distúrbio mental requer cuidado e tratamento médico. Mas no palco, na oficina teatral dirigida pela exigente e por vezes até mesmo imprudente, Evangeline, Madeline é uma força da natureza.

Coincoin e os Inumanos | Coincoin et les Z’inhumains | dir. Bruno Dumont | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Continuação de O Pequeno Quinquin, também dirigido por Bruno Dumont, Coincoin e os Inumanos reúne os quatro episódios da série homônima. Na trama, Quinquin agora é um adolescente que responde pelo apelido de Coincoin. Ele participa de reuniões do Partido Nacionalista com seu amigo de infância Fatso e seu antigo amor, Eve, o abandonou por Corinne. Quando um misterioso magma surge perto da cidade, os habitantes repentinamente começam a se comportar de modo estranho. Junto com o capitão Van Der Weyden e seu fiel assistente Carpentier, eles investigam esse fenômeno, que tudo indica se tratar de um ataque alienígena.

Em Chamas | Beoning | dir. Lee Chang-dong | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Jongsu é um entregador que, no meio de um trabalho, reencontra Haemi, uma garota que já morou em sua vizinhança. A moça pergunta se ele poderia cuidar do seu gato enquanto ela estiver na África. Na volta, Haemi apresenta Jongsu a Ben, um jovem enigmático que ela conheceu durante a viagem. Um dia, Ben conta a Jongsu sobre seu hobby mais incomum. Baseado no conto Queimar Celeiros, do escritor japonês Haruki Murakami.

Vencedor do Prêmio da Crítica no Festival de Cannes.

Guerra Fria | Zimna wojna | dir. Paweł Pawlikowski | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Uma história de amor entre duas pessoas de origens distintas e temperamentos diferentes, fatalmente incompatíveis, mas ainda assim fatalmente condenadas uma à outra. Tendo como pano de fundo a Guerra Fria na década de 1950 na Polônia, em Berlim, na antiga Iugoslávia e em Paris, o filme retrata um amor impossível em tempos impossíveis.

Vencedor do Prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes.

Infiltrado na Klan | BlackKklansman | dir. Spike Lee | Site da Mostra | IMDb | Trailer

No início dos anos 1970, época de grandes convulsões sociais e luta pelos direitos civis, Ron Stallworth torna-se o primeiro detetive afro-americano no Departamento de Polícia de Colorado Springs. Mas sua chegada é recebida com ceticismo e hostilidade por parte da divisão. Destemido, Stallworth resolve fazer a diferença em sua comunidade e parte em uma perigosa missão: se infiltrar e expor a Ku Klux Klan.

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes.

Poderia Me Perdoar? | Can You Ever Forgive Me? | dir. Marielle Heller | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Lee Israel é uma aclamada autora de biografias. Nas décadas de 1970 e 1980, publicou obras sobre Katharine Hepburn, Tallulah Bankhead e Estée Lauder. Quando não consegue mais emplacar propostas de livros porque suas ideias estavam fora de sintonia com o mercado, ela encontra outra saída para ganhar dinheiro. Lee começa a falsificar cartas, documentos e anotações de celebridades.

Vida Selvagem | Wildlife | dir. Paul Dano | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Joe tem 14 anos e é o único filho de Jeanette e Jerry. A família vive em uma pequena cidade no estado de Montana nos anos 1960. Perto dali, acontece um incêndio florestal nas proximidades da fronteira canadense. Quando Jerry perde o emprego, ele decide se juntar ao combate contra o incêndio, deixando a esposa e o filho sozinhos. Subitamente forçado a assumir o papel de adulto, Joe testemunha os esforços de sua mãe, enquanto ela tenta tocar a vida em frente.

Vidas Duplas | Doubles vies | dir. Olivier Assayas | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Alain é um bem-sucedido editor parisiense com dificuldade em se adaptar à revolução digital. Ele tem grandes dúvidas sobre o novo manuscrito de Léonard, um de seus autores de longa data, que lançará um trabalho de autoficção, reciclando seu caso de amor com uma celebridade. Selena, a esposa de Alain, famosa atriz de teatro, é de opinião contrária e elogia a publicação.

Os Melhores Filmes de 2018 | Primeiro Semestre

Como tradicionalmente é preparado neste endereço a cada fim de um semestre, trago para este mês de julho que se despede do calendário aqueles filmes que despontaram como os melhores de 2018. Considerando tanto os lançamentos no circuito de cinema quanto aqueles que vão direto para o mercado de homevideo e streaming, a seleção a seguir se mostrou naturalmente diversa.

Nela, há filmes que começaram com o pé direito a sua trajetória em festivais, depois finalmente alcançando um público mais amplo com sucesso. Como é o caso do primeiro colocado, “Três Anúncios Para Um Crime”. Outros merecem uma chance após serem misteriosamente rejeitado pelas distribuidoras para exibição na tela grande, como o provocador “Happy End” e o fascinante documentário “78/52”, que destrincha cada um dos detalhes da famosa cena do chuveiro de “Psicose”.

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OUTROS DESTAQUES:

50 São os Novos 30A Repartição do TempoA Vida Extra-Ordinária de Tarso de CastroAuto de ResistênciaMe Chame Pelo Seu Nome • Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi • O Motorista de Táxi • Os Estranhos: Caçada Noturna

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#10. Em Pedaços, de Fatih Akin +

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#9. As Aventuras de Paddington 2, de Paul King +

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#8. The Post: Guerra Secreta, de Steven Spielberg +

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#7. O Sacrifício do Cervo Sagrado, de Yorgos Lanthimos +

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#6. Happy End, de Michael Haneke +

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#5. Réquiem Para Sra. J, de Bojan Vuletić +

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#4. Projeto Flórida, de Sean Baker

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78/52

#3. 78/52, de Alexandre O. Philippe +

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Sem Amor

#2. Sem Amor, de Andrey Zvyagintsev +

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#1. Três Anúncios Para Um Crime, de Martin McDonagh +

Os 10 Melhores Pôsteres de 2017

Como é tradição no Cine Resenhas, sempre é preparado uma seleção de melhores do ano cobrindo algumas categorias em cinema. Hoje, trazemos aqueles que foram os mais belos pôsteres de 2017. Além de uma peça de divulgação, as artes abaixo buscam sintetizar em uma única imagem o que um filme deve oferecer, os principais responsáveis pro sua realização, taglines e outros elementos criativos para atiçar a curiosidade do espectador. O famoso “julgar o livro pela capa” às vezes também se aplica no cinema, muitos podem dizer.

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Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2017

O Cine Resenhas nunca teve uma oportunidade tão grande quanto em 2017 para prestigiar o cinema nacional. Graças ao acesso proporcionado para fazer entrevistas com diretores e intérpretes, dando novo fôlego a um trabalho de cobertura que logo completará 11 anos. Portanto, nada melhor do que celebrar esse passo tão importante para o nosso histórico preparando pela primeira vez no espaço um top 10 com as melhores produções brasileiras lançadas no último ano, seguida de comentários e links complementares para análises na íntegra e entrevistas cedidas.

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#10. Beduíno, de Júlio Bressane

Bressane pode continuar a defesa de que “Beduino”, assim como qualquer outro filme com a sua assinatura, sobre nada se trata. Mas o que não falta aqui é substância nos atritos que pautam as inúmeras personificações de Alessandra Negrini e Fernando Eiras. Em comum, as identidades femininas partilham o tom de malícia dos diálogos de natureza literária de Negrini, enquanto as masculinas sinalizam uma inquietação não verbalizada por Eiras.

Outra vez, o velho e o novo confluem. Ele gosta de coisas antigas. Ela é moderna. O corpo de Negrini é matéria para tomadas exuberantes, possíveis pela flexibilidade de um novo suporte – como também o é para ressuscitar “Memórias de um Estrangulador de Loiras”, filme maldito produzido pelo cineasta em exílio em 1971. Um artista plenamente consciente de sua bagagem, encontrando no hoje um meio de prosseguir eloquente e renovado.

+ Análise na íntegra
+ Os 10 Melhores Filmes da 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

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#9. Bingo: O Rei das Manhãs, de Daniel Rezende

Selecionado para concorrer ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, o filme de Daniel Rezende ficou de fora da lista de semifinalistas divulgada em dezembro. Isso não significa que o Brasil não tenha acertado em sua escolha de representante. Indicado ao Oscar pela montagem de “Cidade de Deus”, Daniel Rezende faz uma estreia segura na direção de longa-metragem, ainda que tenha que prestar contas ao roteiro de Luiz Bolognesi que por vezes enaltece demais a figura real de Arlindo Barreto, responsável por vestir o figurino do palhaço Bozo enquanto afundava em sua vida privada. Vibrante na maior parte do tempo não somente por sua impecável reconstituição de época, como também no modo como acompanha o ápice e queda de um homem em luta para assumir o protagonismo com o seu talento, aqui interpretado por Vladimir Brichta em seu melhor momento.

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#8. Vermelho Russo, de Charly Braun

O diretor Charly Braun já havia com “Além da Estrada”, o seu primeiro longa de ficção, explorado a posição de quem está em uma “terra estranha”. Aqui, ele embaralha ainda mais o estranhamento que isso provoca propondo um experimento em que a linha que separa o verídico da ficção é borrada. Como se percebe, Martha Nowill (que inclusive teve o seu diário de viagem para a Rússia em tempos distintos como base para a elaboração do roteiro) e Maria Manoella emprestam versões de si mesmas e a dúvida sobre o núcleo coadjuvante ter se submetido a esse jogo permanecerá após o rolar dos créditos finais.

Porém, a principal virtude de “Vermelho Russo” é encontrar um ápice em que o espectador seja capaz de se conectar com a história narrada sem necessariamente pertencer ao nicho das artes que se encena. A proposta não é nem um pouco pretensiosa e o seu registro, por vezes documental, encontra a beleza sem necessariamente se prender a cartões-postais. No fim das contas, assim como Martha e Maria, estamos todos inseridos em um tablado em busca de algum equilíbrio.

+ Análise na íntegra
+ Entrevista com as atrizes Martha Nowill e Maria Manoella
+ Entrevista com o diretor Charly Braun

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#7. Martírio, de Vincent Carelli

É de se exaltar que a questão indígena esteja em pauta em nossa cinematografia. Na ficção, ela foi trabalhada de forma central em “Antes o Tempo Não Acabava” e “Não Devore Meu Coração!”. No documentário, tivemos “Taego Ãwa” e “Martírio”, este sendo o melhor desse recorte específico. Nascido na França, Vincent Carelli transforma anos de pesquisa antropológica em um atestado sobre a comunidade Guarani Kaiowá, em processo de extinção devido aos interesses territoriais do agronegócio. A longa duração do registro não apenas faz uma cobertura completa de um extermínio sustentado e ignorado por anos, como reflete a longa caminhada por um desejo de justiça que parece que jamais se concretizará.

+ Os 10 Melhores Filmes da 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

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#6. Axé: Canto Do Povo De Um Lugar, de Chico Kertész

Não se testemunhou sessão de cinema mais vibrante do que a da première de “Axé: Canto Do Povo De Um Lugar” na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo de 2016. Com a presença de Daniela Mercury na plateia, a sensação era a de estar diante do show que a própria cantora fez nos anos 1990 no Vão Livre do MASP, evento que parou toda a Avenida Paulista. Não foi à toa. O registro documental de Chico Kertész reacende o interesse pelo gênero musical baiano com um forte sentimento de nostalgia, do seu nascimento até as vozes que ainda o sustenta de forma remodelada. Até os mais avessos ao axé se verão cantarolando e com vontade de dançar com as músicas de Luiz Caldas, Olodum, Araketu, Ivete Sangalo, É o Tchan!, Netinho e tantos outros.

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#5. Waiting For B., de Abigail Spindel e Paulo Cesar Toledo

Exibido no último Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade, este documentário acerca dos fãs que acamparam durante dois meses para assistir ao show da Beyoncé em 2013 no Estádio do Morumbi é daqueles que desfazem qualquer preconceito com jovens com uma devoção extrema por uma artista. Isso acontece porque os codiretores Abigail Spindel e Paulo Cesar Toledo fazem um mapeamento perspicaz da vida privada de cada um deles, inseridos em cenários que nem sempre autorizam que externem quem verdadeiramente são, encontrando em um talento da música uma opção de fuga da realidade. Muito além disso, “Waiting for B.” é extremamente divertido ao acompanhar uma pequena comunidade se formando dentro de uma cabana em que confidências, piadas e demonstrações de amizade são trocadas sem reservas.

+ Análise na íntegra
+ Entrevista com a codiretora Abigail Spindel

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#4. Deserto, de Guilherme Weber

Em seus melhores momentos, “Deserto” apresenta um caráter bem provocativo na reorganização do seu microcosmo, por vezes evocando inclusive “Manderlay”, de Lars von Trier. Cedo ou tarde, todos esses artistas vão protagonizar ações movidos pela cobiça ou necessidade, revelando não somente o instinto primitivo característico de nossa natureza, mas também a consequência de se aprisionar em modelos pré-estabelecidos.

A esse contexto, encenado em um cenário com traços pós-apocalípticos, vem a esplendorosa fotografia do português Rui Poças, parceiro constante de João Pedro Rodrigues (“O Ornitólogo”) e Miguel Gomes (“Tabu”) em sua primeira contribuição na cinematografia brasileira, transformando cada plano em uma verdadeira pintura. Como elemento anacrônico, vem a música da banda “Beijo AA Força”, “A Partida”, estabelecendo laços desconfortáveis com nossa contemporaneidade.

+ Análise na íntegra
+ Entrevista com o diretor Guilherme Weber
+ Entrevista com os atores Cida Moreira e Marcio Rosario

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#3. As Duas Irenes, de Fabio Meira

A premissa de vida dupla ganha uma abordagem extremamente original pelas mãos de Fabio Meira em “As Duas Irenes”, a sua estreia como diretor de longa-metragem já carregando a distinção de ter sido exibido em uma mostra paralela do Festival de Berlim. Sem recato, registra o cotidiano das Irenes vividas por Priscila Bittencourt e Isabela Torres quando a primeira descobre ser irmã da segunda, consequência de um pai, Tonico (Marco Ricca), que mantém em segredo o fato de ser o chefe de duas famílias. A pré-adolescência é talvez o período de maiores incertezas da existência humana e Meira se apropria disso para inclusive discutir sobre identidade, aqui fragmentada pelo espaço que se ocupa e o que se deseja habitar, pelos desejos na puberdade e até por um contexto de valores que parecem perdidos no tempo. A conclusão é particularmente extraordinária.

+ 9 Perguntas Secretas com Priscila Bittencourt e Isabela Torres
+ Entrevista com as atrizes Priscila Bittencourt e Isabela Torres
+ Entrevista com a atriz Inês Peixoto

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#2. Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky

Laís Bodanzky promoveu “Como Nossos Pais” sob a tese de que o seu filme defenderia um novo modelo de mulher que se reconfigura em nossa contemporaneidade, não mais conformada com as convenções de esposa, mãe e dona do lar. Rosa (Maria Ribeiro) se vê mesmo nessa situação. De tão insatisfeita, não há uma cena em que não a flagramos à beira de um ataque de nervos. Mas “Como Nossos Pais” é tão mais que isso. Trata também, evidentemente, sobre a influência que a nossa geração passada exerce sobre nós e, principalmente, sobre a necessidade de se permitir a uma liberdade nem sempre possível com as responsabilidades assumidas para toda a vida e compreendida quando de fato batemos de cara com a sua finitude, aqui na forma implacável da mãe de Rosa interpretada pela grande Clarisse Abujamra.

+ Entrevista com a diretora Laís Bodanzky e a atriz Maria Ribeiro

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#1. Animal Político, de Tião

Tião, uma assinatura ostentada como diretor e roteirista por si só incomum, sabe como causar um efeito desnorteador, sendo astuto o suficiente para refletir sobre a banalidade de nossa existência impondo uma figura que embaralha as nossas certezas. A essa escolha, vem uma estrutura que quebra a linearidade do primeiro ato com uma nova história aparentemente individual, “A Pequena Caucasiana”, em que a ruiva Elisa Heidrich caminha totalmente nua aguardando desde a infância que alguém a resgate em uma ilha deserta.

Há outras ideias geniais no curso de “Animal Político”, como associar um livro da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como uma espécie de bíblia ou monumento para atingir a sabedoria suprema sobre o sentido da vida. Há também uma reencenação de “2001: Uma Odisseia no Espaço”, dando ênfase ao nosso processo evolutivo. Muito mais que cômicas, tais estranhezas agregam muito peso para devaneios essencialmente mundanos, todos a serviço de uma realização que compreende que o experimentalismo vem mais de uma retirada temporária da zona de conforto e menos de uma agressão aos sentidos e intelectualidade. Desde já, um dos melhores filmes nacionais do ano.

+ Análise na íntegra

Os 10 Piores Filmes de 2017

Geralmente, o Cine Resenhas divulga a sua lista de piores como a última postagem de seu respectivo ano de seleção. Um ritual para deixar para trás o que de ruim vimos para começar um novo ano focando no positivo. Lamentavelmente, não foi possível respeitar a tradição por outros compromissos do campo privado. O que não significa que começar um novo calendário com coisas negativas também não funcione como um procedimento de desprendimento para abraçar novas metas e resoluções.

Parece exagero, mas os filmes listados a seguir chegam a desmotivar o exercício da atividade de falar sobre cinema. É quando a sensação de tempo perdido bate forte. Quando o esforço de produzir uma análise se converte em fardo. E quando o desencanto pela arte cinematográfica contemporânea se torna possível. Nada que não mude de figura quando voltamos à sala escura ou selecionamos algo para ver no conforto do lar e nos deparamos com algo realmente bom ao ponto que espantar o pessimismo.

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#10. A Torre Negra, de Nikolaj Arcel

Composta por oito volumes, a série literária “A Torre Negra” é considerada um dos maiores feitos da carreira do mestre do terror Stephen King. No entanto, estava penando para conseguir uma adaptação para o cinema, algo que foi possível em 2017. A expectativa era de ver uma nova franquia se desenhando, mas a primeira aventura protagonizada pelo Pistoleiro Roland Deschain (o superestimadíssimo Idris Elba) se transformou em algo sem qualquer sentido, totalmente apressado em estabelecer um universo que ambicionava estender em sequências que, já sabemos, não acontecerão. Em suma, um fiasco que somente alimentou uma onda de azar povoando as adaptações de King, felizmente quebrada com os lançamentos posteriores de “It: A Coisa” e “Jogo Perigoso”.

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#9. Tudo e Todas as Coisas, de Stella Meghie

Diretora de “Jean of the Joneses”, comédia indicada ao Independent Spirit Award 2017 na categoria de Melhor Primeiro Roteiro, Stella Meghie até exerce alguma influência em “Tudo e Todas as Cores”, como a escolha de uma dupla de protagonistas comum em um relacionamento interracial encenado com uma naturalidade tão bem-vinda em tempos em que tal escolha é problematizada ao ponto de ser a pauta central de uma narrativa. Por outro lado, não se extrai muitos frutos a partir de materiais ocos, com a história logo ultrajando uma condição em favor de uma resolução repulsiva e criminosa especialmente pelo seu viés açucarado. De fazer temer o que é ofertado para os adolescentes consumirem.

+ Análise na íntegra

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#8. De Canção em Canção, de Terrence Malick

Antes um cineasta bissexto, Terrence Malick é agora um sujeito que filma sem parar. Quem vê um filme com a sua assinatura não precisará mais aguardar quase uma década por mais. Na verdade, nem precisa esperar por um ano. Mas algo se perdeu, pois o que antes parecia ser algo confeccionado com muito cuidado e delicadeza hoje não passa de repetição. De engodo mesmo, para ser bem franco.

+ Análise na íntegra no canal do Cine Resenhas no YouTube

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#7. Bye Bye Jaqueline, de Anderson Simão

Os jovens da classe C são um dos principais a formar o público que frequenta as salas de cinema, mas é realmente raro a nossa ficção produzir um registro que de fato consiga servir como um espelho sem filtros de uma geração cercada de tantos dilemas. Mas embora os tipos centrais de “Bye Bye Jaqueline” sejam genuinamente comuns na aparência e no modo como se expressam, há problemas gritantes na condução de Anderson Simão e no texto de Wellington Sari. O baixo orçamento de 130 mil reais não é justificativa para se fazer algo nada cinematográfico, da direção dos atores ao modo como são acomodados dentro de um plano, da péssima construção de personagens (o que dizer do professor interpretado por Sari?) ao sentimento de que eles não se movem para qualquer destino ao final.

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#6. Liga da Justiça, de Zack Snyder

A analogia é fraca, mas assistir a “Liga da Justiça” é como revisitar aquele passado escolar nebuloso, no qual você, provavelmente o aluno antissocial da sala, era obrigado a formar um grupo com componentes com os quais não tinha qualquer afinidade para o desenvolvimento de uma atividade. A história avança, a união é inevitável, mas Batman (Ben Affleck), Superman (Henry Cavill), Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Flash (Ezra Miller), Aquaman (Jason Momoa) e Ciborgue (Ray Fisher) não ornam como um conjunto. Na verdade, mais parece um arremedo de tudo que vem dado errado no DC Universe, tornando até mesmo um tanto palatáveis frustrações como “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” e “Esquadrão Suicida”.

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#5. Resident Evil 6: O Capítulo Final, de Paul W. S. Anderson

Embora eu tenha assistido o primeiro “Resident Evil”, “O Hóspede Maldito”, quando tinha apenas 13 ou 14 anos, é um filme que volta e meia revisito sem que o meu conceito sobre ele sofra abalos. Bem como qualquer outro episódio de uma franquia que, mesmo com altos e baixos bem evidentes, sempre se mostrou como um escapismo delicioso. Por tudo isso, é uma pena que “O Capítulo Final” seja um ponto final tão amargo, no qual todo apelo por personagens e por uma estética estilizada se dissipou.

+ Análise na íntegra no canal do Cine Resenhas no YouTube

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#4. Muito Romântico, de  Gustavo Jahn e Melissa Dullius

O que não falta são casos de grandes filmes nascidos a partir de vivências particulares de seu diretor, dando amplitude a uma história privada que, como por encanto, é capaz de reverberar ao coletivo. Pois “Muito Romântico” é a forma que se tem quando isso não é alcançado, quando o resultado nada mais parece que um exibicionismo, um capricho de seus envolvidos que jamais deveria ter ganhado as multidões. Casal na vida real e na ficção, Gustavo Jahn e Melissa Dullius enveredam por um experimentalismo presunçoso e que nada comunica, encontrando neles mesmos a única plateia que resista ao fim da projeção com alguma luz de deslumbre.

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#3. Emoji: O Filme, de Tony Leondis

Após o lançamento da Universal de um filme em live action inspirado em batalha naval, o estúdio concorrente Sony achou que, anos depois, seria uma boa ideia dar forma a uma ideia no mínimo absurda: a de transformar os emojis que tanto habitam as nossas interações virtuais em personagens de uma animação em longa-metragem. Com um humor voltado ao público infantil, o resultado de “Emoji: O Filme” é catastrófico, com uma história batida sobre inadequações servindo de mero detalhe para costurar gags virtuais coloridas ao ponto de causar convulsão. Um claro candidato a “brilhar” nas indicações ao novo Framboesa de Ouro que se aproxima.

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#2. Internet: O Filme, de Filippo Capuzzi Lapietra

Rafinha Bastos é um sujeito com muito mais repertório e jogo de cintura que o seu colega Danilo Gentili, seja como apresentador ou como comediante. No entanto, meio que empata com ele na empreitada no cinema, pois o seu “Internet: O Filme” é tão fútil, tão ofensivo e tão vergonhoso para a cinematografia nacional quanto “Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola”. Mas ao menos aqui há uma valia: a de documentar, no formato de ficção, a “cultura do lixo” que se constitui o universo dos youtubers, que certamente será repensada futuramente de modo crítico quanto aos danos provocados pela tecnologia ao parir influenciadores descerebrados com um púlpito todo seu.

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#1. Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola, de Fabrício Bittar

Ao pensar que está acima de tudo, Gentili e os seus dois seguidores em progresso (que poderiam muito bem representar os milhares que o acompanham do lado de cá na televisão e nos dispositivos) na realidade retrocedem, voltando a um estado ainda mais primitivo que a do sistema em que estão inseridos. Rasga-se o conhecimento. Perde-se a consciência. Vomita-se. Defeca-se. Responde-se com graça diante da perversão de menores. Persegue-se quem desaprova – opa!. Torna-se nem o pior que é o melhor ou vice-versa, mas sim o idiota que se reconhece como tal e ainda dá risada.

+ Análise na íntegra
+ Entrevista com Danilo Gentili e Fabrício Bittar
+ Entrevista com Carlos Villagrán

Os 10 Melhores Filmes da 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Seguindo a tradição de edições anteriores da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o Cine Resenhas convocou alguns colegas de blogosfera e de encontros e desencontros durante a maratona de filmes para contribuir com o levantamento dos melhores da 41ª edição produzido a seguir. Dentro de uma programação com quase 400 títulos, chegamos à lista com os 10 mais celebrados – excetuando curtas e retrospectivas, as demais produções foram elegíveis para votação.

A ordem do décimo ao primeiro colocado foi estabelecida com base nas posições em que os filmes se apresentaram dentro de cada relação individual, devidamente disponível na última parte desta publicação. Ainda que não tenha sido necessário somar a quantidade de menções de cada um como critério de desempante (como aconteceu no ano passado, no qual “Elle” e “Martírio” contavam com a mesma pontuação, mas com quantidade diferente de citações), a informação está presente ao lado dos pontos obtidos.

O Cine Resenhas agradece a participação dos 19 convidados para este ano e aproveita para recomendar ao leitor a visita em seus endereços, devidamente lincados nas listas individuais.

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10º Lugar
The Square, de Ruben Östland 
36 pontos | 7 menções

Muito se falou como “The Square” questiona o limite da arte, e mesmo da arte performática e da própria liberdade de expressão. Mas embora esse seja um dos pontos centrais do filme, ele funciona melhor quando aborda as dinâmicas sociais de relacionamento. Com um humor ácido, pontuado pelo uso da música “Ave Maria”, que dialoga como o nome do protagonista do mesmo modo como suas ações criam antíteses com ele, a narrativa é mais eficiente em sua primeira metade, no sentido de deixar claro o que pretende dizer. O resultado é uma obra provocativa e instigante. + [Isabel WittmannEstante da Sala]

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9º Lugar
Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans 
41 pontos | 5 menções

Em momento de reformas trabalhistas baseadas na invisibilização daqueles que são os principais afetados por elas, um filme como “Arábia”, em toda sua profundidade, chega justamente para descortinar a barreira que políticas velhas liberais insistem em criar. Ao expor, de maneira simples e muito orgânica, as andanças de Cristiano por Minas Gerais, traz a realidade para que seja vista por todos, próximos e distantes, conhecedores e ignorantes daquele que é o cotidiano de tantos brasileiros. + [Cecilia BarrosoCenas de Cinema]

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8º Lugar
O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel 
50 pontos | 8 menções

Garrel segue interessado pela dubiedade dos relacionamentos amorosos, pelas inconstâncias humanas a partir dos desejos de cada um, através daquele delicado toque anacrônico e melancólico, só que firmado nos dias atuais – algo já tanto reprocessado por ele mesmo, mas em ambientação sempre muito gostosa de revisitar. [Rafael CarvalhoMoviola Digital]

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7º Lugar
Três Anúncios Para Um Crime, de Martin McDonagh 
52 pontos | 7 menções

Sem abrir mão do seu humor desconcertante, desse em que o espectador repensa sobre a gargalhada sonora que deu no segundo seguinte, McDonagh ainda oferece um filme humano que jamais desacredita na possibilidade de redenção de seus protagonistas, inclusive Dixon, aquele modelo incorrigível no qual jamais depositaríamos qualquer possibilidade de recomeço. Por tudo isso, a sede de vingança vem a ser secundária quando o fardo de continuar seguindo em frente é mais tolerável. + [Alex GonçalvesCine Resenhas]

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6º Lugar
Loveless, de Andrey Zvyagintsev 
54 pontos | 8 menções

A obra termina, ao mesmo tempo, de forma pessimista, elegante e cíclica, revisitando os galhos secos, decorrentes da frieza natural do ambiente no qual foram impostos, que vimos no início. Galhos que representam uma árvore genealógica de frieza tão característica dos estereótipos russos, mas que retratam uma história que poderia ter acontecido em qualquer lugar. É um filme que te esgota, que rouba sua força vital não através da tensão, mas do desamparo. Se Alyosha é encontrado ou não, no final, não importa. Ele é um sintoma, desde sempre um fantasma, um equívoco, e essa constatação vem no meio da projeção, quando nos ocorre de que o garoto nem ao menos chegou a existir. + [Cauê PetitoNervos]

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5º Lugar
Scary Mother, de Ana Urushadze
56 pontos | 9 menções

“Scary Mother” não é um filme convencional, nem uma abstração intragável. É sim uma convincente amálgama do real e o imaginário, comunicando sua narrativa ao espectador através de pequenos detalhes e sugestões, assim como sua protagonista encontra inspiração nos azulejos manchados de seu banheiro. Há algum momento ou outro redundante ou autoexplicativo, mas a experiência satisfaz por permitir que o público faça suas interpretações e por isso se coloque no lugar da própria Manana. Não é de se assustar que tenha sido escolhido como representante da Geórgia nos Oscar de 2018. + [Caio VechiatoCinematecando]

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4º Lugar
O Dia Depois, de Hong Sang-soo 
58 pontos | 9 menções

Falsas identidades que levam a falsas percepções de narrativa. A esposa confunde a amante, a novata fica confusa a respeito de quem é, de fato, seu chefe e o chefe é mais um daqueles machos hongsangsoonianos (essa expressão existe?) idiotas que se escondem sob uma falaciosa superioridade em face das mulheres ao seu redor. Neste sentido, não deixa de ser um binômio construção-desconstrução de personalidades que é operado pela estrutura narrativa não-linear. [Yuri DeliberalliDiscurso Cinematográfico]

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3º Lugar
Visages, Villages, de Agnès Varda e JR 
71 pontos | 10 menções

As discussões entre Varda e JR são hilárias e cheias de afeto e todo esse carinho é impresso na telona. Além das risadas garantidas, o documentário também se encaminha para um lado mais profundo, quando os entrevistados dessas pequenas cidades narram suas histórias. A cada local que passam, Varda e JR deixam um registro de sua visita e logo partem em busca de novas histórias e imagens. “Visages, Villages” é divertido porque cativa o espectador por conta do carisma de seus diretores, mas também desperta emoção ao registrar, de forma imagética, sentimentos de ilustres desconhecidos comovidos pelas proezas de dois grandes artistas. + [Vitor BúrigoCINEVITOR]

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2º Lugar
Custódia, de Xavier Legrand
79 pontos | 11 menções

O espectador é levado a fazer os cálculos do desfecho sem se perder. É como se a gente já conhecesse histórias semelhantes, ao mesmo tempo que queremos que nada de ruim aconteça. Eu espero que “Custódia” chegue facilmente no nosso circuitão comercial, porque o filme é tão bom quanto necessário no momento presente. + [Adécio Moreira Jr., Poses e Neuroses]

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1º Lugar
As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
89 pontos | 14 menções

O trabalho de Marco Dutra e Juliana Rojas está em constante evolução. Dos primeiros curtas aos longas realizados solo ou em parceria, a dupla de cineastas construiu uma carreira sólida, explorando os limites do cinema de gênero, algo raro na produção do nosso país e encontrando uma assinatura que cria um elo entre todos os trabalhos que lançaram até agora. Nesse sentido, “As Boas Maneiras” é o filme mais bem resolvido dos dois, que namoram com um cinema mais popular, mas não abrem mão das próprias marcas e da ousadia.  + [Chico FiremanFilmes do Chico]

 

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Os 10 melhores filmes da 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo segundo Alex Gonçalves, editor do Cine Resenhas:

01. Três Anúncios Para Um Crime, de Martin McDonagh
02. Loveless, de Andrey Zvyagintsev
03. A Sombra da Árvore, de Haffsteinn Gunnar Sigurdsson
04. Scary Mother, de Ana Urushadze
05. Happy End, de Michael Haneke
06. Custódia, de Xavier Legrand
07. Bikini Moon, de Milcho Manchevski
08. A Trama, de Laurent Cantet
09. Não Me Ame, de Alexandros Avranas
10. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra

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Os convidados:

Adécio Moreira Jr. | Poses e Neuroses

01. Pororoca, de Constantin Popescu
02. Custódia, de Xavier Legrand
03. Assim é a Vida, de Eric Toledano e Olivier Nakache
04. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
05. Três Anúncios Para um Crime, de Martin McDonagh
06. Feio e Cega, de Tom Lass
07. Lucky, de John Carroll Lynch
08. Ana, Meu Amor, de Cãlin Peter Netzer
09. Aos Teus Olhos, de Carolina Jabor
10. The Square, de Ruben Östland

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Adriano Garrett | Cine Festivais

01. 24 Frames, de Abbas Kiarostami
02. Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans
03. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
04. Custódia, de Xavier Legrand
05. O Dia Depois, de Hong Sang-soo
06. Aqueles Que Estão Bem, de Cyril Schäublin
07. Cocote, de Nelson Carlo de los Santos Arias
08. Napalm, de Claude Lanzmann
09. Três Quartos, de Ilian Metev
10. Scary Mother, de Ana Urushadze

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Caio Vechiato | Cinematecando

01. Visages, Villages, de Agnès Varda e JR
02. Sem Data, Sem Assinatura, de Vahid Jalilvand
03. Babylon Berlin, de Achim von Borries, Henk Handloegten e Tom Tykwer
04. Uma Questão Pessoal, de Pablo e Vittorio Taviani
05. O Outro Lado da Esperança, de Aki Kaurismäki
06. Scary Mother, de Ana Urushadze
07. Lucky, de John Carroll Lynch
08. Aos Teus Olhos, de Carolina Jabor
09. O Trabalho, de Gethin Aldous e Jairus Mcleary
10. A Oeste do Rio Jordão, de Amos Gitaï

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Cauê Petito | Nervos

01. Loveless, de Andrey Zvyagintsev
02. Scary Mother, de Ana Urushadze
03. Custódia, de Xavier Legrand
04. Três Anúncios Para Um Crime, de Martin McDonagh
05. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
06. Dhogs, de Andrés Goteira
07. Feio, de Juri Rechinsky
08. Bikini Moon, de Milcho Manchevski
09. Sexo, Piedade e Solidão, de Lars Montag
10. Happy End, de Michael Haneke

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Cecilia Barroso | Cenas de Cinema

01. Cocote, de Nelson Carlo de los Santos Arias
02. Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans
03. Pororoca, de Constantin Popescu
04. Pela Janela, de Caroline Leone
05. Antônio Um Dois Três, de Leonardo Mouramateus
06. O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel
07. O Pacto de Adriana, de Lissette Orozco
08. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
09. A Trama, de Laurent Cantet
10. Grão, de Semih Kaplanoğlu

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Chico Fireman | Filmes do Chico

01. O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel
02. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
03. Pela Janela, de Caroline Leone
04. Cocote, de Nelson Carlo de Los Santos Arias
05. Custódia, de Xavier Legrand
06. 24 Frames, de Abbas Kiarostami
07. Três Anúncios para um Crime, de Martin McDonagh
08. O Dia Depois, de Hong Sang-soo
09. A Telenovela Errante, de Raúl Ruiz e Valeria Sarmiento
10. O Outro Lado da Esperança, de Aki Kaurismäki

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Christian Barroso | Mostreiro

01. Visages, Villages, de Agnès Varda e JR
02. O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel
03. Scary Mother, de Ana Urushadze
04. O Dia Depois, de Hong Sang-soo
05. Cocote, de Nelson Carlo de los Santos Arias
06. Loveless, de Andrey Zvyagintsev
07. A Telenovela Errante, de Raúl Ruiz e Valeria Sarmiento
08. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
09. Custódia, de Xavier Legrand
10. Ana, Meu Amor, de Cãlin Peter Netzer

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Davi Mello | sem tambor, nem trompete

01. 24 Frames, de Abbas Kiarostami
02. Visages, Villages, de Agnès Varda e JR
03. Tempo de Qualidade, de Daan Bakker
04. O Vale das Sombras, de Jonas Matzow Gulbrandsen
05. Cocote, de Nelson Carlo de Los Santos Arias
06. Irmãos do Inverno, de Hlynur Pálmason
07. Esplendor, de Naomi Kawase
08. The Square, de Ruben Östland
09. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
10. O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel

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Hélio Flores | Mostreiro

01. Visages, Villages, de Agnès Varda e JR
02. O Dia Depois, de Hong Sang-soo
03. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
04. O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel
05. Abaixo a Gravidade, de Edgard Navarro
06. Zama, de Lucrecia Martel
07. Essa é a Nossa Terra, de Lucas Belvaux
08. A Trama, de Laurent Cantet
09. Outrage Coda, de Takeshi Kitano
10. Lucky, de John Carroll Lynch

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Isabel Wittmann | Estante da Sala

01. Visages, Villages, de Agnès Varda e JR
02. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
03. A Sombra da Árvore, de Haffsteinn Gunnar Sigurdsson
04. Scary Mother, de Ana Urushadze
05. O Dia Depois, de Hong Sang-soo
06. Loveless, de Andrey Zvyagintsev
07. Praça Paris, de Lúcia Murat
08. Operações de Garantia da Lei e da Ordem, de Júlia Murat
09. The Square, de Ruben Östland
10. Mulheres Divinas, de Petra Biondina Volpe

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Marcelo Ferreira | CINESe7e

01. Pororoca, de Constantin Popescu
02. The Square, de Ruben Östland
03. Loveless, de Andrey Zvyagintsev
04. O Outro Lado da Esperança, de Aki Kaurismäki
05. 1945, de Ferenc Török
06. Além das Palavras, de Urszula Antoniak
07. Happy End, de Michael Haneke
08. Espinho, de Gabriel Tzafka
09. O Vale das Sombras, de Jonas Matzow Gulbrandsen
10. Não Me Ame, de Alexandros Avranas

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Paula C. Ferraz | Sinny Assessoria

01. Custódia, de Xavier Legrand
02. Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans
03. Pela Janela, de Caroline Leone
04. A Noiva do Deserto, de Cecilia Atán e Valeria Pivato
05. Visages, Villages, de Agnès Varda e JR
06. A Sombra da Árvore, de Haffsteinn Gunnar Sigurdsson
07. Temporada de Caça, de Natalia Garagiola
08. Loveless, de Andrey Zvyagintsev
09. O Vale das Sombras, de Jonas Matzow Gulbrandsen
10. Djam, de Tony Gatlif

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Paulo Costa | Cine&Cia

01. Custódia, de Xavier Legrand
02. Três Anúncios Para Um Crime, de Martin McDonagh
03. The Square, de Ruben Östland
04. Com Amor, Van Gogh, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman
05. Berenice Procura, de Allan Fiterman
06. Daphine, de Peter Mackie Burns
07. Human Flow – Não Existe Lar se Não Há para Onde Ir, de Ai Weiwei
08. Severina, de Felipe Hirsch
09. Golias, de Dominik Locher
10. Crianças da Noite, de Andrea de Sica

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Pedro Strazza | O Nerd Contra-Ataca

01. Visages, Villages, de Agnès Varda e JR
02. Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans
03. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
04. O Dia Depois, de Hong Sang-soo
05. O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel
06. A Trama, de Laurent Cantet
07. Zama, de Lucrecia Martel
08. Outrage Coda, de Takeshi Kitano
09. A Telenovela Errante, de Raúl Ruiz e Valeria Sarmiento
10. Lucky, de John Carroll Lynch

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Rafael Carvalho | Moviola Digital

01. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
02. Scary Mother, de Ana Urushadze
03. O Dia Depois, de Hong Sang-soo
04. Loveless, de Andrey Zvyagintsev
05. Visages, Villages, de Agnès Varda e JR
06. Zama, de Lucrecia Martel
07. Custódia, de Xavier Legrand
08. O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel
09. A Telenovela Errante, de Raúl Ruiz e Valeria Sarmiento
10. Cocote, de Nelson Carlo de Los Santos Arias

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Tiago Paes de Lira | Tem Um Tigre no Cinema

01. Human Flow – Não Existe Lar se Não Há para Onde Ir, de Ai Weiwei
02. Visages, Villages, de Agnès Varda e JR
03. Custódia, de Xavier Legrand
04. Os Versos Esquecidos, de Alireza Khatami
05. Scary Mother, de Ana Urushadze
06. Doce País, de Warwick Thornton
07. Feio e Cega, de Tom Lass
08. Pororoca, de Constantin Popescu
09. Em Que Tempo Vivemos?, de Walter Salles, Jia Zhangke e outros
10. O Dia Depois, de Hong Sang-soo

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Vinícius Colares | Mostreiro

01. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
02. O Dia Depois, de Hong Sang-soo
03. Bikini Moon, de Milcho Manchevski
04. Três Anúncios Para Um Crime, de Martin McDonagh
05. Zama, de Lucrecia Martel
06. The Square, de Ruben Östland
07. Pororoca, de Constantin Popescu
08. Os Versos Esquecidos, de Alireza Khatami
09. Gabriel e a Montanha, de Fellipe Barbosa
10. Com Amor, Van Gogh, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman

 

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Vitor BúrigoCINEVITOR

01. Custódia, de Xavier Legrand
02. Três Anúncios Para Um Crime, de Martin McDonagh
03. The Square, de Ruben Östland
04. Loveless, de Andrey Zvyagintsev
05. O Pacto de Adriana, de Lissette Orozco
06. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
07. Scary Mother, de Ana Urushadze
08. A Trama, de Laurent Cantet
09. Gabriel e a Montanha, de Fellipe Barbosa
10. A Sombra da Árvore, de Haffsteinn Gunnar Sigurdsson

 

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Yuri Deliberalli | Discurso Cinematográfico

01. O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel
02. Zama, de Lucrecia Martel
03. O Dia Depois, de Hong Sang-soo
04. Caniba, de Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel
05. 9 Dedos, de F. J. Ossang
06. Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans
07. Essa é a Nossa Terra, de Lucas Belvaux
08. Ramiro, de Manuel Mozos
09. Os 7 Desertores. de Paul Vecchiali
10. Visages, Villages, de Agnès Varda e JR

10 Filmes Para Assistir na 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

A partir desta quinta-feira, 19 de outubro, começa em São Paulo a Mostra Internacional de Cinema, que neste ano chega em sua 41ª edição. Como tradição, o Cine Resenhas, que faz há alguns anos a cobertura da Mostra, prepara como aquecimento uma relação com 10 títulos imperdíveis da programação, que em 2017 apresentará, entre longas de ficção, animações, documentários, curtas e retrospectivas quase 400 títulos.

Veja a seguir as recomendações com ingressos que certamente serão muito disputados durante a Mostra e o que os tornam tão especiais para serem assistidos pelos cinéfilos antes da confirmação de um provável (ou não) lançamento comercial no país.

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Ana, Meu Amor | Ana, Mon Amour | dir. Cãlin Peter Netzer | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Toma conhece Ana enquanto ambos estudam literatura na universidade. Ela tem um leve transtorno mental e sofre de ataques de pânico. Toma a segue por cada um desses lugares escuros onde ela habita. Ele parece estar no controle do relacionamento, mas, na verdade, apenas gravita ao redor de uma mulher que não consegue entender. Quando Ana supera seus medos, Toma permanece sozinho, juntando as peças desse quebra-cabeça e tentando compreender a tempestade pela qual passou.

Por que assistir?: não é fácil apresentar um filme que se destaca com facilidade dentro de uma seleção com três centenas de títulos, mas o romeno Cãlin Peter Netzer conseguiu o feito com “Instinto Materno“, um dos melhores filmes da edição de 2013 na Mostra. “Ana, Meu Amor” é o seu primeiro projeto desde então, tendo sido exibido em competição pelo Urso de Ouro no Festival de Berlim e saindo de lá com um prêmio de contribuição artística para a montadora Dana Bunescu.

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Aos Teus Olhos | dir. Carolina Jabor | Site da Mostra | IMDb

Um jovem professor de natação é acusado pela família de um garoto de sete anos de ter dado um beijo na boca da criança durante uma aula. Antes da denúncia sequer ser comprovada, ele passa a ter sua moral questionada com imensa fúria nas redes sociais por pais, alunos e até funcionários do clube onde trabalha, levando ao envolvimento da polícia. As consequências são inimagináveis.

Por que assistir?: após uma estreia segura na direção com “Boa Sorte“, Carolina Jabor, filha de Arnaldo Jabor, volta com uma história que parece chegar no timing certo, mostrando as consequências dos tempos sombrios de retaliação que vivemos, no qual acusações são feitas sem uma investigação apropriada do contexto. Do Festival do Rio, o filme acaba de sair com quatro prêmios, incluindo Melhor Roteiro.

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As Boas Maneiras | dir. Juliana Rojas e Marco Dutra | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Clara, uma solitária enfermeira que vive na periferia de São Paulo, é contratada pela rica e misteriosa Ana para ser babá de sua criança que está para nascer. De maneira inesperada, as duas mulheres desenvolvem um forte vínculo. Porém, uma fatídica noite mudará os seus planos.

Por que assistir?: trata-se do reencontro de Julia Rojas e Marco Dutra como diretores de um mesmo projeto, prometendo trazer com ele os elementos de “Trabalhar Cansa“. Com cinco vitórias no Festival do Rio, o filme também foi contemplado com o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno.

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Com Amor, Vincent | Loving Vincent | dir. Dorota Kobiela, Hugh Welchman | Site da Mostra | IMDb | Trailer

A vida e a controversa morte de Vincent van Gogh (1853-1890) contadas a partir de suas pinturas e dos personagens que as habitam. A narrativa se desenvolve por meio de entrevistas com personagens próximos ao artista e de reconstruções dramáticas dos eventos que o levaram à morte. O filme apresenta seus mais importantes quadros e o enredo é baseado em cartas escritas por ele. Primeiro longa-metragem feito totalmente em óleo sobre tela.

Por que assistir?: ainda segundo o texto da organização, “Com Amor, Vincent” apresenta os mais importantes quadros do pintor a partir de um enredo baseado em cartas escritas por ele. Mas o seu principal atrativo vem a ser o fato de ser a primeira animação feita totalmente em óleo sobre tela.

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Emma | Il colore nascosto delle cose | dir. Silvio Soldini | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Teo trabalha no departamento de criação de uma moderna agência de publicidade. Gentil e charmoso, ele aproveita a vida sendo um mulherengo inatingível. Emma é cega desde os 16 anos, mas isso não a impediu de se tornar uma osteopata. Ela é bonita, animada e tem ótimos amigos. Quando os dois se conhecem, Teo fica hipnotizado pela voz dela. Intrigado e atraído como nunca esteve por uma mulher cega, ele a chama para um encontro.

Por que assistir?: a premissa agridoce pode até sugerir caminhos melodramáticos fáceis de serem antecipados, mas a assinatura do italiano Silvio Soldini, de “Pão e Tulipas” e do excelente “Que Mais Posso Querer”, promete um novo relato contundente sobre relacionamentos contemporâneos entre opostos.

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Happy End | dir. Michael Haneke | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Por que assistir?: o Cine Resenhas já assistiu o novo filme do austríaco Michael Haneke. A recepção no Festival de Cannes, em que disputou a Palma de Ouro, pode ter sido até morna, mas o realizador segue exercendo como poucos a arte da provocação, traçando aqui uma radiografia dos abismos sociais colocando no centro de sua câmera (e iPhone) uma família bem abastada que não consegue mais sustentar as máscaras da hipocrisia.

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Loveless | Nelyubov | dir. Andrey Zvyagintsev | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Zhenya e Boris estão passando por um terrível divórcio, marcado por ressentimento e frustração. Já com novos parceiros, eles estão ansiosos para recomeçar suas vidas, mesmo que isso signifique a possibilidade de deixar Alyosha, seu filho de 12 anos, em segundo plano. Até que, depois de testemunhar uma das brigas entre os pais, o garoto desaparece.

Por que assistir?: vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Cannes, “Loveless” carrega a assinatura do russo Andrey Zvyagintsev, um veterano da Mostra por traz de filmes como ‘Leviatã“, “Elena” e “O Retorno”. Geralmente pessimistas, os seus relatos trazem uma visão de mundo avassaladora, mas é preciso ficar esperto este ano, pois “Loveless” misteriosamente será exibido uma única vez.

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Não Me Ame | Love Me Not | dir. Alexandros Avranas | Site da Mostra | IMDb

Um casal contrata uma jovem imigrante para ser barriga de aluguel e a trazem para morar com eles. Enquanto o homem passa os dias trabalhando, a mulher e a garota se aproximam e aproveitam a vida abastada do casal. Mas por trás de sua alegria forçada, a mulher parece cada vez mais deprimida. Depois de uma discussão com a jovem, ela sai para dar uma volta de carro. Na mesma noite, o marido recebe uma ligação: sua mulher está morta e seu corpo foi encontrado dentro do veículo destruído.

Por que assistir?: graças à Mostra que o novo cinema grego, geralmente tão desprezado no circuito comercial brasileiro, vem recebendo uma região de devotos. Uma das obras contemporâneas mais populares dessa cinematografia tão nua e crua, “Miss Violence”, é orquestrada por Alexandros Avranas, que volta agora com uma produção fresquinha do último Festival Internacional de Cinema de San Sebastián. Bem que poderia ser exibido também o seu ainda inédito “True Crimes”, com Jim Carrey.

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The Square | dir. Ruben Östlund | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Christian é o respeitado curador de um museu de arte contemporânea, um pai divorciado, mas dedicado, que dirige um carro elétrico e apoia boas causas. Sua próxima exposição é The Square, uma instalação que convida os transeuntes ao altruísmo, lembrando-os de seu papel como seres humanos responsáveis. Mas às vezes é difícil viver de acordo com seus próprios ideais: a resposta tola de Christian pelo roubo de seu celular o leva a situações vergonhosas. Enquanto isso, uma agência de relações públicas cria uma inesperada campanha para promover The Square. A reação é exagerada e conduz Christian, assim como o museu, a uma crise existencial.

Por que assistir?: o fato de ser o vencedor da última Palma de Ouro no Festival de Cannes já é razão suficiente para se ver “The Square”, mas o sueco Ruben Östlund é hoje um nome de distinção, graças ao espetacular “Força Maior“, outro achado primeiramente apresentado no Brasil a partir da Mostra.

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Três Anúncios Para Um Crime | Three Billboards Outside Ebbing, Missouri | dir. Martin McDonagh | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Mildred Hayes é uma mulher do interior de luto pela morte da filha. Após meses sem que o assassinato da garota seja solucionado pela polícia, ela decide se vingar por conta própria.

Por que assistir?: vencedor do prêmio Osella de Ouro de melhor roteiro no Festival de Veneza, o novo filme de Martin McDonagh foi exibido na coletiva para a imprensa da Mostra 2017. Trata-se do roteiro mais formidável do último ano, dotado de um humor desconcertante defendido por um elenco em plena forma – não se via Frances McDormand tão bem no cinema desde “Amigas com Dinheiro” e Sam Rockwell não pode ficar sem uma indicação ao Oscar no ano que vem.